SECRETÁRIO CONFIRMA QUE GOVERNO DO PT TRAVA RECURSOS E PREJUDICA NATAL

A execução de obras estruturantes em Natal entrou em ritmo lento diante da retenção de recursos federais que, segundo a Prefeitura, já ultrapassam R$ 41,09 milhões. O montante, vinculado a convênios com os ministérios das Cidades e da Saúde, tem afetado diretamente o andamento de intervenções em áreas estratégicas da capital potiguar, como mobilidade urbana, requalificação de espaços públicos e ampliação da rede hospitalar.
Levantamento técnico elaborado pela gestão municipal aponta que R$ 31,4 milhões estão concentrados no Ministério das Cidades, enquanto outros R$ 9,6 milhões dizem respeito ao Ministério da Saúde. Os dados reúnem contratos firmados com a União e detalham valores ainda não transferidos, apesar de parte das obras já estar em andamento.
A urbanização da Praia do Meio soma R$ 8,96 milhões pendentes e não recebe novos repasses desde junho de 2024. A obra integra um projeto de R$ 39,8 milhões voltado à requalificação das praias centrais, incluindo quiosques, calçadão e iluminação em LED, com foco no fortalecimento do turismo local e já vai completar dois anos sem receber repasses do governo federal, apesar dos apelos técnicos feitos pela Prefeitura de Natal junto aos órgãos da gestão nacional.
Entre outras obras impactadas está também a requalificação da Pedra do Rosário, que ainda aguarda R$ 15,8 milhões em repasses. Além disso, enfrentam entraves obras de pavimentação e mobilidade na zona Leste, com aproximadamente R$ 6,5 milhões a liberar, além da segunda etapa do Hospital Municipal, que depende de R$ 9,66 milhões.
Apesar dos entraves, houve liberações pontuais recentes. Ao todo, cerca de R$ 11,9 milhões foram destravados, sendo R$ 6,5 milhões para a Pedra do Rosário, aproximadamente R$ 435 mil para o Hospital Municipal e R$ 4,9 milhões destinados à requalificação viária na zona Oeste, incluindo o pontilhão de Cidade Nova. Ainda assim, a Prefeitura avalia que os repasses ocorrem de forma irregular e insuficiente para garantir a continuidade das obras.
Em entrevista ao Diário do RN, o secretário de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, chamou atenção para a ausência de justificativas técnicas claras para a retenção dos recursos. Segundo ele, a falta de previsibilidade nos repasses levanta questionamentos sobre os critérios adotados. “Não dá para provar que há motivação política, mas está bem parecido, por conta dessa falta de explicação. Não é técnica. A obra da Praia do Meio, por exemplo, teve a última liberação em junho de 2024. De lá para cá não houve mais nada, então é muito esquisito”, afirmou.
Araújo também destacou que o impacto vai além do atraso físico das obras, atingindo diretamente a eficiência da gestão e a expectativa da população. Ele explica que a interrupção do fluxo financeiro compromete toda a dinâmica dos contratos. “Uma obra inacabada gera transtorno. Frustra quem está esperando e traz prejuízos técnicos. Quando se paralisa, há desmobilização, material se deteriora e, na retomada, dificilmente se evita custos adicionais. É um transtorno sem precedentes”, disse.
Na tentativa de reverter o cenário, a Prefeitura intensificou a interlocução com o governo federal.
De acordo com o secretário, foram protocoladas pelo menos dez solicitações formais de liberação de recursos, inclusive por meio do sistema TransfereGov, utilizado para gestão de convênios.
Ainda assim, não houve retorno conclusivo. “Foram, no mínimo, dez pedidos e nenhuma resposta efetiva. A gente buscava informação da Caixa, a Caixa mandava para o ministério e o ministério dizia que era concentrado na Casa Civil, com Gleisi. Só quem autorizava era a Gleisi”, disse, referindo-se à então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, ex-presidente nacional do PT.
Ainda como parte dessa mobilização, a gestão municipal encaminhou, em 23 de fevereiro de 2026, um novo ofício ao Governo Federal solicitando apoio institucional. No documento, foram reforçados os pedidos de liberação dos recursos retidos. O ofício foi acompanhado de uma série de documentos técnicos, incluindo quadro-resumo dos valores, nota explicativa e materiais detalhando as intervenções, numa tentativa de dar transparência e robustez ao pleito. Até o momento, não houve nenhuma resposta por parte do governo federal.
