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JUBILEU DO MUNDO DAS COMUNICAÇÕES MOBILIZA FIÉIS CATÓLICOS EM NATAL

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Mais de 500 agentes das Pastorais da Comunicação das paróquias de Natal, além de profissionais da comunicação da imprensa natalense participaram da programação no fim de semana – Foto: Reprodução

Mais de 500 agentes das Pastorais da Comunicação das paróquias de Natal, além de profissionais da comunicação da imprensa natalense participaram do Jubileu do Mundo das Comunicações neste domingo (1º). O evento, realizado no Santuário dos Santos Mártires, no bairro Nazaré, Zona Oeste da capital, fez parte da celebração do Jubileu da Esperança, convocado pelo Papa Francisco para ser vivenciado em todo o mundo durante o ano de 2025.

A programação, conduzida pela coordenação da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Natal, teve início às 8h com um momento de oração e reflexão conduzido pelo assistente eclesiástico da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Natal, Padre Antônio Roberto Gomes.

Ao longo da manhã, o grupo assistiu duas palestras e, ao final, participou de uma missa presidida pelo arcebispo metropolitano de Natal, Dom João Santos Cardoso.

Os bate-papos foram conduzidos pelo publicitário Marcus Tullius, membro do grupo de reflexão em comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que primeiro fez reflexão sobre o tema da mensagem do Papa Francisco para o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no 1º junho: “Compartilhem com mansidão a esperança que há em seus corações” (1 Pedro 3, 15-16). O segundo assunto abordado foi “Pastoral da Comunicação em chave sinodal”, destacando a missão da Pascom de chamar a praticar a escuta atenta e o diálogo entre as pessoas na comunidade cristã.

De acordo com a assessora de comunicação da Arquidiocese de Natal, Cacilda Medeiros, em toda a programação, a “esperança” foi a palavra chave, tendo como base o tema do Jubileu de 2025. Ela compartilhou uma trecho da mensagem do papa Francisco para este Dia Mundial das Comunicações: “Sonho com uma comunicação que saiba fazer de nós companheiros de viagem de tantos irmãos e irmãs nossos para, em tempos tão conturbados, reacender neles a esperança.

Uma comunicação que seja capaz de falar ao coração, de suscitar não reações impetuosas de fechamento e raiva, mas atitudes de abertura e amizade”.

Para Cacilda, o evento proporcionou um ótimo momento para reflexão e teve um resultado gratificante. “Foi um momento muito importante para refletir e, ao mesmo tempo, render graças a Deus pelo trabalho realizado por profissionais da comunicação e pelos agentes da Pascom, na ação evangelizadora. Ver o Santuário dos Santos Mártires lotado de pessoas que usam as ferramentas da comunicação para evangelizar, para levar a Palavra de Deus às pessoas, foi gratificante”, declarou.

O Jubileu
De acordo com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional), o Jubileu, também chamado Ano Santo, é um tempo especial na tradição cristã, com raízes estão no Antigo Testamento, sendo marcado pela busca de restauração espiritual, reconciliação e renovação da fé.

No livro de Levítico (25,8-13), por exemplo, se lê que a cada 50 anos celebrava-se um período dedicado à remissão de dívidas, ao repouso da terra e ao restabelecimento da justiça nas relações humanas e com Deus.

“Na igreja Católica, o Jubileu foi instituído por Bonifácio VIII no ano de 1300, com o objetivo de proporcionar um tempo de experiência profunda da santidade de Deus. Inicialmente realizada a cada 100 anos, sua frequência foi ajustada ao longo dos séculos, até se estabelecer em 25 anos, com possibilidade de jubileus extraordinários, como o Ano da Misericórdia proclamado pelo Papa Francisco em 2015”, informa a CRB Nacional.

Entre os elementos do Jubileu está a Porta Santa, cuja abertura pelo Papa marca oficialmente o início do Ano Santo. Cruzando a Porta Santa, os fiéis evocam as palavras de Jesus no Evangelho de João: “Eu sou a porta: se alguém entrar através de mim, ele será salvo” (Jo 10,9), em um ato que simboliza a decisão de seguir a Cristo, adentrando na comunhão com a Igreja.

“Assim, o Jubileu e a simbologia da Porta Santa transcendem os gestos externos, oferecendo aos cristãos um tempo privilegiado para a renovação espiritual, o fortalecimento da fé e a vivência concreta da misericórdia divina”, diz a confederação.

O Jubileu em Natal
Durante todo este ano de 2025, com o “Jubileu da Esperança”, estão sendo realizadas celebrações jubilares das várias pastorais, movimentos e serviço que atuam na Arquidiocese de Natal, em sintonia com o Jubileu da Esperança e distribuídas em 13 santuários. De acordo com a assessora Cacilda Medeiros, a programação na capital potiguar foi iniciada em fevereiro deste ano, seguindo até dezembro.


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SÃO JOÃO DE NATAL: OPERAÇÃO DE TRÂNSITO PARA FESTIVIDADES CONTA COM BLOQUEIOS E PLATAFORMAS DE EMBARQUE

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A Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), definiu a operação especial de trânsito para cobrir o São João de Natal. A intervenção tem como objetivo garantir segurança e fluidez no entorno dos principais polos juninos da cidade.

O São João de Natal terá início neste sábado (31), com a abertura oficial na Avenida da Alegria, no bairro da Redinha – região Norte da capital potiguar, onde a Rua Tenente Everaldo Borges de Moura, batizada desde o carnaval como “Avenida da Alegria”, será palco de mais uma grande festa popular,

Na Redinha, a operação terá início às 16h30 e seguirá até a meia-noite. Para organização do fluxo, a STTU realizará bloqueios viários a partir das 13h, com previsão de liberação às 01h do domingo (1º). Os bloqueios acontecerão nos seguintes pontos:
• Rua Conselheiro Tristão com Rua Tenente Everaldo Borges de Moura
• Rua Tenente Everaldo Borges de Moura com Rua Francisco Ivo
• Rotatória da Rua Francisco Ivo

A programação do evento se estenderá até o dia 29 de junho, com atividades distribuídas por diferentes regiões da cidade. Além da Zona Norte, os polos de festividades incluem a Arena das Dunas, na Zona Sul, e a Cidade da Esperança, na Zona Oeste.

A STTU reforça que haverá plataformas de embarque e desembarque de aplicativos em locais estratégicos para facilitar o acesso e evitar congestionamentos. Confira os pontos por polo:

Polo Redinha (Avenida da Alegria)

• Plataforma: Av. da Alegria – Concentração do Trio – Redinha Clube
• Plataforma: Av. da Alegria – Posto Redinha
• Poligonal de restrição para veículos nos arredores do evento

Polo Arena das Dunas

• Plataforma: Top Pizza
• Plataforma: Após o Pittsburg
• Plataforma: Posto 30 de Setembro
• Plataforma: Sebrae
• Plataforma: Hotel Ibis
• Plataforma: Portão E1 da Arena das Dunas
• Poligonal de restrição para controle do fluxo de veículos

Polo Nélio Dias

• Plataforma: Polo Nélio Dias (zona Norte)
• Poligonal de restrição nas imediações da arena

A operação contará com o suporte de inspetores e agentes de mobilidade, além de patrulhamento com motocicletas, viaturas e supervisão técnica. A orientação da STTU é para que os cidadãos planejem seus deslocamentos com antecedência, utilizem os pontos oficiais de embarque/desembarque e sigam as orientações dos agentes para uma experiência mais segura e tranquila.


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ASSEMBLEIA PRESTA HOMENAGEM PELOS 38 ANOS DE FUNDAÇÃO DA TV PONTA NEGRA

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Primeira emissora comercial do estado, a TV Ponta Negra foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) nesta quinta-feira (29). A empresa televisiva fundada pelo Comunicador Carlos Alberto de Sousa há 38 anos integra, hoje, o Sistema Ponta Negra de Comunicação, levando conteúdo potiguar de jornalismo e entretenimento em multiplataforma para milhares de telespectadores também pela rádio 95 Mais FM e pelo portal Ponta Negra News.

Propositor da sessão solene, o deputado estadual Ubaldo Fernandes (PSDB) ressaltou ainda a atitude “visionária” de Carlos Alberto de Sousa ao investir na TV e a valorização aos jornalistas.

“Isso foi muito importante para a profissão do jornalista, que viram na TV Ponta Negra uma televisão acessível para o exercício de sua atividade profissional e isso nós estamos reconhecendo. O Poder Legislativo reconhece os relevantes serviços que a televisão tem prestado ao RN”, pontuou o deputado.

Para a esposa do fundador e hoje presidente do Sistema Ponta Negra de comunicação, Miriam de Sousa, a homenagem constitui um momento muito importante. “São 38 anos de muita história, de muita superação, e a gente fica muito feliz pelo reconhecimento do deputado Ubaldo de fazer essa homenagem à TV Ponta Negra. Só gratidão”, disse.

Já a jornalista Micarla de Sousa, CEO do Sistema, ressaltou a “extrema honra” em presenciar uma homenagem da ALRN à TV Ponta Negra. “Temos 38 anos, essa é a primeira vez e eu fico muito feliz porque, de verdade, a TV Ponta Negra é a televisão do povo do RN. Foi a primeira emissora, é certamente a TV mais querida, mais amada do RN. As pessoas se sentem como parte da nossa família e hoje foi esse dia de celebração”.

Na cerimônia, nove colaboradores que fizeram parte da história da TV foram homenageados individualmente: Flavio Gentil, Ivanilda Rosilene Silva, Francisco Lucian Martins, Francisco Paulo Barbosa, João Bosco Afonso, Guto Barreto, Paulo Vitorino do Nascimento, Pedro Sotero Rosa e Rogério Fernandes. Também foi lembrado o primeiro anunciante que acreditou na empresa, o supermercado Nordestão, representado pelo diretor Leôncio Medeiros Filho.

Ex-diretor comercial da Ponta Negra e atual diretor executivo do Jornal Diário do RN, João Bosco Afonso foi destacado pelo seu empenho por longos anos, desde a fundação da TV. O empresário ressaltou o forte significado de receber a homenagem. “Primeiro de tudo, essa homenagem representa parte da minha vida. Ajudei na fundação, ajudei na estruturação da emissora, passei mais de 25 anos trabalhando, encontrando as dificuldades e os sucessos”, pontuou, sem deixar de falar das conquistas que a companhia ainda vem alcançando.

Para o comunicador Flávio Gentil, ser homenageado na sessão solene consiste em grande alegria.

“Imagina só que emoção ser chamado por Carlos Alberto para trabalhar na TV Ponta Negra.

Aceitei, saí da Aeronáutica, fui trabalhar na TV Ponta Negra. (…) Ter o aval de Dona Miriam e ter sido acolhido pelas meninas – por Micarla, Rose e Priscilla – foi uma grande alegria naquele momento da minha vida, como está sendo uma alegria muito grande hoje”, declarou.

Já o operador de câmera de estúdio Pedro Rosa faz questão de ressaltar a gratidão pelos 38 anos na casa e por toda a oportunidade recebida. “Aqui foi onde passei a maior parte da minha vida, é a minha segunda casa, uma empresa excelente para se trabalhar. Aqui não existe dono, existem amigos. Fica até difícil falar”.

O início e as evoluções
Ao Diário do RN, Miriam de Sousa relembrou o início da TV Ponta Negra, com pouco espaço e equipamento, e todo o empenho para crescer e seguir acompanhando as mudanças que ocorreram na comunicação ao longo dessas quase quatro décadas, mantendo a essência do que foi idealizado pelo fundador.

“Quando começamos, tínhamos uma estrutura muito pequena. Inclusive, tudo foi emprestado pelo SBT, por Silvio Santos – câmeras, todos os equipamentos para pôr a televisão no ar -, e ao longo do tempo a gente foi se modernizando e acompanhando as tecnologias, o desenvolvimento das novas tecnologias, e nós estamos buscando cada vez mais crescer, evoluir e buscar estar sempre atualizado. Para nós, isso é muito importante”, explicou.

Base do telejornalismo no RN
Miriam de Sousa ressaltou que a Ponta Negra foi a base da prática do jornalismo televisivo comercial no estado, ajudando a formar profissionais até mesmo para outras TVs. “Sempre fomos a escola do jornalismo no RN. Tínhamos uma escolinha. Em todas as funções da televisão, tínhamos pessoas aprendendo a fazer. Tanto que todas as outras televisões que vieram depois foram buscar na TV Ponta Negra profissionais para poder botar as empresas para funcionar.

Sabíamos disso, então, tomamos o cuidado de já preparar a mão de obra para as próximas empresas que estariam chegando no estado”.

Valorização do jornalista
O Sistema Ponta Negra tem 43 jornalistas contratados para atuar nas áreas de televisão, mídia digital e marketing, sendo a que mais emprega jornalistas no RN.

A gerente de jornalismo da TV, Angélica Hipólito, conta que essa valorização ao profissional de jornalismo se dá no sentido de sempre buscar a máxima qualidade, em ofertar o melhor ao público. “A TV Ponta Negra é uma empresa que preza muito pelo respeito e aposta na ousadia.

Ousadia de fazer um jornalismo pulsante. Todos os dias nos reinventamos no sentido de buscar o melhor para nosso público”, disse ela, acrescentando ainda que “nesse sentido de buscar o melhor, valorizamos o jornalista formado, que foi a uma universidade aprender sobre ética, que busca realmente prestar um serviço à comunidade entendendo o papel que é ser um formador de opinião”.

Desafios
Preservar esses propósitos há quase quatro décadas não acontece sem um trabalho firme. Para Angélica, diante da facilidade com que as informações são disponibilizadas atualmente, manter o público conectado à Ponta Negra é tão desafiador quanto gratificante, e resulta de um trabalho sério e responsável.

“Em um mundo onde a informação está na palma da mão, nosso desafio é trazer essa pessoa que tem ânsia por saber dos acontecimentos para se informar com qualidade. No atual período, onde as pessoas colocam notícia sem checar, nosso desafio é entregar as histórias e notícias com responsabilidade, buscando dar a segurança de que na TV Ponta Negra, a informação será sempre levada a sério. E, nesse desafio, nossa maior alegria é ter a consciência de que estamos fazendo um jornalismo ético e responsável”, declarou a jornalista.


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AGN VIRA DESENVOLVE RN E ANUNCIA NOVIDADES EM MOMENTO HISTÓRICO

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Celebrando 25 anos de história, a Agência de Fomento do Rio Grande do Norte reuniu, nesta terça-feira (27), autoridades, empreendedores, parceiros e representantes do setor produtivo para comemorar os resultados e anunciar os próximos passos da instituição.
Nessas mais de duas décadas foram R$ 300 milhões investidos e mais de 57 mil empreendedores atendidos. A instituição financeira é vinculada ao Governo do Estado que tem como principal missão promover o desenvolvimento econômico e social do RN. Seu papel é apoiar micro e pequenos empreendedores, empresas e municípios, oferecendo crédito orientado, com condições facilitadas e taxas competitivas.
Uma ponte entre o setor produtivo e políticas públicas de fomento, estimulando a geração de emprego, renda e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Além disso, apoia projetos estratégicos em áreas como inovação, infraestrutura, energias renováveis e economia criativa. Uma parceira do crescimento sustentável do estado, contribuindo para tornar a economia potiguar mais dinâmica, inclusiva e competitiva.

NOVA FASE
Um dos marcos da celebração dos 25 anos é a mudança de nome. A AGN agora é Agência Desenvolve RN e diversas iniciativas chegam para somar à nova fase, em destaque, o Portal do Cliente. A ferramenta está disponível no site www.desenvolvern.com.br e permite ao empreendedor solicitar crédito de maneira rápida, remota e digital, bem como, acompanhar o andamento da solicitação. Além disso, ao longo do ano, a instituição irá a escolas públicas estaduais para falar sobre educação financeira e empreendedorismo com o Desenvolve RN na Escola e realizará, ainda, o Prêmio de Jornalismo e a Feira e Fórum do Empreendedor em outubro.
A nova marca Desenvolve RN está aplicada em toda comunicação visual da agência e deverá ganhar as ruas em nova campanha. A nova identidade representa uma instituição mais moderna, acessível e próxima da população. O nome mais claro e direto, reforça a missão de impulsionar o desenvolvimento econômico por meio do crédito e dos empreendedores. O slogan “Você merece crédito” resume o propósito de apoia e investir nas pessoas. As cores e o visual transmitem confiança, energia e seriedade, sem perder a leveza.

Recursos investidos nos últimos seis anos, correspondem a 70% do investimento de toda história da instituição

Durante o evento de apresentação, a diretora-presidente da agência, Márcia Maia, destacou os avanços alcançados especialmente nos últimos seis anos, período em que 70% dos recursos investidos em toda história da instituição foi aplicado no apoio a empreendedores.

“Chegamos a quase R$ 300 milhões investidos e mais de 57 mil empreendedores atendidos em 25 anos, mas com um desempenho fora da curva nos últimos seis anos. Foram aproximadamente 70% de todo o volume de recursos financiados ao longo da história da agência, fruto de um trabalho estruturado e focado na inclusão produtiva. Uma instituição que se reinventou com novos produtos, ficou mais próxima dos municípios e dos empreendedores, incorporando novas ferramentas, tecnologias e parcerias estratégicas”, completou.

Presente no evento, a governadora Fátima Bezerra enalteceu o papel da agência como um verdadeiro instrumento de justiça social. “A Desenvolve RN tem sido uma aliada essencial do nosso governo no enfrentamento das desigualdades e os números mostra a diferença que um governo desenvolvimentista faz. Os números comprovam isso. É crédito chegando à mulher empreendedora, ao jovem, ao agricultor familiar, ao pescador artesanal. Não é apenas fomento, é cidadania em forma de oportunidade”, declarou.

Fátima também sublinhou a importância da nova identidade para fortalecer a missão da agência.

“O novo nome comunica de forma clara o que a instituição faz. É mais acessível, moderno e está em sintonia com outras agências de fomento do país. Marca nova, mas com o mesmo compromisso: impulsionar o Rio Grande do Norte”, disse.


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PEIXE-LEÃO JÁ ESTÁ PRESENTE EM TODO LITORAL POTIGUAR E IMPLICA VÁRIOS RISCOS

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O aparecimento do primeiro exemplar de peixe-leão no litoral norte-rio-grandense foi registrado em julho de 2022, em Tibau, na Costa Branca. A partir de então, uma equipe da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) monitora a presença do peixe no estado. No ano passado, os peixes-leão já estavam espalhados por todo o litoral do RN.

Recentemente, um jovem de 26 anos morreu após mergulho em uma praia em Grossos, na Costa Branca, e existe a suspeita que tenha sido vítima de um peixe-leão. O laudo do Itep ainda é aguardado, mas dias após o acidente, um exemplar da espécie foi capturado em Areia Branca, acendendo um novo alerta sobre os perigos dessa “invasão” na costa do Rio Grande do Norte.

Originário do oceano Indo-Pacífico, o peixe-leão foi introduzido no oceano Atlântico pela região do Caribe, no início dos anos 2000, provavelmente através de liberação acidental de aquários ou de furacões que danificaram aquários e proporcionaram a chegada desse animal no mar. É o que explica a professora Emanuelle Rabelo, da (Ufersa). “De lá, espalhou-se rapidamente, chegando à costa brasileira em 2020. No RN, o primeiro registro foi em 2022”, disse.

Rápida disseminação

“O peixe-leão pode comprometer a biodiversidade e a pesca” – Foto: Reprodução

O superintendente estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rivaldo Fernandes, explica que a rápida expansão da espécie é explicada por três fatores principais: a ausência de predadores naturais fora de sua área de origem, sua elevada capacidade de adaptação e a rápida reprodução, visto que uma única fêmea pode liberar até 2 milhões de ovos por ano. “O resultado é um crescimento populacional explosivo que ameaça os recifes de coral e toda a cadeia alimentar marinha”, destacou.

“O peixe-leão é um predador generalista, o que significa que ele se alimenta de qualquer outra espécie de animal, sejam peixes ou crustáceos, o que pode comprometer a biodiversidade e a pesca. (…) Ele é adaptado a profundidades de até 300 metros, podendo invadir áreas naturais, como recifes, ou artificiais, como naufrágios, pesqueiros ou locais com armadilhas de pesca de lagosta”, completou Emanuelle Rabelo, que afirmou que o peixe-leão tem sido encontrado com mais frequência nas cidades de Porto do Mangue e Areia Branca.

Riscos ambientais

“Uma tragédia ecológica com consequências em cascata” – Foto: Reprodução

“Com suas cores vibrantes, nadadeiras elegantes e aparência exótica, o peixe-leão poderia facilmente ser confundido com uma joia viva dos mares. No entanto, por trás de sua beleza hipnotizante esconde-se uma das maiores ameaças aos ecossistemas marinhos tropicais”, declarou o superintendente estadual do Ibama.

Rivaldo Fernandes explicou que há estudos que mostram que a introdução dessa espécie em regiões como o Caribe e as Bahamas causou uma redução de até 90% nas populações de peixes pequenos. “Uma tragédia ecológica com consequências em cascata para o ecossistema”, pontuou.

“No Brasil, especialistas alertam para o risco iminente de desequilíbrio ecológico, especialmente em áreas como Fernando de Noronha e o litoral do Nordeste, onde a biodiversidade marinha é rica e sensível”, completou o gestor.

Ameaça à saúde pública
A professora Emanuelle Rabelo alerta que o peixe pode representar uma ameaça à saúde pública, visto que possui 18 espinhos peçonhentos, que podem provocar acidentes graves. “Ao penetrar na pele humana, o veneno pode causar vários sintomas como: dor intensa, inflamação local, taquicardia, náusea e tontura”, explicou. Ela orienta que, em casos de ferimentos com os espinhos do peixe-leão, deve-se colocar um pano quente sobre o machucado e procurar urgentemente atendimento médico.

Rivaldo Fernandes complementa que embora um ferimento por um peixe dessa espécie não seja letal para pessoas saudáveis, pode ser perigoso para alérgicos, crianças e idosos. Ele acrescenta, inclusive, que já foram registrados diversos acidentes relacionados ao peixe-leão em águas brasileiras, muitas vezes desavisados sobre a presença do invasor.

Ações de controle
O gestor estadual do Ibama, Rivaldo Fernandes, afirmou que especialistas defendem ações coordenadas entre órgãos ambientais, universidades, pescadores e comunidades costeiras para monitorar e controlar a presença do peixe-leão. Ele explicou que já começaram a ser aplicadas no Brasil estratégias que estão em curso em outros países, como campanhas de conscientização, o envolvimento de mergulhadores para captura dos peixes-leão e incentivos à pesca da espécie, que é “comestível e saborosa, desde que devidamente preparada”.

Apesar de ser um desafio, Fernandes disse que há esperança de que os danos sejam contidos, desde que o combate seja realizado de forma ágil e contínua. “O peixe-leão é mais do que uma curiosidade marinha: é um alerta claro sobre os perigos da introdução de espécies exóticas nos ecossistemas e sobre a necessidade de vigilância permanente dos nossos mares”, finalizou.

Coleta
Se um animal dessa espécie for pescado, a recomendação da professora Emanuelle Rabelo é de que o animal não seja tocado com as mãos, de forma a evitar acidente com os espinhos. Ela solicita que o peixe seja coletado com um arpão ou outra ferramenta e colocado em um recipiente plástico resistente para que seja recolhido por uma equipe da Ufersa. A solicitação da coleta deve ser feita pelo número 84 99997 0530.


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FOFOCUS: NEURO DIVERGENTES FAZEM DA COMUNICAÇÃO FERRAMENTA PARA INCLUSÃO

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Aos 16 anos, José Heitor já tem um plano de vida bem definido: quer ser engenheiro mecânico formado pela UFRN, fazer doutorado e, quem sabe, um dia trabalhar em uma grande revista automotiva como a 4 Rodas. Mas o que talvez mais chame atenção na trajetória desse jovem estudante de mecatrônica do IFRN, é sua clareza ao falar sobre si mesmo — inclusive sobre o diagnóstico de autismo e TDAH que recebeu ainda na infância.

“Eu comecei a estudar com 4 anos e as pessoas já notavam que eu era diferente. Não interagia muito com os colegas, saía da sala, não participava. Depois de três anos começaram a investigar o que era. Aos sete anos veio o diagnóstico: autismo”, conta Heitor.

Além de sua paixão por carros, Fórmula 1, futebol e filmes, Heitor encontrou um espaço onde pode explorar um novo talento: a comunicação. Ele é um dos adolescentes que participa do Jornal Fofocus, uma iniciativa da clínica Focus Intervenção, localizada no bairro Lagoa Nova, em Natal (RN). O projeto tem como objetivo promover a inclusão social, profissional e vocacional de jovens neurodivergentes por meio da produção de um jornal comunitário.

De “fofoca” à informação com propósito
Segundo a psicóloga Kátia Nogueira, analista do comportamento e CEO da clínica, o nome “Fofocus” foi escolha dos próprios adolescentes.

“Alguns consideravam os jornalistas como fofoqueiros. Trabalhamos a ideia de que fofoca pode prejudicar, mas a informação ajuda e traz conteúdo. Assim, começamos a produzir o jornal com esse viés informativo, educativo e inclusivo. Hoje, os próprios clientes fazem a distribuição em praças, padarias, comércios, além de participar de todo o processo de produção”, explica Kátia.

O projeto está inserido dentro de um programa vocacional mais amplo da clínica, que visa preparar os adolescentes para o mercado de trabalho e até gerar renda com o próprio jornal. Os participantes também recebem suporte clínico e terapêutico, com foco em habilidades sociais, comunicação, autocuidado e preparo para a vida adulta.

A iniciativa, além de terapêutica, é formadora de cidadãos, como resume a psicóloga Kátia: “Queremos que esses jovens aprendam a se tornar pessoas melhores, com mais autonomia, com voz e com possibilidades reais de inclusão no mercado de trabalho. ”

“Autistas não são apenas uma ‘luta’, são pessoas com histórias e vidas comuns”

Heitor é enfático ao falar sobre a importância do Fofocus em sua vida: “O Fofocus me ajudou a me comunicar melhor, agir de forma saudável, perguntar de forma concreta como a pessoa se sente. Me ajudou a interagir com as situações do dia a dia e a controlar a paciência. ”

Mesmo com o foco nas exatas, ele não descarta a possibilidade de um dia se dedicar ao jornalismo — especialmente se puder unir essa paixão com os carros. “Já pensei em ser jornalista, principalmente apresentador. Queria ter minha própria emissora: a TV Potiguar. Se eu não conseguir trabalhar como engenheiro, penso em fazer jornalismo e trabalhar com o Jornal do Carro ou AutoEsporte”, diz ele.

Heitor também acredita que projetos como o Fofocus ajudam a combater o preconceito e o capacitismo. “A comunicação pode ser usada para esclarecer estigmas. Como o canal do William Chimura, que é autista e fala sobre o autismo com base científica. A comunicação ajuda a mostrar que autistas não são apenas uma ‘luta’, são pessoas com histórias e vidas comuns”, reflete.

Concordando com Chimura, Heitor segue acelerando na direção de um futuro que ele mesmo está ajudando a construir, uma peça de cada vez. Se será com motores ou microfones, ainda está em aberto. Mas que será com propósito, isso ele já tem certeza.


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NATAL TEM MAIS DE 20 PRÉDIOS PRIVADOS ABANDONADOS SEM CONCLUSÃO DE OBRAS

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Imóveis abandonados oferecem risco à saúde pública diante da propensão ao acúmulo de lixo, à proliferação de animais peçonhentos, ratos e outros vetores de doenças, além de aumentarem a sensação de insegurança, favorecerem a poluição visual, causarem uma série de prejuízos financeiros à vizinhança, entre outros problemas. Em Natal, mais de vinte prédios estão com obras paralisadas por longos períodos, que podem superar três décadas; é o que afirma o corretor de imóveis Antônio Baía. A informação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), entretanto, é de que a pasta não realiza levantamento sobre esses casos.

De acordo com o consultor imobiliário, atuante em na capital potiguar há mais de trinta anos, essas construções se concentram principalmente nas Zonas Leste e Sul, em áreas nobres, como os bairros de Petrópolis, Tirol, Ponta Negra e Capim Macio. Ele começou a listar esses edifícios abandonados em 2017, como um passo inicial em busca de uma solução para esse cenário. “A minha a minha proposta na época era retomar a construção civil através desses prédios abandonados. Mas é tal coisa: a gente leva as sugestões, o poder público não se interessa e todos perdem”, disse.

Segundo com o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, de forma geral, não cabe interferência da Prefeitura nesses casos. “O Município, através da Semurb libera um alvará de construção, uma licença de instalação para construir um empreendimento, e, muitas vezes, aquele empreendimento quebra. (…) Não é papel do Município chamar o dono daquele empreendimento e um outro ente privado para estabelecer uma negociação daquela área, e nem mesmo nós temos autorização para demolir. Área privada é sagrada no Brasil desde a Constituição Federal de 1988”, afirmou.

O titular da Semurb fez uma ressalva quanto a casos em que haja descumprimento de normas urbanísticas. “Por exemplo, na área era permitido somente 25 metros de altura e aquele prédio já está com 30 metros. Aí sim, a gente entraria, como foi o caso da BRA”, explicou. A construção do Hotel BRA, na Via Costeira, ficou sob disputa judicial por mais de vinte anos, após a empresa ter iniciado a obra sem licenciamento ambiental e alvará de construção referentes a mudanças no projeto, ultrapassando o gabarito máximo de 15 metros, como era determinado no plano diretor vigente na época.

Segundo Mesquita, esse foi um caso isolado no que diz respeito a intervenções de tal magnitude por parte da Prefeitura de Natal. “Nós entramos lá, exigimos que fosse demolido o último pavimento e a Justiça acatou. Então, ali, acho que é o único exemplo que nós temos de um abandono de obra em que o Município entrou, porque feria uma legislação do Município”, completou. “Os outros, a gente não tem muito [o que fazer], porque é muito mais da relação comercial e agora judicial. Extrapola a esfera administrativa pública municipal”.

Questionado sobre casos em que uma obra abandonada está causando prejuízos materiais a vizinhos por problemas como queda de estruturas em outros imóveis, por exemplo, o gestor afirmou que a Semurb e a Defesa Civil devem ser procuradas para registro de reclamação, mas, para reaver as despesas, existem apenas a via judicial ou uma negociação diretamente com o proprietário.

“Essa é uma situação complexa. A responsabilidade não é do Município. O Município, no máximo, autorizou. Os projetos estavam legais, cumpriram o regulamento a nível de projeto, nós autorizamos a construção. Agora a finalização, a responsabilidade da construção é de quem está executando”, ressaltou o secretário.

“Pode fazer reclamação na Semurb, pode fazer reclamação na Defesa Civil, mas quem é que deve ressarcir? O dono da obra. Aquela pessoa que executou aquela obra. E como? Por via judicial.

Então, se eu tenho uma casa do lado de um empreendimento e esse empreendimento acaba trazendo prejuízo material para mim, eu preciso reaver isso de forma judicial ou diretamente com aquela pessoa, se a pessoa reconhecer. Dificilmente vai reconhecer, já que está abandonada a obra”, concluiu.

Mas há, situações, porém, em que uma construção abandonada acaba sendo alvo de invasões, destinação irregular de lixo ou ligações clandestinas de água e energia elétrica. Segundo o gestor da Semurb, a pasta também deve ser contatadas nesses casos. “Aí a gente entra também, inclusive, a Semurb pode entrar responsabilizando aquele empreendedor, já que nós temos aqui as informações de quem estava construindo aquele empreendimento, para que ele tome as medidas administrativas”, explicou.

“Nós temos duas sanções de polícia: a sanção administrativa e a sanção civil. A gente não tem a penal, a gente não pode prender a pessoa ou o responsável, quem faz isso ao Ministério Público, através de uma ação específica, ou a própria DEPREMA [Delegacia Especializada em Proteção ao Meio Ambiente], a delegacia de polícia. Então, o que a Semurb faz é acionar o Ministério Público, acionar a DEPREMA, em algumas situações, e estabelecer as duas sanções que cabem a nós”, completou Thiago Mesquita.

Essas penalidades são: multa para o empreendimento ou encerramento da atividade da empresa responsável pelo imóvel, segundo o secretário. Ele explicou que esse tipo de sanção nunca foi aplicada na capital potiguar. “Mas é também uma possibilidade a gente evoluir para essa questão civil”, destacou.

Nos casos em que ocorre invasão, a ação caberá à Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (SEMTAS), que deverá realizar o cadastro das pessoas que estão ocupando aquele espaço, sobretudo verificando a presença de crianças e idosos, ressaltou Mesquita, frisando que a ação de tal pasta é “imediata” nessas situações. “E muitas vezes o Município entra na Justiça, quando é o caso, para poder mostrar que há uma vulnerabilidade social”, disse.

O secretário chama atenção também, nesses casos, sobre o risco de o dono do imóvel perder a área por meio da usucapião, processo que permite a aquisição da propriedade de bens imóveis via comprovação da posse de maneira pacífica e contínua por um período determinado por lei.

“Quem deve reaver a área, quem deve é o dono da área. Mais uma vez: ele precisa. Se ele não tiver interesse, acaba perdendo a área com usucapião, que já que é uma área privada, em 5 anos comprovando uma ocupação, você acaba perdendo aquela área”, afirmou.

Entre os casos mais comuns recepcionados pela Semurb, estão os relativos a imóveis abandonados que acabam virando foco de vetores de doenças como a dengue, e propiciando a infestação por outros animais. “[Nesses casos,] quem deve ser acionada é a Semurb mesmo.

Qualquer tipo de caso, solução relacionada com a presença de vetores, ou uma piscina que está ali abandonada, acumulando água, e serve de um grande berçário para o Aedes aegypti [deve ser comunicado à Semurb]”, orientou Mesquita.

A lei municipal exige a limpeza e manutenção sanitária de imóveis, seja ele terreno com ou sem edificação. “A gente tem muitas denúncias em relação a isso. (…) A Semurb, através de denúncia, é acionada, e nós vamos atrás dando um prazo que é permitido pela legislação municipal, o Código de Obras, para que seja satisfeita aquela limpeza”, pontuou o gestor.

Caso essa limpeza não seja realizada, a Vigilância Sanitária é acionada, e, caso sejam comprovados os focos de contaminação, a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) é comunicada para realização do serviço, que deverá ter seu custo cobrado ao proprietário do imóvel. “A gente faz a limpeza da área, que não deveria, mas por uma questão de saúde pública, se faz, e a Urbana abre um processo administrativo contra aquele contribuinte para que ele ressarça com juros e correções o que foi gasto naquela limpeza”, explicou Thiago Mesquita.

O secretário reforçou que, para obtenção de qualquer tipo de ressarcimento financeiro, a Justiça deve ser procurada, e que o Município só deve ser responsabilizado nesse sentido caso haja comprovação de que recebeu uma denúncia. “Acho que todo mundo que tem uma situação como essa deveria ir para a Justiça buscar seus direitos, mas realmente essa esfera não vem para cá. O Município não pode ser penalizado porque ele não é responsável por aquilo, [que é de] um ente privado. A não ser que o Município tenha recebido uma denúncia de que havia uma piscina, havia uma proliferação e não agiu. Aí a gente entra no polo passivo”.


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JUSTIÇA NEGA PEDIDO DO MPF PARA SUSPENDER LEI QUE REGULAMENTA CONCESSÃO DO MERCADO DA REDINHA

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A Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN) negou o pedido para suspender os efeitos da lei do município de Natal que regulamenta o Complexo Turístico da Redinha (Lei n.º 7.741/24). A ação foi assinada pelo Ministério Público Federal (MPF), que também pleiteia a condenação do Município para qualquer nova medida que envolva o prosseguimento das obras e a gestão do complexo sem antes realizar consulta. A tutela de urgência, semelhante a liminar, foi negada pela 4ª Vara Federal.

“Observo inicialmente a ausência de contemporaneidade do alegado perigo de dano, iniciadas as obras ainda em 2021 e já em fase avançada de execução. A paralisação das obras poderia incidir em risco reverso e acarretar grave prejuízo ao interesse público e social, e ao Erário em face dos vultosos investimentos provenientes de recursos federais, ou seja, há a possibilidade de dano invertido, comprometendo a continuidade do projeto de requalificação urbana e turística da região”, escreveu o Juiz Federal Janilson Bezerra de Siqueira, da 4ª Vara Federal, que proferiu a decisão.

Ele destacou ainda que a documentação e os elementos dos autos indicam se tratar, na maioria, de atividades econômicas exercidas em bens públicos sob regime de autorização de uso precário, sem demonstração suficiente de dependência cultural, ancestral ou religiosa dos recursos naturais locais, como exige o conceito jurídico [de comunidade tradicional] em causa.


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“AQUI É MEU LUGAR”: MUSICAL CELEBRA NATAL E O ORGULHO DE SER NATALENSE

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Celebrando o pertencimento e a identidade potiguar, o Komboio Potiguar realiza uma curta temporada gratuita do musical “Aqui é o Meu Lugar”, com apresentações gratuitas na UERN (Complexo Cultural) – Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Unidade Natal, e na Casa da Ribeira de hoje até domingo (23 a 25 de maio).

Com trilha sonora original da dupla potiguar Khrystal e Sérgio Groove, e direção musical assinada por Dudu Galvão e Sérgio Groove, o espetáculo é uma celebração afetiva das quatro zonas da capital potiguar, despertando reflexões sobre pertencimento e identidade.

A trama acompanha seis personagens, sendo quatro deles membros de uma irmandade guiada pelo “Sol e sua Noiva”. Eles olham para além dos cartões-postais da cidade, como o Morro do Careca e o Forte dos Reis Magos, revelando outras camadas de Natal e de sua gente.

Zeca Santos, idealizador do projeto, artista e produtor cultural, define o musical como uma declaração de amor à cidade e à cultura potiguar: “Voltar a circular com ‘Aqui é o Meu Lugar’ é motivo de muita gratidão. Esse musical é uma expressão de afeto profundo por Natal, feito por artistas genuinamente potiguares. É uma obra autoral que traz uma percepção mais ampla e sensível da cidade, especialmente daqueles que são invisibilizados, mas que, na verdade, são os verdadeiros guardiões afetivos de Natal. Eles percebem a cidade com uma delicadeza e profundidade que muitas vezes nos escapam na correria do dia a dia.”

Zeca também ressalta o papel do espetáculo na reconstrução da autoestima coletiva: “Natal vive hoje um momento de autoestima comprometida, afetada por fatores sociais, culturais e por uma política pública que, muitas vezes, alimenta o sentimento de não pertencimento. Esse musical busca justamente o contrário: provocar o orgulho de ser natalense. Pertencer gera saúde mental, saúde social e paz. ”

No elenco, destacam-se os atores e cantores Doc Câmara e Zeca Santos, as atrizes e cantoras Heli Medeiros e Nara Kelly. A cantora e atriz Khrystal interpreta o ‘Sol’, enquanto os atores Thazio Menezes e Dudu Galvão dão vida à sua noiva.

A trilha sonora é executada ao vivo por Sérgio Groove, multi-instrumentista e compositor. A direção de arte e figurinos é assinada por João Marcelino, e a dramaturgia é de Euler Lopes, premiada escritora sergipana que considera Natal sua segunda casa. Rogério Ferraz é assistente de direção cênica. As cenotécnicas ficam por conta de Anderson Trajano. A produção e coordenação geral é de Zeca Santos e Rafaela Brito.

Para assistir ao musical na UERN, não é necessário retirar ingressos antecipadamente — basta comparecer. Já para as apresentações na Casa da Ribeira, os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência, no local do espetáculo. O Komboio convida quem puder a contribuir com 1kg de alimento não perecível — um gesto de solidariedade em apoio ao GAAC.


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CANDIDATOS APONTAM IRREGULARIDADES EM CONCURSO PARA PROFESSOR DO ESTADO

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Um possível escândalo político movimentou o município de Alexandria, no Alto Oeste potiguar, após a circulação de áudios em grupos de mensagens, atribuídos à ex-prefeita Jeane Saraiva. Nas gravações, ela rompe o silêncio sobre a relação política com o atual prefeito Raimundo Ferreira Andrade, conhecido como Raimundinho, e lança acusações graves que podem configurar crimes eleitorais.

Os áudios sugerem um rompimento definitivo entre os dois, que até então eram aliados políticos.

Jeane foi uma das principais articuladoras da campanha que levou Raimundinho à Prefeitura de Alexandria, mas agora afirma ter se sentido traída e denuncia irregularidades que teriam ocorrido durante o processo eleitoral de 2024.

“Eu trabalhei, eu usei a máquina para lhe eleger, tá certo? Você fez caixa 2 para ganhar. Você quer que eu diga mais em público ou quer que eu vá pro MP?”, diz uma das falas atribuídas à ex-prefeita, que administrou o município por oito anos.

Além da acusação de caixa 2, os áudios revelam o nível de desgaste pessoal e político entre Jeane e Raimundinho. “Eu, Jeane Saraiva, cansada de ver um monte de covarde, de falso, de cobra, traiçoeira, que eu ajudei, eu ajudei. Eu, Jeane Saraiva, lutando, brigando, subindo em palanque, pedindo voto, trabalhando dia e noite, noite e dia”, desabafa.

Ela também contesta declarações públicas recentes do prefeito, que teria alegado dificuldades financeiras na área da saúde. “Dizer que na saúde falta dinheiro? E olhe o pagamento que foi feito de R$ 499 mil. Dinheiro na prefeitura tem sim, agora onde vocês estão colocando? Fiscalizem!

Cadê a oposição para fiscalizar o que está acontecendo em Alexandria?”, questionou.

A ex-prefeita ainda denuncia supostos favorecimentos a familiares do atual prefeito dentro da administração municipal. “Você teve 11 meses de prefeitura de graça. Você tinha nora empregada, mulher empregada, filha empregada sem trabalhar, familiares seus empregados”, afirma incluindo-se nas graves denúncias.

Em outro trecho, Jeane reforça que o rompimento político com Raimundinho é real e irreversível: “Eu quero que todo mundo saiba: houve briga sim, houve rompimento sim, por covardia de Raimundinho, dos filhos dele e do irmão dele”.

Prefeito de Alexandria emite nota: “acusações sem prova para confundir a opinião pública”

O prefeito de Alexandria, Raimundo Andrade, conhecido como Raimundinho, divulgou nesta quinta-feira (22) uma nota oficial em suas redes sociais para rebater as acusações feitas pela ex-prefeita Jeane Saraiva, sua até então aliada política.

Na nota, Raimundinho classifica as declarações da ex-prefeita como “infundadas”, “sem provas” e com o propósito de gerar instabilidade política. “Tais declarações são recebidas com surpresa e indignação e, além de infundadas, carecem de provas e têm o claro objetivo de desestabilizar a atual gestão e confundir a opinião pública”, escreveu.

O prefeito afirma que sua campanha foi conduzida de forma regular e dentro da legalidade, com uso majoritário de recursos públicos autorizados. “A minha campanha foi realizada com pé no chão, sendo realizada quase que integralmente com verba do fundo partidário, tendo as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral, sem ressalvas”, declarou.

Apesar de rechaçar as acusações, Raimundinho informou que determinou à controladoria do município a apuração interna das denúncias e prometeu ele mesmo encaminhar qualquer irregularidade identificada ao Ministério Público. “Estamos determinando a apuração das possíveis irregularidades por parte da controladoria e qualquer achado será imediatamente enviado ao Ministério Público”, destacou.

Comissão enviou solicitação à governadora Fátima Bezerra em março para apoio à causa dos candidatos – Foto: Reprodução

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QUINTA CULTURAL TRAZ AS HISTÓRIAS DE UMA MATRIARCA E SUAS VIVÊNCIAS EM GUERRAS

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Neste mês das mães, um exemplo de força de uma matriarca será contado através da história de uma estoniana nascida no século XIX e que viveu em meio a diversas guerras conseguindo manter a família reunida. A Quinta Cultural do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) apresenta nesta semana o depoimento de Aline Wilhelmine Imberbe Imhof (1886-1966) deixado em uma carta que expõe uma forte capacidade de renovação em meio a devastadoras adversidades.

A palestra, denominada “Depoimento de uma matriarca estoniana que sofreu as agruras das duas guerras mundiais”, será ministrada pelo jornalista, escritor, genealogista e presidente emérito do IHGRN, Ormuz Barbalho Simonetti, e pelo publicitário e executivo Thiago Lajus, tataraneto da Sra. Aline.

“Essa palestra aborda a história que chegou ao nosso conhecimento através de uma carta que foi redigida pela minha tataravó contando um pouco da sua história e como ela passou por fases importantes da história mundial, como as duas Grandes Guerras, como a Revolução Russa, e como isso afetou toda a sua família, mas que ainda assim, a cada queda que levava, ela renasce e consegue manter a sua família unida”, contou Lajus.

Segundo o executivo, a existência do relato, escrito em estoniano e traduzido para o português, foi contado por ele ao presidente emérito do IHGRN após o recebimento de uma cadeira como herança, que foi levada para que Ormuz reformasse. “Enquanto ele reformava, eu contava a história (…). Ali ele viu uma oportunidade de publicação, que de fato aconteceu e está na revista do Instituto Histórico deste mês”, disse.

A apresentação contará com reprodução da carta original, fotos e uma contextualização histórica dos momentos vividos e contados por Aline, como as Guerras Mundiais, a Revolução Russa e a Guerra de Libertação da Estônia.

Para Lajus, a expectativa para a palestra é não só de “casa cheia”, mas também tem um significado pessoal por poder compartilhar um pouco a história de sua família, que saiu de outro continente, mas que hoje cria novas raízes no RN.

“Também uma expectativa pessoal muito grande. Eu completo 30 anos da minha chegada em Natal, agora no mês de junho. Me considero potiguar – embora o sotaque teime me acompanhar – e para mim é um momento muito especial de poder falar um pouco de onde eu venho, das minhas origens e como uma família que saiu de Tallinn, lá da Estônia, chega ao RN e se sente potiguar ao longo das suas gerações”, explicou.

O evento é gratuito e acontece nesta quinta-feira (22), a partir das 17h, no Salão Nobre do IHGRN, que tem capacidade para 50 pessoas. O Instituto está localizado na Rua da Conceição, nº 622, no bairro de Cidade Alta, Zona Leste de Natal. No local, poderá ser adquirida a última edição da Revista do IHGRN.

O IHGRN
O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte é a mais antiga instituição cultural do estado, tendo um dos mais ricos acervos acerca da cultura, geografia e história do RN e do país. A entidade mantém um museu e promove exposições, palestras e outras atividades. Além da própria revista, o IHGRN ainda edita plaquetas e livros.


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SMS ESCLARECE SOBRE INTOXICAÇÃO ALIMENTAR POR CONSUMO DE PEIXES

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Pouco mais de uma semana após a identificação do primeiro caso suspeito de intoxicação por consumo de peixe em um restaurante de Natal, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contabiliza 13 ocorrências. Desde as primeiras notícias sobre o surto, muitas informações têm circulado na internet sobre o tema e um certo receio sobre a ingestão desse alimento tem sido percebido entre a população. No entanto, a SMS ressalta que a presença da toxina ciguatera – provável causadora dos episódios – é mais relacionada a determinadas espécies de peixes.

De acordo com a pasta, a ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas como ciguatoxina ou maitotoxina, produzidas por microalgas dinoflageladas do gênero Gambierdiscus, que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais, e os principais pescados associados a essa doença são garoupas, barracudas, moreias e badejos. No último episódio registrado em Natal, os pratos servidos tinham arabaiana e dourado.

Portanto, para evitar a contaminação, a orientação da secretária é solicitar aos fornecedores quais pescados estão sendo ofertados e, atendendo ao princípio da precaução, evitar o consumo desses pescados.

O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), José Antônio de Moura, explicou que as ciguatoxinas não têm cor, sabor ou cheiro – ou seja, não tem como saber que um peixe está contaminado – e não podem ser eliminadas pelo cozimento ou congelamento convencional.

“Sendo assim, caso o peixe esteja contaminado, as técnicas de resfriamento ou cozimento, e nem mesmo a digestão, são capazes de impedir o desenvolvimento das toxinas”, disse.

Os primeiros sinais de contaminação se desenvolvem, geralmente, entre 3 e 5 horas após a ingestão de peixe contaminado, mas podem demorar mais para surgir. Eles consistem em sintomas gastrointestinais e cardiovasculares, podendo estar acompanhados de sinais neurológicos.

São eles: diarreia, náusea, vômito, dor abdominal, bradicardia, bloqueio cardíaco, hipotensão, parestesia, fraqueza, dor nos dentes ou sensação de que os dentes estão soltos, gosto de queimação ou metálico na boca, memória prejudicada, fadiga crônica, coceira generalizada, suor, visão turva, inversão de temperatura, sensação anormal ao tocar água ou objetos frios.

Caso sejam observados alguns desses sintomas após o consumo de peixe, a orientação da Saúde Municipal é para buscar atendimento médico e entrar em contato com o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), pelo WhatsApp (84) 3232-9435, e-mail urrnatal@gmail.com, ou por meio do aplicativo Natal Digital.

Acompanhamento
De acordo com a SMS, após a identificação dos possíveis casos de intoxicação em Natal, equipe de Vigilância realizou a fiscalização de toda a cadeia produtiva, desde o local onde foram preparados os pescados consumidos até onde eles foram comprados.
A pasta informou ainda que amostras dos alimentos foram coletadas e enviadas para análise no Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (LACEN) e que o CIEVS Natal entrou em contato com todos os participantes do evento. Todas as pessoas estão bem e continuam sendo monitoradas pelo Departamento de Vigilância.

Histórico
Segundo a SMS, os primeiros casos suspeitos de ciguatera em Natal foram registrados em 2022, com um surto relacionado ao consumo do peixe bicuda. Outros três surtos foram registrados em 2023, também pelo consumo de bicuda/barracuda. No ano passado, outro episódio de intoxicação alimentar por peixe foi notificado, sendo o pescado consumido do tipo guarajuba, proveniente de Fernando de Noronha.


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DISPUTA POR TERRAS EM MACAU TEM CASO SEMELHANTE EM JERICOACOARA

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A batalha judicial envolvendo os herdeiros de Feliciano Ferreira Tetéo, em Macau (RN), que buscam reaver o controle de áreas onde hoje funciona o maior parque salineiro da América Latina, encontra um paralelo em outro ponto do país: a turística vila de Jericoacoara, no litoral do Ceará, a 294 quilômetros de Fortaleza. Nos dois casos, o que está em jogo é a posse de vastas extensões de terra com valor econômico significativo, respaldadas por documentos antigos e registros cartoriais que voltaram a ganhar força décadas depois.

Em Macau, como mostrou o Diário do RN em reportagem publicada nesta quarta-feira (14), familiares de Tetéo reivindicam áreas ocupadas pela Salinor — empresa responsável por uma produção de sal que abastece o mercado nacional e é exportada para os Estados Unidos. Com base em registros datados do fim do século XIX, os herdeiros sustentam que as terras foram apropriadas indevidamente e vêm sendo exploradas há anos sem respaldo legal. A disputa tramita na 1ª Vara da Comarca de Macau, com potencial para se tornar uma das ações fundiárias mais relevantes da história recente do Rio Grande do Norte.

Situação semelhante ocorre em Jericoacoara, onde a empresária Iracema Correia São Tiago reivindica cerca de 80% da vila com base em escrituras registradas em 1983. Segundo ela, os terrenos — referentes às antigas fazendas Junco I, Junco II e Caiçara — foram adquiridos por seu ex-marido e transferidos para seu nome em 1995. O caso veio à tona em 2023, quando a empresária apresentou os documentos ao Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), que reconheceu sua legitimidade.

O início do processo se deu quando as terras foram adquiridas por seu ex-marido e transferidas para ela após o divórcio em 1995. No entanto, o Governo Estadual do Ceará arrecadou parte dessas áreas entre 1995 e 2000, durante um processo de regularização fundiária, e posteriormente, em 2002, o Governo Federal criou o Parque Nacional de Jericoacoara, incorporando mais terras. Em 2010, Iracema iniciou um processo administrativo contra o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), buscando indenização por desapropriação indireta. Em 2017, ela judicializou o caso, e em 2023, apresentou documentos ao Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), que chegou à legitimidade das escrituras.

A Procuradoria-Geral do Estado chegou a firmar um acordo extrajudicial para transferir parte das terras desocupadas à empresária, mas o Ministério Público do Ceará recomendou a suspensão do acordo. Entre os pontos questionados, está o aumento da área registrada de uma das fazendas, de 441 para 924 hectares, e a possível sobreposição com áreas públicas e com o Parque Nacional de Jericoacoara. Com isso, o acordo foi suspenso e o caso segue em apuração.

Em Macau, o processo nº 0000426-83.2005.8.20.0105 traz apensados os documentos referentes à legitimidade da propriedade de Feliciano Tetéo, a Certidão Vintenária expedida em 02 de outubro de 2001, pela oficial Substituta do Registro Geral de Imóveis, Maria Neuza de Oliveira Carmo. De acordo com o documento, após revisão de arquivo existente no Primeiro Cartório Judiciário da Comarca de Macau, se constata a propriedade da Companhia Nacional de Salinas Mossoró pertencente a Feliciano Ferreira Tetéo, em registro de 23 de maio de 1898.

Além disso, em 14 de novembro de 2000, uma Certidão de Registro certifica as mesmas propriedades em nome de Feliciano Tetéo. Uma planta georefenciada, elaborada pela própria empresa de sal, revela os locais onde a Salinor explora o mineral. E é justamente essa planta que comprova que a empresa usa os mesmos locais que estão escriturados em nome de Feliciano Tetéo. Uma outra certidão cartorial reforça que, apesar de não ter documentos que comprovem sua real propriedade, a Salinor nunca entrou com nenhum tipo de ação contra o espólio de Feliciano Tetéo, evidenciando que a propriedade das terras pertence a Feliciano, cujos documentos comprovam que essa situação nunca sofreu nenhum tipo de mudança.

A Salinor ainda não se pronunciou sobre o caso. O Diário do RN voltou a entrar em contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.


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DOC EXPÕE DESAFIOS DE ACESSIBILIDADE DE NATAL, “UMA CIDADE NÃO ADAPTÁVEL”

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A dança pode expressar resistência e a luta por uma cidade sem exclusão e com equidade. Esses são alguns dos elementos que compõem o documentário “Estou adaptado a uma cidade não adaptável”, que estreia com a missão de provocar reflexão e empatia por meio da trajetória de Beto Morais, bailarino cadeirante e um dos fundadores do grupo potiguar Gira Dança, referência nacional na arte contemporânea.

O lançamento acontece no sábado, 17, na Casa da Ribeira com entrada gratuita e duas sessões, a primeira às 19h, com acessibilidade, a segunda na sequência, às 19h30, seguida de debate. Com direção e roteiro de Raquel Cardozo, produção da Mariposart e coprodução do próprio Beto Morais, o curta tem duração de 12 minutos e mistura relato pessoal, imagens documentais e intervenções artísticas para construir uma narrativa poética sobre o cotidiano de uma pessoa com deficiência em Natal – cidade que, como tantas outras, ainda engatinha no que diz respeito à acessibilidade urbana e ao respeito à diversidade de corpos.

Filmado a partir das vivências reais de Roberto Morais de Araújo, o documentário é mais que um retrato individual: é um chamado coletivo. Acompanhando o artista em sua rotina, o curta revela os obstáculos físicos e sociais que desafiam sua mobilidade, ao mesmo tempo em que destaca a dança e o teatro como ferramentas de superação, expressão e transformação social.

“Estou adaptado a uma cidade não adaptável” também se propõe como um convite à empatia. Ao colocar o espectador no lugar de Beto, o filme desafia lideranças políticas e a sociedade civil a repensarem o espaço urbano como um direito de todos. A cidade, como destaca o próprio documentário, deve ser construída não apenas com rampas e calçadas adequadas, mas com uma nova mentalidade que abrace a diferença como valor fundamental.

Além de seu caráter artístico e biográfico, o projeto possui um forte compromisso social e educacional. Por meio do olhar sensível da câmera, o curta visa inspirar outras pessoas com deficiência e sensibilizar o público quanto à acessibilidade real, que vai além da infraestrutura e precisa alcançar o respeito, o acolhimento e a dignidade no convívio cotidiano. A produção contou ainda com a pesquisa do antropólogo Geraldo Barbosa, e é uma realização da Fundação José Augusto, Secretaria Estadual da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Com estética refinada, narrativa potente e compromisso com os direitos humanos, “Estou adaptado a uma cidade não adaptável” reafirma a arte como espaço de escuta, denúncia e transformação — e coloca Beto Morais, com sua dança e sua história, no centro de um debate que precisa sair do plano das intenções e ganhar as ruas.


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SALINOR PODE PERDER NA JUSTIÇA ÁREAS QUE FORAM OCUPADAS ILEGALMENTE

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Esse poderá ser um dos casos mais ruidosos dos últimos tempos na justiça do Rio Grande do Norte, pois envolve quase toda a área de produção da Salinas do Nordeste S/A – Salinor, em Macau, considerado o maior parque salineiro da América Latina.

A questão é movida pelos familiares de Feliciano Ferreira Tetéo, nascido em 12 de novembro de 1871, tendo ele ocupado funções na Guarda Nacional e também na condição de Intendente de Macau. Há cerca de 20 anos familiares de Feliciano Tetéo iniciaram questionamentos jurídicos sobres terras que comprovadamente em cartório se encontram em nome de seus ancestrais, que poderão representar o maior questionamento jurídico envolvendo área territorial no Estado, representando valores vultosos, mas ainda não definidos, por se tratar de áreas da empresa salineira que tem capacidade de produzir até 2,5 milhões de toneladas de sal por ano e que hoje abastece o mercado nacional e exporta parte de sua produção para os Estados Unidos.

JUSTIÇA
O processo nº 0000426-83.2005.8.20.0105 está tramitando na 1ª Vara da Comarca de Macau e segundo o advogado Érick Pereira, que defende os interesses dos herdeiros de Feliciano Tetéo, “esse processo lança luz sobre uma disputa que pode mexer com a história da exploração de salinas no Rio Grande do Norte. Trata-se de inventário dos bens deixados por Feliciano Ferreira Tetéo e Hermínia Dantas Tetéo, entre os quais se destacam valiosas salinas em Macau, patrimônio de grande importância para a economia local e para a memória da família”.

A empresa salineira Salinor, sucedânea das empresas Companhia Comercio e Navegação (CCN) e da Cirne, é considerada a maior produtora de sal do país, mas ainda não se pronunciou quanto aos questionamentos feitos na justiça pelos herdeiros de Feliciano Tetéo e Hermínia Dantas Tetéo, que por sua vez disponibilizam de documentos passados em cartório comprovando a compra das áreas de salinas.

Um dos documentos que atesta a propriedade dos imóveis é a Certidão Vintenária expedida em 02 de outubro de 2001, pela oficial Substituta do Registro Geral de Imóveis, Maria Neuza de Oliveira Carmo. De acordo com o documento, após revisão de arquivo existente no Primeiro Cartório Judiciário da Comarca de Macau, se constata a propriedade da Companhia Nacional de Salinas Mossoró pertencente a Feliciano Ferreira Tetéo, em registro de 23 de maio de 1898.

Além disso, em 14 de novembro de 2000, uma Certidão de Registro certifica as mesmas propriedades em nome de Feliciano Tetéo. Uma planta georefenciada, elaborada pela própria empresa de sal, revela os locais onde a Salinor explora o mineral. E é justamente essa planta que comprova que a empresa usa os mesmos locais que estão escriturados em nome de Feliciano Tetéo. Uma outra certidão cartorial reforça que, apesar de não ter documentos que comprovem sua real propriedade, a Salinor nunca entrou com nenhum tipo de ação contra o espólio de Feliciano Tetéo, evidenciando que a propriedade das terras pertence a Feliciano, cujos documentos comprovam que essa situação nunca sofreu nenhum tipo de mudança. Ou seja: A empresa Salinor explora suas salinas em terras que nunca lhe pertenceram de forma legal. Ela se apossou de áreas gigantes da cidade sem nunca ter adquirido oficialmente nenhum lote de terra.

Os herdeiros afirmam que as áreas ocupadas pela empresa teriam sido apossadas de maneira indevida, sem apresentar justo título que legitime a ocupação e o uso do bem. A denúncia de uso irregular das áreas legalmente passadas em cartório e pertencentes aos herdeiros de Feliciano Tetéo e Hermínia Tetéo apontam para anos de exploração sem autorização dos legítimos sucessores.

Para o advogado Érick Pereira, “Embora o processo trate da partilha dos bens deixados pelos falecidos, a constatação da exploração sem amparo jurídico pode desencadear efeitos relevantes para o setor salineiro local, além de abrir margem para novas medidas judiciais pelos herdeiros, como ações de perdas e danos”.

Sobre o desdobramento da ação judicial envolvendo o maior parque salineiro da América Latina, o advogado dos herdeiros sintetizou assim: “O caso segue em tramitação, cercado de expectativas tanto pelo valor econômico das terras quanto pela possibilidade de desdobramentos judiciais futuros que podem ganhar destaque regional e nacional”


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EMPRESÁRIO POTIGUAR LEVA O RN PARA A BRAZILIAN WEEK, EM NOVA YORK

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O presidente do LIDE RN e fundador do Fórum Negócios, Jean Valério, está em Nova York participando de uma missão empresarial intensa durante a Brazilian Week — evento que transforma a cidade no principal palco internacional para debates sobre o futuro do Brasil nos cenários econômico e político globais.

A agenda reúne líderes empresariais, autoridades e investidores que enxergam o Brasil como um país estratégico em setores como energia, agronegócio, turismo, infraestrutura e real estate.

Jean Valério integra as ações promovidas pelo LIDE Global, BTG Pactual, GRI Club e outras entidades brasileiras que atuam na articulação de negócios e na atração de investimentos. Ele também representa projetos do Nordeste, em especial do Rio Grande do Norte, em busca de conexões e parcerias — com destaque para um projeto de expansão no setor imobiliário regional, além de pautas ligadas à energia limpa, produção de pescado, mineração e turismo.

Durante a semana, Jean participa de eventos estratégicos como o GRI Real Estate 2025 e o TechDay New York BTG, além de visitas técnicas a ativos de referência, como o prédio The Spiral e o escritório da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo.

Na noite de segunda-feira (12), o fundador do Fórum Negócios esteve presente em um happy hour exclusivo promovido pela Oriz Investimentos, estreitando o diálogo com fundos e executivos internacionais.

“O Brasil possui vantagens competitivas em setores como mineração, agronegócio, turismo, real estate e energia. O momento é propício para buscarmos um melhor posicionamento no mercado global. A Brazilian Week é mais do que uma vitrine para o nosso país — é uma oportunidade real de sentar à mesa com quem decide, compreender tendências globais e abrir caminhos para que o Brasil — e o Nordeste — estejam conectados aos grandes centros de influência econômica”, destaca Jean Valério.

A presença do LIDE RN e do Fórum Negócios na capital financeira do mundo, pelo terceiro ano consecutivo, reforça o compromisso de gerar conexões de valor, representar o empreendedorismo brasileiro e posicionar o país — em especial o Nordeste — como parceiro estratégico em áreas-chave do desenvolvimento.

“Aqui em Nova York, represento todo o nosso ecossistema e todas as empresas que caminham conosco — seja no LIDE, seja no Fórum Negócios.”, concluiu Jean.


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PROJETO DE COLETA DE ELETROELETRÔNICOS NO RN É DESTAQUE EM EVENTO MUNDIAL

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O descarte de aparelhos eletrônicos exige cuidado e ainda é um grande desafio para o Brasil. Devido à composição por elementos químicos potencialmente tóxicos, a disposição incorreta desse material pode contaminar o solo e a água, afetando a fauna, a flora e a saúde humana. No Rio Grande do Norte, uma solução de sustentabilidade denominada RN+Limpo, tem ganhado destaque pelos seus resultados, como a arrecadação de 150 toneladas de resíduos eletroeletrônicos entre 2021 e 2024.

Agora, o projeto alça novos voos e, após ter sido apresentado na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, será um dos temas de uma sessão de aceleração do Fórum Mundial de Economia Circular, que será sediado em São Paulo, entre 13 e 15 de maio.

A RN+Limpo foi criada por meio de parceria entre a sturtup Circular Brain, o Governo do Estado, a Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) e a empresa Natal Reciclagem, com objetivo de promover o descarte correto dos eletroeletrônicos por meio da Educação Ambiental. “Para isso, foi elaborada a campanha com elementos culturais e regionais do estado para que tivesse uma abordagem e linguagem assertiva”, explicou a gerente de Marketing e Negócio da Circular Brain, Livia Santarelli.

A ação foi iniciada em 2021, com a instalação de pontos de coleta em Natal. “Ainda estávamos em meio à pandemia, então ações presenciais não eram viáveis”, afirmou Santarelli. No ano seguinte, foi dada a largada para ações de “detox” em repartições públicas e pelo interior, o que resultou na criação de 26 pontos fixos de coleta e programações de educação ambiental em 24 municípios.

“Levamos para diversos municípios do RN a partir de patrocínios de empresas de energia roliça, e, com isso, tivemos o resultado de 150 toneladas até 2024”, completou a gestora, destacando ainda que a estimativa é de as ações tenham atingido mais de 1,7 milhão de pessoas.

O impacto desse trabalho, a forma como as atividades foram realizadas e como foi feita a rastreabilidade dos resíduos chamaram atenção, resultando em um convite para uma das conferências mais importantes sobre o clima, na qual líderes de todo o planeta se reúnem para chegarem a um acordo sobre como lidar com a crise climática.

“A RN+Limpo foi um case apresentado na COP de 2023, por conta das ações realizadas e como conseguimos fazer a rastreabilidade dos resíduos coletados na ação. Agora, o convite para participar do Fórum, que é um evento mundial, mostra que estamos fazendo a diferença no setor de reciclagem de eletrônicos”, declarou a gerente de Marketing.

O trabalho da RN+Limpo será um dos temas da sessão de aceleração sobre “Campanhas Ambientais de Engajamento”, que acontece nesta quinta-feira (15). A apresentação poderá ser assistida on-line, a partir das 15h. Para participar, basta realizar a inscrição pelo site circulare.com.br/webinar-campanhas-ambientais-wcef25.

A Circular Brain
A Circular Brain é uma startup brasileira criada em 2020, diante da necessidade da formalização do mercado de reciclagem de eletroletrônicos. A empresa se dedica a impulsionar a economia circular, que consiste em gerir recursos finitos de forma a recuperar os seus valores, prezando pela regeneração e pela redução do uso de materiais.

Assim, busca conectar todos os protagonistas da cadeia de reciclagem de eletroeletrônicos, além de realizar campanhas de educação ambiental. “Criamos um ecossistema chamado Circulare que foi capaz de conectar toda a cadeia de vida útil de um aparelho eletrônico, desde o descarte até o retorno dos resíduos para a indústria, evitando que esses recursos sejam novamente retirados do meio ambiente”, explicou a gerente de Marketing e Negócio Livia Santarelli.


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PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NOS CEMITÉRIOS OFERECE ACOLHIMENTO E REFLEXÃO NO DIA DAS MÃES

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Datas como o Dia das Mães costumam intensificar o processo de luto, especialmente por evocar memórias afetivas e rituais familiares. Segundo a psicóloga Anna Claudia Abdon, especialista em luto da Empresa Vila, é comum que sentimentos como tristeza, vazio e até culpa se manifestem com mais força nesse período. A data é a segunda maior que conta com visitação nos cemitérios, depois do Dia de Finados.

Nestas datas, transformar saudade em homenagem é uma maneira simbólica de acolher essas emoções e ressignificar a perda. Pensando nisso, este ano, a Empresa Vila promoverá uma programação especial, durante o Dia das Mães, nos cemitérios Sempre — em Natal, Caicó e Mossoró — a fim de proporcionar momentos de reflexão e conexão com a memória das mães que já partiram.

A iniciativa propõe transformar a tradicional visita aos cemitérios em uma experiência coletiva e acolhedora, promovendo conforto emocional por meio de rituais de homenagem, espiritualidade e escuta sensível. No Sempre Cemitério Natal, o público poderá contar com o Espaço AcolherDor, um ambiente especialmente preparado para momentos de reflexão, apoio psicológico e partilha de sentimentos.

Anna Cláudia destaca ainda a importância dos rituais simbólicos na elaboração do luto. “Distribuir uma flor, escrever uma mensagem, participar de uma missa ou de um momento de silêncio coletivo são formas potentes de elaborar a perda. Essas práticas ajudam as pessoas a manterem vínculos com quem se foi e a compreenderem que o amor não acaba com a morte, ele se transforma”, afirma.

Confira programação

Sempre Cemitério Natal
BR 101, Km 79, s/n – Nossa Sra. da Apresentação, Natal
• 08h – Missa com Padre Yago Carvalho
• 10h – Missa com Padre Dalmário Barbalho
• 08h às 12h – Espaço Acolhedor: escuta sensível, partilha e conforto emocional

Sempre Cemitério Caicó
Rua Chilon Heráclitus de Araújo, 2238 – Caicó
• 09h – Culto com o Pastor Erinaldo Lino
• 16h – Missa com Padre José Ronácio

Sempre Cemitério Mossoró
RN-117, 6133 – Zona Rural, Mossoró
• 08h – Missa com Padre Antoniel Alves


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A LEGITIMIDADE DE UM AMOR DE MÃE TRADUZIDO EM ATOS E RENÚNCIAS

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Ser mãe era o grande sonho de Maria da Conceição Cirilo. Quando isso aconteceu, ela não teve um companheiro ao lado, foi “mãe, pai, o tudo” da filha, como declarou emocionada, em entrevista ao Diário do RN.

Na condição de mãe solo, os desafios foram muitos e Ana Paula tinha seis anos de idade quando foi detectada uma deficiência intelectual. Até os 11 anos fez ballet, depois enveredou pelo atletismo onde participou de muitas competições, inclusive nacionais.

“Até a última viagem que ela fez, para Manaus, nunca deixei faltar o que ela levar mala. Eu vivi de lavar de roupa e de engomar, de domingo a domingo, mas nunca deixei faltar o alimento, o remédio…

Perguntada sobre o que a maternidade lhe trouxe de mais valioso, Maria da Conceição volta a se emocionar: “Eu acho que uma pessoa que tem uma filha como Ana Paula pode agradecer a Deus tudo, porque eu ensinei ela a caminhar, ela me ensinou muito mais. Ela não teve infância, não teve lazer, era do meu lado para lavar roupa e engomar. Nossa vida estava resumida a viver uma para outra”.

Hoje com 32 anos, Ana Paula Cirilo relembra toda a dedicação e renúncia da mãe: “Ela abdicou muito e renunciou tudo para estar ali ao meu lado para tudo. Me deu suporte, apoio. Então, eu sempre tive um sonho, eu queria trabalhar, eu queria está inclusa”.

A realização desse sonho aconteceu 13 anos atrás, quando foi contratada por uma rede internacional de lanchonetes. Mas, pouco tempo depois, vieram crises convulsivas que quase a tiraram do mercado. Mais uma vez, a dedicação da mãe fez toda diferença na vida da jovem: “Eles quebraram protocolos e efetivaram minha mãe. Trouxeram para perto de mim o amor de mãe que ultrapassa todos os limites e barreiras”, contou Ana Paula.

Assim, dona Conceição está há 10 anos na empresa e trabalha como atendente ao lado da filha. Uma experiência que trouxe tranquilidade para a mãe e renovou o laço afetivo das duas. “Foi uma coisa muito maravilhosa! Ao mesmo tempo eu tinha medo porque só via jovens e eu tinha cinquenta e dois anos. Mas pensei: eu vou arriscar, minha filha é mais importante”.

O amor de filha para mãe também transborda na maternidade que Ana Paula vive hoje: “Eu tento passar para minha filha o que minha mãe passou para mim e o que ela hoje representa para minha vida também, porque eu digo que ela não só é a minha mãe, mas é a mãe também da minha filha”.

Às vésperas de comemorar o Dia das Mães, Ana fala sobre a legitimidade de um amor que está além de palavras, traduzido em atos: “O amor não é aquilo que a gente fala. Muita gente se ama, mas não ama, são palavras vazias, e o amor também está nas atitudes. Então, a atitude dela fala mais do que um eu te amo, porque ela é aquela que abdicou a vida lá atrás até hoje, é aquela muito protetora e que abriu mão de tudo dela”


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“EU NÃO CONSEGUIA TER UMA EXTENSÃO DO QUE É A MAGNITUDE DE SER MÃE”

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Ainda que estejam optando por ter filhos cada vez mais tarde, sobretudo para resguardar a ascensão profissional e pela jornada de trabalho superior à dos homens ao conciliar os afazeres domésticos e o trabalho remunerado, a maternidade ainda é um sonho para muitas mulheres.

Esse desejo de formar uma família desperta sentimentos intensos, difíceis de serem explicados e uma trajetória inteira muda ao ter um filho no colo pela primeira vez. Neste Dia das Mães, o Diário do RN homenageia, através das histórias da psicóloga Juliana Almeida e da atendente Maria da Conceição Cirilo, a força e a dedicação de todas aquelas que cumprem com amor a missão de cuidar e educar seus filhos.

Essa complexa jornada da maternidade foi uma vontade constante na vida de Juliana, e se tornou realidade após 18 anos ao lado de seu marido, Filipe Fernandes. Com planos de gestar e, em seguida, adotar uma criança, a psicóloga teve seu caminho rumo à maternidade muito diferente, e ela conheceu o amor que sempre imaginou de uma forma completamente inesperada.

Após anos trabalhando em uma ONG de promoção à cultura da adoção, Projeto Acalanto, fundada pela mãe de seu esposo, e depois de seis meses tentando engravidar, Juliana passou a receber acompanhamento do projeto em um curso de pré-adoção, antes de entrar na fila do Sistema Nacional de Adoção, em 2021.

Iniciou-se um novo período de espera, permeado por angústia, mas ela sabia que o desejo de maternar se tornaria realidade. “A espera vinha junto ainda de uma possibilidade de uma gestação biológica. Para mim, estava causando um sofrimento muito grande não conseguir engravidar e era uma das coisas que eu comentava: ‘Nossa, mas estou sofrendo tanto com essa questão do não conseguir gerar, mas eu sei que pela adoção eu vou ser mãe, independente de como for’.

Nesse processo, na semana em que seu marido mediava uma mesa-redonda em um evento nacional sobre adoção, o casal recebeu a informação de que havia, em uma unidade de acolhimento que seria fechada, uma menina com o perfil esperado por eles.

Após conhecer Maria Flor, de 4 anos, eles souberam que ela só poderia ir para a família que pudesse adotar os seus irmãos de 13 e 8 anos, Matheus e Esmeralda. Ao encontrá-los, em junho de 2024, Juliana sentiu: aqueles seriam seus filhos. “Meu coração estava tranquilo. A gente vai adotar e vão ser esses três aqui”, contou. Foi assim que toda a angústia acabou. Algo dentro de si mesma lhe dizia que dali em diante, seriam cinco.

A alegria que não cabia em si dividiu espaço com novas emoções em um novo período de espera. Afinal, a partir dali seriam iniciados os trâmites para adoção. Em um período de 11 dias, eles fizeram visitas diárias ao abrigo onde as crianças moravam. “Quando a gente conheceu os nossos filhos, foi uma alegria muito grande. Depois, mais um momento de espera, enquanto eles ainda estavam no abrigo, enquanto a gente ainda ia visitar. Desde o primeiro dia que a gente os conheceu, a gente disse que ia vê-los todos os dias. Então, a gente se organizava para isso. Mesmo que não conseguissem os dois, ia pelo menos um”, contou.

A guarda provisória saiu em julho de 2024, e em novembro foi concretizada a adoção. Dali para frente, um universo de aprendizados se abriu na vida do casal. Para Juliana, a ideia de maternidade que havia em si foi transformada. O conceito “prático” sobre vivenciar de perto todo o desenvolvimento de uma criança não chegava perto das mudanças profundas que aconteceriam em suas vidas por meio dessa nova forma amor.

“Existia essa ideia do querer ter filhos, de não ver a gente sozinho, de ajudar na construção, no desenvolvimento de acompanhar o crescimento de um ‘serzinho’, mas eu não conseguia ter uma extensão do que é a magnitude de ser mãe, de ser pai. Sabia da parte prática, mas é tão mais profundo. Mexe com as certezas que a gente tinha, mexe com a nossa organização, com a necessidade de ter controle e mostrar para você que você não tem controle e está tudo bem não ter controle. Mostra que a gente precisa aprender a confiar na vida, em Deus, que as coisas acontecem como tem que acontecer”, disse.

Passar por esse processo, no entanto, não é fácil, independente da maternidade ter vindo por uma gestação ou por meio de um processo adotivo. Juliana, inclusive, faz questão de ressaltar que a adoção não deve ser “romantizada”, pois vem repleta de desafios.

“Assim como qualquer filho que chega, ele vai causar o reboliço, vai causar assim uma ‘bagunça’ para depois as situações se organizarem. E coisas de roupa, comida, escola, médico assim eram coisas que que a gente já estava esperando, mas acho que esse processo até finalizar a adoção, principalmente nos meses iniciais, foi muito intenso, porque na adoção tardia, as crianças já chegam com uma bagagem grande, que às vezes uma fala toca em alguma ferida, existe saudade da família biológica, a dificuldade de entender porque que ela não pode estar com a família biológica. Então, é um processo de lidar com essa bagagem emocional, com as dores, com a história deles”, afirma.

Entretanto, para a psicóloga, a escolha de amar muda tudo e dá força para superar qualquer adversidade. “A gente conversa muito é que amar é uma escolha. Independente do que fosse, a gente tinha escolhido amar essas crianças. Estava dificílimo lidar com as demandas emocionais, de casa, mas a gente nunca duvidou dessa escolha. Assumimos um compromisso de sermos pais dessas crianças, que desde o primeiro dia senti como sendo meus filhos. Diariamente, a gente acorda escolhendo amar eles e é o que dá forças para passar pelas dificuldades”.

Em seu primeiro Dia das Mães como mãe, ela faz questão de refletir sobre os ensinamentos que sua mãe lhe deixou e sobre os que quer passar para os filhos. “Apesar de não ter gerado os meninos, mas a gente gera não só o físico, a gente gera valores e virtudes. Acho que o que quero parar para pensar na ideia do dia é o que estou gerando. Quero, neste Dia das Mães, assumir o compromisso de ser melhor”.


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