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setembro 23, 2026


VÍDEOS MOSTRAM PREFEITO DE MOSSORÓ USANDO A MÁQUINA EM PROL DE ALLYSON

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“A gente está andando aqui para pedir voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson.” A declaração é do prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, realizada no último domingo (20), durante uma reunião com moradores da comunidade rural Puxa-Boi, na Zona Rural do município. A passagem pela comunidade buscava apoio para a campanha do candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União) e para a candidata a deputada estadual Cinthia de Allyson. Na ocasião, o atual gestor ouviu reivindicações da população sobre abastecimento de água e atendimento em saúde.

Um vídeo obtido pelo Diário do RN, mostra o pedido explicito de voto do atual prefeito:
“A gente está andando aqui para pedir voto para o nosso governador. Pedindo voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson. A gente precisa reunir o máximo possível (de votos) para apoiar o candidato, para que a gente consiga pedir e cobrar”, afirmou.

A reunião ocorreu por volta das 16h30, na residência de uma moradora da comunidade identificada como Gideilda. Nas imagens, Marcos Medeiros aparece usando camisa azul royal, boné na mesma cor, bottons e adesivos da campanha de Allyson Bezerra. Integrantes da equipe também utilizavam material de campanha dos candidatos.

O pedido de votos aconteceu após o atual prefeito de Mossoró ouvir a pauta de reivindicações dos moradores relacionadas à ampliação da rede de abastecimento de água e ao acesso aos serviços de saúde.

Durante a conversa, moradores relataram dificuldades para acessar atendimento médico, já que a comunidade não possui Unidade Básica de Saúde (UBS). Como alternativa, o prefeito sugeriu concentrar os atendimentos em um único dia da semana, com transporte disponibilizado pela Prefeitura.

“Quando a pessoa for, ela vai dizer, olha, tem tantas pessoas lá no Boa Fé. (…) O carro vai pegar as pessoas, vai lá. É consulta médica, consulta com o dentista, com o enfermeiro. A gente leva o pessoal lá, faz todo mundo fazer a consulta e depois retorna para o pessoal. A gente já fez isso em Passagem de Pedra, já está resolvendo, a gente vai fazer também no Olga Benário. Porque tem uma UBS próxima, a gente vai ‘botar um carro’; é consulta médica, com o dentista, é enfermagem.

Todo mundo faz a consulta e depois retorna. A gente entende que é melhor do que uma vez por semana uma equipe vir e atender numa casa improvisada. Ah, tem dez pessoas, o carro faz duas viagens”, disse Marcos Medeiros.

A proposta, no entanto, gerou questionamentos entre os próprios moradores.

Gideilda, dona da residência onde aconteceu o encontro, demonstrou preocupação com a limitação do atendimento a apenas um dia da semana.

“Eu sei que o que você está dizendo é bom. Mas a gente também tem que ver isso aí. Eu não entendo nada da saúde não. Tem que entender que o pessoal não só adoece na segunda-feira não.

Porque às vezes adoece na terça, na quarta-feira… Tem que esperar para segunda-feira. Qual é o melhor?”, questionou.

Fonte relata que pedido de votos foi associado às reivindicações

Registros da atividade de campanha estão nas redes sociais do prefeito – Foto: Reprodução

Uma pessoa da comunidade, que participou da reunião e gravou o vídeo, ouvida com exclusividade pelo Diário do RN, sob condição de preservar sua identidade, afirmou que a principal reivindicação da comunidade era relacionada à água e que o prefeito vinculou a solução dos problemas ao apoio eleitoral.

“A população estava reivindicando a água. Estava reivindicando o problema da UBS, que não tem.

E eles prometeram que iam resolver. E ele pediu voto também para Allyson e pra Cinthia”, relatou a fonte.

Questionada sobre a reação dos moradores com relação ao pedido de voto, a fonte afirmou que parte da comunidade demonstrou disposição para apoiar os candidatos.

“Eu vi o pessoal dizendo que iam ajudar. Era a oportunidade que eles tinham”, afirmou.

A mesma fonte informou que a reunião contou com a presença do prefeito, da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, além de outros integrantes da equipe da Prefeitura.

Segundo o relato, o grupo já percorria outras comunidades rurais antes de chegar a Puxa-Boi.

Nas redes sociais de Marcos Medeiros, foram publicados registros das visitas realizadas à Zona Rural naquele fim de semana, incluindo imagens da passagem pela comunidade Puxa-Boi, ilustrando claramente que a pauta nas comunidades rurais não seguiu teor administrativo, mas a busca por apoios, por votos para o ex-prefeito e ex-primeira-dama. As publicações também mostram imóveis adesivados com material da campanha de Allyson Bezerra e Cinthia de Allyson.


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ALLYSON, ÁLVARO E CADU ARRECADAM R$ 10,9 MILHÕES E GASTAM R$ 15,3 MILHÕES EM DESPESAS

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A situação financeira e orçamentária do Rio Grande do Norte virou um dos principais temas da campanha para o Governo do Estado. Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) apresentam diagnósticos e propostas diferentes para as contas públicas, mas os três colocam a questão fiscal entre os pontos centrais da disputa eleitoral. Nos números das próprias campanhas, um dado chama atenção: todos registram, neste momento, despesas contratadas superiores às receitas já recebidas.

Levantamento feito pelo Diário do RN a partir dos dados disponibilizados no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que as três campanhas acumulam R$ 15,316 milhões em despesas, diante de R$ 10,903 milhões em receitas. A diferença é de R$ 4,414 milhões.

O retrato é parcial e não significa, isoladamente, que as campanhas estejam endividadas ou em situação irregular. A prestação de contas eleitoral é atualizada durante a campanha, e despesas contratadas podem ser registradas antes do ingresso ou da contabilização de todos os recursos destinados ao pagamento. Ainda assim, o contraste chama atenção justamente porque o equilíbrio das contas públicas ocupa espaço relevante no debate entre os candidatos.

Allyson tem diferença de R$ 2 milhões
A maior diferença nominal entre receitas e despesas está na campanha de Allyson. O candidato declarou R$ 4.653.588,20 em receitas, enquanto as despesas registradas alcançam R$ 6.673.076,87. A distância entre os dois valores é de R$ 2.019.488,67.

Quase todos os recursos recebidos por Allyson têm origem partidária. A Direção Nacional do União Brasil aparece com R$ 4.055.595, equivalentes a 87,15% das receitas, enquanto a direção estadual transferiu outros R$ 549.993,20.

Do lado das despesas, os maiores contratos são de R$ 1,5 milhão com uma empresa de criatividade e produções, R$ 1 milhão com outra produtora e R$ 600 mil com marketing e propaganda. Há ainda R$ 489 mil em comunicação visual e serviços gráficos.

A questão fiscal também aparece no discurso eleitoral de Allyson. O candidato tem criticado dívidas e obrigações financeiras do Estado e defendido uma reorganização das contas estaduais.

Cadu tem diferença de R$ 1,64 milhão
Cadu apresenta a segunda maior diferença proporcional entre o que entrou e as despesas registradas. A campanha petista recebeu R$ 1.230.673,75, mas já contabiliza R$ 2.873.328,27 em despesas. A diferença chega a R$ 1.642.654,52.

A Direção Nacional do PT responde por R$ 711.552,25, ou 57,82% das receitas. O PSB Nacional aparece com outros R$ 210 mil. A prestação também registra R$ 150 mil de outra fonte e R$ 50.263 provenientes de financiamento coletivo.

Nas despesas, os maiores valores são R$ 500 mil com produção audiovisual, R$ 300 mil com serviços advocatícios, R$ 250 mil com mídia e R$ 217 mil com estruturas, serviços e locações.

Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu apresenta uma abordagem diferente dos adversários sobre as contas do Estado. Em sua campanha, defende medidas para ampliar a capacidade de investimento e já propôs limitar o crescimento da despesa com pessoal a 80% da evolução da Receita Corrente Líquida.

Álvaro registra diferença de R$ 751 mil
Álvaro é quem apresenta a menor distância entre receitas e despesas entre os três. A candidatura recebeu R$ 5.018.460 e registra R$ 5.770.039,87 em despesas contratadas. A diferença é de R$ 751.579,87.

A origem dos recursos é ainda mais concentrada no partido. Dos R$ 5,018 milhões recebidos, R$ 5 milhões vieram da Direção Nacional do PL, o equivalente a 99,63% da arrecadação informada ao TSE.

A maior despesa é de R$ 1,8 milhão com comunicação e marketing político. Outros R$ 1 milhão estão destinados a uma produtora e R$ 500 mil a serviços advocatícios.

O debate sobre equilíbrio fiscal também faz parte da trajetória recente de Álvaro. Relatórios técnicos relativos às contas de sua passagem pela Prefeitura do Natal apontaram, em diferentes exercícios, déficits orçamentários entre as inconsistências analisadas pelo TCE-RN.

Retrato ainda é parcial
O paralelo entre o discurso sobre as contas públicas e as finanças eleitorais tem limites. Uma campanha não funciona sob as mesmas regras de um orçamento estadual, e a diferença entre despesas contratadas e receitas recebidas durante o período eleitoral não equivale automaticamente a déficit orçamentário ou financeiro de um ente público.

O que os dados do TSE permitem mostrar é um retrato objetivo deste momento da campanha.


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