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PAQUITAS DESPERTAM MEMÓRIAS DE QUEM SONHOU VIVER A MAGIA DA XUXA

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astam os primeiros versos para transportar milhares de pessoas diretamente para as manhãs em frente à televisão, quando a nave da Xuxa descia no palco, as Paquitas surgiam sorrindo e um universo de fantasia tomava conta da sala de casa.

Quem cresceu entre as décadas de 1980, 1990 e o início dos anos 2000 dificilmente ficou imune ao fenômeno. As músicas, as coreografias, os figurinos coloridos e os bordões marcaram uma geração inteira. Para muitos, não era apenas um programa infantil. Era um sonho.

Nesta quinta-feira (20), esse sentimento volta à tona com a chegada do espetáculo “Xou das Paquitas” a Natal. O show acontece às 21h, no Malca Club, reunindo as eternas ex-Paquitas Roberta Cipriani (Xiquitita), Priscilla Couto (Catuxita), Ana Paula Almeida (Pituxita) e Cátia Paganote (Miúxa).

E se há algo que o espetáculo promete despertar é a nostalgia de quem viveu aquela época.

“Ser Paquita era o sonho de quase toda menina”
Para a administradora Cristina Santos, de 43 anos, bastou o anúncio do show para que a menina de 12 anos reaparecesse.

Naquela época, mesmo morando no interior do Rio Grande do Norte e sem nunca ter participado de um concurso para integrar o grupo, ela alimentava um sonho que parecia comum a quase todas as meninas da sua geração.

“Na época em que o Xou da Xuxa estava no auge, eu acredito que ser Paquita era o sonho de pelo menos 90% das meninas. Eu estava incluída nessa parcela e era meu sonho”, recordou.

Cristina lembra com riqueza de detalhes o momento em que a segunda geração das Paquitas foi formada. A escolha de Caren Lima, a Chaveirinho, provocou um sentimento que só uma adolescente apaixonada por aquele universo poderia explicar.

“Ela tinha exatamente a minha idade, 12 anos, e aí eu fiquei me perguntando: ‘Por que ela e não eu?’. E eu nem concorri. Eu estava no interior do Rio Grande do Norte, muito distante do Rio de Janeiro, mas mesmo assim tinha esse sonho. Então eu chorei, fiquei triste porque eu não fui Paquita”, comentou.

O tempo passou, vieram a faculdade, o trabalho e as responsabilidades da vida adulta. Mas aquela lembrança continua guardada.

“Depois foi passando o tempo. Foi acabando mais esse encanto da coisa de adolescente. Mas é interessante porque hoje, enquanto os adolescentes estão pensando em outras coisas, na época a gente só queria ser Paquita”, disse.

Agora, a oportunidade de assistir às ex-Paquitas de perto representa uma forma de reviver aquele sonho.

“É um sentimento de nostalgia mesmo. Participar do show vai ser algo grandioso. Vai remeter àquela época e satisfazer um pouco daquele desejo que eu tinha de ser Paquita, porque é estar com elas ali, é estar perto delas”, afirmou.

Quando a nave descia, a magia começava

“Eu achava tudo muito mágico e ainda fazia minhas próprias maquetes do parque usando objetos recicláveis” – Foto: Reprodução

Se para muitas meninas o sonho era vestir o uniforme de Paquita, para o diretor de arte e ilustrador Khelven Klay, de 35 anos, o encanto começava antes mesmo da Xuxa aparecer: era a chegada da Nave.

“Era toda uma expectativa criada. A gente esperava o momento certo do programa começar.

Quando descia aquela nave com aquela música, aquela encenação, aqueles efeitos especiais, era mágico. Você se deslumbrava com aquilo que passava na televisão”, lembrou.

Uma música, em especial, continua mexendo com ele décadas depois.

“Ainda hoje, aquela música apoteótica no final, ‘Planeta Xuxa’, causa emoção. Ela sempre mexia comigo. Não sei por quê, mas tocava lá dentro. Eu me emocionava. Me emociono até hoje”, contou.

Khelven cresceu em uma época em que brincar na rua era rotina e a televisão tinha hora certa para reunir toda a família.

Foi nesse ambiente que nasceu uma criatividade que ele leva até hoje para a profissão.

“Eu tive uma infância maravilhosa. Minha mãe, professora, sempre me criou cercado de criatividade, arte, desenhos animados… um mundo sem telas. E aí entra a Xuxa e as Paquitas. Era de lei esperar pelos sábados para ver aquele universo de fantasia. Eu achava tudo muito mágico e ainda fazia minhas próprias maquetes do parque usando objetos recicláveis”, recordou.

“A gente resgata esse sentimento e vive um pouco daquela época. A criança interna nunca morre!”

Khelven Klay
35 anos

A imaginação ia além da televisão
As coreografias eram reproduzidas na escola, nas festas infantis e até nas brincadeiras da rua.

“Quem nunca dançou as coreografias?”, questionou com empolgação.

Entre tantas músicas, algumas permanecem favoritas.

“Minhas favoritas são ‘Lua de Cristal’, ‘Doce Mel’, ‘Fada Madrinha’ e ‘Planeta Xuxa’”, contou.

Recentemente, Khelven comprou uma réplica da famosa Nave da Xuxa e aguarda ansiosamente a entrega.

“Eu comprei uma nave, mas a abençoada ainda não chegou”, brincou.

A compra, na verdade, representa um reencontro com o menino que um dia construiu sua própria versão do brinquedo.

“Quando eu era criança eu fiz uma dessas de material reciclável, isopor, essas coisas. Como eu era uma criança muito criativa, eu gostava de fazer meus próprios brinquedos. Eu via aquilo na televisão e reproduzia fazendo uma maquetezinha”, lembrou.

Para ele, assistir ao espetáculo em Natal será muito mais do que acompanhar um show.

“A gente resgata esse sentimento e vive um pouco daquela época. A criança interna nunca morre!”, afirmou.

Mais do que reunir ex-integrantes de um dos grupos mais famosos da televisão brasileira, o “Xou das Paquitas” promete proporcionar uma viagem afetiva para milhares de fãs.

Para alguns, será a realização de um sonho antigo. Para outros, a oportunidade de reencontrar a infância por algumas horas.


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