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LARISSA VOLTA AO PODER E DERROTA DE ALLYSON REDESENHA POLÍTICA DE MOSSORÓ

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A eleição de Larissa Rosado (PSB) para vice-governadora do Rio Grande do Norte representa uma reviravolta na política de Mossoró. Depois de quatro derrotas na disputa pela Prefeitura, dificuldades para conquistar novos mandatos e a perda da cadeira de vereadora em 2023, a integrante de uma das famílias mais tradicionais da política potiguar retorna ao poder estadual justamente quando Allyson Bezerra (União Brasil), principal liderança política do município nos últimos anos, deixa a Prefeitura e termina derrotado na corrida pelo Governo do Estado.

O resultado das eleições de 2026 coloca os dois personagens em posições diferentes das que ocupavam até recentemente. Enquanto Allyson, reeleito prefeito em 2024 com ampla votação, apostou na projeção estadual e terminou sem mandato eletivo, Larissa conquistou a vice-governadoria na chapa encabeçada por Cadu de Lula (PT), vencedora do segundo turno com 50,79% dos votos válidos, contra 49,21% do candidato do União Brasil.

A trajetória de Larissa ajuda a dimensionar o significado político dessa mudança. Filha da ex-deputada federal Sandra Rosado, ela construiu sua carreira dentro de um grupo familiar que durante décadas exerceu influência sobre a política de Mossoró. Eleita deputada estadual pela primeira vez em 2002, conquistou novos mandatos em 2006 e 2010, mas enfrentou sucessivas derrotas nas tentativas de chegar ao Executivo municipal.

A primeira ocorreu em 2004, quando perdeu a disputa pela Prefeitura para Fafá Rosado. Em 2008, voltou a enfrentar a mesma adversária e novamente foi derrotada. Quatro anos depois, em 2012, recebeu 63.309 votos, equivalentes a 46,97% dos votos válidos, mas perdeu para Cláudia Regina. Em 2014, sofreu outro revés na eleição suplementar vencida por Francisco José da Silveira Júnior.

As quatro derrotas marcaram uma trajetória de dificuldades nas disputas majoritárias, em paralelo à perda gradual de espaço dos grupos tradicionais na política mossoroense. Larissa também enfrentou obstáculos nas eleições proporcionais. Em 2014, ficou na suplência para a Assembleia Legislativa, retornando à Casa em 2017, após a renúncia de Álvaro Dias. Em 2018, tentou permanecer no Legislativo estadual, mas não conseguiu a reeleição.

Em 2020, voltou a conquistar um mandato, desta vez como vereadora de Mossoró, com 2.516 votos. A retomada, entretanto, durou pouco. Em 2022, disputou novamente uma vaga de deputada estadual e não foi eleita. No ano seguinte, perdeu o mandato na Câmara Municipal em consequência da anulação dos votos da chapa proporcional do PSDB por fraude à cota de gênero.

Sem mandato eletivo desde então, Larissa passou a concentrar sua atuação na articulação partidária. Em 2024, assumiu a presidência estadual do PSB e voltou a ocupar espaço nas negociações políticas. A escolha para compor a chapa de Cadu de Lala em 2026 representou uma oportunidade de retorno ao Executivo, concretizada com a vitória no segundo turno.

Chapa com nome de Larissa cresce 35,93% em Mossoró e reduz vantagem de Allyson
O desempenho eleitoral da chapa de Cadu de Lala e Larissa Rosado em Mossoró reforça o significado político do retorno da família Rosado ao poder. Mesmo enfrentando Allyson Bezerra em seu principal reduto eleitoral, a candidatura vencedora do Governo do Estado registrou crescimento de 35,93% entre o primeiro e o segundo turno, percentual superior aos 15,59% alcançados pelo ex-prefeito.

No primeiro turno, Allyson recebeu 82.286 votos, contra 44.202 de Cadu e Larissa, uma vantagem de 38.084 votos. No segundo turno, a chapa petista avançou para 60.085 votos, conquistando 15.883 eleitores adicionais. Allyson chegou a 95.118 votos, um acréscimo de 12.832. Com isso, a diferença entre os adversários caiu para 35.033 votos, redução de 3.051 votos.

O resultado fortalece Larissa nas articulações políticas de Mossoró. Depois de quatro derrotas nas disputas pela Prefeitura, a vice-governadora eleita retorna ao cenário de poder integrando uma chapa que ampliou sua votação justamente na cidade onde Allyson construiu sua principal base eleitoral.

O contraste marca a nova configuração política mossoroense onde Allyson manteve a maioria dos votos no município, mas perdeu a eleição estadual e ficou sem mandato eletivo. Já Larissa, chega à vice-governadoria e recoloca a família Rosado em posição de destaque nas articulações políticas do Rio Grande do Norte.

Família Rosado retorna ao centro das articulações
A eleição de Larissa também tem um significado histórico para Mossoró. Durante décadas, a política municipal foi marcada pela influência de diferentes integrantes da família Rosado, que ocuparam a Prefeitura, cadeiras legislativas e outros espaços de poder. O crescimento de Allyson representou uma mudança nesse cenário, especialmente após a derrota de Rosalba Ciarlini em 2020.

Agora, seis anos depois, o quadro apresenta uma nova configuração. Allyson deixa o comando municipal e passa a atuar sem mandato eletivo, enquanto Larissa retorna ao poder como vice-governadora, cargo que lhe garante participação direta na administração estadual.

A derrota não elimina a força política de Allyson, que permanece com votação expressiva em Mossoró e aliados na política local. Entretanto, sua atuação fora de um cargo eletivo cria desafios para a manutenção das alianças construídas durante sua passagem pela Prefeitura.

Para Larissa, o resultado abre uma nova etapa após anos de dificuldades eleitorais. A vice-governadoria poderá ampliar a projeção de articulação política e fortalecer a presença do seu grupo nas discussões sobre o futuro da cidade.

Com as eleições municipais de 2028 no horizonte, Mossoró passa a conviver com uma nova correlação de forças. De um lado, um ex-prefeito que venceu duas eleições municipais e manteve a maioria dos votos em sua cidade na disputa estadual. Do outro, uma representante da família Rosado que, após quatro derrotas para prefeita e a perda de um mandato de vereadora, retorna ao poder pelo Governo do Estado.

A eleição de 2026 não encerra essa disputa política. Abre um novo capítulo em uma cidade onde as rivalidades, alianças e mudanças de liderança historicamente ultrapassam os limites das urnas.


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