A visita da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ao Rio Grande do Norte nesta semana deverá marcar um dos principais movimentos políticos do campo governista neste período de pré-campanha.
Em entrevista ao Diário do RN, a pré-candidata ao Senado pelo PT, Samanda Alves, detalhou a programação da primeira-dama em Natal, destacou a articulação do chamado “time de Lula” no Estado e falou sobre a construção da chapa governista para 2026.
Segundo Samanda, Janja cumprirá uma agenda voltada principalmente para o público feminino e para representantes de movimentos sociais. A programação começa na quinta-feira (26), no fim da tarde, em Natal.
“Ela faz uma agenda com mulheres dos movimentos sociais, com a juventude, os movimentos de mulheres e também com as mulheres dos partidos que compõem o time de Lula”, afirmou.
De acordo com a petista, o encontro servirá para apresentar ações desenvolvidas pelo Governo Federal voltadas às mulheres e discutir políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
“Ela fala das ações que estão em curso no governo do presidente Lula relacionadas à violência contra as mulheres. O governo trouxe de volta o Ministério das Mulheres, que havia sido extinto, e também garantiu orçamento para políticas públicas voltadas para as mulheres”, ressaltou.
Na sexta-feira (27), Janja participará de compromissos ao lado da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra.
Time de Lula reunido Samanda explicou que a agenda também terá caráter político ao reunir lideranças dos partidos aliados que integram a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
“Vai envolver os partidos aliados. É uma agenda voltada para as mulheres, mas é importante que os homens que compõem o nosso time também estejam presentes. Nós temos pré-candidato ao Governo e pré-candidato ao Senado, e eles estarão lá para ouvir e aprender mais sobre essa pauta”, declarou.
A petista avalia que a presença de Janja ajuda a fortalecer o campo político ligado ao presidente Lula e evidencia o protagonismo feminino dentro do grupo governista potiguar.
“A importância da visita é mostrar a organização do nosso campo político e o protagonismo das mulheres. Nós temos aqui um time feminino muito forte, muito organizado e que foi fundamental nas campanhas do presidente Lula”, afirmou.
Sobre uma possível visita do presidente ao Rio Grande do Norte ainda neste ano, Samanda disse que a expectativa permanece.
“Estamos na expectativa da vinda dele. Uma das possibilidades é que ele venha para anunciar a ordem de serviço do Hospital Universitário do Seridó”, revelou.
Apoio incondicional de Fátima Outro ponto abordado pela pré-candidata foi o envolvimento direto da governadora Fátima Bezerra em sua campanha ao Senado. Nos últimos dias, a chefe do Executivo estadual voltou a gravar vídeos declarando apoio ao nome de Samanda.
“Sem dúvida ela está envolvida. Fátima foi retirada desse processo eleitoral e colocou o nosso nome para seguir essa construção. Ela entende a importância da disputa pelo Senado e estará do nosso lado durante esse processo”, afirmou.
Segundo Samanda, a relação política construída ao longo dos anos torna natural a participação da governadora em sua pré-campanha.
“Samanda é Fátima e Fátima é Samanda. Tenho uma trajetória ao lado dela e aprendi muito com ela na política”, acrescentou.
Vice de Cadu pode vir do PSOL Samanda também confirmou que o PT pretende intensificar o diálogo com o PSOL nos próximos dias.
Segundo ela, as conversas não se limitam a uma eventual aliança política e incluem a possibilidade de participação do partido na composição majoritária, inclusive na vaga de vice da chapa encabeçada pelo pré-candidato ao Governo, Cadu Xavier.
“Nós formalizamos o convite para o diálogo e entendemos que há espaço para o PSOL na nossa composição. Respeitamos a autonomia do partido, mas queremos construir essa conversa”, explicou.
De acordo com a petista, uma reunião formal entre as direções das duas legendas deverá ocorrer até a próxima semana, quando os entendimentos poderão avançar em torno da formação da chapa governista para 2026.
Federação fecha definições em julho Em relação à nominata da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Samanda afirmou que as negociações estão avançadas e que a expectativa é concluir todas as definições até a primeira quinzena de julho.
“É uma discussão muito tranquila. Temos companheiros valorosos se colocando à disposição porque entendem a importância de ampliar nossa representação. Até a primeira quinzena de julho devemos concluir toda a composição da chapa majoritária e proporcional”, afirmou.
O mais recente episódio da novela envolvendo a Federação União Progressista teve, mais uma vez, como protagonista o ex-deputado Kelps Lima, aliado declarado do ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil). Ao intensificar ataques ao deputado federal Robinson Faria (PP), Kelps acabou criando uma situação desconfortável para o próprio projeto político que afirma defender.
Na prática, o ex-deputado termina jogado o “pior governador dos últimos 40 anos”, como ele próprio classifica Robinson, diretamente no colo de Allyson. O problema é que Robinson não é apenas mais um integrante da Federação União Progressista. Trata-se de um dos principais aliados do ex-prefeito de Mossoró e peça importante na construção do projeto político que busca levar Allyson à disputa pelo Governo do Estado em 2026.
A situação ganha desdobramentos ainda mais delicados porque o próprio Kelps já declarou, em outras ocasiões, que sua permanência no União Brasil está diretamente ligada à relação política e pessoal que mantém com Allyson. Ainda assim, as críticas dirigidas ao ex-governador acabam atingindo um dos nomes mais próximos do grupo aliado ao ex-prefeito mossoroense.
Durante agenda no Oeste potiguar no último fim de semana, em entrevista à TCM, Kelps voltou a disparar contra Robinson, seu adversário direto na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. O tom adotado chamou atenção pela dureza das críticas e pela associação direta ao período em que Robinson governou o Rio Grande do Norte.
“É preciso dizer à população do Rio Grande do Norte que eu concorro com o pior governador dos últimos 40 anos aqui”, afirmou.
Ao justificar a declaração, o ex-deputado relembrou os atrasos salariais registrados no fim da gestão Robinson. “O deputado cheio de gente que ficou com o salário atrasado. Aí ninguém vai dizer isso. Eu vou”, declarou.
As críticas prosseguiram. Kelps afirmou que foi líder da oposição durante a administração do ex-governador e procurou marcar distância política do parlamentar.
“Essas verdades precisam ser ditas, porque senão vão pensar que eu sou igual a ele. E eu não sou igual a Robinson Faria. Eu sou muito diferente e fui líder da oposição no governo desastrado de Robinson”, disse.
O próprio Kelps reconheceu o paradoxo da convivência dentro da mesma federação ao comentar a relação entre os dois grupos.
“A conjuntura política, por causa da minha amizade e relação com Allyson, faz com que a gente esteja na mesma federação. Mas Robinson Faria joga um jogo antigo, velho, ultrapassado. Eu jogo outro jogo”, afirmou.
A ofensiva não ficou restrita à entrevista. Em outra publicação que repercutiu nas redes sociais, Kelps voltou a ironizar o legado administrativo do ex-governador ao fazer referência às quatro folhas salariais deixadas em atraso ao final de 2018.
“Esse rapaz deixou bem pouquinha gente com salário atrasado no Rio Grande do Norte”, disse, em tom irônico, ao ver Robinson se aproximar no mesmo evento que participava. Em seguida, completou: “Mas esse ano quem vai deixar ele sem salário somos nós. Vá por mim. Quando o povo quer, não tem quem segure, completou”.
Aliança polêmica com Abraão Lincoln A polêmica, porém, não se limita às declarações contra Robinson Faria. Outro fator que tem chamado atenção nos bastidores é a aproximação de Kelps Lima com Abraão Lincoln, citado nas investigações da chamada “farra do INSS”, que apura mais de R$ 200 milhões em descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
Abraão, que chegou a ser preso em novembro do ano passado, apareceu ao lado de Kelps em agenda política realizada em Caiçara do Norte, no mês de maio. A imagem repercutiu entre adversários e acrescentou um novo foco de desgaste à Federação União Progressista, já pressionada pelas declarações do ex-deputado contra Robinson Faria.
O Diário do RN procurou ouvir o deputado Robinson Faria sobre as declarações de Kelps, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A reportagem também buscou contato com o presidente estadual do União Brasil, José Agripino Maia, e com o ex-prefeito Allyson Bezerra. Ambos mantiveram silêncio, repetindo a postura adotada em episódios anteriores envolvendo os atritos internos da Federação.
A indefinição do PSDB sobre a disputa pelo Governo do Estado em 2026 ganhou um novo desdobramento neste fim de semana. A vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão (PSDB), irmã do presidente estadual da legenda, Ezequiel Ferreira, lançou uma enquete nas redes sociais sobre a preferência dos eleitores entre os principais pré-candidatos ao Executivo. Nos bastidores, o movimento reforçou a percepção de que a decisão do partido continua em aberto para este ano.
Em vídeo publicado no Instagram, Milena questionou os internautas sobre a corrida eleitoral. “Se a eleição para governador do Rio Grande do Norte fosse hoje, para quem seria sua torcida? Hoje nós temos três pré-candidatos a governador: Allyson Bezerra, Cadu Xavier e Álvaro Dias. E eu quero saber qual seria sua preferência hoje. Para quem você torceria? Eu quero saber. Coloque aqui nos comentários”, disse.
A publicação rapidamente ganhou repercussão e acumulou quase cinco mil comentários. As manifestações revelaram um eleitorado dividido entre os principais nomes colocados até o momento na disputa estadual.
Entre os comentários, alguns internautas demonstraram preferência pelo ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL). “Álvaro Dias com certeza é o mais experiente, testado e aprovado”, escreveu uma seguidora.
Outros defenderam o secretário estadual da Fazenda e pré-candidato governista, Cadu Xavier (PT).
“Cadu é o mais preparado”, comentou outro participante da enquete.
Também houve manifestações favoráveis ao ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). “Eu e minha família votamos com Allyson Bezerra”, registrou um internauta.
A movimentação chamou atenção ainda por abrir espaço para uma quarta alternativa. Alguns seguidores passaram a defender que a própria Milena Galvão dispute o Governo do Estado. “Votaria em Milena sendo governadora”, escreveu uma participante da discussão.
Nos bastidores, a enquete foi recebida como mais um indicativo de que o PSDB continua avaliando cenários e não definiu seu posicionamento para a eleição estadual. A leitura predominante é de que, se a decisão estivesse consolidada, não haveria necessidade de estimular um debate público sobre as preferências do eleitorado.
Indefinição se arrasta há meses A situação do partido vem sendo acompanhada de perto desde o início das articulações para 2026.
Desde o início da pré-campanha, o PSDB tem sido cortejado por diferentes grupos políticos. Nos últimos meses, lideranças tucanas participaram de encontros com representantes de mais de um campo político, alimentando especulações sobre qual será o destino da legenda.
A cautela adotada pela sigla, inclusive, já havia sido externada em reuniões anteriores. Lideranças do partido deixaram claro que a definição sobre a disputa majoritária deverá ocorrer até julho, quando o cenário eleitoral estará mais consolidado. Até lá, a orientação é manter o diálogo aberto com diferentes grupos políticos e evitar antecipar uma decisão.
Outra sinalização dada pelo PSDB é a de que prefeitos, vice-prefeitos e demais lideranças municipais terão liberdade para manifestar apoio aos pré-candidatos de sua preferência. Paralelamente, a bancada tucana na Assembleia Legislativa trabalha para construir uma posição consensual, buscando unificar o partido em torno de um único nome quando chegar o momento da definição oficial.
Ao mesmo tempo, o nome de Milena Galvão segue citado em conversas relacionadas à composição de chapas majoritárias. Ela é apontada por setores do governismo como uma possível opção para ocupar a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada por Cadu Xavier.
A ausência de uma definição formal tem mantido o PSDB em posição estratégica nas negociações para 2026. Com forte presença em municípios do interior e influência política acumulada ao longo dos últimos anos, a legenda continua sendo vista como uma peça importante para qualquer projeto eleitoral competitivo.
O Rio Grande do Norte alcançou um resultado histórico na gestão das finanças públicas ao conquistar o segundo lugar no Prêmio Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, promovido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O resultado foi anunciado nesta segunda-feira (22), durante cerimônia realizada em Brasília (DF), e reconhece os estados e municípios que mais se destacam pela qualidade, consistência e transparência das informações contábeis e fiscais encaminhadas ao Governo Federal.
A conquista representa um salto expressivo para o Estado. Em 2018, o Rio Grande do Norte ocupava a última colocação no ranking nacional. Desde então, iniciou um processo de reestruturação da Contabilidade Geral do Estado que resultou em avanços sucessivos. Em 2025, o RN alcançou a quinta posição e, agora, chegou ao segundo lugar no país, ficando entre os estados mais bem avaliados pela Secretaria do Tesouro Nacional.
De acordo com o Governo do Estado, o reconhecimento reforça o compromisso da gestão estadual com a responsabilidade fiscal, a transparência das contas públicas e o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e prestação de informações à sociedade.
Para o secretário estadual da Fazenda, Álvaro Bezerra, o resultado demonstra uma mudança consistente na qualidade da gestão fiscal potiguar ao longo dos últimos anos.
“O Rio Grande do Norte recebeu o prêmio da STN como o segundo melhor estado do Brasil na qualidade da informação contábil e fiscal. É um grande avanço, o Estado vem crescendo ano após ano”, destacou.
O secretário lembrou a trajetória percorrida pelo Rio Grande do Norte desde o início do processo de reorganização dos sistemas contábeis e fiscais.
“Em 2018, o Estado era o último nesse mesmo ranking. No ano passado, nós éramos o quinto. E agora estamos no topo três, como o segundo melhor do Brasil”, afirmou.
Segundo Álvaro Bezerra, o reconhecimento nacional é resultado de investimentos voltados para a qualificação dos processos internos e para a melhoria da transparência pública.
“Isso é uma alegria e uma forma de demonstrar como o Governo investiu e valoriza a qualidade da informação, com transparência e respeito à gestão fiscal”, ressaltou.
A avaliação positiva da STN também fortalece a credibilidade das informações produzidas pelo Estado e utilizadas por órgãos de controle, instituições financeiras, investidores e pela própria sociedade para acompanhar a execução das políticas públicas e a situação fiscal do Rio Grande do Norte.
Como funciona o prêmio Criado pela Secretaria do Tesouro Nacional, o Prêmio Qualidade da Informação Contábil e Fiscal tem como objetivo incentivar a transparência, a responsabilidade fiscal e o aprimoramento da gestão financeira nos estados e municípios brasileiros. A iniciativa busca reconhecer boas práticas na produção e envio de informações contábeis e fiscais ao longo do país.
O resultado é definido com base no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, elaborado pela própria STN a partir dos dados encaminhados ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Para isso, o Tesouro Nacional realiza mais de 160 verificações cruzadas em documentos como a Matriz de Saldos Contábeis (MSC), a Declaração de Contas Anual (DCA), o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF).
São avaliados critérios como consistência e conformidade dos dados, coerência entre os demonstrativos e cumprimento dos prazos legais de envio.
A pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte ganhou contornos ainda mais explosivos nesta segunda-feira (22), após o Tribunal Regional Eleitoral do RN enquadrar como caso de Justiça Eleitoral uma postagem ofensiva contra o pré-candidato Álvaro Dias e colocar o nome de Allyson Leandro Bezerra Silva no centro de uma representação que agora avança com ordem de remoção do conteúdo, multa e quebra do anonimato do perfil que espalhou a peça. Na decisão proferida no processo nº 0600209-45.2026.6.20.0000, a juíza Sulamita Pacheco, do TRE-RN, determinou que a Meta/Instagram remova em 24 horas a publicação feita no perfil @rncomallyson que trazia a imagem de Álvaro Dias associada à frase “ÁLVARO DIAS CALOTEIRO” e a uma falsa manchete com os dizeres “Beto Barbosa denuncia calote de Álvaro Dias por show em Natal”. Além de mandar retirar o material do ar, a magistrada ordenou que a plataforma informe, no prazo de cinco dias, os dados cadastrais do responsável pelo perfil “@rncomallyson” e as URLs das contas que replicaram o conteúdo, transformando a disputa digital em uma frente formal de apuração eleitoral.
A publicação em questão se refere ao ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, como caloteiro em razão da falta de pagamento de cachê ao artista Beto Barbosa – Foto: Reprodução
O caso atinge diretamente Allyson Bezerra, citado expressamente como representado na ação eleitoral que questiona a postagem publicada no perfil @rncomallyson. Na própria decisão, a juíza registra que a representação foi proposta ‘em face do ex-prefeito de Mossoró’, ao lado do responsável pela administração do perfil @rncomallyson”. Embora a juíza ainda não atribua formalmente a autoria da conta ao ex-prefeito de Mossoró, o caso passa a girar diretamente em torno de um perfil que usa seu nome político e que foi acionado por divulgar uma peça que a própria Justiça classificou, em análise inicial, como ofensiva e abusiva. No despacho, Sulamita Pacheco foi dura ao afirmar que, ao examinar a publicação, “constata-se, a priori, o seu conteúdo ofensivo e ultrajante, com grande potencial de atingir a honra e a imagem do candidato”. Em outro trecho, reforçou que a postagem apresenta “claro intuito de ferir a honra e a imagem de pré-candidato”, ultrapassando, segundo ela, os limites da liberdade de manifestação política na internet.
O despacho do TRE pesou sobre o conteúdo divulgado no perfil ligado nominalmente a Allyson. Sulamita Pacheco destacou que, em uma análise preliminar própria da fase de urgência, a postagem extrapola a crítica política e invade o terreno da ofensa à honra, da propaganda eleitoral negativa e do ataque à imagem de um pré-candidato. Ao fundamentar a decisão, a relatora citou o artigo 27 da Resolução nº 23.610 do TSE, segundo o qual a livre manifestação na internet só pode ser limitada quando houver ofensa à honra ou à imagem de candidatos, partidos, federações ou coligações, além do artigo 22, inciso X, da mesma resolução, que veda propaganda que calunie, difame ou injurie qualquer pessoa. A juíza também lembrou que a Corte potiguar já tem precedentes em casos semelhantes, citando o REI nº 060003058, de Riachuelo, e o REI nº 0600300-50.2024.6.20.0051, de São Gonçalo do Amarante, ambos usados como referência para admitir a configuração de propaganda antecipada negativa quando há desqualificação de pré-candidato com ofensa à honra e à imagem.
Na prática, a decisão do processo nº 0600209-45.2026.6.20.0000 impõe três efeitos imediatos. O primeiro é a retirada do ar, em 24 horas, da postagem hospedada na URL https://www.instagram.com/p/DXg4MSAAMFs/, sob pena de multa diária de R$ 10 mil à plataforma caso descumpra a ordem. O segundo é a obrigação de a Meta entregar, em cinco dias, os dados do responsável pelo perfil @rncomallyson e das contas que replicaram o conteúdo, o que abre caminho para rastrear a origem e a cadeia de circulação da publicação. O terceiro é a imposição de uma ordem ao representado para que não republique o material, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Com isso, o que começou como uma postagem de rede social com ataque direto a um adversário se transformou em um caso com potencial de desgaste político e consequências judiciais no coração da corrida eleitoral de 2026.
A decisão ainda fez um ajuste no polo passivo da ação ao retirar formalmente o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. da condição de representado. A juíza observou que a plataforma não foi acusada de produzir a propaganda, mas apenas incluída para cumprir eventual ordem de remoção e fornecer dados do perfil investigado. Por isso, determinou sua exclusão do polo passivo, sem afastar a obrigação de a empresa atender às determinações judiciais. Com isso, o núcleo da representação permanece concentrado em Allyson Leandro Bezerra Silva e no responsável pela administração do @rncomallyson, perfil que agora passa a ser alvo de identificação formal por ordem do TRE.
O despacho também deixa claro o motivo da pressa da Justiça Eleitoral. Para a magistrada, o risco da demora é evidente porque “esse tipo de conteúdo ofensivo, quando propagado por meio de redes sociais, possui grande poder de alcance e disseminação”, razão pela qual seria necessária a rápida atuação do Judiciário para cessar seus “efeitos ilegítimos”. O recado político e jurídico é direto: em plena fase de pré-campanha, a guerra digital passou a ser tratada pelo Tribunal como matéria de alta sensibilidade eleitoral, sobretudo quando envolve perfis anônimos ou de autoria ainda não esclarecida, conteúdo potencialmente difamatório e a tentativa de colar em um adversário a pecha de “caloteiro” com linguagem de ataque e estética de manchete.
Agora, o caso entra em uma fase ainda mais delicada. Depois do cumprimento da ordem pela Meta, a parte representada deverá ser citada para apresentar defesa em dois dias, e os autos seguirão para parecer da Procuradoria Regional Eleitoral. Até lá, a decisão já produz um efeito político imediato: coloca Allyson no epicentro de uma representação eleitoral que envolve um perfil batizado com seu nome, uma postagem que o TRE classificou como ofensiva e ultrajante, e uma determinação expressa para que a plataforma revele quem está por trás da conta. Em vez de apenas apagar um post, o tribunal abriu uma trilha oficial para chegar à identidade de quem operou o ataque e à rede que ajudou a espalhá-lo.
Na primeira entrevista concedida à imprensa após sobreviver ao atentado que matou seu assessor Alyson Dyego de Oliveira, o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) afirmou ao Diário do RN que não pretende mudar sua atuação política. Pelo contrário: promete intensificar o combate às facções criminosas, continuar denunciando irregularidades administrativas e honrar a memória do companheiro morto no ataque.
Ferido a tiros durante uma transmissão ao vivo em frente à UPA do Alto de São Manoel, no último dia 15, Deyvison segue em recuperação. Ao Diário do RN, ele disse acompanhar o andamento das investigações e acredita que a principal linha adotada pela Polícia Civil aponta para uma retaliação das facções à atuação de seu mandato.
“A principal linha de investigação, de acordo com o Doutor Caio [titular da DHPP de Mossoró], foi uma retaliação à nossa atuação como parlamentar em defesa do povo da periferia que está sofrendo com a opressão das facções”, afirmou.
Segundo ele, as denúncias vinham expondo situações graves em bairros da cidade. “Conselheiros tutelares impedidos de entrar em territórios controlados por facções, comerciantes sendo extorquidos, famílias inteiras sendo expulsas de suas casas, mães chorando porque seus filhos foram sequestrados, escolas pichadas com símbolos de facção. Eu vinha denunciando tudo isso”, declarou.
Apesar de considerar a hipótese das facções como a mais consistente neste momento, Deyvison ressaltou que outras linhas de investigação também devem ser consideradas.
“Essa é a principal linha de investigação. Mas isso não quer dizer que outras linhas serão descartadas”, disse.
Entre as possibilidades que, segundo ele, ainda merecem apuração, estão denúncias relacionadas à gestão municipal de Mossoró. Deyvison afirmou que seu mandato vinha fiscalizando contratos públicos e apontando supostas irregularidades na administração local.
O vereador citou o caso da empresa Dismed, investigada pela Polícia Federal na Operação Mederi. “Na gestão do prefeito Allyson Bezerra, a Prefeitura de Mossoró repassou mais de R$ 14 milhões da saúde para a empresa Dismed, alvo da Operação Mederi. Esse foi um dos casos que nosso mandato vinha denunciando”, declarou.
Deyvison também mencionou outras denúncias feitas pelo seu mandato envolvendo gastos da administração municipal. “Eu já vinha denunciando atos de corrupção na gestão Allyson, como os enfeites natalinos deste ano e o gabinete institucional em Natal ao custo de R$ 10.700 por mês, em um contrato anual de R$ 127 mil para uma sala que se encontra fechada”, afirmou.
Mesmo após o atentado e a perda do assessor, Deyvison garante que seguirá atuando da mesma forma.
“Para honrar o nome do meu assessor e amigo Alyson Diego, eu não posso recuar. Eu continuarei trabalhando. Vou usar o nosso mandato até o último dia para representar as pessoas que confiaram no nosso trabalho”, afirmou.
Avanço do crime organizado Ao Diário do RN, o vereador voltou a alertar para o avanço das organizações criminosas em Mossoró e na região Oeste. Segundo ele, a cidade vive uma escalada da violência que já havia sido alertada por seu mandato.
“Desde o ano passado eu venho dizendo que Mossoró ‘poderia chorar sangue’. E está acontecendo.
Estamos com mais de 70 homicídios somente esse ano”, declarou.
Para o parlamentar, as facções já exercem influência sobre territórios inteiros e representam uma ameaça não apenas à segurança pública, mas também à própria democracia.
“Facções criminosas estão controlando territórios inteiros para financiar campanhas ou impedir que adversários políticos peçam votos e apresentem projetos. Isso compromete o sufrágio universal e a democracia”, afirmou.
Deyvison também fez críticas à estrutura de segurança pública disponível em Mossoró. Sobre o Governo do Estado, cobrou reforço do efetivo policial e novas convocações de aprovados em concursos públicos.
Já em relação ao município, foi mais enfático: “O município é omisso porque não adota políticas públicas para a segurança pública. A Guarda Civil Municipal tem um efetivo reduzidíssimo e há muitos anos não recebe reforço por concurso”, declarou.
Na avaliação do vereador, o resultado é um cenário em que “o Estado recua e as facções avançam”.
“Hoje as periferias sofrem com a opressão das facções, com o terror das facções e com a omissão do poder público”, afirmou.
Agradecimentos à Polícia e profissionais de saúde Ainda durante a entrevista, o vereador agradeceu às forças policiais do Rio Grande do Norte e do Ceará que atuaram na investigação.
“Quero agradecer aos guerreiros da Polícia Civil, Polícia Militar, e todos que estiveram em campo se dedicando para encontrar os autores desse ato”, afirmou.
Cabo Deyvison também reservou espaço para agradecer às equipes que participaram de seu atendimento após o atentado.
“Quero agradecer aos profissionais da saúde que estiveram comigo, cuidando da minha saúde”, disse, citando servidores da UPA do Alto de São Manoel, do Hospital Regional Tarcísio Maia e do Hospital da Polícia Militar, finalizou.
A segunda partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, nesta sexta-feira (19), contra o Haiti, na Filadélfia (EUA), também mobiliza os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Em conversa com o Diário do RN, os três principais nomes já postos na disputa estadual disseram acreditar em uma ampla vitória e mantêm a confiança de que o Brasil pode finalmente conquistar o tão aguardado hexacampeonato, aguardado desde a Copa de 2006.
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), aposta na força da tradição brasileira e na qualidade do elenco para superar o tropeço da estreia e iniciar uma trajetória de crescimento na competição. “Estou muito confiante na Seleção Brasileira. Temos um grupo qualificado, jogadores de alto nível e uma camisa que sempre pesa em Copa do Mundo. Acredito que o Brasil vai fazer um grande jogo contra o Haiti, vencer por 3 a 0 e ganhar ainda mais confiança para a sequência da competição. Copa se ganha passo a passo, e vejo o Brasil com plenas condições de chegar forte na disputa pelo título e brigar pelo hexa campeonato”, afirmou, avaliando que uma atuação segura diante do Haiti pode servir como ponto de virada para uma campanha mais consistente nas próximas fases do Mundial.
Já o ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato do União Brasil, Allyson Bezerra, de forma sucinta, não escondeu o otimismo. Além de prever uma goleada, associou o sucesso da Seleção ao momento político que espera viver no Rio Grande do Norte em 2026. Além disso, o pré-candidato arriscou um placar ainda mais amplo: “Brasil campeão da Copa e o RN vai mudar no mesmo ano. 4×0”, declarou, reforçando tanto no desempenho brasileiro quanto no cenário eleitoral que começa a se desenhar para as eleições deste ano.
Pelo lado governista, o ex-secretário estadual da Fazenda e pré-candidato do PT, Cadu Xavier, assim como Allyson, aposta em uma vitória larga, por 4×0. Para ele, o confronto desta sexta-feira pode representar o início da caminhada rumo ao sexto título mundial. “Estamos muito otimistas. O Brasil vai fazer um grande jogo, vai ter uma grande vitória e vai dar o primeiro passo rumo ao hexa campeonato.
O Brasil vai ganhar de 4 a 0”, projetou na expectativa que o resultado devolva tranquilidade à equipe e fortaleça a confiança dos torcedores para o restante da competição.
Apesar das divergências políticas, os três pré-candidatos convergem para um mesmo sentimento: de uma vitória confortável, que pode levar a Seleção a reagir e confirmar o favoritismo diante do Haiti, alcançando posição favorável no grupo em que está inserida.
Estreia apertada A confiança dos pré-candidatos vem após uma estreia abaixo das expectativas. No último sábado, em Nova York, o Brasil empatou por 1 a 1 com o Marrocos, resultado que aumentou a importância do duelo desta sexta-feira, visto que uma vitória não apenas encaminha o Brasil para a classificação, mas também pode representar o impulso que a Seleção precisa para caminhar rumo ao hexa.
Após a repercussão negativa de uma entrevista concedida ao programa Show de Notícias, da rádio 97 FM, sobre a prisão dos suspeitos de participação no atentado contra o vereador Cabo Deyvison (PL), em Mossoró, o Diário do RN procurou o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) para esclarecer uma declaração que chamou atenção pela forma como tratou a atuação das forças de segurança do Rio Grande do Norte.
Ao comentar a prisão de José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas, detidos em um trecho da CE-040, no município de Beberibe, no Ceará, o parlamentar parabenizou a atuação da polícia do Ceará e classificou a participação da PM do RN como “interação”.
“A polícia do Ceará prendeu, mas imagino eu que tenha havido algum tipo de interação com a polícia do Rio Grande do Norte. Então, nossos guerreiros, os policiais cearenses recebam nossos parabéns”.
A declaração gerou questionamentos sobre o reconhecimento à atuação das forças de segurança potiguares na operação. Procurado pela reportagem para esclarecer se os elogios não deveriam se estender também à polícia do Rio Grande do Norte, Azevedo respondeu, por meio da assessoria, que os cumprimentos eram destinados às corporações dos dois estados.
A resposta veio acompanhada de uma nota na qual o deputado ampliou as críticas ao Governo do Estado e ao Partido dos Trabalhadores.
“Após o vereador Cabo Deyvison ser baleado e o cinegrafista Allyson ser assassinado, as polícias do Rio Grande do Norte e do Ceará trabalharam conjuntamente para prender os faccionados autores do atentado terrorista”, afirmou.
Na sequência, Azevedo atribuiu a rapidez da operação exclusivamente ao trabalho das corporações policiais.
“As prisões aconteceram rapidamente, mas muito pelo mérito das polícias dos dois estados e, talvez, porque não tenha dado tempo de os ideólogos do PT tentarem influenciar as ações policiais”, declarou.
O trecho mais contundente da nota veio logo em seguida, quando o parlamentar afirmou acreditar que integrantes do PT tentariam interferir na captura dos suspeitos.
“Tenho certeza absoluta de que, se algum elemento ideológico do Governo do PT (desses que chegaram ao poder com os votos dos bandidos) tivesse tido tempo para influenciar as decisões de captura, a influência teria sido no sentido de preservar a integridade física e os direitos humanos dos assassinos”, escreveu.
“Governo Fátima é uma tragédia” Questionado pelo Diário do RN se os elogios pela prisão dos suspeitos também deveriam alcançar o Governo do Estado, Coronel Azevedo descartou qualquer reconhecimento à gestão estadual.
“O Governo Fátima é uma tragédia e não é digno de elogios na questão das facções. Não merece parabéns porque, até agora, não atendeu ao nosso requerimento para pedir a Lula que trate as facções como grupos terroristas”, afirmou o deputado.
A declaração reforça uma estratégia recorrente do parlamentar de dissociar o trabalho das forças policiais da atuação do Governo do Estado. Enquanto reconhece o mérito das corporações de segurança pelo resultado da operação, Azevedo direciona as críticas à administração estadual e ao PT.
Azevedo e a negociação com PCC durante Rebelião em Alcaçuz As declarações de Coronel Azevedo sobre o tratamento dado a criminosos também remetem a um episódio de sua atuação na segurança pública. Em 2017, durante a crise provocada pela rebelião no presídio de Alcaçuz, quando era comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Azevedo foi fotografado conversando com um detento em meio às tentativas de controle do conflito.
À época, a imprensa local e nacional, classificou a imagem como uma “negociação” de Azevedo com um membro de facção.
O episódio volta a ser lembrado no momento em que Azevedo adota um discurso de forte enfrentamento às facções criminosas.
A pré-candidata a deputada federal Thabatta Pimenta (PV) afirma que a crescente aceitação popular ao seu nome tem provocado incômodo em setores tradicionais da política potiguar. Em entrevista ao Diário do RN, a vereadora de Natal disse perceber resistência justamente entre lideranças que há décadas dominam os espaços de poder no Estado e afirmou que a disputa de 2026 pode representar uma mudança de perfil na representação do Rio Grande do Norte em Brasília.
“Às vezes eu sinto isso quando estou em ambientes com outros políticos da velha política. Existe aquele olhar de desdém, de quem tenta entender o que está acontecendo”, afirmou ao Diário do RN. Em seguida, afirmou que está pronta para a disputa e elevou o tom ao comentar o cenário eleitoral: “Eles não estão preparados”. Questionada sobre quem seriam esses adversários, respondeu sem hesitar: “A velha política”.
A declaração ocorre em um momento em que Thabatta tem ampliado agendas pelo interior e pela capital e relata estar vivendo uma receptividade diferente daquela observada em campanhas anteriores.
Segundo a vereadora, a aceitação popular vai além das pautas identitárias e está ligada à identificação de eleitores com sua trajetória pessoal e política.
“Estou conseguindo sentir algo muito diferente nessa pré-campanha, algo que eu nunca vivenciei nos outros anos”, afirmou relembrando as eleições de 2020, 2022 e 2024. Para ela, sua atuação parlamentar ajudou a desconstruir preconceitos que historicamente marcaram a visão de parte da sociedade sobre pessoas trans.
“As pessoas estão entendendo que a minha luta é muito para além de partidos e cores. É sobre gente”, disse.
Durante a entrevista, Thabatta destacou que essa mudança de percepção não envolve apenas sua condição de mulher trans, mas também outras bandeiras que carrega. Nordestina, filha do interior e mãe atípica, ela afirma representar experiências frequentemente ausentes dos espaços de poder.
“Quando digo que desconstruo preconceitos, não é só em relação ao meu corpo enquanto pessoa LGBT.
É também sobre maternidade atípica, sobre xenofobia, sobre ser uma menina do interior que leva seu sotaque e sua realidade para todos os lugares”, declarou.
A vereadora avalia que esse conjunto de vivências tem ampliado seu alcance junto a públicos diversos.
Segundo ela, apoios têm surgido de segmentos que normalmente não seriam associados às pautas que defende.
“O que eu mais recebo é apoio de senhorinhas, de famílias inteiras e até de pessoas que muitos imaginariam estar distantes da minha realidade”, afirmou.
Para Thabatta, o Rio Grande do Norte pode viver um momento histórico em 2026. Caso eleita, ela se tornará a primeira nordestina trans a ocupar uma cadeira na Câmara Federal.
“O Rio Grande do Norte pode fazer história este ano. Ser a primeira nordestina trans e mãe atípica naquele lugar é trazer um novo olhar para a política. Vamos dar uma resposta aos preconceituosos”, afirmou.
CRESCIMENTO DA FEDERAÇÃO Dentro da Federação Brasil da Esperança, a expectativa é de ampliação da bancada federal. Thabatta acredita que o grupo reúne condições para dobrar as atuais duas vagas na Câmara. “A Federação tem potencial para fazer quatro deputados federais. A aceitação que estamos vendo nas ruas mostra que esse é um cenário possível.”, declarou.
Apoio a Cadu, segundo turno e voto em Ivan Baron Aliada do pré-candidato ao Governo do Estado Cadu Xavier (PT), Thabatta demonstrou confiança no crescimento da candidatura governista ao longo da campanha.
“Quem está no dia a dia está vendo que existe uma força muito grande, principalmente dos prefeitos que estão com ele”, disse ao Diário do RN. Para ela, a disputa chegará ao segundo turno. “Eu consigo perceber que a gente vai sim para o segundo turno com o nosso muso Cadu Xavier”, afirmou.
Já para a Assembleia Legislativa, a vereadora reafirmou apoio ao ativista Ivan Baron. “O voto da pessoa Thabatta é Ivan. Isso eu não abro mão”, declarou. Apesar da preferência pessoal, ela ressaltou que sua campanha deverá construir alianças com diferentes candidaturas estaduais ao longo do processo eleitoral. “Minha candidatura é sobre muitas amizades e vou dobrar com muita gente em vários lugares”, afirmou.
Sobre uma possível candidatura do irmão, Ryan Pimenta, para uma vaga na Assembleia Legislativa, a vereadora ressalta que ele desistiu do projeto. “Ryan abriu mão da candidatura por saber que é importante ter uma pré-candidatura como a minha defendendo as pautas que nós defendemos. Dividir nesse momento não seria o certo”, explicou Thabatta.
O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte (MPC-RN) recomendou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) a desaprovação das contas de governo de 2021 da Prefeitura de Mossoró, referentes ao primeiro ano da gestão do prefeito Allyson Bezerra. A manifestação ministerial nº 0252/2026, assinada em 9 de junho pela procuradora Luciana Ribeiro Campos, concluiu que as irregularidades identificadas comprometem a regularidade das contas e justificam a emissão de parecer prévio desfavorável.
O parecer, juntado ao Processo nº 000628/2023-TC, acompanhou as conclusões da auditoria da Diretoria de Controle de Contas de Governo e Gestão Fiscal (DCC) e apontou uma série de falhas na condução orçamentária e administrativa do município.
Entre os principais achados estão a não remessa, dentro do prazo legal, dos documentos que compõem a Prestação de Contas Anual (PCA), o descumprimento do prazo para envio da Lei Orçamentária Anual (LOA), a abertura de créditos suplementares acima do limite autorizado pela legislação municipal e a ausência de autorização para abertura de crédito especial.
Ao analisar os autos, a procuradora destacou que o município extrapolou o limite legal para abertura de créditos suplementares. Segundo o parecer, a Lei Orçamentária Anual de 2021 autorizava suplementações de até 25% das despesas fixadas, mas o limite foi ultrapassado durante a execução do orçamento. O documento ressalta ainda que a ausência de cópias dos decretos de abertura desses créditos impediu uma verificação mais ampla da extensão das alterações promovidas pela gestão.
As inconsistências não se limitaram às alterações orçamentárias. A auditoria identificou fragilidades no próprio planejamento fiscal do município. Em 2021, a Prefeitura estimou arrecadar R$ 689,1 milhões, mas encerrou o exercício com arrecadação efetiva de R$ 930,3 milhões, uma diferença de R$ 241,2 milhões. Já as despesas foram fixadas em R$ 1,022 bilhão, embora apenas R$ 825 milhões tenham sido empenhados, gerando uma distância superior a R$ 197 milhões entre o previsto e o efetivamente executado.
Para a procuradora Luciana Ribeiro Campos, o cenário demonstra a “necessidade de reavaliação das técnicas de formulação de orçamento do Município de Mossoró”. O parecer acrescenta que “os procedimentos adotados pelo gestor para o planejamento orçamentário do Município podem ser classificados como ineficientes”.
A manifestação ministerial também afasta a tese de que os problemas seriam meramente burocráticos.
Ao tratar das falhas no envio de informações obrigatórias ao Tribunal de Contas, a procuradora registrou que o “descumprimento desses deveres evidencia falha na governança fiscal e desorganização administrativa, não podendo ser tratado como mera impropriedade formal”.
Na conclusão do documento, o MPC é categórico ao afirmar que a gravidade das irregularidades compromete a aprovação das contas. “A irregularidade constatada, diante de sua materialidade e relevância, mostra-se suficiente para macular as contas em exame, ensejando a emissão de parecer desfavorável à sua aprovação”, escreveu Luciana Ribeiro Campos.
Problemas se repetem ao longo da gestão O parecer sobre 2021 reforça uma sequência de apontamentos feitos pelos órgãos de controle durante o primeiro mandato de Allyson Bezerra.
Nas contas de 2022, o Ministério Público de Contas também opinou pela desaprovação após apontar a abertura de aproximadamente R$ 660,2 milhões em créditos suplementares, o equivalente a 77,55% do orçamento municipal, apesar de a autorização legislativa prever limite de 25%. O órgão ainda registrou falhas na prestação de informações obrigatórias.
Em 2023, o MPC voltou a recomendar a rejeição das contas, destacando excesso na abertura de créditos suplementares, atrasos expressivos no envio de demonstrativos fiscais e inconsistências contábeis. O parecer ministerial chegou a mencionar que os fatos poderiam configurar, em tese, atos de improbidade administrativa.
Já em relação ao exercício de 2024, ainda não há parecer definitivo do Ministério Público de Contas. No entanto, o relatório técnico da Diretoria de Controle de Contas de Governo e Gestão Fiscal identificou novos achados relevantes, entre eles o envio inadequado de documentos obrigatórios da prestação de contas, atrasos na remessa da LDO e da LOA, abertura de R$ 683,4 milhões em créditos suplementares, cerca de 60% do orçamento inicial, apesar do limite legal de 25%, além da contratação de R$ 120,5 milhões em operações de crédito sem que os auditores tenham identificado autorização legislativa específica.
O relatório também apontou divergências contábeis expressivas, incluindo uma diferença patrimonial de R$ 2,5 bilhões, considerada pelos auditores capaz de comprometer a análise da real situação patrimonial do município.
Julgamento ainda será realizado Os pareceres do Ministério Público de Contas possuem caráter opinativo e não representam decisão definitiva. Caberá ao Pleno do Tribunal de Contas do Estado emitir o parecer prévio sobre cada exercício. Posteriormente, o julgamento político das contas será realizado pela Câmara Municipal de Mossoró.
Ainda assim, a repetição dos apontamentos chama atenção. Caso o TCE acompanhe os entendimentos do Ministério Público de Contas, Allyson Bezerra poderá acumular pareceres ministeriais pela desaprovação das contas de 2021, 2022 e 2023, enquanto as contas de 2024 já chegam à fase de instrução marcadas por novos achados relevantes.
Mais do que episódios isolados, os relatórios dos órgãos de controle sugerem um padrão de fragilidades no planejamento orçamentário, na execução fiscal, na transparência das informações e na consistência das demonstrações contábeis ao longo do primeiro mandato da atual gestão municipal.
A disputa pelo Senado Federal no Rio Grande do Norte tem apresentado uma redução gradual no número de candidatos ao longo das últimas eleições. Em 2018, quando duas vagas estavam em disputa, o pleito reuniu 15 concorrentes. Em 2022, com apenas uma cadeira em jogo, foram 10 candidatos registrados. Já para 2026, também com duas vagas disponíveis, apenas sete pré-candidaturas foram colocadas até o momento, número que pode sofrer alterações até as convenções partidárias, mas que já aponta para uma tendência de diminuição da concorrência.
A mais recente movimentação ocorreu nesta semana, com o anúncio da pré-candidatura da professora e militante feminista Sônia Godeiro, do PSOL. Ela se junta aos nomes já colocados por Styvenson Valentim (Podemos), Zenaide Maia (PSD), que disputam a reeleição; além de Coronel Hélio (PL), Samanda Alves (PT), Rafael Motta (PDT) e Sandro Pimentel (PSOL).
Em 2018, o cenário era bastante diferente. Além dos vencedores Styvenson Valentin (Rede) e Zenaide Maia (PHS), participaram da disputa nomes como Garibaldi Filho (MDB), Geraldo Melo (PSDB), Antônio Jácome (Podemos), Magnólia Figueiredo (SDD), Alexandre Motta (PT) e outros oito candidatos de partidos menores. Naquele ano, a eleição ficou marcada pela forte renovação política, com a derrota de lideranças tradicionais que durante décadas ocuparam espaços centrais na política potiguar.
Fragmentação em 2022 Já em 2022, com a disputa concentrada em apenas uma vaga, o número de candidaturas caiu para dez.
O pleito acabou polarizado entre Rogério Marinho (PL), Carlos Eduardo Alves (PDT) e Rafael Motta (PSB), com vitória do ex-ministro do Desenvolvimento Regional.
O resultado alimentou uma avaliação recorrente nos bastidores políticos. Somados, Carlos Eduardo e Rafael Motta alcançaram cerca de 950 mil votos, superando os 708 mil obtidos por Rogério Marinho.
Para analistas do cenário, a fragmentação do eleitorado de centro e centro-esquerda acabou favorecendo a vitória do candidato apoiado pelo bolsonarismo.
Capital Político e financeiro reduz concorrência Para o cientista político José Antônio Spinelli, a própria natureza da disputa ao Senado ajuda a explicar por que menos candidatos conseguem reunir condições para entrar na corrida. “A eleição para senador é majoritária. Os mais votados são eleitos. Diferentemente da eleição para deputado, não há distribuição proporcional de vagas entre partidos e federações”, explica.
Segundo ele, a disputa ao Senado impõe exigências que acabam funcionando como filtros naturais para os postulantes. “O candidato ao Senado precisa ter um capital político forte, consistente, e uma votação distribuída em todo o Estado. Não pode se concentrar apenas em uma região. Além disso, precisa mobilizar recursos financeiros muito significativos”, observa.
Um exemplo recente dessa barreira foi o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que desistiu de disputar o Senado após o União Brasil informar que não destinaria recursos do fundo eleitoral para a campanha, priorizando a eleição de deputados federais. Sem a estrutura financeira necessária para uma disputa majoritária, ele redirecionou seus planos e confirmou pré – candidatura a deputado estadual.
Spinelli ressalta ainda que a eleição senatorial costuma estar diretamente vinculada às disputas para o Governo do Estado e para a Presidência da República, o que aumenta a necessidade de articulação política e amplia o grau de dificuldade para candidaturas sem estrutura consolidada. “A candidatura ao Senado é muito casada com as candidaturas ao Governo Estadual e à Presidência da República”, afirma.
Apesar da tendência de redução observada nos últimos pleitos, o cientista político pondera que o quadro ainda pode mudar. “Hoje, aparecem algo entre seis e oito candidaturas. Mas isso só será definido efetivamente nas convenções partidárias”, conclui.
O atentado contra o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL), registrado na noite desta segunda-feira (15), chama atenção para o debate sobre a violência envolvendo figuras políticas no Rio Grande do Norte. Embora a Secretaria Estadual de Segurança Pública tenha informado que, até o momento, não há elementos que indiquem motivação política no caso, o episódio é mais um para a soma de uma série de atentados, assassinatos e tentativas de homicídio em que as vítimas são agentes políticos.
Entre os casos mais emblemáticos estão os assassinatos do ex-prefeito de São José de Campestre, Neném Borges, em 2023; do prefeito de João Dias, Marcelo Oliveira, durante a campanha eleitoral de 2024 e do ex-prefeito de São Pedro, Miguel Cabral, em 2025. Além disso, políticos em atividade também foram alvo de atentados, como ocorreu com o então candidato a deputado estadual Wendel Lagartixa durante as eleições de 2022.
Cabo Deyvison O caso mais recente ocorreu em Mossoró, na noite desta segunda-feira (15). O vereador Cabo Deyvison realizava uma transmissão ao vivo em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel quando homens armados efetuaram diversos disparos.
O parlamentar foi atingido nas pernas e encaminhado ao Hospital Regional Tarcísio Maia, onde permanece internado em estado estável. Já o assessor Alyson Dyego de Oliveira, que o acompanhava durante a fiscalização, foi baleado e morreu.
Horas após o crime, dois suspeitos identificados como José Antônio da Costa e Vinícius Gabriel, foram presos em Fortaleza, no Ceará. O veículo utilizado na ação também foi localizado abandonado a cerca de dois quilômetros do local do atentado. De acordo com a Polícia Militar, os dois homens confessaram participação direta no atentado e no homicídio de Alyson Dyego durante a abordagem policial.
Vereador Fábio Vicente Em março deste ano, o vereador Fábio Vicente da Silva (PL) foi assassinado dentro da própria residência durante a madrugada, em Extremoz, na Grande Natal.
Segundo as investigações, criminosos arrombaram a porta do imóvel e procuraram especificamente pelo parlamentar. Após localizá-lo em um dos quartos, efetuaram diversos disparos. O vereador morreu no local. A Polícia Civil segue investigando tanto a motivação quanto a autoria do crime.
Neném Borges Em abril de 2023, o então prefeito de São José de Campestre, Joseilson Borges da Costa, mais conhecido como Neném Borges, foi assassinado após um homem invadir sua residência e efetuar disparos de arma de fogo.
O caso teve desfecho judicial em março deste ano, quando Vando Fernandes Gomes foi condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio. A sentença foi proferida após julgamento no Tribunal do Júri da comarca de Natal.
Prefeito de João Dias, Marcelo Oliveira
Ex-prefeito de São Pedro, Miguel Cabral foi assassinado em Natal, em 2025 – Foto: Reprodução
Um dos casos de maior repercussão nacional ocorreu em agosto de 2024, quando o prefeito de João Dias, Marcelo Oliveira, e seu pai, Sandi Alves de Oliveira, foram mortos durante a campanha eleitoral.
As investigações apontaram que o crime teria sido articulado pela então vice-prefeita Damária Jácome e por sua irmã, a então vereadora Leidiane Jácome. Ambas foram presas em agosto de 2025, no Paraguai, após permanecerem foragidas por quase um ano.
A Polícia Civil concluiu que a motivação do crime estava relacionada a disputas políticas locais. O caso resultou na eleição da viúva do prefeito, Fatinha de Marcelo, para o comando do município.
Miguel Cabral Em fevereiro de 2025, o ex-prefeito de São Pedro, Miguel Cabral, foi assassinado durante um atentado no Largo do Atheneu, em Petrópolis, Zona Leste de Natal.
O político foi atingido por disparos de arma de fogo enquanto estava com outras pessoas em uma banca de revista. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
As investigações identificaram quatro suspeitos de participação direta no crime. Todos foram presos ao longo de 2025 em operações realizadas no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará.
Wendel Lagartixa e Sargento Gonçalves Durante a campanha eleitoral de 2022, o então candidato a deputado estadual Wendel Lagartixa e o candidato a deputado federal Sargento Gonçalves foram alvo de uma tentativa de homicídio em Ceará-Mirim.
Segundo relatos, homens armados com fuzis e utilizando coletes balísticos desembarcaram de um veículo e iniciaram uma intensa troca de tiros com a equipe de segurança dos candidatos.
Um dos suspeitos morreu no confronto e os demais conseguiram fugir. Nenhum dos candidatos foi atingido.
O atentado a tiros que deixou ferido o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) e matou seu assessor, Alyson Dyego de Oliveira, ganhou novos desdobramentos na noite desta terça-feira (16). Dois suspeitos presos no Ceará confessaram participação no crime e a investigação passou a analisar um PIX de R$ 10 mil identificado em um dos celulares apreendidos, para averiguar possível relação com a execução do ataque.
O crime ocorreu na noite de segunda-feira (15), durante uma transmissão ao vivo realizada pelo parlamentar em frente à UPA do Alto de São Manoel. Homens armados passaram pelo local e efetuaram diversos disparos. Deyvison foi atingido nas pernas, passou por cirurgia para retirada de um projétil e segue internado. Já seu assessor, Alyson Dyego, não resistiu aos ferimentos e morreu.
Nesta terça-feira, as forças de segurança anunciaram a prisão de José Antônio da Costa e Vinícius Gabriel da Silva Freitas, ambos naturais do Rio Grande do Norte e detidos em Beberibe (CE). Segundo as investigações, eles teriam participação direta no atentado e confessaram envolvimento no crime.
Além das prisões, um novo elemento passou a chamar a atenção dos investigadores. No início da noite desta terça, o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, confirmou ao Diário do RN que um PIX de R$ 10 mil foi localizado em um dos aparelhos apreendidos com os suspeitos.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, também em conversa com o Diário do RN, detalhou que a transferência bancária poderá ajudar a esclarecer a cadeia de financiamento da ação criminosa.
“Tinha uma mensagem de um PIX com o nome da pessoa e o valor de R$ 10 mil. Essa é a informação que a gente tem. Pode estar relacionada à ocorrência, como se fosse um pagamento, mas isso ainda será aprofundado pela Polícia Civil”, explicou.
As autoridades também trabalham com a possibilidade de participação de pelo menos três envolvidos no atentado. Na hora da prisão, os suspeitos tentaram danificar os celulares, mas a Polícia conseguiu recuperar e vai realizar a perícia nos aparelhos. Também foi encontrado com os criminosos, um colete à prova de balas.
Sem intimidação Enquanto as investigações avançam, Cabo Deyvison afirma que não pretende recuar de sua atuação política e mantém o discurso de enfrentamento ao crime organizado, uma das marcas de sua trajetória pública.
Em vídeo publicado após o atentado, o vereador relacionou o episódio à sua atuação política e policial. “Em 14 anos de policial militar, cinco anos me dediquei à tropa do Choque, troquei tiro com assaltante de banco e nunca fui atingido. Em um ano e meio de política, tentaram contra a minha vida duas vezes”, afirmou.
O parlamentar também prometeu continuar as denúncias que vinha realizando.
“Vocês não vão conseguir me calar. Eu vou com mais força para cima de vocês”, declarou. Em outro trecho, acrescentou que “nada está descartado, envolvimento político, facção, tudo será investigado”.
Nas semanas que antecederam o atentado, Cabo Deyvison vinha adotando um discurso cada vez mais duro contra facções criminosas. Em vídeo divulgado em maio, citou nominalmente um suposto líder criminoso apontado por ele como responsável por homicídios em Mossoró e fez um desafio público.
“A hora que você quiser me ver, vem atrás de mim. Agora não vem atrás dos meus familiares não, que eu vou atrás de vocês”, declarou.
Repercussão no Estado O caso provocou reação imediata das principais lideranças políticas do Rio Grande do Norte. A governadora Fátima Bezerra afirmou ter determinado “empenho total” das forças de segurança e disse acompanhar pessoalmente as investigações.
O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, prestou solidariedade ao vereador e cobrou rigor na apuração dos fatos. Também pré-candidato ao governo, Cadu Xavier classificou o episódio como “um ataque à democracia e ao direito à vida”.
O presidente estadual do PL, Rogério Marinho, divulgou nota cobrando rapidez na identificação dos responsáveis. Já o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, defendeu uma investigação “rigorosa, célere e transparente”.
Repercussão nacional Em publicação na rede social X (antigo Twitter), o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro associou o atentado ao avanço das facções criminosas no país.
“O atentado contra o vereador Cabo Deyvison é um choque, mas infelizmente não chega a ser uma surpresa. No Brasil de hoje, quem enfrenta facções narcoterroristas se torna alvo”, escreveu.
Ao comentar o armamento utilizado pelos criminosos, Flávio afirmou que o episódio demonstra a capacidade operacional dessas organizações.“Isso não é criminalidade comum. Isso é terrorismo”, acrescentou.
O atentado também repercutiu nacionalmente e ganhou espaço em veículos como GloboNews, G1, Folha de S.Paulo, O Globo, CNN Brasil, UOL e Estadão.
O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, confirmou ao Diário do RN que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026 pelo União Brasil. De volta ao cenário eleitoral, ele também anunciou apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado e sinalizou alinhamento com a candidatura à reeleição da senadora Zenaide Maia.
O retorno ocorre poucos meses após Carlos Eduardo ter visto frustrado o projeto de disputar uma vaga ao Senado pelo próprio União Brasil. À época, o ex-prefeito chegou a afirmar que havia perdido o estímulo para participar da eleição, adotou postura discreta nos bastidores e praticamente mergulhou no silêncio político.
Agora, após entendimentos com lideranças da legenda, entre elas o deputado estadual Kleber Rodrigues e o presidente estadual do partido, José Agripino Maia, ele volta ao processo eleitoral ocupando espaço na chapa proporcional.
Questionado sobre o fato de disputar a eleição pelo mesmo partido que não viabilizou sua candidatura ao Senado, mesmo tendo o terceiro maior fundo partidário do país, Carlos Eduardo afirmou que não pretende fazer política olhando para episódios passados.
“Se eu fizer política com retrovisor, é melhor deixar a política”, declarou.
Segundo Carlos Eduardo, a decisão de disputar o mandato de deputado estadual foi tomada após ouvir apoiadores e eleitores que defendiam sua permanência na política.
“Entrei em contato com muitos eleitores aqui em Natal e, de forma unânime, todos achavam que eu deveria participar da eleição. Não podia ficar fora da eleição”, afirmou.
O ex-prefeito disse que, mesmo sem conseguir viabilizar a candidatura ao Senado, não fazia sentido permanecer afastado da disputa.
“Se não consegui o Senado, paciência. Mas vou ficar fora da eleição por quê? Tem uma parcela da opinião pública que é meu eleitor”, declarou.
A definição da candidatura ocorreu após entendimentos com lideranças do União Brasil, entre elas o deputado estadual Kleber Rodrigues, um dos coordenadores da pré-campanha de Allyson.
“O consenso é exatamente isso. Sou pré-candidato a deputado estadual e vou apoiar Allyson”, resumiu.
Na composição majoritária, Carlos Eduardo indicou que acompanhará a posição da Federação União Progressista em relação à senadora Zenaide Maia (PSD), candidata à reeleição.
“Eu não posso deixar o partido apoiar Zenaide e eu ser candidato do partido sem apoiá-la. Acho que vai ser um apoio natural”, afirmou.
Já sobre a segunda vaga ao Senado, a disputa para deputado federal e a eleição presidencial, disse que ainda não há definições.
“Vou avaliar coletivamente. Não vou tomar nenhuma posição divergente do conjunto da Federação”, ressaltou.
Frustração não impede retorno Segundo o ex-prefeito, na época, em que teve o apoio à candidatura ao Senado negado, a direção nacional do partido comunicou ao presidente estadual da legenda, José Agripino Maia, e a Allyson Bezerra que a prioridade seria ampliar a bancada federal da sigla.
“Foi dito que o objetivo do partido era eleger 60 deputados federais e que não haveria fundo eleitoral para o Senado”, afirmou.
Carlos Eduardo também garantiu que, por esse motivo, sua candidatura à Assembleia não dependerá de recursos partidários.
“Vou ser candidato independente de ajuda. Isso não foi tratado”, disse.
Apoio a Kleber na Assembleia Questionado sobre uma eventual candidatura de Kleber Rodrigues à presidência da Assembleia Legislativa, Carlos Eduardo afirmou que o tema não foi discutido formalmente, mas deixou claro que não terá objeções, caso seja eleito.
“Posso votar em Kleber tranquilamente. Se ele for candidato a presidente, voto tranquilamente com ele”, declarou.
A posição reforça a aproximação política entre Carlos Eduardo, Kleber Rodrigues e o grupo liderado por Allyson Bezerra na construção do projeto eleitoral para 2026.
Faltando apenas dois meses para o início da campanha eleitoral para as eleições de 2026, a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte já está em pleno andamento nos bastidores, redes sociais e agendas dos principais pré-candidatos: Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT). A reta final ainda está distante, porém, já revela estratégias, fortalezas e fragilidades.
Para o jornalista Heitor Gregório, na política, cada momento tem dinâmica própria. Sendo o ex-prefeito de Mossoró, o melhor em presença nas redes sociais, além da agenda que inclui um rodízio pelos municípios do estado e agendas políticas. “Essa combinação tem ampliado sua visibilidade”, acredita.
Com relação a Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, Heitor avalia que o pré-candidato do Partido Liberal, “ainda não encontrou uma estratégia eficiente de comunicação no ambiente digital”.
“Em relação à pré-campanha de Álvaro Dias, percebe-se que a atuação do companheiro de chapa, Babá Pereira, tem sido fundamental na interlocução com prefeitos e lideranças do interior. No entanto, o próprio pré-candidato ainda não encontrou uma estratégia eficiente de comunicação no ambiente digital. Além disso, embora integre a aliança, o senador Styvenson Valentim não mantém uma agenda conjunta frequente com Álvaro, algo que era esperado por muitos aliados e observadores políticos”, considerou.
No que diz respeito ao pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, para o jornalista, falta uma integração nas atividades de pré-campanha, de forma que possa melhorar o desempenho do denominado “Time Lula”, formado por Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT), ambos pré-candidatos ao Senado, “poderia contribuir para fortalecer essa estratégia, principalmente por Rafael ser um nome conhecido em todo o RN”.
“Mas a campanha ainda vai começar, teremos o horário gratuito de TV, a campanha de rua, dentre outros, que interferem no processo”, pontuou.
Heitor Gregório avalia mudanças: “A campanha ainda vai começar” – Foto: Reprodução
A jornalista e comentarista política Daniela Freire, destaca que a pré-campanha segue “acirrada, adiantada e com fôlego entre os três principais nomes”.
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, na avaliação da jornalista, até o momento, foi o pré-candidato que mais errou, tanto na escolha de mirar em Allyson, quanto na condução da pré-campanha por parte da própria equipe. Já com relação a Cadu, ainda de acordo com a jornalista, as pesquisas mostram uma aproximação dos adversários. Sobre Allyson, seu maior problema seria a ausência de palanque nacional.
“Na minha avaliação, quem mais errou até agora foi o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, não apenas no adversário em que ele tem mirado neste momento a sua munição, que é no pré-candidato Allyson Bezerra, mas na forma como ele próprio e sua equipe têm conduzido as suas falas em entrevistas, o que tem refletindo repercussões negativas, como no caso da UERN, que ele sugeriu a possibilidade de privatizar ou federalizar”, destacou.
Daniela Freire: “Campanha acirrada entre os três principais nomes” – Foto: Reprodução
Com relação ao pré-candidato Cadu Xavier, além de uma aproximação com os adversários, para ela, a grande expectativa será quando “Cadu de Lula” terá a assinatura oficial do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e se esse trunfo será capaz de reverter os números das sondagens definitivamente, já que Lula é considerado o maior transferidor de votos do Rio Grande do Norte.
“Sobre Allyson, líder na maior parte das pesquisas, tem também um problema importante, na minha avaliação, a ausência de palanque nacional. Quem é o presidente de Allyson Bezerra?”, avaliou.
O comentarista político Carlos Santos lembra que, embora exista uma data oficial determinada pela Legislação Eleitoral para o início da campanha oficial, sempre há, por outro lado, o que denomina de “jeitinho brasileiro”, para adiantar o período, “onde todos podem tudo, menos pedir explicitamente voto, etc”.
Até o momento, para ele, ainda não existe nenhuma alteração significativa do quadro de pré-disputa que já se desenhava no ano passado. Sobre quem lidera a corrida? Allyson Bezerra, seguido por Álvaro Dias e Cadu Xavier, que segue se arrastando na disputa.
“Enfim, uma hipocrisia permitida e permissiva. Numa avaliação geral, não vejo nenhuma alteração significativa do quadro de pré-disputa que já se desenhava no ano passado. Há um nome na dianteira, Allyson Bezerra, um segundo lugar intocável de Álvaro Dias (o que já ocorria com Rogério Marinho, a quem ele substituiu). Na terceira colocação distante, Cadu Xavier, que mesmo lançado em fevereiro do ano passado, ainda não tracionou. Porém, tudo é cedo e é pré-campanha. Lá adiante saberemos se essas peças terão alteração. Teremos o peso dos programas em rádio e TV no afunilamento e outros fatores que vão determinar o que é mais palatável à massa-gente, ou seja, ao eleitor”, considerou.
Três estratégias diferentes O maior acerto de Álvaro, conforme a análise de Saulo Spinelly, teria sido a intensificação das viagens e encontros políticos no interior do estado. “Seu principal acerto foi entender que a eleição estadual não se vence apenas na capital. Desde então, passou a intensificar viagens, reuniões regionais e encontros com prefeitos, vereadores e lideranças do interior”, afirmou.
Sobre os pontos positivos do caminho adotado por Álvaro até aqui, para ele, seriam o crescimento no interior do estado, um discurso mais definido ideologicamente, além de uma estrutura política em expansão e boa capilaridade junto aos prefeitos.
Com relação aos pontos negativos, Spinelly destacou que o pré-candidato “ainda carrega uma imagem de um candidato mais velho, precisa transformar apoios políticos em transferência efetiva de votos e tem, também o desafio de não ficar excessivamente dependente da polarização nacional.
“Hoje, a estratégia de Álvaro parece ser a mais tradicional: muito contato presencial, articulação política e fortalecimento de bases municipais”, destacou.
Allyson Bezera, para ele, seria o candidato com maior força digital e alto impacto de imagem.
“Se Álvaro apostou no municipalismo, Allyson apostou na comunicação. Sua pré-campanha tem sido marcada por forte presença digital, vídeos de grande alcance e uma estética de campanha moderna, muito próxima do universo do TikTok e das redes sociais. Foi uma estratégia eficiente para manter seu nome em evidência mesmo antes do período eleitoral”, enfatizou.
Os pontos positivos de Allyson estariam justamente na comunicação eficiente, no conhecimento do alto índice de conhecimento popular, forte identificação com o eleitor mais jovem e na capacidade de pautar o debate político.
Spinelly considera, no entanto, que, apesar da força digital, o ex-prefeito de Mossoró erra no que considera “excesso de centralização na imagem pessoal, dependência elevada das redes sociais, necessidade de ampliar discurso estadual e menor presença física em algumas regiões quando comparado ao ritmo municipalista de Álvaro.
“O principal desafio de Allyson será mostrar que sua candidatura representa mais do que uma comunicação moderna. Em algum momento, precisará aprofundar propostas e consolidar alianças fora do eixo Mossoró-redes sociais”, esclarece.
Sobre Cadu Xavier, Saulo acredita que o ex-secretário da Fazenda ainda busca um protagonismo.
“Entre os três, Cadu foi quem largou mais atrás. Por não possuir histórico eleitoral nem mandato, iniciou a pré-campanha praticamente desconhecido para grande parte do eleitorado. Seu crescimento nos últimos meses, entretanto, mostra que a estratégia do governo começou a surtir efeito. O petista passou a ocupar mais espaço nas redes, intensificou agendas pelo estado e começou a assumir o papel de defensor do legado da governadora”, considerou.
Os pontos positivos de Cadu, para Saulo, estariam no crescimento mostrado nas pesquisas, uma estrutura governista consolidada, o apoio do presidente Lula e da governadora Fátima Bezerra, além do discurso técnico e preparado para debates.
Já os pontos negativos estariam no baixo conhecimento popular em parte do eleitorado, em carregar naturalmente o desgaste do governo estadual e comunicação ainda considerada tímida quando comparada aos adversários.
“A principal mudança observada recentemente foi o aumento do tom político. O Cadu técnico começa a dar lugar ao Cadu candidato, mais disposto ao enfrentamento e ao debate público”, avaliou.
As estratégias podem mudar?
Saulo Spinelly: “Nenhum dos três encontrou ainda sua versão definitiva” – Foto: Reprodução
Spinelly, acredita que não apenas podem. Provavelmente vão: “A pré-campanha é uma fase de posicionamento. A campanha oficial costuma ser outra eleição. É possível que: Álvaro intensifique ainda mais o discurso municipalista e de gestão; Allyson reduza a pirotecnia digital e passe a apresentar mais propostas e conteúdo programático; Cadu assuma postura mais combativa e nacionalize parte do debate com a presença de Lula e do PT. O cenário atual sugere que nenhum dos três encontrou ainda sua versão definitiva de candidato. E é justamente por isso que, apesar das pesquisas e dos movimentos já realizados, a disputa pelo Governo do RN continua aberta. Os próximos meses serão decisivos para saber quem conseguirá transformar visibilidade em voto, estrutura em mobilização e narrativa em liderança eleitoral”, pontuou.
Tendência para os próximos meses Se a pré-campanha tem sido marcada por movimentos de posicionamento, a
Coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador pelo Rio Grande do Norte, Rogério Marinho, admitiu que o caso “Dark Horse” provocou desgaste político e afetou a trajetória do pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto. Em entrevista ao jornal O Globo neste fim de semana, Marinho afirmou que o impacto poderia ter sido menor caso a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro tivesse sido tornada pública anteriormente.
Ao comentar a repercussão do episódio, o senador reconheceu que houve falha na condução política do caso.
“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande”, afirmou.
A declaração chama atenção por representar um reconhecimento explícito de que a crise teve consequências eleitorais. Até então, aliados do pré-candidato vinham concentrando esforços em contestar as críticas e minimizar os efeitos da polêmica.
Marinho não negou o desgaste. Pelo contrário, admitiu que o episódio atingiu a campanha. “Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, declarou.
Apesar disso, procurou relativizar os efeitos de longo prazo e defendeu que o cenário eleitoral ainda está em aberto.
“Uma campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, disse, ao argumentar que a disputa presidencial será definida ao longo dos próximos meses.
O senador também voltou a defender a legalidade da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Segundo ele, não houve qualquer favorecimento político ou atuação institucional em benefício do empresário.
“Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B”, afirmou.
Na mesma resposta da entrevista, Marinho comparou a repercussão do episódio envolvendo Flávio ao tratamento dado a encontros mantidos por Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o senador, houve pesos diferentes na avaliação dos dois casos.
“Ele foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário. Não há perplexidade nem indignação”, argumentou.
Questionado sobre a promessa de divulgação da prestação de contas relacionada ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, Marinho disse esperar que o assunto seja encerrado após a apresentação dos documentos.
“Esperamos que após a prestação de contas, que será feita, as pessoas possam virar essa página e entender que nós temos um Brasil para discutir”, afirmou.
O senador também afastou qualquer possibilidade de substituição de Flávio na disputa presidencial, mesmo diante das turbulências provocadas pelo caso.
“Flávio é o nosso plano A, B, C e F”, resumiu.
A polêmica sobre o caso Dark Horse A polêmica veio à tona após reportagens da The Intercept Brasil revelarem diálogos e mensagens que expuseram a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas tratavam do financiamento do projeto “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, estimada em mais de R$ 134 milhões. As reportagens levantaram questionamentos sobre a proximidade entre o pré-candidato e o banqueiro e sobre a transparência da captação de recursos para o filme.
A divulgação do material provocou forte repercussão política e ampliou as cobranças por explicações sobre a relação com Vorcaro e a origem dos recursos destinados ao projeto. Desde então, aliados de Flávio sustentam que se trata de uma relação privada, sem contrapartidas ou favorecimentos políticos, enquanto a campanha tenta conter os efeitos do episódio, que acabou refletindo nas pesquisas de intenção de voto.
Enquanto milhares de pessoas lotavam as ruas de Mossoró para participar do Pingo da Mei Dia, evento que abriu oficialmente o Mossoró Cidade Junina, uma das maiores festas populares do Rio Grande do Norte, o Ministério Público Estadual levava à Justiça uma denúncia que expõe uma grave crise na saúde pública municipal. A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência contra o Município de Mossoró após identificar falhas graves e a interrupção de serviços essenciais no Ambulatório Materno Infantil (AMI), unidade responsável pelo atendimento especializado de crianças, adolescentes, gestantes e mulheres de Mossoró e de municípios da região Oeste.
A ação foi protocolada em 3 de junho de 2026 pelo promotor de Justiça Rodrigo Pessoa de Morais e tem origem no Inquérito Civil nº 04.23.2021.0000066/2026-72, instaurado após denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público por meio da Manifestação nº 3509324012026-1. Durante a investigação, a equipe técnica do órgão elaborou o Relatório Técnico nº 002/2026, documento que descreve um cenário de “desassistência sistêmica” e “risco iminente de colapso” nos serviços prestados pelo AMI.
Os números indicam que o problema vinha se agravando há meses. Os atendimentos psicológicos realizados pelo AMI caíram de 192 em dezembro de 2025 para 142 em janeiro de 2026 e apenas 71 em fevereiro deste ano. Para o Ministério Público, a redução demonstra o progressivo esvaziamento operacional da unidade até o colapso dos serviços.
Durante inspeção ministerial realizada em 19 de maio de 2026, a própria direção do ambulatório confirmou que os serviços de Psicologia e Psicopedagogia estavam totalmente suspensos desde 15 de abril. A paralisação ocorreu após o encerramento dos contratos temporários dos profissionais que atuavam no local.
Como consequência, mais de 200 crianças com suspeita de transtornos mentais e do neurodesenvolvimento ficaram sem acompanhamento especializado, sem emissão de laudos diagnósticos e sem encaminhamento para serviços de referência, como o CAPS Infantil e o Centro Especializado em Reabilitação. Segundo a Promotoria, a interrupção dos atendimentos pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dessas crianças, gerando prejuízos muitas vezes irreversíveis.
Após nova vistoria e análise técnica, entretanto, a Promotoria concluiu que as medidas adotadas não foram suficientes para evitar a interrupção dos serviços. A ação destaca que o Município possuía concurso público vigente e candidatos aprovados em cadastro de reserva, mas não realizou a reposição imediata dos profissionais cujos contratos temporários foram encerrados.
Na ação judicial, o Ministério Público pede que a Justiça determine ao Município o restabelecimento integral dos atendimentos de Psicologia e Psicopedagogia do AMI no prazo máximo de 15 dias, mediante convocação imediata dos aprovados no concurso público ou, alternativamente, por contratação emergencial temporária. Em caso de descumprimento, o órgão requer a aplicação de multa diária de R$ 10 mil ao gestor municipal.
O processo já tramita na Vara da Fazenda Pública de Mossoró. Em despacho assinado em 8 de junho de 2026, o juiz Pedro Cordeiro Júnior decidiu ouvir previamente o Município antes de analisar o pedido de tutela de urgência. O magistrado concedeu prazo de 72 horas para manifestação da Prefeitura e registrou que, diante das peculiaridades do caso, considerava prudente ouvir a parte contrária antes de decidir sobre a liminar. Encerrado o prazo, com ou sem resposta do Município, o processo deverá retornar para apreciação do pedido ministerial.
Até o fechamento desta edição, não havia decisão sobre a concessão da tutela de urgência requerida pelo Ministério Público.
O caso chama atenção pelo contraste entre a realização de um dos maiores eventos festivos do estado e a situação encontrada na principal unidade de atendimento materno-infantil da região. Embora a ação não atribua responsabilidade pessoal ao ex-prefeito Allyson Bezerra, os documentos do Ministério Público mostram que a redução dos atendimentos e a insuficiência de profissionais já vinham sendo registradas antes da suspensão total dos serviços, quadro que culminou na judicialização da questão.
Para a Promotoria, houve esgotamento das tentativas de solução administrativa e a intervenção do Poder Judiciário tornou-se necessária para garantir o direito à saúde de crianças, adolescentes, gestantes e mulheres que dependem do AMI.
Guamaré vem registrando uma expressiva redução em seus cofres públicos. Os dados fiscais mostram que a arrecadação municipal caiu mais de R$ 45 milhões entre 2024 e 2025 e segue em trajetória de queda nos primeiros meses de 2026.
De acordo com os números dos Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO), a arrecadação total de Guamaré alcançou R$ 279.705.774,36 em 2024. No ano seguinte, o montante recuou para R$ 234.380.352,02, representando uma perda de R$ 45.325.422,34 em apenas um ano, o equivalente a uma redução de aproximadamente 16,2%.
A queda foi impulsionada principalmente pela redução das receitas de ICMS e ISS, duas das principais fontes de arrecadação do município. Os repasses de ICMS passaram de R$ 135.816.908,32 em 2024 para R$ 108.850.517,29 em 2025, uma diminuição de R$ 26.966.391,03, correspondente a quase 20%.
Já a arrecadação de ISS caiu de R$ 29.649.394,94 para R$ 22.193.004,11, uma perda de R$ 7.456.390,83, equivalente a 25,1%.
Na contramão da tendência de queda, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) apresentou crescimento. Os repasses federais passaram de R$ 30.461.556,62 em 2024 para R$ 33.717.341,83 em 2025, um aumento de R$ 3.255.785,21, ou 10,7%. Apesar disso, o incremento não foi suficiente para compensar as perdas registradas nas receitas ligadas à atividade econômica local.
A tendência de retração também é observada nos dados mais recentes. No primeiro bimestre de 2024, o município arrecadou R$ 106.782.397,21. Em 2025, no mesmo período, as receitas somaram R$ 76.244.854,01. Já em 2026, a arrecadação caiu para R$ 66.581.488,14.
A comparação entre os primeiros bimestres de 2024 e 2026 revela uma redução de R$ 40,2 milhões, correspondente a uma queda de 37,6%. Em relação ao primeiro bimestre de 2025, a perda foi de R$ 9,66 milhões, ou 12,7%.
Os números evidenciam uma crescente frustração de receitas em um município historicamente beneficiado por elevados repasses provenientes da atividade industrial e petrolífera. Embora Guamaré continue entre as cidades com maior capacidade de arrecadação do Estado, a diminuição dos recursos disponíveis reduz a margem financeira da administração municipal para investimentos, obras e ampliação de serviços públicos.
O cenário exige atenção da gestão municipal, uma vez que a manutenção da tendência de queda poderá impor desafios cada vez maiores ao equilíbrio fiscal e à execução de políticas públicas. A evolução da arrecadação nos próximos meses será determinante para avaliar se o município conseguirá recuperar parte das perdas registradas desde 2024 ou se enfrentará mais um ano de retração nas receitas.
Os dados também demonstram que, apesar da relevância econômica do setor petrolífero para Guamaré, a forte dependência dessas receitas torna o município mais vulnerável às oscilações do mercado, da produção e dos repasses tributários. Com menos recursos entrando nos cofres públicos, cresce a necessidade de planejamento e de uma gestão cada vez mais eficiente dos gastos municipais.
A polêmica em torno do Hospital Municipal Francisca Gonçalves da Silva, em Mossoró, ganhou um novo desdobramento após documentos obtidos pelo Diário do RN revelarem que a unidade foi originalmente licitada, contratada e construída como uma policlínica. A informação reforça questionamentos já levantados pelo secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, que tem contestado a classificação da estrutura como hospital em razão das limitações de funcionamento e atendimento.
O extrato do Contrato nº 09/2024, firmado entre a Prefeitura de Mossoró e a Construtora Proel LTDA., não deixa dúvidas quanto ao objeto da obra. O documento registra expressamente a “Construção da Policlínica”, localizada na Avenida Francisco Mota, no bairro Alto de São Manoel. Inicialmente orçada em R$ 5,3 milhões, a obra teve sucessivos aditivos contratuais e superou os R$ 10 milhões em investimentos até sua conclusão.
Documentos oficiais também confirmam as informações sobre a obra – Foto: Reprodução
A mesma nomenclatura aparece na placa oficial afixada durante a execução da obra, conforme mostrou reportagem do Blog Carol Ribeiro. Na placa exposta no canteiro de obras, a Prefeitura apresenta o empreendimento como “Construção de Policlínica”, repetindo a descrição constante no processo licitatório e no contrato firmado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura.
Segundo a reportagem, o projeto apresentado à Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) para obtenção da área também previa a implantação de uma policlínica. A mesma nomenclatura foi utilizada pelo então prefeito Allyson Bezerra em vídeo publicado nas redes sociais em 2024, no início das obras.
Ainda de acordo com a publicação do blog, a mudança para Hospital Municipal ocorreu apenas nas etapas finais da construção, já próximo da inauguração e do início da movimentação pré-eleitoral.
Concidentemente, o Hospital Municipal de Mossoró deixou de ser apresentado pela gestão de Allyson Bezerra como Policlínica e passou a ser denominado de hospital no mesmo período em que a governadora Fátima Bezerra anunciava a implantação do Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, localizado em Parnamirim, e após o então prefeito de Natal, Álvaro Dias, entregar a primeira etapa do Hospital Municipal de Natal.
A coincidência temporal passou a ser observada como motivação para a mudança de nomenclatura, já que não houve mudança no projeto da obra e nem estava prevista nenhuma alteração substancial para o funcionamento da unidade, que foi planejada, projetada e executada para ser Policlínica. Somente depois é que ‘virou’ hospital.
A escalada da disputa interna na Federação União Progressista tem produzido declarações públicas, trocas de críticas e divergências estratégicas sobre a eleição proporcional de 2026. Em meio ao embate, porém, chama atenção o silêncio das duas principais lideranças do União Brasil no Rio Grande do Norte: o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado, e o ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual da legenda.
Mesmo após dias de repercussão envolvendo integrantes da própria Federação, nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre o conflito. O silêncio ganha relevância porque tanto Allyson quanto Agripino ocupam posições centrais na construção política do grupo para as eleições deste ano e são considerados peças-chave nas articulações da oposição no Estado.
Nos bastidores, a avaliação é que uma manifestação de qualquer um dos dois poderia ser interpretada como apoio a um dos lados da disputa, ampliando ainda mais o desgaste interno em um momento em que a Federação tenta construir unidade para a sucessão estadual e para as disputas proporcionais.
O silêncio chama atenção especialmente no caso de Allyson Bezerra. Além de ser apontado como principal liderança eleitoral do União Brasil no Rio Grande do Norte, o ex-prefeito foi citado pelo próprio Kelps Lima como uma das razões para sua filiação ao partido.
“Eu fui para o União Brasil porque Allyson está lá. Em todas as campanhas eu estive ao lado de Allyson.
Allyson é meu amigo e eu acredito no projeto dele”, afirmou o ex-deputado em vídeo divulgado nesta semana.
Já José Agripino, além de presidir o União Brasil no Estado, participa diretamente das articulações políticas da Federação e tem atuado na construção das nominatas para 2026, o que torna sua ausência no debate ainda mais observada por lideranças e aliados.
O Diário do RN procurou Allyson Bezerra e José Agripino Maia para comentar a crise envolvendo integrantes da Federação União Progressista e informar se pretendem atuar como mediadores do conflito. Até o fechamento desta edição, porém, não houve retorno por parte de nenhuma das lideranças.
Impasses na União Progressista A crise interna ganhou força após Kelps Lima afirmar, em vídeo publicado no último fim de semana, que seus principais adversários na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados são justamente os deputados federais Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria, todos integrantes da Federação União Progressista.
Nesta quarta-feira (10), o ex-deputado voltou às redes sociais e elevou o tom das críticas.
“Benes não é meu amigo, João Maia não é meu amigo, Robinson não é meu amigo. Eles três, além de serem meus adversários legítimos, eu sou adversário deles e eles são adversários entre si”, declarou.
Em seguida, Kelps reforçou o discurso de renovação da bancada federal e fez críticas diretas aos parlamentares.
“Não acho que sejam bons políticos. Acho que são três políticos retrógrados e que pelo menos um a gente precisa tirar”, afirmou.
Algumas das declarações provocaram reação imediata do deputado federal Benes Leocádio, que, em entrevista recente ao Diário do RN, negou qualquer tipo de traição ao correligionário e criticou a estratégia de confronto adotada pelo ex-deputado.
Segundo Benes, a lógica da eleição proporcional é baseada na soma de votos da nominata, e não na eliminação de aliados. O parlamentar também revelou que tentativas de transferência de bases eleitorais para fortalecer a pré-candidatura de Kelps encontraram forte resistência dos próprios apoiadores consultados.
Para Benes, o fortalecimento coletivo da Federação é o caminho para ampliar o número de vagas conquistadas pelo grupo em 2026, enquanto a estratégia de confronto interno tende a dificultar a construção da nominata.