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WALTER É ABANDONADO POR ALLYSON, SÓ TEM 600 VOTOS EM MOSSORÓ E FICA FORA

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fechou para o vice-governador. Depois de deixar o governo, romper com a governadora Fátima Bezerra (PT) e apostar na aliança com Allyson Bezerra (União Brasil), Walter terminou a eleição como suplente, com 44.217 votos. O único eleito da nominata do MDB foi Bibiano (ex-prefeito de Serra do Mel), com 49.038 votos, uma diferença de 4.821 votos.

O resultado ganha peso quando se olha para Mossoró, principal reduto eleitoral de Allyson. Walter recebeu apenas 627 votos na cidade, enquanto Bibiano alcançou 14.292. A diferença entre os dois foi de 13.665 votos, quase três vezes os 4.821 votos que separaram Walter da eleição em todo o Estado.

A votação também chama atenção quando comparada ao desempenho de Allyson no município.

O candidato ao Governo recebeu mais de 82 mil votos em Mossoró no primeiro turno, enquanto Walter, seu aliado e candidato do MDB, não chegou sequer a mil votos. A diferença entre as votações evidencia a dificuldade de transferência de votos entre as duas candidaturas.

A promessa que não chegou às urnas
Nos bastidores, a avaliação é de que Allyson havia assumido o compromisso de ajudar a candidatura de Walter em Mossoró. Segundo informações apuradas pelo Diário do RN, a expectativa era de aproximadamente 12 mil votos para o vice-governador na cidade.

O resultado ficou muito distante da projeção. Os 627 votos recebidos por Walter representam pouco mais de 5% dos votos que, segundo os relatos de bastidores, teriam sido prometidos pelo grupo de Allyson.

O episódio guarda semelhança com o desempenho de Zenaide Maia (PSD), outra aliada de Allyson. Em Mossoró, a senadora recebeu 41.437 votos, enquanto Allyson alcançou 82.286, uma diferença de 40.849 votos. No resultado estadual, Zenaide terminou a disputa pelo Senado a menos de seis mil votos de Samanda de Lula (PT), que ficou com a segunda vaga.

Assim como no caso de Zenaide, a diferença entre o que foi acordado e o que foi recebido foi determinante para a derrota de Walter. Ele precisava de 4.821 votos para alcançar a cadeira conquistada por Bibiano. Só em Mossoró, a distância entre os dois candidatos chegou a 13.665 votos.

Desempenho da aliada de Zenaide também ficou muito longe do esperado, com pouco mais de 40 mil votos – Foto: Reprodução

Aposta política malsucedida
A derrota de Walter também é resultado de uma escolha feita no início do ano. Ele decidiu não assumir o Governo do Estado com a saída de Fátima Bezerra, rompeu politicamente com a governadora e passou a apoiar Allyson. Em seguida, mudou o projeto eleitoral e optou por disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

A aposta fazia parte de uma estratégia mais ampla do MDB. No início da campanha, a legenda projetava eleger três ou quatro deputados estaduais e apostava em nomes como Walter Alves, Bibiano, Antônio Jácome (ex-governador e ex-deputado estadual e federal) e Ivan Júnior (ex-prefeito de Assu). Ao final, apenas Bibiano conquistou uma cadeira.

Walter terminou como suplente, com uma votação inferior à do companheiro de partido e sem alcançar o resultado esperado em Mossoró, justamente o município onde Allyson construiu sua principal força eleitoral.

O resultado coloca em evidência o peso da transferência de votos nas alianças políticas. Walter tomou decisões importantes para permanecer ao lado de Allyson, mas os números das urnas mostram que a parceria não se traduziu, em Mossoró, na votação que os bastidores apontavam como necessária para garantir sua eleição.

A situação se soma a outros episódios envolvendo antigos aliados de Allyson, como o senador Rogério Marinho e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, e reforça uma marca que vem acompanhando a construção política do candidato ao Governo: alianças que, em diferentes momentos, foram revistas ou perderam força à medida que seu projeto eleitoral avançou.


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