
As críticas da Sesap (Secretaria de Estado da Saúde Pública) ao equipamento de saúde inaugurado pelo ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), ganharam um novo capítulo nesta segunda-feira (09). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, voltou a questionar a estrutura e o funcionamento da unidade municipal, classificando-a como uma policlínica e não como um hospital, além de associar a estratégia de divulgação do equipamento ao que chamou de “jogo das aparências”.
Na gravação, Motta também direciona críticas pessoais ao pré-candidato ao Governo do Estado, fazendo referência aos frequentes saltos realizados por Allyson em eventos públicos e vídeos publicados nas redes sociais.
“Vocês já pararam para pensar por que o candidato Allyson pula tanto em todos os seus eventos? Afinal, ele não é candidato a saltimbanco, mas a governador do Estado”, afirmou o secretário.
Saltimbanco é o nome dado a artistas populares que costumam se apresentar em ruas, praças e feiras realizando acrobacias e performances. Para Motta, a imagem construída pelo ex-prefeito estaria relacionada a uma estratégia de valorização da aparência em detrimento do conteúdo administrativo.
“A razão está no jogo das aparências. E é mesmo porque ele insiste em chamar a policlínica que inaugurou em Mossoró de hospital”, declarou.
O secretário voltou a sustentar que a unidade municipal não reúne características compatíveis com um hospital de maior porte. Segundo ele, o equipamento realiza exames e cirurgias eletivas de baixo risco, sem estrutura para atender casos mais complexos.
“A policlínica realiza exames eletivos e também cirurgias eletivas de baixo risco em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação”, afirmou.
Na sequência, Motta reforçou que pacientes com quadros mais delicados são encaminhados para outras unidades da rede de saúde.
“Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim [Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró]. E os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos”, disse.
As declarações reforçam críticas feitas anteriormente pelo próprio secretário em entrevista ao Diário do RN. Na ocasião, ele já havia afirmado que a unidade não possui leitos de UTI, não atende urgência e emergência de forma permanente e não funciona durante a noite nem aos finais de semana.
“Lá também não dispõe de atendimento noturno, nem de fim de semana, nem de UTI”, reiterou.
Para o titular da Sesap, embora os serviços ofertados pela unidade tenham importância para a população, eles não seriam suficientes para enfrentar os principais gargalos da saúde pública na região Oeste.
“As ações da policlínica são importantes, mas não são determinantes para mudar o rumo da saúde em Mossoró nem na região hoje”, avaliou.
Segundo ele, o principal problema continua sendo a falta de leitos de retaguarda, fator que contribui para a sobrecarga do Hospital Regional Tarcísio Maia e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município.
“Tarcísio Maia vive sobrecarregado, apesar de contar com 219 leitos de internamento. E as UPAs de Mossoró também. A razão é a mesma: faltam leitos de retaguarda na região”, afirmou.
Motta defendeu que a implantação de uma estrutura hospitalar com maior capacidade assistencial teria impacto mais significativo na rede pública de saúde.
“A presença de um hospital de fato aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada”, declarou.
Ao concluir a crítica, o secretário voltou a associar a discussão à postura política de Allyson Bezerra.
“Faltou pé no chão para o prefeito candidato quando escolheu pular o óbvio em razão das aparências, mais uma vez”, concluiu.