O ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil no Rio Grande do Norte, afirmou em entrevista ao Diário do RN que não houve rompimento na relação com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), mesmo diante de recentes divergências políticas entre os dois. Ao ser questionado diretamente sobre a situação do prefeito dentro do partido e seu posicionamento eleitoral, Agripino evitou aprofundar a análise e ressaltou o distanciamento no diálogo político entre ambos.
“Eu não sei, eu não estive mais com o Paulinho. Paulinho é uma pessoa por quem eu tenho uma estima pessoal, mas eu não conversei mais política com ele não”, disse, ao ser perguntado se o prefeito continua no União Brasil.
Sobre o fato de Paulinho apoiar um candidato de outro partido, o ex-senador se esquivou: “Eu não tenho muito o que comentar sobre isso não”.
Sobre a decisão do prefeito da capital apoiar Álvaro Dias (PL), e não o candidato do União Brasil, Allyson Bezerra (UB), para governador do Rio Grande do Norte, Agripino evitou abordar a posição e reforçou que não cabe a ele justificar a decisão.
“Pergunta a ele isso daí. Acho que você deve perguntar a ele as razões disso daí. Ele já até falou sobre isso. Eu não tenho que justificar a posição de ninguém. Eu tenho que votar no presidente do meu partido”, disse o presidente do União Brasil no RN.
Mesmo com o cenário de divergência, ele descartou qualquer rompimento político: “Não, não, não. Já declarei para você isso daqui. Você fez uma pergunta e eu não tenho resposta para lhe dar sobre isso”.
A possibilidade de desgaste entre os dois ganhou força após a negativa de carta de anuência para a vereadora licenciada Nina Souza (UB), atual secretária de Assistência Social de Natal e esposa de Paulinho Freire, deixar o União Brasil. A decisão foi formalizada em nota conjunta assinada por Agripino e pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, em 10 de março.
Nina pretende se filiar ao PL para disputar uma vaga de deputada federal. A medida também atingiu outros vereadores da sigla, como Camila Araújo e Robson Carvalho, que articulam candidaturas por outras legendas.
Questionado se a negativa arranhou sua relação com o prefeito, Agripino minimizou: “Não, não tem nada que arranhar, não. Isso é disciplinamento da política. Política é feita com estatutos, com normas e com a lei. É quem baliza a relação na política, é estatuto de partido e o que reza a lei eleitoral”.
Resolução nacional do União Brasil Sobre a recente decisão da direção nacional do União Brasil, emitida no dia 16 de março e publicada nesta segunda-feira (23), de centralizar na executiva nacional a prerrogativa de conceder anuência, retirando essa possibilidade das instâncias estaduais, o ex-senador afirmou ao Diário do RN que apenas tomou conhecimento da medida após sua publicação.
“Eu recebi a comunicação. Eu não tratei mais desse assunto a partir daquela nota passada por mim e por Rueda, que é o retrato fiel do que diz o estatuto. Eu não tratei mais o assunto com o nacional não. Eu recebi ontem e fiz conhecimento público a definição trazida por ele e por ACM Neto, o presidente e o vice-presidente nacional do partido. Isso deve consultar, suponho eu, uma definição a nível nacional. O que vale para o Paraná, vale para o Amazonas, vale para o Rio Grande do Norte, vale para todo canto, remetendo tudo para executiva nacional”, afirmou.
Ao ser provocado de que a nota assinada por ele e por Rueda teria perdido valor com a nova resolução, Agripino discordou e explicou a mudança.
“Não. Essa nova agora remeteu tudo o que era de decisão de candidatura para um único fórum, o nacional. Antes estava escrito: era o nacional ou o estadual, por três quintos dos votos. Essa agora restringiu. Agora não, agora é só o nacional. Ou seja, não era uma questão do Rio Grande do Norte, era uma questão nacional que foi disciplinada. Eu entendo isso, que foi disciplinada pelo presidente nacional e pelo vice nacional”, disse o ex-senador à reportagem.
A governadora Fátima Bezerra e o Ministro Waldez Góes (MIDR) dão início, nesta terça-feira (24), as ações da caravana “Caminho das Águas”, acompanhados de representantes da ANA, CODEVASF e SUDENE. A comitiva percorre o Alto e Médio Oeste com foco em obras estruturantes para garantir a segurança hídrica do semiárido potiguar.
A agenda terá início no município de Pau dos Ferros, com uma visita à barragem do município; seguida de vistoria às obras do Túnel Major Sales, equipamento que integra as obras do Ramal do Apodi e da transposição do Rio São Francisco.
Ainda durante a agenda, o ministro e a governadora anunciarão as obras de recuperação da Barragem de Santa Cruz do Apodi, o Projeto Apumari e a Integração das Adutoras do Alto Oeste.
Novas unidades móveis do MobSUAS levam Assistência Social ao interior do estado Nesta segunda-feira (23), o Rio Grande do Norte recebeu um importante reforço para levar a assistência social para comunidades mais remotas de 28 cidades potiguares, onde os serviços assistenciais sempre foram mais difíceis de chegar, levando mais dignidade e oportunidade aos que mais precisam.
Agora, os quase 30 municípios passam a contar com o apoio do programa Mobilidade no Sistema Único de Assistência Social (MobSUAS), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que consiste em veículos do tipo van, equipados com estrutura específica para levar serviços do Suas. Entre outras especificações, contam com acessibilidade, inclusive com plataforma elevatória para cadeirantes; lugares para 10 passageiros, sendo um cadeirante, o que visa dar mais opções de transporte para os atendimentos realizados para o público da assistência social.
Os veículos poderão ser utilizados tanto para o deslocamento de equipes socioassistenciais, como para os usuários dos serviços do sistema. O investimento em cada uma das unidades foi de R$ 283,9 mil, o que totaliza um valor em torno de R$ 8 milhões, oriundo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e de emenda parlamentar do deputado federal Fernando Mineiro.
“A entrega dessas vans do MobSUAS pode parecer, para alguns, apenas a entrega de veículos. Mas nós sabemos que é muito mais do que isso. É acesso, é cuidado, é o Estado chegando onde o povo está”, destaca a governadora Fátima Bezerra, celebrando a entrega.
O fortalecimento do serviço não é novidade no RN com a entrega desta segunda-feira. A governadora Fátima explica que essa missão é contínua no Rio Grande do Norte.
“Aqui, nós fortalecemos o Suas todos os dias. Investimos na formação dos trabalhadores, ampliamos o atendimento, estruturamos serviços, chegamos aos territórios, dialogamos com os municípios”, explica.
O ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, esteve presente na solenidade representando o Governo Federal, e falou da importância do serviço.
“O MobSUAS fortalece o sistema da assistência social. Além da unidade física, onde temos centros especializados e unidades de acolhimento, agora as equipes podem, com este equipamento – que não é só um veículo –, ir onde as pessoas estão. Vai em um bairro ou em uma comunidade distante, e lá faz o cadastramento, a atualização, garante a busca ativa de pessoas que têm direitos”.
O ministro destacou também a integração entre os governos federal e estadual na luta para garantir melhores condições na prestação dos serviços assistenciais.
“Com essa integração do governo do presidente Lula com o governo da professora Fátima Bezerra, nós queremos alcançar quem ainda não foi alcançado. Queremos garantir direitos para quem tem direitos. Além do Bolsa Família, do BPC, são 56 programas que o presidente coloca à disposição das famílias que precisam, como o Gás do Povo, a Farmácia Popular e a Tarifa Social de Energia”, completa Dias.
Iris Oliveira, secretária de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas-RN), aproveitou a ocasião para falar dos avanços alcançados na prestação dos serviços do Suas no RN.
“Hoje, todas as pessoas que precisam dos serviços do Suas encontram acolhida, respeito e equipe tecnicamente preparada para acolhê-los e atendê-los nos serviços do Creas. E com isso, ampliamos a progressão social no nosso estado. Esse é um Suas que se faz presente em todos os territórios. Com o nosso programa Território Suas, nós colocamos o pé na estrada e chegamos em todos os municípios potiguares, seja em atividades regionalizadas, seja a equipe indo a todas as cidades”, explica Iris.
O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte recomendou a desaprovação das contas anuais de governo da Prefeitura de Mossoró referentes ao exercício financeiro de 2023, gestão do prefeito Allyson Bezerra. O parecer foi emitido no processo analisado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) e aponta irregularidades na execução orçamentária e na consistência das demonstrações contábeis do município. Segundo o parecer, entre outros pontos, Allyson Bezerra realizou créditos suplementares acima do autorizado pela Câmara Municipal de Mossoró. A abertura de despesas sem respaldo legal pode, em tese, configurar ato de improbidade administrativa.
“A autorização ilimitada ou implícita para abertura de créditos suplementares é vedada pelo ordenamento jurídico e contraria os princípios da separação dos poderes e da transparência fiscal”, coloca trecho do relatório. O documento também pede a responsabilização de Allyson Bezerra pelas irregularidades encontradas nas contas do ano de 2023.
“A prestação de contas é ato pessoal do Chefe do Poder Executivo, sendo assim, no âmbito municipal, o dever de prestar contas anuais é da pessoa física do prefeito, pois, consoante dito, constituem-se em obrigação pessoal do gestor”, afirma outro trecho do parecer.
O documento foi elaborado pelo procurador do Ministério Público de Contas Ricart César Coelho dos Santos e conclui que as falhas identificadas comprometem a regularidade das contas apresentadas pelo Executivo municipal.
Entre os pontos destacados estão inconsistências em demonstrativos contábeis, atraso no envio de instrumentos de planejamento fiscal e abertura de créditos suplementares acima do limite autorizado pela própria Lei Orçamentária Anual (LOA).
Segundo o parecer, a LOA autorizava a abertura de créditos suplementares até o limite de 25% do orçamento municipal, o equivalente a aproximadamente R$ 297,7 milhões. No entanto, a auditoria identificou que foram abertos R$ 338,6 milhões, correspondendo a 28,43% do orçamento.
Para o Ministério Público de Contas, a medida configura violação ao princípio da legalidade e pode representar abertura de crédito sem autorização legislativa, o que afronta normas constitucionais e da legislação orçamentária. O parecer ressalta que esse tipo de prática pode caracterizar infração político-administrativa, conforme previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata da responsabilidade de prefeitos.
Além da irregularidade orçamentária, o Ministério Público de Contas destaca que a abertura de despesas sem respaldo legal pode, em tese, configurar ato de improbidade administrativa, especialmente quando há ordenação de despesa não autorizada em lei.
De acordo com o parecer, esse tipo de situação pode se enquadrar nas hipóteses de violação às normas de gestão fiscal e orçamentária, o que exige apuração específica para avaliar eventual responsabilidade do gestor.
Outro ponto mencionado no documento é o envio fora do prazo dos instrumentos de planejamento fiscal ao Tribunal de Contas. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi encaminhada com 409 dias de atraso, enquanto a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi enviada com 190 dias de atraso. Para o Ministério Público de Contas, a prática compromete o acompanhamento e a fiscalização das contas públicas pelo órgão de controle.
O parecer também aponta divergências entre dados apresentados nos balanços financeiros, patrimoniais e no demonstrativo de fluxo de caixa. Segundo a análise, essas inconsistências indicam falhas de conciliação contábil e baixa qualidade das informações apresentadas.
Para o Ministério Público de Contas, a utilização de notas explicativas para justificar divergências entre demonstrativos não supre a obrigação de apresentar informações contábeis consistentes e fidedignas, conforme exigem as normas de contabilidade pública.
Diante das irregularidades, o parecer recomenda a emissão de parecer prévio pela desaprovação das contas e sugere ainda a abertura de processo autônomo para apuração de responsabilidade e eventual aplicação de sanções a Allyson Bezerra.
O caso ainda será analisado pelo plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte. Após a emissão do parecer prévio do Tribunal, caberá à Câmara Municipal de Mossoró realizar o julgamento político das contas do chefe do Executivo.
A fala do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o Nordeste, feita durante agenda do último sábado (21) em Natal, provocou reação imediata do deputado federal Fernando Mineiro (PT), que contestou o conteúdo e a linha de argumentação apresentada pelo pré-candidato à Presidência.
Mineiro afirmou que a fala do senador reproduz uma visão distorcida sobre a região.
“Ele repete o discurso de quem não conhece o Nordeste e vê a região com as lentes do estigma e do preconceito, repetindo bobagens que nada têm a ver com a realidade atual”, disse ao Diário do RN.
No discurso durante ato de filiação ao lado de Rogério Marinho (PL), Álvaro Dias (Republicanos), Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB) e outras autoridades que representam a direita nos municípios, Flávio afirmou que “o Nordeste não é problema, o Nordeste é a solução do Brasil”, frase estampada na camisa que escolheu para a vista ao RN, mas associou a região a um modelo de dependência, ao dizer que “o PT vendeu a ideia de que o povo precisa depender do governo” e que seria necessário “libertar o Nordeste desse ciclo”.
Em resposta, Mineiro citou áreas econômicas para sustentar o argumento de que o Nordeste tem papel ativo no desenvolvimento nacional. “O Nordeste hoje tem tecnologia de ponta, é o celeiro do Brasil em energias renováveis, referência no turismo e na fruticultura, só para citar algumas áreas que ele certamente não sabe nem o significado”, afirmou.
O deputado também rebateu diretamente a crítica às políticas sociais. “O discurso de que política social não gera desenvolvimento real traduz bem a absoluta ignorância dele tanto em relação às políticas sociais como em relação à concepção de desenvolvimento. Desenvolvimento sem políticas sociais não é desenvolvimento; é concentração de renda e riqueza”, declarou.
Ao contrário do filho do ex-presidente, ao mencionar o cenário recente, o parlamentar associou o desempenho do Nordeste ao Governo Federal. Mineiro questionou a existência de propostas concretas por parte do adversário.
“Para falar do Nordeste ele precisaria se informar sobre a região que retomou o desenvolvimento com a volta do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não tem frase em camisa que dê jeito para quem não tem projeto para a região e o país”, disse.
“Todos sabem que o único projeto dele é tentar livrar a cara do chefe do golpismo e de sua família”, concluiu, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Rogério Marinho (PL) afirmou que o ato de filiação do Partido Liberal, marcado para este sábado (21) à tarde, em Natal, representa um novo momento de fortalecimento da legenda no Rio Grande do Norte e de organização do grupo político para as eleições de 2026. Em conversa com o Diário do RN, ele ressaltou o objetivo de enfrentamento ao PT e projetou o ex-prefeito de Natal como o principal nome da oposição ao governo estadual.
“Este ato de filiação marca um novo momento para o PL no Rio Grande do Norte, que já é o maior partido do Estado e agora ganha reforços importantes na defesa das pautas que consideramos fundamentais para o país e ao nosso RN. Com Álvaro Dias no Governo, vamos deixar para trás os anos de desgoverno do PT e finalmente começar a tirar o Estado desse caos administrativo”, declarou o coordenador da campanha presidencial do PL.
O evento contará com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), que cumpre agenda no Nordeste como parte de sua pré-campanha à presidência da República. Para Marinho, a participação do parlamentar reforça a articulação nacional do partido e a estratégia de ampliar a competitividade da direita na região.
“A presença do senador Flávio Bolsonaro simboliza a união de forças em torno de um caminho claro para 2026, com responsabilidade, valores e compromisso com a população. Vamos vencer com Flávio Bolsonaro e Álvaro Dias para salvar o Brasil e o RN do PT”, afirmou.
O ato será realizado às 15h, no Boulevard Hall, em Nova Parnamirim, e deve reunir lideranças políticas do Estado. Entre os nomes confirmados estão o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que deixará o Republicanos para se filiar ao PL e disputar o Governo do Estado, e o também pré-candidato Babá Pereira, que vai compor a chapa com Dias.
No evento, também será confirmada a composição da chapa ao Senado, formada pelo senador Styvenson Valentim (PSDB), que deve disputar a reeleição, e o presidente do PL Natal, Coronel Hélio, que deverá ser confirmado para uma vaga ao Senado.
A movimentação do PL no RN ocorre em meio à estratégia nacional de ampliar espaço no Nordeste, região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve forte desempenho nas eleições de 2022. A passagem de Flávio Bolsonaro pelo RN, no sábado (21), e pela Paraíba, no domingo (22), inclui filiações, definição de palanques estaduais e articulação com lideranças locais, com a presença também do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
No cenário estadual, o discurso de Marinho delineia o discurso a ser adotado na campanha pelo grupo oposicionista, que tem intensificado críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e busca unificar forças em torno da pré-candidatura de Álvaro Dias. O ato deste sábado, nesse contexto, funcionará como vitrine política e consolidação da chapa majoritária de 2026.
Afirmando que há desinformação e radicalização no debate público, o deputado estadual Francisco do PT, líder do Governo na Assembleia Legislativa, defende as ações da gestão Fátima Bezerra (PT) e comentou as críticas de adversários. O parlamentar classificou como “cegueira política” a postura de quem nega as realizações do governo. “Como, quem destruiu o RN, se apresenta agora como salvador?”, questionou o parlamentar sobre a pretensão eleitoral da oposição. A defesa foi feita durante entrevista concedida ao programa “12 em Ponto”, da 98FM Natal.
“Esses adversários que dizem que Fátima não tem o que mostrar, ou eles são muito radicais, e o radicalismo cega, ou não querem enxergar, ou querem fazer a política baseada somente na propagação de uma mentira. Uma mentira dita muitas vezes se torna realidade”, disse ele, lembrando o ditado para reforçar o argumento de que há uma estratégia de desinformação contra a gestão estadual. Francisco do PT ressaltou obras importantes entregues pela gestão Fátima.
“A governadora Fátima Bezerra está recuperando metade da malha rodoviária do Rio Grande do Norte. Nós saímos de 170 leitos de UTIs para mais de 300. Todos os hospitais regionais estão sendo recuperados. Canguaretama está para ganhar agora uma policlínica na área da saúde. Tem 10 ierns, alguns já entregues e outros já em construção. Tem dezenas, centenas de escolas já reformadas e em construção e nós saímos da condição do estado mais violento do Brasil”, listou, entre outras.
O deputado também fez questão de contrastar as ações do atual governo com gestões anteriores.
Segundo ele, há uma tentativa deliberada de ignorar esses avanços por parte de opositores.
“Quem não gosta do PT, quem não gosta de Fátima, tem todo o direito de não gostar. Agora dizer que não tem nada, que não existem ações concretas que estão mudando a vida do povo…”, criticou.
O parlamentar questionou a legitimidade de setores da oposição que hoje se apresentam como alternativa de poder: “Uma parcela da classe política que hoje está condenando o governo da professora Fátima é a mesma parcela que destruiu o Rio Grande do Norte. Como é que esse povo se apresenta agora como salvador?”, disparou.
Ao ser confrontado com índices de reprovação da governadora apontados por pesquisas, Francisco voltou a atribuir os números a um ambiente de desinformação e polarização. Ele relembrou o cenário eleitoral de 2022, quando, segundo ele, previsões negativas não se confirmaram nas urnas. “Havia uma campanha de desinformação que não era condizente com a vida real, e as pessoas viram isso”, afirmou.
“Você tem uma faixa ali da população, fora dos extremos, que ela só vai se preocupar em comparar na eleição. Tem muita gente hoje que está mais preocupada sabe com o quê? Com o que é que vai comer amanhã, qual o salário que vai receber, se está empregado, se está desempregado. Essas pessoas, elas vão ter a oportunidade do comparativo”, coloca.
Sobre críticas recentes envolvendo a área econômica, como o atraso no pagamento de consignados, Francisco do PT minimizou a pressão sobre o governo.
“Cadu já foi na Assembleia, foi perguntado, ele explicou tudo direitinho e disse o seguinte, ‘olha, no final do mês eu tive que fazer uma opção, ou eu pagava o salário em dia ou eu pagava o consignado’”.
Questionado sobre o uso dos consignados para pagamento de salário, explicou: “Não é com o dinheiro do consignado, porque o dinheiro do consignado não dava para pagar. Pior foram os governos anteriores, que nem pagavam o consignado, nem o fornecedor, nem o salário e era tudo atrasado”. Ele complementou que o Estado “vai ter que arrumar uma forma, se esforçar para pagar os consignados, porque é o certo”.
O deputado concluiu mirando a oposição: “O que essa oposição tem para mostrar ao Rio Grande do Norte? Uma vez me disseram: quem não constrói já se contenta muito se destruir o que o outro está fazendo”.
A permanência da governadora Fátima Bezerra (PT) no cargo, com a desistência da disputa ao Senado em 2026, também repercutiu entre nomes de fora do PT, mas inseridos no campo progressista. Em conversa com o Diário do RN, o ex-deputado federal Rafael Motta classificou o novo cenário como inesperado e defendeu que a formação de candidaturas majoritárias deve ser construída com base em diálogo político, estrutura partidária e viabilidade eleitoral. Rafael afirmou ainda estar definindo seu futuro partidário, mas indicou tendência de seguir para a federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB).
“A gente está ainda estudando, vendo as possibilidades, mas muito provavelmente via federação.
Estamos analisando como isso vai funcionar, mas provavelmente vai ser o PCdoB mesmo”, disse.
Sobre a decisão de Fátima de permanecer no governo, o ex-parlamentar foi crítico em relação ao processo político que a levou à mudança de planos. “Eu acho que é uma das maiores injustiças que eu já vi cometerem com uma pessoa, que é você não ter o direito de concorrer a uma eleição”, declarou.
Sem citar o nome de Walter Alves, ele afirma que houve quebra de compromisso na formação da chapa anterior. “O que me consta é que havia um acordo de que ela cumpriria o mandato e depois teria o apoio necessário para disputar o Senado, até pela importância dela no Congresso, inclusive para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não houve esse cumprimento do vice-governador, e isso é muito temerário”, afirmou.
Para Rafael, o momento ainda é de ajuste do futuro da chapa após a mudança no cenário político.
“Apesar de já existir essa possibilidade, muita gente foi pega de surpresa, porque ainda havia expectativa de que Fátima fosse candidata. Ela foi uma das melhores senadoras que o Rio Grande do Norte já teve, muito efetiva na defesa da democracia”, disse.
Apesar disso, Rafael disse que suas conversas estão acontecendo com foco à proporcional e não discutiu com ninguém sobre uma eventual candidatura ao Senado. Ele reforçou que o momento é de reorganização.
“Não é assim que se constrói uma candidatura ao Senado. A gente está discutindo agora a nominata de deputado federal e estadual. Esse é o foco. Nosso projeto é o retorno à Câmara, onde a gente já tem atuação, conhece o ambiente e consegue contribuir no debate nacional em favor do presidente Lula. A ideia, do nosso ponto de vista, é que o presidente Lula tenha condições de governabilidade e no cenário nacional hoje, que, na verdade, o Centrão aqui tem dominado e tem aprovado ou freado o que o Governo federal tem feito”, pontuou.
Sobre os critérios para uma candidatura ao Senado, Rafael destacou três pilares: grupo político, alianças partidárias e viabilidade eleitoral. “A gente precisa ter grupo político, precisa ter partidos aliados e precisa ter viabilidade eleitoral. Isso não se constrói apenas sugerindo nomes, mas com diálogo, vendo quem tem condições reais de representar a federação e a esquerda no cenário nacional”, afirmou.
Ele também defendeu que a construção da chapa majoritária envolva partidos como PSB, PDT e demais legendas do campo progressista. Entre os nomes citados como possíveis quadros competitivos do PT, que terá indicação do primeiro nome, Rafael mencionou a deputada federal Natália Bonavides.
“Natália, do meu ponto de vista, é uma candidata fortíssima, com legitimidade e envergadura moral e política para o Senado”, avaliou, embora tenha ponderado sobre a falta de interesse da parlamentar na disputa.
Nos próximos dias, o ex-deputado pretende intensificar as conversas políticas antes de bater o martelo sobre seu destino partidário. “A gente ainda vai dialogar com o pessoal do PCdoB e da federação para ver como se encaminham os próximos passos. Eu não costumo deixar decisões para a última hora, mas é um momento em que algumas coisas ainda podem acontecer”, concluiu.
A decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no comando do Estado e desistir da disputa ao Senado em 2026 reorganizou o tabuleiro político no Rio Grande do Norte e abriu, dentro do PT e entre aliados, a corrida pela formação da chapa majoritária. Entre as lideranças petistas, há consenso sobre o caráter “coletivo” da escolha e indicação de nomes, mas também sinais claros de preferência, com destaque para a presidente estadual do partido, Samanda Alves (PT).
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi mais direta ao defender o nome da dirigente petista.
“Acho que o nome de Samanda cumpriria muito bem esse papel para disputar de verdade. Tem dado demonstrações de diálogo, de determinação, de disposição”, afirmou, acrescentando que o debate será formalizado internamente no partido.
Na mesma linha, o deputado estadual Francisco do PT elencou atributos que, na avaliação dele, credenciam Samanda: “É mulher, é presidenta do nosso partido, tem uma belíssima história de vida, é suplente de deputada federal, está na luta conosco há muitos anos. Preenche todos os requisitos para ser uma grande representante do Rio Grande do Norte no Senado”.
Cotada para disputar o Senado, Samanda recebeu a lembrança com cautela e reforçou que a definição será partidária. “Fico feliz com a lembrança, mas nós temos aí uma discussão agora para fazer dentro dos nossos partidos, com nossos aliados. A gente costuma tocar as coisas com muito diálogo, muita unidade”, afirmou. Segundo ela, o foco imediato é ampliar o debate com o campo progressista e os partidos que compõem o “time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” no Estado.
Sem confirmar candidatura, a presidente do PT no RN disse estar à disposição: “Meu nome está à disposição para tocar a tarefa que for preciso, para fortalecer o time do Lula e sempre ao lado de Fátima”. Ela também ressaltou que a decisão da governadora representa “coragem” e compromisso com o povo potiguar. “Mais uma vez ela demonstra que o projeto coletivo é muito maior que o projeto pessoal”, declarou.
Para a segunda vaga na chapa, o cenário segue aberto e dependerá da articulação com partidos aliados. O nome do ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates (PDT), já foi apresentado pelo PDT, enquanto especulações levantam nomes como Thabatta Pimenta e Rafael Motta. “Os nomes serão apresentados pelos partidos que compõem o campo progressista e popular no RN. Se forem colocados, serão discutidos no coletivo”, reforçou a presidente da legenda.
Sobre estes nomes, a deputada Isolda afirma à reportagem que é necessário “aprofundar a questão”, mas se mostra aberta tanto a Jean-Paul Prates, quanto à Thabata Pimenta e Rafael Motta para a 2ª vaga. “Tudo muito recente, mas gosto dos nomes”, coloca.
Francisco do PT destacou que o debate vai além das vagas ao Senado. “Temos que discutir a vice, as suplências e toda a composição da chapa. É uma construção coletiva entre os partidos da federação e aliados”, pontuou.
Já o deputado federal Fernando Mineiro (PT) enfatizou o gesto político da governadora e defendeu critérios estratégicos para a escolha dos nomes. “Fátima nos ensina o valor do compromisso. Ao renunciar à disputa, o faz em nome do povo e da continuidade dos avanços no Estado. Entregar o Estado a velhos conhecidos, que, em outros tempos, dilapidaram o patrimônio público potiguar, colocaria em risco todas essas conquistas, a começar pela regularização dos salários do funcionalismo, hoje assegurada”, afirmou.
Para o deputado federal, o fundamental é que a composição “fortaleça ainda mais a campanha” de Cadu Xavier ao Governo do Estado. “Antes do nome, acho importante discutir os critérios. E o critério principal é esse que citei acima”, disse Mineiro.
A Prefeitura de Macau mantém ativo um convênio firmado com uma instituição financeira que recentemente passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro de grandes proporções. O acordo foi assinado em novembro de 2025 com a BMP Sociedade de Crédito Direto S.A., empresa sediada em São Paulo, e prevê a oferta de empréstimos consignados e cartões de crédito a servidores municipais, com desconto direto em folha de pagamento.
Pelo convênio, que tem vigência inicial de 60 meses e pode ser prorrogado, a instituição financeira ficou autorizada a operar linhas de crédito voltadas aos servidores do município, incluindo empréstimos consignados, cartão de crédito e cartão benefício. O modelo permite que as parcelas sejam descontadas diretamente dos salários, dentro de limites previamente estabelecidos.
Contrato entre o BMP e Prefeitura de Macau tem vigência de 60 meses – Foto: Reprodução
Segundo as regras do contrato, os descontos podem chegar a até 40% da remuneração líquida para empréstimos consignados e mais 5% para cartões, totalizando até 45% do salário comprometido com as operações financeiras. Nesse arranjo, a Prefeitura atua como consignante, responsável por realizar os descontos e repassar os valores à instituição financeira, mas não assume responsabilidade pelas dívidas contraídas pelos servidores.
Instituição na mira da PF O convênio foi firmado com o objetivo de ampliar o acesso dos servidores a serviços financeiros e linhas de crédito com juros menores, característica comum nas operações consignadas. No entanto, a parceria passou a chamar atenção após a instituição envolvida se tornar alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, por suspeitas de vínculos com as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
No mês passado, a PF deflagrou a operação “Cliente Fantasma”, que incluiu mandados de busca e apreensão contra a BMP e seu presidente, Carlos Eduardo Benitez. As investigações apuram a suspeita de facilitação de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 25 bilhões por meio do sistema financeiro.
De acordo com a Polícia Federal, a instituição teria permitido movimentações financeiras sem identificação adequada de clientes e deixado de comunicar operações suspeitas aos órgãos responsáveis pela fiscalização. As autoridades também apontam falhas no envio de informações obrigatórias ao Banco Central, o que teria dificultado o rastreamento de recursos ligados a empresas investigadas.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi o atraso no registro de vínculos com empresas sob investigação no sistema do Banco Central. Segundo a PF, esse atraso teria impedido que ordens judiciais de quebra de sigilo bancário alcançassem a instituição no momento adequado, comprometendo o acompanhamento das movimentações financeiras.
Outro dado destacado nas investigações é que, apesar de movimentar cerca de R$ 65 bilhões por mês e manter mais de 150 mil contas ativas, o banco teria comunicado apenas quatro operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em um período superior a três anos. Pela legislação, instituições financeiras são obrigadas a informar transações consideradas atípicas ao órgão de inteligência financeira.
Para os investigadores, há indícios consistentes de possíveis crimes como lavagem de dinheiro, gestão temerária e omissão de informações ao sistema de controle financeiro. A apuração busca esclarecer se as falhas ocorreram por problemas administrativos ou se fizeram parte de um mecanismo para ocultar recursos de organizações criminosas.
Na epóca, a BMP afirmou, através de nota, que está colaborando com as autoridades e fornecendo informações sobre operações antigas de ex-clientes. A instituição também declarou que seus produtos e serviços continuam operando normalmente.
Contrato vigente Mesmo diante da investigação em curso, o convênio firmado com a Prefeitura de Macau permanece vigente. Com isso, servidores municipais seguem podendo aderir às linhas de crédito consignado e aos cartões oferecidos pela instituição financeira investigada.
A decisão foi comunicada por meio da leitura de uma carta direcionada ao povo potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT) oficializou que não irá renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em coletiva realizada na tarde desta terça-feira (17), no auditório da Governadoria, em Natal. A gestora detalhou as motivações políticas e pessoais que a levaram a permanecer à frente do Executivo estadual até o fim do mandato.
A governadora destacou a coragem da sua decisão, especialmente em relação ao cenário político nacional e a necessidade da esquerda avançar no Senado. Segundo ela, a candidatura era desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Partido dos Trabalhadores e por parte significativa do eleitorado, conforme pesquisas. Ela justificou a desistência da disputa.
“Tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária, por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia, e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.
“Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas” foi o motivo maior apontado para permanecer no cargo e evitar perder a eleição indireta para um nome da oposição caso renunciasse. A governadora reforçou ainda que irá honrar “até o último dia de mandato” os mais de um milhão de votos recebidos na reeleição.
“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, declarou.
Na carta, ela elencou prioridades administrativas que vai continuar com a decisão de permanecer no cargo. A governadora citou como exemplo a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco.
Fátima resgatou sua trajetória política marcada por decisões consideradas ousadas. Lembrou da mudança da Paraíba para estudar, quando renunciou eleições asseguradas para se lançar a desafios até então “impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo”.
Segundo ela, o projeto de nação e de sociedade é maior que a sua própria vida. Por isso, relatou, teve coragem de disputar o Senado, em 2014, “colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional”. Relembrou quando renunciou à metade do mandato de Senadora, em 2018, para disputar o governo do estado “em situação crítica e precária”. “Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora”, complementou Fátima, durante o anúncio da decisão de recuo.
“Ele rompeu o compromisso firmado em 2022” Ao abordar o cenário político que inviabilizou sua candidatura ao Senado, Fátima Bezerra fez referência direta ao vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ela, para viabilizar a disputa, seria necessário que o vice assumisse o governo, o que não ocorreu.
“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”, afirmou.
A governadora classificou o episódio como parte de um movimento político mais amplo. “São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir”, declarou.
Em tom de mobilização política, Fátima encerrou a carta com uma mensagem de continuidade do projeto político do campo progressista. “Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luiz Inácio Lula da Silva presidente!”, concluiu.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou nesta terça-feira (17), durante entrevista coletiva em Natal, que pretende manter uma atuação política ativa após o fim do seu mandato, em janeiro de 2027. Antes disso, vai manter o foco, além na continuidade dos projetos na gestão estadual, na campanha eleitoral de 2026 e na reorganização do grupo político no Estado. Ao ser questionada, pelo Diário do RN, sobre o futuro fora de cargos eletivos, situação inédita em sua trajetória desde a primeira eleição em sua história, Fátima destacou que sua atuação política não está condicionada ao exercício de mandato.
“Minha militância política e social sempre fez parte da minha vida. Eu faço política movida pelo espírito público, pela defesa das causas em que acredito. Para mim, a política nunca foi um projeto individual”, declarou.
A governadora foi enfática ao destacar o papel que pretende desempenhar no próximo ciclo. “Vou sim participar intensamente da campanha eleitoral de 2026, junto com os nossos aliados. Vou para a rua! Campanha!”, afirmou.
Sobre especulações em torno de um possível convite para assumir um ministério, caso o presidente Lula seja reeleito, Fátima evitou antecipar cenários e ressaltou que sua prioridade segue sendo a gestão estadual até o fim do mandato. “Vou continuar até dezembro conforme a decisão do povo do Rio Grande do Norte em 2022. Vou cuidar da gestão em primeiro lugar, com tantas obras importantes em curso”, afirmou.
A governadora também detalhou a estratégia do Partido dos Trabalhadores para as eleições, ressaltando tanto a disputa majoritária, quanto a proporcional. “O PT vai ter ao Senado prioridade absoluta, absoluta mesmo, com a candidatura de Cadu ao Governo, com todo o nosso time, com as nossas candidaturas ao Senado, nossa nominata para federal e para estadual”, disse.
Segundo ela, a definição de não renunciar ao cargo repercutiu diretamente na direção nacional do partido. Fátima relatou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi surpreendido com os desdobramentos recentes, mas garantiu apoio integral à sua decisão. “O presidente Lula me disse: ‘qualquer que seja a decisão que você tomar, eu estarei ao seu lado’”, afirmou.
A governadora acrescentou que também recebeu respaldo do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que deve visitar o Estado em breve. “Ele reiterou todo o apoio e deixou muito claro que o Nordeste é muito importante no contexto da disputa nacional”, destacou.
Ao responder os questionamentos da imprensa durante a coletiva, Fátima ainda reiterou que o cenário político sofreu impacto com a mudança de posição do vice-governador Walter Alves, classificada por ela como inesperada, o que exigiu readequação da estratégia partidária no Estado.
Diante do novo quadro, a governadora reforçou que seguirá dividindo esforços entre a gestão e a articulação política. “Vamos continuar cuidando da gestão para consolidar conquistas, mas também preparar o nosso projeto político para 2026”, concluiu.
PT indicará primeiro nome ao Senado
Presidente do PT no RN, Samanda Alves, pode ser o nome para o Senado – Foto: Francisco de Assis
Em meio à reorganização do grupo político para 2026, a governadora Fátima Bezerra detalhou como deve se dar a formação da chapa ao Senado dentro do campo aliado. Segundo ela, o processo será conduzido em diálogo com os partidos que integram a base, mas com uma definição já estabelecida: o Partido dos Trabalhadores indicará um dos nomes para a disputa.
“Dialogo com os partidos que formam o campo democrático. Já comunicamos que o PT vai indicar o nome para uma das vagas ao Senado. Essa discussão passa pelo partido, inclusive já foi comunicada ao presidente nacional”, afirmou.
A governadora ressaltou que, além da definição para o Senado, o grupo trabalha na montagem completa da chapa majoritária e proporcional. “Temos o pré-candidato ao Governo, ainda vamos definir a vice, temos as duas vagas para o Senado e as suplências. Agora é organizar o time do presidente Lula”, disse, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Questionada sobre possíveis nomes, Fátima admitiu que a vereadora Samanda, presidente estadual do PT, pode entrar na disputa, mas reforçou que qualquer definição passará pelas instâncias internas do partido. “É um nome que pode estar sendo colocado, mas essa discussão passa inicialmente pelo partido”, explicou.
Questionada, pelo Diário do RN, sobre o nome da deputada federal Natália Bonavides (PT) ao Senado, ela destacou a parlamentar como um dos principais quadros da legenda, mas indicou que, neste momento, a tendência é de que Natália busque a reeleição. “Natália já se colocou diversas vezes cumprindo uma missão muito importante, que é a reeleição para deputada federal”, pontuou.
Ao tratar da formação das nominatas, Fátima destacou a expectativa de fortalecimento eleitoral do grupo, mencionando nomes como Fernando Mineiro, além de lideranças locais e novos quadros políticos. Segundo ela, o objetivo é ampliar a representação na Câmara dos Deputados.
“O dado concreto é que temos uma expectativa muito confiante. A disputa para federal, na chapa da federação, se Deus quiser, vamos dobrar: sair de dois para quatro”, afirmou.
A governadora concluiu reforçando que o momento é de organização interna, com foco na construção de uma chapa competitiva tanto no plano majoritário quanto proporcional.
Fátima descarta reaproximação com Zenaide e reforça foco no “time de Lula”
Fátima: “Zenaide fez outra opção partidária, escolheu outro caminho” – Foto: Reprodução
A governadora Fátima Bezerra afastou a possibilidade de reaproximação política com a senadora Zenaide Maia, ao comentar o atual cenário de alianças no Rio Grande do Norte. Segundo ela, a parlamentar fez uma escolha partidária distinta, o que reposiciona automaticamente os campos políticos para a disputa de 2026.
“Em relação à senadora, ela fez outra opção partidária, escolheu outro caminho. Nós estamos tratando da nossa aliança, o time do Lula”, afirmou.
O PSD de Zenaide Maia definiu apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (UB) e alinhamento com partidos de centro no RN, como Progressistas e MDB. Apesar de exercer a vice-liderança do Governo Lula no Senado, no Estado, o partido rompeu com o projeto eleitoral do PT.
Fátima destacou que o foco do seu grupo político está na consolidação de uma frente alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo partidos do campo que classificou como “popular e democrático”, com objetivos eleitorais bem definidos tanto no plano estadual quanto nacional.
De acordo com a governadora, a estratégia passa pela reeleição de Lula e pelo fortalecimento da candidatura governista no Estado. “Estamos organizando esse campo para garantir a reeleição do presidente Lula e levar nosso candidato ao Governo ao segundo turno, evitando retrocessos”, disse, em referência ao projeto político liderado pelo grupo.
A chefe do Executivo estadual também adotou um tom mais ideológico ao tratar da conjuntura eleitoral, defendendo a união das forças aliadas como forma de enfrentamento ao avanço da direita no país. “Essa eleição coloca uma tarefa imperiosa: defender a democracia e barrar o avanço do fascismo. Para isso, é fundamental a unidade do campo popular democrático para derrotar a extrema direita e o bolsonarismo”, declarou.
Um contrato de R$ 2.803.500,00 firmado pela Secretaria Municipal de Educação de Mossoró para aquisição de computadores e equipamentos de informática passou a integrar investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte sobre possíveis irregularidades no pagamento de fornecedores da pasta durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra.
A apuração teve início a partir de denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público e seguiu uma sequência de procedimentos administrativos até resultar na abertura de um inquérito civil.
O caso começou com a Notícia de Fato nº 02.23.2027.0000048/2025-20, instaurada em 7 de maio de 2025, após manifestação da Ouvidoria que apontava possíveis irregularidades no pagamento de fornecedores da Secretaria Municipal de Educação de Mossoró.
Com o avanço das diligências e análise inicial de documentos, o promotor de Justiça Fábio de Weimar Thé, da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró, decidiu converter o procedimento em Procedimento Preparatório nº 03.23.2027.0000122/2025-42, instaurado em 11 de setembro de 2025, etapa em que o Ministério Público aprofundou a coleta de informações e documentos.
Durante essa fase, foram requisitadas informações à Secretaria Municipal de Educação, à Controladoria do Município, além da juntada de contratos, notas fiscais, notas de empenho e comunicações administrativas relacionadas a fornecedores da pasta.
Após a análise do material reunido, o Ministério Público decidiu avançar na investigação e instaurou, em 16 de março de 2026, o Inquérito Civil nº 04.23.2027.0000034/2026-70, considerado um instrumento mais robusto de apuração de possíveis irregularidades administrativas.
Entre os contratos que passaram a integrar os autos da investigação está o Contrato nº 36/2024, firmado após o Processo Administrativo nº 350/2024, derivado do Pregão nº 13/2023-SME.
O contrato teve como objeto a aquisição de computadores e utensílios de informática para atender à rede municipal de ensino, sendo firmado com a empresa BX Distribuidora de Equipamentos Ltda., inscrita no CNPJ nº 48.849.767/0001-16, sediada no município de São José dos Pinhais, no Paraná.
De acordo com o extrato contratual, o acordo possui vigência de 12 meses, com período de 14 de novembro de 2024 a 14 de novembro de 2025, e foi firmado por meio de adesão a ata de registro de preços, mecanismo que permite que órgãos públicos utilizem resultados de licitações realizadas por outros entes.
Nos autos do procedimento também constam manifestações encaminhadas pela própria empresa BX Distribuidora, além de documentos administrativos e registros extraídos do Portal da Transparência municipal.
O objetivo do inquérito civil é esclarecer se houve descumprimento da ordem cronológica de pagamentos a fornecedores, prática que pode configurar irregularidade administrativa caso seja comprovado favorecimento ou priorização indevida no pagamento de determinadas empresas.
Ao final da investigação, o Ministério Público poderá arquivar o caso, propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou ingressar com ação civil pública, caso sejam constatadas irregularidades ou eventual prejuízo aos cofres públicos.
Até o momento, o Inquérito Civil nº 04.23.2027.0000034/2026-70 segue em tramitação na 7ª Promotoria de Justiça de Mossoró, sem decisão final.
Justiça A investigação sobre o contrato de equipamentos de informática da Secretaria de Educação ganha novo desdobramento após decisão judicial que reconheceu a existência de débito do Município com a BX Distribuidora de Equipamentos Ltda.
Em sentença proferida pelo juiz Pedro Cordeiro Junior, a Justiça julgou procedente a ação monitória nº 0814153-10.2025.8.20.5106 e determinou o pagamento de R$ 1.702.900,00, valor referente ao fornecimento de computadores e equipamentos destinados à rede municipal de ensino.
A decisão rejeitou os argumentos da Prefeitura, que alegava ausência de comprovação da dívida.
Para o magistrado, documentos como notas fiscais, empenhos e comprovantes de entrega demonstram que os produtos foram efetivamente fornecidos.
O juiz ressaltou ainda que falhas administrativas não podem justificar o não pagamento, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração.
Além do valor principal, o Município foi condenado ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação.
A decisão reforça pontos que também estão sob análise do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que apura possíveis irregularidades na ordem de pagamentos a fornecedores da Educação.
A menos de um mês do fim da janela partidária, que se encerra em 4 de abril, partidos intensificam no Rio Grande do Norte a formação das nominatas que disputarão vagas na Assembleia Legislativa em 2026. Cada legenda pode apresentar até 25 candidatos a deputado estadual, e as negociações seguem baseadas em cálculos de viabilidade eleitoral e potencial de votos.
Na base governista, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também organiza sua nominata. Entre os nomes estão os deputados estaduais Isolda Dantas, Francisco do PT e Divaneide Basílio, o vereador de Natal Daniel Valença, a secretária estadual de Turismo Marina Marinho e o ex-vereador Milklei Leite. O PCdoB indica o subsecretário de Esportes Cezinha e uma suplente de vereadora, enquanto o PV trabalha o nome de Kaline, ligada ao grupo do deputado federal Dr. Bernardo.
Na oposição, o PL articula chapa com nomes como o vereador de Parnamirim Gabriel César; a ex-candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante Gabi Trajano; a médica Roberta Lacerda; o presidente do partido em Macaíba; o presidente do PL em Mossoró Jorge do Rosário; o ex-deputado Getúlio Rêgo e também o ex-prefeito de Assú Gustavo Soares, que aparece simultaneamente em conversas com outras legendas.
Já o MDB enfrenta maior dificuldade para consolidar sua nominata, estruturada principalmente com o objetivo de viabilizar a eleição do vice-governador Walter Alves para deputado estadual.
Entre os nomes estão o ex-deputado Antônio Jácome; o ex-prefeito de Serra do Mel Josivan Bibiano; o ex-prefeito de Assú Ivan Júnior; o ex-vice-prefeito de João Câmara Holderlin Silva e o ex-vereador de Natal Carlos Eduardo Santos, atualmente primeiro suplente de deputado estadual.
Aliados do partido de Walter, o União Brasil e o PP também buscam consolidar suas chapas. Entre os nomes citados estão os deputados estaduais Nelter Queiroz, Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes e Galeno Torquato, além do ex-prefeito de Ceará-Mirim Júlio César Câmara e do vereador de Parnamirim Vavá Azevedo. O deputado Taveira Júnior e o vereador Robson Carvalho, que aparecem nessa articulação, também são citados em negociações com o Republicanos.
E são as articulações do Republicanos que mais chamam atenção com a reorganização do partido no Estado liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que trabalha pela própria reeleição e pela montagem de uma chapa competitiva. O movimento ganhou força após mudanças no cenário político envolvendo o vice-governador Walter Alves e o MDB. A coordenação da nominata também vem sendo feita pelo prefeito de Natal, Paulinho Freire (UB), que pode migrar para o partido após divergências com o União Brasil sobre anuência para vereadores, incluindo a esposa, a vereadora licenciada Nina Souza (UB).
Entre os nomes cotados para a nominata do Republicanos estão o próprio Ezequiel Ferreira; as deputadas estaduais Cristiane Dantas; Terezinha Maia; o deputado Ivanilson Oliveira; além dos deputados estaduais Ubaldo Fernandes e Eudiane Macedo, que mantêm conversas avançadas; além do ex-prefeito de Assú Gustavo Soares; do presidente da Câmara Municipal de Natal Eriko Jácome; do vereador de Natal Léo Souza; do deputado estadual Taveira Júnior; do vereador natalense Robson Carvalho; da vereadora natalense Anne Lagartixa; da jornalista Juliana Celli; da primeira-dama de Parelhas Dra. Júlia e do ex-prefeito de Caicó Bibi Costa. Estes dois últimos, entretanto, também estão em tratativas com o Avante, mas com quadro incerto.
Nos bastidores, aliados afirmam que outros nomes hoje considerados certos em outras nominatas ainda podem migrar para a legenda para completar um grupo de 25 candidatos considerados competitivos, além de nomes à federal.
Outro ponto observado nas articulações é a baixa presença feminina nas nominatas em formação. Pela legislação eleitoral, cada partido ou federação precisa garantir o mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero, o que tem levado as legendas a intensificar a busca por mulheres para completar as chapas.
O partido Republicanos no Rio Grande do Norte intensificou nas últimas semanas a articulação para formação de nominatas competitivas visando as eleições de 2026. A estratégia vem sendo conduzida por um grupo que reúne o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, o presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, e o ex-vice-governador Fábio Dantas. Nesta segunda-feira (16), eles registraram um dos encontros frequentes de articulações das nominatas a estadual e federal.
Nos bastidores, a expectativa do grupo é montar uma nominata robusta para a Assembleia Legislativa, com cerca de 25 nomes competitivos. Pelas projeções internas, a chapa pode alcançar até sete cadeiras estaduais, além de tentar viabilizar duas ou três vagas para a Câmara Federal.
“Está se conversando, mas caminha para eleger pelo menos sete estaduais e se viabilizar a eleição de dois ou três federais”, avaliou.
A montagem da chapa federal, segundo ele, ainda está em fase inicial: “Ezequiel e Paulinho é quem têm os nomes a serem trabalhados. Eles estão nesse trabalho”, pontuou.
Ao Diário do RN, Fábio Dantas afirmou que tem auxiliado diretamente na montagem da nominata, embora não pretenda disputar eleições: “Eu estou ajudando o presidente Ezequiel nesse período.
Cristiane [Dantas] provavelmente vai se filiar lá. Eu estou no Solidariedade, mas como não serei candidato a nada, não precisaria de filiação. Não disputarei mais eleições”, afirmou o marido da deputada estadual Cristiane Dantas, que deverá disputar a reeleição pela legenda.
Segundo ele, o trabalho tem sido focado em construir uma nominata equilibrada e competitiva, especialmente diante da dificuldade de montagem das chapas proporcionais neste ciclo eleitoral.
O Republicanos surge como uma saída para Ezequiel Ferreira diante das alterações provocadas por Walter Alves (MDB), que após o rompimento com a governadora Fátima Bezerra (PT) e escolha pela aliança com a federação União Progressista e Allyson Bezerra (UB), viu desfeita também a parceria com Ezequiel.
Apesar das especulações sobre possíveis alinhamentos políticos com a direita de Rogério Marinho (PL) em apoio ao Álvaro Dias para a disputa majoritária no Estado, Dantas afirmou que o foco atual da articulação está exclusivamente nas eleições proporcionais.
“Isso não foi discutido. O Republicanos é um partido de centro e deve receber gente de ambas as vertentes, com filiados que apoiam direita, esquerda e centro. Acredito que com liberdade de escolhas majoritárias. A prioridade agora é o mandato proporcional”, disse, reforçando que, até o fim da janela partidária, o esforço seguirá concentrado nas filiações.
Nomes em articulação Entre os nomes já citados nos bastidores para compor a nominata estadual estão os deputados Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, Ubaldo Fernandes, Cristiane Dantas, Terezinha Maia e Eudiane Macedo, além do próprio Ezequiel Ferreira.
Outros nomes considerados fortes na formação da chapa incluem o médico e ex-prefeito de Assú Gustavo Soares, o presidente da Câmara de Natal Ériko Jácome, o vereador de Natal Robson Carvalho, o apresentador de TV Léo Souza, o ex-deputado Getúlio Rego e o ex-prefeito de Nova Cruz Flávio de Berói.
Também aparecem como possíveis novidades na nominata a apresentadora da Band Natal Juliana Celli.
Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que a diversidade regional e de perfis, reunindo parlamentares, ex-prefeitos, vereadores e nomes da comunicação, é parte da estratégia para ampliar o alcance eleitoral da legenda no Estado.
A jornalista e influenciadora digital Juliana Celli confirmou ao Diário do RN que entrará na política partidária e colocará seu nome à disposição do Republicanos nas eleições de 2026. A comunicadora deverá integrar a nominata que vem sendo estruturada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira, com foco na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Ao Diário do RN, ela afirmou que a candidatura ainda está em definição, podendo ocorrer tanto para deputada estadual quanto para deputada federal: “Meu nome está à disposição. Para deputada estadual ou federal”.
A entrada de Juliana na política representa um novo desafio em sua trajetória pública, construída principalmente nas redes sociais e na comunicação. Juliana Celli já atuou como apresentadora em programas jornalísticos e de entretenimento em rádio e TV. Atualmente apresenta o Band Mulher e acumula cerca de 60 mil seguidores no Instagram. Além disso, atua como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa.
Juliana tem a política no sangue. Seu pai, Bastinho da Campel, é ex-prefeito de Taipu. Segundo a jornalista, a decisão de se lançar oficialmente na disputa eleitoral ocorre após anos acompanhando os bastidores da política e da atividade parlamentar.
“Já estou na política há anos, nos bastidores. Entendo como funciona de perto esses bastidores e também a atividade parlamentar. A decisão de me filiar e colocar meu nome à disposição agora se deve, ao meu ver, à necessidade de novos nomes surgirem, que não estejam preocupados em defender esquerda ou direita, mas sim a população, principalmente as mulheres que vivem hoje talvez o momento mais triste de sua história, com recordes em números de violência”, declarou ela, que, além disso, já foi secretária de Estado da Comunicação e assessora do ex-governador Iberê Ferreira de Souza.
Juliana explicou que optou pelo Republicanos por considerar que a legenda oferece liberdade de posicionamento político e espaço para um perfil mais independente.
“É um partido de centro. Lá terei a liberdade de me posicionar do jeito que eu quiser. Posso criticar a esquerda quando acho necessário e a direita também. Acredito que é um partido que me dê essa liberdade. As pessoas estão cansadas dessa briga da direita e esquerda sem soluções para a população, inclusive eu”, avaliou.
Juliana Celli é assessora do presidente da Assembleia Legislativa há anos e reconhece que sua entrada no processo eleitoral também ocorre sob a liderança política de Ezequiel Ferreira. Segundo ela, a estratégia eleitoral ainda está sendo discutida.
“A gente está conversando com Ezequiel. Sou liderada dele. Sou assessora dele há anos. Ele confia em mim e sabe que serei a voz dele também onde eu estiver, inclusive numa dobradinha para federal”, afirmou.
A jornalista também ressaltou que sua candidatura não será apenas para cumprir cota de gênero, caso venha a se confirmar.
“Jamais aceitaria ser uma candidata laranja. Se for isso, todos sabem que estou fora. O Republicanos é um partido de grande expressão nacional e aqui no Estado virá forte para estadual e federal”, declarou.
Nesse sentido, a proteção às mulheres e a atenção à população mais vulnerável estão entre as pautas que pretende defender: “Sem dúvida, lutar pelo direito das mulheres e da população menos favorecida. Sempre lutei nas redes sociais e me coloquei, onde tive espaço, pelas minorias”, disse.
Ela destacou ainda a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de poder e reforçou que as mulheres precisam ocupar posições de decisão para avançar em políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
“Pedimos por leis mais eficazes, mas são as mulheres no poder que nos garantirão essas conquistas. Mulheres devem estar nesses espaços se quisermos equidade de gênero”, afirmou.
Confiança na nominata Ao comentar a formação da nominata do Republicanos no Rio Grande do Norte, que vem sendo conduzida por Ezequiel Ferreira, Juliana demonstrou confiança no potencial eleitoral do partido para 2026.
“Ezequiel é um grande articulador e um grande gestor. O Republicanos será o maior partido do Estado e poderá ser o que tenha mais êxito nas eleições. Ezequiel é o maior estrategista desse Estado. Ele não dá ponto sem nó”, afirmou.
Para ela, a presença de nomes vindos de diferentes áreas da sociedade faz parte da estratégia de fortalecimento da legenda.
“A minha possível candidatura tem o dedo dele porque sabe que o partido precisa estar em todas as esferas da sociedade. Atrair gente como eu, que nunca imaginou entrar numa disputa, mas que já impacta na sociedade positivamente”, concluiu.
Documentos da investigação da Operação Mederi, da Polícia Federal, revelam a atuação de mais uma personagem dentro da estrutura investigada por suspeita de fraude na contratação de medicamentos pela Prefeitura de Mossoró na gestão Allyson Bezerra (UB). A servidora Poliana Rezende Dantas, que ocupou cargos na área financeira da Secretaria Municipal de Saúde entre 2024 e 2025, aparece citada em pelo menos nove interceptações ambientais realizadas entre maio e junho de 2025 na sede da distribuidora de medicamentos DISMED.
As informações fazem parte de documentos aos quais o Blog do Dina, do jornalista Dinarte Assunção, teve acesso com exclusividade. Segundo decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), Poliana ocupa a quinta posição em uma estrutura formada por nove pessoas descritas no processo. Na decisão judicial, ela é apontada como “contato de confiança dentro da Secretaria Municipal de Saúde”, cuja participação seria considerada indispensável para a execução do esquema investigado.
Poliana foi nomeada pelo prefeito Allyson Bezerra por meio de portaria publicada em 31 de janeiro de 2025. O próprio documento judicial identifica o prefeito como o topo da estrutura investigada. Antes mesmo da nomeação, porém, já havia registros de contato entre a servidora e integrantes do grupo investigado.
Os autos obtidos pelo Blog do Dina apontam que 23 dias antes da nomeação, a servidora manteve troca de mensagens com Oseas Monthalggan Fernandes da Costa, sócio da DISMED e apontado como um dos principais operadores do esquema. Conforme os documentos, “verificou-se trocas de mensagens entre Poliana e o investigado Oseas Montalgghan, que foram realizadas nos dias 07, 08, 09, 14, 15, 16 e 17 de janeiro de 2025”.
O material indica que foram sete dias de conversas entre os dois. O conteúdo dessas mensagens não foi transcrito nos documentos disponibilizados à reportagem. Ainda assim, chama atenção o fato de que menos de um mês depois do último contato registrado, Poliana já estava oficialmente nomeada diretora financeira da Secretaria Municipal de Saúde.
A primeira menção direta ao nome da diretora nas interceptações ocorre em 9 de maio de 2025. Na conversa registrada pela investigação, Sidney, representante comercial que atuava como intermediário da DISMED, informa a Oseas que Mossoró havia recebido um ofício licitatório e que o documento tinha sido entregue à diretora financeira.
Na conversa interceptada, ele diz: “MOSSORÓ recebeu o ofício, viu, hoje! POLIANA, pra POLIANA, dá CARONA. Ela disse que segunda-feira respondia; a resposta de Oseas é direta: “Show de bola!”.
De acordo com os investigadores, a expressão “carona” refere-se à adesão a atas de registro de preços de outros entes públicos. Esse mecanismo permite que um município contrate produtos ou serviços a partir de licitações realizadas por outros órgãos, sem a necessidade de abrir um novo processo licitatório próprio. Segundo a investigação, o ofício mencionado seria o passo formal para ativar esse mecanismo, passando pela mesa da diretora financeira.
Quatro dias depois, em 13 de maio de 2025, uma nova interceptação registra Oseas planejando uma conversa reservada com Poliana. Pelo conteúdo da conversa, os investigadores inferem que a escolha do horário do almoço e a preocupação de encontrá-la sozinha indicariam a tentativa de estabelecer contato fora do ambiente institucional formal. A expressão “ver até onde vai dar pra ir” aparece no processo analisada dentro do contexto de tentativa de ampliar o volume das ordens de compra de Mossoró.
De acordo com outra interpretação dos investigadores, de 15 de maio de 2025, a diretora teria fornecido um modelo oficial de documento em formato Word, retirado do sistema da prefeitura, para orientar a distribuidora na apresentação da documentação exigida. Para a Polícia Federal, esse episódio reforçaria o papel de facilitadora atribuído a Poliana dentro da estrutura investigada.
Uma das escutas consideradas mais diretas envolve uma nota fiscal de R$ 231 mil. Em 2 de junho de 2025, Moabe Zacarias Soares, outro sócio da DISMED, liga para o telefone de Poliana. O pedido principal era para que ela localizasse no sistema da prefeitura a nota paga em 28 de abril de 2025 e desse baixa na contabilidade.
Minutos depois, em outra escuta do mesmo dia, Oseas comenta sobre a mesma nota: “Essa nota aqui só tem comissão de 15 mil, de Mossoró”. Para os investigadores, o valor de R$ 15 mil corresponderia à comissão ou propina vinculada ao pagamento.
Em 29 de maio de 2025, as interceptações registram sinais de tensão na relação entre o grupo investigado e a diretora. Em uma das conversas, Oseas tenta ligar para Poliana sem sucesso e comenta que ela poderia estar desconfiada. Minutos depois, outra conversa trata da necessidade de autorização dela para o andamento de determinada licitação comentada por eles.
Segundo informações administrativas da prefeitura, Poliana recebia salário base de R$ 3.020,00, acrescido de R$ 4.530 de representação pela função de gestora de contratos, totalizando R$ 7.550 mil mensais.
Dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró indicam que a DISMED Distribuidora de Medicamentos recebeu R$ 4.978.999,75 do município entre 1º de julho de 2024 e 1º de julho de 2025, período que coincide com a atuação de Poliana em cargos ligados à área financeira da Secretaria de Saúde.
Nas escutas interceptadas pela investigação, os próprios sócios da empresa descrevem uma divisão percentual dos contratos: 15% para o prefeito, 10% para a assessora, 25% de lucro da empresa e 50% em medicamentos fornecidos.
Aplicando essa fórmula ao volume de contratos registrados no período, a estimativa de propina gerada pelos contratos de Mossoró poderia chegar a R$ 1.244.749,94, sendo R$ 746.849,96 atribuídos ao prefeito Allyson Bezerra. Os próprios documentos da investigação ressaltam, no entanto, que os valores são projeções baseadas nas conversas interceptadas e não foram confirmados individualmente pelos investigadores.
A defesa da servidora foi procurada pelo Blog do Dina para comentar as citações nas investigações, mas informou que, como o processo tramita sob sigilo, não poderia se manifestar sobre o conteúdo.
No mês dedicado à reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade, o Diário do RN conversou com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), sobre sua trajetória política, os desafios de ocupar espaços historicamente dominados por homens e as inspirações que marcaram sua caminhada. Da infância em uma família pobre do interior à chegada aos principais cargos da política potiguar, deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora, ela relembra as motivações que a levaram à militância, fala sobre referências femininas que moldaram sua visão de mundo e analisa o cenário atual da participação das mulheres na política.
Na entrevista a seguir, a governadora também comenta sua visão sobre o feminismo, os avanços conquistados e os obstáculos que ainda persistem para que mulheres ocupem, de forma mais ampla, os espaços de poder e decisão.
Diário do RN – Por que resolveu entrar na política? Fátima Bezerra – Isso tem origem na minha própria condição de classe social. Venho de uma família muito pobre, que enfrentou muitas dificuldades na vida. Acho que isso está na essência de eu ter sido atraída para a militância política e social. De uma forma que não foi planejada, a política foi se apresentando para mim como um caminho para enfrentar a injustiça, a opressão e as desigualdades. Surgiu como uma forma de lutar em defesa dos excluídos, dos que foram destituídos do direito de viver com dignidade, cidadania e sem violência.
Minha entrada no PT se encaixou nesse contexto, pelo próprio DNA do partido, que nasceu para lutar pelos direitos do povo trabalhador. E imagine: que outro partido possibilitaria que uma pessoa com a origem que tenho pudesse chegar aonde cheguei? Essa essência continua até hoje me inspirando: o sentido de me juntar a outras pessoas para lutar por mais direitos, oportunidades, justiça e cidadania.
Um exemplo muito concreto disso é a conclusão da transposição do São Francisco. A alegria que tenho de, junto com Lula, entregar a conclusão das águas do São Francisco pelo caráter civilizatório dessa obra. Para quem, quando menina, sentiu a sede de perto, hoje poder celebrar um ato desses é reafirmar que a política vale a pena. A política feita com seriedade, com espírito público e compromisso com a coletividade, pensando em melhorar a vida do povo, vale a pena. E faz compensar inclusive as agruras que nós mulheres ainda enfrentamos na participação política, embora já tenhamos vencido muitas barreiras.
DRN – Quais foram as inspirações para iniciar na política, e quais são inspirações hoje? Fátima Bezerra – Quem primeiro me inspirou foi D. Luzia, minha mãe. Uma mulher nordestina que enfrentou tempos muito difíceis e conseguiu cuidar da família e dos filhos com tanta amorosidade. Ela foi um exemplo permanente de dedicação ao próximo. Como parteira, passou a maior parte da vida cuidando e dando assistência a mulheres em um dos momentos mais sagrados da vida, que é o momento do parto. Minha mãe nos deu lições profundas de solidariedade e generosidade que até hoje estão marcadas em nosso coração como fonte e propósito de vida.
Tínhamos uma família pobre, mas ela sempre enxergava que havia pessoas ainda mais pobres do que nós. E quanto mais difícil era a situação de alguém, maior era o zelo e a dedicação dela para ajudar. Ao jeito dela, e sem conhecer esses termos, minha mãe fazia uma militância social e humana extraordinária. Era uma mulher com um profundo senso de justiça.
Hoje há inúmeras mulheres desbravadoras que me inspiram. Mas gostaria de citar Dilma Rousseff, pela resiliência, pela altivez e pela história de vida. E Michelle Bachelet [ex-presidente do Chile], que cunhou uma frase muito forte: “quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política”.
DRN – Deputada estadual, federal, senadora e governadora, qual foi o cargo mais desafiador até agora como mulher na política? Fátima Bezerra – Sem dúvida, o de governadora, pelas condições em que encontramos o Rio Grande do Norte. Era o estado mais violento do país, que não conseguia honrar seu compromisso mais básico, que era pagar os servidores públicos, e tinha serviços públicos essenciais completamente sucateados.
Mas, se foi o cargo mais desafiador, também é motivo de muito orgulho ter sido eleita e reeleita governadora pelo povo do Rio Grande do Norte. Tenho muito orgulho do trabalho que temos realizado junto à nossa equipe de governo e dos legados que estamos construindo.
Na segurança pública, na saúde, no enfrentamento à violência, conquistamos avanços importantes que impactam diretamente a vida das mulheres potiguares. Além disso, há obras estruturantes como a conclusão da transposição do São Francisco e a duplicação da BR-304. São entregas que dão sentido à nossa luta e ao nosso trabalho.
Sou eternamente grata ao povo do RN, que me acolheu de forma tão generosa e me permitiu ser deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora, dando a oportunidade de defendê-los em todos os espaços que ocupei. É uma honra imensa trabalhar todos os dias para melhorar a vida do nosso povo.
Em todos os lugares onde estive e estarei, sigo guiada pela defesa dos interesses do povo, especialmente dos que mais precisam, fazendo política com dignidade, honestidade e com a cabeça erguida.
DRN – Quais são os desafios de ser uma mulher num espaço ainda majoritariamente masculino? Fátima Bezerra – A política é um retrato da sociedade. Muitas das dificuldades que enfrentamos como mulher na política são enfrentadas pelas mulheres no mundo corporativo, jurídico, no mercado de trabalho de forma geral. Apesar dos avanços que conquistamos, a política ainda é um espaço onde as mulheres são minoria. Estamos sub-representadas.
Na eleição de 2018, por exemplo, fui eleita a única governadora em 27 estados do país. No parlamento também não chegamos sequer a 20% de mulheres na Câmara ou no Senado. E as que estão nesses espaços sofrem ataques, tentativas de desqualificação, ameaças e até processos de cassação de seus mandatos.
Há mulheres, como Marielle, que pagaram com a vida pela ousadia de fazer política. Mesmo assim seguimos firmes, porque sabemos que cada mulher que rompe essa barreira e ocupa um espaço de poder ajuda a abrir portas para outras.
Se o Brasil tem maioria feminina na população, essa representação precisa ser melhor distribuída. Essas vozes precisam ser ouvidas. Mulheres que defendem a democracia, quando chegam à política, governam e legislam de forma mais inclusiva e abrangente.
DRN – Como a sra enxerga o feminismo, o que entende pelo movimento? Se sente acolhida pelo feminismo? Fátima Bezerra – O feminismo é a luta pela vida e pela dignidade das mulheres. Muitas conquistas que temos hoje no mercado de trabalho, na política e na sociedade são fruto dessa luta histórica. É um movimento cada vez mais necessário diante de tempos de misoginia, de discursos de ódio, de opressão e de violência que continuam ceifando a vida de tantas mulheres e deixando marcas profundas por meio da violência física, sexual, psicológica e patrimonial.
O feminismo nunca quis estabelecer uma rivalidade entre mulheres e homens. Ao contrário, ele busca respeito. É um movimento que defende igualdade, paz e não violência. Afirma que a vida das mulheres importa e que mulheres são seres humanos, não objetos de poder, posse ou dominação.
Também precisamos compreender que o machismo prejudica toda a sociedade. Ele impõe aos meninos modelos de masculinidade muitas vezes violentos e adoecedores. Para as mulheres, porém, o machismo significa medo, abuso e morte desde muito cedo. Por isso, toda a sociedade precisa se unir para enfrentar essa epidemia de feminicídios, estupros e violência doméstica.
O Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado recentemente pelo próprio presidente da República e que convoca todos os poderes, é uma iniciativa extremamente necessária. A sociedade precisa se comprometer com essa luta.
Como governadora, não medi esforços para contribuir com a construção de um estado mais justo, democrático, inclusivo e acolhedor para todas as pessoas, em especial para as mulheres. Entre as ações realizadas, destaco a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, a criação da Casa Abrigo, a implementação da Patrulha Maria da Penha em todas as regiões do estado e o fortalecimento de programas como o Maria da Penha Vai à Escola e o Maria da Penha Vai às Cidades.
A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou reações divergentes no cenário político nacional.
Em Natal, a vereadora Thabatta Pimenta (PSOL) saiu em defesa da parlamentar e classificou como “criminosa” a fala do apresentador Ratinho, que questionou a identidade de gênero da deputada durante programa exibido no SBT, em reação à escolha da deputada em presidir o colegiado.
Aliada política e amiga pessoal de Erika Hilton, Thabatta afirmou ao Diário do RN que o episódio expõe preconceitos ainda presentes na sociedade e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre os direitos das mulheres em suas diferentes realidades.
“Primeiro que transfobia é crime. Essa é uma fala totalmente criminosa, porque coloca corpos dissidentes, que somos nós pessoas trans e travestis, como se nem mulheres a gente pudesse ser, mas nós somos mulheres. É necessário dizer que nenhuma mulher é igual, todas nós somos diferentes. A questão é todinha em cima de preconceito, é apenas puro preconceito”, afirmou.
A parlamentar natalense alerta que o episódio também revela uma distorção nas prioridades do debate público: “Quando a gente debate as mulheridades numa comissão como a Comissão da Mulher, a gente precisa falar das violações que esses corpos sofrem. A gente vive num país com uma pandemia de feminicídio e de transfeminicídio, mas tem gente mais preocupada com a identidade de gênero dessa mulher”, disse.
A vereadora relatou que conversou com Erika Hilton logo após a repercussão das declarações e manifestou apoio à decisão da deputada de acionar o Ministério Público Federal para investigar o caso. “Ontem ela mesma disse que já ia entrar com a ação e ela entrou hoje, por danos coletivos, porque a fala dele não afeta só a Érika, ele afeta todas nós, mulheres trans e travestis”, disse.
Erika Hilton foi eleita nesta quarta-feira (11) para comandar a comissão da Câmara com 11 votos favoráveis contra dez votos em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado. No discurso de posse, a deputada afirmou que pretende conduzir os trabalhos com diálogo e foco na diversidade das mulheres brasileiras. Para Thabatta Pimenta, a eleição da parlamentar é legítima e reflete uma escolha política feita pelas próprias integrantes da comissão.
“Qual mulher mais não teria legitimidade como ela? Erika levou, por exemplo, o debate da escala 6×1. Ela está mostrando que nós não nos resumimos à pauta LGBT, como muitas vezes querem nos colocar. A comissão pauta todos os direitos de todas as mulheres”, afirmou.
A vereadora também destacou que a eleição foi resultado de votação entre deputadas e deputados que integram o colegiado, incluindo mulheres cisgênero.
“Ela não chegou ali por acaso. Foi escolha de muitas outras mulheres que também não são trans.
Essas mulheres que votaram para que ela presidisse a comissão sabem que ela é um corpo importante naquele lugar e legítimo para pautar diversas questões”, acrescentou.
Thabatta avalia ainda que parte das críticas à eleição de Erika Hilton ignora a diversidade de experiências femininas e pode acabar reproduzindo exclusões: “Quando alguém diz que só é mulher quem gesta, quem pare ou quem amamenta, também ataca outras mulheres cis que não conseguem passar por isso. O maternar não se resume a isso. É muito triste ver outras mulheres legitimando esse discurso de ódio”, afirmou.
O presidente do MDB no Rio Grande do Norte, Walter Alves, esteve reunido nesta quinta-feira (12) em Brasília com o ministro das Cidades, Jader Filho. Ele ouviu do ministro que, em breve, serão anunciadas novas unidades do programa Minha Casa Minha Vida para o Rio Grande do Norte.
Walter Alves agradeceu ao ministro as 12 mil unidades com as quais o estado já foi contemplado e as 6 mil contratadas. Ele explicou que o pleito agora é para que seja agilizada a construção e a entrega dessas casas. E pediu também por novas unidades.
“Eu recebo os prefeitos, os vice-prefeitos e é aquele pleito: Walter, fala lá com o Ministério das Cidades para apressar as casas aqui. E não só o beneficiário, Jader, como também a economia gira rápido. Então, assim, a gente está muito animado com a perspectiva auspiciosa com relação a isso também”, disse o presidente do MDB.
O ministro Jader Filho elogiou o “grande trabalho que tem sido feito pelo nosso governador Walter Alves em defesa do povo do Rio Grande do Norte”. Ele explicou que a meta traçada pelo presidente Lula era de 2 milhões de casas por todo o país, mas que essa marca já foi superada.
“Nós já temos contratadas 2.220.000 casas, gerando emprego, renda e realizando o sonho da casa própria das famílias, tanto no Brasil como no nosso querido Rio Grande do Norte. E dizer que a gente vai ampliar ainda mais”, afirmou.
Jader Filho lembrou que atualmente está aberta uma seleção do Minha Casa Minha Vida Rural e do Minha Casa Minha Vida Entidades. “Atenção as entidades e as prefeituras que quiserem ter casas tanto na área rural quanto também na zona urbana, estamos aqui neste momento finalizando o processo”, alertou.
E acrescentou, anunciando mais unidades para o RN: “Vamos fazer a seleção e, daqui a pouquinho, a gente anuncia mais casas para o povo do meu querido estado do Rio Grande do Norte”.
A presença feminina na política ainda é minoritária no Brasil, mas, para a vice-prefeita de Natal, Joana Guerra (Republicanos), ocupar esses espaços é parte essencial do processo de transformação social. Em entrevista ao Diário do RN, ela fala sobre sua trajetória na gestão pública, os desafios enfrentados por mulheres em ambientes políticos majoritariamente masculinos e a importância de ampliar a participação feminina nas decisões que impactam a vida da população.
Ao refletir sobre o papel das mulheres na política, a vice-prefeita reconhece que ainda existe uma predominância masculina nos espaços de poder e admite que, muitas vezes, as mulheres precisam demonstrar mais competência para obter o mesmo reconhecimento. Para ela, a melhor forma de enfrentar esse cenário é com trabalho, preparo e resultados, ajudando a quebrar preconceitos e consolidar a presença feminina na política.
Joana também destaca que Natal tem buscado avançar na participação das mulheres na gestão pública. De acordo com ela, atualmente cerca de 45% do primeiro escalão da administração municipal é composto por mulheres, o que considera um sinal de compromisso com maior representatividade.
Além da atuação na gestão municipal, Joana Guerra também tem papel na organização partidária. Ela preside o Republicanos em Natal e atua como secretária estadual de Mulheres da legenda no Rio Grande do Norte, defendendo que os partidos avancem além das cotas eleitorais e invistam na formação e no fortalecimento de lideranças femininas. A seguir, a entrevista concedida ao Diário do RN.
Diário do RN – Em que momento da sua vida você percebeu que a política seria um caminho possível? Joanna Guerra – Minha trajetória começou muito antes de disputar um cargo eletivo. Sou formada em Gestão de Políticas Públicas pela UFRN, com especialização em Gestão Pública pelo IFRN e mestrado em Estudos Urbanos e Regionais também pela UFRN, e durante muitos anos atuei na área de planejamento e gestão pública. Foi nesse contato direto com a construção de políticas públicas, participando da elaboração de projetos e acompanhando decisões que impactam a vida das pessoas, que percebi que a política também poderia ser um caminho natural para ampliar essa contribuição e ajudar a transformar realidades.
DRN – Ser mulher influenciou de alguma forma sua decisão de entrar na política? Como? Joanna Guerra – Ser mulher certamente influencia nossa forma de olhar para a política. Ao longo da minha trajetória, sempre tive consciência de que ainda somos minoria nos espaços de poder. E isso não me afastou da política, pelo contrário, reforçou a convicção de que precisamos ocupar esses espaços, levar nossa perspectiva e contribuir para decisões mais justas, sensíveis e representativas da sociedade.
DRN – Como é ocupar hoje o cargo de vice-prefeita em um ambiente político ainda majoritariamente masculino? Joanna Guerra – É uma grande responsabilidade, mas também uma oportunidade de contribuir para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. A política brasileira ainda tem predominância masculina, mas em Natal temos buscado dar um exemplo diferente. Hoje, a gestão municipal conta com um percentual expressivo de mulheres no primeiro escalão, chegando a cerca de 45% do secretariado, o que demonstra um compromisso real com a participação feminina na condução das políticas públicas da cidade.
Além disso, o Rio Grande do Norte tem uma história muito forte de pioneirismo feminino na política, o que aumenta ainda mais o senso de responsabilidade de quem ocupa um cargo público hoje. Foi aqui que tivemos Alzira Soriano, a primeira mulher eleita prefeita na América Latina, ainda em 1928. Também tivemos lideranças marcantes como Wilma de Faria, primeira mulher prefeita de Natal e depois governadora do estado, além de outras mulheres que abriram caminhos na política e na gestão pública.
Estar hoje como vice-prefeita de Natal significa dar continuidade a esse legado e, ao mesmo tempo, trabalhar para que cada vez mais mulheres possam participar da política não como exceção, mas como parte natural da construção das decisões que impactam a sociedade.
DRN – Você sente que precisa provar mais competência do que colegas homens para ocupar o mesmo espaço? Joanna Guerra – Infelizmente, em muitos momentos as mulheres ainda precisam demonstrar mais para ter o mesmo reconhecimento. Mas eu acredito que o melhor caminho é responder com trabalho, seriedade e resultados. Quando mostramos capacidade, preparo e dedicação, ajudamos a desconstruir preconceitos e a consolidar o espaço das mulheres na política.
DRN – Houve algum episódio marcante em que você sentiu claramente o peso do machismo na política? Joanna Guerra – A política, como outros ambientes de poder, ainda carrega práticas e visões antigas. Em alguns momentos percebemos questionamentos ou julgamentos que muitas vezes não seriam feitos da mesma forma a um homem. Essas situações existem, mas procuro encará-las como parte de um processo maior de transformação, em que cada avanço das mulheres ajuda a mudar essa cultura.
DRN – Quais pautas relacionadas às mulheres ainda precisam avançar mais no poder público municipal? Joanna Guerra – O enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo uma das maiores prioridades. Em Natal, temos fortalecido a rede de proteção com o trabalho da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Semul), que atua no acolhimento, orientação e desenvolvimento de ações de prevenção e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Outro instrumento muito importante é a atuação da Patrulha Maria da Penha, que tem reforçado o acompanhamento e a proteção de mulheres com medidas protetivas, garantindo mais segurança e presença do poder público na defesa de suas vidas.
Também avançamos em políticas que impactam diretamente o cotidiano das mulheres. Um exemplo importante foi zerar a fila por vagas em creches em Natal, uma conquista que representa mais dignidade e oportunidade para muitas mães que precisam trabalhar, estudar ou empreender com a tranquilidade de ter seus filhos em um espaço seguro e de qualidade.
Mas ainda precisamos seguir avançando em outras frentes igualmente estratégicas, como a autonomia econômica das mulheres, ampliando oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e apoio ao empreendedorismo feminino.
DRN – Os partidos políticos realmente incentivam candidaturas femininas ou ainda tratam as mulheres como cota eleitoral? Joanna Guerra – Houve avanços importantes na legislação e dentro dos partidos, mas ainda precisamos evoluir muito. Não basta apenas cumprir cotas formais! É fundamental investir na formação, no apoio e na visibilidade das mulheres na política.
Falo também a partir da experiência prática. Hoje tenho a responsabilidade de presidir o Republicanos em Natal e de atuar como secretária estadual de Mulheres do partido no Rio Grande do Norte. Há um movimento a nível nacional neste Partido e temos trabalhado para fortalecer cada vez mais a participação feminina, estimulando a formação política, o surgimento de novas lideranças e a construção de candidaturas competitivas.
No Republicanos, o movimento feminino tem ganhado força e organização, justamente com o objetivo de garantir que as mulheres não estejam na política apenas para cumprir uma exigência legal, mas para ocupar espaços de decisão, influenciar agendas e contribuir efetivamente para o desenvolvimento das cidades e da sociedade. Quando os partidos realmente acreditam no protagonismo feminino, o resultado é mais diversidade, mais representatividade e uma democracia mais forte. E aqui em Natal e no Rio Grande do Norte, dentro das minhas atribuições partidárias, busco fortalecer as mulheres republicanas e incentivar também uma participação feminina não só em maior número, mas projetos cada vez mais fortes de ocupação de mulheres na política Norte-Rio-Grandense.