
A vitória de Cadu de Lula (PT) para o Governo do Rio Grande do Norte, com 50,77% dos votos válidos contra 49,23% de Allyson Bezerra (União Brasil), também contou com a articulação do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB). No segundo turno, ele mobilizou deputados, prefeitos e lideranças municipais, contribuindo para ampliar a base de apoios ao petista em uma disputa decidida por apenas 32.625 votos de maioria.
A entrada do presidente da Assembleia representou um reforço para Cadu na disputa contra Allyson Bezerra (União Brasil). Sua aproximação abriu espaço para novas alianças no interior, especialmente em municípios onde os grupos políticos precisavam redefinir seus posicionamentos após a eliminação de Álvaro Dias (PL).
Entre os exemplos estão Senador Georgino Avelino e São José de Mipibu, municípios que integraram as articulações em torno de Cadu. A participação de Ezequiel reforçou sua capacidade de diálogo com diferentes grupos, aproximando do palanque petista lideranças que poderiam seguir outros caminhos no segundo turno.
A contribuição também se estendeu à bancada estadual. À frente da Assembleia, Ezequiel mantém interlocução com deputados que possuem bases eleitorais em diferentes regiões do Estado. Essa rede ganhou importância na reta final, quando a mobilização das lideranças locais se tornou decisiva.
O apoio foi oficializado em 18 de outubro, uma semana antes da votação, e reuniu Ezequiel, Cristiane Dantas, Gustavo Soares e Taveira Júnior. Juntos, os quatro somaram 193.355 votos na eleição proporcional, demonstrando a dimensão das bases eleitorais reunidas pelo PSDB, embora esses votos não representassem transferência automática para Cadu.
Em São José de Mipibu, a aproximação do grupo tucano teve participação da deputada Cristiane Dantas e do ex-vice-governador Fábio Dantas. A articulação reuniu o prefeito Zé Figueiredo, o vice-prefeito Bruno Dantas e vereadores, ampliando a presença petista no Agreste. A adesão ocorreu antes da manifestação formal de Ezequiel, mas integrou o movimento de reorganização das alianças do PSDB.
A mobilização também ocorreu fora da Assembleia. Ezequiel participou de agendas em Luís Gomes, Major Sales, Mossoró e João Câmara, ao lado de prefeitos, vereadores e outras lideranças, reforçando a campanha durante a semana decisiva.
O próprio Cadu reconheceu publicamente a importância da adesão. Em entrevista ao Diário do RN, afirmou que teria ao seu lado “um grande líder político com trabalho prestado e reconhecido em todo o estado”, destacando o reforço representado pela parceria.
Relação com Fátima manteve caminho aberto
A participação de Ezequiel na campanha também foi favorecida pela relação política e administrativa preservada com a governadora Fátima Bezerra. No primeiro turno, o presidente da Assembleia havia se posicionado em favor de Álvaro Dias (PL), seguindo uma decisão construída com seu partido e aliados. A escolha eleitoral, entretanto, não representou rompimento com a administração estadual.
Mesmo em palanques diferentes, Ezequiel manteve a interlocução institucional com Fátima, preservando uma parceria construída ao longo dos mandatos da governadora. Essa postura deixou aberto o caminho para uma reaproximação após a eliminação de Álvaro, quando o presidente da Assembleia passou a discutir com seu grupo o posicionamento no segundo turno.
A adesão anunciada em outubro, portanto, marcou o reencontro político com Fátima e acrescentou à candidatura petista lideranças com presença em diferentes regiões. Na ocasião, Ezequiel declarou que o grupo estava unido na disputa pelo Rio Grande do Norte.
Com a vitória de Cadu, a participação de Ezequiel passou a integrar a análise das alianças que contribuíram para o resultado. O presidente da Assembleia encerrou a campanha ao lado do governador eleito, depois de mobilizar sua bancada e participar das articulações que ampliaram o apoio ao petista.