O Diário do RN teve acesso, nesta quarta-feira (23), a um vídeo que integra o material da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades em contratos da saúde durante a gestão do então prefeito de Mossoró e atual candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil). Nas imagens, dois sócios da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró, conversam sobre a divisão de valores de um contrato público e mencionam supostos repasses destinados a Allyson Bezerra e a uma mulher identificada como “Fátima”.
Ao explicar o que chama de “matemática de Mossoró”, um dos empresários utiliza como exemplo uma ordem de compra de R$ 400 mil e detalha quanto, segundo ele, seria destinado ao então prefeito e quanto ficaria com “Fátima”.
“Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%. Dos R$ 140, ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirma um dos sócios na gravação.
As imagens são fruto de uma escuta ambiental implantada por agentes da Polícia Federal no escritório da DISMED, com o intuito de servir como prova documental para a Operação Mederi.
De acordo com o próprio relatório da Polícia Federal, os homens que aparecem no vídeo foram identificados como os sócios da DISMED Distribuidora Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.
O material da escuta ambiental na sede da Dismed foi incorporado ao conjunto de provas reunidas pela Operação Mederi, que investiga supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Mossoró na área da saúde.
O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 com 409.354 eleitores para os quais o voto é facultativo. É um contingente expressivo de potiguares que estão aptos a participar da escolha de presidente, governador, senadores e deputados, mas podem decidir se comparecem ou não às urnas.
O grupo reúne jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos. A regra está prevista na legislação eleitoral e foi reiterada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito deste ano. Para os eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto é obrigatório.
Os números constam da base de dados da Justiça Eleitoral, com carga realizada em 18 de julho de 2026. A tabela separa o eleitorado por idade e identifica, em cada faixa, quantos estão submetidos ao voto obrigatório e quantos integram o voto facultativo.
Entre os mais jovens, são 37.243 eleitores de 16 e 17 anos. O Estado registra 14.621 pessoas com 16 anos e outras 22.622 com 17. Todo esse contingente aparece na base eleitoral na categoria de voto facultativo.
O maior grupo está na outra ponta da pirâmide etária. O Rio Grande do Norte possui 276.102 eleitores com 70 anos ou mais. São 101.884 entre 70 e 74 anos, 79.033 entre 75 e 79 e 48.181 entre 80 e 84 anos. Há ainda 28.867 eleitores dos 85 aos 89 anos, 12.555 dos 90 aos 94 e 4.098 entre 95 e 99 anos.
O cadastro eleitoral registra ainda 1.484 potiguares com 100 anos ou mais. Todos estão classificados como eleitores de voto facultativo.
Entre 18 e 69 anos, a base registra outros 96.009 eleitores na categoria de voto facultativo. Nessa faixa etária, a legislação estabelece a obrigatoriedade para os alfabetizados e mantém o voto facultativo para as pessoas analfabetas.
A quantidade aumenta nas faixas de idade mais elevadas. Dos 45 aos 49 anos, são 11.678 facultativos; entre 50 e 54 anos, 15.469; de 55 a 59, 17.718; dos 60 aos 64, 19.163; e dos 65 aos 69 anos, outros 16.694.
Natal lidera e dez cidades concentram 41% do total A distribuição municipal mostra que uma parcela significativa desse eleitorado está concentrada nos maiores centros urbanos do Estado. As dez cidades com os maiores números absolutos somam 169.486 eleitores facultativos, aproximadamente 41,4% do contingente estadual.
Natal aparece em primeiro lugar, com 79.047. Mossoró vem em seguida, com 24.794, enquanto Parnamirim ocupa a terceira posição, com 15.030.
Na sequência estão Ceará-Mirim, com 8.708; São Gonçalo do Amarante, 8.251; Assú, 7.745; Macaíba, 7.488; Caicó, 7.378; Currais Novos, 5.587; e São José de Mipibu, com 5.458 eleitores facultativos.
A própria distribuição das faixas mais avançadas de idade ajuda a mostrar essa concentração. Entre os eleitores com 100 anos ou mais, por exemplo, Natal possui 397 e Mossoró, 158. Os dados municipais consideram todas as faixas etárias classificadas como voto facultativo e, portanto, permitem observar onde está concentrada numericamente essa parcela do eleitorado.
409 mil superam diferença registrada no segundo turno para governador em 2018 A dimensão do eleitorado facultativo ganha mais relevância quando os 409.354 eleitores são comparados com resultados de eleições anteriores no Rio Grande do Norte. O número não significa que esse grupo vote de maneira uniforme ou que todos compareçam às urnas, mas permite dimensionar o tamanho dessa parcela do cadastro eleitoral.
Um exemplo está na eleição para governador de 2018. No segundo turno, Fátima Bezerra (PT) foi eleita com 1.022.910 votos, enquanto Carlos Eduardo (PDT) obteve 753.035. A diferença entre os dois candidatos foi de 269.875 votos.
Assim, o atual contingente de eleitores facultativos é 139.479 pessoas superior à diferença de votos registrada entre os dois candidatos naquela eleição. A comparação é apenas de escala: o eleitorado facultativo de 2026 é diferente daquele de 2018, e sua participação e preferência eleitoral não podem ser antecipadas.
A relevância numérica também aparece quando se observa o primeiro turno de 2018. O TSE registrava, quando 99,85% das urnas estavam apuradas, 746.612 votos para Fátima e 525.591 para Carlos Eduardo, os dois candidatos que avançaram para a etapa seguinte.
Diferentemente do eleitorado sujeito à obrigatoriedade, porém, os facultativos fazem uma escolha anterior à própria definição do candidato: comparecer ou não à seção eleitoral. O TSE esclarece que jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e maiores de 70 anos podem votar, mas não sofrem as consequências aplicáveis ao eleitor obrigado a votar caso decidam não comparecer
No caso dos jovens, a idade considerada é a que o eleitor terá na data da votação. Para participar do primeiro turno de 2026, marcado para 4 de outubro, é necessário completar 16 anos até essa data.
Os números mostram, portanto, um contingente de mais de 409 mil pessoas cuja participação efetiva dependerá do comparecimento às urnas. Em disputas estaduais definidas por margens inferiores a esse universo, a mobilização dos diferentes segmentos do eleitorado facultativo pode ter relevância numérica, sem que seja possível atribuir previamente direção política aos votos desse grupo.
O candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, avaliou que a passagem de Flávio Bolsonaro por Natal, na segunda-feira (21), fortaleceu a mobilização da campanha e pode influenciar a reta final da disputa no Estado. Segundo ele, a participação popular durante a agenda demonstrou o engajamento dos apoiadores e garantiu um reforço extra tanto para a sua candidatura quanto a do presidenciável.
“A vinda de Flávio ao Rio Grande do Norte mostrou que existe uma força nas ruas que muita gente insiste em ignorar. O que vimos em Natal foi entusiasmo, participação popular e uma militância que está cada vez mais mobilizada. Foi uma demonstração política importante nesta reta final”, afirmou Álvaro.
Na avaliação do candidato, a agenda também evidenciou uma posição política definida diante do eleitorado.
“Eu não escondo meu lado e não tenho medo de dizer em quem voto para presidente. Flávio tem o nosso apoio, e nós queremos construir uma relação forte com o Governo Federal para trazer investimentos e oportunidades para o Rio Grande do Norte. Enquanto alguns tentam enganar o povo e a um ou aos dois lados mais representativos dessa disputa nacional, por oportunismo eleitoral, nós temos posição clara diante do eleitor, que sempre prefere e merece a verdade”, disse.
Para Álvaro, a mobilização registrada durante a visita pode refletir diretamente nas urnas.
“Quem acompanhou o que aconteceu em Natal viu uma militância animada e pronta para ir às urnas. Isso fortalece Flávio e fortalece a nossa campanha. Entramos na reta final com muita disposição e alegria e com a certeza de que o povo entendeu que somos a melhor opção para tirar o RN do atraso e mudar o que está aí”, declarou.
O candidato também agradeceu aos apoiadores que participaram do ato político.
“Agradeço a todos que vestiram o verde e amarelo e foram às ruas no maior evento político que o Rio Grande Norte já viveu”, afirmou.
Ao projetar os últimos dias antes da eleição, Álvaro sinalizou que pretende intensificar a campanha.
“Agora é campanha na rua até o último minuto”, concluiu.
A agenda de Flávio Bolsonaro em Natal reuniu lideranças do PL e aliados políticos em uma motocarreata que saiu do Centro de Convenções e seguiu até a Praça Cívica, onde ocorreu um comício.
Além de Álvaro Dias, participaram da programação o candidato a vice-governador Babá Pereira, o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim, o candidato ao Senado Coronel Hélio, o senador Rogério Marinho, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, além de candidatos a deputado federal e estadual.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro defendeu uma parceria política com a chapa do PL no Rio Grande do Norte.
“Eu vou precisar de um governador e um vice-governador que façam parceria junto comigo”, afirmou o presidenciável.
“A gente está andando aqui para pedir voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson.” A declaração é do prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, realizada no último domingo (20), durante uma reunião com moradores da comunidade rural Puxa-Boi, na Zona Rural do município. A passagem pela comunidade buscava apoio para a campanha do candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União) e para a candidata a deputada estadual Cinthia de Allyson. Na ocasião, o atual gestor ouviu reivindicações da população sobre abastecimento de água e atendimento em saúde.
Um vídeo obtido pelo Diário do RN, mostra o pedido explicito de voto do atual prefeito: “A gente está andando aqui para pedir voto para o nosso governador. Pedindo voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson. A gente precisa reunir o máximo possível (de votos) para apoiar o candidato, para que a gente consiga pedir e cobrar”, afirmou.
A reunião ocorreu por volta das 16h30, na residência de uma moradora da comunidade identificada como Gideilda. Nas imagens, Marcos Medeiros aparece usando camisa azul royal, boné na mesma cor, bottons e adesivos da campanha de Allyson Bezerra. Integrantes da equipe também utilizavam material de campanha dos candidatos.
O pedido de votos aconteceu após o atual prefeito de Mossoró ouvir a pauta de reivindicações dos moradores relacionadas à ampliação da rede de abastecimento de água e ao acesso aos serviços de saúde.
Durante a conversa, moradores relataram dificuldades para acessar atendimento médico, já que a comunidade não possui Unidade Básica de Saúde (UBS). Como alternativa, o prefeito sugeriu concentrar os atendimentos em um único dia da semana, com transporte disponibilizado pela Prefeitura.
“Quando a pessoa for, ela vai dizer, olha, tem tantas pessoas lá no Boa Fé. (…) O carro vai pegar as pessoas, vai lá. É consulta médica, consulta com o dentista, com o enfermeiro. A gente leva o pessoal lá, faz todo mundo fazer a consulta e depois retorna para o pessoal. A gente já fez isso em Passagem de Pedra, já está resolvendo, a gente vai fazer também no Olga Benário. Porque tem uma UBS próxima, a gente vai ‘botar um carro’; é consulta médica, com o dentista, é enfermagem.
Todo mundo faz a consulta e depois retorna. A gente entende que é melhor do que uma vez por semana uma equipe vir e atender numa casa improvisada. Ah, tem dez pessoas, o carro faz duas viagens”, disse Marcos Medeiros.
A proposta, no entanto, gerou questionamentos entre os próprios moradores.
Gideilda, dona da residência onde aconteceu o encontro, demonstrou preocupação com a limitação do atendimento a apenas um dia da semana.
“Eu sei que o que você está dizendo é bom. Mas a gente também tem que ver isso aí. Eu não entendo nada da saúde não. Tem que entender que o pessoal não só adoece na segunda-feira não.
Porque às vezes adoece na terça, na quarta-feira… Tem que esperar para segunda-feira. Qual é o melhor?”, questionou.
Fonte relata que pedido de votos foi associado às reivindicações
Registros da atividade de campanha estão nas redes sociais do prefeito – Foto: Reprodução
Uma pessoa da comunidade, que participou da reunião e gravou o vídeo, ouvida com exclusividade pelo Diário do RN, sob condição de preservar sua identidade, afirmou que a principal reivindicação da comunidade era relacionada à água e que o prefeito vinculou a solução dos problemas ao apoio eleitoral.
“A população estava reivindicando a água. Estava reivindicando o problema da UBS, que não tem.
E eles prometeram que iam resolver. E ele pediu voto também para Allyson e pra Cinthia”, relatou a fonte.
Questionada sobre a reação dos moradores com relação ao pedido de voto, a fonte afirmou que parte da comunidade demonstrou disposição para apoiar os candidatos.
“Eu vi o pessoal dizendo que iam ajudar. Era a oportunidade que eles tinham”, afirmou.
A mesma fonte informou que a reunião contou com a presença do prefeito, da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, além de outros integrantes da equipe da Prefeitura.
Segundo o relato, o grupo já percorria outras comunidades rurais antes de chegar a Puxa-Boi.
Nas redes sociais de Marcos Medeiros, foram publicados registros das visitas realizadas à Zona Rural naquele fim de semana, incluindo imagens da passagem pela comunidade Puxa-Boi, ilustrando claramente que a pauta nas comunidades rurais não seguiu teor administrativo, mas a busca por apoios, por votos para o ex-prefeito e ex-primeira-dama. As publicações também mostram imóveis adesivados com material da campanha de Allyson Bezerra e Cinthia de Allyson.
A situação financeira e orçamentária do Rio Grande do Norte virou um dos principais temas da campanha para o Governo do Estado. Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) apresentam diagnósticos e propostas diferentes para as contas públicas, mas os três colocam a questão fiscal entre os pontos centrais da disputa eleitoral. Nos números das próprias campanhas, um dado chama atenção: todos registram, neste momento, despesas contratadas superiores às receitas já recebidas.
Levantamento feito pelo Diário do RN a partir dos dados disponibilizados no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que as três campanhas acumulam R$ 15,316 milhões em despesas, diante de R$ 10,903 milhões em receitas. A diferença é de R$ 4,414 milhões.
O retrato é parcial e não significa, isoladamente, que as campanhas estejam endividadas ou em situação irregular. A prestação de contas eleitoral é atualizada durante a campanha, e despesas contratadas podem ser registradas antes do ingresso ou da contabilização de todos os recursos destinados ao pagamento. Ainda assim, o contraste chama atenção justamente porque o equilíbrio das contas públicas ocupa espaço relevante no debate entre os candidatos.
Allyson tem diferença de R$ 2 milhões A maior diferença nominal entre receitas e despesas está na campanha de Allyson. O candidato declarou R$ 4.653.588,20 em receitas, enquanto as despesas registradas alcançam R$ 6.673.076,87. A distância entre os dois valores é de R$ 2.019.488,67.
Quase todos os recursos recebidos por Allyson têm origem partidária. A Direção Nacional do União Brasil aparece com R$ 4.055.595, equivalentes a 87,15% das receitas, enquanto a direção estadual transferiu outros R$ 549.993,20.
Do lado das despesas, os maiores contratos são de R$ 1,5 milhão com uma empresa de criatividade e produções, R$ 1 milhão com outra produtora e R$ 600 mil com marketing e propaganda. Há ainda R$ 489 mil em comunicação visual e serviços gráficos.
A questão fiscal também aparece no discurso eleitoral de Allyson. O candidato tem criticado dívidas e obrigações financeiras do Estado e defendido uma reorganização das contas estaduais.
Cadu tem diferença de R$ 1,64 milhão Cadu apresenta a segunda maior diferença proporcional entre o que entrou e as despesas registradas. A campanha petista recebeu R$ 1.230.673,75, mas já contabiliza R$ 2.873.328,27 em despesas. A diferença chega a R$ 1.642.654,52.
A Direção Nacional do PT responde por R$ 711.552,25, ou 57,82% das receitas. O PSB Nacional aparece com outros R$ 210 mil. A prestação também registra R$ 150 mil de outra fonte e R$ 50.263 provenientes de financiamento coletivo.
Nas despesas, os maiores valores são R$ 500 mil com produção audiovisual, R$ 300 mil com serviços advocatícios, R$ 250 mil com mídia e R$ 217 mil com estruturas, serviços e locações.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu apresenta uma abordagem diferente dos adversários sobre as contas do Estado. Em sua campanha, defende medidas para ampliar a capacidade de investimento e já propôs limitar o crescimento da despesa com pessoal a 80% da evolução da Receita Corrente Líquida.
Álvaro registra diferença de R$ 751 mil Álvaro é quem apresenta a menor distância entre receitas e despesas entre os três. A candidatura recebeu R$ 5.018.460 e registra R$ 5.770.039,87 em despesas contratadas. A diferença é de R$ 751.579,87.
A origem dos recursos é ainda mais concentrada no partido. Dos R$ 5,018 milhões recebidos, R$ 5 milhões vieram da Direção Nacional do PL, o equivalente a 99,63% da arrecadação informada ao TSE.
A maior despesa é de R$ 1,8 milhão com comunicação e marketing político. Outros R$ 1 milhão estão destinados a uma produtora e R$ 500 mil a serviços advocatícios.
O debate sobre equilíbrio fiscal também faz parte da trajetória recente de Álvaro. Relatórios técnicos relativos às contas de sua passagem pela Prefeitura do Natal apontaram, em diferentes exercícios, déficits orçamentários entre as inconsistências analisadas pelo TCE-RN.
Retrato ainda é parcial O paralelo entre o discurso sobre as contas públicas e as finanças eleitorais tem limites. Uma campanha não funciona sob as mesmas regras de um orçamento estadual, e a diferença entre despesas contratadas e receitas recebidas durante o período eleitoral não equivale automaticamente a déficit orçamentário ou financeiro de um ente público.
O que os dados do TSE permitem mostrar é um retrato objetivo deste momento da campanha.
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), serviu como tentativa de dar novo fôlego à campanha de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado. Em uma reta final marcada pela dificuldade do ex-prefeito de Natal em ampliar seu desempenho nas pesquisas, o presidenciável reuniu o palanque do partido, pediu votos para Álvaro e reforçou também as candidaturas de Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos) ao Senado.
Durante a mobilização em Natal, Flávio chamou Álvaro de “meu governador” e buscou associar sua candidatura presidencial à chapa potiguar. “Álvaro Dias, governador!”, afirmou, antes de se dirigir diretamente ao candidato: “Fale, meu governador”.
O reforço ocorre em um momento importante para Álvaro. Depois de aparecer com 25,37% das intenções de voto na pesquisa DataVero/Diário do RN divulgada em 14 de agosto e oscilar para 25,85% no levantamento seguinte, o candidato recuou para 23,11% na rodada mais recente, divulgada em setembro. Com o resultado, passou a ocupar a terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil), que lidera com 35,18%, e Cadu de Lula (PT), que aparece em segundo, com 28,28%.
A presença de Flávio, portanto, colocou o candidato do PL no centro de uma grande mobilização justamente quando sua campanha busca ganhar tração na reta final. O presidenciável desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e participou de compromissos ao lado de Álvaro. A programação incluiu motocarreata, com saída do Centro de Convenções, e ato político na Praça Cívica.
Além de Álvaro, participaram da agenda o senador Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, Coronel Hélio, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), além de candidatos, prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas.
Flávio reforça chapa ao Senado No discurso, Flávio também fez um pedido direto de votos para os candidatos ao Senado que integram o palanque de Álvaro. Ao citar Coronel Hélio e Styvenson Valentim, destacou a importância de eleger aliados para o Congresso.
“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, afirmou.
Flávio relacionou a eleição dos senadores à possibilidade de avançar propostas no Congresso e citou, entre suas prioridades, mudanças na legislação penal, endurecimento de penas, redução de impostos e destinação de recursos para saúde e educação.
A referência a Styvenson ocorreu apesar de o senador não ter participado da agenda da tarde, quando Flávio discursou e pediu votos para os dois candidatos ao Senado. Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro ao lado de Coronel Hélio, Styvenson se juntou ao palanque somente à noite, durante o comício realizado na Praça Cívica.
Flávio também buscou animar a militância e tratou a reta final como momento de intensificar a campanha. “Se estiver cansado, se estiver triste, lembra que o presidente Bolsonaro está lá”, declarou, em referência ao pai, Jair Bolsonaro, que está preso desde agosto de 2025.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou que o adversário Allyson Bezerra (União Brasil) “pode ser preso nos próximos seis meses”. A declaração foi dada durante o debate promovido pela TV Tropical, na noite desta segunda-feira (21), quando o petista voltou a explorar as investigações da Polícia Federal que envolvem o ex-prefeito de Mossoró. O debate reuniu ainda Robério Paulino (PSOL); Álvaro Dias (PL) não compareceu.
Cadu levantou o assunto durante uma discussão sobre segurança pública. Ao responder ao adversário, levou o embate para as investigações e questionou o eleitor sobre a possibilidade de escolher um candidato que, segundo ele, pode enfrentar consequências com o avanço das apurações.
“O que a gente tem que discutir aqui, estamos na reta final, é se você vai sair de casa, o senhor, a senhora, para votar num candidato que pode ser preso nos próximos seis meses”, disparou.
Na sequência, relacionou a afirmação à continuidade das apurações da Polícia Federal. “A investigação da Polícia Federal teve seu prazo renovado. Se não tivesse nada, ela teria sido arquivada. Pelo contrário, ela foi renovada, porque tem muita coisa para investigar”, declarou.
O petista usou a prorrogação do inquérito para reforçar o ataque ao adversário e sustentar que o caso ainda pode ter novos desdobramentos. Em agosto, a investigação foi prorrogada por mais 90 dias, após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que manteve a Operação Mederi sob sua competência e preservou provas questionadas pela defesa da Dismed. A medida permite novas diligências, mas não antecipa eventual conclusão sobre responsabilidade criminal dos citados.
Cadu também levou para o debate os valores relacionados aos contratos sob investigação. “Temos Allyson, investigado em mais de R$ 400 milhões em supostos desvios, na gestão dele em Mossoró”, afirmou. O próprio petista classificou os desvios como “supostos”; o montante citado está relacionado aos contratos colocados sob suspeita nas apurações e não significa que R$ 400 milhões tenham sido comprovadamente desviados.
O tom subiu ainda mais quando Cadu passou a relacionar ações que pretende adotar para reforçar a segurança do estado. “É dessa forma que se combate a criminalidade, e não desviando recursos públicos da saúde, de medicamentos, para colocar o dinheiro ninguém sabe aonde, mas a Polícia Federal vai descobrir”, atacou.
Na mesma resposta, insistiu que o caso permanece aberto e que as apurações ainda podem produzir novos fatos. “Essa operação continua, ele continua sendo investigado, tem muita prova no processo, os vídeos estão saindo por aí, vocês estão vendo”, declarou.
Em outro momento do debate, Cadu voltou a mirar diretamente o adversário e resumiu o ataque em uma frase: “A tua casa vai cair. A Polícia Federal tá te investigando”, disse. A declaração reforçou o tom adotado pelo petista no confronto, no qual as investigações envolvendo a gestão de Mossoró estiveram entre os principais pontos utilizados contra Allyson.
Operação Mederi Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvios relacionados à compra de medicamentos por municípios do Rio Grande do Norte. Allyson foi alvo de busca e apreensão e está entre os investigados. Informações dos autos apontam que a PF apura suspeitas de pagamento de propina envolvendo contratos da Dismed Distribuidora de Medicamentos.
O caso também chegou à esfera eleitoral. Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada ao TRE-RN busca apurar se recursos supostamente desviados de contratos da saúde de Mossoró tiveram destinação eleitoral, inclusive para a campanha de Allyson. A eventual ligação entre esses recursos e a campanha ainda precisa ser comprovada durante a instrução.
Allyson nega irregularidades. Quando a operação foi deflagrada, sua defesa afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas de fraude e recebimento de propina. Até o momento, a investigação não resultou em condenação do candidato.
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), reuniu os principais nomes de seu palanque no Estado, mas expôs um distanciamento do senador Styvenson Valentim (Podemos). Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro Dias (PL), Styvenson não acompanhou os compromissos realizados durante o dia e só apareceu no fim da programação, durante o comício na Praça Cívica, em Natal.
A chegada apenas no último ato chamou atenção porque Styvenson integra formalmente o mesmo projeto eleitoral. Apoia Flávio para presidente, disputa uma das vagas ao Senado na coligação de Álvaro e tem Coronel Hélio (PL) como companheiro de chapa. Mesmo assim, enquanto os demais nomes do grupo acompanharam o presidenciável desde os primeiros compromissos, Styvenson permaneceu longe do palanque durante boa parte do dia.
Flávio desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e depois participou de almoço com aliados em Natal. Álvaro Dias, Coronel Hélio e Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, estavam entre os presentes. A programação seguiu com mobilização pelas ruas da capital até o comício na Praça Cívica.
Styvenson não constava entre os principais nomes anunciados para acompanhar os compromissos anteriores ao comício.
O contraste aumentou porque foi justamente durante a ausência do senador que Flávio fez uma defesa pública de sua reeleição. No encontro com aliados, o presidenciável pediu votos para Coronel Hélio e Styvenson e apresentou os dois como os nomes que deseja ter no Senado pelo Rio Grande do Norte.
“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, declarou Flávio.
Styvenson só apareceu mais tarde, no comício que encerrou a programação. A chegada no último compromisso amenizou a ausência durante o restante do dia, mas não passou despercebida diante da movimentação dos demais integrantes do grupo. Em plena reta final, quando as campanhas procuram demonstrar unidade e colocar seus principais candidatos lado a lado, o senador ficou distante justamente durante parte da visita do presidenciável que apoia.
A postura também se refletiu nas redes sociais. Até o fechamento desta edição, Styvenson não havia publicado conteúdo destacando a passagem de Flávio pelo Rio Grande do Norte, o apoio recebido do candidato à Presidência ou sua própria participação no comício.
Apesar dos rumores nos bastidores, a presença de Styvenson à noite confirmou que o senador continua integrado ao palanque. O comportamento ao longo do dia, entretanto, alimentou nos bastidores especulações sobre o grau de envolvimento do candidato com a campanha de Flávio e com a própria exposição do bolsonarismo no Estado.
Bolsonarismo foi rejeitado dias antes O distanciamento durante boa parte da agenda ocorreu poucos dias depois de Styvenson minimizar a identificação de Coronel Hélio com o bolsonarismo. Durante sabatina da Inter TV Cabugi, na semana passada, o senador elogiou o companheiro de chapa, mas pediu que sua vinculação política fosse colocada de lado.
“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Ao mencionar diretamente a posição ideológica do aliado, acrescentou: “Ah, mas ele é bolsonarista. Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.
Coronel Hélio assumiu posição diferente ao falar sobre o assunto em entrevista ao Diário do RN.
“De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, declarou.
O candidato Allyson Bezerra divulgou uma pesquisa em sua rede social com números diferentes do oficial e o caso foi parar na Justiça Eleitoral.
A divulgação resultou na condenação de Allyson ao pagamento de multa de R$ 53.205. A decisão é do desembargador eleitoral João Afonso Morais Pordeus, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) no processo apresentado pela coligação Endireita RN.
A possibilidade de fraude, dolo ou má-fé na divulgação de uma pesquisa eleitoral com percentual incorreto pelo candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União Brasil) permanece sob análise da Justiça Eleitoral. Em decisão no processo nº 0600928-27.2026.6.20.0000, o desembargador eleitoral Fábio Luiz de Oliveira Bezerra ressaltou que a retirada da postagem pelo próprio candidato não encerra a representação nem impede a análise das possíveis sanções.
O episódio coloca o candidato no centro de uma discussão sobre a fidelidade na divulgação de pesquisas em uma campanha na qual Allyson e seu grupo político têm recorrido a questionamentos sobre levantamentos eleitorais e informações divulgadas sobre a disputa.
No caso que resultou na multa, porém, não havia questionamento sobre a regularidade da pesquisa. A própria decisão ressalta que o levantamento Exatus RN-07539/2026 estava regularmente registrado na Justiça Eleitoral. O cenário estimulado apresentava Allyson com 41,90%, Álvaro com 22,20% e Cadu com 17,59%.
A publicação foi feita no Instagram oficial de Allyson no dia 11 de setembro. Ao reproduzir os resultados, manteve os 41,90% do próprio candidato e os 17,59% de Cadu, mas reduziu Álvaro de 22,20% para 20,5%, diferença de 1,70 ponto percentual. A arte ainda fazia referência expressa ao número oficial de registro da pesquisa.
Na defesa, os advogados de Allyson reconheceram a divergência, mas sustentaram que houve “mero erro material”, sem dolo, fraude ou intenção de manipular o resultado. Alegaram ainda que a diferença de 1,70 ponto estava dentro da margem de erro do levantamento, de 2,53 pontos percentuais, e que a mudança não alterava a ordem dos candidatos.
Os argumentos não afastaram a responsabilização. Para Pordeus, margem de erro é um elemento estatístico da pesquisa e não uma autorização para que o divulgador substitua o percentual efetivamente apurado por outro número situado dentro daquele intervalo.
O magistrado acrescenta que 20,5% não corresponde aos 22,20% efetivamente apurados pela Exatus.
O relator também rejeitou o argumento de que a irregularidade poderia ser relativizada porque não houve mudança na colocação dos candidatos. Segundo a decisão, a legislação eleitoral protege “a fidelidade das informações apresentadas ao eleitorado”, e não somente a posição ocupada pelas candidaturas.
A Procuradoria Regional Eleitoral também se manifestou pela condenação e chamou atenção para o fato de a divergência atingir um concorrente. Segundo o parecer registrado na decisão, “a redução do percentual atribuído ao candidato adversário”, em desacordo com o levantamento oficial, caracteriza alteração “apta a induzir o eleitorado a erro”.
A candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte chega à reta final enfrentando um problema dentro do próprio grupo: o distanciamento do senador Rogério Marinho (PL), principal responsável pela construção de seu projeto eleitoral. Nos bastidores, interlocutores ligados à campanha avaliam que o candidato não recebeu, ao longo da disputa, o envolvimento esperado daquele que o levou ao PL e deveria funcionar como principal articulador de sua base política no interior.
Rogério deixou a disputa pelo Governo para assumir a coordenação nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e abriu espaço para Álvaro ocupar a cabeça da chapa.
Posteriormente, o ex-prefeito de Natal deixou o Republicanos e ingressou no PL, movimento articulado com o senador. Naquele momento, a expectativa era de que Álvaro herdasse também parte da estrutura política construída por Rogério, formada por prefeitos, deputados, vereadores e lideranças espalhadas pelo Estado.
Essa transferência, porém, não teria ocorrido na intensidade esperada. A avaliação que circula entre interlocutores é de que parte das lideranças inicialmente vinculadas ao projeto não entrou efetivamente na campanha de Álvaro. Prefeitos e aliados estariam concentrando esforços principalmente nas disputas proporcionais, enquanto o candidato ao Governo tenta fazer sua campanha ganhar tração no interior.
A presença reduzida de Rogério no RN também alimenta essa percepção. Embora o senador tenha participado de agendas com Álvaro no início de setembro, inclusive com compromissos em Mossoró e reuniões políticas, sua principal atividade eleitoral está concentrada na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A informação que circula nos bastidores políticos é de que a dedicação do senador à campanha nacional estaria ligado ao projeto de se tornar presidente do Senado, caso Flávio seja eleito.
O cenário ocorre justamente quando Álvaro enfrenta dificuldades para ampliar seu desempenho na reta final. Pesquisas recentes do Instituto DataVero apontaram que o candidato perdeu espaço nos últimos meses. Em agosto, o candidato aparecia com 25,37% e, na rodada seguinte, oscilou para 25,85%. Já no levantamento mais recente, divulgado na semana passada, recuou para 23,11% e passou a ocupar a terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT).
A estagnação reforça o contraste com o início da disputa, quando a estrutura política reunida em torno de Rogério aparecia como uma das principais vantagens da candidatura de Álvaro. Até agora, porém, essa força não se converteu em mobilização equivalente nas diferentes regiões do Estado
Menos de 50% do teto Outro elemento que reforça a insatisfação nos bastidores está no financiamento da campanha. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, Álvaro havia recebido R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL. Somadas pequenas doações e recursos próprios, sua arrecadação chegava a R$ 3,018 milhões.
O valor corresponde a cerca de 42% do teto de R$ 7,115 milhões permitido para os gastos da campanha ao Governo do RN. Ou seja, mesmo sendo o candidato do partido ao principal cargo estadual, Álvaro não havia recebido recursos equivalentes sequer à metade do limite que poderia gastar no primeiro turno.
O contraste já vinha sendo observado desde agosto. Antes do repasse para Álvaro, os dados da Justiça Eleitoral mostravam que o PL havia distribuído R$ 17,45 milhões do Fundo Eleitoral para 25 candidaturas proporcionais no Rio Grande do Norte, enquanto o candidato ao Governo ainda não havia recebido recursos do fundo.
Nos bastidores, circula ainda a informação de que o montante inicialmente projetado para a campanha majoritária seria superior ao efetivamente liberado até agora. Não há, entretanto, confirmação pública de qual teria sido o valor acertado entre Álvaro e a direção partidária.
A declaração do senador Styvenson Valentim (Podemos) de que parlamentares fracionariam emendas para receber percentuais de 10% a 15% não provocou, até agora, reação pública da maior parte da bancada federal do Rio Grande do Norte. Diante da gravidade da afirmação, o Diário do RN procurou os representantes potiguares no Senado e na Câmara dos Deputados, mas apenas Fernando Mineiro (PT) se pronunciou sobre o caso.
A declaração foi dada durante sabatina da Inter TV Cabugi, na quarta-feira (16), quando Styvenson defendia sua forma de destinar emendas parlamentares. Ao comparar sua atuação com a de outros políticos, afirmou: “Eles preferem dividir as emendas todinho, partir as emendas, pedir 10%, 15% e ninguém vê nada”. O senador não apresentou provas nem identificou a quais parlamentares se referia.
Procurado pelo Diário do RN, Mineiro afirmou que Styvenson deveria revelar os nomes caso tenha conhecimento de parlamentares envolvidos em irregularidades na destinação das emendas.
“Ele prestaria um grande serviço à transparência se revelasse os nomes de parlamentares que praticam este tipo de crime. Pode ser uma das fontes de recursos usados para a compra de votos que tanto se comenta”, afirmou o deputado.
A manifestação coloca sobre Styvenson a cobrança para que esclareça quem seriam os políticos mencionados em sua declaração. O senador não restringiu a acusação à existência de irregularidades na aplicação das emendas: relacionou diretamente o fracionamento dos recursos à cobrança de percentuais, sem apontar casos específicos ou apresentar documentos que sustentassem a afirmação.
Silêncio entre os parlamentares Além de Mineiro, o Diário do RN procurou os demais integrantes da bancada potiguar para que comentassem a declaração. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação dos outros parlamentares consultados.
A representação do Rio Grande do Norte no Congresso é formada por 11 parlamentares. No Senado, além de Styvenson, estão Rogério Marinho (PL) e Zenaide Maia (PSD). Na Câmara, integram a bancada Carla Dickson (PL), General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), Robinson Faria (PP), João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT).
A ausência de respostas ganha relevância porque a acusação foi feita por um integrante da própria bancada federal, justamente ao comparar a maneira como administra suas emendas com a atuação de outros parlamentares.
A declaração também não foi um episódio isolado de comparação com outros políticos. Em suas redes sociais, Styvenson já desafiou representantes do Estado a apresentarem resultados semelhantes aos que atribui às emendas de seu mandato. Na sabatina, porém, avançou para uma acusação mais grave ao associar a divisão dos recursos à cobrança de percentuais.
Sem a apresentação de nomes ou provas, permanece sem esclarecimento a quem Styvenson se referia ao falar em cobrança de 10% a 15%. Mineiro, único integrante da bancada a responder ao Diário do RN, defende justamente que o senador torne pública essa informação.
Quatro anos depois de o Rio Grande do Norte definir a eleição para governador ainda no primeiro turno, os potiguares voltaram às urnas duas vezes em 2014. A disputa colocou frente a frente, na etapa decisiva, Robinson Faria (PSD) e Henrique Eduardo Alves (PMDB) e terminou com uma virada em relação ao resultado da primeira votação. Henrique saiu na frente em 5 de outubro, mas Robinson ampliou sua votação nas três semanas seguintes e venceu o segundo turno, realizado no dia 26.
A eleição representava uma mudança de cenário depois da vitória de Rosalba Ciarlini (DEM) em 2010. Naquele ano, a então senadora havia conquistado 52,46% dos votos e encerrado a disputa no primeiro turno. Em 2014, nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar a metade dos votos válidos na primeira votação, fazendo o Estado voltar a ter uma eleição em dois turnos para o Governo.
Robinson chegava à disputa depois de uma longa trajetória na política estadual. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986, acumulou seis mandatos consecutivos e presidiu a Assembleia Legislativa durante sete anos. Em 2010, deixou o Legislativo para integrar, como vice, a chapa de Rosalba Ciarlini. Os dois, no entanto, romperam politicamente durante o mandato, e Robinson chegou à eleição seguinte como candidato ao Governo pelo PSD.
Do outro lado estava Henrique Alves, uma das figuras mais experientes da política potiguar.
Deputado federal desde 1971, ele estava no 11º mandato consecutivo e presidia a Câmara dos Deputados quando decidiu disputar pela primeira vez o Governo do Rio Grande do Norte.
As duas candidaturas também reuniram alianças distintas. Robinson tinha como vice o então deputado estadual Fábio Dantas (PCdoB) e liderava a coligação Liderados pelo Povo, formada por PSD, PCdoB, PT, PP, PTC, PEN, PRTB, PPL e PTdoB. Henrique tinha como vice João Maia (PR) e encabeçava a União pela Mudança, uma ampla composição que reunia 18 partidos.
Henrique sai na frente No primeiro turno, realizado em 5 de outubro, Henrique Eduardo Alves confirmou a primeira colocação, mas não conseguiu alcançar votos suficientes para encerrar a disputa. O candidato do PMDB recebeu 702.196 votos, equivalentes a 47,34% dos válidos. Robinson apareceu em segundo lugar, com 623.614 votos, ou 42,04%. A diferença entre os dois era de 78.582 votos.
Robério Paulino (PSOL) terminou em terceiro lugar e teve uma votação expressiva diante da polarização entre os dois primeiros: foram 129.616 votos, correspondentes a 8,74%. Simone Dutra (PSTU) recebeu 14.549 votos (0,98%) e Araken Farias (PSL), 13.396 (0,90%).
O resultado levou o Rio Grande do Norte novamente a uma segunda votação. Era a segunda vez que uma eleição para governador no Estado chegava ao segundo turno. A primeira havia ocorrido oito anos antes, em 2006, quando Wilma de Faria derrotou Garibaldi Alves Filho. Em 2010, Rosalba havia interrompido a sequência ao vencer diretamente no primeiro turno.
Desta vez, Henrique entrava na etapa decisiva com a vantagem conquistada nas urnas, enquanto Robinson precisava não apenas incorporar parte dos votos dos demais candidatos, mas também superar a diferença aberta pelo adversário.
A virada no segundo turno As três semanas seguintes mudaram o resultado da eleição. Se no primeiro turno Henrique havia terminado com quase 79 mil votos de vantagem, no segundo Robinson passou à frente e ampliou significativamente sua votação.
Robinson saltou de 623.614 para 877.268 votos, conquistando 253.654 votos a mais entre uma votação e outra. Henrique também cresceu, mas em proporção menor: passou de 702.196 para 734.801, um acréscimo de 32.605 votos.
Com isso, Robinson foi eleito governador com 54,42% dos votos válidos, contra 45,58% de Henrique. A diferença final chegou a 142.467 votos a favor do candidato do PSD. O resultado oficial confirmou a vitória de Robinson na noite de 26 de outubro.
A mudança também apareceu no mapa eleitoral. No segundo turno, Robinson venceu em 101 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, enquanto Henrique ficou à frente em 66.
A vitória levou Robinson ao Governo quatro anos depois de ter sido eleito vice-governador. Fábio Dantas, que havia conquistado seu primeiro mandato de deputado estadual em 2010, tornou-se vice-governador.
Fátima vence Wilma para o Senado A eleição de 2014 também reservou uma disputa de peso para a única vaga disponível no Senado.
De um lado estava a então deputada federal Fátima Bezerra (PT); do outro, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que tentava chegar ao Senado quatro anos depois de ter sido derrotada na mesma disputa.
Fátima venceu com 808.055 votos, equivalentes a 54,84%. Wilma recebeu 636.896 votos, ou 43,23%. No recorte municipal, Fátima ficou à frente em 115 cidades e Wilma em 52.
A vitória representou uma nova etapa na trajetória de Fátima, que havia sido deputada estadual por dois mandatos e exercia o terceiro mandato consecutivo de deputada federal. Antes disso, também havia disputado a Prefeitura de Natal em 2004 e 2008.
Câmara e Assembleia Para a Câmara dos Deputados, Walter Alves (PMDB) foi o candidato mais votado, com 191.064 votos. Rafael Motta (PROS) apareceu em seguida, com 176.239, e Fábio Faria (PSD), filho de Robinson, recebeu 166.427. Também foram eleitos Zenaide Maia, Felipe Maia, Rogério Marinho, Antônio Jácome e Beto Rosado.
Na Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PROS) liderou a votação, com 80.249 votos. Entre os 24 eleitos estavam ainda Dison Lisboa, Galeno Torquato, Hermano Morais, Kelps Lima, Gustavo Carvalho, Ezequiel Ferreira, Getúlio Rêgo, Nelter Queiroz, Tomba Farias, Fernando Mineiro, George Soares e José Dias.
riam seus interesses eleitorais tem sido recorrente no pleito 2026 e volta ao Judiciário.
Desta vez, a Coligação Esperança e Trabalho, que sustenta a candidatura do ex-prefeito de Mossoró ao Governo do Estado, tenta obter do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) uma decisão que interfere diretamente na apresentação editorial de uma publicação.
Allyson quer obrigar o Diário do RN a acrescentar informações de acordo com seu interesse, além de pedir a retirada da publicação caso a alteração não seja realizada e estabelecer obrigações para futuras divulgações de pesquisas eleitorais.
A ação não coloca em xeque, em nenhum momento, os números da pesquisa DataVero, mas questiona o formato editorial da publicação, desconsiderando que a primeira página de um jornal não reproduz integralmente suas reportagens. Manchetes e chamadas selecionam e hierarquizam fatos, enquanto contexto, metodologia, explicações e demais informações são desenvolvidos nas páginas internas, não cabendo intervenções na diagramação ou na linha editorial quando os dados divulgados são verídicos e a fonte oficial é transparente, conforme, detalhado na reportagem.
Esse modelo é utilizado pelos principais veículos de comunicação do país. Na cobertura da pesquisa Quaest divulgada nesta semana, por exemplo, vários veículos de comunicação de alcance nacional, noticiaram que Flávio Bolsonaro havia ultrapassado Lula na disputa presidencial, sem mencionar que se tratava de um cenário de segundo turno. Isso ocorreu nas manchetes, prerrogativa editorial dos veículos, mas as matérias detalhavam o conteúdo com os cenários pesquisados pelo instituto.
Essa foi a linha adotada, por exemplo, pelo portal Metrópoles que noticiou: “Quaest: Flávio tem 42% e aparece numericamente à frente de Lula, com 40%”. Na sequência, o subtítulo detalha: “Mesmo com empate técnico, o resultado sinaliza oscilação favorável ao senador. Na pesquisa anterior, Flávio e Lula tinham 41%”; a informação de que este seria um recorte de intenções de voto para um eventual segundo turno só foi detalhada no conteúdo da matéria. Trata-se de escolha editorial válida uma vez que o conteúdo é verídico independente da forma como é apresentado.
O destaque editorial de um recorte não significa que uma pesquisa se limite àquele resultado; outros cenários e informações são apresentados no desenvolvimento da cobertura. O detalhamento ocorre no conteúdo das matérias e gráficos apresentados.
É justamente a escolha editorial do veículo que está no centro da nova ofensiva judicial da coligação de Allyson contra o Diário do RN. A representação questiona a edição de 10 de setembro, cuja primeira página trouxe a manchete “Cadu cresce, ultrapassa Álvaro e encosta em Allyson”. Os percentuais destacados eram de 35,18% para Allyson, 28,28% para Cadu Xavier (PT) e 23,11% para Álvaro Dias (PL), correspondentes ao cenário em que os três candidatos eram apresentados aos entrevistados juntamente com seus apoiadores políticos.
A coligação de Allyson sustenta que a capa e sua reprodução no Instagram deveriam informar que aqueles percentuais pertenciam ao cenário com apoios e apresentar outras informações da pesquisa. O ponto central do confronto, entretanto, está no fato de que a própria representação reconhece que essas explicações existiam na reportagem completa e não houve nenhum questionamento a respeito da seriedade da pesquisa ou dúvidas quanto aos seus resultados.
A peça registra que a matéria publicada pelo Diário do RN explicava que a DataVero havia testado “dois cenários estimulados”: um associando os três principais candidatos aos respectivos apoiadores e outro apresentando apenas os nomes dos concorrentes. Reconhece ainda que o texto identificava o cenário com apoios como “Cenário 2” e apresentava a pergunta submetida aos entrevistados.
Também estavam na reportagem, segundo a própria ação, os registros RN-08285/2026 e BR-00919/2026, o universo de 1.500 entrevistas, o período de campo entre 6 e 8 de setembro, a margem de erro de 2,53 pontos percentuais e o nível de confiança de 95%; tudo como determina a lei eleitoral.
Mesmo diante dessas informações no conteúdo completo, a coligação pretende que a Justiça determine como o jornal deve conduzir a publicação. Entre os pedidos está uma ordem, sob pena de multa diária, para que seja acrescentado esclarecimento “com o mesmo destaque”, informando a origem dos percentuais utilizados (que é o próprio Instituto DataVero citado acima da manchete) e apresentando também outro cenário citado na reportagem.
A coligação pede a remoção da publicação, caso a retificação pretendida não seja feita. E a pretensão não termina no conteúdo já divulgado. Estabelece censura prévia e definição editorial antecipada ao solicitar também que os representados sejam obrigados a se abster de novas publicações, “em qualquer suporte”, de resultados de pesquisas sem as informações previstas na legislação e sem indicação do quesito utilizado quando houver mais de um cenário. Vale destacar, tais requisitos foram cumpridos na reportagem uma vez que o veículo não está obrigado a esse detalhamento na manchete de capa.
Caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve irregularidade e se os pedidos formulados são compatíveis com a legislação. O debate provocado pela ação, entretanto, alcança uma questão mais ampla sobre a liberdade de imprensa: até onde uma candidatura pode recorrer ao Judiciário para questionar conteúdos que considera desfavoráveis, mesmo que sejam conteúdos inequivocamente verdadeiros, e até onde pode alcançar a autonomia de uma redação para selecionar, hierarquizar e apresentar uma notícia.
Quando esteve do outro lado, Allyson chamou ação judicial de “censura”
Publicação de 10 de setembro com números do cenário 2 da pesquisa – Foto: Reprodução
O uso da Justiça para tentar limitar uma publicação já foi criticado pelo próprio Allyson Bezerra (União Brasil). Em julho, quando foi alvo da Representação nº 0600279-62.2026.6.20.0000, que pedia a retirada de seu perfil de campanha do Instagram por irregularidade, o candidato reagiu publicamente e classificou a iniciativa como uma tentativa de censura. “Estão querendo me calar”, afirmou. Em outro momento, disse que queriam “me amordaçar” e classificou a medida como “totalmente arbitrária”.
Dois meses depois, Allyson aparece do outro lado desse debate. Na Representação nº 0600844-26.2026.6.20.0000, é a Coligação Esperança e Trabalho, que sustenta sua candidatura ao Governo do RN, que recorre à Justiça contra o Diário do RN e pede intervenção sobre uma publicação jornalística, mesmo reconhecendo que o material é verdadeiro.
O contraste está entre o discurso e a prática política de sua coligação. Quando uma ação judicial pretendia retirar sua comunicação das redes sociais, Allyson tratou a iniciativa como tentativa de silenciamento. Agora, sua própria coligação busca uma decisão judicial para obrigar um jornal a alterar uma publicação e, caso a determinação pretendida não seja cumprida, pede que o conteúdo seja retirado.
Os processos tratam de situações juridicamente distintas, mas colocam Allyson em posições opostas diante do mesmo instrumento: quando a Justiça foi acionada para restringir sua própria comunicação, ele denunciou “censura”; quando sua coligação se sentiu prejudicada por uma publicação jornalística, foi à Justiça para pedir sua modificação ou retirada.
senador Styvenson Valentim (Podemos) sugeriu que outros parlamentares fracionam emendas para receber propinas de 10% a 15% dos recursos destinados. A declaração foi dada durante sabatina da Inter TV Cabugi, na manhã desta quarta-feira (16), quando o candidato à reeleição defendia a forma como direciona suas emendas e criticava a atuação de colegas. O senador não apresentou provas nem identificou os parlamentares aos quais se referia.
Styvenson afirmou que prefere concentrar recursos em ações específicas, em vez de pulverizar os valores entre diferentes destinações. Ao ser questionado sobre porque outros parlamentares do estado não adotariam a mesma estratégia, respondeu: “Ah, porque eles preferem fazer outros usos da emenda. Eles preferem dividir as emendas todinho, partir as emendas, pedir 10%, 15% e ninguém vê nada”, disse.
A afirmação associa diretamente a divisão das emendas à cobrança de propina. Durante a sabatina, porém, Styvenson não citou casos concretos ou documentos que sustentassem a acusação contra os parlamentares do Rio Grande do Norte.
Atualmente, a bancada potiguar no Senado também é composta por Rogério Marinho (PL) e Zenaide Maia (PSD). Na Câmara dos Deputados, integram a representação do estado Carla Dickson (PL), General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), Robinson Faria (PP), João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT).
Esta não é a primeira vez que o senador critica colegas da bancada potiguar em relação à destinação de recursos para ações no Estado.
Em vídeo publicado recentemente nas redes sociais, Styvenson desafiou os colegas do Rio Grande do Norte a apresentarem um volume de obras e ações semelhante ao que atribui ao próprio mandato. “Mostra aí quem é o político do Estado do Rio Grande do Norte que tem obras como essa, mostra. Vamos, aparece. Se você me mostrar quem é o político, eu me calo agora”, desafiou.
Styvenson despreza bolsonarismo de Coronel Hélio: “Cara, exclui isso aí”
Hélio contruiu imagem política no RN atrelando seu nome ao do grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução
A aliança de Styvenson Valentim (Podemos) com Coronel Hélio (PL), candidato à segunda vaga ao Senado na mesma coligação, também ganhou espaço durante a sabatina. Ao defender o aliado, Styvenson minimizou o peso de sua identificação com o bolsonarismo e pediu que o eleitor considere sua possível atuação no Senado.
“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Em seguida, acrescentou: “É um cara de um bom coração. Quem conhecer ele, vota certeza”.
Ao mencionar a vinculação política de Hélio, Styvenson foi direto: “Ah, mas ele é bolsonarista.
Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.
Em entrevista ao Diário do RN, Coronel Hélio tratou a identificação de forma diferente e afirmou não considerar o termo uma ofensa política ou ideológica. “De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, afirmou.
Hélio também interpretou a fala de Styvenson pelo aspecto da atuação no Senado e disse que a eleição dos dois poderia ampliar o trabalho. “O Coronel Hélio tem um lado bem definido, sendo da direita, realmente bolsonarista, da direita potiguar, poderá, junto com ele, somar forças. Se tem um senador fazendo muito, dois podem fazer muito mais”, declarou.
Styvenson afirma que em campanha vale tudo, até chamar mulher de ‘catrevagem’
Durante agenda em Currais Novos, em 2024, Styvenson chamou chapa composta por Milena de “catrevagem” – Foto: Reprodução
Styvenson também foi questionado sobre declarações feitas durante a campanha municipal de 2024, quando chamou de “catrevagem” o grupo político do qual fazia parte Milena Galvão, hoje sua segunda suplente na disputa pelo Senado. O senador negou ter tido desentendimento pessoal com Milena e atribuiu a declaração ao ambiente eleitoral.
“Ali foi campanha. Campanha vale”, declarou. Questionado sobre as consequências de declarações feitas por uma pessoa pública, insistiu que o episódio estava superado. “Eu pedi desculpa, pedi desculpa. E não passou, não?”, respondeu.
Styvenson classificou o caso como “águas passadas” e citou a atual aliança com Milena como sinal de que a divergência ficou para trás. “É muita coisa para você estar trazendo agora essa água parada, que faz tempo que já passou. E hoje Milena está lá comigo”, afirmou.
O candidato a deputado federal Dr. Bernardo (PV) não acredita em uma definição da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte no primeiro turno e aposta no crescimento de Cadu de Lula (PT) como elemento capaz de mexer na configuração da corrida estadual na reta final da campanha.
Em entrevista ao Diário do RN, ele descartou uma vitória de Allyson Bezerra (União Brasil) já no dia 4 de outubro e apontou trajetórias diferentes entre Cadu e Álvaro Dias (PL).
“Eu não vejo como Allyson ganhar a eleição no primeiro turno. Eu digo Allyson porque ele é o que está mais bem posicionado nas pesquisas”, afirmou. Para Dr. Bernardo, o momento da campanha favorece Cadu, que, segundo ele, conseguiu acelerar justamente quando a disputa entra na fase decisiva.
“Vejo um crescimento gigante de Cadu. Ele está numa crescente. E ele está numa crescente num momento muito bom da campanha. Você conseguir crescer agora é muito importante”, avaliou.
Aliado do candidato petista ao Governo, Dr. Bernardo afirmou que tem participado de caravanas e eventos da campanha e atribuiu parte do desempenho de Cadu ao aumento do conhecimento do eleitorado sobre o candidato. Na avaliação dele, a baixa exposição pública era um dos principais obstáculos enfrentados pelo petista no início da disputa.
“Quem conhece o Cadu acaba gostando. Ele é um candidato que tem uma empatia, um carisma muito grande. Ele tem conquistado muitas pessoas por onde passa. Porque o grande problema de Cadu era exatamente esse: as pessoas não conhecê-lo”, disse.
Ao comparar Cadu e Álvaro na reta final, Dr. Bernardo afirmou enxergar movimentos opostos.
Para ele, enquanto Cadu cresce entre os indecisos, Álvaro não consegue avançar. “Cadu está em uma crescente e Álvaro é exatamente o contrário. Não conseguiu crescer ou, no máximo, estabilizou”, afirmou. Diante desse cenário, considera certo um segundo turno entre Allyson e Cadu.
“Quatro é ilusão” Na disputa proporcional, Dr. Bernardo também fez projeções sobre o desempenho da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. Candidato pelo PV, ele considera praticamente consolidada a possibilidade de o grupo conquistar três das oito cadeiras do Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados, mas rejeita a tese de uma quarta vaga.
“A nossa nominata deve fazer três. Eu estou aí na luta para ser segundo ou terceiro da nominata e sobreviver. Não é fácil, mas estou na luta”, declarou.
Mais adiante, reforçou a avaliação: “Eu considero quase que certeza fazer três. Eu acho que, das nominatas, inclusive, a mais votada vai ser a da nossa Federação. Eu acho que a gente consegue tirar mais votos do que o PL. Embora não tenha chance de fazer quatro. Eu acho que essa questão de quatro é ilusão”.
Apesar de reconhecer uma disputa interna pelas vagas, Dr. Bernardo evita tratar os demais nomes da Federação como adversários. Ao falar especificamente sobre Thabatta Pimenta, também candidata pelo PV, destacou que o sistema proporcional faz com que o desempenho coletivo seja decisivo para a eleição dos integrantes da chapa.
“Eu não trato os meus companheiros de nominata como adversários. Nós somos parceiros. Afinal, eu dependo dela e ela depende de mim. A gente, sem os outros, não consegue fazer os três”, afirmou.
Campanha ganha capilaridade Dr. Bernardo avalia que sua campanha ganhou dimensão estadual depois de começar mais concentrada no Oeste, região onde construiu sua trajetória política. Segundo ele, a candidatura avançou pelo Seridó, Potengi, Trairi, Região Central, Vale do Açu, Mato Grande e Agreste, além de ampliar a presença em Natal.
“A gente começou a campanha inicialmente pequena, mas felizmente conseguiu crescer. Está com uma capilaridade gigante em todas as regiões do Estado”, afirmou.
Segundo o candidato, esse crescimento está ligado ao trabalho nos municípios e à relação construída com lideranças locais. “É um voto de trabalho, de estar dia a dia nos municípios, uma relação política com as lideranças”, resumiu.
Na reta final da campanha pela reeleição, o deputado estadual Francisco do PT aposta no crescimento de sua candidatura, na força da Federação para manter e até ampliar a bancada na Assembleia Legislativa e no avanço de Cadu de Lula (PT) na disputa pelo Governo. Em entrevista ao Diário do RN, o parlamentar afirmou que tem percorrido todas as regiões do Estado e encontrado boa receptividade tanto à sua candidatura quanto à chapa majoritária.
“Tem sido uma campanha muito boa, de muita receptividade por parte das pessoas, por onde a gente anda”, afirmou Francisco, Parte dessa caminhada, segundo ele, é feita em dobradinha com Odon Júnior (PT), ex-prefeito de Currais Novos e candidato a deputado federal. “Estamos numa parceria muito forte com o candidato a deputado federal Odon Júnior”, destacou.
O deputado também demonstra confiança no desempenho da nominata para a Assembleia Legislativa. Atualmente com seis cadeiras, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PcdoB), segundo ele, tem condições de preservar esse espaço e pode chegar à eleição disputando uma ampliação da bancada.
“Eu acho que nós temos grandes possibilidades de, no mínimo, manter essas seis vagas, mas acredito muito que, dependendo do trabalho que for feito até o dia da eleição, nós poderemos, inclusive, pensar na possibilidade real de ampliar essas vagas na Assembleia Legislativa”, projetou.
Cadu cresce no interior A avaliação otimista de Francisco também se estende à disputa pelo Governo. Presente em diferentes caravanas da chapa majoritária, o deputado afirma ter percebido um crescimento na aceitação de Cadu de Lula, especialmente no interior, mas também nas agendas realizadas em Natal.
“Tenho me impressionado muito positivamente com a receptividade das pessoas. Sinto que as pessoas, especialmente pelo interior do Estado, mas aqui em Natal também, tenho visto muita receptividade”, afirmou.
Para Francisco, parte desse movimento está relacionada à associação de Cadu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a governadora Fátima Bezerra (PT). Na avaliação do deputado, o eleitor começa a identificar no candidato a possibilidade de continuidade do projeto político conduzido pelos dois governos.
“Percebo que as pessoas estão com muita vontade de votar no presidente Lula para renovar o seu mandato de presidente e consigo perceber que, dessa mesma forma, essas pessoas estão entendendo cada vez mais que aqui no Rio Grande do Norte Cadu representa esse projeto do presidente Lula”, disse.
Francisco também aponta a continuidade da atual gestão estadual como um dos argumentos da candidatura petista. Para ele, Cadu reúne condições de dar sequência às ações desenvolvidas durante os dois mandatos de Fátima Bezerra.
“Cadu é o candidato mais preparado para dar sequência e fazer avançar ainda mais o nosso Estado mediante, inclusive, o legado que a professora Fátima Bezerra tem deixado para o nosso povo”, declarou.
Confiança no segundo turno O deputado considera que o crescimento registrado pelas pesquisas e a receptividade encontrada nas ruas colocam Cadu em condições de chegar ao segundo turno.
“Eu credito muito, seja pelo resultado das pesquisas, seja pelo que tenho visto nas ruas do nosso Estado, por onde tenho acompanhado”, afirmou.
Francisco diz que essa percepção não se limita aos eventos da chapa majoritária. “Não só quando estou com o Cadu nas atividades da majoritária, mas também nas atividades que tenho feito na condição de deputado estadual, tenho visto muita receptividade ao nome de Cadu”, concluiu.
A pré-campanha de Allyson Bezerra ao Governo do Rio Grande do Norte ganhou novos desdobramentos na Justiça Eleitoral em setembro de 2026. Decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) colocaram sob análise a atuação de perfis de apoio ao candidato nas redes sociais e uma publicação considerada propaganda eleitoral antecipada.
O principal ponto de uma das decisões está relacionado à identificação de um e-mail institucional ligado à estrutura pública de Mossoró e a elementos que, segundo a Justiça Eleitoral, são indicativos da possível participação de agente público.
E-MAIL INSTITUCIONAL ENTRA NA APURAÇÃO No procedimento de produção antecipada de provas, diligências realizadas para identificar os responsáveis por cinco perfis do Instagram levaram a Justiça Eleitoral a registrar “elementos indicativos da participação de agente público e da utilização de email institucional de órgão público”.
As diligências contaram com informações fornecidas pela Meta, responsável pelo Instagram, para identificar responsáveis, dados cadastrais e possíveis conexões entre as contas.
Entre os registros analisados aparece o endereço secom@prefeiturademossoro.com.br, associado à Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Mossoró, relacionado ao perfil @allysonarrochado. A decisão também registra possíveis conexões envolvendo profissionais de comunicação ligados ao beneficiário das publicações, a estrutura oficial de comunicação da Prefeitura de Mossoró e dirigente partidário que ocupava cargo comissionado.
A CRONOLOGIA DO E-MAIL E DO PERFIL Um dos pontos que merece atenção na documentação é a sequência das datas.
Segundo os dados analisados no procedimento, o endereço institucional aparece associado ao cadastro em 22 de dezembro de 2019.
Já o perfil @allysonarrochado teria sido criado em 19 de setembro de 2020.
Allyson Bezerra assumiu a Prefeitura de Mossoró somente em janeiro de 2021.
A cronologia é relevante para a análise do caso. A existência do endereço eletrônico em registro anterior ao início da gestão de Allyson não permite, isoladamente, afirmar quem utilizou o e-mail, quem tinha acesso à conta ou com qual finalidade o endereço foi associado ao perfil.
A defesa de Allyson contestou a existência de vínculo direto entre ele e os cinco perfis e afirmou que os e-mails, telefones e endereços de IP identificados nas contas não pertencem ao político.
O QUE A DECISÃO REGISTRA A decisão não condena Allyson Bezerra pela utilização de e-mail institucional e não estabelece definitivamente que os cinco perfis sejam falsos ou que seus administradores tenham cometido ilícito eleitoral.
O procedimento teve finalidade probatória, com o objetivo de reunir e preservar informações capazes de esclarecer a autoria e as conexões existentes entre as contas.
Por isso, o registro de “elementos indicativos” não equivale a uma conclusão definitiva de responsabilidade.
Após as diligências, os elementos reunidos deverão ser encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral antes do arquivamento do procedimento.
A partir daí, caberá ao Ministério Público Eleitoral analisar os dados e avaliar se existem fundamentos para novas providências.
A MULTA DE R$ 10 MIL Em processo diferente, a Representação nº 0600279-62.2026.6.20.0000 foi julgada pelo TRE-RN em 19 de agosto de 2026.
Na decisão, o Tribunal acolheu parcialmente a representação e aplicou multa de R$ 10 mil a Allyson Bezerra por propaganda eleitoral antecipada.
O processo envolveu uma publicação em rede social com a expressão “#O povo quer Allysson Governador”.
Para o TRE-RN, a mensagem ultrapassou os limites da pré-campanha e caracterizou pedido explícito de voto.
Allyson recorreu da decisão e contestou, entre outros pontos, a interpretação de que a expressão representaria pedido explícito de voto. O Partido Novo também apresentou recurso.
Quase quatro em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não sabem que poderão escolher dois candidatos ao Senado nas eleições deste ano. Segundo pesquisa DataVero, divulgada recentemente, 37,38% dos entrevistados afirmaram desconhecer a possibilidade de votar duas vezes para o cargo. A maioria, 61,99%, disse saber da regra, enquanto 0,63% não soube ou não respondeu.
O dado ganha relevância diante do tamanho da disputa. No Rio Grande do Norte, 14 candidatos concorrem às duas vagas disponíveis para o Senado. Cada eleitor terá direito a dois votos, necessariamente em candidatos diferentes, e serão eleitos os dois nomes que obtiverem as maiores votações no Estado. A eleição para senador segue o sistema majoritário.
Por que o eleitor votará duas vezes? A explicação está no modelo de renovação do Senado Federal. A Casa possui 81 senadores, três para cada estado e para o Distrito Federal, com mandatos de oito anos. Diferentemente de outros cargos eletivos, porém, as 81 cadeiras não são colocadas em disputa simultaneamente.
A renovação ocorre de forma alternada a cada quatro anos: em uma eleição, um terço das vagas é renovado; na seguinte, dois terços. Em 2022, cada estado elegeu apenas um senador. Em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras, fazendo com que cada unidade da Federação escolha dois representantes.
Por isso, o eleitor encontrará duas telas para senador na urna eletrônica, uma para cada escolha.
O desconhecimento da regra por 37,38% dos entrevistados pode fazer com que parte do eleitorado chegue ao dia da eleição sem ter definido um segundo candidato. A pesquisa, no entanto, não permite afirmar que esse desconhecimento necessariamente resultará em erro, voto branco ou nulo.
Os próprios números da DataVero mostram maior indefinição justamente na segunda escolha.
Quando questionados sobre o segundo voto para senador, 30,53% não souberam ou não responderam e 19,30% apontaram nenhum candidato, branco ou nulo. Juntos, representam 49,83% dos entrevistados sem indicar um nome.
No primeiro voto, esse percentual é menor: 15,83% não sabem ou não responderam e 11,34% indicaram nenhum candidato, branco ou nulo, somando 27,17%. Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre os dois dados, a diferença mostra que a segunda escolha permanece menos definida.
O papel do Senado Os senadores representam os estados e o Distrito Federal no Congresso Nacional. Além de participar da elaboração e votação de leis e da fiscalização do Poder Executivo, o Senado possui atribuições específicas previstas na Constituição.
Entre elas estão a análise de indicações de autoridades, como ministros de tribunais superiores, procurador-geral da República e dirigentes do Banco Central, além do julgamento de autoridades em processos de impeachment nos casos previstos constitucionalmente.
Dados da Pesquisa A pesquisa DataVero ouviu 1.500 eleitores nos dias 6, 7 e 8 de setembro. A margem de erro é de 2,53%, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob os números BR-00919/2026 e RN-08285/2026.
A cerca de 20 dias da eleição, Benes Leocádio (União Brasil) chega à reta final da campanha pela reeleição entre os nomes competitivos para a Câmara dos Deputados. Com 46 prefeitos em sua base e destaque nas pesquisas, o parlamentar atribui o crescimento à ampliação de sua presença no interior e ao trabalho desenvolvido nos últimos oito anos.
Em entrevista ao Diário do RN, Benes afirmou que os levantamentos recentes reforçam a expectativa de conquistar o terceiro mandato. “Graças a Deus, pelo que sentimos desses dados que temos de pesquisas que vieram ao conhecimento há pouco, nos posicionam numa disputa com chances reais de chegarmos ao pódio mais uma vez. Naturalmente, como já falei, é o reconhecimento, a avaliação de um trabalho que o Estado inteiro já conhece”, afirmou.
Na pesquisa DataVero/Diário do RN divulgada na última quinta-feira (10), Benes aparece com 2,58% das citações espontâneas para deputado federal, sendo o nome mais citado entre os candidatos ligados ao grupo político de Allyson Bezerra (União Brasil).
O deputado também aponta a ampliação das bases como um dos principais sinais do crescimento. Segundo ele, eram cinco prefeitos em sua primeira eleição para a Câmara, em 2018. Em 2022, chegou a 22 e, neste ano, contabiliza 46 dos 167 gestores municipais.
“Iniciamos nossa trajetória em 2018 com apenas cinco prefeitos apoiando o nosso projeto. Em 22, chegamos a 22 e hoje já contamos com 46 dos 167. Acredito eu que seja a maior base de apoio de uma candidatura a deputado federal de toda a história do Rio Grande do Norte, nunca conheci outra”, afirmou.
Benes diz ainda que o mandato chegou a quase uma centena de municípios, com ações em áreas como saúde, educação e geração de emprego e renda. Ele cita construção de escolas, creches, quadras e unidades básicas de saúde, manutenção de hospitais, aquisição de equipamentos e ambulâncias, além de galpões para oficinas de costura. Segundo o parlamentar, quase 40 municípios foram contemplados nesse último segmento, com mais de mil empregos gerados.
“Isso muito me encoraja para continuar nessa luta, sabendo que não tem sido fácil. Muito me alegra saber que aonde chegamos tem alguma ação do mandato do deputado Benes. Eu entendo isso como retribuição pelos dois mandatos que o povo potiguar já nos deu e não é nenhum favor, é obrigação nossa, até porque foi para isso que nos colocamos como opção”, disse.
União na nominata e aposta em três vagas Ao lado de João Maia e Robinson Faria, Benes forma o trio mais forte da Federação União Progressista na disputa pela Câmara. Apesar da concorrência direta pelos votos, o deputado defende a união da nominata e acredita que os três podem alcançar votações expressivas.
“Entendo essa disputa como salutar, respeitosa. São três grandes nomes com perfis parecidos da entrega que fazemos através dos nossos mandatos”, afirmou. “Os colegas que estão na nossa nominata também têm boas bases transferidoras de votos e espero que todos nós tenhamos excelentes votações, naturalmente sonhando e desejando que uma das vagas a serem conquistadas seja através do nosso mandato”, disse.
Benes estima que as três candidaturas podem superar, juntas, 400 mil votos e não descarta a conquista de três cadeiras pela Federação. “Eu entendo que só essas três candidaturas deverão somar mais de 400 mil votos. Vai surpreender muita gente, os cientistas e analistas políticos, a capacidade de votos de cada um”, projetou.
Para ele, o desempenho dos demais integrantes será decisivo. “Eleição proporcional é eleição de conjunto, de grupo. Eu sou daqueles que torço que todos sejam muito bem votados, porque ninguém se elege sozinho”, reforçou.
Benes aposta em vitória Allyson no primeiro turno Na disputa pelo Governo, Benes também demonstra confiança em Allyson Bezerra e acredita na possibilidade de vitória já no primeiro turno.
“Eu não só acredito, como desejo que essa vitória já possa chegar no primeiro turno”, afirmou.
Segundo o deputado, o fortalecimento da candidatura não ocorre apenas pelas adesões políticas.
“A candidatura de Allyson está sendo a cada dia mais fortalecida, não por apoiadores, não por lideranças que resolveram seguir com ele, mas pela opinião pública, pelo voto espontâneo, popular que a gente tem encontrado”, disse.
A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) usou declarações do próprio Styvenson Valentim (Podemos) para confrontar o senador após a Operação Sem Lastro, deflagrada nesta segunda-feira (14) pela Polícia Federal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela responde aos questionamentos feitos por Styvenson sobre os R$ 1,5 milhão apreendidos e o chama de “moralista sem moral”.
A publicação começa com um trecho do vídeo em que Styvenson, ainda sem saber quem estaria relacionado ao dinheiro, pergunta: “Quem será, hein? Pra quem foi esse saque de um milhão e meio que a Polícia Federal pegou hoje pela manhã?”.
Samanda responde diretamente ao senador. “Então eu vou te contar, senador. Esse dinheiro, um milhão e meio de reais, segundo a imprensa, pertence ao deputado Luiz Eduardo, do PL, que está indo para a reeleição, seu aliado político”.
Na sequência, a candidata recupera outra declaração de Styvenson, na qual ele afirma: “Um milhão e meio para Caixa 2, viu?”. A partir daí, Samanda destaca as ligações partidárias entre o senador e Luiz Eduardo. “Do partido do seu candidato ao governo, do partido do seu candidato a presidente, do partido do seu companheiro de chapa ao Senado Federal”.
Ao final, a petista concentra as críticas diretamente em Styvenson e questiona se ele manterá o mesmo discurso após o nome do aliado aparecer relacionado ao caso. “Vai chamar o seu aliado deputado de ladrão? Vai explicar de onde é que veio o dinheiro, o Caixa 2, um milhão e meio de dinheiro vivo para compra de voto? Ou vai continuar por trás do seu celular, dando uma de moralista sem moral?”, disparou.
Relação com Luiz Eduardo Para reforçar a proximidade política entre os dois, Samanda também incluiu no vídeo declarações anteriores de Luiz Eduardo. Em uma delas, o deputado manifesta apoio à candidatura do senador: “E meu candidato a senador é Styvenson e Coronel Hélio”.
A candidata também resgatou a relação entre os dois em torno da destinação de recursos. “E agora, senador, o que o senhor vai fazer com essa informação? Vai pedir de volta ao deputado os mais de R$ 4 milhões que destinou para ele? Inclusive, ele foi ao seu gabinete agradecer”, questionou.
Na montagem publicada por Samanda, aparece em seguida uma declaração anterior de Styvenson sobre os recursos destinados: “Tá nas mãos dele, tá recebido”.
Luiz Eduardo nega caixa dois Após a operação, Luiz Eduardo divulgou nota negando a prática de Caixa 2 e afirmando que os valores apreendidos têm origem lícita e comprovável. Segundo o deputado, o dinheiro é resultado de saques realizados em suas próprias contas bancárias.
“A investigação tem por base saques realizados em contas bancárias do próprio deputado. Movimentação lícita, declarada e de origem plenamente comprovada, cuja documentação será apresentada às autoridades competentes”, afirmou a nota.
O valor chama atenção diante da declaração de bens apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral. Luiz Eduardo declarou cerca de R$ 700 mil em recursos próprios em aplicações previdenciárias e contas correntes, enquanto sustenta que os aproximadamente R$ 1,5 milhão apreendidos pela PF também pertencem a ele e têm origem lícita.
Segundo o parlamentar, o dinheiro permanecia guardado em sua residência e não havia sido utilizado na campanha. “Não há Caixa 2 sem recurso arrecadado à margem da prestação de contas ou aplicação de despesas de campanha. Em nenhuma dessas hipóteses ocorreu gasto de dinheiro”, declarou.
Operação apreendeu R$ 1,5 milhão Deflagrada nesta segunda-feira (14), em Natal, a Operação Sem Lastro investiga indícios de falsidade ideológica eleitoral e possível utilização de recursos não declarados em atividades de campanha, o chamado Caixa 2.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação identificou saques em espécie realizados por um servidor público do Rio Grande do Norte. As movimentações levantaram suspeitas de incompatibilidade entre os valores movimentados e o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.
Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo.