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CABO DEYVISON NÃO DESCARTA HAVER MOTIVAÇÃO POLÍTICA EM SEU ATENTADO

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Na primeira entrevista concedida à imprensa após sobreviver ao atentado que matou seu assessor Alyson Dyego de Oliveira, o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL) afirmou ao Diário do RN que não pretende mudar sua atuação política. Pelo contrário: promete intensificar o combate às facções criminosas, continuar denunciando irregularidades administrativas e honrar a memória do companheiro morto no ataque.

Ferido a tiros durante uma transmissão ao vivo em frente à UPA do Alto de São Manoel, no último dia 15, Deyvison segue em recuperação. Ao Diário do RN, ele disse acompanhar o andamento das investigações e acredita que a principal linha adotada pela Polícia Civil aponta para uma retaliação das facções à atuação de seu mandato.

“A principal linha de investigação, de acordo com o Doutor Caio [titular da DHPP de Mossoró], foi uma retaliação à nossa atuação como parlamentar em defesa do povo da periferia que está sofrendo com a opressão das facções”, afirmou.

Segundo ele, as denúncias vinham expondo situações graves em bairros da cidade. “Conselheiros tutelares impedidos de entrar em territórios controlados por facções, comerciantes sendo extorquidos, famílias inteiras sendo expulsas de suas casas, mães chorando porque seus filhos foram sequestrados, escolas pichadas com símbolos de facção. Eu vinha denunciando tudo isso”, declarou.

Apesar de considerar a hipótese das facções como a mais consistente neste momento, Deyvison ressaltou que outras linhas de investigação também devem ser consideradas.

“Essa é a principal linha de investigação. Mas isso não quer dizer que outras linhas serão descartadas”, disse.

Entre as possibilidades que, segundo ele, ainda merecem apuração, estão denúncias relacionadas à gestão municipal de Mossoró. Deyvison afirmou que seu mandato vinha fiscalizando contratos públicos e apontando supostas irregularidades na administração local.

O vereador citou o caso da empresa Dismed, investigada pela Polícia Federal na Operação Mederi. “Na gestão do prefeito Allyson Bezerra, a Prefeitura de Mossoró repassou mais de R$ 14 milhões da saúde para a empresa Dismed, alvo da Operação Mederi. Esse foi um dos casos que nosso mandato vinha denunciando”, declarou.

Deyvison também mencionou outras denúncias feitas pelo seu mandato envolvendo gastos da administração municipal. “Eu já vinha denunciando atos de corrupção na gestão Allyson, como os enfeites natalinos deste ano e o gabinete institucional em Natal ao custo de R$ 10.700 por mês, em um contrato anual de R$ 127 mil para uma sala que se encontra fechada”, afirmou.

Mesmo após o atentado e a perda do assessor, Deyvison garante que seguirá atuando da mesma forma.

“Para honrar o nome do meu assessor e amigo Alyson Diego, eu não posso recuar. Eu continuarei trabalhando. Vou usar o nosso mandato até o último dia para representar as pessoas que confiaram no nosso trabalho”, afirmou.

Avanço do crime organizado
Ao Diário do RN, o vereador voltou a alertar para o avanço das organizações criminosas em Mossoró e na região Oeste. Segundo ele, a cidade vive uma escalada da violência que já havia sido alertada por seu mandato.

“Desde o ano passado eu venho dizendo que Mossoró ‘poderia chorar sangue’. E está acontecendo.

Estamos com mais de 70 homicídios somente esse ano”, declarou.

Para o parlamentar, as facções já exercem influência sobre territórios inteiros e representam uma ameaça não apenas à segurança pública, mas também à própria democracia.

“Facções criminosas estão controlando territórios inteiros para financiar campanhas ou impedir que adversários políticos peçam votos e apresentem projetos. Isso compromete o sufrágio universal e a democracia”, afirmou.

Deyvison também fez críticas à estrutura de segurança pública disponível em Mossoró. Sobre o Governo do Estado, cobrou reforço do efetivo policial e novas convocações de aprovados em concursos públicos.

Já em relação ao município, foi mais enfático: “O município é omisso porque não adota políticas públicas para a segurança pública. A Guarda Civil Municipal tem um efetivo reduzidíssimo e há muitos anos não recebe reforço por concurso”, declarou.

Na avaliação do vereador, o resultado é um cenário em que “o Estado recua e as facções avançam”.

“Hoje as periferias sofrem com a opressão das facções, com o terror das facções e com a omissão do poder público”, afirmou.

Agradecimentos à Polícia e profissionais de saúde
Ainda durante a entrevista, o vereador agradeceu às forças policiais do Rio Grande do Norte e do Ceará que atuaram na investigação.

“Quero agradecer aos guerreiros da Polícia Civil, Polícia Militar, e todos que estiveram em campo se dedicando para encontrar os autores desse ato”, afirmou.

Cabo Deyvison também reservou espaço para agradecer às equipes que participaram de seu atendimento após o atentado.

“Quero agradecer aos profissionais da saúde que estiveram comigo, cuidando da minha saúde”, disse, citando servidores da UPA do Alto de São Manoel, do Hospital Regional Tarcísio Maia e do Hospital da Polícia Militar, finalizou.


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