A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou, nesta semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 67/2023, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) que estabelece um novo marco de proteção à atuação da imprensa no país. O ponto central da proposta, que agora segue para análise do plenário, é a garantia de que veículos de comunicação não poderão ser responsabilizados civilmente por declarações feitas por entrevistados, desde que não haja manifestação de opinião por parte do próprio veículo.
Na prática, a medida busca assegurar que jornais, rádios, TVs e plataformas digitais não sejam punidos por conteúdos atribuídos exclusivamente a terceiros, reforçando a distinção entre o papel do entrevistado e o do meio que veicula a informação. A proposta surge como resposta a entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que admitiram a possibilidade de responsabilização dos veículos em determinadas circunstâncias.
Durante a discussão da matéria, Marinho fez críticas diretas à interpretação adotada pela Corte.
“Infelizmente, eu preciso citar novamente a forma como o Supremo Tribunal Federal se comporta, porque no tema de repercussão 995, o Supremo entendeu que o veículo de comunicação poderia ser responsabilizado por uma opinião emitida, vejam, senhores, por um entrevistado”, afirmou.
O senador argumentou que esse entendimento abre margem para uma espécie de censura prévia indireta, ao transferir aos veículos a obrigação de filtrar conteúdos antes da publicação. “Aquele veículo deveria fazer, depois, uma verificação, uma avaliação ou uma censura para publicar ou não o que o cidadão falou, e se responsabilizar pelo que falou”, declarou.
Na avaliação do parlamentar, o ordenamento jurídico brasileiro já dispõe de instrumentos suficientes para coibir abusos individuais. “Nós temos, na nossa legislação, três elementos muito importantes que devem ser buscados sempre que houver necessidade, que é a calúnia, a difamação e a injúria”, disse, ao defender que a responsabilização deve recair sobre o autor da fala, e não sobre o veículo.
A proposta foi relatada pelo senador Oriovisto Guimarães (PODE-PR), a quem Marinho fez agradecimentos pela condução do parecer. Ao destacar o alcance da medida, o autor da PEC reforçou o papel da imprensa em regimes democráticos. “O cerne, a espinha dorsal de uma sociedade democrática é uma imprensa livre, desassombrada, sem receio de fazer a crítica ao governante de ocasião, sem receio de expor as mazelas de qualquer administração pública”, afirmou.
A expectativa agora é que o texto seja pautado para votação em plenário nas próximas semanas, etapa necessária para que a proposta avance no Congresso Nacional.
O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, reagiu com firmeza às declarações de Cadu Xavier, que o acusou de mentir sobre a situação da saúde estadual e questionou se “vai ser a campanha toda com mentira”. Em tom direto, Álvaro devolveu a acusação e apresentou um conjunto de dados públicos para sustentar que o verdadeiro problema de credibilidade está do outro lado.
“Cadu é o rei da mentira, das contradições e do imposto!”, disparou o ex-prefeito de Natal e pré-candidato a governador, Álvaro Dias.
Sem rodeios, o ex-prefeito questionou a credibilidade do secretário e relembrou uma série de compromissos assumidos por ele desde que assumiu a área econômica do Estado, em 2023.
“Qual Cadu me chamou de mentiroso? O que disse que não atrasaria os consignados quando assumiu? O que prometeu usar o dinheiro da venda antecipada da folha dos servidores ao Banco do Brasil para resolver o problema e continuou atrasando?”, afirmou.
Álvaro também ampliou o ataque ao campo fiscal e administrativo do governo estadual, apontando atrasos em pagamentos e dificuldades na gestão financeira.
“Qual Cadu me chamou de mentiroso? O que disse que pagaria salários em dia, mas deixou aposentados e pensionistas com o 13º atrasado? O que fala em equilíbrio das contas e deixa médicos e fornecedores com meses de atraso? Esse senhor que só pensa em aumentar impostos precisa aprender primeiro a falar a verdade antes de querer apontar o dedo para alguém”, completou.
A reação de Álvaro se sustenta em uma linha do tempo de declarações e episódios envolvendo a gestão dos consignados no Estado — um dos pontos mais sensíveis da administração.
Em junho de 2023, Cadu Xavier afirmou publicamente: “Consignado para mim é folha… pagou folha, pagou consignado.”
A fala estabelecia um compromisso claro de alinhamento entre o pagamento dos servidores e o repasse aos bancos. No entanto, nos meses seguintes, o cenário mostrou instabilidade: • Julho de 2023: bloqueio do crédito consignado por atraso nos repasses, com promessa de normalização em agosto; • Setembro de 2023: em audiência na Assembleia, o próprio secretário admitiu atrasos e ajustou o discurso, afirmando que seu compromisso era “não acumular meses”; • Outubro de 2023: nova suspensão do consignado, com reconhecimento público de “um mês de atraso” e previsão de instabilidade até o fim do ano.
O padrão registrado ao longo do segundo semestre — atraso, bloqueio, promessa de regularização e nova suspensão — expôs uma inconsistência entre o discurso inicial e a execução da política financeira.
CLIMA DE CONFRONTO A troca de acusações evidencia o endurecimento do debate político no RN já no período de pré-campanha. O embate entre gestão fiscal e narrativa eleitoral deve se intensificar nos próximos meses, especialmente em temas sensíveis como salários, saúde e equilíbrio das contas públicas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o confronto direto entre os dois pré-candidatos marca o início de uma disputa mais agressiva — com foco em credibilidade, gestão e confiança do eleitor.
Nesse embate, Álvaro ainda ressalta: “Saí da prefeitura do Natal com alto índice de aprovação, fiz o meu sucessor, entreguei várias obras e deixei dezenas de outras em andamento. Já Cadu foi o secretário que aumentou o ICMS, atrasou os consignados, negativou os servidores, deixou médicos sem salários, hospitais sem comida para servir aos profissionais e acompanhantes e saiu do Governo deixando um rombo nas contas públicas maior do que o que iniciou a gestão”.
Sobre as finanças estaduais, Álvaro Dias foi enfático: “A dívida do Estado saiu de R$ 1,75 bilhão em 2018 para R$ 6,3 bilhões. Os precatórios saltaram de R$ 900 milhões para R$ 5 bilhões. O orçamento de 2026 foi aprovado com um déficit estimado de R$ 1,5 bilhão. O Rio Grande do Norte é o estado que mais compromete receita com gasto de pessoal no Brasil — mais de 64%. Quem cuidou do cofre durante tudo isso? Cadu Xavier. Ele que era o secretário da Fazenda. Ele que criou a ‘supersecretaria’. E agora quer o cargo de governador para fazer o quê? Repetir?”
Álvaro Dias conclui: “Cadu Xavier foi secretário para cobrar imposto — e cobrou muito. Não construiu uma rua, não urbanizou uma comunidade, não entregou uma praça. Até empréstimo ele fez para tapar buraco. O Rio Grande do Norte precisa de quem saiba construir, não apenas de quem saiba cobrar. Nós fizemos. Está tudo documentado. Está tudo de pé.”
O ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates afirmou, nesta quinta-feira (09), que segue pré-candidato ao Senado Federal, pelo PDT. Em entrevista ao programa 12 em Ponto, da 98 FM, Jean Paul comentou pontos centrais do cenário político no Rio Grande do Norte, passando pelo campo aliado ao presidente Lula, a disputa interna no partido e o desenho das chapas no estado.
Ao analisar o cenário eleitoral para o governo do Rio Grande do Norte, Jean Paul avaliou que há equilíbrio entre as forças políticas, com três campos em disputa.
“Vejo três campos: um ligado ao PT [Cadu Xavier], um de centro [Allyson Bezerra] e um bolsonarista [Álvaro Dias]. Também há forte presença de famílias tradicionais. É impossível fazer política sem dialogar com esses grupos. O problema é a concentração de poder quando todos se juntam em uma mesma chapa”, disse.
Ao comparar os principais nomes colocados na disputa, ele afirmou que as diferenças entre os grupos do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, são reduzidas, fazendo uma alusão ao coronelismo no caso de Álvaro e às oligarquias no caso de Allyson.
“Eu acho que a diferença das outras duas chapas é quase nenhuma. Porque oligarquia e coronelismo, no fundo, acabam sendo a mesma coisa. Você só escolhe o século em que quer estar, se é o século XVII ou o século XVIII”, afirmou.
Diante desse cenário, Jean Paul evitou cravar projeções, mas indicou que o equilíbrio entre as forças políticas pode levar a uma definição apenas no segundo turno.
“Acho que há equilíbrio. Todos têm condições de disputar essa vaga. A polarização pode levar Cadu ao segundo turno, mas não dá para cravar quem será o adversário. Allyson, por exemplo, pode compensar a ausência de alinhamento nacional com força no centro e no campo conservador. Pode ser uma disputa muito apertada”, afirmou, reforçando que o cenário segue indefinido e competitivo. “A disputa está aberta. Todos têm condições de chegar ao segundo turno”.
DISPUTA NO PDT Sobre a disputa interna no PDT com a chegada do ex-deputado Rafael Motta, Jean Paul negou qualquer recuo e defendeu o processo adotado pela legenda como democrático e coerente com sua própria trajetória recente.
“Não sei quem planta esse tipo de coisa o tempo todo. Nós colocamos um processo democrático, transparente dentro do PDT. Eu fui para o PDT justamente por discordar do processo de escolha no PT. Cheguei, me filiei em 12/12 [de 2025], simbolicamente, e fui lançado como pré-candidato.
Quando entramos na reta final das filiações, Rafael, que conheço há muitos anos, manifestou interesse em se filiar ao PDT e pleitear a candidatura ao Senado. Eu não posso reclamar disso. Afinal, fui para um partido justamente por isso. Então não houve recuo. Houve abertura democrática”, declarou.
Ele explicou que a definição do nome que representará o partido na disputa ao Senado será feita por meio de pesquisa, como forma de garantir objetividade.
“É normal um partido com dois ou três ativos políticos importantes discutir e buscar critérios objetivos, como uma pesquisa, para decidir quem vai concorrer. Não vejo nada de estranho nisso.
O partido definiu esse caminho, com participação da direção nacional. Isso é um processo interno do PDT”, disse.
Jean Paul também detalhou o entendimento prévio de composição entre os dois pré-candidatos, caso um deles não seja escolhido.
“Essa é uma decisão que ainda está em aberto. O que está previamente acertado é que um será o suplente do outro. Esse é o acordo. Só não haverá isso se um decidir disputar outro cargo. Existe um acordo entre nós”, afirmou.
Ele voltou a rebater a ideia de que teria entrado na disputa com intenção de ser suplente, embora reconheça que essa possibilidade faz parte da dinâmica partidária.
“Não estou preocupado com isso. Ninguém começa uma corrida dizendo que quer ser suplente. Isso é composição. Claro que estou aberto, porque política é missão. Mas meu plano é ser candidato ao Senado”, reforçou.
Ainda sobre o arranjo interno, o ex-senador mencionou a possibilidade de um mandato compartilhado entre titular e suplente, com regras previamente estabelecidas.
“Vamos fazer um acordo sobre compartilhamento de mandato. Não é mandato coletivo. É um titular e um suplente que acordam previamente exercer o mandato conjuntamente, com divisão de pautas, atuação e emendas. Isso é plenamente democrático e será transparente”, explicou.
REPRESENTANTES DO “LULAVERSO” Ao abordar o posicionamento da senadora Zenaide Maia dentro do campo progressista, Jean Paul avaliou que há uma convergência em torno do projeto nacional, mas ressaltou que eventuais divergências podem gerar impasses políticos.
“Meu entendimento é que estaremos todos no ‘Lulaverso’. Seja eu ou Rafael com Samanda, todos estarão nesse campo. Quanto à Zenaide, ela pode votar em quem quiser como cidadã. Mas, se houver conflito com a candidatura nacional, ela pode ficar numa situação delicada, como já aconteceu com outros candidatos. Vai ter que resolver isso, ou assume o voto pessoal ou segue a orientação da coligação”, afirmou.
Com pré-candidatura anunciada, nesta quarta-feira ao Governo do RN, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), o professor aposentado Dário Barbosa, 72 anos, só mudou mesmo a composição da chapa, não seu clássico discurso de ruptura com o sistema capitalista e o fortalecimento de alternativas socialistas. Dário se pronunciou à imprensa como uma espécie de ‘metralhadora giratória’, não economizando munição ideológica contra todos os prováveis adversários neste pleito.
Em suas críticas aos atuais pré-candidatos da majoritária, Barbosa sacou da arma até mesmo contra o Partido dos Trabalhadores (PT), onde a candidatura do ex-secretário Cadu Xavier foi avaliada como sendo “a continuação do governo Fátima Bezerra (PT), que seguiu com o caos na saúde e na educação, com alto índice de feminicídios, e sem melhorar a vida dos trabalhadores e servidores públicos que atendem a população”.
Aos pré-candidatos Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL), o líder do PSTU no RN foi rápido no gatilho. “São dois bolsonaristas avessos aos direitos dos trabalhadores e aliados dos golpistas que ameaçaram as liberdades democráticas do povo brasileiro em 2023, além de estarem envolvidos em casos de corrupção, como abuso de poder econômico e desvio de verbas da saúde”.
Dário ainda alvejou a pré-candidatura do professor Robério Paulino (Psol): “Nacionalmente, PT e o Psol estão juntos, inclusive com ministérios no governo Lula. Infelizmente, Robério está no partido que é parte do governo federal, o mesmo governo que aplica o arcabouço fiscal, que corta recursos em investimentos públicos e não revogou nenhum dos ataques feitos pelos governos anteriores”, relembra Dário.
Barbosa é figura histórica no cenário político potiguar, principalmente em disputas eleitorais, onde nunca teve êxito. Em 2018, foi candidato ao Governo do RN. Em 2022, tentou vaga para o Senado Federal. Além disso, o professor já concorreu a prefeito de Natal, vice-prefeito, vereador e deputado estadual em diferentes pleitos.
A novidade para 2026 é a indicação da jornalista e militante Fernanda Soares, como vice na chapa majoritária. Já para o Senado, a legenda indicou as pré-candidaturas de duas mulheres, a servidora da saúde e dirigente sindical Rosália Fernandes e a professora Luciana Lima.
Em comunicado, o PSTU destacou que pretende romper com a atual polarização política entre a “esquerda capitalista representada por PT e PSOL” e a extrema direita bolsonarista. A sigla é crítica dos rumos do PT a nível estadual e também nacional, tendo já apresentado a pré-candidatura de Hertz Dias à presidência.
A troca de críticas entre o ex-secretário estadual da Fazenda e pré-candidato ao governo, Cadu Xavier, e o ex-prefeito de Natal e também pré-candidato ao governo, Álvaro Dias, esquentou o debate político no estado. Após declarações de Álvaro sobre a atuação do governo do RN na saúde durante a pandemia de covid-19, Cadu usou as redes sociais, nesta segunda-feira (08), para reagir e acusar o adversário de espalhar informações falsas sobre a condução da crise sanitária.
As declarações de Álvaro foram dadas na noite da terça-feira (07), durante entrevista ao programa Band Cidade, da Band Natal, apresentado pela jornalista Anna Ruth Dantas. Na ocasião, o ex-prefeito afirmou que o governo do estado teria sido negligente ao não instalar hospitais de campanha nem ampliar leitos de UTI durante a pandemia, declarada emergência de saúde pública em março de 2020, ficando a cargo do município a responsabilidade.
A resposta de Cadu Xavier veio em tom direto e crítico. Em vídeo publicado nas redes sociais, o pré-candidato classificou a entrevista como um “show de horrores” e acusou o adversário, Álvaro Dias, de espalhar informações falsas sobre a atuação do estado na área da saúde.
“Então, prefeito, vai ser assim a campanha toda com mentira? Já iniciou a pré-campanha com mentira?”, questionou. Na sequência, afirmou que o estado abriu leitos de UTI em várias cidades, citando municípios como Caicó, Mossoró e Assú. “O governo do estado abriu leito em Natal, mas abriu em todo o estado. A gente investiu na rede do SUS, ampliou o SUS”, disse.
Segundo ele, a gestão estadual não apenas abriu leitos de UTI na capital, como também expandiu a rede hospitalar em diversas regiões do Rio Grande do Norte.
Os leitos aos quais Cadu se refere constam nos registros do Ministério da Saúde que mostram que o Rio Grande do Norte ampliou a rede hospitalar, nos últimos anos, com a abertura de 140 novos leitos, chegando a 6.907 unidades ativas no estado. A expansão também incluiu 30 novos leitos de UTI, em Natal e Mossoró, distribuídas entre o Hospital da Mulher, Giselda Trigueiro e Rio Grande, para atender ao aumento de casos de doenças respiratórias.
Cadu alfinetou o adversário mais uma vez e também criticou o que chamou de “megalomania” na condução de políticas públicas voltadas à saúde, defendendo que a prioridade do governo foi resolver problemas estruturais em vez de investir em ações de grande visibilidade. “A gente não fez pirotecnia para sair na televisão. A gente resolveu o problema e criou um legado”, afirmou.
Durante a resposta, o pré-candidato ainda sugeriu que o ex-prefeito estaria mal informado sobre a situação atual da rede hospitalar estadual. Ele citou melhorias em hospitais regionais e mencionou que algumas unidades hoje realizam cirurgias eletivas, possuem leitos de UTI e contam com maternidades em funcionamento.
Cadu também citou o Hospital da Mulher, em Mossoró, como exemplo de estrutura consolidada fora da capital. Segundo ele, a unidade representa um avanço importante na regionalização do atendimento hospitalar.
“O senhor parece estar mal informado ou agindo de má-fé. Hoje os hospitais realizam cirurgias eletivas, contam com leitos de UTI e têm maternidades funcionando, como é o caso do Hospital de Assú. O senhor afirmou que o hospital inacabado de Natal é a maior obra da saúde do estado, mas sugiro que dê uma volta em Mossoró, saia um pouco de Natal para conhecer o Hospital da Mulher. Ali, sim, há uma estrutura pronta, concluída e em pleno funcionamento, atendendo a população de Mossoró e de toda a região”, afirmou.
Em clima de otimismo com a pré-candidatura ao Senado, pelo PL, o coronel da reserva da Aeronáutica Hélio Oliveira afirmou que o fortalecimento de seu nome dentro do PL e a consolidação do apoio de lideranças da direita no estado abrem uma nova fase em sua caminhada rumo às eleições de 2026. Em entrevista ao Diário do RN, ele disse acreditar em crescimento nas pesquisas, especialmente entre eleitores alinhados ao bolsonarismo.
Segundo o pré-candidato, a confirmação pública do apoio dentro do partido, incluindo o reconhecimento de seu nome como primeiro voto da legenda para o Senado, ajudou a consolidar sua candidatura e ampliar sua viabilidade eleitoral.
Ele destacou que a declaração do senador Rogério Marinho, aliada ao apoio de dezenas de mandatários do partido, marcou uma virada no cenário político interno.
“Essa segunda etapa agora nos fortalece e a gente deixa de ser lobo solitário e passa realmente a ser um candidato viável, reconhecido inclusive pelo PL”, afirmou.
Na mesma entrevista, o coronel Hélio disse que a tendência é ampliar seu desempenho no chamado primeiro voto entre os eleitores identificados com a direita no estado. Na disputa para o Senado, o eleitor pode votar em dois candidatos, o que torna estratégica a busca pela preferência principal do eleitorado.
De acordo com ele, a consolidação de sua imagem como candidato alinhado ao bolsonarismo pode impulsionar esse crescimento. “Eu acredito que dentro do bolsonarismo eu vou crescer no primeiro voto. Quem se identifica com esse campo ideológico, ao conhecer o meu nome, tende a me escolher naturalmente”, avaliou.
Apesar da expectativa de crescimento, o pré-candidato reconhece a força eleitoral do senador Styvenson Valentim, que deve disputar a reeleição. Para ele, o atual senador ocupa hoje uma posição consolidada no eleitorado potiguar.
“Styvenson está muito consolidado. Ele fura a bolha, tem voto de vários espectros ideológicos e também um voto de gratidão por já estar no mandato e apresentar resultados”, afirmou.
Mesmo reconhecendo esse cenário, o coronel Hélio acredita que o fortalecimento do campo da direita pode favorecer a eleição de dois senadores alinhados ao mesmo grupo político no estado.
Ele avalia que a polarização nacional tende a influenciar diretamente o comportamento do eleitorado potiguar.
Segundo o pré-candidato, esse movimento também pode impulsionar a candidatura ao governo do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias.
“Eu acredito plenamente que Álvaro tende a crescer. As pesquisas já indicam isso. Os senadores da chapa majoritária também tendem a crescer com esse cenário nacional”, disse.
O pré-candidato também citou o desempenho do senador Flávio Bolsonaro em pesquisas nacionais como fator que pode influenciar a disputa no estado. Para ele, o fortalecimento desse campo político no país tende a ter reflexos no Rio Grande do Norte.
“Naturalmente esse reflexo nacional chega ao estado. Eu acredito que é possível elegermos dois senadores de centro-direita”, afirmou.
Outro ponto destacado por Hélio foi o perfil que pretende apresentar ao eleitorado. Segundo ele, sua candidatura reúne características que, na avaliação dele, têm sido valorizadas durante suas visitas ao interior do estado.
O coronel afirma que percorreu mais de uma centena de municípios potiguares ao longo dos últimos anos, ouvindo demandas da população e consolidando sua base política.
“Já são mais de 115 municípios visitados. Eu fui ao encontro do povo, muitas vezes sem apoio político. Nas feiras e nas ruas eu escuto muito duas palavras: renovação e coerência”, disse. Além desses atributos, ele afirma que sua trajetória militar e a imagem de honestidade também aparecem com frequência nas conversas com eleitores.
“As pessoas dizem que estão procurando um candidato honesto, coerente e de renovação. E o fato de eu ser militar também acaba transmitindo credibilidade para muita gente”, afirmou.
Críticas a Zenaide Durante a entrevista, o pré-candidato também fez duras críticas à atuação da senadora Zenaide Maia, possível adversária na disputa pelo Senado.
Sem atacar diretamente o posicionamento ideológico da parlamentar, ele questionou votos dela em relação à criação de comissões parlamentares de investigação no Congresso.
“Eu não estou falando do posicionamento ideológico dela, estou falando de votações. Para mim, corrupção não tem lado, eu combato de frente”, afirmou.
Segundo o coronel Hélio, a senadora deixou de apoiar a instalação de comissões que investigariam casos como fraudes contra aposentados e suspeitas envolvendo o Banco Master.
“Eu teria votado a favor das três investigações. A população merece saber para onde está indo o dinheiro público”, disse.
Questionado sobre como classificaria esse posicionamento, o pré-candidato respondeu de forma direta. “Omissão. Omissão no combate à corrupção”, declarou.
O encerramento do período de filiações partidárias para os pretensos candidatos às eleições de outubro provocou uma reconfiguração nas bancadas da Câmara Municipal de Natal. As movimentações, impulsionadas sobretudo por projetos eleitorais para deputado estadual, federal e Senado, alteraram o peso de partidos no Legislativo municipal.
Entre as mudanças mais expressivas, o Partido Liberal (PL) foi um dos que mais cresceram, passando a contar com cinco vereadores. A sigla recebeu nomes oriundos de outras legendas, como Camila Araújo, pré-candidata a deputada estadual, e Nina Souza, pré-candidata a deputada federal, ambas do União Brasil, além de Anne Lagartixa, que deixou o Solidariedade e também é pré-candidata a deputada estadual. Completam a bancada Subtenente Eliabe e Tony Henrique, que permanecem. A volta de Nina Souza à Câmara, após se desincompatibilizar da Secretaria Municipal de Assistência Social para disputar mandato federal, também provocou a saída do suplente Chagas Catarino.
O União Brasil, apesar de ainda manter uma das maiores bancadas, com quatro vereadores, foi uma das siglas que mais perderam quadros, com a saída de dois nomes. Permanecem no partido Matheus Faustino, pré-candidato a deputado federal; Robson Carvalho, pré-candidato a deputado estadual; Tarcísio de Eudiane e Tércio Tinoco.
O PSDB também ampliou sua presença, chegando a cinco parlamentares. A legenda incorporou Ériko Jácome, que deixou o PP e é pré-candidato a deputado estadual, e Léo Souza, egresso do Republicanos e também pré-candidato a deputado estadual, somando-se a Aldo Clemente e Cleiton da Policlínica.
O Progressistas (PP) também registrou baixa, com a saída de Ériko, e ficou com três vereadores: Cláudio Custódio, Daniel Santiago e Pedro Henrique. Situação semelhante vive o Republicanos, que perdeu um integrante, Léo Souza, e agora conta com Daniel Rendall, Irapoã Nóbrega e Kleber Fernandes.
O Solidariedade encolheu e passou a ter apenas um representante, Fúlvio Saulo, após a saída de Anne Lagartixa. O PSOL também perdeu uma cadeira e perdeu espaço na Casa.
Na contramão, o Partido Verde (PV) ampliou sua bancada, chegando a dois vereadores, com a presença de Thabatta Pimenta, pré-candidata a deputada federal, e Herberth Sena. Já o PT manteve sua formação com três parlamentares, Brisa Bracchi, Daniel Valença, pré-candidato a deputado estadual, e Samanda Alves, pré-candidata ao Senado, todos com projetos eleitorais para outubro.
Outras siglas mantêm representação individual na Casa, como a REDE, com Eribaldo Medeiros; o Democracia Cristã (DC), com João Batista Torres; o PSD, com Luciano Nascimento; e o Podemos, com Preto Aquino.
As mudanças refletem o movimento natural do calendário eleitoral, em que vereadores buscam partidos com maior viabilidade para disputar cargos proporcionais ou majoritários. Ao mesmo tempo, a nova configuração pode influenciar diretamente as articulações políticas no plenário, com impactos na formação de blocos, votações e na relação com o Executivo municipal ao longo do ano.
As contas de 2022 da Prefeitura de Mossoró, sob gestão do prefeito Allyson Bezerra, também receberam parecer prévio pela desaprovação no âmbito do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte. A manifestação acompanha o entendimento técnico da Corte e amplia o desgaste administrativo do gestor, que já enfrenta recomendação semelhante nas contas de 2023.
O parecer aponta irregularidades consideradas relevantes na execução orçamentária e na prestação de contas do exercício. Entre os principais problemas está a abertura de créditos suplementares em volume muito acima do limite autorizado pela Lei Orçamentária Anual (LOA).
De acordo com a análise técnica, a legislação permitia suplementação de até 25% do orçamento, o equivalente a cerca de R$ 212,8 milhões, mas o município abriu R$ 660,2 milhões, correspondentes a 77,55% do total, mais que o triplo do permitido.
O Ministério Público de Contas ressalta que, mesmo diante de eventual excesso de arrecadação, o parâmetro legal para abertura de créditos suplementares deve seguir o limite fixado na LOA, o que não foi observado no caso analisado.
Outro ponto que pesou contra a gestão foi a falha na prestação de informações obrigatórias. O parecer destaca a ausência ou envio incompleto de documentos exigidos pelas normas do tribunal, o que comprometeu a análise integral das contas. Entre as lacunas identificadas estão a não remessa de dados fiscais e inconsistências em informações de natureza orçamentária e patrimonial.
Parecer também destaca ausência ou envio incompleto de documentos – Foto: Reprodução
Também foi apontada a ausência de envio das cópias dos decretos de abertura de créditos adicionais, documentos essenciais para formalizar alterações no orçamento. Segundo o órgão técnico, a falta desses registros impediu a validação das mudanças realizadas ao longo do exercício financeiro.
Diante das irregularidades, o Ministério Público de Contas opinou pela emissão de parecer prévio desfavorável à aprovação das contas e sugeriu a abertura de processo autônomo para apuração de responsabilidade do gestor. Além disso, recomendou a adoção de medidas para melhorar a qualidade das informações contábeis encaminhadas ao tribunal.
O novo parecer negativo ganha dimensão política ao se somar à recomendação semelhante já emitida para as contas de 2023, indicando a possibilidade de dois exercícios consecutivos sob reprovação técnica. Apesar disso, a decisão final sobre a aprovação ou rejeição das contas cabe à Câmara Municipal de Mossoró, após o julgamento definitivo do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte. O processo encontra-se na mesa do relator, o conselheiro Antônio Ed Souza Santana, desde o último dia 30 de março.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) entrou com nova investida judicial contra o Diário do RN. O veículo teve reação imediata e apresentou recurso rebatendo o que classifica de tentativa de extrapolar os limites legais do direito de resposta e avançar sobre a autonomia editorial da imprensa.
A deputada afirma na manifestação que o espaço concedido pelo jornal para sua resposta na íntegra foi “fraudulento”. “Ao justapor, no mesmo ambiente editorial, o direito de resposta, acompanhado de matéria ofensiva, o Réu frustrou a eficácia da decisão judicial, transformando o direito assegurado em instrumento meramente simbólico e incapaz de produzir os efeitos reparatórios que lhe são próprios. Trata-se, portanto, de descumprimento fraudulento e inequívoco”, afirma ela.
Na manifestação ao pedido da deputada, encaminhada à Justiça, pelo advogado Gabriel Conrado Pereira, o Diário do RN atesta que já cumpriu integralmente a decisão judicial anterior.
“Em estrito cumprimento à decisão judicial, o Jornal Dário do RN procedeu à publicação da resposta da autora, exatamente nos termos e condições estabelecidos na sentença”, afirma a defesa, acrescentando que a obrigação foi atendida “sem qualquer ressalva ou pendência”, fato que foi reconhecido pela própria autora na nova manifestação.
Apesar disso, a parlamentar voltou aos autos com novas manifestações, o que configura uma tentativa “inusitada e descabida” de ampliar o alcance do direito de resposta já exercido. O recurso aponta que a deputada agora busca interferir em futuras publicações, numa linha que o jornal classifica como ingerência indevida. O texto da defesa é direto ao criticar o que chama de “contorcionismo retórico” nas alegações.
Além disso, há contradição entre os argumentos apresentados ao longo do processo. “Na inicial, alegava que ‘7 em cada 10 brasileiros só leem os títulos das notícias’; já nas manifestações pós-sentença, sustenta que os leitores percorrerão página inteira, mas ‘deixarão de lado a parte que tratava do direito de resposta’”, diz o documento. Para o jornal, trata-se de uma tentativa de “adivinhar o entendimento alheio” para justificar restrições à atuação da imprensa.
A defesa, assinada pelo advogado Gabriel Conrado Pereira, sustenta que esse tipo de argumentação subjetiva não pode servir de base para limitar a liberdade editorial. “A postura revela uma clara intenção de cercear a liberdade de imprensa do Jornal Diário do RN, extrapolando os limites do direito de resposta e adentrando no campo da censura prévia”, afirma.
O recurso também invoca a Constituição Federal de 1988 para reforçar o argumento. De acordo com a defesa, o artigo 5º, inciso IX, assegura a livre expressão da atividade de comunicação, “independentemente de censura ou licença”, o que impediria qualquer tentativa de controle prévio sobre conteúdos jornalísticos.
Nesse sentido, o Diário do RN enfatiza que possui autonomia editorial para definir pautas e abordagens, sem que isso possa ser condicionado por interesses de terceiros, ainda que partes em processos judiciais. A tentativa de “pautar” o jornal, segundo a defesa, configura “uma inaceitável tentativa de censura prévia e de ingerência na autonomia da imprensa”.
Outro ponto é o esgotamento da Lei nº 13.188/2015. A legislação tem finalidade específica, garantir o direito de contestação, e essa finalidade já foi plenamente cumprida no caso. “Uma vez exercido e cumprido o direito de resposta, a finalidade da lei está exaurida”, diz o texto.
Para o veículo, a legislação não autoriza o ofendido a interferir em publicações futuras nem a impor sua interpretação sobre o conteúdo jornalístico ou sobre a forma como o público deve compreendê-lo. A insistência nesse sentido reforça o caráter abusivo das novas manifestações.
As alegações da deputada são marcadas por “subjetividade exacerbada” e “contradições flagrantes”, sustentando que há uma tentativa de manipular a interpretação judicial com base em suposições sobre o comportamento do leitor. “Tal postura configura um contorcionismo retórico que visa, em última instância, à censura da imprensa”, conclui a defesa.
O Caso Reportagem publicada em 28 de outubro de 2025 noticiou declarações feitas pela vereadora natalense Camila Araújo (UB) sobre a destinação de emendas parlamentares para obras da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em Natal.
A reportagem relatou que a vereadora levantou suspeitas, inclusive mencionando lavagem de dinheiro, sobre destinação de emendas da deputada federal Natália Bonavides, sem apresentar provas ou indícios concretos. O texto também registrou que a parlamentar não especificou responsáveis por eventuais irregularidades e que o jornal tentou contato com a própria vereadora para esclarecimentos, sem obter resposta até o fechamento da edição.
Mesmo diante desse cuidado editorial, a deputada direcionou sua reação não contra a autora das declarações, mas contra o veículo que cumpriu o dever básico do jornalismo: informar sobre um fato público, protagonizado por agentes políticos, com interesse direto para a sociedade.
Encerrado o período da chamada janela partidária, intervalo previsto na legislação eleitoral que permite a troca de partido sem perda de mandato, a composição da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte passou por uma reconfiguração. As movimentações registradas nas últimas semanas alteraram o equilíbrio interno da Casa e evidenciaram mudanças no peso das bancadas.
O principal impacto foi sentido pelo PSDB, legenda presidida pelo chefe do Legislativo estadual, Ezequiel Ferreira. O partido perdeu espaço e viu sua representação encolher de forma expressiva em relação ao desempenho obtido nas eleições de 2022, quando figurava entre as maiores forças da Assembleia.
Em sentido oposto, a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, ampliou sua presença. O bloco saltou de cinco para oito parlamentares, consolidando-se como uma das maiores bancadas da Casa. O Partido Liberal (PL) seguiu o mesmo caminho e também atingiu oito cadeiras, igualando-se numericamente à federação de esquerda.
A federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas, passou a contar com quatro deputados estaduais. Já o MDB ficou com representação reduzida a um único parlamentar: Hermano Morais, que deixou o PV para ingressar na sigla em meio às articulações que o colocam como pré-candidato a vice-governador em chapa liderada pelo ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB).
Com a nova configuração, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte passa a ter a seguinte distribuição de bancadas: A federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) reúne os deputados Francisco do PT, Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Eudiane Macedo, Ivanilson Oliveira, Ubaldo Fernandes, Vivaldo Costa e Dr. Bernardo; o Partido Liberal (PL) é composto por Coronel Azevedo, Terezinha Maia, Gustavo Carvalho, José Dias, Dr. Kerginaldo, Tomba Farias, Adjuto Dias e Luiz Eduardo; o PSDB conta com Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas e Taveira Júnior; a federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) é formada por Kleber Rodrigues, Galeno Torquato, Nelter Queiroz e Neilton Diógenes; e o MDB tem como único representante o deputado Hermano Morais.
O encerramento da janela partidária consolidou o fortalecimento da federação formada por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil e Partido Verde na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Com novas filiações, o bloco passou a contar com oito parlamentares, igualando-se numericamente ao Partido Liberal e ampliando seu peso político no Legislativo estadual.
Segundo Samanda, o crescimento da bancada é resultado de um processo contínuo de articulação política e diálogo institucional. “São deputados que já estavam no nosso campo político, acompanhando o governo e contribuindo com a governabilidade da professora Fátima Bezerra (PT). Não chegaram agora de forma isolada, mas como parte de uma construção que já vinha sendo feita”, destacou.
A dirigente avalia que o fortalecimento da federação tem impacto direto nas eleições de 2026, especialmente na pré-candidatura de Cadu Xavier (PT) ao governo do Estado e nas disputas proporcionais e para o Senado. “Essa articulação mostra nossa capacidade de diálogo e fortalece nosso projeto político, tanto nas campanhas majoritárias quanto nas proporcionais”, afirmou.
Um dos destaques é a filiação de Luciana Soares ao PV. Irmã do ex-prefeito de Assu, Gustavo Soares, ela surge para a nominata estadual, especialmente na região do Vale do Assu. Apesar da movimentação, a definição final das chapas ainda depende das convenções partidárias.
O ponto central da estratégia política, no entanto, está na manutenção do diálogo com o Partido da Social Democracia Brasileira, que manteve liderança de Ezequiel Ferreira. Mesmo com Gustavo Soares permanecendo na legenda, Samanda reforçou que as conversas continuam abertas.
“Os diálogos seguem. Temos um arco de partidos já consolidado, com PT, PV, PCdoB, PSB e PDT, mas continuamos conversando para ampliar esse campo político”, disse.
A permanência de Gustavo no PSDB, segundo ela, não inviabiliza uma eventual composição majoritária. Isso porque, como ressaltado na entrevista, Ezequiel Ferreira mantém uma posição de equilíbrio político, sem romper nem com o grupo governista nem com a oposição liderada por Rogério Marinho.
“Ele continuou onde estava”, resumiu Samanda, ao comentar o posicionamento do dirigente tucano.
Gustavo vem, desde as últimas semanas, sendo cotado para vice-prefeito ao lado de Cadu Xavier.
Entre outros novos nomes que passam a integrar o campo político da federação, Samanda citou o ativista Ivan Baron e a pré-candidata Kaline, do Alto Oeste, além de outras lideranças que compõem um “time forte” para sustentar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
Expectativas eleitorais Com a nova configuração, a federação projeta crescimento nas próximas eleições. Samanda afirma que a expectativa é ampliar de seis para pelo menos sete deputados estaduais e aumentar de três para quatro representantes na Câmara Federal.
Na disputa pelo Senado, o grupo também trabalha para viabilizar a própria Samanda Alves na câmara alta. Ela, que é presidente do partido, garante as negociações são mantidas com Partido Democrático Trabalhista, que tem Jean-Paul Prates e Rafael Motta como pré-candidatos e também o Partido Socialista Brasileiro.
O Partido Liberal (PL) foi um dos partidos mais fortalecidos com a janela partidária no Rio Grande do Norte e passou a ocupar posição de destaque na Assembleia Legislativa, ao atingir oito deputados estaduais e empatar numericamente com a federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB). O novo cenário consolida a legenda como uma das principais forças políticas da Casa e amplia seu poder de articulação no Parlamento estadual.
O crescimento da bancada liberal redesenhou o equilíbrio interno da Assembleia. Com a ampliação, o PL passa a ter peso equivalente ao principal bloco da esquerda no Legislativo potiguar, reforçando a polarização política no ambiente estadual. O senador Rogério Marinho, presidente do partido no Rio Grande do Norte, avalia que o momento é de expansão e fortalecimento estrutural.
“O Partido Liberal vive um momento de fortalecimento e já é o maior do Rio Grande do Norte. As novas filiações mostram que estamos ampliando nossa base com lideranças representativas, comprometidas com um projeto sólido para o Estado. Estamos estruturando o partido com responsabilidade, diálogo e foco em construir uma alternativa consistente para o povo potiguar”, afirmou ao Diário do RN.
Dividindo o posto de maior bancada com a Federação da esquerda, Rogério avalia que o PL chegou até a posição por ter se estruturado como legenda ideológica, em defesa de ideais claros.
“Essa força é resultado de um trabalho consistente de organização partidária e de aproximação com as bases. É fruto da postura do partido em defender claramente seus ideais, promovendo uma maior identificação com a sociedade. Ter a maior bancada na Assembleia Legislativa do RN nos dá mais capacidade de defender pautas importantes para o Estado e apoiar projetos que realmente façam a diferença na vida da população. É uma responsabilidade grande, que exercemos com equilíbrio, firmeza e compromisso com o Rio Grande do Norte”, pontuou.
De olho nas eleições de 2026, o dirigente também demonstra otimismo com a formação das nominatas. Segundo ele, o partido trabalha para montar chapas competitivas tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados.
“As perspectivas são muito positivas. Estamos trabalhando na construção de nominatas competitivas, reunindo nomes preparados e com representatividade em todas as regiões do Estado. O PL chega fortalecido, organizado e com condições reais de eleger bancadas expressivas tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Federal. Não temos dúvida que a população, mais uma vez, fará do PL o maior partido do Estado”, declarou sobre o partido que elegeu a maior bancada federal na última eleição geral.
A nominata à deputado federal já tem os nove nomes, incluindo General Girão, Sargento Gonçalves, Nina Souza e Carla Dickson. Já a nominata à estadual, formada por 25 pré-candidatos, tem como destaques nove deputados do partido, além do ex-deputado Getúlio Rego e das vereadoras Anne Lagartixa e Camila Araújo.
A ex-vereadora e ex-primeira-dama de Macau Maria Elizabeth Bezerra Lemos foi homenageada nesta terça-feira (31), durante sessão solene realizada na Câmara Municipal de Macau para entrega da comenda que leva seu nome e que reconhece mulheres que contribuem para o desenvolvimento do município. A cerimônia reuniu autoridades, familiares, amigos e moradores que acompanharam o momento de reconhecimento público à memória e à trajetória de Elizabeth Lemos.
Criada para valorizar a atuação feminina na vida social e pública de Macau, a comenda leva o nome de uma das figuras mais lembradas da política e da assistência social no município.
Elizabeth Lemos foi vereadora e também atuou como secretária de Ação Social. Falecida em 2015, aos 70 anos, ela ficou conhecida pela forte atuação em iniciativas voltadas às famílias mais vulneráveis da cidade.
Durante a solenidade, a presidente da Câmara Municipal de Macau, Conceição Lins (Ceição), destacou que a criação da comenda nasceu da necessidade de ampliar o reconhecimento às mulheres que contribuem com a sociedade. Segundo ela, a homenagem também representa um gesto de reparação histórica.
“No ano de 2017, quando tive a oportunidade de apresentar o projeto que deu origem a esta comenda, fui movida por um sentimento muito claro: a necessidade de corrigir uma realidade que eu mesma presenciei por muitos anos, a de ver homenagens sendo, em sua grande maioria, destinadas aos homens, enquanto tantas mulheres, igualmente merecedoras, permaneciam sem o devido reconhecimento. Foi então que surgiu a ideia de criar um instrumento permanente de valorização da mulher macauense. E ao pensar em um nome que representasse esse espírito, não tive dúvidas em escolher Maria Elizabeth Bezerra Lemos”, disse.
Conceição Lins, Presidente da Câmara Municipal de Macau, destaca que a comenda nasceu da necessidade de ampliar o reconhecimento às mulheres que contribuem com a sociedade. – Foto: Reprodução
Conceição Lins também ressaltou a convivência que teve com Elizabeth e a influência que ela exerceu em sua própria trajetória política.
“Tive o privilégio de conviver com Elizabeth. Acompanhei de perto sua trajetória como ser humano, sua sensibilidade, seu compromisso com as pessoas. Como primeira-dama e, posteriormente, à frente da Assistência Social, realizou um trabalho admirável, marcado pelo cuidado com os mais vulneráveis, especialmente com os idosos e as mulheres do nosso município”, declarou.
A presidente acrescentou que o exemplo deixado por Elizabeth também inspirou sua entrada na vida pública.
“Sua atuação também foi uma das inspirações para que eu ingressasse na vida pública, como vereadora. E hoje, na condição de presidente desta Casa, procuro seguir esse exemplo, principalmente no cuidado e na atenção às causas sociais, com um olhar especial para as mulheres e os idosos de Macau”, completou.
Entre as homenageadas deste ano esteve Cristiane Lemos, filha de Elizabeth. Em seu discurso, ela falou sobre a emoção de receber uma honraria que carrega o nome da própria mãe.
“Recebi esta comenda com o coração profundamente emocionado. Mais do que uma honra pessoal, este momento tem um significado ainda maior, porque carrega o nome de uma mulher que marcou minha vida de forma inesquecível: minha mãe, Elizabeth Lemos”, afirmou.
Cristiane Lemos, filha de Elizabeth, foi uma das homenageadas deste ano – Foto: Reprodução
Cristiane destacou que a mãe sempre se destacou pela força e pela forma como conduzia a vida, mesmo diante das dificuldades.
“Falar dela é falar de força, de coragem e, acima de tudo, de amor. Minha mãe foi daquelas mulheres que não precisavam de palco para serem grandiosas. Ela era grande no dia a dia, nos gestos silenciosos, na forma firme e, ao mesmo tempo, acolhedora com que enfrentava a vida”, disse.
A filha também ressaltou os valores que herdou da mãe e que, segundo ela, seguem presentes em sua própria trajetória.
“Elizabeth foi exemplo. Exemplo de dignidade, de generosidade, solidariedade e de determinação. Uma mulher que ensinava mais pelo que fazia do que pelo que dizia”, declarou.
Cristiane afirmou ainda que receber a homenagem em alusão ao Dia da Mulher torna o momento ainda mais simbólico.
“Receber uma homenagem que leva o nome dela, especialmente em alusão ao Dia da Mulher, é algo que me atravessa profundamente. Porque, para mim, ela sempre foi a tradução do que é ser mulher: forte sem perder a sensibilidade, firme sem perder a ternura”, completou.
Após a cerimônia, o ex-prefeito de Macau e viúvo de Elizabeth, Afonso Lemos, também relembrou a atuação da esposa junto à população e destacou a proximidade que ela mantinha com as famílias do município.
“Elizabeth sempre teve um trabalho muito voltado para as camadas mais vulneráveis da população. Ela visitava as casas, conhecia as pessoas pelo nome e sabia das dificuldades de cada família. Tinha uma ligação muito forte com o povo de Macau”, afirmou.
Segundo ele, o trabalho social desenvolvido por Elizabeth deixou marcas profundas na cidade.
“A cidade inteira sabe quem foi Elizabeth e o que ela fez. Ela ajudou a construir casas, formou famílias e criou laços muito fortes com muita gente. Temos cerca de 800 afilhados. Elizabeth é a extensão da minha vida. Sou muito grato por tudo o que ela fez pelas mães e pelas famílias de Macau, especialmente quando foi primeira-dama”, declarou.
Sobre Elizabeth Lemos Natural de Macau, Elizabeth Lemos construiu uma trajetória marcada pela forte atuação social e pela participação ativa na vida pública de Macau. Casou-se ainda jovem com Afonso Lemos, que ingressou na política também muito cedo. Desde então, passou a acompanhar de perto a caminhada política do esposo, mantendo presença constante nas ações voltadas à população, especialmente na área social.
Ao longo dos anos, assumiu diferentes funções públicas, sempre se destacando pelo empenho em desenvolver políticas voltadas às famílias mais vulneráveis do município. Durante a gestão de Afonso Lemos, teve papel decisivo na reativação de importantes iniciativas sociais que estavam paralisadas na cidade. Entre elas estão a reabertura de creches, a reestruturação de clubes de mães e a reorganização de grupos de convivência para idosos.
Elizabeth também se dedicou à realização de cadastros e programas voltados à construção de moradias para famílias de baixa renda, reforçando seu compromisso com a assistência social e com a melhoria das condições de vida da população.
Reconhecida pela proximidade com a comunidade, ficou marcada como uma liderança sensível às necessidades da cidade.
Elizabeth Lemos faleceu em 2015, aos 70 anos, em Natal, deixando um legado de atuação social e de dedicação à população de Macau.
A dois dias de uma das datas mais importantes do calendário eleitoral determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os pretensos candidatos correm para garantir a filiação partidária, enquanto deputados articulam trocas de legenda aproveitando a janela partidária e ocupantes de cargos públicos aceleram os processos de desincompatibilização.
O prazo fixado pela legislação eleitoral é de seis meses antes do pleito; neste ano, o próximo dia 4 de abril. Para os cargos do Legislativo, o momento é decisivo, e qualquer erro pode custar a derrota. Mais do que identidade política, a escolha partidária passa por cálculos estratégicos, com foco nos coeficientes partidário e eleitoral das regras proporcionais, aliados às conveniências do cenário político.
Nem todas as nominatas estão fechadas. Em alguns partidos, ainda não há os nove nomes necessários para a disputa à Câmara Federal ou os 25 para a Assembleia Legislativa. As filiações seguem até os últimos momentos do prazo, mas parte das chapas já começa a ganhar forma. A seguir, os nomes já confirmados como pré-candidatos.
No campo da federação União Progressista (União Brasil-PP), a nominata federal conta com os deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, além de Kelps Lima, Matheus Faustino e Leila Maia.
Para a disputa estadual, aparecem os deputados Nelter Queiroz, Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes, Galeno Torquato e Taveira Júnior; além de Júlio César, ex-prefeito de Ceará-Mirim; Robson Carvalho, vereador de Natal; Vavá Azevedo, vereador de Parnamirim; Cínthia Pinheiro, esposa do pré-candidato ao Governo Allyson Bezerra; Sirleno Júnior, suplente de vereador e o ex-vereador de Natal, Nivaldo Bacurau.
O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves trocou o PSD pelo União Brasil, mas ainda não está definido se é candidato a deputado estadual ou a senador.
Já a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresenta uma nominata robusta para a Câmara Federal, com a deputada Natália Bonavides; Marleide Cunha, vereadora de Mossoró; Thabatta Pimenta, vereadora de Natal; deputado Fernando Mineiro; deputado estadual Doutor Bernardo; Odon Júnior, ex-prefeito de Currais Novos; Alexandre Lima, secretário de Agricultura Familiar do RN; e a vereadora Brisa Bracchi.
Para deputado estadual, o grupo reúne os deputados estaduais Ubaldo Fernandes, Ivanilson Oliveira, Eudiane Macedo, Isolda Dantas, Francisco do PT e Divaneide Basílio; o vereador de Natal, Daniel Valença; Marina Marinho, secretária estadual de Turismo, que também é cotada para vice de Cadu Xavier; Milklei Leite, ex-vereador; Cezinha, subsecretário de Esportes do RN; Kaline de Doutor Bernardo; Gustavo Soares, ex-prefeito de Assú; Flávio de Beroi e Ronny Holanda, jornalista de Mossoró.
O ex-deputado de Rafael Motta continua com nome cotado para compor o PCdoB, na lista a federal ou como possibilidade ao Senado, mas em contato com o Diário do RN, informou que sua definição se dará nesta quinta-feira (02).
O PL também já estrutura suas chapas. Para deputado federal, a lista inclui os deputados General Girão e Sargento Gonçalves e Carla Dickson, além de Nina Souza, secretária de Assistência Social de Natal; Juninho do Saia Rodada; Daniel Marinho, de Nísia Floresta; Pedro Filho, de Assú; Gabi Trajano, candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante em 2024 e o Major Brilhante, da PM.
Na nominata estadual, aparecem Tomba Farias, Kerginaldo Jácome, Adjuto Dias, Coronel Azevedo, Gustavo Carvalho, Terezinha Maia e Luiz Eduardo, deputados do partido; Camila Araújo e Anne lagartixa, vereadoras da capital; Gabriel César, vereador de Parnamirim; a médica Roberta Lacerda; Jorge do Rosário, presidente do PL em Mossoró; Getúlio Rêgo, ex-deputado estadual e o Pastor Paulo, da Universal.
No MDB, a chapa estadual em formação reúne Walter Alves, deputado federal e presidente estadual do partido, Ivan Júnior, ex-prefeito de Assú, Bibiano Azevedo, ex-prefeito de Serra do Mel, Antônio Jácome, ex-deputado federal, Clóvis Júnior, vereador de São Gonçalo do Amarante, Holderlin Silva, vice-prefeito de João Câmara, Emerson Melo, professor, Luís Carlos Noronha, ex-vereador de Natal, Irmã Ivanilda, liderança religiosa, Andret, empresário, Luciano Barbosa, dirigente associativo, Marlene, liderança comunitária, Carlos Santos, ex-vereador e apresentador, e Ana Luiza, liderança estudantil.
O PSDB, que continua com Ezequiel Ferreira, fechou nesta quarta-feira (01) as novas filiações para a nominata estadual com nomes de diferentes regiões e perfis. Estão colocados como pré-candidatos o deputado Taveira Júnior, Ériko Jácome, presidente da Câmara Municipal de Natal, Léo Souza, vereador e comunicador, Juliana Celli, jornalista, Any Alcântara, empresária do setor de estética, Jonata Nascimento, ativista de causas ligadas ao autismo, deputada Cristiane Dantas, Tuca Lisboa, médica de Goianinha, Rossane Patriota, ex-prefeita de Ielmo Marinho, Dra. Júlia Almeida, médica do Seridó, Dr. Pio X Fernandes, liderança do Alto Oeste, Rodrigo Aladim, advogado e ex-vice-prefeito de Macau, Marcílio Dantas, ex-vice-prefeito de Ceará-Mirim, Expedito Ferreira, desembargador aposentado, e Leide Fit.
A nominata a federal continua em sigilo. O partido só confirmou o nome de Milena Galvão, vice-prefeita de Currais Novos, irmã de Ezequiel. Entretanto, as especulações apontam, ainda, os nomes da jornalista Micarla de Souza e da ex-reitora da Ufersa, de Mossoró, Ludimilla Oliveira.
Ludimilla deixou o PL para buscar mais viabilidade no PSDB.
Os cargos a serem disputados podem mudar, mas pelo prazo, as filiações já definem a maioria das listas de candidatos ao legislativo.
A declaração do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, apontando o Brasil como “solução” para atender à demanda americana por minerais estratégicos, segue reverberando no meio político. Procurado pelo Diário do RN, o ex-senador José Agripino Maia (UB) adotou tom cauteloso ao comentar o episódio e evitou ampliar a crise, mas sinalizou a necessidade de responsabilidade ao tratar de temas sensíveis como soberania nacional.
Sem endossar diretamente o conteúdo da fala, Agripino destacou que declarações envolvendo riquezas estratégicas do país exigem equilíbrio e atenção ao interesse nacional, especialmente quando feitas em ambiente internacional.
“Essa é uma peça tão importante em matéria de potencial do Brasil que não pode você chegar oferecendo coisas. Isso tem que ser instrumento de negociação em torno do interesse nacional.
Não dá para você chegar e oferecer uma coisa que é do interesse claríssimo de uma potência estrangeira como os Estados Unidos. Você pode esperar que eles venham de lá para cá e usar esse trunfo como instrumento de negociação”, afirmou à reportagem.
A fala de Flávio ocorreu durante a Conservative Political Action Conference (CPAC), onde o senador defendeu que o Brasil poderia ajudar os Estados Unidos a reduzir a dependência da China em minerais raros, insumos essenciais para tecnologia e defesa, que existe em abundância no Brasil.
Nos bastidores, principalmente pela oposição, a avaliação é de que falas como a de Flávio, consideradas por setores como excessivamente alinhadas a interesses estrangeiros, podem impactar o debate eleitoral, sobretudo em um cenário onde soberania e recursos naturais ganham peso estratégico.
A avaliação do ex-senador e liderança política, aponta que o Brasil tem uma riqueza, que deve ser usado estrategicamente.
“Não é que ameace a soberania nacional. O trunfo da economia do Brasil tem que ser utilizado em benefício dos interesses do Brasil. E não colocar como um fato a mais numa pauta de atendimento ou de relação bilateral entre dois países. Não. As terras raras são um trunfo da economia brasileira. Se os Estados Unidos têm interesse nas terras raras, que aquilo seja instrumento de negociação em todo o interesse do Brasil”, finalizou Agripino.
A repercussão das declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB) em Parelhas ganhou parte do debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (31) e escancarou um confronto político que vai além da caserna. O deputado Francisco do PT, não apenas criticou o conteúdo da declaração, mas também o que chamou de seletividade na reação política.
“Se essa fala do senador Styvenson tivesse sido feita por alguém do PT ou da esquerda, o mundo estaria desabando hoje nas nossas cabeças. Mas, dita por um senador da extrema direita, bolsonarista e oriundo dos quadros da Polícia Militar, ainda tem gente que quer passar pano”, afirmou em plenário.
Para o petista, o episódio revela uma estratégia deliberada de comunicação e lamenta a intenção do senador com tamanho desrespeito.
“É lamentável que, para conquistar votos e likes nas redes sociais, alguém se proponha a fazer uma fala tão agressiva e tão desrespeitosa contra a sua própria instituição de origem”, disse, reforçando o argumento de que o senador ultrapassou limites ao generalizar críticas a capitães e coronéis da PM.
Francisco ainda reagiu diretamente à posição do deputado bolsonarista Coronel Azevedo (PL), que, apesar de ser coronel da reserva da Polícia Militar, adotou uma linha de defesa do senador. A resposta foi feita ao final da fala do deputado coronel.
“Vivi para ver um coronel desrespeitado aplaudir quem o desrespeitou”, ironizou.
Na outra ponta, Coronel Azevedo buscou amortecer o impacto da declaração do senador Styvenson. Classificou a declaração como “fora de contexto” e reconheceu que pode ter sido “infeliz”, mas fez questão de sustentar a atuação de Styvenson no Senado. “Ele tem feito um excelente trabalho em todo o Rio Grande do Norte, com ações na saúde, na segurança pública, na recuperação de unidades policiais”, afirmou Azevedo.
Como costume, o parlamentar também acusou setores ligados ao PT de amplificarem o episódio por conveniência política. Ele relativizou o que chamou de “erro” de Styvenson.
“Houve uma certa euforia de lideranças vinculadas ao PT para explorar essa frase. Quem nunca errou que atire a primeira pedra”, disse.
Ao tentar explicar a fala do senador, Azevedo recorreu ao argumento de estilo pessoal. Segundo ele, Styvenson costuma se expressar de forma descontraída e comparativa, o que pode ter gerado distorções.
“Não é a essência, não é o âmago do que ele quis transmitir”, pontuou o deputado do PL.
O deputado ainda fez uma analogia para justificar o papel dos oficiais superiores, comparando coronéis a gestores em diferentes áreas, do diretor de escola ao presidente de instituições, numa tentativa de contextualizar a hierarquia e afastar a interpretação de inatividade atribuída pelo senador.
“O coronel está ligado à gestão do quartel, da diretoria, do hospital, da polícia. Como tem o diretor de escola pública, que é o coronel, tem o diretor da empresa aqui, tem o Presidente da Assembleia, que seria o coronel Ezequiel. E assim por diante, cada setor tem o seu gestor. Tanto o capitão Styvenson como os demais prestaram concurso à polícia militar que é natural percorrer os postos e as graduações”, concluiu, sem explicar se ele acredita que o posto mais alto não faz nada, como afirmou Styvenson.
Comandante-geral da PM fala em “indignação” com ataque a coronéis
As declarações do senador Styvenson Valentim ganharam manifestação oficial do comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Em nota pública, o comandante-geral da corporação, Alarico José Pessoa Azevedo Junior, expressou “profundo lamento e discordância” e elevou o tom ao classificar as falas do parlamentar como motivo de “estranheza e indignação”.
Sem citar diretamente o contexto político, o comandante fez questão de destacar o peso simbólico da origem de Styvenson dentro da própria corporação. “Causa estranheza que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria instituição”, afirmou.
O alvo da reação foi a declaração do senador de que “coronéis não fazem nada” e a insinuação de que a carreira na PM garantiria “dinheiro fácil”. Para Alarico, a fala ignora não apenas o risco inerente à profissão, mas também a complexidade técnica que envolve a segurança pública. “Há uma realidade de dedicação extrema que não pode ser reduzida a esse tipo de afirmação”, destacou.
Na nota, o comandante faz uma defesa enfática da estrutura da Polícia Militar, ressaltando o papel estratégico do oficialato superior. Segundo ele, coronéis não ocupam funções de inércia, mas exercem atribuições decisivas nas áreas logística, jurídica e operacional, responsáveis por garantir o funcionamento de toda a engrenagem da segurança pública.
Alarico também utilizou o documento para reforçar a relevância institucional da PM potiguar, que, segundo ele, há 192 anos atua como “pilar fundamental do Estado”. O texto destaca que a redução nos índices de criminalidade no Rio Grande do Norte está diretamente ligada ao planejamento estratégico dos oficiais e à atuação operacional da tropa.
Além do policiamento ostensivo, o comandante lembrou que a corporação atua em áreas que vão além das ruas, como a gestão de hospitais e centros clínicos, atendendo não apenas militares, mas também a população em geral. Também citou a participação de policiais potiguares em missões da Força Nacional e operações de paz da ONU, apontando reconhecimento técnico e profissional da instituição.
A nota encerra com um recado direto: a Polícia Militar “permanece inabalável” e exige respeito à sua história e aos seus integrantes. A manifestação do comando amplia a pressão sobre Styvenson Valentim, que, após a repercussão negativa entre oficiais e no meio político, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.
A declaração do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em um evento nos Estados Unidos, tratando o Brasil como “solução” para atender interesses estratégicos norte-americanos, provocou reações negativas no meio político, mas encontrou silêncio por parte de um dos seus principais aliados no país: o senador Rogério Marinho.
Responsável por coordenar a pré-campanha presidencial do filho de Bolsonaro, Rogério foi procurado pela reportagem para comentar o conteúdo da fala, mas não respondeu até o fechamento desta edição. Nos bastidores, a ausência de posicionamento é interpretada como uma tentativa de evitar desgaste diante da repercussão negativa.
O silêncio de Rogério Marinho chama atenção. Aliado direto e responsável pela articulação política da pré-campanha, o senador potiguar evita comentar uma fala que repercute negativamente inclusive entre setores que tradicionalmente defendem agendas nacionalistas.
Durante participação na Conservative Political Action Conference (CPAC), no último sábado (28), Flávio afirmou que o Brasil poderia ser peça-chave para os Estados Unidos reduzirem a dependência da China na importação de minerais críticos, especialmente as chamadas terras raras, insumos estratégicos para tecnologia e defesa.
“Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana torna-se impossível”, declarou o senador, ao defender que o Brasil poderia suprir essa demanda. A fala foi interpretada por críticos como alinhamento automático a interesses estrangeiros e até como uma postura considerada “entreguista” em relação a recursos estratégicos nacionais.
Além disso, Flávio Bolsonaro fez críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de ser “abertamente antiamericano” e de atuar contra interesses dos Estados Unidos em temas de política externa. Também afirmou que o governo brasileiro teria feito lobby para evitar a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, declaração que não foi acompanhada de provas no evento.
O discurso, voltado a uma plateia conservadora internacional, reforça o reposicionamento de Flávio como nome da direita para a disputa presidencial, mas também amplia o risco de desgaste interno ao tratar temas sensíveis como soberania nacional e exploração de recursos naturais.
O MDB no Rio Grande do Norte entrou em modo de reconstrução política após o fechamento com Allyson Bezerra (UB) e já desenha uma nominata robusta para a disputa de deputado estadual em 2026. A articulação é conduzida diretamente pelo presidente estadual da sigla, Walter Alves, que promoveu ajustes estratégicos para dar competitividade ao partido fora da base de Fátima Bezerra (PT).
A lista inicial já conta com pelo menos 16 nomes considerados “certos”, reunindo ex-prefeitos, lideranças regionais, representantes de segmentos sociais e nomes com histórico eleitoral. Entre os confirmados estão o próprio Walter Alves, o ex-prefeito de Assú Ivan Júnior, o ex-prefeito de Serra do Mel Bibiano Azevedo, o ex-deputado federal Antônio Jácome e o vereador mais votado de São Gonçalo do Amarante, Clóvis Júnior.
Também integram a nominata o vice-prefeito de João Câmara, Holderlin Silva; o professor Emerson Melo, ligado à pauta do transporte público e dos motoristas por aplicativo; o ex-vereador de Natal Luís Carlos Noronha; a liderança religiosa Irmã Ivanilda; além do empresário Andret e do dirigente associativo Luciano Barbosa.
Completam a relação nomes como Marlene de Natal, o ex-vereador e apresentador Carlos Santos e Ana Luiza, oriunda do movimento estudantil e defensora de pautas inclusivas.
A meta do MDB é fechar a nominata com cerca de 25 candidatos, número considerado ideal para maximizar o desempenho eleitoral dentro das regras proporcionais. Novos nomes ainda estão em negociação e devem ser definidos em reunião interna nos próximos dias.
O advogado Araken Farias, que atua diretamente na montagem do grupo, afirma que o partido já entra na disputa com um piso competitivo. “Estamos apostando que duas [cadeiras] estão garantidas, podendo chegar na terceira cadeira”, disse ao Diário do RN.
Araken também revelou seu papel nos bastidores da montagem. “Eu ainda não me defini se serei candidato. Estou ajudando Walter na construção da nominata, já levei seis dos nomes relacionados”, afirmou, sinalizando que sua eventual candidatura ainda depende do desenho final da chapa.
Segundo ele, a estratégia do MDB passa por diversificar perfis e regiões, apostando em nomes com densidade eleitoral própria e capacidade de transferência de votos.
A tentativa de posar como outsider da farda cobrou a conta. As declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB), que ironizou capitães e coronéis da Polícia Militar durante evento político em Parelhas, neste fim de semana, abriram uma reação em cadeia dentro da corporação e trouxeram à tona episódios polêmicos, que até então eram internos, de sua própria trajetória como oficial, desde garotas de programa em eventos oficiais, até calote em festa de formatura pelo hoje senador, que cultiva imagem se conservador.
O estopim foi a fala do parlamentar no interior do Estado: “Podia estar coronel hoje, sem fazer nada. Você sabe que coronel não faz nada, né? Capitão já não fazia”. A declaração foi recebida como desrespeitosa.
Em entrevista ao Diário do RN, o presidente da Associação dos Oficiais Militares do Estado, coronel Moreira, rebateu o senador, que chegou ao posto de capitão antes de ingressar na política.
“Nunca foi unanimidade”, afirmou, ao desmontar a imagem de prestígio que Styvenson costuma projetar sobre sua passagem pela PM.
A resposta veio carregada de memória. Segundo Moreira, ainda no curso de formação, Styvenson já protagonizava situações inadequadas. Uma delas envolve a comissão de formatura, responsável por custear o tradicional baile da espada e toda a estrutura do evento. “Ele não pagou. Quem bancou foram os próprios colegas que hoje ele diz que não fazem nada”, disse.
O presidente da associação também relatou episódios que classifica como constrangedores, como a presença de garotas de programa levadas pelo então cadete para a festa dos 100 dias da turma, diante de familiares. Além disso, citou envolvimento em brigas durante eventos sociais, incluindo um caso em Caicó, quando ainda era aspirante.
“Levou para a festa dos 100 dias duas garotas de programa provocando grande constrangimento aos familiares dos demais colegas de turma.
A comissão de formatura é a responsável pelo baile da espada e toda logística da formatura militar tais como fogos, arquibancadas, palanque, etc, esse custo os aspirantes pagam ao longo dos 3 anos do curso de formação de oficiais, ele simplesmente não pagou, os companheiros que hoje são os “coronéis que não fazem nada” pagaram por ele. Após formado se envolveu em várias brigas de festa, uma marcante quando era aspirante a oficial na cidade de Caicó”, afirmou o coronel Moreira.
As críticas avançam para além do passado. Para a entidade, a atuação atual do senador também acende alerta. De acordo com Moreira, a defesa da criação de polícias municipais com atribuições semelhantes às da PM pode enfraquecer o sistema de proteção social dos militares estaduais.
“Está focando na criação da polícia municipal que em tese terá as mesmas atribuições da PM, isso fragiliza o nossos sistema de proteção social, teríamos outras instituições com atribuições concorrentes sem os mesmos direitos que nós, em análise superficial fará a sociedade através de seus representantes terem a percepção que nossos direitos são caros e desnecessários”, pontuou.
Ex-presidente da associação, o tenente-coronel Robson reforçou o histórico de atritos. Segundo ele, ainda como tenente, Styvenson chegou a declarar que apenas ele trabalhava, desqualificando os colegas, episódio que terminou com ameaça de representação na corregedoria e uma retratação formal. “Sempre teve problemas com superiores, pares e subordinados”, afirmou.
“Quando ele era tenente da Lei Seca, ele disse que só ele trabalhava e os tenentes não. A gente o ameaçou de botar na Justiça, representar na corregedoria, ele fez uma carta se retratando”, afirmou o ex-presidente.
Styvenson permaneceu cerca de 15 anos na Polícia Militar, período insuficiente para a aposentadoria à época, que exigia 30 anos de serviço. Outro fato que contradiz o discurso dele em Parelhas, quando afirmou que “podia estar lá, ganhando dinheiro fácil, já beirando me aposentar”.
A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte reconheceu indícios de propaganda eleitoral antecipada e determinou, em decisão liminar, a retirada imediata de três outdoors da deputada federal Natália Bonavides (PT) instalados na Zona Norte de Natal. A medida atende a uma representação que passou a ser conduzida pelo Partido Liberal (PL), após correção de falha processual inicial.
A decisão é da juíza relatora Suely Maria Fernandes da Silveira, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), e fixa prazo de dois dias para remoção das peças, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A parlamentar também foi citada para apresentar defesa no mesmo prazo.
O processo teve início a partir de ação proposta pelo deputado federal General Girão (PL), mas a magistrada reconheceu que ele não possui legitimidade para esse tipo de representação. A irregularidade foi sanada com a entrada formal do PL no polo ativo, o que, segundo a decisão, “atende ao interesse de preservação da lisura e da igualdade do processo eleitoral”.
Para a magistrada, a permanência dos outdoors poderia comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral, já que o objetivo de promoção pessoal teria potencial de ser alcançado antes de eventual decisão final.
As peças publicitárias destacavam valores destinados a obras e ações, como “R$ 77 milhões para o povo natalense” e recursos para quiosques da Redinha, sempre acompanhados da frase “É trabalho da deputada federal Natália Bonavides”, além de imagem, cargo e identificação partidária da parlamentar. Todo o material estava exposto em pontos de grande circulação da Avenida João Medeiros Filho.
Embora a legislação permita a divulgação de atividades parlamentares, a juíza ressaltou que isso não pode ocorrer por meio proibido. A decisão cita expressamente a vedação ao uso de outdoors para propaganda eleitoral, prevista na Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral, e reforça que, nesses casos, não é necessário pedido explícito de voto para caracterizar irregularidade.
A relatora também levou em consideração o fato público de que Natália Bonavides é pré-candidata à reeleição em 2026. Para a magistrada, esse contexto reforça o caráter eleitoral da mensagem e evidencia possível afronta ao princípio da igualdade entre os candidatos.
Com a decisão, o processo segue para instrução, com posterior manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes do julgamento definitivo. Em caso de confirmação da irregularidade, a legislação prevê multa que pode variar de R$ 5 mil a R$ 15 mil, além da manutenção da retirada da propaganda.