
Cadu de Lula (PT) transformou uma candidatura que começou desacreditada em uma das principais forças da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. O petista terminou o primeiro turno com 36,16% dos votos, em segundo lugar, e vai disputar o segundo turno contra Allyson Bezerra (União Brasil), que ficou com 36,94%. Álvaro Dias (PL), que durante boa parte da campanha apareceu como um dos nomes mais fortes, terminou em terceiro, com 26,71%.
A virada de Cadu foi construída ao longo de meses e começou muito distante do cenário que terminou por colocá-lo na disputa direta pelo Governo. Em outubro de 2025, quando ainda era pouco conhecido do eleitorado e sua candidatura sequer ocupava o centro das articulações políticas, Cadu aparecia com pouco mais de 4% das intenções de voto.
O nome surgiu para ocupar um espaço que, até então, não estava destinado a ele. A campanha começou enfrentando desconfiança dentro e fora do grupo político, mas o candidato passou a ampliar a presença nas ruas, intensificou o corpo a corpo e transformou a associação com o presidente Lula e a governadora Fátima Bezerra em uma das principais marcas de sua candidatura.
O crescimento foi acompanhado pelas pesquisas DataVero/Diário do RN. Em agosto, Cadu já aparecia acima dos 20%, depois de partir de um patamar de 4,11%. Na rodada de 28 de agosto, chegou a 23,21%. Em setembro, alcançou 28,28% e ultrapassou Álvaro Dias, assumindo pela primeira vez a segunda colocação no levantamento.
Na última rodada da DataVero/Diário do RN antes da votação, divulgada na sexta-feira, o cenário já apontava para uma disputa apertada entre Cadu e Allyson. Considerando os principais apoios políticos, o petista apareceu com 32,46%, contra 35,82% de Allyson. A diferença de 3,36 pontos estava dentro da margem de erro de 2,53 pontos, configurando empate técnico.
A virada nas urnas
A transformação das pesquisas em resultado eleitoral consolidou Cadu como um dos protagonistas da noite deste domingo. Logo nas primeiras parciais, o petista apareceu entre os dois primeiros colocados. Com pouco mais de 3% das urnas totalizadas, chegou a assumir a liderança da apuração e permaneceu na frente durante boa parte da contagem.
Allyson conseguiu abrir uma pequena vantagem ao longo da apuração, mas a distância permaneceu estreita. Próximo dos 90% das urnas apuradas, os dois candidatos continuavam praticamente empatados, confirmando nas urnas o cenário de proximidade que já havia aparecido na última pesquisa DataVero.
O resultado também alterou a expectativa existente dentro do grupo de Allyson. Havia, nos bastidores da campanha, a perspectiva de uma vitória ainda no primeiro turno, sustentada pela liderança mantida durante boa parte da corrida e pela estrutura política reunida em torno do candidato. As urnas, porém, mostraram outra realidade: a eleição ficou aberta e o candidato do União Brasil terá de enfrentar Cadu em uma nova disputa.
Para chegar ao segundo turno, Cadu contou com a participação direta de Fátima e com sucessivas manifestações de apoio de Lula. O presidente veio ao Rio Grande do Norte e gravou diversos materiais pedindo votos para o candidato e reforçando a associação que marcou a campanha.
A trajetória também foi marcada pela expansão territorial. Cadu intensificou agendas pelo interior, ampliou o corpo a corpo na Região Metropolitana e passou a ocupar cada vez mais espaço nos debates e na propaganda eleitoral.
O que começou como uma candidatura destinada a preencher um espaço dentro do grupo governista terminou como uma das duas forças que decidirão a sucessão de Fátima Bezerra. De pouco mais de 4% nas primeiras sondagens ao empate no primeiro turno, Cadu chega à segunda etapa como o principal exemplo de virada da eleição potiguar.
