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TBT: AGRIPINO VENCE DISPUTA FAMILIAR E VOLTA AO GOVERNO DO RN NA DÉCADA DE 90

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política do Rio Grande do Norte e redesenhou alianças que pareciam consolidadas. Primos e antigos aliados, José Agripino Maia (PFL) e Lavoisier Maia (PDT) chegaram às urnas em lados opostos, numa disputa que dividiu a família e reuniu, no palanque de Lavoisier, grupos que durante anos haviam sido adversários dos Maia.

A ruptura tinha peso histórico. Lavoisier havia nomeado Agripino prefeito de Natal em 1979 e apoiado sua primeira eleição para governador, em 1982. O cenário, porém, mudou ao longo da década. Em 1990, Lavoisier se aproximou do grupo comandado pelo então governador Geraldo Melo e recebeu o apoio dos Alves, tradicionais adversários de Agripino.

A eleição ocorreu em dois turnos, em 3 de outubro e 25 de novembro. Além de governador e vice, os potiguares escolheram um senador, oito deputados federais e 24 estaduais.

Para José Agripino, que havia sido eleito senador em 1986, voltar à disputa pelo Governo foi uma decisão relacionada à própria manutenção da liderança política do grupo. Em entrevista ao Diário do RN, ele recordou que entrou na corrida eleitoral diante da necessidade de representar seu campo político.

“Foi uma imposição do meu partido, o PFL, uma necessidade de manutenção da liderança partidária”, afirmou.

Do outro lado, Agripino viu antigos adversários e lideranças importantes se reunirem em torno de Lavoisier. Ao recordar a composição daquele palanque, ele destacou o isolamento político que enfrentou no início da disputa.

“Lavoisier foi apoiado por Geraldo Melo, por Aluízio, Henrique, Garibaldi, Wilma. Todos se juntaram. E eu fui candidato sozinho para manter a liderança”, relembrou.

Em meio à disputa, a campanha de Agripino também ganhou um símbolo que atravessou o tempo: o jingle “Já Já Vai Voltar”, referência direta ao seu retorno ao Governo do Estado. A música ganhou força ao longo da corrida eleitoral e entrou para a memória como um dos jingles mais conhecidos da política potiguar.

No primeiro turno, Agripino liderou com 454.528 votos, ou 48,11% dos válidos. Lavoisier recebeu 372.301 (39,40%), seguido por Salomão Gurgel (PT), com 103.616 (10,97%), e Ana Catarina Alves (PTR), com 14.343 (1,52%). Agripino venceu em 113 dos 152 municípios existentes no Estado à época, mas não alcançou a maioria necessária para encerrar a disputa.

No segundo turno, novamente saiu vitorioso. Ao lado do candidato a vice Vivaldo Costa (PL), recebeu 525.229 votos (52,09%), contra 483.067 (47,91%) de Lavoisier, que tinha Arnóbio Abreu (PMDB) como vice. A diferença foi de 42.162 votos.

A vitória levou Agripino de volta ao Governo oito anos depois da primeira eleição para o cargo. Ele sucedeu Geraldo Melo em março de 1991 e tornou-se o primeiro político a conquistar dois mandatos de governador do Rio Grande do Norte desde o fim do Estado Novo, em 1945.

Uma eleição que dividiu os Maia
Mais do que colocar dois primos em lados opostos, a campanha expôs uma divisão até então difícil de imaginar dentro da família Maia. As relações políticas e familiares construídas ao longo de décadas foram atravessadas pela disputa, enquanto Lavoisier se aproximava justamente do grupo Alves, adversário histórico de Agripino.

O ex-governador Cortez Pereira, próximo de Lavoisier, protagonizou um dos episódios lembrados daquele período. Diante da necessidade de escolher entre os dois candidatos, declarou que era mais amigo de Lavoisier do que de Agripino, mas “mais amigo do Rio Grande do Norte do que de Lavoisier” e, por isso, votaria em Agripino.

A disputa foi intensa e chegou ao segundo turno em um Estado politicamente dividido. Se Agripino venceu o Governo, o grupo adversário conquistou a vaga em disputa para o Senado.

Garibaldi Alves Filho (PMDB) foi eleito com 404.206 votos (52,02%), derrotando Carlos Alberto de Sousa (PDC), que obteve 329.793 (42,45%), e José de Anchieta Ferreira Lopes (PCdoB), com 42.991 (5,53%).

Nas eleições proporcionais, o equilíbrio entre os principais grupos também apareceu. Das oito vagas potiguares na Câmara dos Deputados, PMDB e PFL conquistaram três cada, enquanto PRN e PSDB ficaram com uma cadeira. Na Assembleia Legislativa, o PMDB formou a maior bancada, com dez das 24 vagas, seguido pelo PFL, com cinco; PL, com quatro; PDS, com três; e PDT e PT, com uma cadeira cada.

Imagem que fez parte do material de campanha de Agripino em 1990 – Foto: Reprodução

O aviso que Agripino não quis acreditar
A articulação que levaria Lavoisier ao palanque adversário começou antes de a candidatura se tornar pública. Quem acompanhou parte dessa movimentação foi Afonso Lemos, então prefeito de Macau, eleito em 1988. Embora ligado politicamente a José Agripino, ele havia se aproximado do governador Geraldo Melo e acabou tomando conhecimento das conversas que se desenvolviam nos bastidores.

Em entrevista ao Diário do RN, Afonso recorda que Geraldo não tinha um nome competitivo para sua sucessão e permaneceu no Governo, enquanto buscava construir uma candidatura capaz de enfrentar Agripino.

“Geraldo me confidenciou que o candidato do grupo dele ao Governo do Estado seria Lavoisier Maia. Como eu era ligado a Agripino, fui até ele e revelei que Lavoisier estava se aproximando do grupo de Geraldo para ser candidato contra o próprio Agripino, com o apoio dos Alves. Agripino, num primeiro momento, não quis acreditar”, relembrou.

A reação, segundo Afonso, era compreensível diante da proximidade existente entre os integrantes da família. Lavoisier já havia governado o Estado, Agripino o sucedera anos depois e os dois tinham caminhado juntos em disputas anteriores.

“A situação realmente era muito difícil de imaginar, porque a ligação familiar entre Lavoisier, Agripino, Tarcísio Maia e os demais integrantes da família era muito forte. Os Maias eram muito unidos”, afirmou.

Somente quando as conversas avançaram e Lavoisier efetivamente se tornou candidato do campo adversário, segundo Afonso, Agripino percebeu que o movimento antecipado por ele estava se concretizando.

“Agripino não acreditava que Lavoisier aceitaria ser candidato contra ele. Somente quando a articulação se concretizou é que reconheceu que eu havia chamado a atenção para o que estava acontecendo”, contou.

Em resumo, o embate entre os primos marcou a eleição de 1990. Lavoisier reuniu antigos adversários dos Maia e importantes lideranças do Estado, enquanto Agripino enfrentou a divisão familiar e uma ampla aliança para conquistar o segundo mandato. A vitória por pouco mais de 42 mil votos encerrou uma campanha de rupturas e novos arranjos políticos.


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