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‘GAROTINHO DA COPA’: 20 ANOS SEM A VOZ DO CRAQUE NO RÁDIO POTIGUAR

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Há exatos 20 anos, silenciou-se uma das vozes mais belas e marcantes do rádio potiguar. Se o destino tivesse traçado outro caminho, Marco Antônio Antunes, o eterno “Garotinho da Copa”, já estaria ‘afiando’ a principal ferramenta de trabalho para narrar e comentar seu 12.º Mundial de Futebol a Fifa, que acontece no próximo mês, em três países, simultaneamente: México, Estados Unidos e Canadá. Natural de Passo Fundo, nas terras gaúchas, ele morreu cedo, aos 56 anos, vítima de um infarto súbito, em um hotel na cidade de Colônia (Alemanha), às vésperas de cobrir a sua sétima Copa do Mundo.

Naquele ano de 2006, a Seleção Brasileira sucumbiu nas quartas de final, eliminada pela França por 1 a 0. Entretanto, para os fãs que ouviam Marco com devoção, a maior e mais dolorosa derrota já havia se consumado, antes mesmo da bola rolar.

Como disse a saudosa escritora Clarice Lispector, “mesmo nas ausências, o coração permanece habitado”. E é exatamente essa verdade que define a resiliência de Zalix Marinho, a viúva do ‘Garotinho’, após uma vida de 14 anos tecida com amor, amizade e respeito. Após o falecimento do marido, ela confessa que sua vida perdeu a motivação. “A saudade maltrata muito e a ausência dele ainda é muito presente em meu coração. Não tivemos filhos juntos, mas construímos uma história muito forte e cheia de significado. Eu o chamava carinhosamente de ‘amor’, porque ele realmente representava isso na minha vida”.

Marco não bebia, mas fumava muito, às vezes, entre goles de refrigerante. Zalix recorda que, antes da viagem fatal à Alemanha, ele submeteu-se todos os exames necessários e tudo indicava perfeita saúde. “Acredito que o estresse com a demanda de responsabilidades tenha contribuído bastante, porque, além da vida profissional, ele cursava Direito e estava no último ano da faculdade. Na época, precisava estudar intensamente para as provas, antes de viajar para cobrir a Copa do Mundo. Muitas vezes estudava durante a madrugada, tendo o cigarro como companhia.

Ele era extremamente dedicado, obstinado e muito preparado. Falava quatro idiomas”, observou.

Mesmo diante de uma despedida tão repentina, Zalix cultiva a gratidão pelos anos marcados de companheirismo, sonhos e muitos momentos inesquecíveis. “Guardo muitas lembranças especiais dos momentos que vivemos juntos. Fizemos várias viagens, e ele adorava conhecer novas culturas, sempre vibrando por cada oportunidade. Também trago comigo o exemplo de homem que ele foi: iluminado, generoso, inteligente e cheio de amor nos gestos mais simples.

Para mim, a maneira como ele amava a vida e as pessoas ao redor é algo inesquecível”.

Hoje, a rotina de Zalix é preenchida pelo trabalho diuturno – uma espécie de bálsamo necessário para minimizar a dor e ocupar o vazio deixado pela partida do seu companheiro. Além das atividades, Zalix segue mantendo uma relação de respeito, carinho e consideração com a família dele. “A saudade que sentimos dele nos une ainda mais, porque Marco deixou marcas muito bonitas em todos que conviveram com ele. Aprendi muito com ele. Marco era uma pessoa educada, carinhosa, otimista e cheia de sonhos. Eu admirava sua obstinação e a forma positiva como encarava a vida. Até nos momentos simples do dia a dia, ele encontrava motivos para celebrar. Hoje, sigo minha rotina carregando as lembranças, os ensinamentos e o amor que vivemos”, disse.

Gaúcho de nascença, Marco Antônio fez de Natal a sua casa a partir 1977. Apaixonado pela crônica esportiva, foi pela combinação do seu talento nato, da sua criatividade e de uma voz inconfundível que ele conquistou sua ‘posição de titular’ nos microfones da Poti, Cabugi, Tropical (CBN) e 96 FM. Outro trunfo do ‘Garotinho’ era sua análise perspicaz, temperada com refinado humor. Em pouco tempo, o sucesso ultrapassou as ondas do rádio e chegou à televisão, onde comandou o Globo Esporte, na antiga TV Cabugi. A trajetória brilhante também o levou às páginas do jornalismo impresso, onde assinou colunas nos jornais Tribuna do Norte e no saudoso vespertino O Jornal de Hoje (JH). Marco Antônio faleceu na madrugada do dia 28 de maio de 2006, vítima de um infarto fulminante, em Colônia (Alemanha).


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MAIS DE 200 LOJISTAS DE NATAL ADEREM À CAMPANHA DIA LIVRE DE IMPOSTOS

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Abastecer o carro, tomar um café ou comprar uma peça de roupa: em praticamente todas as despesas do cotidiano, uma parte significativa do valor pago pelo consumidor corresponde a impostos. É justamente para chamar atenção para esse impacto invisível no bolso da população que empresários do varejo de Natal voltam a aderir ao Dia Livre de Impostos (DLI), campanha nacional que promete vender produtos e serviços sem repassar ao cliente o valor equivalente à tributação.

A Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem de Natal lançou oficialmente, nesta terça-feira (26), a edição 2026 do Dia Livre de Impostos (DLI) na capital potiguar. A mobilização acontece na próxima quinta-feira, 28 de maio, e deve reunir mais de 200 lojas e empresas participantes em Natal, número superior ao registrado no ano passado.

O lançamento foi realizado durante café da manhã na sede da CDL Natal, no bairro Tirol, reunindo empresários, representantes da diretoria da CDL Jovem Natal, lojistas participantes e profissionais da imprensa.

Durante o evento, representantes da entidade destacaram que, apesar dos descontos concedidos ao consumidor, os impostos continuam sendo recolhidos normalmente pelos lojistas. Na prática, o empresário assume o custo do tributo para demonstrar ao consumidor quanto os impostos impactam o preço final dos produtos.

Segundo a CDL Jovem Natal, a expectativa é que a campanha deste ano amplie não apenas o fluxo de consumidores nas lojas, mas também o debate público sobre tributação, consumo e ambiente de negócios no país.

CONSCIENTIZAÇÃO
O diretor de Varejo da CDL Jovem Natal, Arthur Barbosa, afirmou que o principal objetivo da campanha é conscientizar a população sobre a elevada carga tributária incidente no consumo. “O Dia Livre de Impostos acontece justamente como uma forma de conscientizar as pessoas do alto valor da carga tributária que incide sobre os nossos produtos e serviços no nosso dia a dia”, afirmou.

Segundo ele, a iniciativa é realizada há mais de 20 anos em todo o Brasil e se consolidou como uma das principais ações nacionais voltadas ao debate sobre tributação.

Arthur Barbosa ressaltou que os impostos impactam diretamente o poder de compra da população e afetam especialmente o setor varejista. “É uma maneira que encontramos de conscientizar e de protestar contra essa alta carga tributária e, de fato, mostrar para as pessoas o quanto elas estão pagando de impostos, seja na gasolina, seja no cafezinho, porque isso impacta diretamente o nosso poder de compra”, disse.

O diretor destacou ainda que a ação também representa uma oportunidade comercial para os empresários participantes, já que o aumento do fluxo de clientes tende a impulsionar as vendas.

“O consumidor final vai poder aproveitar um produto sem o valor do imposto e o lojista empresário vai ter uma grande oportunidade de alavancar o seu dia de vendas com mais fluxo dentro da sua loja”, declarou.

ADESÃO
A diretora de marketing da CDL Jovem Natal, Cecília Muniz, destacou o crescimento da adesão do comércio potiguar à campanha deste ano. Segundo ela, o número de empresas participantes saltou de cerca de 120 na edição passada para mais de 200 em 2026, representando crescimento superior a 80%. “Ano passado foram cerca de 120 empresas, hoje já estamos com mais de 200”, afirmou.

Ela explicou que a proposta do Dia Livre de Impostos vai além da venda de produtos com desconto e busca estimular uma discussão mais ampla sobre o sistema tributário brasileiro.

“O que a gente traz é a reflexão sobre a alta carga tributária e os reflexos disso no nosso dia a dia, do nosso consumo, chamando para uma conversa mais clara sobre a tributação do nosso país”, declarou.

Cecília Muniz também incentivou os consumidores a acompanharem as informações sobre a campanha por meio das redes sociais da CDL Jovem Natal, onde serão divulgadas as empresas participantes e os descontos oferecidos.

“Aproveitem essas oportunidades do dia 28 de maio, acompanhem as lojas participantes e os descontos. E quem ainda não está participando enquanto empresa ou prestador de serviço pode entrar em contato com a gente”, disse.

TRIBUTAÇÃO
A edição deste ano do Dia Livre de Impostos acontece em um cenário de crescimento da carga tributária no país. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional apontam que a carga tributária bruta do Brasil atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o maior índice da série histórica iniciada em 2010.

O percentual representa a soma de todos os tributos arrecadados pelos governos federal, estaduais e municipais em relação à economia brasileira. Segundo o levantamento, o crescimento da arrecadação foi impulsionado principalmente pelo aumento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), do IOF e das contribuições previdenciárias.

Outro indicador que reforça o debate levantado pela campanha é o Impostômetro, painel eletrônico da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que acompanha em tempo real a arrecadação tributária do país. Segundo o sistema, os governos federal, estaduais e municipais já haviam arrecadado mais de R$ 1,3 trilhão em tributos no acumulado de 2026 até o mês de maio.

Em nível nacional, o Dia Livre de Impostos mobilizou mais de 100 mil estabelecimentos em cerca de 1,5 mil cidades brasileiras em 2025, consolidando a iniciativa como uma das maiores campanhas nacionais de conscientização tributária.

Empresários interessados em aderir à edição deste ano ainda podem obter informações através do WhatsApp da CDL Jovem Natal: (84) 9125-2188. Mais informações sobre a ação também estão disponíveis no Instagram oficial da CDL Jovem Natal.


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PAULINHO ANUNCIA PROGRAMAÇÃO PARA CONSOLIDAR NATAL NO CIRCUITO JUNINO

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A Prefeitura do Natal lançou nesta segunda-feira (25), na Arena das Dunas, a programação oficial do São João de Natal 2026. Apostando em grandes atrações nacionais, fortalecimento do turismo e descentralização da festa, a gestão municipal quer consolidar o evento como um dos principais festejos juninos do país.

A programação será realizada entre os dias 5 e 28 de junho, com shows distribuídos entre a Arena das Dunas, que concentrará os três primeiros finais de semana, e o Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte, que receberá o encerramento da festa. Entre os artistas anunciados estão Simone Mendes, Xand Avião, Bruno & Marrone, Leonardo, Pablo, Calcinha Preta, Nattan, Limão com Mel, Henry Freitas, Cavaleiros do Forró, Banda Grafith e Zezé Di Camargo & Luciano.

Durante a coletiva, o prefeito Paulinho Freire afirmou que a proposta é transformar o São João em um instrumento permanente de fortalecimento econômico e turístico para a cidade. Segundo ele, Natal possui diferenciais em relação a outros polos juninos do Nordeste por unir festas, praias e atrativos naturais.

“Você vem para o São João e vai curtir as praias, vai curtir a cidade. Natal tem esse diferencial. A gente está vendendo justamente esse modelo: não é só a festa à noite, é a cidade o dia inteiro”, afirmou.

“Você vem para o São João e vai curtir as praias, vai curtir a cidade. Natal tem esse diferencial. A gente está vendendo justamente esse modelo: não é só a festa à noite, é a cidade o dia inteiro” – Foto: Reprodução

O prefeito também destacou a expectativa de crescimento em relação ao ano passado. Dados apresentados pela Fecomércio RN apontam que a edição de 2025 reuniu cerca de 938 mil pessoas e movimentou mais de R$ 188 milhões na economia local. Para este ano, a estimativa da gestão municipal é ultrapassar a marca dos R$ 200 milhões.

“O que acontece nesses grandes eventos não é gasto, é investimento”, reforçou o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz. Segundo ele, a entidade realizará novamente uma pesquisa econômica durante o evento e também promoverá ações de recepção turística no aeroporto e atividades culturais na Cidade Alta e no Alecrim.

A vice-prefeita Joanna Guerra destacou que o São João passou a ocupar espaço estratégico dentro do calendário turístico da capital e afirmou que o evento deve impulsionar setores como hotelaria, comércio e serviços.

“Já era o tempo de a gente ter um São João que marcasse a nossa cidade. Hoje Natal é reconhecida nacionalmente pelo potencial do evento, pela organização e pela capacidade de movimentar a economia”, disse.

A presidente da Funcarte, Iracy Azevedo, afirmou que a programação foi construída buscando equilibrar atrações nacionais e valorização da cultura local. Segundo ela, a intenção é fortalecer a identidade junina da cidade sem perder o potencial turístico do evento.

Além dos shows, a Prefeitura anunciou medidas operacionais para facilitar o acesso do público, como reforço na segurança, ações de mobilidade urbana e ônibus gratuitos após os eventos. A gestão também confirmou que os arraiais de bairro e apresentações de quadrilhas juninas serão mantidos durante o período.

Outro destaque anunciado durante a coletiva foi a transmissão nacional do evento pela TV Record nos dias 19, 20 e 21 de junho. Para Paulinho Freire, a exposição nacional fortalece a imagem de Natal como destino turístico durante o período junino.

“A grande surpresa do ano passado foi o São João de Natal. Agora teremos transmissão para todo o Brasil, mostrando nossa cidade, nossa cultura e nosso potencial turístico”, afirmou.

“A grande surpresa do ano passado foi o São João de Natal. Agora teremos transmissão para todo o Brasil” – Foto: Reprodução

A Prefeitura informou ainda que os investimentos no evento devem ficar entre R$ 17 milhões e R$ 18 milhões. Segundo o prefeito, a meta da gestão é ampliar gradativamente a participação da iniciativa privada no financiamento da festa, seguindo modelos já consolidad


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SANTA CRUZ ESPERA 100 MIL FIÉIS NA PROCISSÃO DE SANTA RITA DE CÁSSIA

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No alto do Monte Carmelo, a imagem do Santuário de Santa Rita de Cássia domina a paisagem de Santa Cruz e simboliza uma devoção que atravessa gerações. Nesta sexta-feira (22), data dedicada a Santa, a cidade deve receber cerca de 100 mil pessoas para o encerramento da tradicional festa da padroeira, considerada uma das maiores manifestações religiosas do Rio Grande do Norte.

As celebrações começaram no último dia 13 de maio e vêm reunindo fiéis de diferentes regiões do estado, além de caravanas da Paraíba, Pernambuco, Ceará e até de outros estados mais afastados. A expectativa é de que o movimento alcance o ápice durante a procissão desta sexta.

“A gente aguarda aí 100 mil pessoas no dia de hoje para vivenciar essa ação devocional na procissão de Santa Rita”, afirmou o pároco e reitor do santuário, Padre Vicente Fernandes.
Segundo ele, a relação entre Santa Cruz e Santa Rita começou ainda antes da formação da cidade.

De acordo com o sacerdote, a devoção chegou à região junto de uma família vinda do Ceará, quando o local ainda era apenas uma fazenda.
“Junto com a família veio a devoção de Santa Rita. Dessa fazenda foi se criando a comunidade, e da comunidade veio a paróquia. Até hoje é essa relação: Santa Rita e Santa Cruz, Santa Cruz e Santa Rita”, explicou.

Devoção que ultrapassou o Trairi
Embora a fé em Santa Rita de Cássia acompanhe a história do município há décadas, Padre Vicente avalia que o reconhecimento nacional veio a partir da construção do santuário e da inauguração da estátua da santa, em 2010.

“Essa relação devocional, que antes era algo mais provinciano, tornou-se algo nacional”, destacou. Hoje, o santuário recebe visitantes durante todo o ano. Nos períodos festivos, especialmente em maio, o fluxo aumenta significativamente e transforma a rotina da cidade.

“O santuário passa a ser esse local de acolhimento, de fé e de oração. E diante dos testemunhos que uma pessoa vai contando para outra, cresce cada vez mais essa busca devocional”, disse o padre.

A imagem de Santa Rita de Cássia, considerada a maior estátua católica do mundo, possui cerca de 56 metros de altura e se tornou um dos principais cartões-postais do turismo religioso nordestino. O complexo também abriga capela, auditório, mirante, sala de promessas e espaços de acolhimento aos romeiros.

Procissão é ponto alto da festa
A procissão de Santa Rita é considerada o momento mais aguardado pelos fiéis. O cortejo acontece após a missa solene das 15h, celebrada este ano pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Natal, Dom José Silvio.

Segundo Padre Vicente, um dos elementos que mais chamam atenção é o andor da santa, produzido artesanalmente e renovado a cada edição.

“O que atrai para a procissão é também a imagem de Santa Rita saindo às ruas em um andor artístico, preparado especialmente para a festa”, explicou.

O trabalho deste ano é assinado pelo artista mossoroense Flávio Tácito.

Teleférico segue na reta final
Outro tema que acompanha o crescimento do santuário é a expectativa pela conclusão do teleférico de Santa Cruz, projeto pensado para ligar a Igreja Matriz ao Alto do Santuário.

De acordo com Padre Vicente, a obra está na fase final e deve passar por um novo processo licitatório para conclusão dos serviços.

“Estamos esperando abrir uma nova licitação para que a empresa finalize a obra. Concluído isso, o município tende a terceirizar o funcionamento”, afirmou.

A avaliação da paróquia é de que o equipamento deve ampliar ainda mais o potencial turístico da cidade, atraindo não apenas romeiros, mas também visitantes interessados na experiência cultural e paisagística.

“O teleférico vem agregar e completar esse complexo turístico-religioso. Não vêm somente os fiéis, mas também turistas que podem entrar na espiritualidade e sair daqui transformados através da fé”, disse o sacerdote.

Expectativa por nova diocese
A Festa de Santa Rita deste ano também ocorre em meio à expectativa pela criação de uma nova diocese no Rio Grande do Norte, com sede em Santa Cruz.

O projeto prevê que a futura Diocese de Santa Cruz reúna municípios das regiões Trairi, Potengi e parte do Agreste potiguar. Segundo Padre Newton, o processo já foi encaminhado à Nunciatura Apostólica e aguarda aprovação do Papa Leão XIV.

“Santa Cruz vive um momento de graça e expectativa. A criação da diocese representa também um fortalecimento da presença evangelizadora da Igreja nessa região”, finalizou Padre Vicente.


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DELEGADA ACREDITA QUE EDUCAÇÃO DENTRO DE CASA PODE SALVAR MULHERES

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A alta no caso de feminicídios registrados no Rio Grande do Norte, segundo a Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh) está ligada ao agravamento de conflitos marcados por misoginia e ao controle no âmbito doméstico, o que dificulta o rompimento do ciclo de violência.

De acordo com a delegada de Polícia Civil, Michelle Barros, que declara intensificar o combate à violência doméstica, não só pelo poder público, onde atua há 13 anos, mas também junto à sociedade civil, é preciso que as mulheres observem com atenção as nuances que podem anteceder esse tipo de delito.

Lotada no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em Natal, a policial dá fé ao ditado popular que diz: “Costume de casa vai à praça”. É daí que ela acredita ser fundamento inicial na redução dos crimes. “Tudo começa pela educação no lar, através da família, para que os homens as respeitem. Também é crucial que as mulheres não normalizem as agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais praticadas por qualquer um que seja”.

Outro ponto vislumbrado pela delegada é a dependência financeira e emocional – uma das principais causas que observa no aumento do crime de violência contra a mulher, já que a deixa em estado de vulnerabilidade perante seu parceiro-agressor. “Em muitas situações, quando a mulher tenta se desvencilhar, esse ato não é aceito”, observa.

Em tempos atuais, a policial diz perceber uma “romantização do dinheiro fácil” ligada ao crime organizado. De acordo com a policial, isso atrai mulheres que não tiveram uma educação saudável em casa, uma base familiar sólida que sustente padrões do que seja certo e errado no senso comum e na lei. “Com isso, a mulher entra direto ou indiretamente no mundo do crime, levando iminente risco a sua vida. Uma vez que está inserida nessa situação é difícil se desvincular, pois a dependência vai além do financeiro e emocional, uma vez que existem leis internas do crime que, após arregimentar pessoas, dificultam a desvinculação”.

DADOS
Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Rio Grande do Norte registrou 10 vítimas de feminicídio somente no primeiro trimestre deste ano. Em 2025, o estado contabilizou 21 feminicídios consumados e 76 tentativas, superando os números de 2024 (que teve 19 mortes e 67 tentativas).

Com esse índice nos três primeiros meses de 2026, o RN empatou a segunda maior alta proporcional do Brasil com Sergipe e Amazonas. Já no cenário nacional, o país computou 399 mulheres assassinadas – o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2016.

PROTEÇÃO
A rede de proteção e o amparo às vítimas no Brasil são essenciais. Denúncias de violência contra a mulher devem ser feitas através do Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelos números de emergência locais (Polícia Militar – 190).

HOMICÍDIO OU FEMINICÍDIO
A principal diferença está na motivação e no contexto do crime. Todo feminicídio é um homicídio, mas nem todo homicídio é um feminicídio.

Homicídio: É o ato de matar qualquer pessoa (homem ou mulher), independentemente do gênero ou do motivo. Pode ser motivado por brigas de trânsito, discussões banais ou ser parte de outro crime, como roubo.

Feminicídio: É o assassinato de uma mulher cometido exatamente pela sua condição de ser mulher. Ele está tipificado no Código Penal brasileiro como um crime autônomo e é considerado hediondo. O crime é configurado em duas situações principais:

  • Violência doméstica e familiar: quando o crime ocorre no ambiente da casa, da família ou envolve relações de afeto (como parceiros ou ex-parceiros).
  • Menosprezo ou discriminação à condição de mulher: quando o crime envolve violência sexual, humilhação ou demonstra um sentimento de posse sobre a vítima.

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NATAL SE TORNA REFERÊNCIA EM INOVAÇÃO DURANTE A 27ª MARCHA DOS PREFEITOS

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O Rio Grande do Norte ocupa um lugar de destaque na XXVII Marcha à Brasília em Defesa dos Municípios, que ocorre entre os dias 18 e 21 de maio no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). Sob a liderança de José Augusto Rêgo, presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), e com a participação estratégica do prefeito de Natal, Paulinho Freire, a comitiva potiguar busca destravar recursos fundamentais para a capital e para o interior do estado.

Enquanto a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte lidera a mobilização política por recursos, Natal será o centro das atenções nesta quarta-feira (20), ao apresentar seus avanços em inovação pública e tecnologia.

A capital potiguar será destaque na programação da Arena Sebrae, onde o secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação (Sepae), Arthur Dutra, compartilhará as experiências de sucesso que estão transformando Natal em um hub tecnológico no Nordeste. O foco será o uso de startups para solucionar desafios reais da gestão pública.

A participação reforça o crescimento do setor no RN, que já conta com 677 startups ativas, um aumento superior a 21%, segundo o Sebrae. Natal concentra a maior parte desse mercado, impulsionada pelo ecossistema do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN).

Entre os pilares que serão apresentados em Brasília estão o Programa Natal Inova, uma parceria com a Funpec e o Parque Tecnológico Metrópole Digital que conecta startups à administração municipal para criar soluções em educação, gestão urbana e serviços; o Catalisa Gov, Iniciativa com o Sebrae RN que utiliza o empreendedorismo para suprir demandas do município. Dentro desse programa, a Prefeitura do Natal também prepara o lançamento do primeiro edital de Compra Pública de Solução Inovadora (CPSI), instrumento do Marco Legal das Startups que facilita a contratação de tecnologia pelo poder público. O município também implementou incentivos fiscais, como a redução do ISS para empresas instaladas em ambientes de inovação, estimulando o crescimento do setor tecnológico local.

“Natal vive um momento importante nessa área. Esse reconhecimento mostra que a cidade vem criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de startups, à atração de investimentos e à construção de soluções que contribuem diretamente para melhorar os serviços públicos.

Participar da Marcha dos Prefeitos é uma oportunidade de apresentar esse trabalho e ampliar a troca de experiências com outros municípios”, destacou o secretário Arthur Dutra.

PAUTAS PRIORITÁRIAS
Com uma delegação de dezenas de prefeitos e prefeitas, o Rio Grande do Norte se destaca como uma das bancadas estaduais mais articuladas. José Augusto (FEMURN) ressaltou que a união entre a capital e o interior fortalece o poder de negociação do estado. Enquanto Natal foca em investimentos diretos, as cidades menores buscam segurança jurídica e financeira para os serviços básicos. Nesta edição de 2026, os eixos principais de mobilização são reforma tributária e garantias de que a transição do modelo tributário não resulte em perdas para o FPM e para o ISS; pisos salariais e a busca por custeio federal; desenvolvimento regional, com o fortalecimento do turismo e da segurança hídrica, pautas que unem a FEMURN e a Prefeitura do Natal na busca por emendas de bancada.

Um dos momentos mais aguardados da programação é a reunião da comitiva da FEMURN com a bancada federal potiguar (deputados e senadores). O encontro visa alinhar o voto dos parlamentares em matérias de interesse dos municípios. Além da FEMURN, a FECAM/RN (Federação das Câmaras Municipais), presidida por Jakeline Roberta, também participa do evento, fortalecendo a união entre os municípios.

A visibilidade alcançada por Natal e a articulação da FEMURN consolidam o protagonismo do Rio Grande do Norte nesta edição da Marcha, demonstrando que o estado está alinhado às tendências de modernização da gestão pública brasileira sem esquecer as demandas históricas do municipalismo.


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8 ANOS SEM MAURÍLIO PINTO: FILHOS APONTAM HONESTIDADE COMO MAIOR LEGADO DEIXADO PELO “XERIFE”

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Em 19 de maio de 2018, falecia em Natal, em virtude de complicações causadas pelo diabetes, o delegado aposentado Maurílio Pinto de Medeiros. Conhecido por muitos como “Xerife” — título que ganhou após receber uma homenagem no Texas (EUA) — ele deixou para filhos, netos e atém bisnetos um legado nobre de honestidade. Hoje, já na quarta geração, a família Medeiros conta com 13 integrantes que seguem a carreira policial.

Sua filha mais velha, Ana Cláudia, de 61 anos, decidiu se aposentar do serviço público na Prefeitura do Natal, logo após a morte do pai. A medida visava dedicar mais tempo aos cuidados com a mãe, Dona Clarissa, que veio a falecer em 2020. Com a partida de Maurílio, o que ela mais sentiu foi a redução dos encontros familiares frequentes na casa dos pais, no bairro de Capim Macio, na Zona Sul da capital. Depois da perda da matriarca, essas reuniões se tornaram ainda mais raras.

A mesma sensação de afastamento é compartilhada por sua irmã, Adriana Medeiros, de 59 anos, aposentada há nove anos da Polícia. Atualmente, ela cuida da vida pessoal, dos filhos e dos quatro netos. “Sinto muita falta das histórias sobre casos policiais que papai contava. Mesmo aposentado, permanecia muito ativo e sempre bem informado sobre tudo. Me entristece saber que meus netos não chegaram a conhecê-lo; ele estava tão animado com a chegada do primeiro bisneto menino — até então, só havia uma bisneta. Infelizmente, o menino nasceu poucos dias depois que ele se foi”, relembrou Adriana.

Após a venda da antiga residência da família, Ana Cláudia ficou responsável por todo o acervo particular do pai: fotografias, objetos pessoais e reportagens que registravam sua trajetória. No início, conseguiu manter tudo intacto em sua própria casa, como se tivesse transferido o escritório dele para lá. Hoje, ela divide o tempo entre os cuidados com as filhas e netos, além de viagens frequentes. Embora Maurílio sempre tenha insistido para que ela também seguisse a carreira policial, escolheu outro caminho. “Polícia nunca foi a minha praia. Tenho ótimas lembranças das nossas discussões, pois eu era a filha que mais discordava dele e defendia minhas ideias com firmeza. Mesmo assim, nossa ligação era de muito carinho e amor. Acho que era comigo que ele tinha ‘maior chamego’”, brinca, sorrindo.

Para Cláudia, a dedicação absoluta que o pai devotou à família e à profissão fez dele um homem respeitado e admirado por todos. “Na polícia, ele sempre defendia a união da equipe e não cansava de cobrar dos governantes mais investimentos para a categoria, especialmente na modernização de equipamentos, armas e viaturas”.

Adriana complementa, destacando os valores herdados: honestidade, disciplina, dedicação e amor — tanto na vida pessoal quanto na profissão que se escolhe. Uma lembrança que sempre lhe vem à mente é ver o pai chorar quando algum policial da sua equipe era ferido gravemente em serviço. “Isso mostrava o quanto ele se entregava de corpo e alma à profissão. Ele sempre dizia que o trabalho enobrece o ser humano e que quem faz o que gosta, não sofre com estresse”, lembra.

Facções Criminosas
Maurílio Pinto de Medeiros Júnior, que também se aposentou aos 53 anos como agente da Polícia Civil, exalta a postura firme do pai no combate ao crime organizado. “Ele acompanhava o crescimento das facções criminosas no país, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e garantia que, enquanto estivesse na ativa, esses grupos nunca se instalariam no Rio Grande do Norte. Durante os muitos anos em que comandou a Polícia Civil, jamais se deixou corromper.

Quando morreu, deixou apenas um Honda Civic, uma casa e um exemplo enorme de integridade”, ressalta.

Candidato
Mesmo com toda a intensidade da carreira policial, Maurílio resolveu, no final dos anos 1980, se candidatar ao cargo de deputado estadual. Com a campanha sob o slogan “O Xerife do Povo”, não obteve sucesso nas urnas, mas também não se abalou com o resultado: “Não esperávamos a derrota, pois sua votação foi muito expressiva aqui na capital. Se ele tivesse conseguido levar sua campanha para o interior do Estado, certamente teria vencido. Mas, no fundo, talvez não fosse feliz se tivesse sido eleito, pois não tinha vocação nenhuma para a política. Talvez por isso ele tenha se empenhado menos na campanha”, avalia Adriana.

Júnior concorda que o pai não teria se saído bem na como parlamentar, principalmente porque ele reprimia a ideia de “ficar devendo favores”. “Muitas pessoas diziam que bastava ele pedir um cargo ou uma indicação para ser Secretário de Segurança. Mas ele sempre respondia, sem hesitar, que jamais iria pedir nada a ninguém — fosse deputado, prefeito ou governador”, conta o filho caçula.

Como forma de reconhecer toda a sua trajetória e trabalho, foi instituída, por meio do Decreto Legislativo nº 453/2018, a Comenda Maurílio Pinto de Medeiros. A honraria tem como objetivo homenagear profissionais que se destacam por serviços relevantes prestados à segurança pública no estado.

HISTÓRICO

Foto: Acervo Familiar

Nascido na cidade de Pau dos Ferros em 24 de Agosto de 1941, Maurilio Pinto de Medeiros entrou para a polícia em 1º de Julho de 1964. Filho do Coronel Bento Manuel de Medeiros, Maurílio herdou do pai a dedicação à Segurança Pública. Do seu início como motorista de viatura aos 16 anos, na cidade de Patu, antes mesmo de se tornar uma agente; depois se formando bacharel em Direito e passando em 1975 a exercer o cargo de coordenador de Polícia da Capital, se destacou na realização de operações até então inéditas na história da polícia potiguar. Uma das mais célebres foi o caso do assalto ao Banco do Nordeste de Assu, quando pela primeira vez no Estado houve uma perseguição aérea que terminou com a prisão do foragido em Belém/PA.

A trajetória de vida de Maurílio Pinto de Medeiros foi sempre marcada com êxito no seu trabalho de investigar e elucidar crimes diversos, desde assassinatos a sequestros. Apesar do caráter operacional, o Xerife atuou em funções administrativas de subsecretaria e secretaria adjunta de Segurança Pública, onde fazia questão de comandar e acompanhar, principalmente, as missões de captura de criminosos considerados e alta periculosidade. Ele aposentou em 2011, deixando a titularidade na Delegacia Especializada de Capturas (Decap). Foram 47 anos de serviços prestados ao Rio Grande do Norte.


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MONSENHOR ALDO PIMENTEL CELEBRA 35 ANOS DE SACERDÓCIO, EM EXTREMOZ

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A comunidade católica de Extremoz viverá um momento especial de fé e celebração neste sábado (16), com as comemorações pelos 35 anos de vida sacerdotal do Monsenhor Aldo Alves Pimentel.

A programação será realizada na Matriz de São Miguel Arcanjo, a partir das 18h, reunindo fiéis de diversas cidades do Rio Grande do Norte em uma noite marcada pela gratidão, espiritualidade e confraternização.

A celebração terá início com a Santa Missa em ação de graças, presidida pelo próprio Monsenhor Aldo, ao lado do arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, do Bispo Auxiliar, Dom Silvio Brito, do vigário-geral da Arquidiocese de Natal, Padre Valquimar Nunes, além de padres, monsenhores e lideranças religiosas da região.

Após a celebração eucarística, a programação segue com um festival de prêmios beneficente e apresentação musical do Padre Andreson Madson. As cartelas da ação entre amigos continuam sendo vendidas por R$ 10 na secretaria paroquial, no plantão do dízimo e com animadores das comunidades. Entre os prêmios anunciados estão animais e valores em dinheiro.

Toda a renda arrecadada durante o evento será destinada à construção do Salão Paroquial Irmã Dionice, projeto desenvolvido pela Paróquia de São Miguel Arcanjo para ampliar as atividades pastorais e comunitárias.

Segundo Monsenhor Aldo, o evento representa não apenas a celebração de uma trajetória pessoal, mas também um momento de agradecimento coletivo pela caminhada construída ao lado das comunidades por onde passou.

“Vai ser um momento muito forte de agradecimento a Deus pela passagem desses 35 anos de sacerdócio. Gente de Natal e de toda a região estará presente conosco nesse momento tão especial”, afirmou.

O sacerdote ressaltou que o principal objetivo da programação é mobilizar a comunidade em torno da conclusão do salão paroquial. “O presente que nós pedimos é que cada pessoa compre uma cartela para ajudar na construção do Salão Paroquial Irmã Dionice. Se todos participarem, com certeza iremos concluir esse sonho da comunidade”, disse.

Na entrevista ao Diário do RN, Monsenhor Aldo também relembrou parte da sua trajetória religiosa e social, marcada pela atuação junto às populações mais vulneráveis, especialmente no interior da Bahia, onde exerceu grande parte do ministério sacerdotal.

Vida e Sacerdócio
Natural do Rio Grande do Norte, Monsenhor Aldo Alves Pimentel nasceu em 15 de fevereiro de 1961 e foi ordenado padre em 13 de maio de 1991, na Catedral de Nossa Senhora de Fátima, sede da Diocese de Paulo Afonso, na Bahia. Ao longo de 35 anos de sacerdócio, construiu uma trajetória marcada pela atuação pastoral, educacional e social, com passagens por comunidades da Bahia e do Rio Grande do Norte.

Durante mais de duas décadas na Bahia, atuou em diversas paróquias e participou diretamente da Pastoral Rural, acompanhando ações voltadas à convivência com o semiárido e à luta pela terra. Entre os projetos desenvolvidos estavam iniciativas de construção de cisternas, poços artesianos, barragens subterrâneas e assentamentos rurais, beneficiando milhares de famílias da região.
“Através das pastorais, dos movimentos e da luta pela terra, fomos construindo uma caminhada junto ao povo. Só tenho muito a agradecer a Deus e às comunidades por onde passei”, afirmou.

Outro trabalho marcante da sua trajetória foi a coordenação da Casa de Reabilitação de Dependentes Químicos Padre Jorge Fetsch, também na Bahia, onde acompanhou durante anos ações de recuperação e reinserção social de pessoas em situação de dependência química.

Além da atuação religiosa, Monsenhor Aldo construiu trajetória acadêmica nas áreas de Filosofia, História e Teologia, com experiência como professor, gestor educacional e coordenador de projetos sociais e formativos.

Após retornar ao Rio Grande do Norte, passou a integrar a Arquidiocese de Natal, atuando em paróquias de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e São José do Campestre. Desde 2023, está à frente da Paróquia de São Miguel Arcanjo, em Extremoz.

Na atual missão, também desenvolve iniciativas voltadas à inclusão social, como um curso preparatório gratuito para o Enem destinado a jovens de baixa renda, além de ações de acolhimento a famílias migrantes venezuelanas atendidas pela paróquia.

Para o sacerdote, a caminhada ministerial é construída coletivamente. “Ninguém trabalha sozinho. Trabalhamos juntos. Isso faz parte do projeto de Deus chamado sinodalidade, caminhar junto com as pessoas e construir uma Igreja missionária e misericordiosa”, declarou.


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PRATES DEFENDE TRANSFORMAR ENERGIA RENOVÁVEL EM VANTAGEM INDUSTRIAL

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O ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean Paul Prates (PDT) participará nesta quinta-feira, no Estádio do Pacaembu (SP), da São Paulo Innovation Week – uma estratégia nacional de eletrificação da economia, baseada no fortalecimento das energias renováveis, da infraestrutura elétrica e da neoindustrialização verde brasileira. A programação do evento dedicada à energia propõe debater o contexto global do setor, os desafios do Brasil e a transição energética em si.

No painel “Energia Eólica em terra e mar e a eletrificação da economia”, Prates destacará o papel estratégico do chamado Brasil Equatorial, faixa territorial que vai do Nordeste Setentrional ao Norte Oriental do país e concentra alguns dos maiores potenciais mundiais em energia renovável, eólicas offshore, hidrogênio e combustíveis sustentáveis.

Prates destacará o papel estratégico do chamado “Brasil Equatorial” – Foto: Reprodução

A apresentação deverá enfatizar que a nova economia global será estruturada em torno da eletricidade, impulsionada por inteligência artificial, data centers, automação industrial e mobilidade elétrica. “Hoje, o Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo. O próximo passo é transformar essa vantagem natural em vantagem industrial. Energia limpa e competitiva pode atrair data centers, hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, fertilizantes, siderurgia de baixo carbono e uma nova geração de indústrias intensivas em eletricidade. Em outras palavras, a transição energética não deve ser vista apenas como agenda ambiental, mas como uma estratégia concreta de reindustrialização, geração de empregos qualificados e aumento da competitividade do país”, observou.

Ao lado de Elbia Gannoum (ABEEólica) e Roberta Cox (GWEC), o ex-senador também defenderá maior investimento em transmissão, armazenamento de energia, digitalização do sistema elétrico e modernização regulatória para evitar desperdício de energia renovável no país, especialmente diante do aumento dos episódios de curtailment.

Segundo ele, o Brasil pode transformar sua liderança renovável em política industrial, atraindo cadeias produtivas intensivas em energia limpa e consolidando uma nova fronteira de desenvolvimento econômico sustentável.

Ao Diário do RN, Prates destacou a pujança potiguar nesse tipo de energia e explica como acelerar o processo de industrialização: “O Rio Grande do Norte continua sendo uma das regiões mais promissoras do mundo para a expansão da energia renovável. Além da liderança histórica na energia eólica em terra, o estado reúne excelentes condições para avançar em eólica offshore, solar, hidrogênio e armazenamento de energia. Para acelerar esse processo, precisamos de maior capacidade de transmissão, contratação de baterias, segurança regulatória e infraestrutura portuária e logística adequada. Se essas condições forem asseguradas, o RN pode consolidar-se como um dos principais polos globais da nova economia elétrica, atraindo investimentos, tecnologia e desenvolvimento para todo o Nordeste.”


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PREFEITURA ANUNCIA OBRA DE R$ 21 MI PARA CONTER IMPACTOS EM PONTA NEGRA

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A Prefeitura do Natal anunciou novas obras de drenagem e contenção na região da engorda da Praia de Ponta Negra durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (13). Na ocasião, a gestão também rebateu críticas e negou irregularidades apontadas em uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF).

O principal anúncio foi a publicação de um edital para uma obra complementar de drenagem, orçada em R$ 21 milhões, que prevê a construção de três reservatórios de retenção e infiltração em vias públicas da região. Segundo a Prefeitura, a intervenção busca reduzir a velocidade e o volume da água que chega à faixa de areia em períodos de chuva intensa, diminuindo a formação dos chamados “espelhos d’água”.

De acordo com informações técnicas apresentadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), os reservatórios foram projetados para suportar chuvas de até 60 milímetros. O sistema funciona armazenando temporariamente a água da drenagem para que ela se infiltre gradualmente no solo. Quando o volume de chuva ultrapassar esse limite, a água seguirá para a faixa de areia de forma lenta e controlada.

Ainda segundo a Seinfra, os reservatórios também possuem função sustentável, já que realizam a filtragem da água antes que ela seja direcionada ao mar, reduzindo impactos ambientais e melhorando a qualidade da água que chega à praia.

Os três reservatórios serão implantados nas ruas Francisco Gurgel, João Rodrigues de Oliveira e Praia de Pirangi. Juntos, eles terão capacidade total de armazenamento de aproximadamente 4.955 metros cúbicos de água e área total de infiltração de 5.162 metros quadrados.

O maior reservatório será construído na Rua Francisco Gurgel, com capacidade de 2.291,40 metros cúbicos. Outro será implantado na Rua Praia de Pirangi, com volume de 1.676,64 metros cúbicos, enquanto o terceiro ficará na Rua João Rodrigues de Oliveira, com capacidade de 987,36 metros cúbicos.

A coletiva contou com representantes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que apresentaram esclarecimentos técnicos sobre o sistema de drenagem implantado junto à obra de engorda.

O secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita, destacou a dimensão da bacia de drenagem da região e o volume de água que chega à orla durante eventos de chuva intensa.

“Nós temos uma bacia de drenagem de aproximadamente 400 mil metros quadrados, e em eventos de chuva intensa cerca de 120 milhões de litros de água chegam até a praia de Ponta Negra”, afirmou.

Mesquita também defendeu a solução adotada no sistema de drenagem e afirmou que não há alternativa física para o escoamento da água.

“Não existe outra alternativa física para essa água senão chegar à praia de Ponta Negra”, disse o secretário.

Ele também reforçou o caráter contínuo das intervenções na região. “É importante entender que estamos falando de uma bacia urbana extremamente consolidada. Não existe solução simples ou única. O que existe é gestão contínua da infraestrutura, com correções ao longo do tempo.”

Segundo o secretário, a nova etapa representa um avanço no sistema já existente. “O que estamos fazendo agora é uma segunda etapa de qualificação do sistema. A engorda resolveu o problema da faixa de areia, mas a drenagem urbana precisa ser continuamente aprimorada para acompanhar a intensidade das chuvas em Natal.”

Defesa técnica da drenagem
A secretária da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal, Shirley Cavalcanti, rebateu críticas relacionadas à execução da obra e afirmou que os questionamentos levantados decorrem de interpretações equivocadas.

Segundo ela, todos os dissipadores estão em funcionamento e cumprem a função prevista no projeto executivo.

“O dissipador está em pleno funcionamento. A prova disso é a formação dos espelhos d’água, porque a água está chegando à faixa de areia”, afirmou.

Shirley também negou a existência de irregularidades estruturais e afirmou que ajustes foram feitos ao longo da execução da obra por decisões técnicas de engenharia.

“Não existe tubulação falsa. O que existe são adequações de campo, decisões técnicas tomadas durante a obra para garantir melhor desempenho do sistema”, disse.

Ela destacou ainda que a nova obra complementar representa uma evolução do projeto. “Essa obra complementar não significa que o sistema anterior não funcione. Significa evolução do projeto. Obras costeiras são dinâmicas e exigem ajustes constantes.”

A secretária explicou que os reservatórios terão função hidráulica estratégica. “Os três reservatórios vão atuar em pontos estratégicos da bacia de drenagem. Eles funcionam como amortecedores hidráulicos, reduzindo a energia da água antes que ela chegue aos dissipadores e, posteriormente, à praia.”

Shirley também afirmou que a intervenção deve impactar diretamente o uso da praia. “Essas intervenções também têm impacto direto na experiência do usuário da praia. Quanto menor a lâmina d’água acumulada, maior a área útil de uso e menor o impacto visual e operacional no local.”

Sistema em fase de ajustes
A secretária ainda destacou que o sistema de drenagem está em fase de adaptação, etapa considerada natural em obras de grande porte em áreas costeiras.

“A gente está em uma fase de acomodação do sistema. Isso é natural em obras desse porte.

Identificamos pontos de melhoria e estamos atuando com manutenção e obras complementares”, explicou.

Segundo ela, o comportamento atual da praia após a engorda segue padrões observados em outras intervenções semelhantes no país.

“É um processo dinâmico. A praia responde, a drenagem responde e o sistema vai sendo ajustado até atingir o equilíbrio”, afirmou.

Posição da Procuradoria
O procurador-geral do município, Fernando Benevides, afirmou que a Prefeitura está tranquila em relação à ação movida pelo MPF e que o processo será uma oportunidade de esclarecimento técnico.

“A obra é responsável, precisa de aperfeiçoamentos, mas está cumprindo sua função”, declarou.

Já a procuradora-chefe da Procuradoria Ambiental do Município, Cássia Bulhões de Souza, destacou que a discussão deve ser conduzida no âmbito judicial com base em critérios técnicos.

“Eu acho extremamente saudável que isso seja levado realmente à Justiça para que haja manifestação sobre esse documento técnico, tanto no tocante à execução da drenagem quanto ao controle e fiscalização da obra”, afirmou.

Ação do MPF
A ação civil pública do MPF questiona pontos relacionados à drenagem e à execução da engorda de Ponta Negra. A Prefeitura afirma que apresentará todos os projetos, estudos e medidas complementares no decorrer do processo judicial.


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MANIPULAÇÃO EM REDE: BIG TECHS MOLDAM A DESINFORMAÇÃO NO BRASIL

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Com o celular como extensão da mão, o aparelho revela-se uma passagem para um universo de informações fragmentadas. Vídeos, mensagens e áudios se entrelaçam em uma rede invisível, trazendo promessas, alertas e denúncias que se espalham com a velocidade do toque.

O caso recente envolvendo a marca Ypê exemplifica essa dinâmica. Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento de lotes de detergentes da marca por potencial risco de contaminação microbiológica, publicações enganosas começaram a se espalhar rapidamente nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Entre os conteúdos compartilhados estavam alegações falsas sobre mortes causadas pelos produtos, teorias de perseguição política e imagens adulteradas atribuídas à empresa.

Essa rotina, tão comum quanto invisível, é parte de um fenômeno que assombra o Brasil: a desinformação. E no centro dele, estão as Big Techs.

Segundo o relatório Digital 2025 do Instituto We Are Social, 67,8% dos brasileiros estão nas redes sociais, cerca de 144 milhões de pessoas. Não por acaso, o Brasil tornou-se um dos terrenos mais férteis para a disseminação de desinformação digital.

Quem nos ajuda a entender essa dinâmica é José Germano Neto, professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN. Com anos de pesquisa nas áreas de ciência, tecnologia e sociedade, ele afirma: “As big techs têm um papel muito importante no Brasil no que diz respeito à disseminação de informações.”

Capitalismo da Emoção
Germano evoca o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han para descrever o cenário atual: vivemos sob o “capitalismo da emoção”, onde o que nos prende às telas são os afetos. “Aquilo que desperta em nós grande emoção nos faz permanecer por vezes em diversos espaços e nos faz propagar mais certas informações”, afirma o professor.

É por isso que conteúdos virais, sejam eles verdadeiros ou não, tendem a ser os mais lucrativos. E, nesse modelo de negócios baseado em engajamento, as Big Techs tornam-se coautoras do problema: “Quando um conteúdo provoca lucro, a Big Tech automaticamente se vincula àquele material e se torna corresponsável por ele”, diz Germano.

Entre o Lucro e a Responsabilidade
A ausência de uma regulação eficaz amplia o abismo entre o interesse público e os interesses corporativos. “É muito importante que haja um fortalecimento das políticas de moderação. Mas não só isso: o poder público precisa cumprir seu papel fiscalizador”, defende Germano. Para ele, a resposta não está apenas na autorregulação das plataformas, “mas em uma governança digital participativa, que envolva sociedade civil, usuários, pesquisadores e o Estado”.

Conectividade que (des)informa
No Nordeste, os desafios ganham novas camadas. “Quando a gente está falando de Nordeste e de algumas áreas, em especial áreas que têm menor acesso à internet, é muito importante que a gente consiga fazer a discussão sobre conectividade significativa”, pontua Germano. “Não se trata apenas de estar online, mas de entender por que se está, como e para quê”, continua.

“Em áreas rurais, onde a conexão é intermitente e os dados móveis são preciosos, o WhatsApp reina soberano. É a ‘internet do povo’. Mas também é por onde circulam as maiores distorções da realidade. Em contextos de baixa escolaridade e falta de acesso a fontes confiáveis, boatos ganham status de verdade e viram decisões de voto, de saúde, de vida”, afirma o professor.

Resistências locais: vozes do Nordeste

Entre as iniciativas que combatem a desinformação no Nordeste está a Pajubá Tech, do Recife, que oferece curadoria de notícias confiáveis – Foto: Reprodução

Apesar dos desafios, o Nordeste também é berço de resistência e inovação. Germano cita iniciativas como o Pajubá Tech, de Recife, que atua na inclusão digital de pessoas LGBTQIA+ e periféricas, e a newsletter Cajueira, feita por jornalistas nordestinos e que oferece uma curadoria de notícias regionais confiáveis, com olhar crítico e engajado.

“Essas experiências mostram que é possível combater a desinformação com iniciativas locais, pensadas a partir das necessidades e culturas de cada território”, diz.


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LEGADO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL MARCA OS 80 ANOS DO SESC E SENAC RN

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Em 2026, o Rio Grande do Norte celebra oito décadas de duas das instituições fundamentais para o seu tecido socioeconômico: o Sesc (Serviço Social do Comércio) e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Fundadas em 1946, as entidades chegam aos 80 anos de história não apenas como prestadoras de serviço, mas como verdadeiros motores de desenvolvimento e inclusão social no estado.

Como marco simbólico das celebrações, o Sesc RN entregou nesta segunda-feira (11), a reforma completa da Unidade Sesc Potilândia, em Natal. Após ampla modernização, a unidade foi transformada em um centro de referência esportiva e social na Zona Sul da capital.

“A entrega da unidade Potilândia totalmente reformada neste aniversário de 80 anos é o exemplo prático da nossa missão: investir no ser humano para fortalecer o estado”, destacou recentemente o empresário Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN.

A reforma ampliou a área construída em quase 60%, totalizando mais de 4,3 mil metros quadrados de estrutura de ponta. Entre as novidades, a unidade passa a contar com novas modalidades esportivas, espaços de convivência modernizados e uma infraestrutura totalmente acessível. A reinauguração de Potilândia simboliza a visão de futuro do Sesc: unidades que acompanham a evolução das necessidades da população potiguar, oferecendo tecnologia e conforto sem perder a essência do atendimento humanizado.

Outro marco é a Sessão Solene na Assembleia Legislativa em homenagem aos 80 anos do Sesc RN e do Senac RN, uma proposta do presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, em reconhecimento à história e impacto social das instituições.

Sesc RN: Bem-estar que gera cidadania
Desde sua criação, o Sesc RN tem sido o braço do Sistema Fecomércio voltado à qualidade de vida. A instituição democratizou o acesso à cultura, saúde e lazer, com unidades fixas em Natal, Macaíba, Mossoró, Caicó, Nova Cruz e São Paulo do Potengi, e com capacidade de expansão para mais cidades potiguares através de eventos, unidades móveis e projetos especiais, como na “Semana S”.

Destaques como o programa Mesa Brasil Sesc, que combate a fome e o desperdício, e as unidades móveis de saúde, como o OdontoSesc, reforçam o papel da entidade em levar atendimento de ponta a comunidades que muitas vezes estariam desassistidas.

No campo cultural, os teatros e galerias do Sesc seguem como palcos essenciais para a produção artística local. Neste campo, destaque para o Teatro Sandoval Wanderley que, após 15 anos de portas fechadas, foi devolvido à cidade sob a gestão do Sesc RN. Com um investimento superior a R$ 6 milhões em modernização e equipamentos, o Sesc assumiu a missão de revitalizar o espaço, garantindo uma programação cultural pulsante e acessível, reafirmando seu compromisso histórico com a arte e a memória dos potiguares.

Senac RN: A força da educação profissional de excelência

Enquanto o Sesc cuida do bem-estar, o Senac RN constrói o futuro profissional. Ao longo de 80 anos, a instituição consolidou-se como a principal ponte entre os potiguares e o mercado de trabalho. Setores vitais da economia, como o comércio e o turismo, foram profissionalizados através de sua excelência educacional.

O Hotel Barreira Roxa, reconhecido internacionalmente como uma escola-modelo, é o exemplo máximo dessa trajetória, unindo hospitalidade de alto nível à formação prática de jovens. Além disso, o Programa Senac de Gratuidade (PSG) garante que o conhecimento chegue a quem mais precisa, transformando potencial em carreira para milhares de pessoas anualmente.

Um sistema, um propósito
O Sesc e o Senac RN são braços operacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, formando juntos o Sistema Fecomércio RN. A Fecomércio atua como a entidade gestora e representativa, enquanto Sesc e Senac executam ações sociais e de qualificação para os comerciários.

Ao atingir a marca histórica, o foco volta-se para a inovação digital e a sustentabilidade, com o Senac avançando em trilhas de tecnologia e o Sesc expandindo sua infraestrutura física e social, mantendo-se ambas instituições indispensáveis para um Rio Grande do Norte mais qualificado e igualitário, como enfatiza o deputado Ezequiel Ferreira ao justificar a homenagem concedida pela ALRN.

O presidente da Casa justifica que o Sesc e o Senac não são apenas entidades privadas, mas parceiras vitais do poder público, suprindo lacunas em áreas onde o Estado muitas vezes não consegue chegar com a mesma agilidade, especialmente em saúde e educação profissional.

O deputado enfatiza ainda que o Senac é o grande responsável por manter o setor de serviços do RN (o que mais emprega no estado) competitivo e qualificado, sendo fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável, e também menciona projetos como o Mesa Brasil e o Programa de Gratuidade, justificando que a homenagem é um reconhecimento por “formar cidadãos e não apenas profissionais”, além d


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CRIADORAS DE CONTEÚDO TRANSFORMAM A MATERNIDADE EM REDE DE APOIO DIGITAL

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Dando continuidade a uma série de reportagens especiais sobre maternidade, hoje o Diário do RN conta histórias de mulheres que transformaram experiências pessoais em conexão com milhares de pessoas nas redes sociais. Em comum, elas compartilham a maternidade sem filtros: com cansaço, inseguranças, recomeços e afeto. Em Natal, as influenciadoras Silvana Melo e Karoline Rodrigues usam a internet para mostrar que a vida materna vai muito além da perfeição exibida nas telas.

À frente do perfil @dicasdamamaededuas, Silvana Melo começou a produzir conteúdo ainda com a primeira filha, registrando momentos da rotina, dicas de introdução alimentar e experiências de viagens. Na época, o perfil era fechado. “Eu sempre ouvia: ‘abre esse perfil’. Mas nunca achei que tivesse potencial para isso”, conta.

Foi depois da chegada da segunda filha, conciliando trabalho CLT, home office e duas crianças pequenas, que ela decidiu investir profissionalmente na criação de conteúdo. Estudando de madrugada e nos intervalos do dia, encontrou um nicho pouco explorado: mostrar a estrutura de espaços infantis e brinquedotecas em Natal. O perfil cresceu e passou a atrair marcas locais.

Mas a maternidade, para Silvana, também é marcada por dores. Antes do nascimento da filha mais velha, ela enfrentou uma perda gestacional durante a pandemia. “Foi a pior sensação da minha vida. Mas aquele anjinho trouxe em mim uma vontade ainda maior de ser mãe”, relembra.

Hoje, o diferencial do conteúdo dela está justamente na sinceridade. “O que mais me conecta com as seguidoras é mostrar os perrengues reais: eu me escondendo para comer, a gritaria, a rotina puxada”, afirma. Apesar da exposição, ela diz ter cuidado com o que publica sobre as filhas.

“Penso muito no respeito e no futuro delas. ”

Silvana também reconhece os impactos emocionais da profissão. “A internet é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que ajuda, gera uma cobrança imensa pela perfeição. ” Para ela, falta humanizar a maternidade nas redes. “Gostaria que parassem de cobrar perfeição, porque isso não existe. ”

Já Karoline Rodrigues, influenciadora com mais de 294 mil seguidores, encontrou nas redes um espaço para compartilhar a experiência da maternidade solo. Natural de João Pessoa, mas vivendo no RN há mais de duas décadas, ela trabalhava com viagens e estilo de vida quando descobriu uma gravidez não planejada, no fim de 2022.

“O pai optou por não assumir as responsabilidades. E, quando me tornei mãe solo, precisei amadurecer muito rápido”, relata. Sem romantizar a situação, Karol começou a dividir a própria realidade na internet. O primeiro vídeo sobre maternidade solo viralizou e abriu espaço para milhares de relatos semelhantes.

“Percebi a quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa. Muitas diziam: ‘você está contando a minha história’”, lembra.

Ela afirma que a sociedade ainda responsabiliza a mulher pela ausência paterna. “As pessoas dizem que a mãe solo ‘não soube escolher o pai’. Mas a ausência paterna é uma decisão exclusivamente do homem.”

Hoje vivendo integralmente da internet, Karol divide a rotina entre a criação da filha, campanhas publicitárias e empreendedorismo digital. Mesmo assim, reconhece o peso da cobrança. “Existe uma expectativa absurda para que a mãe solo seja forte o tempo inteiro.”

Assim como Silvana, ela acredita que mostrar vulnerabilidade ajuda outras mulheres. “Muitas mães acham que estão falhando, quando na verdade estão apenas cansadas.”

Entre algoritmos, vídeos e publicidade, as duas influenciadoras transformaram a maternidade em comunidade. Mais do que números, seguidores ou engajamento, encontraram nas redes uma forma de acolher outras mães, mostrando que a maternidade real também merece espaço, voz e pertencimento.


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BOMBEIRAS DO RN: GARRA E DISCIPLINA PARA SALVAR VIDAS E CRIAR BEM OS FILHOS

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Tornar-se mãe altera, e como, a vida das mulheres que atuam no Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte. Essas guerreiras passam para uma dupla jornada: de cuidar dos seus rebentos, além das pessoas desconhecidas, vítimas de acidentes. No quartel, a rotina começa cedo, alternando o expediente entre serviços administrativos e plantões operacionais de combate a incêndio e salvamento. Contudo, o amor pelos filhos e pela profissão faz com que essas bravas mães superem quaisquer circunstâncias.

Uma delas é a soldado Mayara Rachel. Casada, aos 37 anos, ela ingressou há quatro anos na corporação, antes mesmo da maternidade. Hoje, se diz orgulhosa de ser mãe de uma “princesa linda”, de 1 ano e 8 meses, que se chama Maya.

De acordo com ela, sua rotina é marcada por uma dupla jornada intensa e, ao mesmo tempo, muito significativa. “Como mãe, tenho o compromisso diário de cuidar, educar, orientar e estar presente na vida da minha filha. Já na minha atuação profissional, lido com situações de urgência e emergência, prestando assistência a pessoas que muitas vezes estão em momentos críticos de suas vidas”, relatou.

E essa dualidade, salienta a soldado, exige equilíbrio emocional, responsabilidade e, principalmente, humanização. “Em um momento estou acolhendo minha filha, e em outro, estou cuidando de vítimas desconhecidas que precisam de atenção imediata. São papéis diferentes, mas ambos movidos pelo cuidado e pelo compromisso com a vida”.

Diante disso, conciliar essas duas funções não é uma tarefa fácil para Mayara. Exige organização, apoio familiar e muita resiliência. Segundo a militar, existem momentos de cansaço, de ausência e de desafios emocionais, principalmente por lidar com situações delicadas no trabalho. “Não considero uma rotina tranquila, mas sim possível. Com dedicação, planejamento e amor pelo que faço, consigo desempenhar minhas funções com responsabilidade. Cada dificuldade enfrentada fortalece minha capacidade de seguir em frente”, ressaltou.

Entretanto, a soldado revela a maior motivação que, talvez, só as mães sintam no sentido cognitivo da maternidade: “O amor pela minha filha é o que me sustenta, diariamente. É minha base, minha maior força e coragem. Já o amor pela minha profissão está diretamente ligado ao propósito de salvar vidas e ajudar ao próximo. Ser mais humana em cada vida alcançada”.

Nesse sentido, pontuou Mayara, ambos amores são intensos e complementares. Mesmo diante das dificuldades, eles a impulsionam a continuar. “Posso dizer que esse amor, tanto pela minha família, quanto pela farda, supera qualquer circunstância, pois é ele que dá sentido a tudo o que faço”.

Em curso de formação, aspirante conta com o apoio da mãe

Ana Heloisy concilia rotina do curso de formação com a maternidade – Foto: Reprodução

A aluna do curso de formação de praças do CBMRN, Ana Heloisy, também traz o relato das suas experiências como mãe e militar. Casada, mãe de 1 menino de 1 ano e 7 meses, a aspirante conta que engravidou durante o Curso de Formação de Oficiais (CFO).

Assim como a soldado Raquel, conciliar a profissão de Bombeira Militar com as responsabilidades da maternidade é bem difícil para Heloisy, principalmente pelo fato de dela ainda estar em curso de formação, que tem uma rotina intensa, muitas vezes imprevisível, tendo que estudar, fazer trabalhos e atividades do curso, às vezes tendo realizado atividades que exigem bastante do vigor físico. “Quando eu chego em casa, meu filho tem a consciência de que eu estou cansada física ou mentalmente. Não preciso arranjar disposição para dar a atenção que ele precisa. Mas, graças a Deus, tenho o apoio da minha mãe, que cuida dele enquanto eu preciso está ausente. Se não fosse ela, não sei se conseguiria”, relata.

Segundo a aspirante, o amor pela profissão vem do significado que ela mesma tem pela vida das pessoas, principalmente daquelas que um dia já precisaram ser atendidas e tiveram suas vidas salvas pelo Corpo de Bombeiros. Já como mãe, ela frisa que o amor pelo seu filho é incondicional.

“Maior do que tudo que o que eu já senti na vida e não fazia ideia de que seria possível sentir. Supera todo o estresse e o cansaço”.

Já na formação militar, Heloisy revela que, quando se depara com alguma vítima, sempre vem o questionamento: “Será que essa pessoa tem filhos? ”. E isso a motiva ainda mais a realizar o atendimento da melhor forma, justamente pela empatia de se colocar no lugar da vítima. “Penso que ela precisa ficar bem o mais rápido possível para poder voltar a cuidar do filho. Esse sentimento surgiu depois que eu fui mãe. Ao mesmo tempo


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CAMPANHA MAIO AMARELO REFORÇA MENSAGEM DE EMPATIA NO TRÂNSITO

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Nesta quinta-feira (07), a Prefeitura do Natal, através da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), lança a campanha Maio Amarelo 2026. O objetivo é conscientizar a população para a redução de acidentes e óbitos no trânsito da capital.

Neste ano, o movimento adota o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, incentivando motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a refletirem e adotarem comportamentos mais conscientes e focados no coletivo nos ambientes urbanos.

Durante o evento de lançamento do Maio Amarelo, a secretaria vai detalhar uma série de iniciativas que serão realizadas ao longo do mês. Ações educativas como blitze de conscientização e intervenções urbanas, com foco na valorização da vida e na construção de um trânsito mais seguro.

ESTATISTICAS
Também nesta quinta-feira, a secretaria deve divulgar números atualizados sobre os acidentes de trânsito em Natal. Os números disponíveis até o momento referem-se a ocorrências registradas até agosto do ano passado quando, de janeiro a agosto, ocorreram 889 acidentes. O aumento é de mais de 12% se comparado aos 792 registrados no mesmo período de 2024.

Essa semana, o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) divulgou números extraídos do relatório do Observatório de vigilância sobre violência no trânsito, uma nova funcionalidade incorporada ao sistema Protocolo Eletrônico do Paciente (PEP Mais RN).

O cenário é de alerta para a segurança viária no Rio Grande do Norte, especialmente em Natal. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior e mais importante do estado para atendimento de traumas, atende uma vítima de acidente de moto a cada três horas.

Os dados são monitorados desde janeiro de 2025, registrando pico de internações em dezembro de 2025, quando alcançou 304 casos no mês. Por outro lado, o menor número de internações foi registrado em abril deste ano, com 211 ocorrências.

Segundo os pesquisadores do LAIS, os números de acidentados trazem uma sobrecarga ao sistema de atendimento, apontando para um cenário crítico de sua capacidade, com uma média semanal de 58 atendimentos. “Na prática, o hospital recebe um novo trauma de motos a cada três horas, ininterruptamente. Qualquer variação acima, sobrecarrega as salas de cirurgias e as equipes de ortopedia”, argumentou o pesquisador Ricardo Valentim.

SOBRE O MAIO AMARELO
A campanha Maio Amarelo é um movimento global de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito, buscando colocar o tema em pauta com engajamento de toda a sociedade: órgãos governamentais, empresas, entidades de classe, associações e cidadãos, sempre colocando a preservação da vida em primeiro lugar.

A cor amarela simboliza atenção e advertência, e a escolha do mês de maio refere-se à criação da Década de Ação para Segurança no Trânsito. Juntas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceram a meta de reduzir em pelo menos 50% o número de mortes e lesões no trânsito até o ano de 2030.

Em Natal, o lançamento oficial do Maio Amarelo acontece no Auditório do Parque da Cidade, a partir das 9h, reunindo representantes do poder público, instituições parceiras e sociedade civil.

A iniciativa visa reforçar o compromisso da gestão municipal com políticas públicas voltadas à segurança viária e à mobilidade urbana responsável.


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MAGISTRADA POTIGUAR DETALHA DESAFIOS DA MATERNIDADE E CARREIRA PROFISSIONAL

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A rotina da mãe moderna, durante a criação dos filhos ao longo da vida, exige muitos compromissos. Não são raras as vezes em que parece uma missão impossível conciliar todos esses papéis, principalmente quando a profissão envolve julgar situações delicadas, como violência doméstica, ações de guarda, alimentos, visitas e dissolução conjugal. Pelo menos é esse o caso de quem trabalha no Poder Judiciário, sobretudo nas Varas de Família.

Uma dessas pessoas é a juíza Fátima Soares, que acumula 32 anos de magistratura, dos quais 17 foram dedicados à Vara de Família, na Comarca de Natal – uma área extremamente sensível e humana, que exige não apenas conhecimento jurídico, mas também equilíbrio, escuta e sensibilidade social.

Ao longo da trajetória, ela sempre entendeu que ser mãe e magistrada são dois propósitos profundamente ligados ao cuidado, à responsabilidade e ao compromisso humano.

Evidentemente, surgiram desafios, sobretudo na administração do tempo e das emoções, mas Fátima procurou viver ambas as funções com dedicação, equilíbrio e amor. “A magistratura exige firmeza; a maternidade, acolhimento. Aprendi que é possível exercer ambas com harmonia”, disse.

Fátima lembra que sempre incentivou seus filhos a estudarem, buscarem independência e realizarem-se profissionalmente naquilo que os fizessem felizes. Naturalmente, por conviverem em um ambiente jurídico, o filho mais velho teve proximidade com a área do Direito. Contudo, frisou a magistrada, nunca houve imposição. “Entendo que cada pessoa deve encontrar sua própria vocação”.

O primogênito, Isaac, foi o único a seguir a carreira da mãe. Inicialmente, exerceu por quatro anos, o cargo de Juiz de Direito em Goiás. Depois, fez concurso para a magistratura em Sergipe e por lá permaneceu por quase 11 anos. Atualmente, é Juiz de Direito em Caicó, titular da 3ª Vara.

Já o filho do meio, Felipe, trilhou os passos do pai e do avô materno. Tornou-se bacharel em Contabilidade, mas desempenha as atividades de empresário, no ramo de medicamentos. Quanto à caçula, Sara Isabella, é bacharel em Publicidade, Gastronomia e Especialista em Gestão de Empresas e Negócios pela USP/SP. Atualmente, executa a profissão de empresária, no ramo de consultoria internacional.

Mesmo sendo uma mãe presente e dedicada, a administração do tempo nunca foi simples para Fátima. “A magistratura exige muito, especialmente em Varas de Família, onde lidamos, diariamente, com conflitos emocionais intensos. Procurei, contudo, estabelecer prioridades, reservar momentos de qualidade para a família e compreender que presença afetiva muitas vezes vale mais que quantidade de tempo. Organização, apoio familiar e equilíbrio emocional foram fundamentais”, relatou a juíza.

Sensibilidade como mãe também ajudaram no exercício da magistratura – Foto: Reprodução

Desafios da carreira
Diante das nuances da conciliação do papel de mãe com a carreira no Poder Judiciário potiguar, a juíza Fátima Soares destaca não só a responsabilidade com ambas, mas também sensibilidade e as exigências peculiares.

Atualmente, as Varas de Família enfrentam desafios muito complexos. São conflitos cada vez mais judicializados, relações familiares fragilizadas e, muitas vezes, profundas desigualdades econômicas e emocionais entre as partes. Segundo a magistrada, as mulheres ainda enfrentam dificuldades significativas, especialmente em questões relacionadas à sobrecarga materna, violência psicológica, dependência financeira e descumprimento de obrigações alimentares. Para ela, o grande desafio do Judiciário é assegurar proteção integral sem perder de vista a imparcialidade e o melhor interesse das crianças e adolescentes.

De acordo com Fátima, situações de ocultação patrimonial e inadimplência alimentar ainda são relativamente frequentes nas Varas de Família. Em muitos casos, frisou, percebe-se que tais condutas ultrapassam a mera questão financeira e acabam funcionando como formas de manutenção de poder, controle emocional ou retaliação após o término da relação. “O Judiciário tem buscado mecanismos mais eficazes para coibir essas práticas e garantir a efetividade das decisões judiciais”.

Outro tema extremamente delicado e que exige análise cuidadosa caso a caso é a alienação parental. Para a magistrada, é importante evitar generalizações. “Existem situações reais de alienação parental, assim como também há casos em que alegações são utilizadas de forma estratégica em disputas familiares. Por isso, o magistrado precisa atuar com extrema cautela, ouvindo equipes interdisciplinares, analisando provas e priorizando sempre a proteção integral da criança e do adolescente”, explicou.

Muitas vezes, as mulheres enfrentam revitimização nos tribunais, onde estereótipos de gênero influenciam decisões, ignorando o contexto de desigualdade. Nesse sentido, a magistrada potiguar reconhece essa realidade como sendo uma preocupação legítima e que precisa ser constantemente enfrentada pelo sistema de justiça. Apesar do Poder Judiciário brasileiro estar evoluindo nesse debate, especialmente com maior conscientização acerca dos estereótipos de gênero, Fátima observa que, ainda assim, é necessário permanente capacitação e sensibilidade institucional. Quanto aos movimentos contemporâneos, que reforçam discursos de intolerância ou de antagonismo entre homens e mulheres, a juíza entende que o caminho mais saudável continua sendo o diálogo, o respeito mútuo e a construção de relações baseadas na dignidade humana e na igualdade de direitos.

Frequentemente, mulheres que possuem medidas protetivas também buscam no Juízo de Família soluções relacionadas aos filhos e à reorganização familiar. Na percepção de Fátima, trata-se de uma realidade presente em diversos estados brasileiros, inclusive no Rio Grande do Norte. “Isso demonstra como violência doméstica e conflitos familiares muitas vezes caminham interligados, exigindo atuação articulada e humanizada do sistema de justiça”.


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“MINHA VIDA FOI TRANSFORMADA”, DIZ A MÃE QUE RESSIGNIFICOU CÂNCER DO FILHO

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Em dezembro de 2022, quando seu segundo filho tinha 15 anos, veio a notícia que abalou a cuidadora de idosos, Andreia Maria da Costa, de 44 anos. O estudante Yann Matheus foi diagnosticado com tumor desmoplásico – um sarcoma raro e agressivo, comum em jovens entre 10 e 30 anos, que afeta principalmente a cavidade abdominal. A partir daí, iniciou-se o tratamento. Após algumas cirurgias, Yann entrou em remissão da doença no ano seguinte.

Contudo, em 2025, o filho de Andreia teve uma recidiva. Foi aí que a situação piorou, drasticamente. Em novo diagnóstico, surgia um neuroblastoma – um tipo de câncer que se origina em células imaturas do sistema nervoso periférico.

“De antemão posso afirmar que minha vida foi transformada. Deixou de ser aquela maternidade sossegada. Passei a ter muitas incertezas. Tantas noites sem dormir em casa e no hospital, acompanhando meu filho internado no hospital. Daí vem a quimioterapia com todos aqueles efeitos colaterais. Tudo isso muda muito a nossa rotina”, relatou a mãe.

Antes do diagnóstico, a família morava em São Paulo. Para ter maior rede de apoio, Andreia veio para Natal com seu filho. Atualmente, a cuidadora de idosos tenta com muita fé e esperança seguir na vida. Hoje, aos 19 anos, Yann trata do neuroblastoma na Liga Conta o Câncer e frequenta cursinho preparatório para o ENEM. Em casa, o estudante, que nunca teve assistência do pai, divorciado da mãe quando ele tinha apenas 5 anos, conta com o apoio e amor da irmã de 25 anos, do padrasto e dos avós.

Enquanto isso, Andreia segue em luta diária. “Quando a gente recebe o diagnóstico, toda aquela vida que sonhamos e planejamos cai por terra. No começo é algo devastador, porque nunca estamos preparados para receber esse tipo de notícia, ainda mais quem é mãe”, desabafou.

CRENÇA LIMITANTE
Felizmente, Andreia conseguiu ressignificar a doença do filho. “Na época, eu não tinha muito entendimento. A minha geração foi aquela que achava que o câncer era uma sentença de morte.

Então, crescemos com esse pensamento. Hoje, tenho outro pensamento. O câncer não é uma sentença de morte. Ele tem cura. A gente vive, tem uma vida além do câncer”.

E nisso, Andreia tem razão. É vida que segue! Hoje, além dos cuidados profissionais a idosos, ela estuda para ser técnica de enfermagem. Enquanto segue em ritmo normal, com otimismo e fé inabalada na cura de Yann, os motivos são de gratidão a todos que prestam apoio à família.

“Queria deixar as considerações para todas as mães da Liga que lutam junto comigo. Essa luta não é só minha. É uma luta em conjunto pela vida de nossos filhos. Não é fácil. Abrimos mão da nossa vida particular e almejando a cura, aguardando que ele se alimente melhor depois de uma quimioterapia”.

Assim como outras várias mães, Andreia espera que o amanhã seja melhor, que seus filhos tenham a oportunidade de viver de forma saudável, possam conquistar sua própria liberdade, possuam condições de formar família. “Queria deixar uma mensagem para todas as mães da Liga. Nós lutamos juntas, de mãos dadas, uma com a outra. E essa luta é muito bonita, muito importante para todas nós. Pelo menos é essa a visibilidade que a Liga nos dá, com mais oportunidade para crescermos e acreditarmos que o amanhã vai ser bem melhor”.

“Meus filhos foram rede de apoio forte para continuar vivendo”

Diva passou cerca de seis meses em tratamento e conta que, além do marido, apoio dos filhos foi fundamental – Foto: Reprodução

A luta pela vida segue. Desta vez, são os filhos quem garantem o suporte necessário para o tratamento e cura da mãe. Com diagnóstico de câncer de mama, em 2014, a aposentada Diva Silva de Lima Costa, de 64 anos, relembra momentos de profunda tristeza e medo. Ao lado do marido, ela caiu em prantos quando a médica confirmou a existência de um tumor.

No dia seguinte, ainda abalada, Diva procurou um mastologista. Lá, ela recebeu as primeiras palavras de apoio, com orientação para tratamento e grande possibilidade de remissão da doença. Foi quando a aposentada se acalmou e criou coragem para anunciar o surgimento da doença aos filhos. “No início, claro, eles ficaram bem assustados”, lembrou.

Diva passou pelo menos seis meses em tratamento na Liga. Lá, fez 16 sessões de quimioterapia e mastectomia no lado direito (remoção cirúrgica total da mama). “Nesse tempo, Deus foi me confortando e abrindo caminhos. Apesar de relatar meu caso a pessoas próximas, não deixei de sair de casa com meu marido e filhos, principalmente nos finais de semana. Eles me deram muita força e apoio nos momentos mais críticos”.

RECIDIVA
Apesar de ter seguido todo o protocolo de tratamento, uma recidiva veio após oito anos. O curioso, observou Diva, é que o nódulo ressurgiu na mesma mama. “Pra quê, por quê?”, questionava.
Junto aos filhos, a mãe tentava explicar o retorno à Liga para início do novo tratamento. Nunca perdeu a fé e declarava à família: “Deus vai me curar”.

Desta vez, a procedimento acrescentou radioterapia à quimio. Atualmente, Diva segue firme e já expandiu sua rede de apoio, onde é membro do Grupo Despertar – uma iniciativa da Liga Contra o Câncer (RN) composta por voluntárias que já superaram o câncer de mama.

A equipe acolhe e apoia, emocionalmente, pacientes recém-diagnosticadas, atuando desde a mesa pré-cirúrgica até visitas hospitalares, além de oferecer oficinas de reabilitação e bem-estar.


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DIA DAS MÃES DEVE INJETAR MAIS DE R$ 200 MILHÕES NA ECONOMIA NATALENSE

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O Dia das Mães, comemorado anualmente no Brasil e em diversos países no segundo domingo de maio, é uma data dedicada a honrar as figuras maternas e celebrar os laços de carinho, zelo e amparo que elas estabelecem. No Brasil, é tradição reunir a família para almoços especiais e realizar a troca de presentes e flores como gesto de gratidão, o que torna a data uma das mais importantes para o comércio varejista brasileiro, perdendo apenas para o ciclo natalino.

A expectativa para a semana que antecede o dia das mães é de um aumento significativo no fluxo de consumidores nos principais centros comerciais de Natal. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), estima-se que entre 620 mil e 700 mil pessoas realizem compras, dinamizando diversos segmentos da economia, abrangendo tanto o comércio varejista quanto o setor de serviços.

De acordo com a pesquisa de intenção de compras realizada pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), a expectativa é de que o setor registre crescimento de 3,1%, injetando R$ 482,2 milhões na economia estadual.

Na capital potiguar, 74,6% dos entrevistados indicaram a pretensão de presentear alguém, o que deve representar uma movimentação estimada em R$ 201,2 milhões, variação positiva de 2,7% em relação ao ano de 2025.

O Alecrim, principal polo comercial da capital, já apresenta um aumento visível no fluxo de consumidores, de acordo com Matheus Feitosa, presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (Aeba), afirma que os comerciantes já notam maior circulação nas lojas do bairro.

“Já percebemos um aumento no fluxo de pessoas circulando e pesquisando preços desde o fim de semana após o feriado de 1 de maio. Nesta semana que antecede o Dia das Mães, o movimento também já apresenta crescimento, embora tradicionalmente muitos consumidores deixem as compras para os últimos dias.”

A diversidade de presentes escolhidos é reflexo tanto dos diferentes perfis de mães quanto da capacidade financeira dos filhos, mostrando um mercado aquecido e diversificado nesta data comemorativa.

Ainda segundo Matheus, os preços variam conforme os diversos segmentos:
Perfumaria (R$ 39,00 a R$ 200,00, com “compre e ganhe”), Vestuário (R$ 69,90 a R$ 390,00, com contratações extras), Calçados (R$ 59,99 a R$ 200,00, com promoções), Bolsas (R$ 59,00 a R$ 200,00), Bolsas de academia (R$ 99,00 a R$ 120,00) e Carteiras (R$ 49,90 a R$ 99,00).

A expectativa é de um volume expressivo de vendas, com a comercialização de 1 milhão a 1,1 milhão de presentes na cidade, considerando uma média de 1,68 item por consumidor.

“Mesmo diante da forte concorrência do comércio digital e dos shoppings, o Alecrim mantém sua tradição de preços acessíveis, variedade e atendimento próximo ao cliente. Muitos comerciantes também vêm se adaptando ao mercado atual, investindo em vendas por redes sociais, sites e aplicativos, sem perder a força do atendimento presencial.”, continua Matheus.

Shoppings registram movimento crescente nas lojas e também nas praças de alimentação

Saindo do centro popular, os shopping centers da capital também vivem a expectativa de alta para o Dia das Mães. Danielle Leal, gerente geral do Praia Shopping, afirma que já se tem um aumento consistente no fluxo de pessoas e no número de vendas, especialmente nessa semana que antecede a data, quando mais de 60% dos consumidores concentram suas compras.

“Esperamos um crescimento entre 6% a 8% nas vendas para o período de 2026, o que reforça a importância estratégica da data. Além disso, estudos recentes indicam que o consumidor está cada vez mais orientado pela experiência, conveniência e possibilidade de troca, o que fortalece nosso papel enquanto um shopping de vizinhança focado em estabelecer essa proximidade. ”

Assim como acontece no Alecrim, Danielle também cita a grande procura pelos itens de moda, perfumaria, acessórios, além daqueles de valor emocional, mas destaca também que a data impulsiona significativamente o setor de gastronomia.

“No Praia, isso se reflete diretamente no desempenho das lojas de moda feminina, beleza e nas operações de alimentação, que capturam tanto a compra do presente quanto o momento de celebração. ”

O shopping projeta um crescimento em sintonia com o cenário econômico local e, para impulsionar esse resultado, também serão implementadas ações que combinam marketing integrado, mídia segmentada e ativações no ponto de venda. O objetivo é proporcionar uma experiência completa aos clientes, apoiar os lojistas na conversão de vendas e elevar o ticket médio, aproveitando o potencial de uma das datas mais importantes do ano.


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DUPLA MATERNIDADE: RESILIÊNCIA EM DOBRO PARA CONSTRUIR UM LAR DE AMOR

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Na semana em que se aproxima o Dia das Mães, o Diário do RN traz histórias de mulheres que encaram a maternidade real entre as tantas atribulações de uma rotina de multitarefas. Mulheres que entre o trabalho e os afazeres da casa, têm no maternar a missão de cuidar, proteger, dar afeto e educar filhos, sejam eles biológicos ou adotivos.

Dentro da pluralidade de formações familiares possíveis, o número de registros de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, cresceu 8,8% entre 2023 e 2024, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse total, as uniões entre mulheres representaram a maioria, correspondendo a 64,6% dos casos registrados no último ano.

Com o aumento no número de uniões homoafetivas, o número de núcleos familiares com genitores do mesmo sexo também cresceu. Em 12 anos, o número de lares teve o salto de 552%.

Em 2010, eram cerca de 60 mil lares; em 2022, esse número saltou para 391.158 domicílios.

Nessa primeira reportagem, o Diário do RN destaca a história de Claudia Ludimila e Micaela Freitas, juntas a dez anos, mães de Liz e Gael. A decisão de ter filhos veio do desejo profundo de construir um lar onde o afeto fosse um grande parceiro na jornada. “Viver a dupla maternidade é entender que o cuidado pode ser multiplicado. No nosso dia a dia, não existe um “papel fixo”; existe a entrega. Dividimos a função de guiar, proteger e ensinar, oferecendo aos nossos filhos duas referências de força, acolhimento e resiliência. ”, afirma Ludimila.

Ludimila foi a doadora dos óvulos e os embriões foram implantados em Micaela para a gestação de Liz e Gael – Foto: Reprodução

Para as famílias formadas por duas mães, a jornada é pavimentada com amor, mas também com desafios únicos que exigem força e resiliência. Ainda que o país tenha avançado no reconhecimento dos direitos das famílias homoafetivas, a dupla maternidade enfrenta obstáculos. A luta por reconhecimento legal, o enfrentamento de preconceitos em ambientes como escolas e, por vezes, a necessidade de explicar constantemente a estrutura familiar, demandam resiliência constante.

“Sabemos que o preconceito ainda é uma realidade persistente, mas escolhemos não deixar que ele dite o tom da criação dos nossos filhos. Para nós, criar com dignidade significa munir nossas crianças de autoestima e verdade”

A multiparentalidade é um poderoso testemunho de que o amor é o alicerce fundamental de um lar. Quando duas mulheres escolhem construir uma família e dividir a experiência de ser mãe, seja através de adoção, fertilização in vitro ou outros caminhos, o afeto, o cuidado e o suporte mútuo se multiplicam. “Essa dinâmica nos permite construir uma rede de apoio interna muito forte, onde o diálogo é a nossa principal ferramenta para equilibrar as demandas da vida profissional com a dedicação integral que a infância exige”

Ludimila e Micaela optaram pela FIV (método de fertilização in vitro), sendo Micaela a escolhida para gestar. Elas utilizam um perfil em redes sociais (@2irmãose2mães) para compartilhar a rotina e as experiências da família. Com aproximadamente 11 mil seguidores, as publicações contam desde o início do desejo pela maternidade até narrativas do dia a dia com os filhos pequenos, hoje com dois anos.

“Nossa história, compartilhada diariamente com quem nos acompanha, é um convite à reflexão.

Ocupar espaços em veículos como o Diário do RN é fundamental para mostrar que a nossa família é real, é presente e contribui para a sociedade com os mesmos valores éticos e de cuidado que qualquer outra. ”

O reconhecimento legal da dupla maternidade no Brasil foi estabelecido em 2017. O Provimento 63 do CNJ, implementado naquele ano, possibilitou o registro direto em cartório de crianças concebidas por reprodução assistida, eliminando a necessidade de ordem judicial. Além disso, os tribunais superiores garantem o reconhecimento de casos que envolvem “inseminação caseira” ou outros métodos socioafetivos.

Ludimila ainda afirma que elas lutam contra o preconceito não com o embate, mas com a existência plena e feliz. “Criamos nossos filhos para que eles caminhem de cabeça erguida, sabendo que foram gerados e são criados por um amor que não conhece fronteiras, apenas horizontes. ”

A história de Ludimila e Micaela é um recorte que replica a realidade de muitas outras famílias e que mostra o quanto a maternidade não se limita a formatos pré-estabelecidos, mas floresce onde há amor incondicional, pois só assim se vive a essência do que é maternar, independente do modelo familiar construído.


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SUPERMERCADOS TÊM OPORTUNIDADES E DESAFIOS COM VENDA DE MEDICAMENTOS

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A venda de medicamentos em supermercados passou a ser permitida no Brasil após a sanção da Lei 15.357, de 2026, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova legislação autoriza a instalação de farmácias e drogarias dentro da área de vendas desses estabelecimentos, desde que funcionem de forma independente e atendam a uma série de exigências sanitárias.

A norma altera a Lei 5.991, de 1973, que regula o controle sanitário do comércio de medicamentos e insumos farmacêuticos. Pela nova regra, as farmácias instaladas em supermercados deverão possuir estrutura própria para recebimento, armazenamento e controle de temperatura e umidade dos produtos, além de manter a presença obrigatória de um farmacêutico habilitado durante todo o horário de funcionamento.

A lei também proíbe a exposição de medicamentos em gôndolas externas, bancadas ou áreas de livre acesso fora do espaço destinado à farmácia. No caso de medicamentos sujeitos a controle especial, a entrega ao consumidor só poderá ocorrer após o pagamento ou, alternativamente, o produto deverá ser transportado do balcão até o caixa em embalagem lacrada e identificável.

A legislação também autoriza que essas unidades utilizem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega de medicamentos, desde que respeitadas as normas sanitárias vigentes.

A medida teve origem a partir do Projeto de Lei 2.158/2023, de autoria do senador Efraim Filho (União-PB). Segundo o parlamentar, o objetivo da proposta é ampliar a concorrência no setor e facilitar o acesso da população a medicamentos. “Remédios mais baratos e com acesso seguro facilitado, esse sempre foi o foco do nosso projeto”, afirmou.

Impactos no setor farmacêutico
Para o Sindicato dos Farmacêuticos do Rio Grande do Norte (Sinfarn), a nova legislação amplia os pontos de acesso aos medicamentos, mas exige atenção para que não haja prejuízo à segurança sanitária. A presidente da entidade, Jacira Elvira, explica que a lei não transforma supermercados em farmácias de forma automática, mas estabelece regras claras para a instalação desses serviços.

Segundo ela, a medida tende a ampliar a concorrência no setor e aumentar o número de pontos de operação, mas também exigirá maior rigor na fiscalização sanitária. “Vai ampliar os pontos de funcionamento e, consequentemente, aumentar a concorrência. Ao mesmo tempo, será necessário reforçar a fiscalização, porque a legislação que regula a atividade farmacêutica é bastante robusta e precisa ser cumprida integralmente”, explica.

Jacira avalia que o consumidor pode ser beneficiado com a ampliação do acesso aos medicamentos, mas destaca que o país já possui uma grande capilaridade de farmácias. “Nós já temos mais farmácias do que padarias no Brasil, com presença em praticamente todos os bairros.

A entrada dos supermercados pode ampliar ainda mais esse acesso e gerar maior fluxo de consumidores”, diz.

Apesar disso, a dirigente sindical afirma que o setor observa a mudança com cautela. Entre os pontos positivos, ela cita o aumento da concorrência, a possibilidade de preços mais acessíveis e até a criação de novos postos de trabalho para farmacêuticos.

Por outro lado, ela aponta riscos que precisam ser monitorados. “Existe o risco de banalização do medicamento e de estímulo indireto à automedicação. Além disso, a fiscalização sanitária terá um desafio maior, porque já existem muitos estabelecimentos a serem monitorados”, afirma.

Outro ponto de preocupação envolve o impacto sobre pequenas farmácias de bairro. “O maior risco é a pressão sobre as farmácias independentes, aquelas pequenas farmácias de bairro que cumprem uma função social importante e mantêm um atendimento muito próximo da população”, explica.

Supermercados em alerta
No setor supermercadista, a nova legislação ainda gera dúvidas sobre a viabilidade prática da implantação das farmácias dentro das lojas. O empresário Geraldo Paiva Júnior, dono de supermercado em Natal, afirma que a proposta foi aprovada de forma divergente do que o setor esperava inicialmente.

“Esse é um projeto que não foi aprovado da forma que nós esperávamos. A expectativa era que alguns medicamentos simples, como analgésicos e antigripais, pudessem ficar diretamente nas prateleiras para o cliente pegar e levar no carrinho”, diz.

Segundo ele, o modelo aprovado exige uma estrutura mais complexa. “O que foi aprovado prevê um espaço exclusivo para farmácia dentro do supermercado, com presença obrigatória de farmacêutico. Ou seja, praticamente uma farmácia instalada dentro da loja, em um ambiente separado”, afirma.

De acordo com o empresário, essa exigência pode dificultar a implantação principalmente para pequenos supermercados. “Nem toda loja tem espaço disponível para montar uma farmácia dentro do estabelecimento. Em Natal, acredito que a maioria dos pequenos supermercados não conseguiria implantar isso imediatamente”, explica.

Ele avalia que redes maiores, com lojas de grande porte, podem sair na frente na implementação. “Talvez redes nacionais, que têm lojas com áreas mais amplas, consigam implantar mais rápido”, diz.

Outro fator que ainda precisa ser analisado, segundo Paiva Júnior, é a logística de compra dos medicamentos. “A intenção seria comprar direto da indústria para ter um preço mais competitivo, porque a margem do supermercado é bem menor que a da farmácia. Mas ainda não sabemos se isso será possível”, afirma.

Diante desse cenário, ele acredita que o setor deve observar o comportamento do mercado antes de tomar decisões. “Os pequenos supermercados devem aguardar um pouco para estudar o mercado e entender melhor o comportamento do consumidor antes de implantar”, afirma.

Para ele, a curto e médio prazo, a presença de farmácias dentro de supermercados no Rio Grande do Norte ainda deve ser limitada. “Dificilmente essa medida será implantada de imediato aqui no estado. Ainda estamos estudando e acompanhando a experiência de outras regiões”, conclui.


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