
Pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PSOL, Robério Paulino afirmou, em entrevista ao Diário do RN, que não vê diferenças ideológicas entre o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, ambos cotados para a disputa estadual de 2026. Para o professor da UFRN, os dois representam projetos alinhados à direita conservadora no Estado.
“Eu não vejo uma candidatura de centro e outra de direita. Eu vejo duas candidaturas de direita.
Allyson e Álvaro são do mesmo campo da direita”, afirmou Robério ao comentar o atual cenário político potiguar.
Segundo ele, Allyson tenta construir uma imagem moderada, mas está inserido em um partido de orientação conservadora. “O União Brasil é um partido de direita. Está no Centrão, votando contra pautas progressistas no Congresso Nacional”, disse.
Robério também criticou o posicionamento recente do ex-prefeito de Mossoró sobre o fim da escala 6×1. “Ele falou que é a favor do fim da escala, mas qual é a posição do partido dele? O União Brasil é contra. Então ele sabe que a maioria do povo do Rio Grande do Norte vai votar em Lula e tenta não chocar esse eleitorado”, declarou.
Na entrevista, o pré-candidato do PSOL ainda acusou Allyson de incoerência política e de proximidade com grupos tradicionais da política potiguar. “Ele fez ascensão política criticando oligarquias e hoje está abraçado com as principais oligarquias do Estado, os Alves e os Maia”, afirmou.
O professor também citou críticas à gestão do ex-prefeito em Mossoró, especialmente na relação com os servidores públicos. “Ele tratou os servidores de forma muito dura, muito intolerante e intransigente. Se comportou como inimigo dos servidores públicos”, disse.
Sobre Álvaro Dias, Robério afirmou que o ex-prefeito representa uma direita “radical neoliberal” e voltou a condenar declarações relacionadas à possibilidade de privatização ou federalização da UERN.
“Álvaro e Rogério Marinho são inimigos do serviço público. Se depender deles, privatizam tudo.
Num país pobre como o Brasil, a população precisa da escola pública e da saúde pública”, declarou.
O pré-candidato defendeu o fortalecimento da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte como ferramenta estratégica de desenvolvimento regional. “Eu não privatizaria nem federalizaria a UERN. Nós vamos fortalecer, ampliar e abrir mais campos avançados. Uma universidade estadual é uma alavanca fundamental para o desenvolvimento do Estado”, afirmou.
Ao comentar a pré-candidatura de Cadu Xavier, Robério disse que o petista herda o desgaste da gestão da governadora Fátima Bezerra. “Cadu carrega o desgaste do governo da professora Fátima, um dos governos mais rejeitados do país. Eu lamento profundamente porque torci pelo governo dela, mas acho que deixou muito a desejar”, declarou.
Entre as críticas, ele apontou problemas na educação estadual e na condução de greves do funcionalismo. “Por que o analfabetismo não acabou? Por que o IDEB do Rio Grande do Norte continua tão baixo depois de dois mandatos de uma professora? O PT chegou a judicializar greve das trabalhadoras da saúde”, afirmou.
Aberto ao diálogo com o PT
Apesar das críticas, Robério Paulino afirmou que mantém diálogo com o PT e não descarta entendimentos futuros, desde que haja compromisso programático.
“No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, disse.
Ele ressaltou, porém, que não pretende conceder “apoio em branco”. “O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, afirmou.
Propostas de governo
Ao detalhar suas propostas, Robério afirmou que pretende priorizar mudanças estruturais no Estado, sobretudo na educação.
“Vamos fazer um grande mutirão para erradicar o analfabetismo em até dois anos, envolvendo professores e estudantes da UFRN, UERN, UFERSA e outras instituições”, disse.
O professor também propõe ampliar o número de escolas estaduais em tempo integral. “O Rio Grande do Norte não chega a 30% de escolas em tempo integral, enquanto Ceará, Pernambuco e Piauí já têm cerca de 70%. Nossa meta é chegar a 50% em quatro anos”, afirmou.
Na área econômica, Robério defende um processo de industrialização acelerada do Estado. “Não podemos continuar importando produtos básicos que poderiam ser produzidos aqui. Precisamos construir nossas próprias indústrias e governar com a inteligência das universidades”, declarou.
Outra proposta destacada é o plantio de cinco milhões de árvores no semiárido potiguar já no primeiro mandato. “O nosso semiárido está virando deserto rapidamente. Vamos plantar árvores nativas e frutíferas para recuperar áreas degradadas, gerar empregos e fortalecer uma agroindústria sustentável”, afirmou.