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CASOS DE SÍFILIS CRESCEM MAIS DE 600% EM DEZ ANOS NO RIO GRANDE DO NORTE

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Apesar de ser uma infecção prevenível e com tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a sífilis tem avançado de forma significativa no Rio Grande do Norte ao longo da última década. Dados do mais recente Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que, entre 2014 e 2024, o número de casos de sífilis adquirida no estado cresceu 604,1%.

A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode evoluir para estágios mais graves e provocar complicações, incluindo danos neurológicos e cardiovasculares. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais desprotegidas, mas também pode acontecer por contato com sangue contaminado, além da transmissão vertical, que ocorre durante a gestação ou no momento do parto.

O avanço da doença também se reflete nos registros entre gestantes. Em 2024, o Rio Grande do Norte notificou quase mil casos de sífilis em mulheres grávidas, o que representou um aumento de 360,4%, enquanto os casos de sífilis congênita, transmitida de mãe para filho, tiveram elevação de 63,5%.

No mesmo ano, foram confirmados 479 diagnósticos de sífilis congênita. Embora tenha havido pequena redução no número absoluto de ocorrências em relação ao ano anterior, a proporção de transmissão da infecção da mãe para o bebê aumentou.

Dados da Sesap indicam que o percentual de transmissão vertical passou de 47,5% para 49,1%.

Isso significa que quase metade das gestantes diagnosticadas ainda transmite a infecção durante a gestação ou no momento do parto, cenário que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado no pré-natal.

Estratégias da sesap/rn
Para enfrentar o avanço da doença, a Sesap afirma que tem adotado uma série de estratégias que articulam ações de vigilância epidemiológica e assistência à saúde. Entre as iniciativas estão a ampliação da oferta de testes rápidos na Atenção Primária, a capacitação de profissionais de saúde, a publicação de orientações técnicas e o monitoramento permanente dos indicadores da doença.

Também fazem parte dessas ações o acompanhamento sistemático das gestantes diagnosticadas com sífilis, a investigação dos casos e o apoio técnico aos municípios para aprimorar o atendimento e a notificação das ocorrências.

Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Diana Rêgo, parte do crescimento nas notificações está relacionada ao fortalecimento das estratégias de diagnóstico adotadas na rede pública de saúde. “O aumento no número de casos de sífilis em gestantes no estado está relacionado a múltiplos fatores identificados a partir do monitoramento da vigilância epidemiológica. Entre eles, destacam-se a ampliação da testagem, especialmente com a introdução dos testes rápidos no pré-natal na Atenção Primária à Saúde, bem como no momento do parto, o que contribui para maior detecção de casos anteriormente subnotificados”, afirma.

Apesar da ampliação da testagem, a coordenadora destaca que ainda existem desafios importantes para o controle da doença. Na avaliação dela, fatores sociais e comportamentais continuam influenciando a manutenção da cadeia de transmissão. “Persistem desafios como o início tardio do pré-natal, a baixa adesão ao tratamento adequado, a dificuldade no tratamento das parcerias sexuais, a ocorrência de múltiplas parcerias e vulnerabilidades sociais que impactam o acesso e a continuidade do cuidado”, ressalta.

Cuidados durante a gestação
Especialistas da área médica também apontam que o enfrentamento da sífilis exige atenção especial ao cuidado durante a gestação. Para o médico ginecologista Robinson Dias, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), a prevenção continua sendo a principal ferramenta para conter o avanço da doença.

Segundo ele, medidas simples são fundamentais para reduzir os riscos de infecção e evitar a transmissão para o bebê. “Assim como outras infecções sexualmente transmissíveis, a sífilis pode ser evitada com o uso de preservativos durante as relações sexuais. No caso da congênita, é fundamental que a mulher grávida realize a testagem durante o pré-natal e, se necessário, inicie o tratamento o quanto antes para evitar transmitir para o bebê”, explica.

Dias também chama atenção para as consequências que a infecção pode provocar quando não é identificada a tempo durante a gestação. “Quando uma gestante não tem acesso ao diagnóstico ou ao tratamento correto, existe a possibilidade de termos mais um caso. Isso potencializa o avanço da doença e pode trazer consequências graves, como malformações, aborto espontâneo ou até a morte do bebê”, alerta.


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