MAIS DE 409 MIL ELEITORES TÊM VOTO FACULTATIVO NO RN NAS ELEIÇÕES 2026

O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 com 409.354 eleitores para os quais o voto é facultativo. É um contingente expressivo de potiguares que estão aptos a participar da escolha de presidente, governador, senadores e deputados, mas podem decidir se comparecem ou não às urnas.
O grupo reúne jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos. A regra está prevista na legislação eleitoral e foi reiterada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito deste ano. Para os eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto é obrigatório.
Os números constam da base de dados da Justiça Eleitoral, com carga realizada em 18 de julho de 2026. A tabela separa o eleitorado por idade e identifica, em cada faixa, quantos estão submetidos ao voto obrigatório e quantos integram o voto facultativo.
Entre os mais jovens, são 37.243 eleitores de 16 e 17 anos. O Estado registra 14.621 pessoas com 16 anos e outras 22.622 com 17. Todo esse contingente aparece na base eleitoral na categoria de voto facultativo.
O maior grupo está na outra ponta da pirâmide etária. O Rio Grande do Norte possui 276.102 eleitores com 70 anos ou mais. São 101.884 entre 70 e 74 anos, 79.033 entre 75 e 79 e 48.181 entre 80 e 84 anos. Há ainda 28.867 eleitores dos 85 aos 89 anos, 12.555 dos 90 aos 94 e 4.098 entre 95 e 99 anos.
O cadastro eleitoral registra ainda 1.484 potiguares com 100 anos ou mais. Todos estão classificados como eleitores de voto facultativo.
Entre 18 e 69 anos, a base registra outros 96.009 eleitores na categoria de voto facultativo. Nessa faixa etária, a legislação estabelece a obrigatoriedade para os alfabetizados e mantém o voto facultativo para as pessoas analfabetas.
A quantidade aumenta nas faixas de idade mais elevadas. Dos 45 aos 49 anos, são 11.678 facultativos; entre 50 e 54 anos, 15.469; de 55 a 59, 17.718; dos 60 aos 64, 19.163; e dos 65 aos 69 anos, outros 16.694.
Natal lidera e dez cidades concentram 41% do total
A distribuição municipal mostra que uma parcela significativa desse eleitorado está concentrada nos maiores centros urbanos do Estado. As dez cidades com os maiores números absolutos somam 169.486 eleitores facultativos, aproximadamente 41,4% do contingente estadual.
Natal aparece em primeiro lugar, com 79.047. Mossoró vem em seguida, com 24.794, enquanto Parnamirim ocupa a terceira posição, com 15.030.
Na sequência estão Ceará-Mirim, com 8.708; São Gonçalo do Amarante, 8.251; Assú, 7.745; Macaíba, 7.488; Caicó, 7.378; Currais Novos, 5.587; e São José de Mipibu, com 5.458 eleitores facultativos.
A própria distribuição das faixas mais avançadas de idade ajuda a mostrar essa concentração. Entre os eleitores com 100 anos ou mais, por exemplo, Natal possui 397 e Mossoró, 158.
Os dados municipais consideram todas as faixas etárias classificadas como voto facultativo e, portanto, permitem observar onde está concentrada numericamente essa parcela do eleitorado.
409 mil superam diferença registrada no segundo turno para governador em 2018
A dimensão do eleitorado facultativo ganha mais relevância quando os 409.354 eleitores são comparados com resultados de eleições anteriores no Rio Grande do Norte. O número não significa que esse grupo vote de maneira uniforme ou que todos compareçam às urnas, mas permite dimensionar o tamanho dessa parcela do cadastro eleitoral.
Um exemplo está na eleição para governador de 2018. No segundo turno, Fátima Bezerra (PT) foi eleita com 1.022.910 votos, enquanto Carlos Eduardo (PDT) obteve 753.035. A diferença entre os dois candidatos foi de 269.875 votos.
Assim, o atual contingente de eleitores facultativos é 139.479 pessoas superior à diferença de votos registrada entre os dois candidatos naquela eleição. A comparação é apenas de escala: o eleitorado facultativo de 2026 é diferente daquele de 2018, e sua participação e preferência eleitoral não podem ser antecipadas.
A relevância numérica também aparece quando se observa o primeiro turno de 2018. O TSE registrava, quando 99,85% das urnas estavam apuradas, 746.612 votos para Fátima e 525.591 para Carlos Eduardo, os dois candidatos que avançaram para a etapa seguinte.
Diferentemente do eleitorado sujeito à obrigatoriedade, porém, os facultativos fazem uma escolha anterior à própria definição do candidato: comparecer ou não à seção eleitoral. O TSE esclarece que jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e maiores de 70 anos podem votar, mas não sofrem as consequências aplicáveis ao eleitor obrigado a votar caso decidam não comparecer
No caso dos jovens, a idade considerada é a que o eleitor terá na data da votação. Para participar do primeiro turno de 2026, marcado para 4 de outubro, é necessário completar 16 anos até essa data.
Os números mostram, portanto, um contingente de mais de 409 mil pessoas cuja participação efetiva dependerá do comparecimento às urnas. Em disputas estaduais definidas por margens inferiores a esse universo, a mobilização dos diferentes segmentos do eleitorado facultativo pode ter relevância numérica, sem que seja possível atribuir previamente direção política aos votos desse grupo.
