Início » Arquivos para 19 de abril de 2026, 20:27h

abril 19, 2026


LULA E ALCOLUMBRE SE REAPROXIMAM, E CONGRESSO SINALIZA CONTENÇÃO DE ATRITOS COM GOVERNO

  • por
Compartilhe esse post

Na semana em que se agravou a tensão entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Legislativo, a relação entre o presidente Lula (PT) e o Congresso teve sinais de melhorias, principalmente com sinalizações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O parlamentar e o petista estavam afastados desde a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula enviou a mensagem que formaliza a escolha para o tribunal apenas no último dia 1º, mais de quatro meses após ter anunciado publicamente o nome de Messias, e havia receio de que Alcolumbre segurasse o processo por mais tempo.

O presidente do Senado, no entanto, deu início à tramitação e marcou a sabatina para o próximo dia 28.

O gesto de Alcolumbre em relação a Messias teve uma contrapartida para a oposição bolsonarista. No mesmo dia em que destravou a sabatina, o senador marcou para 30 de abril uma sessão do Congresso para analisar o veto à redução de penas de condenados no processo da trama golpista —a tendência é de que seja derrubado.

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre ficou evidente na terça-feira (14), quando o petista e o parlamentar trocaram cochichos no evento de posse do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.

Em seu discurso na ocasião, o senador exaltou o diálogo, a boa política, a construção de entregas por várias mãos e fez uma série de elogios à ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), até então responsável pela relação do governo com o Congresso —ela deixou a pasta para poder concorrer ao Senado.

A presença de Alcolumbre em uma cerimônia eminentemente política do Planalto, assim como seu discurso e os cochichos com Lula, foram lidos por petistas como gestos simbólicos da nova fase na relação entre os políticos.

Quem acompanhou a crise entre o presidente da República e o do Senado diz que o problema foi a falta de um diálogo frequente entre eles. Entre o fim do ano passado e os primeiros meses deste ano, eles voltaram a se conversar por telefone.

Recentemente, Alcolumbre também voltou a falar, ainda que não com a mesma intensidade que antes, com Jaques Wagner, com quem havia rompido relações publicamente na época da indicação de Messias.

Parlamentares a par da articulação do advogado-geral da União para obter ao menos os 41 votos de que precisa na Casa afirmam que o presidente do Senado, embora não integre a campanha pela aprovação do nome, ao menos parou de trabalhar contra.

Outro fator que reaproximou o parlamentar do governo foi o alinhamento nos casos do Banco Master e do INSS, explorados por CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito). O Planalto, assim como o senador, tem interesse em estancar a crise no ano eleitoral. Alcolumbre rejeitou a prorrogação das comissões existentes e a instalação de uma nova.

Leia também:

Na terça-feira, ele e o governo se aliaram na manobra de troca de senadores na CPI do Crime Organizado que garantiu a derrota do relatório que propunha o indiciamento de ministros do STF.

A não aprovação do relatório impediu um desgaste ainda maior entre a Suprema Corte e as cúpulas dos demais Poderes. O relatório mirava os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ainda assim, houve consequências políticas.

Grupos de direita no Senado ficaram mais inflamados contra os ministros do Supremo, que são alvo de pedidos de impeachment. Gilmar acionou a PGR (Procuradoria Geral da República) contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do relatório derrotado.

Câmara

No caso da Câmara, a aproximação entre Lula e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi consumada no fim do ano passado, quando o petista nomeou Gustavo Feliciano, aliado do deputado, como ministro do Turismo.

Desde então, Motta tem tentado administrar as divergências da Câmara com o governo em relação a propostas como o fim da escala 6 x 1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, além do veto à redução de penas para os condenados pelos atos golpistas.

As posições dele na Casa já vêm sendo favoráveis ao governo desde o fim do ano passado, quando foram aprovadas propostas importantes para o Planalto, como a isenção do Imposto de Renda.

Além disso, Motta satisfez o governo ao barrar CPIs sobre o Master e matérias anti-STF.

Ele também conseguiu manter acordo feito com o PT para sua eleição ao comando da Casa, com a vitória de Odair Cunha (PT-MG) para uma vaga no TCU (Tribunal de Contas da União). A direita havia tentado impor uma derrota a Motta articulando apoio a outros nomes.

A boa relação do presidente da Câmara com Lula tem componentes eleitorais. O PT da Paraíba vai apoiar a chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), composta pelo pai do deputado, Nabor Wanderley (Republicanos), candidato ao Senado.

O petista, porém, também se aliará a outros dois candidatos ao Senado no estado: o ex-governador João Azevedo (PSB), que está na chapa de Ribeiro, e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

*Com informações da Folha de S. Paulo


Compartilhe esse post

IRÃ VOLTA A FECHAR ESTREITO DE ORMUZ, ATACA PETROLEIROS E ELEVA TENSÃO COM EUA E ISRAEL APESAR DE NEGOCIAÇÕES EM CURSO COM TRUMP

  • por
Compartilhe esse post

O Irã subiu o tom neste sábado (18) em meio a guerra contra os EUA e Israel. A Guarda Revolucionária do país voltou a fechar o Estreito de Ormuz, atirou em dois petroleiros indianos que transitavam pela via marítima e disse que o que o presidente dos EUA, Donald Trump, diz sobre a rota não tem validade.

As ações acontecem dois dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um cessar-fogo de dez dias de Israel no Líbano, um dos pontos centrais das negociações na guerra dos EUA, Irã e Israel, que começou no dia 28 de fevereiro.

Por outro lado, também neste sábado (18), tanto os EUA quanto o Irã sinalizam que conversas sobre negociação continuam em andamento.

Mais cedo, o Irã afirmou estar analisando novas propostas dos EUA e Trump disse que “conversas muito boas estão acontecendo”, ao ser questionado por jornalistas sobre a guerra com o Irã.

Novo fechamento do Estreito de Ormuz

O Irã reverteu neste sábado (18) a decisão de reabrir o Estreito de Ormuz e, mais uma vez, impôs restrições à via navegável. O comunicado iranino afirma que o bloqueio será mantido até que as restrições dos EUA a portos iranianos na via marítima acabem.

O país já tinha anunciado nesta sexta-feira (17) que, caso os EUA mantivessem o bloqueio naval imposto às embarcações que tentam entrar e sair do Irã, a passagem seria fechada.

Também na sexta (17), o presidente dos EUA, Donald Trump afirmou que o bloqueio militar norte-americano, em vigor no Estreito de Ormuz desde segunda-feira (13), iria continuar mesmo após o Irã anunciar a reabertura total da rota marítima.

A rota foi reaberta pelo Irã após Trump anunciar um cessar-fogo de Israel no Líbano na quinta-feira (16). A inclusão do Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um acordo de paz na guerra entre Irã, Israel e EUA.

Em um post na rede Truth Social, Trump afirmou que só retirará suas tropas da rota depois que as negociações com o Irã estiverem “100% concluídas”, mas que o estreito “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”.

A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações por um acordo de paz entre os dois países, que estão sendo mediadas pelo Paquistão.

O estreito é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.

Navios indianos alvejados

Neste sábado, após o Irã anunciar novamente o fechamento do Estreito de Ormuz, lanchas iranianas dispararam contra dois petroleiros que atravessavam a rota.

A informação foi divulgada pelo Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, que disse que o navio-tanque e sua tripulação estão a salvo.

No mesmo dia, o Irã confirmou que disparou contra dois navios-tanque indianos para que eles deixassem a rota marítima. A informação foi publicada no perfil da República Islâmica do Irã na rede X.

Um os navios é um supertanque VLCC de bandeira indiana transportando 2 milhões de barris de petróleo iraquiano.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia também confirmou o ataque a dois navios indianos neste sábado.

O embaixador de Teerã em Nova Déli, Mohammad Fathali, foi convocado para uma reunião com o secretário de Relações Exteriores da Índia, Vikram Misri, durante a qual Misri transmitiu a profunda preocupação da Índia com o incidente.

Misri pediu ao embaixador para transmitir as opiniões da Índia às autoridades iranianas e a retomar o mais breve possível o processo de facilitação da travessia do Estreito por navios com destino à Índia.

Irã doz que falas de Trump sobre Estreito de Ormuz ‘não tem validade’ e ameaça Marinha dos EUA

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (18) que embarcações e seus proprietários devem seguir as notícias divulgadas pela própria Marinha, e que as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Estreito de Ormuz “não têm validade”, segundo a Reuters.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã também afirmou neste sábado (18) que navios que se aproximarem do Estreito de Ormuz serão considerados cooperando com o “inimigo” e serão alvo de ataque, segundo a mídia iraniana.

Especificamente sobre a Marinha dos EUA, o comandante local da Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana afirmou que a organização sofrerá um “duro golpe” se atacar embarcações iranianas.

*Com informações do g1


Compartilhe esse post