
O empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte atravessa um período de crescimento consistente e transformação estrutural. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae/RN), com base em levantamentos do IBGE, apontam que entre 2021 e 2024 o número de novos registros de Microempreendedor Individual feitos por mulheres saltou de 10.298 para 15.793, um aumento de 53%.
Hoje, elas estão à frente de aproximadamente 30% das empresas no estado, o que representa mais de 100 mil negócios sob liderança feminina. Mais de 90% dessas iniciativas são microempresas ou MEIs, um retrato de um perfil empreendedor marcado pela formalização, atuação por conta própria e busca por independência financeira. Só nos primeiros meses de 2025 mais de 4 mil empresas foram formalizadas por mulheres.
A maior presença feminina nos negócios também revela um recorte social importante: cerca de 46% das empreendedoras no RN são chefes de domicílio. Muitas encontram no próprio negócio uma alternativa para conciliar renda, flexibilidade e autonomia. Ainda assim, desafios persistem.
Segundo o Sebrae/RN, 63,7% apontam a dificuldade de acesso a capital como principal barreira ao crescimento, enquanto homens seguem majoritários nas lideranças de empresas de maior porte.



História de Sucesso
É nesse cenário de avanço e desafios que histórias de consolidação ganham destaque, especialmente no setor de alimentação, um dos mais ocupados por mulheres no estado. Em Natal, o Grupo Petisqueria é um desses exemplos de profissionalização, identidade de marca e expansão planejada.
Fundado há mais de cinco anos, o negócio nasceu da união de três mulheres, amigas e também com laços familiares, que identificaram um nicho de mercado voltado à gastronomia para celebrações e eventos. A proposta inicial era oferecer petiscos sofisticados, com apresentação artesanal e serviço que unisse sabor, estética e praticidade.
A operação começou de forma enxuta, estruturada a partir das experiências complementares das sócias Cecilia Madruga, Emanuele Belchior e Sanylle Faraj. O que era uma produção voltada a encontros sociais evoluiu gradualmente para uma empresa estruturada, com atuação consolidada em eventos corporativos e sociais na capital potiguar.
Com equipe composta quase integralmente por mulheres, o grupo aposta na valorização feminina em todas as etapas do processo, da produção à gestão. A combinação entre visão empresarial, controle administrativo e desenvolvimento constante de produto sustenta o crescimento planejado.
CEO responsável pelo comercial e relacionamento institucional do grupo, Cecilia Madruga destaca o protagonismo feminino como elemento central da cultura da empresa. “Acreditamos na força do empreendedorismo feminino e na capacidade de gestão das mulheres. Nossa equipe é majoritariamente feminina, e isso se reflete na atenção aos detalhes, no cuidado com o atendimento e na construção da experiência”, ressalta.
À frente da gestão administrativa, Emanuele Belchior explica que o crescimento foi sustentado por organização e capacitação contínua. “A profissionalização da operação sempre foi uma prioridade. Investimos em capacitação, planejamento financeiro e organização de processos para garantir crescimento estruturado”, diz.
Segundo ela, o empreendedorismo feminino exige preparo permanente. “Trabalhamos com indicadores, metas e planejamento de expansão. O empreendedorismo feminino exige preparo e consistência, e estamos construindo isso diariamente junto com toda a nossa equipe”, completa.
Ao longo da trajetória, o grupo ampliou o portfólio e diversificou serviços. Torres de salame, quiches artesanais, tábuas personalizadas e sobremesas com sabores regionais tornaram-se marca registrada da casa. A identidade visual cuidadosa e o padrão de qualidade ajudaram a fortalecer o reconhecimento da marca no mercado local.
Em 2026, a Petisqueria inicia uma nova etapa estratégica com a inauguração da loja física em formato de empório, instalada no mesmo endereço do espaço para eventos, no bairro Lagoa Nova.
A proposta é concentrar no local toda a experiência construída ao longo dos anos e ampliar as frentes de receita.
Atualmente, o grupo concentra suas atividades em três frentes: buffet para eventos corporativos e sociais, operação da loja física em formato takeaway e produção própria, que inclui almoço executivo e linha de congelados. O planejamento para o ano também prevê a ampliação do espaço destinado às celebrações, fortalecendo a estrutura que já conta com ambiente garden para encontros de menor porte.
Para Cecilia Madruga, o movimento representa um passo natural dentro do planejamento estratégico do grupo. “Atuamos desde o início com a convicção de que a Petisqueria poderia se tornar mais do que um buffet. Sempre enxergamos potencial de marca. A loja física no formato empório representa um passo estratégico dentro do nosso planejamento para 2026. É uma forma de consolidar a identidade do grupo e aproximar ainda mais o cliente da nossa proposta”, afirma.
Na área técnica e de desenvolvimento de produtos, Sanylle Faraj reforça que a expansão acompanha o comportamento do público. “O cardápio da Petisqueria foi construído com base em identidade de anos de experiência profissional e alto padrão de qualidade. Ao longo dos anos, fomos entendendo o comportamento do nosso público e ampliando as possibilidades de consumo”, afirma.
Ela explica que o novo almoço executivo e a linha de congelados surgem como desdobramento dessa escuta. “É o mesmo sabor já reconhecido nos eventos, agora disponível no dia a dia.
Acredito muito na sensibilidade feminina na gastronomia, no cuidado com apresentação, equilíbrio e acabamento. Isso faz parte do nosso diferencial competitivo”, ressalta.
Em meio aos dados que apontam o crescimento do empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte, a trajetória da Petisqueria exemplifica esse movimento. O caso evidencia mulheres à frente de negócios estruturados, com foco em gestão, posicionamento de marca e expansão planejada, transformando uma operação de pequeno porte em empresa consolidada no mercado local.