
A experiência de conhecer de perto uma comunidade marcada pela extrema pobreza mudou a forma como a jornalista Juliana Celli enxerga desigualdade, oportunidades e políticas públicas.
Em vídeo publicado nas redes sociais recentemente, ela relembrou a visita, em 2005, ao distrito rural de Queimadas, em Taipu, no interior potiguar, e a transformação que acompanhou ao longo dos anos.
Na época, Juliana já era jornalista e havia saído de uma realidade que ela própria define como uma “bolha de privilégios”. A comunidade não tinha energia elétrica e, segundo seu relato, era dividida entre dois municípios, permanecendo esquecida pelo poder público.
“Era 2005 e eu já era jornalista. E me deparei com aquela miséria extrema. Sem energia, a comunidade pertencia metade a um município, metade a outro. Esquecida totalmente. Imagina aquelas cenas da África, de extrema pobreza. Assim era Queimadas”, relembrou.
O impacto foi pessoal. “Queimadas mudou a minha vida e a forma como eu penso sobre o mundo.
Eu voltei para casa me sentindo super mal. Não conseguia entender por que algumas pessoas têm tanto e outras nada. Que meritocracia é essa? O que eu fiz para merecer e o que eles fizeram para não merecer?”, questionou.
Anos depois, a jornalista voltou à comunidade diante de uma mudança que, para ela, simbolizava muito mais do que a chegada da eletricidade. Era o acesso a novas possibilidades.
“Recebi a notícia que chegaria ‘Luz para Todos’ em Queimadas. E eu fui lá ver os primeiros bocais chegando. Eu vi de perto aquelas famílias que não tinham acesso à TV, a nada, que viviam da luz da lamparina, recebendo não só energia, mas acesso à informação e dignidade”, observou.
A transformação, segundo Juliana, não eliminou a pobreza, mas alterou profundamente as condições de vida da comunidade.
“Hoje, Queimadas é outra. A pobreza existe, sim, mas aquela miséria não. Hoje, em Queimadas, tem gente na faculdade. Você tem ideia dessa mudança, gente na universidade? Assim como eu”, pontuou.
Políticas que mudam vidas
A experiência levou Juliana a questionar discursos que tratam a desigualdade apenas como resultado de esforço individual. Para ela, quem observa a realidade de longe não consegue dimensionar o impacto de políticas públicas sobre famílias que vivem em situação de vulnerabilidade.
“Então, não vem você, direto de uma sala com ar-condicionado, dizer que a miséria e a fome não acabaram no Brasil. Só quem conhece a realidade de perto, quem sentiu na pele, sabe o que políticas públicas como Fome Zero, Luz para Todos contribuíram para melhorar a vida de quem vivia à margem da sociedade”, afirmou.
Juliana, que já declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defende políticas de inclusão social e de ampliação do acesso a direitos e oportunidades. Nas redes sociais, a jornalista também vem manifestando publicamente seu apoio à candidatura do presidente neste segundo turno.
A jornalista afirma que a experiência também mudou sua percepção sobre privilégio. “Eu nunca achei que sou superior a alguém porque estudei, ou pelo poder aquisitivo que tenho, ou pelo que conquistei. Eu sempre achei que, por eu ter mais oportunidades, eu cheguei muito mais longe que essas pessoas”, avaliou.
A defesa da inclusão, para Juliana, também está ligada aos valores que carrega. “Como cristã, foi o que aprendi com Jesus. Dividir o pão, ajudar órfãos, viúvas, excluídos, os mais pobres”, destacou.
A jornalista também relaciona a defesa das políticas sociais à preservação de direitos. “Como mulher, eu não quero perder direitos. Não quero retroceder. E como jornalista, não quero perder o direito de me posicionar, de criticar, de ter liberdade de expressão”, afirmou.
Ao falar sobre sua atuação pública e profissional, Juliana rejeita a ideia de silenciar diante de posições políticas que considera ameaçadoras. “Eu não tenho medo de perder seguidores por me posicionar. Eu tenho medo de contribuir com o meu silêncio para um retrocesso sem precedentes”, declarou.
Para ela, a lembrança de Queimadas permanece como uma referência concreta de que políticas públicas podem alterar trajetórias individuais e coletivas. A comunidade que encontrou em 2005 continua enfrentando dificuldades, mas, na sua avaliação, deixou para trás a situação de extrema pobreza que um dia marcou sua experiência. “Eu quero isso para todos”, concluiu.