
A disputa pelo Senado Federal no Rio Grande do Norte tem apresentado uma redução gradual no número de candidatos ao longo das últimas eleições. Em 2018, quando duas vagas estavam em disputa, o pleito reuniu 15 concorrentes. Em 2022, com apenas uma cadeira em jogo, foram 10 candidatos registrados. Já para 2026, também com duas vagas disponíveis, apenas sete pré-candidaturas foram colocadas até o momento, número que pode sofrer alterações até as convenções partidárias, mas que já aponta para uma tendência de diminuição da concorrência.
A mais recente movimentação ocorreu nesta semana, com o anúncio da pré-candidatura da professora e militante feminista Sônia Godeiro, do PSOL. Ela se junta aos nomes já colocados por Styvenson Valentim (Podemos), Zenaide Maia (PSD), que disputam a reeleição; além de Coronel Hélio (PL), Samanda Alves (PT), Rafael Motta (PDT) e Sandro Pimentel (PSOL).
Em 2018, o cenário era bastante diferente. Além dos vencedores Styvenson Valentin (Rede) e Zenaide Maia (PHS), participaram da disputa nomes como Garibaldi Filho (MDB), Geraldo Melo (PSDB), Antônio Jácome (Podemos), Magnólia Figueiredo (SDD), Alexandre Motta (PT) e outros oito candidatos de partidos menores. Naquele ano, a eleição ficou marcada pela forte renovação política, com a derrota de lideranças tradicionais que durante décadas ocuparam espaços centrais na política potiguar.
Fragmentação em 2022
Já em 2022, com a disputa concentrada em apenas uma vaga, o número de candidaturas caiu para dez.
O pleito acabou polarizado entre Rogério Marinho (PL), Carlos Eduardo Alves (PDT) e Rafael Motta (PSB), com vitória do ex-ministro do Desenvolvimento Regional.
O resultado alimentou uma avaliação recorrente nos bastidores políticos. Somados, Carlos Eduardo e Rafael Motta alcançaram cerca de 950 mil votos, superando os 708 mil obtidos por Rogério Marinho.
Para analistas do cenário, a fragmentação do eleitorado de centro e centro-esquerda acabou favorecendo a vitória do candidato apoiado pelo bolsonarismo.
Capital Político e financeiro reduz concorrência
Para o cientista político José Antônio Spinelli, a própria natureza da disputa ao Senado ajuda a explicar por que menos candidatos conseguem reunir condições para entrar na corrida. “A eleição para senador é majoritária. Os mais votados são eleitos. Diferentemente da eleição para deputado, não há distribuição proporcional de vagas entre partidos e federações”, explica.
Segundo ele, a disputa ao Senado impõe exigências que acabam funcionando como filtros naturais para os postulantes. “O candidato ao Senado precisa ter um capital político forte, consistente, e uma votação distribuída em todo o Estado. Não pode se concentrar apenas em uma região. Além disso, precisa mobilizar recursos financeiros muito significativos”, observa.
Um exemplo recente dessa barreira foi o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que desistiu de disputar o Senado após o União Brasil informar que não destinaria recursos do fundo eleitoral para a campanha, priorizando a eleição de deputados federais. Sem a estrutura financeira necessária para uma disputa majoritária, ele redirecionou seus planos e confirmou pré – candidatura a deputado estadual.
Spinelli ressalta ainda que a eleição senatorial costuma estar diretamente vinculada às disputas para o Governo do Estado e para a Presidência da República, o que aumenta a necessidade de articulação política e amplia o grau de dificuldade para candidaturas sem estrutura consolidada. “A candidatura ao Senado é muito casada com as candidaturas ao Governo Estadual e à Presidência da República”, afirma.
Apesar da tendência de redução observada nos últimos pleitos, o cientista político pondera que o quadro ainda pode mudar. “Hoje, aparecem algo entre seis e oito candidaturas. Mas isso só será definido efetivamente nas convenções partidárias”, conclui.