A tentativa de posar como outsider da farda cobrou a conta. As declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB), que ironizou capitães e coronéis da Polícia Militar durante evento político em Parelhas, neste fim de semana, abriram uma reação em cadeia dentro da corporação e trouxeram à tona episódios polêmicos, que até então eram internos, de sua própria trajetória como oficial, desde garotas de programa em eventos oficiais, até calote em festa de formatura pelo hoje senador, que cultiva imagem se conservador.
O estopim foi a fala do parlamentar no interior do Estado: “Podia estar coronel hoje, sem fazer nada. Você sabe que coronel não faz nada, né? Capitão já não fazia”. A declaração foi recebida como desrespeitosa.
Em entrevista ao Diário do RN, o presidente da Associação dos Oficiais Militares do Estado, coronel Moreira, rebateu o senador, que chegou ao posto de capitão antes de ingressar na política.
“Nunca foi unanimidade”, afirmou, ao desmontar a imagem de prestígio que Styvenson costuma projetar sobre sua passagem pela PM.
A resposta veio carregada de memória. Segundo Moreira, ainda no curso de formação, Styvenson já protagonizava situações inadequadas. Uma delas envolve a comissão de formatura, responsável por custear o tradicional baile da espada e toda a estrutura do evento. “Ele não pagou. Quem bancou foram os próprios colegas que hoje ele diz que não fazem nada”, disse.
O presidente da associação também relatou episódios que classifica como constrangedores, como a presença de garotas de programa levadas pelo então cadete para a festa dos 100 dias da turma, diante de familiares. Além disso, citou envolvimento em brigas durante eventos sociais, incluindo um caso em Caicó, quando ainda era aspirante.
“Levou para a festa dos 100 dias duas garotas de programa provocando grande constrangimento aos familiares dos demais colegas de turma.
A comissão de formatura é a responsável pelo baile da espada e toda logística da formatura militar tais como fogos, arquibancadas, palanque, etc, esse custo os aspirantes pagam ao longo dos 3 anos do curso de formação de oficiais, ele simplesmente não pagou, os companheiros que hoje são os “coronéis que não fazem nada” pagaram por ele. Após formado se envolveu em várias brigas de festa, uma marcante quando era aspirante a oficial na cidade de Caicó”, afirmou o coronel Moreira.
As críticas avançam para além do passado. Para a entidade, a atuação atual do senador também acende alerta. De acordo com Moreira, a defesa da criação de polícias municipais com atribuições semelhantes às da PM pode enfraquecer o sistema de proteção social dos militares estaduais.
“Está focando na criação da polícia municipal que em tese terá as mesmas atribuições da PM, isso fragiliza o nossos sistema de proteção social, teríamos outras instituições com atribuições concorrentes sem os mesmos direitos que nós, em análise superficial fará a sociedade através de seus representantes terem a percepção que nossos direitos são caros e desnecessários”, pontuou.
Ex-presidente da associação, o tenente-coronel Robson reforçou o histórico de atritos. Segundo ele, ainda como tenente, Styvenson chegou a declarar que apenas ele trabalhava, desqualificando os colegas, episódio que terminou com ameaça de representação na corregedoria e uma retratação formal. “Sempre teve problemas com superiores, pares e subordinados”, afirmou.
“Quando ele era tenente da Lei Seca, ele disse que só ele trabalhava e os tenentes não. A gente o ameaçou de botar na Justiça, representar na corregedoria, ele fez uma carta se retratando”, afirmou o ex-presidente.
Styvenson permaneceu cerca de 15 anos na Polícia Militar, período insuficiente para a aposentadoria à época, que exigia 30 anos de serviço. Outro fato que contradiz o discurso dele em Parelhas, quando afirmou que “podia estar lá, ganhando dinheiro fácil, já beirando me aposentar”.
A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte reconheceu indícios de propaganda eleitoral antecipada e determinou, em decisão liminar, a retirada imediata de três outdoors da deputada federal Natália Bonavides (PT) instalados na Zona Norte de Natal. A medida atende a uma representação que passou a ser conduzida pelo Partido Liberal (PL), após correção de falha processual inicial.
A decisão é da juíza relatora Suely Maria Fernandes da Silveira, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), e fixa prazo de dois dias para remoção das peças, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A parlamentar também foi citada para apresentar defesa no mesmo prazo.
O processo teve início a partir de ação proposta pelo deputado federal General Girão (PL), mas a magistrada reconheceu que ele não possui legitimidade para esse tipo de representação. A irregularidade foi sanada com a entrada formal do PL no polo ativo, o que, segundo a decisão, “atende ao interesse de preservação da lisura e da igualdade do processo eleitoral”.
Para a magistrada, a permanência dos outdoors poderia comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral, já que o objetivo de promoção pessoal teria potencial de ser alcançado antes de eventual decisão final.
As peças publicitárias destacavam valores destinados a obras e ações, como “R$ 77 milhões para o povo natalense” e recursos para quiosques da Redinha, sempre acompanhados da frase “É trabalho da deputada federal Natália Bonavides”, além de imagem, cargo e identificação partidária da parlamentar. Todo o material estava exposto em pontos de grande circulação da Avenida João Medeiros Filho.
Embora a legislação permita a divulgação de atividades parlamentares, a juíza ressaltou que isso não pode ocorrer por meio proibido. A decisão cita expressamente a vedação ao uso de outdoors para propaganda eleitoral, prevista na Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral, e reforça que, nesses casos, não é necessário pedido explícito de voto para caracterizar irregularidade.
A relatora também levou em consideração o fato público de que Natália Bonavides é pré-candidata à reeleição em 2026. Para a magistrada, esse contexto reforça o caráter eleitoral da mensagem e evidencia possível afronta ao princípio da igualdade entre os candidatos.
Com a decisão, o processo segue para instrução, com posterior manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes do julgamento definitivo. Em caso de confirmação da irregularidade, a legislação prevê multa que pode variar de R$ 5 mil a R$ 15 mil, além da manutenção da retirada da propaganda.
Um responde processo no TRE por falsidade ideológica, é citado em inquérito da PF que apura as fraudes no INSS, mesmo motivo que o levou à prisão durante depoimento na CPMI do INSS. Ainda figura como réu em ação eleitoral que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2, fora outros processos também em curso.
Outro, foi alvo da Operação Mederi e segue investigado pela PF em possíveis fraudes e corrupção em compra de medicamentos, é alvo de investigação no MP sobre licitações, é investigado por cobrança de propinas em obras públicas. Ainda responde por abuso de poder nas eleições no TRE, e é alvo de denúncia no TCE por irregularidades em licitação na saúde.
O que une Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró, e o ex-dirigente partidário, Abraão Lincoln? A aproximação entre o gestor e a cúpula nacional do Republicanos foi construída a partir da articulação do ex-presidente da sigla no Rio Grande do Norte, Abraão, que, assim como Allyson, é alvo de investigações e processos em diferentes frentes.
Nos bastidores, Abraão atuou diretamente para colocar Allyson em contato com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. A relação próxima entre os dois facilitou a interlocução que resultou na destituição de Álvaro Dias (Republicanos) e a reorganização do diretório sob comando de pessoas ligadas ao prefeito de Mossoró. Abraão é aliado de Pereira há tempos, o que reforçou sua influência na articulação que resultou na destituição de Álvaro Dias e a passaem de comando para um aliado de Allyson Bezerra.
O comando do partido deve ser assumido pelo vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, aliado direto de Allyson. O movimento fortalece o grupo político mossoroense dentro do Republicanos e consolida a influência do prefeito na estrutura estadual da sigla, apesar de continuar filiado ao União Brasil.
A aproximação entre os dois ocorre paralelamente a um conjunto de investigações e acusações envolvendo os principais atores da aproximação. Allyson Bezerra e Abraão Lincoln são investigados e respondem à diferentes inquéritos que apuram, entre outras irregularidades, corrupção.
Abraão Lincoln é investigado por falsidade ideológica em processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte. A ação aponta que ele teria recebido doações não declaradas na prestação de contas da eleição de 2014.
Ele também é citado em inquérito da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes em descontos previdenciários pela Confederação Brasileira de Pesca e Aquicultura (CBPA), presidida por Abraão, com indícios de falsificação de filiações para obtenção de ganhos ilegais sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Referente ao mesmo crime, no âmbito da CPMI do INSS, Abraão foi convocado a prestar esclarecimentos sobre a atuação de entidade sob seu comando. O requerimento aponta que a organização seria “um dos eixos centrais da arquitetura criminosa” investigada, com impacto superior a R$ 221 milhões.
Além disso, o ex-dirigente figura como réu em ação penal eleitoral derivada da Operação Enredados, que apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e Caixa 2. Segundo a denúncia, há registro de movimentações financeiras em contas de terceiros que teriam como destino final o próprio investigado. A operação visava apurar crimes ambientas, tributários, corrupção ativa e passiva, bem como possíveis crimes relacionados à lavagem de capitais.
A investigação do suposto esquema de venda ilegal de permissões para pesca industrial resultou no indiciamento de dezenas de pessoas.
Do lado de Allyson Bezerra, as investigações também avançam em diferentes esferas. Em janeiro de 2026, o prefeito foi alvo da Operação Mederi, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, que apura um suposto esquema de corrupção em contratos de fornecimento de medicamentos. A suspeita é de recebimento de propina de 15% sobre contratos, com valores que podem ultrapassar R$ 2,2 milhões.
A apuração inclui ainda indícios de direcionamento de licitações, pagamentos irregulares e uso de contas de terceiros para movimentação de recursos.
O Ministério Público Estadual também investiga possíveis irregularidades em pregões realizados pela Prefeitura de Mossoró na gestão Allyson, em 2025, com suspeitas de restrição à competitividade e favorecimento de empresas.
Há ainda denúncias envolvendo suposta cobrança de propina em contratos de obras públicas, reveladas em áudios divulgados pelo Blog do Barreto, editado pelo jornalista Bruno Barreto. O material voltou a circular após decisão do Supremo Tribunal Federal que liberou sua divulgação.
Em voto, o ministro Flávio Dino mencionou a existência de “indícios de graves crimes”.
Na esfera eleitoral, Allyson enfrenta parecer da Procuradoria Regional Eleitoral favorável à cassação de seu mandato por abuso de poder econômico nas eleições de 2020, sob argumento de uso excessivo de recursos públicos para promoção pessoal.
O prefeito também é alvo de denúncia no Tribunal de Contas do Estado por supostas irregularidades em licitação na área da saúde, com indícios de direcionamento. O caso ainda está em fase inicial de apuração.
A aproximação entre Allyson Bezerra e Abraão Lincoln, portanto, não apenas redesenha o cenário político do Republicanos no Rio Grande do Norte, como também ocorre sob o peso de investigações e acusações que envolvem ambos e devem influenciar o debate eleitoral rumo a 2026.
Responsáveis pela maior parte da alfabetização nas séries iniciais da rede pública, os municípios do Rio Grande do Norte concentram também o principal peso no desempenho que colocou o estado na última posição do ranking nacional do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no último 23 de março. De acordo com o levantamento, em 2025, 48% das crianças do 2º ano do ensino fundamental da rede pública potiguar estavam alfabetizadas na idade considerada adequada, percentual abaixo da meta estabelecida para o período, de 51%.
Os dados educacionais mostram que a alfabetização nessa etapa ocorre majoritariamente nas redes municipais de ensino. De acordo com o Censo Escolar de 2025, divulgado pela plataforma QEdu, o Rio Grande do Norte contabilizou, no ano passado, 32.440 estudantes concluindo o 2º ano do ensino fundamental. Desse total, 27.941 estavam matriculados em escolas municipais, o que representa cerca de 86% das matrículas, enquanto 4.499 pertenciam à rede estadual, o equivalente a aproximadamente 13,9%.
Na prática, isso significa que a maior parte das crianças que chegam ao final do ciclo de alfabetização está vinculada às redes administradas pelos municípios, responsáveis pela oferta predominante das séries iniciais da educação básica.
Ainda assim, quando os resultados são divulgados nacionalmente, os indicadores são apresentados por unidade da federação, o que acaba direcionando a avaliação pública para o desempenho geral do estado, embora a execução direta da alfabetização esteja concentrada nas redes municipais. Especialistas e gestores educacionais apontam que, nesse contexto, a responsabilização pelo resultado final recai de forma equivocada principalmente sobre o governo estadual.
Evolução em 2025 Apesar da posição no ranking nacional, os dados também apontam evolução em relação ao ano anterior. Em 2024, o índice de crianças alfabetizadas na idade adequada no Rio Grande do Norte era de 39%. Em 2025, passou para 48%, crescimento de 23,1% em um ano. O avanço, no entanto, não foi suficiente para acompanhar o ritmo de outros estados brasileiros, que também ampliaram seus resultados e acabaram superando o desempenho potiguar.
O levantamento integra as políticas nacionais de monitoramento da alfabetização na idade certa e considera o percentual de crianças capazes de ler e escrever adequadamente ao final do 2º ano do ensino fundamental. Especialistas apontam que o indicador é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da educação básica nos primeiros anos da escolaridade.
Ações para melhorar desempenho Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC) reconheceu a posição no ranking nacional, mas destacou que o crescimento registrado demonstra uma trajetória de avanço no processo de alfabetização das crianças potiguares.
Segundo a pasta, “a rede pública do Rio Grande do Norte, formada pelas redes municipais e estadual, alcançou índice de 48% de crianças alfabetizadas na idade adequada”. A secretaria ressaltou ainda que o estado avançou de 39% em 2024 para 48% em 2025, crescimento de 23,1%, colocando o RN como o oitavo estado com maior taxa de evolução no país no período.
De acordo com o governo estadual, esse resultado é fruto de ações articuladas entre Estado, municípios e Governo Federal. Entre elas está a adesão de 100% dos municípios potiguares ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) e a implementação da Política Territorial de Alfabetização de Crianças do Rio Grande do Norte, conhecida como Pró-Alfa RN.
Desde 2023, a gestão estadual afirma ter fortalecido iniciativas voltadas à alfabetização, como a distribuição de materiais complementares de apoio pedagógico, que já alcançam mais de 190 mil estudantes. Além disso, foram implantados cantinhos de leitura nas escolas, ampliando os espaços destinados ao incentivo à leitura, além da concessão de bolsas para fortalecer a rede de articulação e formação nos municípios.
Outro eixo destacado pela secretaria é o fortalecimento do Sistema de Avaliação da Aprendizagem do Rio Grande do Norte (SIMAIS), utilizado para monitorar continuamente o desempenho dos estudantes e alinhar as avaliações às competências exigidas nacionalmente.
Por fim, “a SEEC reafirma que o desafio apontado pelos números exige trabalho, compromisso e continuidade. Ao mesmo tempo, o crescimento registrado demonstra que o caminho adotado está produzindo resultados concretos. Seguiremos trabalhando com professores, gestores escolares, universidades parceiras, redes municipais e o Governo Federal para assegurar o direito de todas as crianças potiguares à alfabetização na idade certa”, informou a pasta.
Desafios estruturais A União dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio Grande do Norte (Undime/RN) também avaliou os resultados com cautela. Em nota, a entidade reconheceu que o estado ainda não atingiu a meta e ocupa posição inferior no ranking nacional, mas destacou o avanço registrado no último ano.
Assim como o Estado, a Undime ressaltou que o crescimento de 23,1% entre 2024 e 2025 coloca o Rio Grande do Norte como o oitavo estado que mais avançou na alfabetização infantil no país. A entidade atribui o cenário atual a desafios históricos que ainda impactam a educação potiguar.
Entre eles estão a ausência, ao longo dos anos, de políticas públicas contínuas voltadas à alfabetização, as desigualdades socioeconômicas e a necessidade permanente de formação docente. Para a entidade, o avanço dos indicadores depende da ampliação de investimentos na qualificação de professores, no acompanhamento pedagógico e na melhoria das condições de aprendizagem nas escolas.
A Undime também reforça que os resultados positivos registrados recentemente são consequência do regime de colaboração entre municípios, Estado e União, modelo considerado fundamental para fortalecer as políticas educacionais e melhorar os indicadores de alfabetização.
Crescimento insuficiente Para a doutora em Educação Claudia Santa Rosa, ouvida pelo Diário do RN, os dados revelam uma realidade preocupante, embora não surpreendente para quem acompanha o cenário educacional do estado.
“O Rio Grande do Norte, em todas as etapas da escolaridade, enfrenta desafios. A cada estatística divulgada, a educação do nosso estado acaba sendo posicionada de forma insatisfatória”, afirma a especialista.
Segundo ela, mesmo quando há crescimento nos indicadores, o avanço ainda ocorre de forma lenta. “Os dados mostram que, mesmo quando conseguimos crescer, é um crescimento tímido.
Em 2024 havia dois estados abaixo do Rio Grande do Norte, agora todos subiram e o estado ficou isolado em último lugar. Ou seja, é um crescimento insuficiente para dar conta dos desafios que temos”, analisa.
A especialista destaca que o indicador significa que menos da metade das crianças potiguares consegue ser alfabetizada na idade adequada. “Esse dado revela que, a cada dez crianças, nós conseguimos alfabetizar menos de cinco. Se arredondarmos, podemos dizer que alfabetizamos metade. É preciso coragem para olhar para esses números e agir de forma rápida”, diz.
Para ela, o caminho para melhorar o desempenho passa principalmente pelo investimento em formação de professores alfabetizadores e pela estabilidade desses profissionais nas escolas.
“Não é todo professor que sabe alfabetizar. É necessário investir na formação específica desses profissionais e garantir que eles permaneçam nas escolas, evitando a rotatividade que prejudica o processo pedagógico”, afirma.
Claudia Santa Rosa também defende ações que comecem ainda na educação infantil, com acompanhamento contínuo do desenvolvimento das crianças e oferta de materiais didáticos adequados ao processo de alfabetização.
“É preciso acompanhar cada criança para que ela não carregue déficits de aprendizagem de um ano para outro. Isso começa na educação infantil e precisa ser levado muito a sério. Outros estados já aprenderam a enfrentar esses desafios. O Rio Grande do Norte ainda está lidando com eles, e isso explica por que o avanço ocorre de forma mais lento”, conclui.
Em 28 de outubro de 2025, o Diário do RN estampou em sua primeira página a manchete “Emenda de Natália Bonavides sob suspeita de Lavagem de Dinheiro”. A referida matéria trazia o questionamento levantado pela vereadora Camila Araújo (União Brasil), durante pronunciamento no plenário da Câmara de Natal, sobre o destino de emendas da deputada Natália Bonavides.
A deputado buscou na justiça a publicação integral de sua resposta. Em decisão publicada nesta quarta-feira, 25/03/2026, o juiz CARLOS EDUARDO BATISTA DOS SANTOS, julgou parcialmente procedentes os pedidos da petição inicial, segundo processo 0769149-96.2025.8.07.0001.
Cumprindo a determinação, segue o texto encaminhado pela deputada:
“RESPOSTA DEPUTADA NATÁLIA BONAVIDES – REPORTAGEM DO DIÁRIO DO RN, DE 28/10/2025. Em resposta à matéria publicada em 28 de outubro de 2025, com os títulos “Emenda de Natália Bonavides sob suspeita de Lavagem de Dinheiro” e “Camila levanta suspeita sobre emenda de Natália: para lavagem de dinheiro?”, a Deputada Federal Natália Bonavides vem a público restabelecer a verdade. As informações divulgadas sobre suposto mau uso de recursos destinados por nosso mandato para a construção de estações de trem em Natal são falsas e não apresentam qualquer fundamento. A reportagem e a vereadora que a originou insinuam irregularidades sem apresentar um único indício. A própria matéria admite que não há comprovação das acusações.
Qual o interesse público em veicular uma acusação infundada? Destinamos R$ 8,3 milhões em emendas de bancada para a construção de estações de trem nos bairros Cidade da Esperança, Quintas, Planalto, Potengi e no Conjunto Nova Natal, investimentos voltados ao atendimento da população da capital. As obras estão em andamento, conforme informado oficialmente pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), seguindo os trâmites regulares. O documento é público e poderia ter sido consultado pelo jornal antes da publicação. Com a proximidade do período eleitoral é comum o aumento de acusações sem base factual. Ainda assim, não é possível permanecer em silêncio diante de imputações graves dirigidas a mim e ao mandato que exerço.
Atuamos com responsabilidade no uso dos recursos públicos e não admitiremos insinuações falsas. O jornal publicou informação, criando associação indevida entre nossa atuação parlamentar e práticas ilícitas. De nossa parte, seguimos trabalhando com transparência e compromisso com o interesse público. DEPUTADA FEDERAL NATÁLIA BONAVIDES. ”
Natália Bonavides, a farsa de quem diz defender liberdade de expressão
Uma atitude que provoca decepção e faz cair uma máscara. Como uma jovem política que aparentava ser novidade, nada mais é que uma jovem na idade com práticas caducas, extraídas do baú da intolerância, com a poeira suja de regimes ditatoriais. Essa é Natália Bonavides, a farsa que não disfarça, a matéria-prima da enganação, uma máscara que cai.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) obteve direito de resposta na Justiça acerca da matéria em que a vereadora Camila Araújo levanta suspeita sobre o uso dos recursos de uma emenda da deputada do PT. A deputada, entretanto, não menciona que foi convidada a escrever uma resposta à vereadora Camila, no dia seguinte, pelo jornal, com direito ao mesmo espaço, antes da reclamação judicial. Ao contrário, ela preferiu questionar a imprensa que tão somente deu voz a uma denúncia sobre ela, e que destaca, ao final do texto do dia 28 de outubro, inclusive, a falta de complementos que embasem a acusação: “O Diário do RN entrou em contato com a vereadora Camila Araújo para obter respostas sobre quem estaria cometendo a lavagem de dinheiro apontada por ela, e quais os indícios para a acusação, mas não obteve resposta até o fechamento da edição”.
FARSA A deputada Natália Bonavides é a materialização da farsa. Em suas redes sociais e nos discursos, defende a liberdade de expressão e exalta a imprensa. Na prática, ameaça e intimida quem ousa dar voz a quem discorda dela ou suspeita de seus atos.
SILÊNCIO SOBRE CAMILA Na verdade, é muito suspeita a atitude de Natália Bonavides tentar emparedar o Diário do RN e ‘livrar’ misteriosamente a autora da denúncia, vereadora Camila Araújo. Afinal, não foi o jornal que denunciou ou levantou suspeita a respeito da aplicação dos recursos da emenda parlamentar. Quem denunciou foi Camila Araújo no plenário da Câmara e Natália nunca respondeu a Camila nem a processou por ter ‘inventado’ a acusação. Qual Natália está preocupada com sua reputação, a que silenciou contra quem a acusou ou a valente que ignora o espaço concedido democraticamente e usa o Judiciário para intimidar a imprensa?
HISTÓRICO DO DIÁRIO O Diário do RN publica denúncias a partir de documentos que extrai de órgãos oficiais e nunca foi processado ou condenado por matéria inverídica. No caso específico, a denúncia não partiu do jornal. Partiu de uma vereadora que usa o mesmo assento que Natália usou para começar sua carreira política. O Diário ainda mostrou sua responsabilidade ao realçar na matéria que buscou outras informações complementares, conforme esse trecho: “A fala (da vereadora Camila Araújo), no entanto, não especifica quem estaria envolvido na suposta irregularidade, se a própria deputada Natália, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pelas obras, ou outro ente público. Também não há, até o momento, apresentação de provas ou indícios concretos que sustentem a acusação”. Ou seja: a própria matéria do jornal questiona a acusação feita pela vereadora.
ACUSAÇÕES A nota da deputada Natália Bonavides conclui novamente com erro no alvo sobre quem fez a acusação: “Não é possível permanecer em silêncio diante de imputações graves dirigidas a mim e ao mandato que exerço. Atuamos com responsabilidade no uso dos recursos públicos e não admitiremos insinuações falsas. O jornal publicou informação, criando associação indevida entre nossa atuação parlamentar e práticas ilícitas”.
Ora, o jornal não criou associação indevida sobre a atuação de Natália. Apenas deu voz a uma parlamentar que sustentava uma denúncia. E quando Natália Bonavides diz que “não é possível permanecer em silêncio diante das imputações graves”, a pergunta é imperiosa: por que Natália ficou em silêncio diante de quem a acusou? Para a imprensa, a ameaça e intimidação; para quem a acusou, o silêncio. “Não admitiremos insinuações falsas”, diz Natália no brado contra a imprensa na Justiça. Porém, quando ‘esqueceu’ que foi Camila a autora da insinuação, ela permitiu que o que foi dito pudesse prosperar.
MÁSCARA O Diário do RN segue respeitando a Justiça e a verdade, sendo plural e democrático, sem inimigos a perseguir ou amigos a proteger. Quanto a Natália Bonavides, que ela se desfaça da máscara de defensora da liberdade de expressão e assuma sua verdadeira face de aprendiz de ditadora.
A direção nacional do Republicanos promoveu uma mudança no comando da sigla no Rio Grande do Norte e retirou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias da presidência estadual do partido. A decisão ocorre em meio à articulação do ex-gestor para disputar o Governo do Estado pelo PL e intensifica a reorganização política com foco nas eleições de 2026.
Em nota, Álvaro afirmou que recebeu a decisão “com naturalidade”, destacando que sua saída do partido já era pública. “Já era de conhecimento que eu deixaria o Republicanos para me filiar ao PL, seguindo em um novo projeto partidário”, disse. Segundo ele, a mudança no comando poderia ter ocorrido antes, uma vez que a direção nacional já estava ciente de sua decisão.
O ex-prefeito também ressaltou que a substituição se trata de uma escolha interna da legenda.
“Se resolveu agora promover nossa substituição, essa é uma decisão interna do partido”, afirmou.
Ele evitou entrar em conflito com a sigla.
Álvaro ainda buscou demonstrar reconhecimento ao período em que esteve na legenda. “Tenho gratidão pelo período em que estive no partido, onde sempre fui bem acolhido e tive apoio às pautas do Rio Grande do Norte”, declarou. Sobre a desativação da comissão provisória que presidia, ele reforçou que respeita as decisões institucionais: “Trata-se de uma deliberação interna da direção partidária, que está acontecendo em várias cidades do Brasil”.
A alteração no comando estadual ocorre após a confirmação de que Álvaro deixará o Republicanos para se filiar ao Partido Liberal, de Rogério Marinho e Jair Bolsonaro, legenda pela qual pretende disputar o Executivo estadual. Com isso, a cúpula nacional decidiu antecipar a reorganização da sigla no Rio Grande do Norte. O nome dele já não consta mais como dirigente estadual nos dados oficiais, consolidando a troca no comando.
O partido deve passar a ser liderado no Estado pelo vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, que deve se filiar à sigla. Aliado direto do prefeito Allyson Bezerra, Medeiros assume em um movimento que amplia a influência do grupo mossoroense dentro do Republicanos.
Nos bastidores, a disputa pelo controle da legenda vinha sendo travada entre Álvaro e Allyson, ambos pré-candidatos ao Governo do Estado. Mesmo com a decisão de migrar para o PL, o ex-prefeito de Natal ainda tentava manter influência sobre o partido no RN.
Antes da intervenção, aliados de Álvaro articulavam uma solução para preservar o controle da sigla dentro de seu campo político, envolvendo nomes como o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, além de lideranças como Paulinho Freire, Ériko Jácome e Fábio Dantas, todos em processo de rearranjo partidário.
Em paralelo, o grupo de Allyson avançava diretamente junto à direção nacional do Republicanos para assumir o comando da legenda. As negociações também envolvem o redesenho da chapa majoritária para 2026, com a possibilidade de filiação do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, que pode disputar o Senado, em composição com a senadora Zenaide Maia.
Em busca da reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o deputado estadual Dr. Kerginaldo afirma que tem pautado sua trajetória política pela proximidade com a população e pela atuação contínua ao longo do mandato. Em entrevista ao Diário do RN, ele destacou que o trabalho eleitoral é reflexo direto da presença nos municípios e da prestação de contas.
“Tenho trabalhado de forma muito próxima da população, ouvindo, visitando municípios e prestando contas do mandato. Acredito que campanha não se faz apenas em período eleitoral, mas durante todo o mandato, com presença, responsabilidade e resultados concretos”, afirmou, ao explicar a atuação que deve ter durante a campanha eleitoral.
Segundo o parlamentar, que é médico, o trabalho no parlamento estadual tem sido concentrado principalmente em áreas como saúde pública, com destaque para a saúde mental, além do fortalecimento dos municípios do interior, pautas que, segundo ele, também nortearão a tentativa de um segundo mandato.
No último ano de seu primeiro mandato, Dr. Kerginaldo avalia a experiência legislativa como um período de aprendizado e amadurecimento político. “Entrar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte me deu ainda mais dimensão do quanto é importante transformar a confiança popular em ações concretas”, declarou, ressaltando o esforço para manter um mandato “presente, acessível e comprometido com temas que muitas vezes eram pouco debatidos”.
A mudança partidária para o Partido Liberal também foi abordada como parte da estratégia para a reeleição. De acordo com ele, a decisão foi tomada com base em alinhamento político e perspectiva de fortalecimento eleitoral.
“A decisão pelo Partido Liberal foi construída com diálogo e alinhamento político. Entendi que era um espaço onde poderia atuar com mais sintonia com um projeto estadual e nacional que também dialoga com nossas convicções”, explicou. Ele avalia que a legenda possui “uma nominata competitiva” e “força política importante no Estado”.
Disputa majoritária No cenário da disputa majoritária, o deputado demonstrou otimismo com o campo da direita: “Representa experiência administrativa, capacidade de gestão e um nome que já mostrou resultados concretos”, afirmou.
Ele também destacou a importância da articulação política de Babá Pereira, candidato a vice-governador na chapa da direita, a quem classificou como “um grande amigo” e “liderança respeitada”, capaz de fortalecer o grupo político.
Ao analisar o cenário eleitoral, Dr. Kerginaldo destacou que a disputa deve ser aberta, com a presença de diversos nomes relevantes. Entre eles, mencionou o senador Styvenson Valentim (PSDB) e Coronel Hélio Oliveira (PL), que foram a chapa ao Senado do grupo, apontando que todos deverão apresentar propostas e capacidade de diálogo com a população.
“A eleição tende a ser bastante competitiva, porque o cenário ainda está em formação. O que percebo é que haverá uma disputa muito aberta, onde a consistência, a credibilidade e a capacidade de apresentar soluções concretas terão papel decisivo”, avaliou.
No campo regional, o deputado destacou a base política consolidada no Alto Oeste potiguar como um dos pilares de sua trajetória. Segundo ele, o trabalho da família na região foi construído ao longo de anos, com diálogo e presença constante nos municípios. Um dos irmãos do deputado, Babau de Marcelino, é ex-prefeito de Marcelino Vieira. Já Cleitinho, outro irmão de Dr Kerginaldo, é prefeito do município de Venha Ver. O trabalho em conjunto deve reforçar a campanha eleitoral.
“Nossa atuação sempre foi construída com diálogo, respeito e presença constante no Oeste.
Temos relações políticas e pessoais consolidadas em vários municípios, fruto de um trabalho de muitos anos”, afirmou, acrescentando que a organização dos apoios para a campanha ocorre de forma “natural”, com fortalecimento de parcerias e escuta de lideranças locais.
Uma proposta de emenda à Lei Orgânica de Lagoa d’Anta (RN), já aprovada em primeiro turno pela Câmara Municipal, pode abrir caminho para que o vice-prefeito Einart Guedes (União Brasil) se afaste do cargo por até dois anos sem remuneração para tratar de interesses particulares. A medida, que ainda precisa passar por uma segunda votação, surge enquanto o gestor já cursa uma residência médica em São Paulo, iniciada no começo de março. A apuração é do Estadão.
A emenda, elaborada pelo prefeito João Paulo Lopes (MDB), institui um novo tipo de licença para prefeito e vice, com duração inicial de um ano, prorrogável por igual período. Atualmente, a Lei Orgânica do município não prevê esse tipo de afastamento para chefes do Executivo, diferentemente do que ocorre com vereadores. O prefeito tenta aprovar a manobra para conceder o afastamento prolongado das funções públicas do companheiro de Prefeitura.
Pela proposta, o pedido de afastamento deverá ser encaminhado ao Legislativo municipal, com justificativa fundamentada, cabendo aos vereadores autorizar ou não a licença. Na justificativa do projeto, o prefeito argumenta que há um “contraste” entre as regras aplicadas aos membros do Legislativo e do Executivo.
“A presente proposta visa corrigir as referidas lacunas e aperfeiçoar o regime de licenças, (…) dotando a Lei Orgânica de regras claras, proporcionais e em harmonia com os princípios constitucionais”, diz o texto. O documento, no entanto, não menciona que o principal beneficiado com a mudança seria o próprio vice-prefeito, primo do chefe do Executivo.
Segundo o Estadão, a proposta avançou com apoio da base governista, que detém maioria na Câmara. O primeiro turno de votação ocorreu em 11 de março, com aprovação por 7 votos a 1.
Pelo regimento interno da Casa, a matéria precisa ser votada em dois turnos, com intervalo mínimo de dez dias entre eles.
Einart Guedes, que é médico, foi eleito vice-prefeito em 2024 na chapa de João Paulo Lopes. Ele se matriculou na residência em Ortopedia e Traumatologia da Irmandade da Santa Casa de São Paulo, curso com carga horária de 60 horas semanais e duração de três anos. Mesmo com a dedicação integral exigida pela especialização, ele não renunciou ao mandato e segue no cargo, que garante remuneração bruta de R$ 8 mil mensais.
Caso a licença seja aprovada, o vice poderá cursar parte da residência sem exercer a função pública. Ainda assim, restariam pelo menos dois semestres a serem cumpridos após o período máximo de afastamento previsto na proposta.
Procurados pelo jornal, Einart Guedes e a Prefeitura de Lagoa d’Anta não se manifestaram. A Irmandade da Santa Casa de São Paulo informou que não divulga dados de colaboradores, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados e às suas políticas de privacidade.
Com cerca de 6 mil habitantes, Lagoa d’Anta está localizada a 109 quilômetros de Natal, no agreste potiguar. Como ocorre em outros municípios e estados, a autonomia administrativa permite a organização interna, desde que respeitados os princípios constitucionais. A Constituição Federal não estabelece limite máximo para licenças de prefeitos e governadores, mas fixa em 120 dias o afastamento de deputados federais por interesse particular, entendimento que o Supremo Tribunal Federal (STF) estende às demais instâncias do Legislativo.
O ex-vice-governador Fábio Dantas (SD) afirmou que o cenário para o Governo do Rio Grande do Norte em 2026 é equilibrado, mas avaliou que o pré-candidato Cadu Xavier (PT) larga com vantagem por estar associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao analisar o quadro com os três principais nomes colocados, Cadu Xavier, Álvaro Dias (Republicanos) e Allyson Bezerra (UB), Dantas resumiu: “É uma eleição equilibrada. Cadu tem força por ser ligado a Lula.
Álvaro deve reunir votos da direita. Allyson precisa tirar votos de Lula para ir ao segundo turno”.
Na avaliação do ex-vice-governador, o peso eleitoral do lulismo no Estado pode ser determinante.
Questionado se Cadu chegaria ao segundo turno, ele avaliou que “tem grande chance, inclusive de vencer, por ser o candidato de Lula”.
Dantas detalhou o raciocínio com base em resultados recentes e no comportamento do eleitorado potiguar, afirmando que a transferência de votos do presidente tende a garantir um patamar competitivo ao pré-candidato governista.
“Lula teve 1,26 milhão de votos. A Fátima teve 1,066 milhão. 160 mil eleitores de Lula não votaram em Fátima. É muito difícil que Cadu, sendo candidato de Lula, perca tanto voto assim para não ter 38% a 40% dos votos. Porque é uma matemática muito simples”, calculou Fábio.
Ele continua o raciocínio, fazendo comparativo com a candidatura de Bolsonaro e a votação dos dois candidatos à presidência em 2022: “Bolsonaro teve 650 mil votos na eleição passada. Aí você dizer que o cara teve 1 milhão e 200 mil votos… vamos dizer que ele (Cadu) baixa para 1 milhão.
São 200 mil votos a menos do eleitorado, quase 20% de perda. O cara sai de 60% para 40% e ainda mantém 1 milhão de votos. Aí Cadu precisa ser muito ruim para não ter 800 mil votos, 700 mil”.
Apesar de apontar vantagem para Cadu, Fábio Dantas também projetou força eleitoral para o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, ao considerar a consolidação do eleitorado de direita e de candidaturas anteriores.
“Vou dar um exemplo: eu tive 22% na eleição passada, Styvenson (PSDB) teve 16%, Clorisa teve 3%. São 41% do eleitorado. Com certeza esses votos vão estar à disposição de Álvaro Dias, que é o candidato que vai congregar esses três votos que estiveram na outra vez”.
A leitura de Dantas reforça um cenário de disputa aberta, mas focada na polarização nacional: de um lado, o capital político do lulismo, que pode impulsionar Cadu Xavier; de outro, a consolidação do campo da direita em torno de Álvaro Dias, enquanto Allyson Bezerra aparece como nome que depende de crescimento sobre o eleitorado hoje identificado com o presidente da República.
“Resta saber quantos votos Allyson vai conseguir tirar de Lula para poder ir para o segundo turno, porque ele tem que ser o candidato que vai ter votos de Lula para poder ir para o segundo turno, porque o voto de Álvaro está bem caracterizado, bem cristalizado”, analisou Dantas.
O ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil no Rio Grande do Norte, afirmou em entrevista ao Diário do RN que não houve rompimento na relação com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), mesmo diante de recentes divergências políticas entre os dois. Ao ser questionado diretamente sobre a situação do prefeito dentro do partido e seu posicionamento eleitoral, Agripino evitou aprofundar a análise e ressaltou o distanciamento no diálogo político entre ambos.
“Eu não sei, eu não estive mais com o Paulinho. Paulinho é uma pessoa por quem eu tenho uma estima pessoal, mas eu não conversei mais política com ele não”, disse, ao ser perguntado se o prefeito continua no União Brasil.
Sobre o fato de Paulinho apoiar um candidato de outro partido, o ex-senador se esquivou: “Eu não tenho muito o que comentar sobre isso não”.
Sobre a decisão do prefeito da capital apoiar Álvaro Dias (PL), e não o candidato do União Brasil, Allyson Bezerra (UB), para governador do Rio Grande do Norte, Agripino evitou abordar a posição e reforçou que não cabe a ele justificar a decisão.
“Pergunta a ele isso daí. Acho que você deve perguntar a ele as razões disso daí. Ele já até falou sobre isso. Eu não tenho que justificar a posição de ninguém. Eu tenho que votar no presidente do meu partido”, disse o presidente do União Brasil no RN.
Mesmo com o cenário de divergência, ele descartou qualquer rompimento político: “Não, não, não. Já declarei para você isso daqui. Você fez uma pergunta e eu não tenho resposta para lhe dar sobre isso”.
A possibilidade de desgaste entre os dois ganhou força após a negativa de carta de anuência para a vereadora licenciada Nina Souza (UB), atual secretária de Assistência Social de Natal e esposa de Paulinho Freire, deixar o União Brasil. A decisão foi formalizada em nota conjunta assinada por Agripino e pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, em 10 de março.
Nina pretende se filiar ao PL para disputar uma vaga de deputada federal. A medida também atingiu outros vereadores da sigla, como Camila Araújo e Robson Carvalho, que articulam candidaturas por outras legendas.
Questionado se a negativa arranhou sua relação com o prefeito, Agripino minimizou: “Não, não tem nada que arranhar, não. Isso é disciplinamento da política. Política é feita com estatutos, com normas e com a lei. É quem baliza a relação na política, é estatuto de partido e o que reza a lei eleitoral”.
Resolução nacional do União Brasil Sobre a recente decisão da direção nacional do União Brasil, emitida no dia 16 de março e publicada nesta segunda-feira (23), de centralizar na executiva nacional a prerrogativa de conceder anuência, retirando essa possibilidade das instâncias estaduais, o ex-senador afirmou ao Diário do RN que apenas tomou conhecimento da medida após sua publicação.
“Eu recebi a comunicação. Eu não tratei mais desse assunto a partir daquela nota passada por mim e por Rueda, que é o retrato fiel do que diz o estatuto. Eu não tratei mais o assunto com o nacional não. Eu recebi ontem e fiz conhecimento público a definição trazida por ele e por ACM Neto, o presidente e o vice-presidente nacional do partido. Isso deve consultar, suponho eu, uma definição a nível nacional. O que vale para o Paraná, vale para o Amazonas, vale para o Rio Grande do Norte, vale para todo canto, remetendo tudo para executiva nacional”, afirmou.
Ao ser provocado de que a nota assinada por ele e por Rueda teria perdido valor com a nova resolução, Agripino discordou e explicou a mudança.
“Não. Essa nova agora remeteu tudo o que era de decisão de candidatura para um único fórum, o nacional. Antes estava escrito: era o nacional ou o estadual, por três quintos dos votos. Essa agora restringiu. Agora não, agora é só o nacional. Ou seja, não era uma questão do Rio Grande do Norte, era uma questão nacional que foi disciplinada. Eu entendo isso, que foi disciplinada pelo presidente nacional e pelo vice nacional”, disse o ex-senador à reportagem.
A governadora Fátima Bezerra e o Ministro Waldez Góes (MIDR) dão início, nesta terça-feira (24), as ações da caravana “Caminho das Águas”, acompanhados de representantes da ANA, CODEVASF e SUDENE. A comitiva percorre o Alto e Médio Oeste com foco em obras estruturantes para garantir a segurança hídrica do semiárido potiguar.
A agenda terá início no município de Pau dos Ferros, com uma visita à barragem do município; seguida de vistoria às obras do Túnel Major Sales, equipamento que integra as obras do Ramal do Apodi e da transposição do Rio São Francisco.
Ainda durante a agenda, o ministro e a governadora anunciarão as obras de recuperação da Barragem de Santa Cruz do Apodi, o Projeto Apumari e a Integração das Adutoras do Alto Oeste.
Novas unidades móveis do MobSUAS levam Assistência Social ao interior do estado Nesta segunda-feira (23), o Rio Grande do Norte recebeu um importante reforço para levar a assistência social para comunidades mais remotas de 28 cidades potiguares, onde os serviços assistenciais sempre foram mais difíceis de chegar, levando mais dignidade e oportunidade aos que mais precisam.
Agora, os quase 30 municípios passam a contar com o apoio do programa Mobilidade no Sistema Único de Assistência Social (MobSUAS), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que consiste em veículos do tipo van, equipados com estrutura específica para levar serviços do Suas. Entre outras especificações, contam com acessibilidade, inclusive com plataforma elevatória para cadeirantes; lugares para 10 passageiros, sendo um cadeirante, o que visa dar mais opções de transporte para os atendimentos realizados para o público da assistência social.
Os veículos poderão ser utilizados tanto para o deslocamento de equipes socioassistenciais, como para os usuários dos serviços do sistema. O investimento em cada uma das unidades foi de R$ 283,9 mil, o que totaliza um valor em torno de R$ 8 milhões, oriundo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e de emenda parlamentar do deputado federal Fernando Mineiro.
“A entrega dessas vans do MobSUAS pode parecer, para alguns, apenas a entrega de veículos. Mas nós sabemos que é muito mais do que isso. É acesso, é cuidado, é o Estado chegando onde o povo está”, destaca a governadora Fátima Bezerra, celebrando a entrega.
O fortalecimento do serviço não é novidade no RN com a entrega desta segunda-feira. A governadora Fátima explica que essa missão é contínua no Rio Grande do Norte.
“Aqui, nós fortalecemos o Suas todos os dias. Investimos na formação dos trabalhadores, ampliamos o atendimento, estruturamos serviços, chegamos aos territórios, dialogamos com os municípios”, explica.
O ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, esteve presente na solenidade representando o Governo Federal, e falou da importância do serviço.
“O MobSUAS fortalece o sistema da assistência social. Além da unidade física, onde temos centros especializados e unidades de acolhimento, agora as equipes podem, com este equipamento – que não é só um veículo –, ir onde as pessoas estão. Vai em um bairro ou em uma comunidade distante, e lá faz o cadastramento, a atualização, garante a busca ativa de pessoas que têm direitos”.
O ministro destacou também a integração entre os governos federal e estadual na luta para garantir melhores condições na prestação dos serviços assistenciais.
“Com essa integração do governo do presidente Lula com o governo da professora Fátima Bezerra, nós queremos alcançar quem ainda não foi alcançado. Queremos garantir direitos para quem tem direitos. Além do Bolsa Família, do BPC, são 56 programas que o presidente coloca à disposição das famílias que precisam, como o Gás do Povo, a Farmácia Popular e a Tarifa Social de Energia”, completa Dias.
Iris Oliveira, secretária de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas-RN), aproveitou a ocasião para falar dos avanços alcançados na prestação dos serviços do Suas no RN.
“Hoje, todas as pessoas que precisam dos serviços do Suas encontram acolhida, respeito e equipe tecnicamente preparada para acolhê-los e atendê-los nos serviços do Creas. E com isso, ampliamos a progressão social no nosso estado. Esse é um Suas que se faz presente em todos os territórios. Com o nosso programa Território Suas, nós colocamos o pé na estrada e chegamos em todos os municípios potiguares, seja em atividades regionalizadas, seja a equipe indo a todas as cidades”, explica Iris.
O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte recomendou a desaprovação das contas anuais de governo da Prefeitura de Mossoró referentes ao exercício financeiro de 2023, gestão do prefeito Allyson Bezerra. O parecer foi emitido no processo analisado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) e aponta irregularidades na execução orçamentária e na consistência das demonstrações contábeis do município. Segundo o parecer, entre outros pontos, Allyson Bezerra realizou créditos suplementares acima do autorizado pela Câmara Municipal de Mossoró. A abertura de despesas sem respaldo legal pode, em tese, configurar ato de improbidade administrativa.
“A autorização ilimitada ou implícita para abertura de créditos suplementares é vedada pelo ordenamento jurídico e contraria os princípios da separação dos poderes e da transparência fiscal”, coloca trecho do relatório. O documento também pede a responsabilização de Allyson Bezerra pelas irregularidades encontradas nas contas do ano de 2023.
“A prestação de contas é ato pessoal do Chefe do Poder Executivo, sendo assim, no âmbito municipal, o dever de prestar contas anuais é da pessoa física do prefeito, pois, consoante dito, constituem-se em obrigação pessoal do gestor”, afirma outro trecho do parecer.
O documento foi elaborado pelo procurador do Ministério Público de Contas Ricart César Coelho dos Santos e conclui que as falhas identificadas comprometem a regularidade das contas apresentadas pelo Executivo municipal.
Entre os pontos destacados estão inconsistências em demonstrativos contábeis, atraso no envio de instrumentos de planejamento fiscal e abertura de créditos suplementares acima do limite autorizado pela própria Lei Orçamentária Anual (LOA).
Segundo o parecer, a LOA autorizava a abertura de créditos suplementares até o limite de 25% do orçamento municipal, o equivalente a aproximadamente R$ 297,7 milhões. No entanto, a auditoria identificou que foram abertos R$ 338,6 milhões, correspondendo a 28,43% do orçamento.
Para o Ministério Público de Contas, a medida configura violação ao princípio da legalidade e pode representar abertura de crédito sem autorização legislativa, o que afronta normas constitucionais e da legislação orçamentária. O parecer ressalta que esse tipo de prática pode caracterizar infração político-administrativa, conforme previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata da responsabilidade de prefeitos.
Além da irregularidade orçamentária, o Ministério Público de Contas destaca que a abertura de despesas sem respaldo legal pode, em tese, configurar ato de improbidade administrativa, especialmente quando há ordenação de despesa não autorizada em lei.
De acordo com o parecer, esse tipo de situação pode se enquadrar nas hipóteses de violação às normas de gestão fiscal e orçamentária, o que exige apuração específica para avaliar eventual responsabilidade do gestor.
Outro ponto mencionado no documento é o envio fora do prazo dos instrumentos de planejamento fiscal ao Tribunal de Contas. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi encaminhada com 409 dias de atraso, enquanto a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi enviada com 190 dias de atraso. Para o Ministério Público de Contas, a prática compromete o acompanhamento e a fiscalização das contas públicas pelo órgão de controle.
O parecer também aponta divergências entre dados apresentados nos balanços financeiros, patrimoniais e no demonstrativo de fluxo de caixa. Segundo a análise, essas inconsistências indicam falhas de conciliação contábil e baixa qualidade das informações apresentadas.
Para o Ministério Público de Contas, a utilização de notas explicativas para justificar divergências entre demonstrativos não supre a obrigação de apresentar informações contábeis consistentes e fidedignas, conforme exigem as normas de contabilidade pública.
Diante das irregularidades, o parecer recomenda a emissão de parecer prévio pela desaprovação das contas e sugere ainda a abertura de processo autônomo para apuração de responsabilidade e eventual aplicação de sanções a Allyson Bezerra.
O caso ainda será analisado pelo plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte. Após a emissão do parecer prévio do Tribunal, caberá à Câmara Municipal de Mossoró realizar o julgamento político das contas do chefe do Executivo.
A fala do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o Nordeste, feita durante agenda do último sábado (21) em Natal, provocou reação imediata do deputado federal Fernando Mineiro (PT), que contestou o conteúdo e a linha de argumentação apresentada pelo pré-candidato à Presidência.
Mineiro afirmou que a fala do senador reproduz uma visão distorcida sobre a região.
“Ele repete o discurso de quem não conhece o Nordeste e vê a região com as lentes do estigma e do preconceito, repetindo bobagens que nada têm a ver com a realidade atual”, disse ao Diário do RN.
No discurso durante ato de filiação ao lado de Rogério Marinho (PL), Álvaro Dias (Republicanos), Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB) e outras autoridades que representam a direita nos municípios, Flávio afirmou que “o Nordeste não é problema, o Nordeste é a solução do Brasil”, frase estampada na camisa que escolheu para a vista ao RN, mas associou a região a um modelo de dependência, ao dizer que “o PT vendeu a ideia de que o povo precisa depender do governo” e que seria necessário “libertar o Nordeste desse ciclo”.
Em resposta, Mineiro citou áreas econômicas para sustentar o argumento de que o Nordeste tem papel ativo no desenvolvimento nacional. “O Nordeste hoje tem tecnologia de ponta, é o celeiro do Brasil em energias renováveis, referência no turismo e na fruticultura, só para citar algumas áreas que ele certamente não sabe nem o significado”, afirmou.
O deputado também rebateu diretamente a crítica às políticas sociais. “O discurso de que política social não gera desenvolvimento real traduz bem a absoluta ignorância dele tanto em relação às políticas sociais como em relação à concepção de desenvolvimento. Desenvolvimento sem políticas sociais não é desenvolvimento; é concentração de renda e riqueza”, declarou.
Ao contrário do filho do ex-presidente, ao mencionar o cenário recente, o parlamentar associou o desempenho do Nordeste ao Governo Federal. Mineiro questionou a existência de propostas concretas por parte do adversário.
“Para falar do Nordeste ele precisaria se informar sobre a região que retomou o desenvolvimento com a volta do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não tem frase em camisa que dê jeito para quem não tem projeto para a região e o país”, disse.
“Todos sabem que o único projeto dele é tentar livrar a cara do chefe do golpismo e de sua família”, concluiu, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Rogério Marinho (PL) afirmou que o ato de filiação do Partido Liberal, marcado para este sábado (21) à tarde, em Natal, representa um novo momento de fortalecimento da legenda no Rio Grande do Norte e de organização do grupo político para as eleições de 2026. Em conversa com o Diário do RN, ele ressaltou o objetivo de enfrentamento ao PT e projetou o ex-prefeito de Natal como o principal nome da oposição ao governo estadual.
“Este ato de filiação marca um novo momento para o PL no Rio Grande do Norte, que já é o maior partido do Estado e agora ganha reforços importantes na defesa das pautas que consideramos fundamentais para o país e ao nosso RN. Com Álvaro Dias no Governo, vamos deixar para trás os anos de desgoverno do PT e finalmente começar a tirar o Estado desse caos administrativo”, declarou o coordenador da campanha presidencial do PL.
O evento contará com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), que cumpre agenda no Nordeste como parte de sua pré-campanha à presidência da República. Para Marinho, a participação do parlamentar reforça a articulação nacional do partido e a estratégia de ampliar a competitividade da direita na região.
“A presença do senador Flávio Bolsonaro simboliza a união de forças em torno de um caminho claro para 2026, com responsabilidade, valores e compromisso com a população. Vamos vencer com Flávio Bolsonaro e Álvaro Dias para salvar o Brasil e o RN do PT”, afirmou.
O ato será realizado às 15h, no Boulevard Hall, em Nova Parnamirim, e deve reunir lideranças políticas do Estado. Entre os nomes confirmados estão o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que deixará o Republicanos para se filiar ao PL e disputar o Governo do Estado, e o também pré-candidato Babá Pereira, que vai compor a chapa com Dias.
No evento, também será confirmada a composição da chapa ao Senado, formada pelo senador Styvenson Valentim (PSDB), que deve disputar a reeleição, e o presidente do PL Natal, Coronel Hélio, que deverá ser confirmado para uma vaga ao Senado.
A movimentação do PL no RN ocorre em meio à estratégia nacional de ampliar espaço no Nordeste, região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve forte desempenho nas eleições de 2022. A passagem de Flávio Bolsonaro pelo RN, no sábado (21), e pela Paraíba, no domingo (22), inclui filiações, definição de palanques estaduais e articulação com lideranças locais, com a presença também do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
No cenário estadual, o discurso de Marinho delineia o discurso a ser adotado na campanha pelo grupo oposicionista, que tem intensificado críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e busca unificar forças em torno da pré-candidatura de Álvaro Dias. O ato deste sábado, nesse contexto, funcionará como vitrine política e consolidação da chapa majoritária de 2026.
Afirmando que há desinformação e radicalização no debate público, o deputado estadual Francisco do PT, líder do Governo na Assembleia Legislativa, defende as ações da gestão Fátima Bezerra (PT) e comentou as críticas de adversários. O parlamentar classificou como “cegueira política” a postura de quem nega as realizações do governo. “Como, quem destruiu o RN, se apresenta agora como salvador?”, questionou o parlamentar sobre a pretensão eleitoral da oposição. A defesa foi feita durante entrevista concedida ao programa “12 em Ponto”, da 98FM Natal.
“Esses adversários que dizem que Fátima não tem o que mostrar, ou eles são muito radicais, e o radicalismo cega, ou não querem enxergar, ou querem fazer a política baseada somente na propagação de uma mentira. Uma mentira dita muitas vezes se torna realidade”, disse ele, lembrando o ditado para reforçar o argumento de que há uma estratégia de desinformação contra a gestão estadual. Francisco do PT ressaltou obras importantes entregues pela gestão Fátima.
“A governadora Fátima Bezerra está recuperando metade da malha rodoviária do Rio Grande do Norte. Nós saímos de 170 leitos de UTIs para mais de 300. Todos os hospitais regionais estão sendo recuperados. Canguaretama está para ganhar agora uma policlínica na área da saúde. Tem 10 ierns, alguns já entregues e outros já em construção. Tem dezenas, centenas de escolas já reformadas e em construção e nós saímos da condição do estado mais violento do Brasil”, listou, entre outras.
O deputado também fez questão de contrastar as ações do atual governo com gestões anteriores.
Segundo ele, há uma tentativa deliberada de ignorar esses avanços por parte de opositores.
“Quem não gosta do PT, quem não gosta de Fátima, tem todo o direito de não gostar. Agora dizer que não tem nada, que não existem ações concretas que estão mudando a vida do povo…”, criticou.
O parlamentar questionou a legitimidade de setores da oposição que hoje se apresentam como alternativa de poder: “Uma parcela da classe política que hoje está condenando o governo da professora Fátima é a mesma parcela que destruiu o Rio Grande do Norte. Como é que esse povo se apresenta agora como salvador?”, disparou.
Ao ser confrontado com índices de reprovação da governadora apontados por pesquisas, Francisco voltou a atribuir os números a um ambiente de desinformação e polarização. Ele relembrou o cenário eleitoral de 2022, quando, segundo ele, previsões negativas não se confirmaram nas urnas. “Havia uma campanha de desinformação que não era condizente com a vida real, e as pessoas viram isso”, afirmou.
“Você tem uma faixa ali da população, fora dos extremos, que ela só vai se preocupar em comparar na eleição. Tem muita gente hoje que está mais preocupada sabe com o quê? Com o que é que vai comer amanhã, qual o salário que vai receber, se está empregado, se está desempregado. Essas pessoas, elas vão ter a oportunidade do comparativo”, coloca.
Sobre críticas recentes envolvendo a área econômica, como o atraso no pagamento de consignados, Francisco do PT minimizou a pressão sobre o governo.
“Cadu já foi na Assembleia, foi perguntado, ele explicou tudo direitinho e disse o seguinte, ‘olha, no final do mês eu tive que fazer uma opção, ou eu pagava o salário em dia ou eu pagava o consignado’”.
Questionado sobre o uso dos consignados para pagamento de salário, explicou: “Não é com o dinheiro do consignado, porque o dinheiro do consignado não dava para pagar. Pior foram os governos anteriores, que nem pagavam o consignado, nem o fornecedor, nem o salário e era tudo atrasado”. Ele complementou que o Estado “vai ter que arrumar uma forma, se esforçar para pagar os consignados, porque é o certo”.
O deputado concluiu mirando a oposição: “O que essa oposição tem para mostrar ao Rio Grande do Norte? Uma vez me disseram: quem não constrói já se contenta muito se destruir o que o outro está fazendo”.
A permanência da governadora Fátima Bezerra (PT) no cargo, com a desistência da disputa ao Senado em 2026, também repercutiu entre nomes de fora do PT, mas inseridos no campo progressista. Em conversa com o Diário do RN, o ex-deputado federal Rafael Motta classificou o novo cenário como inesperado e defendeu que a formação de candidaturas majoritárias deve ser construída com base em diálogo político, estrutura partidária e viabilidade eleitoral. Rafael afirmou ainda estar definindo seu futuro partidário, mas indicou tendência de seguir para a federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB).
“A gente está ainda estudando, vendo as possibilidades, mas muito provavelmente via federação.
Estamos analisando como isso vai funcionar, mas provavelmente vai ser o PCdoB mesmo”, disse.
Sobre a decisão de Fátima de permanecer no governo, o ex-parlamentar foi crítico em relação ao processo político que a levou à mudança de planos. “Eu acho que é uma das maiores injustiças que eu já vi cometerem com uma pessoa, que é você não ter o direito de concorrer a uma eleição”, declarou.
Sem citar o nome de Walter Alves, ele afirma que houve quebra de compromisso na formação da chapa anterior. “O que me consta é que havia um acordo de que ela cumpriria o mandato e depois teria o apoio necessário para disputar o Senado, até pela importância dela no Congresso, inclusive para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não houve esse cumprimento do vice-governador, e isso é muito temerário”, afirmou.
Para Rafael, o momento ainda é de ajuste do futuro da chapa após a mudança no cenário político.
“Apesar de já existir essa possibilidade, muita gente foi pega de surpresa, porque ainda havia expectativa de que Fátima fosse candidata. Ela foi uma das melhores senadoras que o Rio Grande do Norte já teve, muito efetiva na defesa da democracia”, disse.
Apesar disso, Rafael disse que suas conversas estão acontecendo com foco à proporcional e não discutiu com ninguém sobre uma eventual candidatura ao Senado. Ele reforçou que o momento é de reorganização.
“Não é assim que se constrói uma candidatura ao Senado. A gente está discutindo agora a nominata de deputado federal e estadual. Esse é o foco. Nosso projeto é o retorno à Câmara, onde a gente já tem atuação, conhece o ambiente e consegue contribuir no debate nacional em favor do presidente Lula. A ideia, do nosso ponto de vista, é que o presidente Lula tenha condições de governabilidade e no cenário nacional hoje, que, na verdade, o Centrão aqui tem dominado e tem aprovado ou freado o que o Governo federal tem feito”, pontuou.
Sobre os critérios para uma candidatura ao Senado, Rafael destacou três pilares: grupo político, alianças partidárias e viabilidade eleitoral. “A gente precisa ter grupo político, precisa ter partidos aliados e precisa ter viabilidade eleitoral. Isso não se constrói apenas sugerindo nomes, mas com diálogo, vendo quem tem condições reais de representar a federação e a esquerda no cenário nacional”, afirmou.
Ele também defendeu que a construção da chapa majoritária envolva partidos como PSB, PDT e demais legendas do campo progressista. Entre os nomes citados como possíveis quadros competitivos do PT, que terá indicação do primeiro nome, Rafael mencionou a deputada federal Natália Bonavides.
“Natália, do meu ponto de vista, é uma candidata fortíssima, com legitimidade e envergadura moral e política para o Senado”, avaliou, embora tenha ponderado sobre a falta de interesse da parlamentar na disputa.
Nos próximos dias, o ex-deputado pretende intensificar as conversas políticas antes de bater o martelo sobre seu destino partidário. “A gente ainda vai dialogar com o pessoal do PCdoB e da federação para ver como se encaminham os próximos passos. Eu não costumo deixar decisões para a última hora, mas é um momento em que algumas coisas ainda podem acontecer”, concluiu.
A decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no comando do Estado e desistir da disputa ao Senado em 2026 reorganizou o tabuleiro político no Rio Grande do Norte e abriu, dentro do PT e entre aliados, a corrida pela formação da chapa majoritária. Entre as lideranças petistas, há consenso sobre o caráter “coletivo” da escolha e indicação de nomes, mas também sinais claros de preferência, com destaque para a presidente estadual do partido, Samanda Alves (PT).
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi mais direta ao defender o nome da dirigente petista.
“Acho que o nome de Samanda cumpriria muito bem esse papel para disputar de verdade. Tem dado demonstrações de diálogo, de determinação, de disposição”, afirmou, acrescentando que o debate será formalizado internamente no partido.
Na mesma linha, o deputado estadual Francisco do PT elencou atributos que, na avaliação dele, credenciam Samanda: “É mulher, é presidenta do nosso partido, tem uma belíssima história de vida, é suplente de deputada federal, está na luta conosco há muitos anos. Preenche todos os requisitos para ser uma grande representante do Rio Grande do Norte no Senado”.
Cotada para disputar o Senado, Samanda recebeu a lembrança com cautela e reforçou que a definição será partidária. “Fico feliz com a lembrança, mas nós temos aí uma discussão agora para fazer dentro dos nossos partidos, com nossos aliados. A gente costuma tocar as coisas com muito diálogo, muita unidade”, afirmou. Segundo ela, o foco imediato é ampliar o debate com o campo progressista e os partidos que compõem o “time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” no Estado.
Sem confirmar candidatura, a presidente do PT no RN disse estar à disposição: “Meu nome está à disposição para tocar a tarefa que for preciso, para fortalecer o time do Lula e sempre ao lado de Fátima”. Ela também ressaltou que a decisão da governadora representa “coragem” e compromisso com o povo potiguar. “Mais uma vez ela demonstra que o projeto coletivo é muito maior que o projeto pessoal”, declarou.
Para a segunda vaga na chapa, o cenário segue aberto e dependerá da articulação com partidos aliados. O nome do ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates (PDT), já foi apresentado pelo PDT, enquanto especulações levantam nomes como Thabatta Pimenta e Rafael Motta. “Os nomes serão apresentados pelos partidos que compõem o campo progressista e popular no RN. Se forem colocados, serão discutidos no coletivo”, reforçou a presidente da legenda.
Sobre estes nomes, a deputada Isolda afirma à reportagem que é necessário “aprofundar a questão”, mas se mostra aberta tanto a Jean-Paul Prates, quanto à Thabata Pimenta e Rafael Motta para a 2ª vaga. “Tudo muito recente, mas gosto dos nomes”, coloca.
Francisco do PT destacou que o debate vai além das vagas ao Senado. “Temos que discutir a vice, as suplências e toda a composição da chapa. É uma construção coletiva entre os partidos da federação e aliados”, pontuou.
Já o deputado federal Fernando Mineiro (PT) enfatizou o gesto político da governadora e defendeu critérios estratégicos para a escolha dos nomes. “Fátima nos ensina o valor do compromisso. Ao renunciar à disputa, o faz em nome do povo e da continuidade dos avanços no Estado. Entregar o Estado a velhos conhecidos, que, em outros tempos, dilapidaram o patrimônio público potiguar, colocaria em risco todas essas conquistas, a começar pela regularização dos salários do funcionalismo, hoje assegurada”, afirmou.
Para o deputado federal, o fundamental é que a composição “fortaleça ainda mais a campanha” de Cadu Xavier ao Governo do Estado. “Antes do nome, acho importante discutir os critérios. E o critério principal é esse que citei acima”, disse Mineiro.
A Prefeitura de Macau mantém ativo um convênio firmado com uma instituição financeira que recentemente passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro de grandes proporções. O acordo foi assinado em novembro de 2025 com a BMP Sociedade de Crédito Direto S.A., empresa sediada em São Paulo, e prevê a oferta de empréstimos consignados e cartões de crédito a servidores municipais, com desconto direto em folha de pagamento.
Pelo convênio, que tem vigência inicial de 60 meses e pode ser prorrogado, a instituição financeira ficou autorizada a operar linhas de crédito voltadas aos servidores do município, incluindo empréstimos consignados, cartão de crédito e cartão benefício. O modelo permite que as parcelas sejam descontadas diretamente dos salários, dentro de limites previamente estabelecidos.
Contrato entre o BMP e Prefeitura de Macau tem vigência de 60 meses – Foto: Reprodução
Segundo as regras do contrato, os descontos podem chegar a até 40% da remuneração líquida para empréstimos consignados e mais 5% para cartões, totalizando até 45% do salário comprometido com as operações financeiras. Nesse arranjo, a Prefeitura atua como consignante, responsável por realizar os descontos e repassar os valores à instituição financeira, mas não assume responsabilidade pelas dívidas contraídas pelos servidores.
Instituição na mira da PF O convênio foi firmado com o objetivo de ampliar o acesso dos servidores a serviços financeiros e linhas de crédito com juros menores, característica comum nas operações consignadas. No entanto, a parceria passou a chamar atenção após a instituição envolvida se tornar alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, por suspeitas de vínculos com as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
No mês passado, a PF deflagrou a operação “Cliente Fantasma”, que incluiu mandados de busca e apreensão contra a BMP e seu presidente, Carlos Eduardo Benitez. As investigações apuram a suspeita de facilitação de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 25 bilhões por meio do sistema financeiro.
De acordo com a Polícia Federal, a instituição teria permitido movimentações financeiras sem identificação adequada de clientes e deixado de comunicar operações suspeitas aos órgãos responsáveis pela fiscalização. As autoridades também apontam falhas no envio de informações obrigatórias ao Banco Central, o que teria dificultado o rastreamento de recursos ligados a empresas investigadas.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi o atraso no registro de vínculos com empresas sob investigação no sistema do Banco Central. Segundo a PF, esse atraso teria impedido que ordens judiciais de quebra de sigilo bancário alcançassem a instituição no momento adequado, comprometendo o acompanhamento das movimentações financeiras.
Outro dado destacado nas investigações é que, apesar de movimentar cerca de R$ 65 bilhões por mês e manter mais de 150 mil contas ativas, o banco teria comunicado apenas quatro operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em um período superior a três anos. Pela legislação, instituições financeiras são obrigadas a informar transações consideradas atípicas ao órgão de inteligência financeira.
Para os investigadores, há indícios consistentes de possíveis crimes como lavagem de dinheiro, gestão temerária e omissão de informações ao sistema de controle financeiro. A apuração busca esclarecer se as falhas ocorreram por problemas administrativos ou se fizeram parte de um mecanismo para ocultar recursos de organizações criminosas.
Na epóca, a BMP afirmou, através de nota, que está colaborando com as autoridades e fornecendo informações sobre operações antigas de ex-clientes. A instituição também declarou que seus produtos e serviços continuam operando normalmente.
Contrato vigente Mesmo diante da investigação em curso, o convênio firmado com a Prefeitura de Macau permanece vigente. Com isso, servidores municipais seguem podendo aderir às linhas de crédito consignado e aos cartões oferecidos pela instituição financeira investigada.
A decisão foi comunicada por meio da leitura de uma carta direcionada ao povo potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT) oficializou que não irá renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em coletiva realizada na tarde desta terça-feira (17), no auditório da Governadoria, em Natal. A gestora detalhou as motivações políticas e pessoais que a levaram a permanecer à frente do Executivo estadual até o fim do mandato.
A governadora destacou a coragem da sua decisão, especialmente em relação ao cenário político nacional e a necessidade da esquerda avançar no Senado. Segundo ela, a candidatura era desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Partido dos Trabalhadores e por parte significativa do eleitorado, conforme pesquisas. Ela justificou a desistência da disputa.
“Tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária, por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia, e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.
“Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas” foi o motivo maior apontado para permanecer no cargo e evitar perder a eleição indireta para um nome da oposição caso renunciasse. A governadora reforçou ainda que irá honrar “até o último dia de mandato” os mais de um milhão de votos recebidos na reeleição.
“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, declarou.
Na carta, ela elencou prioridades administrativas que vai continuar com a decisão de permanecer no cargo. A governadora citou como exemplo a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco.
Fátima resgatou sua trajetória política marcada por decisões consideradas ousadas. Lembrou da mudança da Paraíba para estudar, quando renunciou eleições asseguradas para se lançar a desafios até então “impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo”.
Segundo ela, o projeto de nação e de sociedade é maior que a sua própria vida. Por isso, relatou, teve coragem de disputar o Senado, em 2014, “colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional”. Relembrou quando renunciou à metade do mandato de Senadora, em 2018, para disputar o governo do estado “em situação crítica e precária”. “Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora”, complementou Fátima, durante o anúncio da decisão de recuo.
“Ele rompeu o compromisso firmado em 2022” Ao abordar o cenário político que inviabilizou sua candidatura ao Senado, Fátima Bezerra fez referência direta ao vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ela, para viabilizar a disputa, seria necessário que o vice assumisse o governo, o que não ocorreu.
“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”, afirmou.
A governadora classificou o episódio como parte de um movimento político mais amplo. “São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir”, declarou.
Em tom de mobilização política, Fátima encerrou a carta com uma mensagem de continuidade do projeto político do campo progressista. “Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luiz Inácio Lula da Silva presidente!”, concluiu.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou nesta terça-feira (17), durante entrevista coletiva em Natal, que pretende manter uma atuação política ativa após o fim do seu mandato, em janeiro de 2027. Antes disso, vai manter o foco, além na continuidade dos projetos na gestão estadual, na campanha eleitoral de 2026 e na reorganização do grupo político no Estado. Ao ser questionada, pelo Diário do RN, sobre o futuro fora de cargos eletivos, situação inédita em sua trajetória desde a primeira eleição em sua história, Fátima destacou que sua atuação política não está condicionada ao exercício de mandato.
“Minha militância política e social sempre fez parte da minha vida. Eu faço política movida pelo espírito público, pela defesa das causas em que acredito. Para mim, a política nunca foi um projeto individual”, declarou.
A governadora foi enfática ao destacar o papel que pretende desempenhar no próximo ciclo. “Vou sim participar intensamente da campanha eleitoral de 2026, junto com os nossos aliados. Vou para a rua! Campanha!”, afirmou.
Sobre especulações em torno de um possível convite para assumir um ministério, caso o presidente Lula seja reeleito, Fátima evitou antecipar cenários e ressaltou que sua prioridade segue sendo a gestão estadual até o fim do mandato. “Vou continuar até dezembro conforme a decisão do povo do Rio Grande do Norte em 2022. Vou cuidar da gestão em primeiro lugar, com tantas obras importantes em curso”, afirmou.
A governadora também detalhou a estratégia do Partido dos Trabalhadores para as eleições, ressaltando tanto a disputa majoritária, quanto a proporcional. “O PT vai ter ao Senado prioridade absoluta, absoluta mesmo, com a candidatura de Cadu ao Governo, com todo o nosso time, com as nossas candidaturas ao Senado, nossa nominata para federal e para estadual”, disse.
Segundo ela, a definição de não renunciar ao cargo repercutiu diretamente na direção nacional do partido. Fátima relatou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi surpreendido com os desdobramentos recentes, mas garantiu apoio integral à sua decisão. “O presidente Lula me disse: ‘qualquer que seja a decisão que você tomar, eu estarei ao seu lado’”, afirmou.
A governadora acrescentou que também recebeu respaldo do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que deve visitar o Estado em breve. “Ele reiterou todo o apoio e deixou muito claro que o Nordeste é muito importante no contexto da disputa nacional”, destacou.
Ao responder os questionamentos da imprensa durante a coletiva, Fátima ainda reiterou que o cenário político sofreu impacto com a mudança de posição do vice-governador Walter Alves, classificada por ela como inesperada, o que exigiu readequação da estratégia partidária no Estado.
Diante do novo quadro, a governadora reforçou que seguirá dividindo esforços entre a gestão e a articulação política. “Vamos continuar cuidando da gestão para consolidar conquistas, mas também preparar o nosso projeto político para 2026”, concluiu.
PT indicará primeiro nome ao Senado
Presidente do PT no RN, Samanda Alves, pode ser o nome para o Senado – Foto: Francisco de Assis
Em meio à reorganização do grupo político para 2026, a governadora Fátima Bezerra detalhou como deve se dar a formação da chapa ao Senado dentro do campo aliado. Segundo ela, o processo será conduzido em diálogo com os partidos que integram a base, mas com uma definição já estabelecida: o Partido dos Trabalhadores indicará um dos nomes para a disputa.
“Dialogo com os partidos que formam o campo democrático. Já comunicamos que o PT vai indicar o nome para uma das vagas ao Senado. Essa discussão passa pelo partido, inclusive já foi comunicada ao presidente nacional”, afirmou.
A governadora ressaltou que, além da definição para o Senado, o grupo trabalha na montagem completa da chapa majoritária e proporcional. “Temos o pré-candidato ao Governo, ainda vamos definir a vice, temos as duas vagas para o Senado e as suplências. Agora é organizar o time do presidente Lula”, disse, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Questionada sobre possíveis nomes, Fátima admitiu que a vereadora Samanda, presidente estadual do PT, pode entrar na disputa, mas reforçou que qualquer definição passará pelas instâncias internas do partido. “É um nome que pode estar sendo colocado, mas essa discussão passa inicialmente pelo partido”, explicou.
Questionada, pelo Diário do RN, sobre o nome da deputada federal Natália Bonavides (PT) ao Senado, ela destacou a parlamentar como um dos principais quadros da legenda, mas indicou que, neste momento, a tendência é de que Natália busque a reeleição. “Natália já se colocou diversas vezes cumprindo uma missão muito importante, que é a reeleição para deputada federal”, pontuou.
Ao tratar da formação das nominatas, Fátima destacou a expectativa de fortalecimento eleitoral do grupo, mencionando nomes como Fernando Mineiro, além de lideranças locais e novos quadros políticos. Segundo ela, o objetivo é ampliar a representação na Câmara dos Deputados.
“O dado concreto é que temos uma expectativa muito confiante. A disputa para federal, na chapa da federação, se Deus quiser, vamos dobrar: sair de dois para quatro”, afirmou.
A governadora concluiu reforçando que o momento é de organização interna, com foco na construção de uma chapa competitiva tanto no plano majoritário quanto proporcional.
Fátima descarta reaproximação com Zenaide e reforça foco no “time de Lula”
Fátima: “Zenaide fez outra opção partidária, escolheu outro caminho” – Foto: Reprodução
A governadora Fátima Bezerra afastou a possibilidade de reaproximação política com a senadora Zenaide Maia, ao comentar o atual cenário de alianças no Rio Grande do Norte. Segundo ela, a parlamentar fez uma escolha partidária distinta, o que reposiciona automaticamente os campos políticos para a disputa de 2026.
“Em relação à senadora, ela fez outra opção partidária, escolheu outro caminho. Nós estamos tratando da nossa aliança, o time do Lula”, afirmou.
O PSD de Zenaide Maia definiu apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (UB) e alinhamento com partidos de centro no RN, como Progressistas e MDB. Apesar de exercer a vice-liderança do Governo Lula no Senado, no Estado, o partido rompeu com o projeto eleitoral do PT.
Fátima destacou que o foco do seu grupo político está na consolidação de uma frente alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo partidos do campo que classificou como “popular e democrático”, com objetivos eleitorais bem definidos tanto no plano estadual quanto nacional.
De acordo com a governadora, a estratégia passa pela reeleição de Lula e pelo fortalecimento da candidatura governista no Estado. “Estamos organizando esse campo para garantir a reeleição do presidente Lula e levar nosso candidato ao Governo ao segundo turno, evitando retrocessos”, disse, em referência ao projeto político liderado pelo grupo.
A chefe do Executivo estadual também adotou um tom mais ideológico ao tratar da conjuntura eleitoral, defendendo a união das forças aliadas como forma de enfrentamento ao avanço da direita no país. “Essa eleição coloca uma tarefa imperiosa: defender a democracia e barrar o avanço do fascismo. Para isso, é fundamental a unidade do campo popular democrático para derrotar a extrema direita e o bolsonarismo”, declarou.