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EZEQUIEL FERREIRA: “A GOVERNADORA TEM DE MIM TODO O RESPEITO E ADMIRAÇÃO”

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Os rumores de um possível distanciamento entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira, e o grupo político da governadora Fátima Bezerra perderam força nesta terça-feira (10). Durante a leitura anual da mensagem do Executivo estadual no plenário da Casa, Ezequiel fez um discurso público de elogios à chefe do Executivo, sinalizando apoio e reforçando o respeito institucional entre os Poderes.

Diante de deputados da base aliada, parlamentares da oposição e lideranças presentes à sessão, o presidente da Assembleia afirmou que a governadora tem não apenas seu respeito, mas também sua admiração. “A governadora é a comandante do Executivo e tem de mim todo o respeito e até a admiração”, declarou.

A fala foi interpretada nos bastidores como um sinal explícito de alinhamento político com o governo. Ela veio justamente em um momento de especulações sobre um possível esfriamento da relação entre Ezequiel e a governadora, mas teve efeito contrário, reforçando que o diálogo político e institucional entre a Assembleia e o Executivo segue aberto, preservado e em pleno funcionamento.

O presidente do Legislativo também destacou o caráter simbólico da leitura da mensagem governamental, que marca oficialmente o início dos trabalhos legislativos do ano. Segundo ele, o pronunciamento da governadora era aguardado pela Casa exatamente para dar início aos debates internos. “Ela fez um relato dos avanços do Estado, da dedicação e da luta pelo Rio Grande do Norte, que a Casa Legislativa estava aguardando exatamente para que a gente pudesse começar os debates”, afirmou.

No discurso, Ezequiel ressaltou ainda os principais pontos do balanço apresentado por Fátima, como a duplicação da BR-304, o incremento dos leitos de UTI e os investimentos na agricultura.

Para ele, a governadora apresentou uma radiografia do que foi feito ao longo dos anos de mandato, com foco em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Estado.

Na sequência, Ezequiel ampliou o tom de reconhecimento e fez um elogio pessoal e político à trajetória de Fátima Bezerra. “A história ainda pode lhe trazer de volta para comandar este Estado, pela idade, pela capacidade, pela competência. Parabéns pelo pronunciamento, carregado de serviço prestado ao Rio Grande do Norte, mas também de emoção, traduzida nas suas vitórias e conquistas na vida e na política. As pessoas podem até discordar, ter posições antagônicas, mas ninguém pode subestimar alguém que tudo o que foi na vida conquistou pelo voto livre e democrático do povo do Rio Grande do Norte”, finalizou.

possível Eleição indireta
Além do gesto diplomático, Ezequiel reforçou o papel institucional da Assembleia no debate sobre uma eventual eleição indireta para o governo do Estado, em caso de dupla vacância, cenário que poderia ocorrer se a governadora renunciar para concorrer ao Senado e o vice-governador Walter Alves optar por não assumir o cargo. Segundo ele, a Casa está se preparando para cumprir o rito legal. “A Assembleia estará pronta para que, se houver a dupla vacância, possa-se ter a eleição o mais rápido possível”, disse.

O presidente também destacou que deu celeridade ao projeto de lei que regulamenta esse processo. A proposta, segundo ele, já passou pela reunião de líderes e deverá ser levada ao plenário em breve para votação. Após isso, seguirá para sanção da governadora.

Alinhamento com Walter e futuro político
Apesar do foco institucional, Ezequiel também falou sobre o cenário político mais amplo e sobre sua relação com o vice-governador Walter Alves, que recentemente anunciou posicionamento próprio. O presidente da Assembleia evitou tom de confronto e destacou que divergências políticas não significam rompimento pessoal. “A minha amizade com Walter existe independentemente das posições políticas. Divergir não quer dizer romper”, afirmou.

Questionado sobre seu futuro político, Ezequiel foi cauteloso e disse que, por enquanto, segue como deputado estadual. “Ezequiel é candidato hoje a deputado estadual”, declarou, indicando que qualquer definição sobre 2026 será tratada no tempo adequado.

A fala do presidente da Assembleia foi recebida como um gesto relevante no tabuleiro político potiguar, especialmente por ocorrer em um momento em que se intensificam as discussões sobre sucessão, alianças e o papel das principais lideranças do Estado.


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ALLYSON SE RECUSA A COOPERAR COM A PF E NÃO FORNECE SENHAS DE CELULARES

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Alvo da Operação Mederi, que apura um esquema de fraudes na área da saúde em cinco municípios do Rio Grande do Norte, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, se recusou a fornecer à Polícia Federal as senhas dos aparelhos eletrônicos apreendidos em sua residência durante diligência realizada no mês de janeiro. A negativa foi registrada formalmente no auto de apreensão.

De acordo com documentos obtidos pelo Blog do Dina, do jornalista Dinarte Assunção, os agentes solicitaram o desbloqueio de dois iPhones e de um MacBook Air recolhidos no local, mas o prefeito não autorizou o acesso aos dispositivos e se recusou a fornecer as senhas para desbloqueio. A postura contrasta com o discurso público adotado por Allyson após a deflagração da operação.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que não tinha nada a esconder e que estava colaborando com a Polícia Federal. Disse ainda que apenas um telefone celular, um notebook e dois HDs haviam sido apreendidos. O auto da PF, no entanto, aponta um volume maior de materiais: três aparelhos telefônicos, incluindo dois iPhones e um celular da marca Positivo, sem acesso à internet e classificado como “descartável”, além de um MacBook Air, dois HDs externos, um pen drive e um cartão de memória.

Nos bastidores da política, a recusa em fornecer as senhas à Polícia Federal é interpretada como um gesto suspeito, por levantar a hipótese de que os aparelhos possam conter conversas comprometedoras por texto ou áudio, além de registros de ligações com outros investigados na operação.

A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União para investigar irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. As apurações indicam indícios de superfaturamento, não entrega de materiais e falhas na execução contratual.

Segundo a PF, empresas sediadas no Rio Grande do Norte atuavam junto a administrações municipais de diferentes regiões do país. Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, com recolhimento de dinheiro em espécie, veículos, celulares, computadores, mídias digitais e documentos.

No caso de Mossoró, os investigadores passaram a tratar Allyson Bezerra como figura central no esquema sob suspeita. Além da residência do prefeito, a Polícia Federal também cumpriu mandado em um apartamento localizado em Ponta Negra, na zona Sul de Natal, apontado como vinculado a ele. Embora não tenham sido apreendidos materiais no endereço, o relatório da diligência registra a presença de objetos pessoais e indícios de uso recente do imóvel pela família do gestor.

IMPRENSA NACIONAL: Conta em nome de laranja
De acordo com apuração do jornal “O Estado de São Paulo” (Estadão), a Polícia Federal afirma ter identificado movimentações bancárias em conta de uma estudante menor de idade como peça-chave para ocultar o dinheiro do esquema. Segundo a investigação, a conta, em nome da filha dos empresários ligados à Dismed e à Drogaria Mais Saúde, foi usada para armazenar e redistribuir recursos de origem ilícita. Apenas em um ano, o esquema teria movimentado R$ 13,5 milhões em contratos públicos, dos quais parte teria sido lavada por meio dessa conta “laranja”.

De acordo com a PF, a conta da menor, sem compatibilidade com sua capacidade econômica, recebeu R$ 427 mil em um ano após contratos firmados com o município de Serra do Mel, o que caracteriza, para os investigadores, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. As apurações alcançam municípios como Mossoró, Serra do Mel, Paraú, São Miguel, José da Penha e Tibau, onde empresas teriam simulado concorrência e distribuído propinas.

Medo de usar tornozeleira
Enquanto a operação avançava no campo policial, a movimentação no Judiciário também ganhou destaque. A defesa de Allyson entrou com pedido emergencial no Tribunal Regional Federal da 5ª Região para saber se havia solicitação da Polícia Federal para aplicação de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

O desembargador federal Rogério Fialho Moreira, no entanto, negou o pedido. Na decisão, o magistrado afirmou que o investigado não tem direito de ser informado previamente sobre eventuais medidas cautelares e que esse tipo de antecipação poderia comprometer a eficácia das investigações.

“O Código de Processo Penal não assegura ao investigado o direito de saber previamente se e quais medidas cautelares serão decretadas contra ele”, escreveu o desembargador. Segundo Fialho, a lei permite que essas medidas sejam impostas sem a oitiva da parte contrária quando há risco de ineficácia da diligência.

Allyson Bezerra apressa lançamento de pré-candidatura ao Governo do Estado

Ao lado de Alves e Maia, Allyson lança chapa que terá Hermano como vice – Foto: Reprodução

Mesmo sendo alvo da Operação Mederi, Allyson Bezerra lançou, no último sábado (07), sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte. O anúncio foi feito durante evento político, na capital potiguar, que reuniu lideranças políticas de diversos partidos, entre elas o vice-governador Walter Alves (MDB) e a prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida que já havia sido conta para vaga de vice na chapa de Cadu Xavier, apoiada pela governadora Fátima Bezerra.

Durante coletiva, o prefeito afirmou que seu projeto político tem foco em soluções para o estado.

“Esse é um projeto para falar de solução, para falar de entrega e para falar de sonho. A gente não aguenta mais apenas a classe política discutindo o problema. A gente quer discutir solução para o Rio Grande do Norte”, declarou.

Na mesma ocasião, Allyson explicou que, por exigência legal do calendário eleitoral, terá de deixar o cargo para disputar o pleito, mas afirmou que isso não representará abandono da cidade.

“Nós teremos que, sim, renunciar à Prefeitura Municipal de Mossoró. Mas não será uma renúncia de trabalho nem da cidade. Será apenas uma renúncia formal do ponto de vista do cargo”, disse.


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THABATTA PIMENTA TRABALHA PARA SER A CANDIDATA DE LULA AO SENADO NO RN

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A vereadora de Natal Thabatta Pimenta está decidida a tentar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Em entrevista ao Diário do RN, ela afirmou que a possibilidade deixou de ser apenas uma hipótese e passou a integrar, de forma concreta, seu projeto político, desde que esteja inserida em um movimento mais amplo de união da esquerda no Rio Grande do Norte.

“Eu só iria se fosse uma união da esquerda por essa candidatura, entendeu? ”, afirmou. Segundo Thabatta, seu nome ganhou força dentro do PSOL e entre lideranças nacionais após articulações que envolvem uma possível frente de mulheres para o Senado. “Eles pediram, inclusive, se eu poderia sentar com Manuela d’Ávila e com Marina Silva, que estão nessa possível articulação para uma pré-candidatura ampla de mulheres no Senado. Isso abriu uma luzinha na cabeça deles”, contou.

A vereadora disse que o entusiasmo dentro do partido foi imediato. “Os senadores se animaram”, relatou, acrescentando que a possibilidade de sua candidatura ao Senado também dialoga com o desejo do PSOL de mantê-la na legenda. “Há a chance de me manter dentro do partido, e isso pesa. Mas eu fui muito incisiva: só fico se for nessa conjuntura, para ser a candidata da esquerda ao Senado”, reforçou.

Thabatta reforça que não quer entrar em disputa interna nem provocar rachas no campo progressista. “Eu não quero conflito. A minha saída do PSOL, se acontecer, é para ter união da própria esquerda. Todo mundo num chapão, para não desperdiçar votos. A gente precisa estar todo mundo num canto para não haver uma divisão e que ganhem os melhores”, avaliou.

O cenário, segundo ela, passa diretamente pela posição da governadora Fátima Bezerra e da deputada federal Natália Bonavides, ambas do PT, em relação ao Senado. Para Thabatta, o ideal é que o campo progressista chegue a um consenso. “Se não houver nenhum entendimento nem de Fátima nem de Natália, eu me coloco no sentido de uma união dos partidos de esquerda por alguém que tenha chances reais. Eu peitaria se fosse nesse sentido”, disse. Ela ainda foi direta ao falar sobre o peso de um apoio nacional. “A candidata de Lula ao Senado, se fosse real, eu agarrava”, disse.

Thabatta disse ainda que sua postura tem sido de transparência. “Eu vou fortalecer isso real, não estou dizendo da boca para fora. Se realmente nem Fátima quiser e nem Natália, eu me proponho sim. Mas só se for para ser cabeça. Para divisão eu não vou.”

A vereadora também revelou que pretende intensificar o diálogo com as principais lideranças do Estado e da cúpula nacional do PSOL. “Depois do carnaval eu vou para São Paulo para a gente se reunir. Eles também vão começar a dialogar dentro do PT, com o Lula, com os outros presidentes do partido, para saber se há essa possibilidade mesmo”, contou.

Enquanto articula, Thabatta também mantém aberta a possibilidade de seguir outro caminho caso a candidatura ao Senado não se consolide. “ Ai eu vou para Federal, pela Federação, pelo PV”, explicou, deixando claro que seu projeto de ingressar no Congresso Nacional está garantido de uma forma ou de outra.


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CHAPA DA DIREITA GANHA FORMA, MAS AINDA FALTA A PEÇA EZEQUIEL FERREIRA

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A definição do nome de Babá Pereira (PL) como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) representa um avanço na organização de uma das duas forças de oposição no Rio Grande do Norte para as eleições de 2026. O grupo é liderado politicamente pelo senador Rogério Marinho e reúne partidos e lideranças do campo da direita e do bolsonarismo no estado.

Babá Pereira, ex-prefeito de São Tomé e atual presidente da Federação dos Municípios do RN (Femurn), foi anunciado como vice nesta quarta-feira (04) após articulações envolvendo dirigentes partidários e parlamentares da aliança em Brasília. A escolha atende a um critério de equilíbrio regional e busca ampliar o diálogo da chapa com prefeitos e gestores municipais.

Com a indicação do vice, o grupo começa a fechar o desenho do palanque majoritário. Agora cresce nos bastidores a possibilidade de que a segunda vaga ao Senado seja ocupada pelo Coronel Hélio (PL). Caso confirmada, a composição reforça a presença do nome ligado ao campo bolsonarista e consolida a identidade política clara da aliança.

A movimentação também indica um esforço de acomodação das principais lideranças que orbitam o bloco oposicionista, liderada por Rogério Marinho (PL), ao lado de Álvaro Dias (Republicanos), Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB).

Com as vagas principais praticamente encaminhadas, a indefinição recai sobre o espaço a ser ocupado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que recentemente passou a integrar o campo de alianças do grupo.

Ainda sem confirmação oficial do próprio Ezequiel, lideranças do PL garantem que ele já desembarcou no grupo da direita. A decisão teria sido tomada após a reviravolta nos projetos eleitorais que ele tinha com Walter Alves (MDB). Após rompimento de Walter com o Governo Fátima, e aliança com Allyson Bezerra, o presidente da Assembleia Legislativa agora orbita entre a base da esquerda, onde continua integrado oficialmente, e a transição para o lado oposto ao lado do bolsonarista PL.

Ezequiel, no entanto, ainda não encontrou um lugar que garanta sua presença em um cargo eletivo. Informações apontam que ele deve assumir a presidência do Republicanos e que já estaria formando nominata do partido.

Nos bastidores, a suplência do senador Styvenson Valentim é apontada como uma das alternativas em discussão.

A avaliação interna é de que a suplência não teria apenas caráter protocolar. Caso Styvenson venha a disputar o Governo do Estado em um próximo ciclo eleitoral, cenário considerado plausível por aliados, o suplente poderia assumir o mandato no Senado por um período mais longo, o que daria projeção política e institucional ao indicado. A análise é da jornalista Laurita Arruda.

O conjunto dessas movimentações aponta que a chapa busca estruturar não apenas a disputa de 2026, mas também criar um arranjo político que preserve a coesão do grupo, vinda de 2024, e organize suas lideranças para as próximas eleições.


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POR UNANIMIDADE, JUSTIÇA CONSIDERA SERIEDADE DA PESQUISA DATAVERO

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) negou, por unanimidade, um pedido do diretório estadual do Progressistas (PP) para suspender a divulgação de pesquisa eleitoral das empresas Datavero Pesquisa e Consultoria Ltda e TL Comunicação e Marketing Ltda, responsáveis pela pesquisa nº RN-08578/2026. A decisão é do juiz Marcello Rocha Lopes, relator do caso no TRE-RN. A decisão confirma o entendimento prévio da Corte, que já havia indeferido o pedido de liminar para suspender a divulgação dos dados.

A decisão confirmou o entendimento já adotado em sede liminar e afastou qualquer restrição à divulgação da pesquisa, encerrando o processo no âmbito da Justiça Eleitoral potiguar. O julgamento ocorreu em consonância com o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral e acompanhou integralmente o voto do relator, juiz Marcello Rocha Lopes.

O cerne da controvérsia girava em torno do registro de pesquisa realizada entre os dias 10 e 11 de janeiro de 2026. O partido representante alegava irregularidades formais e questionava a relação entre a empresa contratante e o instituto, tese que foi integralmente rechaçada pela defesa e pelo Ministério Público Eleitoral.

O Tribunal, à unanimidade, acatou os argumentos do Relator, Dr. Juiz Marcello Rocha Lopes, que já havia sinalizado a fragilidade da acusação ao negar o pedido de liminar. Ao analisar o pedido, o magistrado reafirmou que o registro da pesquisa cumpriu rigorosamente os requisitos legais, não havendo espaço para intervenções judiciais baseadas em meras suposições políticas ou empresariais. O voto do relator, agora ratificado pelo Pleno, serviu como baliza para evitar que meras conjecturas políticas interferissem na liberdade de informação e no trabalho estatístico.

De acordo com o advogado responsável pela defesa das empresas, Dr. Raffael Campelo, o desfecho do caso trouxe à tona uma preocupação crescente na justiça especializada: a tentativa de transformar os tribunais em ferramentas de controle editorial e político. Durante o processo, ficou evidente que a ação não buscava apenas corrigir eventuais falhas técnicas, mas sim instrumentalizar o Poder Judiciário para cercear levantamentos que não agradam a determinados grupos.

O tribunal entendeu que ações desse tipo representam uma banalização do processo eleitoral. O advogado complementa que, além disso, a análise do caso revelou que, por ter sido proposta meses antes do início oficial do período de campanha, a demanda carregava um forte componente de espetacularização. Segundo o jurista, o Judiciário potiguar enviou um recado claro contra a judicialização predatória.

“A decisão do TRE-RN é um marco de proteção à atividade técnica de pesquisa e ao direito à informação. O Tribunal, sob a condução técnica e precisa do Juiz Marcello Rocha Lopes, não permitiu que a Justiça Eleitoral fosse utilizada como palco para espetáculos midiáticos desprovidos de base legal. Como afirmamos desde o início, a pesquisa cumpriu todos os ritos legais. Esta improcedência reafirma que o debate eleitoral deve ser pautado em fatos e dados, não em tentativas de silenciar institutos por meio de lides temerárias”, declarou Campelo.

Com a decisão, fica mantida a validade do registro da pesquisa eleitoral RN-08578/2026 e liberada, de forma definitiva, sua divulgação, sem qualquer impedimento judicial.

O julgamento contou com a participação dos juízes Maria de Lourdes Medeiros de Azevedo, Marcello Rocha Lopes, Daniel Cabral Mariz Maia, Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro, Hallison Rego Bezerra, João Afonso Morais Pordeus e Ricardo Procópio Bandeira de Melo, além da manifestação do Procurador Regional Eleitoral, Fernando Rocha de Andrade.


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GRUPO DE ROGÉRIO CONFIRMA BABÁ PEREIRA COMO VICE NA CHAPA DE ÁLVARO DIAS AO GOVERNO

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Uma reunião realizada nesta quarta-feira (04), em Brasília, confirmou a escolha do ex-prefeito de São Tomé e atual presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira, para compor a chapa majoritária como candidato a vice-governador, ao lado do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, pré-candidato ao Governo do Estado.

Participaram do encontro o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), o ex-prefeito da capital Álvaro Dias (Republicanos) e os senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB), reforçando a unidade do grupo político que articula uma candidatura de oposição no Rio Grande do Norte.

A definição do nome de Babá Pereira é vista como estratégica dentro do projeto político liderado por Álvaro Dias. À frente da Femurn, Babá construiu forte relação com os municípios potiguares, destacando-se pela defesa do municipalismo e pela articulação junto aos prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças locais em todas as regiões do estado.

A notícia foi confirmada com exclusividade pelo portal Grande Ponto no final da tarde desta quarta-feira (05).

Ainda segundo a apuração do PGP, a confirmação da chapa vem sendo recebida com entusiasmo, especialmente no interior, onde Babá Pereira possui ampla capilaridade política. A expectativa é de que o anúncio fortaleça a presença da pré-candidatura nos municípios e amplie o diálogo com as bases locais.

Com a consolidação do nome de Babá Pereira como vice, o grupo sinaliza coesão política e avança na construção de uma chapa considerada competitiva para a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.

De acordo com interlocutores do grupo, a chapa completa deverá ser anunciada no início do mês de março, período que coincide com a abertura da janela partidária, momento decisivo para definições partidárias e rearranjos políticos visando as eleições deste ano.

Mais cedo, em entrevista à rádio 98 FM, o Coronel Hélio revelou compromisso do senador Rogério Marinho para que ele seja o segundo nome ao Senado na chapa majoritária do grupo político liderado pelo parlamentar.

Durante a entrevista, Coronel Hélio relatou que o próprio Rogério Marinho o definiu como “candidato favorito” do PL para a segunda vaga ao Senado, explicando que os anúncios estão sendo feitos de forma gradual para valorizar cada etapa da formação da chapa; assim, primeiro foi priorizado o lançamento da candidatura ao Governo e a definição do vice, para só depois ocorrer o evento de lançamento de sua pré-campanha ao Senado, evitando a sobreposição de anúncios.

“Então, tudo que nós combinamos lá atrás, o senador Rogério Marinho tem cumprido e a gente tem, de alguma maneira, entendido e confiado que a liderança dele tem dado certo para essas situações que a gente entende que são situações um pouquinho mais delicadas”, disse.


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GUILHERME SALDANHA PODE SER O PONTO DE EQUILÍBRIO PARA A ELEIÇÃO INDIRETA

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Em meio à incerteza sobre a realização de eleição indireta para o governo do Rio Grande do Norte entre abril e maio, crescem as conjecturas sobre qual nome pode despertar o consenso na Assembleia Legislativa, e que não represente ameaça direta para um dos lados durante a campanha eleitoral para a eleição de outubro. Caso a governadora Fátima Bezerra (PT) realmente renuncie para disputar o Senado, o PT defende que o partido mantenha a cadeira no Executivo até o final do ano, conforme escolha do eleitorado, que conferiu mais quatro anos de mandato à sigla quando reelegeu Fátima em 2022. Já a direita defende “um nome técnico”.

Na edição desta quarta-feira (04), o Diário do RN trouxe fala do deputado Tomba Farias (PL) com a sugestão dos nomes do superintendente do Sebrae, Zeca Melo, ou do presidente da Fiern, Roberto Serquiz. Além deles, uma nova possibilidade começa a surgir nos bastidores, o nome de Guilherme Saldanha (PSDB), secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN. Na coluna “Conversa Livre”, do jornalista Bosco Afonso, publicada nesta quarta-feira no Diário do RN, ele aborda o tema, cita o perfil agregador de Guilherme Saldanha e a articulação política que pode levar o secretário de Agricultura a ser governador-tampão do RN.

Indicação de Ezequiel Ferreira (PSDB), interlocutores próximos a Saldanha informam ao jornal que ele “topa” o desafio. Embora tenha afirmado publicamente, como integrante do governo estadual, que defende o nome de Cadu Xavier, o secretário de Agricultura admite que, em caso do governismo não conseguir emplacar o secretário da Fazenda entre os parlamentares estaduais, que serão os eleitores do pleito indireto, e caso seu nome seja colocado por Ezequiel, ele está disposto à candidatura.

A chance do integrante da equipe do governo ter um consenso entre os deputados está justamente em Ezequiel, a peça-chave desta articulação. O presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB vem estreitando relações com o grupo de Rogério Marinho (PL). Os deputados do PL, que hoje possui uma bancada com sete parlamentares, já o tem como certo em aliança com a direita para o pleito de outubro. Nos bastidores, apesar de incerto, se fala que Ezequiel deve se aliar à direita, mas manter o voto em Fátima ao Senado.

Esse trânsito entre os dois extremos seria o responsável pela aceitação de Guilherme Saldanha entre os nomes da direita e da esquerda, além do centro. Em conversa com o Diário do RN, um deputado que não quis se identificar confirmou que a bancada aceita o nome de Saldanha como indicação do presidente, e novo aliado, Ezequiel.

Entra na conta também o bom relacionamento do engenheiro agrônomo com segmentos diversos, como a indústria agrícola, agricultores familiares, entidades representativas rurais e representativas econômicas. Guilherme Saldanha é herança do governo Robinson Faria e permanece desde o começo da gestão Fátima. Hoje, mantem a confiança do grupo governista e do campo conservador.

No mandato-tampão, seu nome pode representar a gestão técnica que a direita deseja e pacífica que a esquerda precisa para enfrentar, sem ameaças, a campanha eleitoral que decidirá o governador para os próximos quatro anos. Se Saldanha for o nome, a governadora poderá desfazer as dúvidas entre renúncia e não renúncia nesse momento de reviravolta eleitoral.


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SARGENTO GONÇALVES RECEBEU ATÉ AUXÍLIO NATALINO, MAS É CONTRA GÁS PARA POBRE

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O deputado federal Sargento Gonçalves (PL) foi o único representante do Rio Grande do Norte a votar contra a medida provisória que garante botijão de gás gratuito a famílias em situação de vulnerabilidade social. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados por ampla maioria, beneficia famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda per capita de até meio salário mínimo e segue agora para análise do Senado.

Gonçalves integrou o grupo minoritário de 29 votos contrários ao texto, 19 deles do PL, em um plenário que registrou 415 votos favoráveis, além de duas abstenções e 66 ausências. Nem mesmo o colega de partido no RN, General Girão (PL), acompanhou o voto contrário. Também votaram a favor da proposta os deputados Benes Leocádio (União Brasil), Carla Dickson (União Brasil), Fernando Mineiro (PT), João Maia (PP) e Robinson Faria (PP). A deputada Natália Bonavides (PT), favorável à matéria, esteve ausente da sessão.

Após a votação, Sargento Gonçalves justificou a posição em publicação nas redes sociais. “É claro que votei contra o programa gás do povo. Só se for o povo de Lula”, escreveu. O parlamentar classificou a iniciativa como “programa de compra de votos legalizada” e afirmou que “não existe almoço grátis”. Segundo ele, a conta acabaria sendo paga pelo contribuinte que “acorda 5h da manhã pra trabalhar no busão lotado e retorna às 7h da noite”, enquanto “uma parte significativa da população vive de bolsas e auxílios”. Apesar de dizer que não é contra benefícios sociais, afirmou ser contrário aos “excessos e ao modelo aplicado”.

A posição do deputado, no entanto, contrasta com o fato de que ele próprio recebe benefícios pagos com recursos públicos no exercício do cargo, conforme apuração do Diário do RN. Em dezembro de 2025, Gonçalves recebeu R$ 23.183,10 de gratificação natalina. Em dezembro de 2023, a Câmara dos Deputados pagou R$ 3.800 de auxílio-moradia ao parlamentar, benefício do qual ele abriu mão posteriormente, em 2025. No mesmo mês de 2023, houve ainda ressarcimento de R$ 50,18 referente à conta de energia elétrica. Além disso, o deputado recebe aposentadoria da Polícia Militar, no valor de R$ 4.733,12, conforme dados do Portal da Transparência do Estado, também referentes a dezembro de 2025. Valor que ele acrescenta ao salário de deputado federal.

O projeto rejeitado por Gonçalves mantém o modelo atual de transferência de recursos para a compra do gás e cria uma nova modalidade: a gratuidade direta do botijão de GLP em revendas credenciadas, permitindo que a família receba o produto sem desembolso. A proposta busca enfrentar um dos principais itens do orçamento doméstico das famílias de baixa renda, especialmente em um cenário de inflação persistente nos custos de energia.

Com a aprovação na Câmara, a medida provisória segue agora para o Senado Federal, onde precisa ser votada até 11 de fevereiro. Como o texto sofreu alterações, a proposta ainda dependerá de sanção do presidente Lula (PT) para entrar em vigor. Enquanto isso, o voto isolado de Sargento Gonçalves no RN reforça o contraste entre o discurso contra políticas de assistência e a manutenção de benefícios previstos para o exercício do mandato parlamentar.


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TENSÃO: DEPUTADO REAGE A PUBLICAÇÃO DA LOA SEM EMENDAS IMPOSITIVAS

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A relação entre o Governo do Rio Grande do Norte e a Assembleia Legislativa (ALRN) gerou tensão entre oposição e governo na abertura dos trabalhos legislativos de 2026, nesta terça-feira (03). O estopim foi a publicação da Lei Orçamentária Anual (LOA) no Diário Oficial, ignorando o caráter impositivo das emendas parlamentares. O episódio, classificado pelo Centro Administrativo como um “erro técnico”, surge num momento desfavorável para a governadora Fátima Bezerra (PT), que precisa de estabilidade para negociar pautas estruturantes e a própria sucessão via eleição indireta.

No plenário, o tom de indignação foi protagonizado pelo deputado José Dias (PL). Para o parlamentar, a ausência das emendas no projeto fere a Constituição Federal e Estadual.

“O orçamento foi publicado com as emendas impositivas como emendas não impositivas. Isso é a falência mental desse povo, porque isso é uma imbecilidade total. É uma determinação constitucional. Se houvesse tempo, daria para pedir intervenção federal, impeachment da governadora e prisão, por um atentado grave ao exercício do poder”, disparou José Dias.

O deputado ainda ironizou a justificativa de erro apresentada pelo líder do governo: “Passou pela minha cabeça que tinha sido coisa comum no governo, que é o erro crasso, o erro imbecil de não examinar coisas fundamentais. O erro desse governo é o padrão”.

A falha técnica reverbera diretamente nas articulações políticas de 2026. Com o último ano da gestão Fátima e o debate sobre a eleição indireta, caso a governadora se afaste para disputar o Senado, o Executivo se arrisca em confrontar a oposição e até membros da base aliada.

O deputado Tomba Farias (PSDB), que foi o relator da LOA, confirmou que a Casa já se mobilizou para cobrar a retificação imediata. Em entrevista à imprensa, ele destacou o risco de uma ruptura definitiva.

“As emendas dos deputados são todas impositivas. Já mandei chamar o pessoal do orçamento e eles disseram que foi um erro, mas tem que fazer a republicação. Isso é um crime. A governadora não vai querer começar brigando com todos os deputados de oposição e situação”, alertou Tomba, sinalizando que a Casa está pronta para “colocar alguém que pondere as coisas” em futuros diálogos sucessórios.

Apontado como um dos nomes do governo para a sucessão estadual, o Secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), ao Diário do RN, Xavier garantiu a correção.

“Houve um erro no arquivo enviado pela ALRN. Vai ser corrigido no DOE de amanhã”, resumiu o secretário.


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FÁTIMA QUER CADU XAVIER GOVERNADOR; JÁ OPOSIÇÃO PREFERE SERQUIZ OU ZECA

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A possibilidade de a governadora Fátima Bezerra (PT) renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, em 2026, coloca a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em alerta na reabertura dos trabalhos legislativos. Na sessão solene de abertura do ano legislativo, nesta terça-feira (03), os deputados estaduais colocaram a possível eleição indireta para governador de um mandato-tampão até dezembro como um dos principais temas deste ano na Casa. A discussão ainda é incerta, mas as articulações já acontecem nos bastidores.

O pano de fundo da discussão é claro. Caso Fátima deixe o cargo, o primeiro da linha sucessória é o vice-governador Walter Alves (MDB). Se ele assumir, a crise política se encerra. No entanto, Walter já sinalizou publicamente que não pretende exercer o mandato, inclusive rompendo com o governo do PT. A partir daí, só haveria eleição indireta se também se configurasse a vacância do vice, caracterizando o que a Constituição define como “dupla vacância”.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), buscou esfriar o debate, lembrando que, juridicamente, nada está definido. “A eleição indireta só existe se houver vacância. Não houve vacância. Nem ninguém tem a certeza que haverá”, afirmou.

Segundo ele, caso ocorra, o processo já tem a primeira regra definida: será uma eleição aberta.

Ezequiel explicou que, diante dessa possibilidade, a Assembleia já começou a se preparar do ponto de vista legal. “Durante o mês de janeiro, eu já me debrucei sobre esse assunto com a nossa procuradoria. Isso será feito um projeto de lei que será encaminhado para o governo. O governo sanciona esse projeto e aí tem as diretrizes desta eleição, se isso vier a acontecer”, detalhou, sobre a regulamentação do processo eleitoral indireto.

De acordo com o presidente da Casa, a eleição indireta seria realizada no plenário da Assembleia Legislativa, com voto aberto dos 24 deputados estaduais.

“Poderia ser candidato qualquer cidadão filiado a um partido, com mais de 35 anos de idade e conduta ilibada. Seria uma chapa de governador e vice, já que estaríamos diante de uma vacância dupla”, explicou.

Sobre a possibilidade de ele próprio assumir o governo para conduzir o processo, Ezequiel foi não descartou, mas evitou o assunto: “Ou assumo eu para fazer a eleição, ou assume o presidente do Tribunal de Justiça. Mas tudo isso ainda são conjecturas”.

Enquanto o campo governista trabalha para garantir a continuidade do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo estadual, a oposição articula um discurso completamente distinto. Para líderes da direita, o momento exigiria um nome “técnico”, sem ambições eleitorais, capaz de tomar decisões duras para ajustar as contas do Estado.

O deputado Tomba Farias (PL) defendeu abertamente essa tese. “A unanimidade dentro do partido é que seja uma pessoa de consenso, que seja um técnico, uma pessoa de credibilidade para tomar as mudanças. A política não funciona para tomar medidas amargas, porque quem é político pensa na eleição”, afirmou.

Segundo ele, nomes como o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, e o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, surgem como referências nesse debate.

“Um pessoal que tenha responsabilidade com as medidas que sejam necessárias”, disse.

Tomba também ressaltou que todo o cenário depende, essencialmente, da decisão da governadora e do vice. “Se a governadora ficar, acaba o problema da eleição. Se ela sair e Walter assumir, também está extinto esse processo. Só haverá eleição indireta se Walter não assumir. A verdade é que tudo vai girar em torno disso”, avaliou, sem descartar qualquer possibilidade.

Do lado do PT, o discurso é de unidade e antecipação. O partido insiste no nome colocado tanto para o eventual mandato-tampão quanto para a disputa de 2026: o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo para o pleito regular de outubro.

“Nós temos um nome apresentado, que é o do nosso companheiro Cadu Xavier, tanto para o mandato-tampão, evidentemente se houver eleição, como também para uma candidatura a governador em 2026. A base de tudo isso é o diálogo”, afirmou o deputado Francisco do PT, destacando que o governo tem conversado com deputados da base e também não descarta diálogo com a oposição.

O próprio Cadu Xavier, que esteve na solenidade representando a governadora Fátima Bezerra (PT), reforçou a tese da continuidade política e partidária.

“A posição do governo é muito clara. A gente não abre mão de um nome que seja do nosso partido, do Partido dos Trabalhadores. A governadora foi eleita para quatro anos, junto com o vice. Ela vai sair para disputar a eleição, o vice não vai assumir, ele já colocou isso publicamente. Então seria natural que o nome do Partido dos Trabalhadores encerrasse o mandato que o povo concedeu nas eleições”, concluiu.


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ASSEMBLEIA RETOMA TRABALHOS SOB CLIMA ELEITORAL E DEBATE SOBRE SUCESSÃO

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Os deputados estaduais do Rio Grande do Norte abriram, nesta terça-feira (3), os trabalhos legislativos de 2026, último ano da 63ª Legislatura, em uma sessão marcada por expectativas políticas e pela tentativa de reafirmar o papel do parlamento em um ano atípico. A retomada das atividades ocorre em meio ao calendário eleitoral, à possibilidade de uma eleição indireta para o Governo do Estado e ao agravamento da estiagem que já afeta diversas regiões potiguares.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), destacou que 2026 será um ano “corrente” e de forte demanda para o Legislativo. “Nós temos um ano que, fora essa possibilidade de eleição indireta, tem Copa do Mundo e eleição. Então teremos um primeiro semestre bastante corrido, com projeto de lei e requerimentos”, afirmou destacando, ainda o momento de alta produtividade no legislativo.

Sem a tradicional mensagem anual da governadora Fátima Bezerra (PT), momento que foi adiado para o dia 10, o presidente também anunciou que pretende definir ainda na próxima semana a composição das comissões permanentes, para acelerar a tramitação de matérias.

Além da pauta política, Ezequiel ressaltou investimentos na estrutura física da Assembleia como parte do legado da atual gestão durante seu discurso solene. “Estrutura física também é qualidade de vida e de trabalho. Em março, vamos inaugurar o novo anexo onde funcionava o Banco do Nordeste. Vamos entregar prédios próprios, melhorar a TV Assembleia, a Rádio Assembleia, a parte administrativa e a saúde da Casa”, afirmou.

Representando a governadora Fátima Bezerra (PT), o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier reforçou o discurso de continuidade institucional e diálogo entre os poderes.

“Nós construímos juntos, com o Poder Legislativo, várias matérias que se transformaram em realidade, como o Proedi. O governo vai trilhar esse caminho em 2026 mantendo o mesmo diálogo. Estamos em ano eleitoral, mas o que a população quer saber é que a máquina continua funcionando e os serviços continuam sendo prestados”, disse.

Na oposição, o deputado Tomba Farias (PL) indicou que o início do ano legislativo será marcado por embates, especialmente em torno da derrubada de vetos do Executivo. “Tem a questão da derrubada do veto do ICMS dos municípios e do IPVA, que foi aprovado aqui por ampla maioria.

Eu acho que a governadora não vai querer problema com a Assembleia. É um direito justo dos prefeitos, um direito municipalista”, alertou Tomba.

O líder governista Francisco do PT apontou dois temas centrais que devem mobilizar o Parlamento neste começo de ano: a possível eleição indireta e a crise hídrica.

“Tem dois temas que estão chamando atenção: a possibilidade de um mandato tampão e a estiagem que afeta o nosso Estado. Ela já está afetando muito a vida do homem e da mulher do campo e também de quem mora nas cidades”. O deputado enfatizou que o governo estadual articula reuniões com a sociedade civil e busca apoio do governo federal.

Francisco reconheceu o ambiente de tensão típico de ano eleitoral, mas fez um apelo à responsabilidade. “É normal que os ânimos se acirrem, mas não podemos contaminar as decisões do plenário com disputas eleitorais. Cada lei votada aqui é um compromisso com o povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Já o deputado Coronel Azevedo (PL) criticou a possibilidade de renúncia da governadora e a postura do vice-governador. “É uma coisa inusitada: o vice-governador não quer assumir o mandato para o qual foi eleito, desonrando a vontade popular. Isso é uma traição contra o eleitor. O RN está no fundo do poço em vários indicadores de serviços públicos”, disse.

O deputado Hermano Morais (PV), que compõe a base de Fátima Bezerra, mas já é pré-candidato a vice-governador em possível chapa com Allyson Bezerra (UB), defendeu estabilidade e continuidade administrativa no RN.

“Esperamos que sejam vencidas as dificuldades fiscais e financeiras para que o Rio Grande do Norte viva num clima de tranquilidade, com condições de atrair investimentos. Essa sempre foi uma preocupação nossa e esperamos que não haja interrupção, por qualquer motivo, do processo de desenvolvimento do Estado. [O ano eleitoral] Vai exigir um esforço maior para conciliar o trabalho na Casa com as bases eleitorais, mas é possível manter as obrigações e o compromisso com o Estado”, ressaltou Hermano.

Na mesma linha, Ubaldo Fernandes (PSDB) classificou 2026 como um ano “atípico”. “Teremos Copa do Mundo e calendário eleitoral, mas a Assembleia não pode deixar de cumprir sua responsabilidade de trazer os debates de interesse do povo potiguar”, disse.

Já a deputada Divaneide Basílio (PT) destacou o desafio de equilibrar atividade legislativa e presença nos municípios. “Vai exigir compromisso para manter os trabalhos e, ao mesmo tempo, visitar as cidades. Para mim, isso é interligado, porque sempre ouvimos as comunidades”, afirmou.


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ENCONTRO EM TABATINGA MARCA REAÇÃO POLÍTICA EM TORNO DE ALLYSON BEZERRA

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Depois de uma semana marcada pelo silêncio público de aliados, rompido apenas por uma nota assinada pelos principais partidos que integram sua base política, o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (U), voltou a aparecer cercado por lideranças estaduais neste sábado (31), na Praia de Tabatinga, em Nísia Floresta. A presença maciça de políticos na casa do deputado estadual Hermano Morais, sob o pretexto oficial da retomada do Bloco Aratu no Facho, funcionou, na prática, como a primeira demonstração concreta de apoio político ao prefeito após a operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes em contratos licitatórios e desvios de recursos da saúde em Mossoró e outros 13 municípios do Estado. A PF cumpriu mandados na casa do prefeito na terça-feira (27).

O encontro, embora embalado pelo clima de pré-Carnaval e pela valorização das tradições culturais potiguares, teve pano de fundo claramente político-eleitoral. A reunião representou a primeira articulação presencial do grupo que se organiza em torno da pré-candidatura de Allyson Bezerra, num movimento de reação ao abalo sofrido pelo projeto eleitoral do prefeito na semana anterior.

Estiveram presentes o vice-governador Walter Alves (MDB), a senadora Zenaide Maia (PSD), os deputados federais Benes Leocádio (U), João Maia (PP) e Robinson Faria (PP), o deputado estadual Kleber Rodrigues (PSD), o ex-senador José Agripino (U), além de prefeitos de diferentes regiões, vice-prefeitos, vereadores e lideranças políticas. Entre os chefes de executivos municipais, estavam os prefeitos Carlinhos (Jardim de Angicos), Emídio Júnior (Macaíba), Andreza Brasil (Sítio Novo), Pedro Filho (Touros) e de Nísia Floresta, Gustavo Santos.

O evento teve direito a discurso de Allyson Bezerra. Em vídeo de apoiadores nas redes sociais, ele pergunta ao deputado Hermano Morais se “está preparado para trabalhar”, em uma clara menção à candidatura à vice-governador na chapa ao lado do mossoroense.

Deputado Hermano se declarou pré-candidato a vice, antes mesmo de Allyson confirmar candidatura – Foto: Reprodução

Nas redes sociais, o prefeito reforçou essa narrativa ao afirmar que o momento foi de “muita conversa boa” com amigos que “sonham com novos caminhos para o Rio Grande do Norte avançar, com união, respeito e muito trabalho”. A senadora Zenaide Maia destacou a necessidade de “seguir somando forças”, enquanto o deputado federal Benes Leocádio foi mais direto ao afirmar que “política também se constrói com presença, respeito e convivência”, frase que sintetizou o espírito do encontro.

O anfitrião Hermano Morais destacou o caráter afetivo e cultural da retomada do Bloco Aratu no Facho, criado em 1997 e originado na própria casa onde ocorreu o encontro. O bloco voltou a percorrer as ruas e a avenida principal de Tabatinga, reunindo foliões, música e lideranças políticas, mas não eliminou seu significado estratégico.

O encontro serviu para sinalizar que, apesar do desgaste inicial, o prefeito insistirá em seguir no centro de uma articulação majoritária para 2026. Embora ainda não haja anúncio oficial, partidos que participaram do encontro devem se reunir no próximo sábado (7), em Natal, em um evento que, nos bastidores, é apontado como o possível lançamento formal da pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Rio Grande do Norte, apressando o planejado e criando um fato novo para alterar o assunto “fraude na saúde” relacionado ao pretenso governador.


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ALLYSON ADQUIRIU QUASE 8 MILHÕES DE COMPRIMIDOS PARA PRESSÃO ALTA

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Levantamento com base em dados do Portal da Transparência aponta que a Prefeitura de Mossoró adquiriu, ao longo de 2025, aproximadamente 8 milhões de comprimidos de medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial. O volume se refere exclusivamente à quantidade física de unidades adquiridas, e não ao valor financeiro das compras realizadas pelo Município. A compra elevada de medicamentos e a entrega incipiente ou até a não entrega dos produtos é uma das bases da investigação da Polícia Federal, que deflagou a operação Mederi na casa do prefeito Allyson Bezerra (UB), entre outras prefeituras, na última terça-feira (27).

Os medicamentos incluem atenolol, losartana, enalapril, captopril, hidroclorotiazida e anlodipino, todos amplamente utilizados na rede pública de saúde para o controle da pressão arterial. A soma dos quantitativos registrados totaliza 7.588.000 unidades de comprimidos. A apuração é do Diário do RN com base no Portal da Transparência do Município de Mossoró.

Os medicamentos adquiridos pela Prefeitura, além disso, são fornecidos gratuitamente pelo Governo Federal através do programa Farmácia Popular, bastando apresentar a receita médica.

O volume adquirido representa uma média superior a 20 mil comprimidos por dia ao longo do ano. Em uma estimativa simplificada, considerando o uso de um comprimido por paciente ao dia, esse montante poderia atender cerca de 20 mil pessoas de forma contínua. Há que se ressaltar, no entanto, que, na prática, muitos pacientes fazem uso combinado de dois ou mais medicamentos.
De acordo com os registros públicos, os medicamentos foram fornecidos pela DISMED Distribuidora, empresa contratada para o abastecimento da rede municipal de saúde. A distribuidora teve seu nome citado recentemente na operação da Polícia Federal, deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura contratos administrativos na área da saúde em municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró, na gestão Allyson Bezerra.

Nos autos que embasaram a operação, a Polícia Federal descreve a existência de práticas classificadas como “faturamento fantasma”, caracterizadas pelo “pagamento sem entrega” ou pela entrega de produtos em quantidade incompatível com os valores pagos. Segundo a PF, em determinados contratos investigados, a administração pública realizava “o empenho, a liquidação e o pagamento integral das notas fiscais, mas os produtos não eram entregues ou eram entregues em quantidades irrisórias”.

Ainda de acordo com a investigação, esse tipo de prática teria ocorrido paralelamente a falhas recorrentes no abastecimento da rede pública de saúde, mesmo diante do aumento significativo dos volumes contratados e pagos. A Polícia Federal também aponta indícios de fornecimento inadequado, falhas na execução contratual e possíveis sobrepreços, elementos que motivaram o cumprimento de mandados de busca e apreensão, inclusive na residência do prefeito de Mossoró.

As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há ação ou decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. Os dados levantados, no entanto, integram o conjunto de informações analisadas pelos órgãos de controle no curso da apuração.


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RECEITA DO RN CRESCE MAIS DE 13% E DESPESA COM PESSOAL VOLTA A CAIR

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Governo do Rio Grande do Norte registrou crescimento superior a 13% na Receita Corrente Líquida (RCL) e reduziu as despesas com pessoal no último quadrimestre de 2025, conforme dados do Relatório de Gestão Fiscal (RGF). Os indicadores foram publicados no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira, 30 de janeiro, e apresentados pelo Contador Geral do Estado (CONTAG), Flávio Rocha, e equipe ao gabinete da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ-RN).

De acordo com o relatório, o comprometimento da receita com a folha de pagamento apresentou trajetória de queda, revertendo o crescimento observado em anos anteriores. Em 2023, o índice era de 56,94%, subiu para 57,56% em 2024 e voltou a cair em 2025, alcançando 56,41%, o menor patamar do período analisado.

“O Estado retoma uma trajetória de redução dos gastos com pessoal, mesmo diante de um cenário desafiador. Além disso, conseguimos cumprir integralmente todas as metas constitucionais obrigatórias e ampliar a nossa Receita Corrente Líquida”, destacou o secretário de Estado da Fazenda, Cadu Xavier, ao avaliar os resultados do RGF.

O secretário do Tesouro Estadual, Álvaro Bezerra, também ressaltou o desempenho positivo.

“Este é o menor índice de comprometimento com pessoal desde 2023, e há uma forte tendência de continuidade dessa queda ao longo de 2026”, projetou.

A Receita Corrente Líquida do Estado apresentou crescimento de 13,06% em relação ao ano anterior. O avanço é atribuído, principalmente, ao fortalecimento das ações de fiscalização conduzidas pela SEFAZ-RN em todo o território potiguar. A ampliação do trabalho dos auditores fiscais contribuiu para o combate à sonegação e para a recuperação de receitas que deixavam de ingressar nos cofres públicos. Outro fator que impulsionou o aumento da receita foi o crescimento, de aproximadamente 12%, no Fundo de Participação dos Estados (FPE).

O aumento da RCL permitiu ao Rio Grande do Norte cumprir todos os limites constitucionais obrigatórios nas áreas prioritárias. Na saúde, cujo percentual mínimo exigido é de 12% da receita resultante de impostos, o Estado aplicou 12,37%. Já na educação, o investimento alcançou 27,46%, acima do mínimo constitucional de 25%.

A Receita Corrente Líquida é um dos principais indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pois serve de base para o cálculo dos limites de despesa com pessoal, endividamento e concessão de garantias. Ela corresponde ao total das receitas correntes arrecadadas nos últimos 12 meses, descontadas as transferências constitucionais obrigatórias aos municípios.

A reunião de apresentação do relatório contou ainda com a participação da secretária executiva da Receita, Jane Araújo, representantes da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e da equipe da Contabilidade geral do Estado, responsável pela elaboração do relatório.


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GRAVE: ALLYSON INSINUA QUE PF ENVIOU INFORMAÇÕES FALSAS AO PODER JUDICIÁRIO

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O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), reagiu, em uma série de entrevistas, à deflagração da operação que cumpriu mandados de busca e apreensão afirmando enfrentar o episódio “de cabeça erguida” e reiterando inocência. No entanto, ao comentar as razões que teriam levado a Polícia Federal a deflagrar a ação, o prefeito passou a insinuar que a investigação pode ter sido provocada a partir do repasse de informações falsas ou distorcidas às autoridades.

“Tem que ver qual tipo de informação que foi apresentada, porque se é apresentada uma informação que não é verídica, pode estar se induzindo a Justiça ou as instituições a cometerem algum tipo de ação naquela informação que foi apresentada, talvez de forma errada”, declarou Allyson durante entrevista. A fala sugere que a Polícia Federal e o Judiciário trabalham com base em dados inconsistentes.

Ao mesmo tempo em que afirma confiar na Justiça, o prefeito busca deslocar o foco da operação para a origem das informações que embasaram a investigação. “A Justiça tá no seu direito de apurar. Se o melhor caminho é esse ou aquele, cabe à Justiça decidir. Não cabe a mim como político decidir”, disse, antes de reforçar que leu o processo, reuniu-se com advogados e que a defesa tratará do tema “do ponto de vista jurídico”.

A estratégia do discurso chama atenção porque, até aqui, a operação não foi deflagrada a partir de uma denúncia isolada ou de mera provocação política, mas sim após investigação conduzida pela Polícia Federal, com autorização judicial, baseada em indícios considerados suficientes para a adoção de medidas, como buscas e apreensões. Como já mostrado nos últimos dias, esse tipo de operação pressupõe relatório técnico da instituição, análise de provas preliminares e chancela do Judiciário, o que torna mais grave a tese de que tudo teria se baseado apenas em “informações não verídicas”.

Ainda assim, Allyson reforçou que só estaria se expondo publicamente porque acredita na própria versão. “Se eu não tivesse a clareza, se eu não tivesse a condição de dizer a verdade, eu não estaria aqui. Eu estou aqui porque acredito muito no que estou dizendo e estou mostrando dados e fatos do meu trabalho”, afirmou.

O prefeito, no entanto, não apresentou quais seriam esses dados nem explicou objetivamente quais pontos da investigação considera equivocados.

Durante a entrevista, a ex-deputada federal Sandra Rosado fez uma pergunta através do youtube gerando uma provocação política: “Algum prefeito de Mossoró por acaso teve busca e apreensão em sua casa?”. Allyson classificou o questionamento como “interessante” e passou a comparar o seu caso com outros escândalos no Rio Grande do Norte, citando, por exemplo, episódios envolvendo a Arena das Dunas, que envolveu a ex-governadora Rosalba Ciarlini. “Talvez na época não tenha sido feito algo com tanta ênfase, com tanta força”, disse, sugerindo tratamento desigual por parte das instituições.

Apesar disso, o prefeito evitou afirmar que tenha havido excesso ou perseguição direta. Questionado se a “dose” teria sido maior em seu caso, respondeu: “Não cabe a mim falar sobre isso. Eu deixo para a população avaliar”.

Ainda assim, voltou a reforçar a comparação com investigações de grande repercussão, como o caso dos respiradores durante a pandemia, que envolveu o Governo do Estado. “Foi comprovado, não é questão de suspeita. A governadora passou pelo que eu estou passando”, afirmou, lembrando que houve buscas e apreensões na Secretaria Estadual de Saúde.

Ao mesmo tempo em que faz as insinuações sobre o fato, Allyson Bezerra assegura isenção direta dele pessoalmente sobre os fatos investigados pela PF, jogando a responsabilidade para outros, sem citar quem. Anteriormente, em entrevista à mesma 98 FM, Allyson garantia que tinha controle de tudo que acontecia em sua gestão: “eu tenho controle de tudo que é de gasto. Não existe esse negócio de abre-aspas: “banda voou”, não. Não existe esse negócio de abre-aspas: “casa de Mãe Joana, não. Tem controle”, garantiu.

Agora, o prefeito tenta se isentar da responsabilidade, que recai sobre ele, segundo a PF, como topo do esquema de desvios em relação à parte que investiga Mossoró.

Ao recorrer a esses paralelos, Allyson tenta normalizar a operação e reduzir seu impacto político, mas também desloca o mérito da investigação que o atinge diretamente. Enquanto insinua que informações falsas podem ter chegado à Polícia Federal, a operação segue sem qualquer indicação pública de irregularidade na condução das investigações.

Na prática, o discurso do prefeito se contradiz quando, ao mesmo tempo em que diz respeitar a Justiça, lança dúvidas sobre os fundamentos que levaram à ação policial. Cabe agora à sua defesa demonstrar, nos autos, que a investigação foi baseada em dados inconsistentes ou se as insinuações ficarão restritas ao campo político, enquanto a apuração avança no campo jurídico.


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ALLYSON PODE TER RECEBIDO MAIS DE R$ 2,2 MILHÕES DE PROPINA SÓ DA DISMED

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De acordo com a investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Mederi, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ficaria com uma propina de 15% do montante pago pela Prefeitura de Mossoró à empresa Dismed. Considerando esse percentual e o valor total dos pagamentos executados entre 2022 e 2025, Allyson pode ter recebido mais de R$ 2,2 milhões em propina da empresa investigada.

A PF chegou ao percentual de 15% por meio de conversas gravadas entre os donos das empresas investigadas que detalham a divisão de um pagamento no valor de R$ 400 mil. Do montante em questão, R$ 200 mil seriam para a entrega de medicamentos efetivamente e os outros R$ 200 mil para divisão entre os envolvidos, entre eles, segundo a PF, o prefeito de Mossoró. Do montante, Allyson teria recebido R$ 60 mil (15%), conforme o relatório das investigações.

Caso esse percentual tenha sido praticado ao longo dos contratos entre a Prefeitura de Mossoró e a Dismed, Allyson pode ter recebido R$ 2.231.645,78 dos R$ 14.877.638,59 que ele pagou à empresa nos últimos quatro anos.

O valor destinado pela Dismed para o pagamento de propinas pode ser ainda maior. Nas conversas gravadas, a PF também identificou o pagamento de 10% para uma pessoa identificada como “Fátima”, o que seria equivalente a mais R$ 1.487.763,85 dos R$ 14.877.638,59 repassados à empresa. Assim, o valor total repassado como propina a Allyson e “Fátima” chegaria a R$ 3.719.409,63.

O montante é referente a apenas uma das três empresas investigadas na operação. A Prefeitura de Mossoró manteve contrato com pelo menos mais uma dessas empresas: a Drogaria Mais Saúde Sociedade Empresarial LTDA.

O Diário do RN não conseguiu aferir quanto Allyson pagou à Drogaria Mais Saúde em razão de o site da Prefeitura de Mossoró, incluindo o Portal da Transparência, ter sido mantido fora do ar durante essa quinta-feira (29).

Em vídeo publicado nas redes sociais, Allyson negou qualquer envolvimento com o que tem chamado de “erro”.


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MOSSOROENSES APOIAM PF: “APENAS A PONTA DO ICEBERG; É SÓ O COMEÇO”

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A Operação Mederi, deflagrada nessa terça-feira (27) pela Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios e que teve como alvo principal o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), causou alvoroço na cidade e despertou reações, muitas sem demonstrar qualquer surpresa com o suposto envolvimento do chefe do Executivo Municipal com corrupção. Para diversos mossoroenses, a PF pode achar mais casos de corrupção na gestão do prefeito que intitulou de “pobrezinho”.

“Apenas a ponta do iceberg. É muito mais do que Mossoró imagina. Arrocha PF.”, comentou Rudney Pinto. “É muita irregularidade, isso é só o começo!.”, escreveu Valeria Alencar. , “Se investigar mais vai achar um poço sem fundo”, afirmou Claudenice Pinheiro.

Adriano Pereira relatou uma desconfiança anterior com o prefeito. “Eu nunca confiei nesse Alisson Bezerra.”, declarou. Francinete Maia defendeu o afastamento de Allyson “pra facilitar as investigações”.

Teve também eleitor do prefeito decepcionado. David Alves disse que votou em Allyson duas vezes e classificou o possível recebimento de propina pelo prefeito como “ganância”. “A bíblia já fala sobre isso. É a raiz da amargura, depois que penetra o coração, já era.”, acrescentou. Sidney Gomes questionou a religiosidade do prefeito. “Ainda se diz evangélico o nosso belo prefeito.”, publicou.

Para muitos mossoronses, “a casa caiu” para Allyson. A ação da PF gerou até questionamentos obre a atuação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). “Espero que a PF chegue até as centenas de denúncias arquivadas pela MPRN.”, comentou Gracielle Costa.

Enquanto os mossoroenses sem ligação com o Palácio da Resistência, sede da Prefeitura de Mossoró, apoiaram e cobraram a ampliação das investigações, ocupantes de cargos na gestão foram ao perfil do prefeito nas redes sociais para questionar a atuação da PF e atestar a honestidade de Allyson.

Vereadores protocolam pedido de CEI da “Matemática de Mossoró” para investigar Allyson

Vereadores da oposição cobram a participação dos demais parlamentares mossoroenses para se comprometerem com a investigação na CMM – Foto: Divulgação

A bancada de oposição na Câmara Municipal de Mossoró protocolou, nesta quarta-feira (28), pedido de instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o suposto pagamento de propina ao prefeito Allyson Bezerra revelado pela Operação Mederi.

Em coletiva de imprensa concedida na Câmara, os vereadores Cabo Deyvison, Marleide Cunha, Pluvial Oliveira, Jailson Nogueira e Wiginis do Gás cobraram a participação dos demais parlamentares para se comprometerem com a investigação no legislativo.

Plúvia recordou que investigações de outras denúncias de corrupção foram barradas pela bancada governista e que espera um desfecho diferente agora, diante da gravidade da situação com a citação clara dos nomes envolvidos. “Se se negar (a investigar), que diga para toda a sociedade porque não aceitar a CEI.”, desafiou, acrescentando que não se trata de perseguição política: “São indícios de corrupção, com nomes citados: Allyson, Marcos, Morgana, Mariano.”, defendeu.

Marleide Cunha acrescentou que há indícios de corrupção na gestão Allyson desde o seu início.

Ela elencou outros casos que não foram investigados como um aditivo de meio milhão de reais para a obra do Memorial da Resistência depois de concluída; mais R$ 500 mil em aditivos para obras de praças e do museu já em fase de conclusão; a contratação – cancelada depois de denúncia da oposição – da empresa São Tomé, que nem uma sede tinha; e a aplicação de recursos da cultura. “A população sofrendo sem medicamento e o prefeito sendo citado em diálogos como beneficiário para receber propina.”, criticou.

A CEI foi batizada de “Matemática de Mossoró” em alusão a trechos de diálogos revelados pela PF em que empresários discutem a divisão de propina entre eles, Allyson e uma mulher não identificada. Segundo a PF, o prefeito ficaria com R$ 60 mil (15%) de uma ordem de entrega de material no valor de R$ 400 mil.

Além da CEI, a oposição vai pedir a convocação de uma sessão extraordinária para debater a operação e também vai acionar o Ministério Público.

Desvios
A empresa DISMED recebeu quase R$ 15 milhões da Prefeitura de Mossoró na gestão do prefeito Allyson Bezerra, de acordo com dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró.

Entre 2022 e 2025, Allyson pagou R$ 14.877.638,59 à DISMED. Os valores foram crescendo ano após ano, começando com R$ 1 milhão, em 2022, e chegando a mais de R$ 6 milhões, em 2025.

E o volume de recursos envolvendo os contratos da gestão Allyson com a DISMED é ainda maior.

Em quatro anos, a empresa empenhou quase R$ 19 milhões (R$ 18.827.154,40), dos quais, R$ 15.966.825,19 foram liquidados.

Pagamentos para a DISMED por ano:
2022: R$ 1.264.424,30
2023: R$ 2.896.126,33
2024: R$ 4.711.224,17
2025: R$ 6.008.866,79

Fonte: Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró


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CABO DEYVISON: “MOSSORÓ VIROU A CASA DOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO”

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A operação deflagrada pela Polícia Federal que investiga o desvio de recursos da saúde pública de Mossoró provocou reação da oposição na Câmara Municipal. Em entrevista, o vereador oposicionista Cabo Deyvison (MDB) afirmou que o município “se tornou a casa dos escândalos de corrupção” e responsabilizou politicamente o prefeito Allyson Bezerra (UB) pelo esquema investigado, que, segundo a PF, apura o desvio de cerca de R$ 14 milhões por meio de direcionamento de contratos.

Para o parlamentar, a operação desta semana não é um fato isolado. Ele sustenta que a atual gestão acumula denúncias sucessivas envolvendo saúde, obras e contratos administrativos.

“Não é opinião minha. A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e a Justiça dizem que há indícios de autoria, corrupção e materialidade de desvio de recursos públicos. Havia um racha que se comprava e que se recebia pela Prefeitura. Mossoró virou a casa dos escândalos de corrupção”, afirmou. Deyvison citou, além da investigação na saúde, suspeitas em licitações de obras estruturantes do município e contratos de aluguel e fornecimento de materiais que, segundo ele, apresentariam sobrepreço.

Deyvison também citou propriedades atribuídas ao proprietário da Dismed, Oseas Monthalggan, e afirmou que bens adquiridos com recursos públicos, caso confirmados, “terão que voltar para o povo”. Ele cita ainda outros casos semelhantes na Prefeitura de Mossoró.

“Allyson Bezerra acabou de dar uma declaração que o CETEC, o Anel Viário e o Hospital Municipal foram feitos por licitações eletrônicas. Mentira! Foi licitação presencial e isso viabiliza o direcionamento e a fraude de licitações. Ele utilizou a antiga lei, que é a 8666, que é a antiga lei de licitações, que ainda permitia fazer esse tipo de licitação”, denunciou. O vereador ainda lembrou sobre o caso do Estação Natal, em que indícios de superfaturamento na decoração natalina é investigada pelo Ministério Público.

“Quer mais um caso? O gabinete institucional localizado no condomínio comercial Manhattan Business, eu tenho um contrato em mão que custou à Prefeitura 10.600 reais e numa breve busca na OLX eu vou encontrar no mesmo condomínio comercial para alugar por 3.000 reais. A prefeitura de Mossoró pagou um calção de 31,8 mil adiantado”, acrescentou.

Pode ter dinheiro de corrupção enterrado em terreno de associação

O vereador também trouxe à tona denúncias que, segundo ele, chegaram ao seu gabinete e às redes sociais, indicando que parte do dinheiro desviado poderia estar escondida em áreas ligadas à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Cabo Deyvison disse acreditar na possibilidade e afirmou que irá apurar. De acordo com ele, as informações apontam que valores estariam enterrados como forma de ocultação, supostamente em caixas, inclusive de máscaras hospitalares.

“Se chega denúncia de falta de medicamento, eu vou ao posto de saúde. Se chega denúncia de que tem dinheiro público enterrado em qualquer terreno, eu também tenho o dever legal de averiguar. Eu não vou prevaricar, não vou me omitir”, declarou.

O vereador argumenta que a suspeita se conecta ao volume de recursos investigados pela PF.

Segundo ele, o montante apurado desde 2021 chega a R$ 13,8 milhões e, de acordo com o relatório da Polícia Federal, haveria um esquema de divisão dos valores desviados. “Esse montante, se for feita a rachadinha que a PF colocou em relatório, é 50%, 7 milhões de reais”, disse.

Afastamento de Allyson
Diante da gravidade das denúncias, a oposição protocolou pedido de instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. Cabo Deyvison defende não apenas a investigação legislativa, mas também o afastamento imediato do prefeito Allyson Bezerra e do vice-prefeito Marcos Medeiros.


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PARTIDOS COMANDADOS POR ALVES E MAIA SAEM EM DEFESA DE ALLYSON

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Os partidos comandados pelas tradicionais famílias Alves e Maia no Rio Grande do Norte divulgaram nota conjunta em defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), após a operação da Polícia Federal que investiga desvios de recursos públicos na área da saúde e envolve integrantes da gestão municipal. A manifestação é assinada por União Brasil (UB), Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), comandados justamente pelos personagens da política tradicional que Allyson rejeitava no início da sua trajetória política, mas que agora são seus principais aliados.

Na nota, as siglas afirmam “solidariedade e apoio” ao prefeito e dizem confiar na postura de Allyson Bezerra, destacando que sua gestão seria pautada “pelo compromisso com a transparência, pelo respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública”.

Os partidos também reforçam a defesa do devido processo legal e garantem a continuidade do apoio ao projeto do pré-candidato ao Governo do RN. “Seguimos ao lado de Allyson Bezerra, com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência”, diz o texto, concluindo que “a verdade prevalecerá”.

A defesa pública ocorre em um momento simbólico da trajetória política do prefeito de Mossoró.

Allyson ascendeu na política potiguar justamente com um discurso de enfrentamento às oligarquias que historicamente dominaram o poder no Estado.

Ao longo de sua construção eleitoral, fez críticas diretas à política conduzida por famílias tradicionais, que, segundo ele, agiam em benefício próprio: “Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, declarou em discursos do início de sua carreira.

O cenário, porém, mudou significativamente. Oito anos depois, mirando a disputa pelo Governo do Estado em 2026, Allyson Bezerra passou a integrar justamente o bloco político que reúne as famílias Alves e Maia. A nota de defesa divulgada agora se soma ao movimento iniciado na semana passada, quando lideranças como José Agripino Maia (União Brasil), João Maia (PP) e a senadora Zenaide Maia (PSD) publicaram comunicado de boas-vindas a Walter Alves (MDB), consolidando o arco de alianças das duas famílias em torno do nome do prefeito de Mossoró. O vice-governador chegou recentemente ao grupo depois de romper com a governadora Fátima Bezerra (PT) em nome do apoio à Allyson e pela sua candidatura à deputado estadual.

As articulações que resultaram nessa aliança foram conduzidas longe dos holofotes, em conversas reservadas, modelo de construção política que Allyson antes criticava publicamente.

Fora a nota oficial, nenhuma das lideranças envolvidas concedeu entrevistas ou declarações nas redes sociais sobre o escândalo de supostos desvios de dinheiro da saúde de Mossoró, que, segundo a PF, teria o prefeito como eixo central.


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CÂMARA REJEITA ARQUIVAMENTO E MANTÉM PROCESSO CONTRA BRISA

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A Câmara Municipal de Natal decidiu, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (27), não arquivar o processo de cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT). Por 15 votos contra o arquivamento, nove favoráveis, três abstenções e uma ausência, o plenário optou por manter o andamento da investigação no âmbito da Comissão Especial Processante. Com isso, o processo segue para nova fase de instrução, com oitiva de testemunhas e análise de documentos, antes de um julgamento final.

A sessão foi convocada para analisar o parecer da Comissão Especial Processante, apresentado no dia 7, que recomendava o arquivamento do processo com envio da denúncia à Comissão de Ética. No parecer, o relator Daniell Randall (Republicanos) votou contra o arquivamento, enquanto a presidente Samanda Alves (PT) apresentou voto divergente, defendendo o envio à Comissão de Ética, posição acompanhada por Tárcio de Eudiane (União Brasil). No plenário, porém, a maioria dos vereadores decidiu que o caso deveria continuar sendo apurado pela própria comissão de cassação.

Para a vereadora Samanda Alves, presidente da Comissão, o envio do caso à Comissão de Ética permitiria uma análise mais técnica. “O relatório trouxe elementos embasados pelas assessorias jurídicas. Nossa proposição não foi transformar a denúncia em pizza, mas arquivar no âmbito da comissão especial e fazer com que ela prosseguisse na Comissão de Ética, conforme o regimento indica”, explicou. Segundo ela, a instância de ética teria melhores condições de avaliar o mérito e indicar, se fosse o caso, absolvição, punição ou até a abertura de um novo processo de cassação.

Ao final da sessão, Brisa Bracchi concedeu entrevista coletiva e afirmou que a decisão reflete um processo de perseguição política. “Já foi investigado, já teve oitiva, já teve depoimento e hoje havia a oportunidade de ter sido arquivado ou encaminhado para a Comissão de Ética, mas infelizmente parece que para a maioria dos vereadores a prioridade não tem sido a discussão dos temas da cidade, e sim esse processo de perseguição”, disse.

A parlamentar avaliou que há um desgaste em torno do tema e que a população espera que a Câmara se concentre em outras pautas. “As pessoas querem e preferem que os vereadores, independente de partido, estejam preocupados com outros temas no ano de 2026”, afirmou. Brisa também declarou que a continuidade do processo não a afastará da vida pública. “Se alguns acham que estender esse processo, que já se arrasta por mais de seis meses, vai me fazer sair da política, muito pelo contrário, eu vou continuar com mais força do que nunca”, completou.

De acordo com o procurador-geral da Câmara, Gustavo Henrique Souza, com a decisão do plenário, a Comissão Especial Processante deve se reunir novamente nos próximos dias para dar continuidade aos trabalhos. “Agora o processo volta para a comissão, onde haverá oitiva de testemunhas, juntada de documentos e, posteriormente, novo julgamento”, afirmou. A previsão é de que o procedimento seja concluído em até 90 dias, com prazo estimado até o fim de fevereiro.

Votação nominal
Na votação nominal, 15 vereadores optaram pela continuidade do processo: Albert Dickson, Aldo Clemente, Cláudio Custódio, Cleiton da Policlínica, Daniell Randall, Daniel Santiago, Eriko Jácome, Fúlvio Saulo, Hébert Sena, Kleber Rodrigues, Preto Aquino, Robson Carvalho, Subtenente Eliabe, Tércio Tinoco e Tony Henrique. Nove votaram pelo arquivamento e envio à Comissão de Ética: Camila Araújo, Carlos Silvestre, Daniel Valença, Eribaldo, Léo Souza, Paulo Henrique, Samanda Alves, Tárcio de Eudiane e Thabatta Pimenta. Três se abstiveram: Irapoã Nóbrega, João Batista Torres e Luciano Nascimento. Anne Lagartixa não registrou presença.

Motivação para o processo
O processo de cassação foi instaurado a partir de denúncia do vereador Matheus Faustino (União), de que Brisa Bracchi teria destinado indevidamente uma emenda parlamentar para um evento de caráter político-partidário em 2025. O evento, conhecido como “Rolé Vermelho”, ocorreu em 9 de agosto, na Casa Vermelha, em Natal, e foi divulgado como uma festa ou ato político associado à vereadora, celebrando a expectativa de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.


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