
A Fecomércio RN iniciou, nesta segunda-feira (17), uma série de encontros com os três candidatos ao Governo do Estado de maior destaque na disputa eleitoral. A programação do RN em Foco 2027–2030 começou com Allyson Bezerra (União Brasil) e segue com Álvaro Dias (PL), nesta terça (18), e Cadu de Lula (PT), na quarta-feira (19). Além de ouvir os postulantes, a entidade entrega uma agenda de propostas construída a partir de dados oficiais e de uma pesquisa com 1.617 empresários.
Em entrevista ao Diário do RN, o presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, explicou que o levantamento buscou identificar dificuldades e oportunidades percebidas pelo setor produtivo em todas as regiões do Estado. “A gente fez um levantamento, um trabalho técnico, usando os dados oficiais, mas também com uma pesquisa feita com 1.617 empresários em todas as regiões do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Segundo Queiroz, a intenção é aproximar o empresariado de quem comandará o Estado a partir de 2027. “Queremos estreitar esses laços, mostrar as nossas dificuldades, a dificuldade do empresário que está lá todo dia abrindo suas portas, gerando emprego, gerando renda”, disse.
Ele também ressaltou que a equipe técnica da entidade estará disponível para contribuir com o próximo governo, independentemente do vencedor da eleição. “Temos a equipe técnica à disposição. Queremos trabalhar com qualquer um dos candidatos que seja eleito e contribuir no que a gente puder”, afirmou.
Contas e investimentos
Primeiro a participar da rodada, Allyson apresentou pontos de seu plano de governo e tratou da situação fiscal como um dos principais desafios de uma eventual gestão. Citou R$ 3,5 bilhões em despesas a pagar e o déficit previdenciário, defendendo a organização das contas antes da ampliação dos investimentos.
Em conversa com a imprensa durante o encontro, o candidato concentrou sua fala na necessidade de ampliar a participação privada na economia. “O que nós precisamos primeiro é investir, ter capacidade de investir, de criar mecanismos para trazer investimento para o Estado”, afirmou.
Allyson defendeu liberdade econômica, posicionou-se contra aumento de impostos e criticou entraves enfrentados por empresários para conseguir licenças e tirar novos projetos do papel.
Segundo ele, turismo, comércio e serviços estão entre os setores que podem avançar com a melhoria do ambiente de negócios.
“Quem quer empreender, quem quer gerar emprego, quem quer gerar oportunidade, quem quer construir o seu resort, o seu empreendimento, investir no turismo, não está conseguindo”, afirmou. Para o candidato, a proposta passa por “destravar o Rio Grande do Norte” e criar condições para atrair investimentos privados.
Parcerias e qualificação
Outro ponto defendido por Allyson foi a ampliação das parcerias público-privadas. Segundo ele, esse modelo poderá ser utilizado em áreas nas quais o Estado não tenha capacidade de investir, manter estruturas ou promover a modernização necessária.
O candidato também destacou a experiência de Mossoró com o Sistema S na formação profissional e afirmou que pretende ampliar esse tipo de parceria para o Estado. “Nós queremos aprofundar, queremos fazer com que o que deu certo em Mossoró possa ser aplicado também no Estado”, declarou.
Durante o encontro, Allyson respondeu ainda a questionamentos da equipe técnica da Fecomércio sobre turismo, saneamento, segurança, mobilidade, qualificação dos jovens, atração de investimentos e interiorização do desenvolvimento, entre outros temas. Ao falar sobre a condução de um eventual governo, afirmou: “Eu não governo olhando no retrovisor. Nós governamos olhando para frente, sem raiva, sem rancor”, disse.
Agenda empresarial
O documento RN em Foco 2027–2030, entregue pela Fecomércio aos candidatos, reúne um diagnóstico da economia potiguar e propostas para orientar o próximo Governo do Estado. O estudo destaca o peso do Comércio, Serviços e Turismo, responsável por 38,3% do PIB estadual, mais de 49 mil estabelecimentos e cerca de 389 mil empregos formais.
A agenda está organizada em oito eixos: equilíbrio fiscal; desburocratização; parcerias público-privadas; infraestrutura e mobilidade; segurança; aproveitamento dos setores com potencial de crescimento; revitalização de áreas comerciais; e qualificação profissional.
As prioridades também refletem uma pesquisa com 1.617 empresários de todas as regiões do RN. Entre eles, 61,4% apontam a segurança pública como prioridade, 79% defendem redução de impostos, 65,9% indicam melhorias nas rodovias e 59,3% cobram menos burocracia. O documento ainda chama atenção para os 162 mil jovens que não estudam nem trabalham e propõe ampliar a formação profissional em parceria com o Sistema S.