
A decisão de trocar um carro a combustão por um modelo elétrico deixou de ser motivada apenas pela preocupação ambiental. Para muitos consumidores, a escolha tem sido guiada principalmente pela economia e pelo avanço tecnológico dos veículos. É o caso do advogado Rodolfo Braz, que há nove meses utiliza um carro elétrico e afirma que a mudança trouxe benefícios financeiros e de praticidade no dia a dia.
A escolha por um veículo elétrico é resultado de vários fatores: economia com combustível, menor custo de manutenção, vantagens tributárias e, principalmente, o preço cada vez mais competitivo das montadoras”, afirma.
Na avaliação dele, a entrada de novas fabricantes, especialmente as chinesas, também contribuiu para ampliar a concorrência e tornar os veículos eletrificados mais acessíveis ao consumidor.
“Também é difícil ignorar a diferença entre as montadoras tradicionais e as novas fabricantes, em sua maioria chinesas. Hoje, é comum encontrar veículos que, nas marcas tradicionais, custam mais de R$ 150 mil, enquanto as montadoras chinesas oferecem modelos com ainda mais tecnologia, conforto e itens de série por cerca de R$ 120 mil. A tecnologia já supre as necessidades”, comenta.
A percepção do advogado acompanha um movimento registrado em todo o país. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que o Brasil emplacou 215.023 veículos leves eletrificados — entre modelos 100% elétricos e híbridos — no primeiro semestre de 2026. O volume representa um crescimento de 125% em relação ao mesmo período do ano passado e configura o melhor desempenho da série histórica para os seis primeiros meses do ano.
Além da redução dos preços, o aumento da oferta de modelos e a ampliação da infraestrutura de recarga têm contribuído para a expansão desse mercado, que já começa a alterar a rotina de condomínios residenciais.
Instalação de carregadores em condomínios exige planejamento
Embora a procura por veículos elétricos cresça, a instalação de carregadores em condomínios ainda exige planejamento e adequações técnicas. Segundo a administradora de condomínios Andressa Costa, a prioridade é garantir que qualquer intervenção ocorra de forma segura e dentro das normas vigentes.
“A principal preocupação da gestão é garantir que qualquer instalação seja realizada com total segurança e em conformidade com as normas técnicas. Não podemos autorizar a instalação de carregadores para veículos elétricos sem a certeza de que a infraestrutura elétrica do condomínio suporta essa demanda”, explica.
Ela destaca que a primeira etapa é a realização de um estudo de carga para verificar a capacidade da rede elétrica do empreendimento. Nos condomínios onde a análise aponta viabilidade, a proposta é levada para deliberação em assembleia, que define o modelo de implantação, o número de carregadores que poderão ser instalados e a forma de utilização do sistema.
Somente após a aprovação são exigidos documentos como projeto elétrico, ART ou RRT do responsável técnico, além da execução do serviço por empresa especializada.
Para Andressa, a adaptação dos condomínios deve ocorrer de forma gradual e responsável, sobretudo nos empreendimentos mais antigos.
“Muitos condomínios, principalmente os mais antigos, não foram projetados para suportar a demanda de carregamento de veículos elétricos. Por isso, todo o processo deve ser conduzido com planejamento, responsabilidade e respaldo técnico, sempre priorizando a segurança dos moradores e a preservação da infraestrutura do condomínio”, ressalta.
Nos empreendimentos onde os carregadores já foram instalados, ela explica que os moradores seguem as orientações fornecidas pelos fabricantes dos equipamentos, uma vez que todas as exigências técnicas e de segurança são verificadas ainda durante o processo de aprovação pelo condomínio.
O crescimento da frota eletrificada indica que a tendência deve se consolidar nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o avanço desse mercado impõe novos desafios para a infraestrutura urbana e residencial, exigindo adaptações que acompanhem a mudança no perfil da mobilidade brasileira.