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outubro 7, 2026


VOTOS QUE NÃO GARANTIRAM VAGAS: ELEIÇÃO EXPÕE PESO DO QUOCIENTE ELEITORAL NO RN

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A eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte produziu um contraste entre votação individual e conquista de uma vaga. Enquanto alguns candidatos chegaram às urnas com votações expressivas e terminaram eleitos, outros obtiveram mais votos do que candidatos que conseguiram entrar, mas ficaram fora por causa da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.

Na disputa para deputado federal, Natália Bonavides (PT) foi a candidata mais votada do Estado, com 215.509 votos. No outro extremo, Karine da Vila (Mobiliza) teve apenas 25 votos e terminou entre os candidatos com menor votação.

O caso mais emblemático, porém, envolve Robinson Faria (PP). O ex-governador recebeu 123.008 votos, mais de 30 mil acima da votação de Thabatta Pimenta (PV), que foi a última candidata eleita, com 92.743 votos. Mesmo assim, Robinson terminou como suplente.

Robinson ficou a apenas 32 votos de superar a votação do último candidato de sua composição partidária, João Maia, diferença que acabou sendo decisiva na distribuição da vaga. O resultado deixou o ex-governador fora da Câmara mesmo com uma votação individual superior à de uma candidata eleita.

A diferença mostra que a votação individual não é suficiente para garantir uma vaga na Câmara.

Pelo sistema proporcional, os votos também são considerados na composição das bancadas e federações, e as vagas são distribuídas de acordo com o desempenho coletivo das legendas.

Outro nome que terminou como suplente apesar de uma votação elevada foi Cabo Deyvison (PL), que recebeu 100.795 votos. A votação também superou a de Thabatta, mas não foi suficiente para garantir uma vaga.

Assembleia tem cenário semelhante
Na disputa pela Assembleia Legislativa, o fenômeno se repetiu de maneira ainda mais evidente.

Coronel Azevedo (PL) foi o candidato mais votado, com 105.403 votos, enquanto Daniel Santos (PRD) teve apenas oito votos, ficando entre os menos votados.

A última candidata a conquistar uma vaga foi Camila Araújo (PL), com 31.438 votos. A votação dela, entretanto, ficou abaixo da de pelo menos quatro candidatos que terminaram como suplentes.

Galeno Torquato (União Brasil) recebeu 46.129 votos; Eriko Jácome (PSDB), 45.883; Ubaldo Fernandes (PV), 44.748; e Walter Alves (MDB), 44.217. Todos tiveram votações individuais superiores às de Camila, mas não conseguiram transformar o desempenho nas urnas em uma vaga.

O resultado evidencia, mais uma vez, que o sistema proporcional produz situações em que candidatos individualmente mais votados podem ficar fora, enquanto outros, com menos votos, conseguem entrar graças ao desempenho de seus partidos na distribuição das vagas.

No caso da Assembleia, a diferença entre Camila e os quatro suplentes é significativa. Galeno, por exemplo, teve quase 15 mil votos a mais que a última eleita. Eriko ficou mais de 14 mil votos à frente, enquanto Ubaldo e Walter também superaram a votação da candidata do PL por mais de 12 mil votos.

A eleição deixa, portanto, dois recortes distintos. Natália Bonavides e Coronel Azevedo demonstraram força individual ao liderar as votações para deputado federal e estadual. Já os casos de Robinson Faria, Cabo Deyvison, Galeno Torquato, Eriko Jácome, Ubaldo Fernandes e Walter Alves mostram que, no sistema proporcional, uma votação expressiva não garante, isoladamente, a conquista de uma vaga.

É nesse ponto que o sistema proporcional faz a diferença. Parte das vagas é definida pelo desempenho dos partidos e federações no quociente partidário, enquanto as restantes são distribuídas pelas chamadas sobras, por média. Thabatta e Camila, por exemplo, foram eleitas por média. Por isso, as candidatas conquistaram vagas mesmo com menos votos que concorrentes de outras legendas, que acabaram suplentes.

O desempenho das legendas, federações e a distribuição das vagas pelas regras do quociente eleitoral e das médias podem, portanto, ser determinantes para transformar votos individuais em representação parlamentar.


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