
O deputado federal Fernando Mineiro (PT-RN) classificou como uma tentativa de criar uma nova narrativa política a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Em entrevista ao Diário do RN, Mineiro afirmou que o senador tenta se colocar como vítima e ganhar tempo diante dos processos que envolvem seu nome.
“É um fujão em busca de uma narrativa”, afirmou Mineiro. Para o deputado, Flávio estaria tentando transformar a própria saída do país em um fato político para justificar a derrota eleitoral e se afastar dos julgamentos que enfrenta. “Ao ser derrotado, ele quer criar um fato e se colocar como vítima para justificar sua derrota e fugir dos julgamentos que estão aqui”, declarou.
Segundo aliados, Flávio embarcou nesta terça-feira (27) para os Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas. A viagem ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e ficasse proibido de deixar o país.
A determinação foi tomada na segunda-feira (26), após a derrota de Flávio para Lula no domingo (25). O prazo para a entrega dos documentos terminou na terça-feira sem o cumprimento da ordem. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes e comunicou o descumprimento da decisão a Moraes.
Para Mineiro, a candidatura presidencial de Flávio tinha, na sua avaliação, o objetivo de garantir proteção diante dos processos que envolvem o senador e, ao mesmo tempo, aproximar o Brasil dos interesses dos Estados Unidos. “Ele queria ser presidente para tentar se proteger dos seus crimes e das investigações que o envolvem. O movimento de candidato a presidente era para se proteger e, segundo, para entregar o Brasil aos Estados Unidos”, afirmou.
“Criar uma crise em cima de um processo”
Mineiro considera que a viagem para os Estados Unidos pode ser utilizada pelo senador para criar uma crise política em torno dos processos. “É criar um fato, um enredo. Criar uma crise em cima de um processo, criar uma narrativa”, disse.
O deputado também relacionou a saída de Flávio aos processos que, segundo ele, atingem diretamente o senador. “Como ele tem os processos aqui, dois processos. Um relacionado à questão do filme, que tem relação com o Vorcaro. E o outro agora com o advogado”, afirmou.
Mineiro se referia às investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e ao inquérito que também apura a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Na avaliação de Mineiro, a saída do país seria uma forma de ganhar tempo e tentar apresentar o senador como vítima. “Ele foge desses julgamentos, ele foge desse inquérito e vai tentar se colocar nos Estados Unidos como uma vítima. A forma dele ganhar tempo”, declarou.
Derrota e reação da direita
Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial para Lula no segundo turno realizado no domingo. Após o resultado, o senador passou a enfrentar uma nova situação jurídica com a determinação de Moraes para entregar os passaportes e permanecer no Brasil.
A saída para os Estados Unidos, confirmada por aliados, ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal informou o cancelamento dos documentos. A defesa ou o senador ainda podem apresentar sua versão sobre o descumprimento da decisão e sobre os motivos da viagem.
Mineiro também afirmou que a reação dos aliados de Flávio demonstra uma tentativa de explicar a saída do senador do país. Para o deputado, o episódio teria revelado o que estaria por trás da candidatura presidencial. “A direita está tentando arranjar um discurso para justificar, porque caiu a máscara”, concluiu.
Eduardo já defendia saída de Flávio antes da derrota
A possibilidade de Flávio deixar o Brasil já havia sido mencionada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, antes do segundo turno. Em entrevista a um podcast norte-americano na sexta-feira (23), dois dias antes da eleição, Eduardo afirmou ser favorável à saída do senador caso ele perdesse a disputa presidencial. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, declarou.
Após a derrota de Flávio e as informações de que ele teria deixado o Brasil nesta terça-feira (27), Eduardo reagiu com ironia às notícias. Em publicação nas redes sociais, negou que o irmão estivesse fora do país e afirmou que, para isso, “Musk mandou foguete”. Eduardo está nos Estados Unidos desde 2025 e teve o mandato de deputado federal cassado após permanecer no exterior e faltar às sessões da Câmara.