
O Rio Grande do Norte deu mais um passo para fortalecer o ecossistema de inovação de base científica e tecnológica. O Sebrae-RN lançou, na quinta-feira (16), o Programa de Fortalecimento de DeepTech RN, durante seminário realizado na sede da instituição, em Natal. A iniciativa tem como objetivo apoiar pesquisadores na transformação do conhecimento produzido nas universidades e centros de pesquisa em soluções inovadoras, novos negócios e tecnologias com impacto econômico e social.
O programa foi estruturado para desenvolver competências em empreendedorismo, inovação e comercialização de tecnologias, criando um ambiente favorável ao surgimento de empresas de base científica e tecnológica. A proposta também busca aproximar instituições de ensino superior, núcleos de inovação tecnológica (NITs), fundações de apoio, investidores e empresas, reduzindo a distância entre a produção acadêmica e o mercado.
Durante o lançamento, o gerente da Unidade de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, David Góis, destacou que a iniciativa nasce diante do potencial científico do estado.
“Hoje nós lançamos o programa Conexão Pesquisa e Mercado, que tem como foco o desenvolvimento de startups DeepTechs aqui no Rio Grande do Norte. São empresas de base tecnológica, com soluções de alto valor agregado. O Rio Grande do Norte é o terceiro estado com maior densidade de mestres e doutores do Brasil, e entendemos que existe uma oportunidade muito grande de gerar novos negócios de base tecnológica”, afirmou.
O cenário favorável citado pelo gestor é confirmado por levantamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), referente ao período de 2021 a 2024. O estudo coloca o Rio Grande do Norte na terceira posição nacional em número de mestres e doutores titulados proporcionalmente à população, com índice de 242,5 titulados para cada 100 mil habitantes, atrás apenas do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul.
Para David Góis, esse capital intelectual precisa ser convertido em inovação capaz de gerar desenvolvimento para a sociedade.
“Nós temos várias soluções tecnológicas de ponta aqui no estado, não só na área de inteligência artificial, mas também em biotecnologia, computação avançada, robótica e outras áreas. O programa vem justamente para aproximar esses pesquisadores da sociedade, fazendo a ponte entre a academia e o mercado e gerando mais valor para a população.”
Segundo David Góis, o Sebrae atuará de forma contínua durante todas as etapas do desenvolvimento dos projetos.
“É um programa estruturado para orientar os pesquisadores, prestar consultorias, ajudar na formatação do modelo de negócio, treinar os participantes e aproximá-los de potenciais clientes para que consigam comercializar suas tecnologias. Nossa atuação começa na sensibilização e vai até a conexão com o mercado.”
Ecossistema fortalecido
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) participou do lançamento e reforçou a importância da parceria entre academia e setor produtivo. O reitor José Daniel Diniz Melo destacou que o estado reúne condições favoráveis para o desenvolvimento das DeepTechs.
“Temos um ecossistema diferenciado, que conta com apoio e participação direta do Sebrae”, afirmou.
O diretor superintendente do Sebrae, Zeca Melo, falou sobre a importância da UFRN, mencionando como exemplo o Hub do Leite. “O sucesso do projeto se dá, principalmente, pela atuação do Laboleite”, disse.
O que são DeepTechs?
As DeepTechs são empresas criadas a partir de descobertas científicas ou tecnologias avançadas para solucionar desafios complexos em áreas como saúde, biotecnologia, inteligência artificial, energias renováveis, agronegócio, novos materiais e indústria. Diferentemente das startups tradicionais, essas empresas têm como principal característica a forte base em pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.
Com o novo programa, o Sebrae-RN pretende fortalecer esse segmento no estado. A expectativa é capacitar 200 pesquisadores e agentes de inovação por ciclo, validar 20 modelos de negócio, selecionar 10 projetos para as próximas fases do programa e acelerar 10 startups DeepTechs por ciclo, além de conectar esses empreendimentos a grandes empresas e potenciais investidores.