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SETOR DO CAMARÃO APOSTA EM PROCESSAMENTO E NOVOS MERCADOS PARA AMPLIAR NEGÓCIOS NO PAÍS

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tiva de que a produção brasileira de camarão cultivado alcance 240 mil toneladas em 2026 vêm ganhando destaque diante do momento de expansão vivido pela carcinicultura nacional. Esse cenário será evidenciado durante a 22ª Feira Nacional do Camarão (FENACAM’26), que será realizada de 17 a 20 de novembro, no Centro de Convenções de Natal, reunindo produtores, pesquisadores, empresas, fornecedores, compradores e representantes do poder público para discutir inovação, tecnologia e oportunidades de negócios na aquicultura.

Com mais de 100 empresas expositoras, 200 estandes e 8 mil metros quadrados de área, a feira concentra uma programação técnica composta pelo XXII Simpósio Internacional de Carcinicultura, XIX Simpósio Internacional de Aquicultura e pelas XXII Sessões Técnicas e Científicas de Carcinicultura e Aquicultura. Ao todo, participam 48 palestrantes, sendo 20 internacionais, além da apresentação de aproximadamente 240 trabalhos técnico-científicos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, o crescimento da produção nacional é sustentado principalmente pelo aumento do consumo interno.

“Na verdade, o continuado crescimento da produção brasileira de camarão marinho cultivado vem se amparando no apetite do mercado interno, que, de forma inesperada, vem crescendo de 0,4 quilo per capita em 2016 para 1,1 quilo per capita em 2025, inclusive com preços competitivos em relação aos praticados pelo mercado internacional”, explicou.

Para o dirigente, a demanda do mercado brasileiro tem dado sustentação ao avanço da atividade e garantido competitividade ao produto nacional.

RN aposta na interiorização para retomar liderança

RN continua ocupando posição estratégica na carcinicultura brasileira. Foram 43 mil toneladas em 2025 – Foto: Reprodução

Embora tenha perdido a liderança nacional para o Ceará, o Rio Grande do Norte continua ocupando posição estratégica na carcinicultura brasileira. Em 2025, o Estado produziu 43 mil toneladas de camarão cultivado, enquanto o Ceará alcançou 125 mil toneladas.

Na avaliação de Itamar Rocha, a nova legislação que incentiva a interiorização da atividade poderá recolocar o Estado na liderança nacional.

“Embora o RN tenha perdido sua condição de liderança nacional na produção de camarão cultivado para o Ceará, a carcinicultura potiguar, que ocupa o segundo lugar da produção de camarão cultivado do Brasil, com a Nova Lei da Interiorização da Carcinicultura Potiguar, detém destacadas condições de abundantes recursos hídricos, de águas de uso insignificante, estuários e recursos marinhos, associados a uma razoável rede de infraestrutura básica e energias renováveis, para competir pelo retorno dessa liderança”, afirmou.

Segundo ele, a expansão para o interior do Estado também amplia as oportunidades para pequenos e médios produtores.

“Sem dúvida alguma, notadamente pelo fato de que a interiorização da carcinicultura irá afastar a atividade do litoral e seu entorno, favorecendo centenas de propriedades no interior do Estado, atraídas pelos benefícios da atividade, que não depende de chuvas e não tem ciclos de produção definidos”, comentou.

Tecnologia e conhecimento prometem movimentar a FENACAM

Apesar da expansão, a carcinicultura brasileira ainda tem dificuldades para ampliar o mercado internacional – Foto: Reprodução

Além da feira de negócios, a FENACAM promove uma programação voltada à atualização técnica de produtores, pesquisadores e profissionais do setor. Para Itamar Rocha, a troca de conhecimento é uma das principais contribuições do evento.

“O principal papel e contribuição da FENACAM’26 será, sem dúvida, a atração e disseminação dos avanços tecnológicos nacionais e mundiais, tanto para o camarão quanto para os peixes e moluscos cultivados”, afirmou.

Segundo ele, a presença de especialistas brasileiros e estrangeiros fortalece a difusão de novas tecnologias e práticas para toda a cadeia produtiva.

Entre as estratégias discutidas durante a feira está a ampliação do processamento do camarão brasileiro. O objetivo é reduzir a comercialização do produto fresco e ampliar a oferta de produtos industrializados, aumentando o tempo de conservação e permitindo alcançar novos mercados consumidores.

“A FENACAM’26, no tocante à comercialização de camarão, tem como objetivo prioritário incentivar a redução da relação de 75% de camarão fresco e 25% de camarão processado para uma divisão de 50% e 50%, visando o aumento da vida de prateleira e da interiorização do consumo”, explicou.

Segundo o presidente da ABCC, cerca de 5.250 municípios brasileiros, com população inferior a 100 mil habitantes, ainda não são atendidos regularmente por produtos frescos, o que representa um mercado com grande potencial de crescimento.

Apesar da expansão da produção, a carcinicultura brasileira ainda encontra dificuldades para ampliar sua participação no mercado internacional.

“Sem dúvida alguma, o principal obstáculo é a falta de apoio financeiro para o custeio operacional e de indústrias habilitadas para processar e exportar o camarão cultivado do Brasil”, esclareceu.

Mesmo assim, Itamar Rocha destaca que o produto brasileiro possui reconhecimento internacional pela qualidade.

“O quesito qualidade do camarão cultivado, que envolve desde as boas práticas de manejo, o respeito ao meio ambiente e ao bem-estar dos trabalhadores e dos camarões despescados, sempre foi uma preocupação e prioridade da ABCC”, afirmou.

Segundo ele, o diferencial competitivo do Brasil está na produção de camarões de pequeno e médio porte.

“O diferencial do camarão cultivado do Brasil será, sem dúvida, o camarão pequeno e médio, exatamente para atender a base consumidora mundial de camarão. É nesse segmento que o camarão cultivado do Brasil é altamente competitivo”, concluiu.


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