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VIROSE DA MOSCA: CASOS DE DIARREIA AGUDA CRESCEM 18% NO RN EM 2026

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O número de casos de doenças diarreicas agudas (DDA) no Rio Grande do Norte apresentou crescimento em 2026, acendendo um alerta para autoridades sanitárias. Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) apontam que, até 14 de março deste ano, foram registrados 7.155 casos, enquanto no mesmo período de 2025 haviam sido contabilizadas 6.064 ocorrências.

O aumento é de 1.091 casos, o que representa crescimento de aproximadamente 18%. O cenário reforça a necessidade de atenção da população com medidas de prevenção, sobretudo em um período do ano em que cresce a incidência da chamada “virose da mosca”.

As doenças diarreicas agudas, popularmente conhecidas como “virose da mosca”, manifestam-se principalmente por episódios de diarreia, vômitos e dor abdominal. Elas são infecções gastrointestinais caracterizadas por três ou mais evacuações líquidas ou amolecidas em um intervalo de 24 horas, podendo durar até duas semanas, e podem ser causadas por vírus, bactérias ou parasitas presentes em alimentos ou água contaminados.

Com o período pós-verão e o início do outono, aumentam as condições favoráveis para a proliferação de moscas e outros insetos, além da exposição de alimentos em ambientes quentes, fatores que contribuem para a maior incidência dessas infecções. Entre os agentes mais comuns estão vírus como o rotavírus, bactérias como Escherichia coli e Salmonella e parasitas como a Giardia. A transmissão ocorre, em geral, pela via fecal-oral, seja pelo consumo de alimentos mal higienizados, água contaminada ou pelo contato com superfícies e pessoas infectadas.

Nesse contexto, as moscas desempenham papel importante como vetores mecânicos de microrganismos. Ao pousarem em locais contaminados, como fezes, lixo ou restos de alimentos, os insetos podem transportar patógenos em suas patas e corpo e depositá-los posteriormente em alimentos e utensílios domésticos.

A infectologista Gisele Borba, do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Rede Ebserh, explica que o comportamento desses insetos favorece a disseminação das infecções. “As moscas podem pousar em locais contaminados, como fezes, restos de alimentos e lixo, e carregar em suas patas os microrganismos causadores de doenças, transmitindo assim essas infecções para pessoas suscetíveis”, afirma.

Os sintomas mais observados incluem diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal e, em alguns casos, febre baixa. Segundo a médica, é importante diferenciar esses quadros de gastroenterites bacterianas mais graves. “Os sintomas mais comuns são diarreia, vômitos e dor abdominal, podendo haver febre baixa. A principal diferenciação que deve ser feita é com gastroenterites bacterianas, que costumam causar casos mais graves, com febre alta e diarreia severa, às vezes acompanhada de sangue”, explica.

Embora a maioria dos casos seja autolimitada e se resolva em poucos dias, a principal preocupação está nas complicações relacionadas à desidratação, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade mais baixa, grupos que apresentam maior risco de agravamento do quadro.

Medidas de prevenção
Segundo Gisele Borba, cuidados simples com a higiene dos alimentos e do ambiente são fundamentais para reduzir o risco de contaminação. A especialista orienta que alimentos sejam mantidos protegidos e que frutas e verduras sejam devidamente higienizadas antes do consumo.

“Manter os alimentos bem cobertos, lavar bem frutas e verduras com solução de hipoclorito, higienizar as mãos antes de se alimentar ou manipular alimentos e manter o lixo sempre fechado são medidas importantes para evitar a contaminação”, destaca.

A infectologista também recomenda cautela na escolha dos alimentos, especialmente para pessoas mais vulneráveis. “Quem tem imunidade mais baixa tem maior risco de complicações. É importante nessas pessoas ter bastante cuidado com a alimentação, dando preferência a alimentos bem cozidos e conservados e evitando produtos de procedência duvidosa”, orienta.

O tratamento das doenças diarreicas agudas geralmente é baseado na reposição de líquidos e sais minerais, por meio do consumo de água, soro de reidratação oral e alimentação leve. Na maior parte das situações, o organismo consegue combater a infecção sem necessidade de medicamentos específicos.

Ainda assim, alguns sinais indicam a necessidade de procurar assistência médica. Entre eles estão sintomas de desidratação, como boca seca, olhos encovados e diminuição da urina, além de febre alta persistente, presença de sangue nas fezes ou episódios de vômitos que impedem a ingestão de líquidos.

“Também é importante buscar atendimento quando há diarreia abundante que persiste por mais de três dias, vômitos que não cessam mesmo com medicação ou sintomas como fraqueza intensa, tontura e sensação de desmaio”, alerta a infectologista.

Especialistas também ressaltam a importância da vigilância epidemiológica em casos de surtos.

Situações em que duas ou mais pessoas apresentam sintomas semelhantes após consumir o mesmo alimento devem ser notificadas às autoridades de saúde, permitindo a investigação da origem da contaminação e a adoção de medidas de controle.


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