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ELEIÇÕES TERMINAM, MAS TENSÃO PODE CONTINUAR AFETANDO A SAÚDE MENTAL

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O encerramento das eleições não significa, necessariamente, o fim do desgaste emocional provocado pela disputa política. Para muitas pessoas, as discussões iniciadas durante a campanha permanecem no ambiente familiar, nas amizades, no trabalho e nas redes sociais, prolongando sentimentos como ansiedade, irritabilidade e preocupação com o futuro.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Juscimária Bezerra, algumas pessoas conseguem retomar a rotina rapidamente após o processo eleitoral, enquanto outras precisam de mais tempo para reorganizar as emoções.

“Nem sempre essa tensão vai acabar quando as eleições terminam. Na prática, as preocupações referentes ao futuro, as discussões que ocorreram no meio social e até as mágoas relacionadas às questões eleitorais podem continuar. Algumas pessoas conseguem retomar a rotina de forma mais rápida, porém outras precisam de um tempo para reelaborar tudo o que viveram, reestruturar as emoções e conseguirem se reorganizar”, explicou.

Ela destaca que o principal sinal de alerta é quando esse desgaste começa a interferir na qualidade de vida.

“O importante é observar se essa tensão está diminuindo ou se continua ocupando um espaço que vai prejudicar o sono, o trabalho e a convivência. Se estiver interferindo nessas áreas, o ideal é procurar um profissional da saúde, um psicólogo, para trabalhar essas questões”, orientou.

De acordo com a especialista, o envolvimento emocional durante uma eleição vai além da escolha entre candidatos. O processo mobiliza valores, crenças, expectativas e a percepção sobre o futuro do país.

“Esse processo eleitoral consegue mobilizar as emoções das pessoas de forma tão intensa porque não é simplesmente sobre dois indivíduos disputando uma eleição. O que está em pauta é o futuro de uma nação. A política envolve valores, identidade, pertencimento, expectativas e questões concretas como saúde, segurança e trabalho”, afirmou.

Ela explica que, quando as pessoas percebem que algo considerado importante está ameaçado, sentimentos como medo, ansiedade e raiva podem surgir com maior intensidade.

“E, na terapia, trabalhamos justamente essas interpretações. Elas interferem diretamente nas emoções, nos pensamentos e no comportamento daquele indivíduo”, comentou.

Quando a discordância vira conflito pessoal
Um dos fatores que contribuem para o agravamento dos conflitos, segundo a psicóloga, é a dificuldade de separar opiniões políticas da identidade pessoal.

“Algumas pessoas interpretam a divergência de opinião como um ataque pessoal porque não conseguem fazer essa diferenciação do que é meu, do que é do outro e do que é uma questão social”, explicou.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esse processo é trabalhado para que o paciente consiga identificar quando uma crítica é direcionada às ideias e não à pessoa.

“Essa distinção ajuda a escolher uma resposta mais consciente e não apenas responder no impulso. Também permite compreender quando existe uma ofensa real e, se houver, estabelecer os limites necessários”, esclareceu.

A especialista afirma que o excesso de envolvimento político pode desencadear um ciclo de desgaste emocional que afeta diretamente o descanso e o funcionamento do organismo.

“O impacto desse processo vivido durante o período eleitoral está diretamente ligado ao sono, aos sintomas ansiosos e ao estresse. A pessoa fica revivendo discussões, antecipando situações negativas, relembrando debates. Isso dificulta relaxar e adormecer”, disse.

Segundo ela, noites mal dormidas favorecem o surgimento de novos sintomas.

“A partir dessa dificuldade para dormir, a pessoa pode sentir mais cansaço, maior irritabilidade e dificuldade de lidar com as emoções no dia seguinte, formando um ciclo de desgaste”, comentou.

Como neuropsicóloga, Juscimária explica que alterações cognitivas também podem surgir nesse contexto.

“Eu observo muito a importância de considerar o sono e o estado emocional diante das queixas de atenção e concentração. Existe uma interferência direta”, afirmou.

Para a psicóloga, preservar vínculos familiares e de amizade depende da capacidade de estabelecer limites sem transformar divergências em disputas pessoais.

“Para preservar uma relação, seja ela de amizade ou familiar, não precisamos concordar com tudo o que o outro concorda. Podemos ouvir, expressar nossas posições e estabelecer limites sem transformar aquela conversa em uma disputa”, explicou.

Ela reforça que opiniões diferentes fazem parte da convivência democrática.

“É natural que existam opiniões diferentes. Nós não precisamos pensar igual para que possamos nos respeitar”, concluiu.


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