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agosto 25, 2026


ENTRE O SONHO DO TRABALHO E DO SUSTENTO, A VIDA NA OCUPAÇÃO LUIZ BELTRAME

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A ocupação Luiz Beltrame, localizada no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal, guarda histórias de sobrevivência marcadas pela extrema vulnerabilidade social. Quatro anos após a primeira visita do Diário do RN, em 2022, quando Simone, Josiana, Jarlene e Tereza enfrentavam diariamente a incerteza de ter o que comer, a realidade local passou por transformações silenciosas. Embora a fome extrema tenha recuado no cotidiano das 70 famílias da comunidade graças à atuação assistencial das igrejas Assembleia de Deus e Batista e aos recursos do programa Bolsa Família, garantir as três refeições diárias, principalmente ao final de cada mês, ainda é um equilíbrio delicado sobre o chão de terra batida.

No interior dos barracos erguidos com tapumes de madeira, compensado e coberturas improvisadas de lona, a batalha agora se concentra em conquistar autonomia financeira e segurança alimentar.

Josiana: “A gente só passa bem quando tem”
Josiana Cláudia do Nascimento Silva, de 32 anos, que vive com o filho adotivo Enzo, de 4 anos, vê no horizonte a chance de mudar de vida. Ela acaba de concluir um curso gratuito de Corte e Costura oferecido pelo SENAI e já tem como garantia uma vaga na indústria têxtil do Rio Grande do Norte.

“Lá (no curso) elas entregavam a peça e a gente montava tudo. Agora vai mudar, vai melhorar bastante”, projeta Josiana, com o certificado em mãos.

Apesar da expectativa de emprego, as dificuldades materiais persistem no armário de Josiana, onde panelas vazias dividem espaço com pequenas porções de alimentos básicos. O preço elevado das proteínas continua sendo o maior obstáculo para a nutrição de sua família.

“A mistura (proteína) é difícil, mas o grosso (feijão, arroz, flocão de milho, sal, óleo de cozinha) graças a Deus hoje tem”, afirma ela.

A renda restrita do auxílio governamental exige um esforço mútuo e constante de solidariedade e empréstimos comunitários para que as famílias não fiquem desamparadas no fim do mês.

Josiana descreve esse malabarismo diário:
“A gente sobrevive assim, porque o dinheiro sai hoje e no final do mês já estamos aí sem nada. A gente só passa bem quando tem. Cada uma tem sempre uma dívida. Acaba aqui a gente pede: ei, me empresta R$ 100, quando receber, te passo. E assim a gente vai sempre buscando ajuda. Deus foi fazendo o sobrenatural. Para pior a gente não pode ir, tem que ir para o melhor”.

Simone: “Eu continuo na reciclagem e sempre ali na balança, no limite”
A alguns passos do barraco de Josiana, Simone dos Santos, de 53 anos, compartilha do mesmo sentimento de luta contínua, mas celebra as pequenas conquistas com um sorriso largo. O acesso ao Programa do Leite trouxe um alívio tangível para o sustento de suas quatro filhas, uma sobrinha e um neto.

“Eu engordei mais”, diverte-se Simone ao falar sobre as mudanças recentes. “E a sorte da gente também é porque agora tem esse programa do leite, que a gente recebe. A gente não recebia antes. Com o leite, aí come um cuscuzinho regado, é bom demais”, comenta com um sorriso que sai dos lábios e transborda no olhar.

Cuidando do sustento da casa por meio da coleta de materiais recicláveis, Simone reconhece que a estabilidade ainda é parcial e depende de doações de cestas básicas. No entanto, a dignidade na mesa é defendida dia após dia.

“Já foi mais difícil. Eu continuo na reciclagem e sempre ali na balança, no limite. Graças a Deus tem também pessoas de bom coração que ajuda com uma cesta básica, às vezes, principalmente as igrejas evangélicas”, relata.

Com otimismo, ela completa: “Às vezes não tem para o café da manhã, mas a gente tem no almoço. No jantar eu vou comer cuscuz com leite!”, referindo-se ao “cuscuz do jantar que às vezes sobra e a gente come no café da manhã”.

No armário improvisado, Simone aponta para os alimentos armazenados que irão garantir as refeições da família ao longo dos próximos dias: dois quilos de feijão preto, mais dois de feijão carioca, um saco com aproximadamente um quilo de feijão da terra, três quilos de arroz, quatro de açúcar e oito pacotes de flocão de milho.

Enquanto isso na geladeira, restavam apenas uma panela com água, dois sacos de leite e um pouco de sardinha congelada.

Horta comunitária
Há dois anos, a alimentação de Luiz Beltrame ganhou o reforço de uma horta comunitária gerenciada pelos próprios moradores, que produz hortaliças, tubérculos, frutas e ervas medicinais. Simone, uma das responsáveis pelo plantio, orgulha-se da qualidade do que colhem na terra da ocupação: “Tudo natural, sem agrotóxico! ”.

Apesar do avanço na segurança alimentar, a barreira da escolaridade e a idade limitam o acesso dessas mulheres ao mercado de trabalho formal, perpetuando a dependência do trabalho autônomo na reciclagem.

“Não é que a gente não queira trabalhar. A realidade é o trabalho para a mãe de família que não tem estudo é muito difícil e também pela idade. Eu, por exemplo, já estou com 53 anos, e não estou trabalhando não é porque não quero, mas porque muito trabalho pede estudo e eu não chego nem na porta”, reflete Simone.

A baixa escolaridade, porém, não é um fardo que pretendem levar para seus filhos. Todas as crianças estão matriculadas e frequentam regularmente a rede pública de ensino.

Abandonadas pelos companheiros, essas mulheres sustentam suas casas sozinhas e projetam no futuro o sonho coletivo de uma moradia que lhes garanta segurança física e social. Cadastradas em programas habitacionais do município de Natal desde 2016, elas aguardam a conclusão dessa promessa.

“O sonho de toda mãe de família é ter uma moradia digna. Daqui a quatro anos, a gente imagina isso e evoluir cada vez mais”, resume Simone. Josiana completa com o mesmo anseio por estabilidade: “Que chegue coisas boas para nós, a gente ainda precisa no dia a dia, porque não é todo dia que a gente tem. É pela nossa família que a gente sobrevive”.

“Sem a fé a gente não chega a lugar nenhum. É Deus primeiramente”, conclui Simone, sintetizando o sentimento de resiliência.


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LEGADO QUE PERMANECE: JORNALISTAS PRESTAM HOMENAGEM A RODRIGUES NETO

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jornalismo do Rio Grande do Norte perdeu um grande talento no domingo (23): jornalista Francisco Rodrigues de Carvalho Neto, conhecido como Rodrigues Neto. Diretor da TV Câmara Natal, ele morreu em Natal no dia em que completava 59 anos, deixando uma trajetória marcada pela televisão, pela gestão cultural e por relações de amizade que atravessaram décadas de profissão.

A morte foi confirmada pelo presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome, que publicou uma nota de pesar nas redes sociais.

“Grande jornalista, diretor da TV Câmara, que nos deixa uma história marcada pelo talento e pelo jeito extrovertido, divertido e leve de ser”, escreveu.

Rodrigues Neto comandava a TV Câmara Natal havia anos e, em 2023, foi citado pela própria Casa Legislativa durante a solenidade em comemoração aos 20 anos da emissora. Ao longo da carreira, também atuou na TV Ponta Negra e presidiu a Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte).

Sindjorn destaca legado para a comunicação potiguar
Em nota de pesar, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) ressaltou a importância da trajetória de Rodrigues Neto para a comunicação do Estado.

“Profissional de reconhecida trajetória na comunicação potiguar, Rodrigues Neto construiu parte importante de sua carreira na TV Ponta Negra e também deixou sua contribuição à cultura e à gestão pública, tendo presidido a Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Atualmente, estava à frente da TV Câmara de Natal”, destacou o sindicato.

A entidade também ressaltou a personalidade do jornalista.

“Mais do que sua trajetória profissional, Rodrigues deixa a lembrança de quem conviveu com sua irreverência, espontaneidade e, sobretudo, com a forma generosa com que cultivava amizades”, afirmou.

“Ele era meu ‘para-choque’”
Bosco Afonso, ex-diretor de jornalismo da TV Ponta Negra, onde os dois trabalharam juntos por muitos anos, emocionado, relembrou o início da trajetória de Neto na televisão e destacou a parceria construída ao longo da carreira.

Bosco recordou que ambos aprenderam e cresceram profissionalmente na emissora, ressaltando a rapidez com que Rodrigues Neto assimilou a rotina do telejornalismo. “Neto foi um desses, que chegou também sem conhecer o que era televisão, o que era jornalismo na televisão. E ele teve uma audácia, foi audacioso. Aprendeu rapidinho e a convivência com ele foi de uma forma muito irmanada. A minha relação com ele foi até uma relação de pai para filho”, lembrou.

Ao explicar por que costumava dizer que Rodrigues Neto era o seu “para-choque”, Bosco não conteve a emoção. “Isso me emociona muito. Quando eu falo que ele foi meu para-choque, é porque, na maioria das vezes, todos os problemas, os problemas que não são públicos diariamente em uma redação de televisão, de um jornal, passavam primeiro por ele. E ele, por algum tempo, foi meu para-choque. Era quem segurava muitas coisas para que não chegassem até a minha pessoa”, disse.

“Ele era amigo de verdade”

Fernanda: “Amigo de verdade, amigo dos amigos. Em defesa dos amigos” – Foto: Reprodução

A jornalista Fernanda Souza falou ao Diário sobre a convivência diária durante os anos em que trabalhou na Câmara Municipal de Natal.

“Falar de Neto é lembrar daquele jeito que só ele tinha que misturava toda a elegância, era um homem muito cheiroso… era aquele abraço afetuoso sempre. Ríamos muito”, contou.
Fernanda destacou a lealdade do amigo.

“Ele é uma pessoa muito leal, ele é amigo de verdade, amigo dos amigos. Em defesa dos amigos, ele ia até o fim”, afirmou.

“Ríamos muito, somos conhecidos pelas nossas risadas e gargalhadas, mas mesmo com esse jeito dele, divertido, sempre alto-astral, um profissional de mão cheia, que marcou em sua época muito ligada às artes, foi presidente da Funcarte, e exerceu o seu trabalho com muita dignidade”, destacou ainda.

“Foi paixão mesmo. E foi recíproco”
Nas redes sociais, o jornalista Daniel Cabral, recordou o início da própria carreira ao lado de Rodrigues Neto.

“Conheci Nero em 1998. Eu estagiário e ele editor do programa de Toinho Silveira. Ele me ensinou muito. Teve papel fundamental na minha carreira”, lembrou.

Daniel contou que Rodrigues Neto foi quem insistiu para que ele tivesse oportunidade diante das câmeras.

“Dizia o grande Inaldo Farias que Neto havia se apaixonado por mim, pois nunca tinha visto uma vontade tão grande de que eu, ainda estagiário, fosse para o vídeo como repórter. E foi paixão mesmo. E foi recíproco”, recordou.

Ao falar sobre o jeito exigente do editor, destacou o cuidado que ele tinha com cada detalhe da reportagem.

“Neto era bom humor em pessoa, e assim ele também ensinava e exigia. Com ele, eu aprendi que o telespectador deveria assistir ao que havia de melhor, do texto à plástica: o cabelo, o blazer, a cor da camisa, o tom da voz, a luz. Tudo era composição da reportagem”, escreveu.

Ao encerrar a homenagem, resumiu a importância do amigo em sua vida.

“Meu amigo, obrigado por tudo que você foi para mim. Você sempre estará presente na minha vida”, escreveu.

“Foi meu primeiro chefe”

Lidia: “Com ele não tinha meio termo, era passional, empolgado” – Foto: Rerodução

A jornalista Lídia Pace registrou o período em que trabalhou sob a direção de Rodrigues Neto.

“Neto foi meu primeiro chefe quando comecei no jornalismo profissional. Uma figura! Com ele não tinha meio termo, era passional, empolgado, divertido, engraçado… mestre em dar ‘bailes’ que também nos ajudaram a moldar quem somos hoje”, comentou.

Ela também agradeceu pelos ensinamentos.

“Obrigada por tudo, Netinho, sua alegria em viver fará falta aqui, mas vai alegrar o céu, com toda certeza. Fique em paz”, escreveu.

“Foi ele quem abriu as portas para mim”
A jornalista Angélica Hipólito também prestou homenagem ao ex-chefe, a quem atribuiu o início da carreira na televisão.

“Falar de Neto é falar de um profissional disposto a ensinar. Ele me abraçou no início da minha carreira. Foi exigente, carinhoso e bondoso ao mesmo tempo. Perfumado, deixava o cheiro onde tocava, caneta, mesa, cadeira… e com certeza deixa o rastro do legado como deixou seu cheiro por onde passou!”, disse.

Ela lembrou do cotidiano na redação ao homenagear Neto nas redes sociais.

“Eu nunca vou esquecer a cena dele chegando à redação. Dava bom dia, passava por cada pessoa, deixando o cheiro de perfume na gente. Beijava a cabeça de cada um, colocava apelido, brincava… E depois vinha a cobrança. Era assim o nosso Neto. Do jeito dele. Único”, recordou.

“Você vai fazer muita falta”

Kleber: “Foi ele quem me deu a primeira oportunidade no jornalismo” – Foto: Reprodução

O jornalista Kleber Teixeira também lembrou que Rodrigues Neto foi responsável por sua primeira oportunidade na televisão.

“Foi ele quem me deu a primeira oportunidade no jornalismo na TV Ponta Negra e quem me acolheu novamente na TV Câmara Natal, quando precisei logo após a pandemia”, afirmou.

Ao se despedir, resumiu o sentimento compartilhado por muitos colegas de profissão.

“Que Deus te receba, meu amigo. Você vai fazer muita falta”, escreveu.

Ao longo das homenagens, um sentimento se repetiu entre colegas, amigos e ex-companheiros de redação: a lembrança de um profissional exigente, apaixonado pelo jornalismo, generoso na formação de novos talentos e reconhecido pela lealdade às pessoas com quem conviveu.


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FÁTIMA É CAMPEÃ EM INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO NO NORDESTE E 3ª NO BRASIL

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Na primeira edição do Diário do RN, que chegou às ruas em 23 de agosto de 2022, a educação potiguar ocupava espaço nas páginas do jornal por um dado que chamava a atenção: mesmo arrecadando mais que a Paraíba, a gestão da professora Fátima Bezerra havia investido menos no setor durante o primeiro semestre daquele ano. Quatro anos depois, o mesmo comparativo apresenta um cenário diferente.

Naquele primeiro semestre de 2022, a Paraíba havia aplicado R$ 916,3 milhões em educação, enquanto o RN destinara cerca de R$ 754 milhões, diferença superior a R$ 160 milhões. O investimento potiguar era aproximadamente 17% menor, apesar de a arrecadação estadual superar a paraibana em cerca de 16%.

Em 2026, a relação se inverte na aplicação proporcional dos recursos. No primeiro semestre, o RN destinou 27,76% da receita líquida resultante de impostos à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), contra 26,05% da Paraíba. Os dois estados permaneceram acima do mínimo constitucional de 25%, mas, desta vez, o percentual potiguar ficou 1,71 ponto percentual à frente.

Os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), colocam ainda o Rio Grande do Norte como o estado com maior percentual de aplicação em educação do Nordeste e o terceiro do país no primeiro semestre de 2026, atrás apenas do Paraná, com 30,12%, e de Santa Catarina, com 29,09%.

Em entrevista ao Diário do RN, a governadora Fátima Bezerra (PT) avaliou o cenário quatro anos depois e destacou as mudanças registradas na educação estadual. “Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte está vivendo uma transformação profunda na educação pública, e os resultados mostram que estamos no caminho certo”, afirmou. “Estamos investindo em infraestrutura, tecnologia, aprendizagem e, principalmente, na ampliação das oportunidades para os nossos estudantes”, acrescentou.

Em valores, o mínimo exigido do RN no primeiro semestre era de R$ 2,371 bilhões e a aplicação chegou a R$ 2,634 bilhões, cerca de R$ 262,3 milhões acima da obrigação constitucional. Na Paraíba, foram aplicados R$ 2,803 bilhões diante de um mínimo de R$ 2,690 bilhões, aproximadamente R$ 112,6 milhões acima do piso. Os números de 2026 referem-se apenas aos primeiros seis meses e ainda podem sofrer alterações até o fechamento do exercício.

Rede ampliada
As mudanças também aparecem na estrutura e na oferta de ensino. Cerca de 230 escolas foram reformadas, ampliadas ou estão em obras, com investimentos em climatização, conectividade, laboratórios e inovação.

Um dos principais avanços está no ensino em tempo integral, que passou de 70 para 248 escolas. “É uma mudança que significa mais tempo na escola, mais aprendizagem, mais atividades, mais oportunidades e mais proteção para os nossos jovens”, destacou Fátima.

A Educação Profissional também ganhou espaço. Segundo os dados apresentados pelo Governo, a modalidade cresceu 254%, chegando a 25 mil matrículas em 144 escolas. A expansão inclui os Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERNs), com dez das 12 unidades previstas já entregues.

“Estamos preparando nossa juventude não apenas para concluir a educação básica, mas para ter formação, qualificação e melhores condições de ingressar no mundo do trabalho”, afirmou a governadora.

Resultado histórico
Os avanços também aparecem nos indicadores de aprendizagem. Segundo os dados apresentados pela governadora, o Rio Grande do Norte chegou a 4,0 no Ideb de 2025, ante 3,2 em 2023, crescimento de 25% e o melhor resultado da série histórica da educação estadual em 20 anos. Fátima também destaca avanços na alfabetização, na fluência leitora e na recomposição das aprendizagens.

“Quando olhamos para esses números, estamos falando de muito mais do que estatísticas.

Estamos falando de escolas melhores, professores valorizados, estudantes com mais oportunidades e uma educação pública que voltou a avançar”, afirmou.

Quatro anos depois da primeira edição do Diário do RN, os dados mostram o RN à frente da Paraíba e com a maior aplicação proporcional em educação do Nordeste no primeiro semestre de 2026. Para Fátima, são resultados de “investimento, planejamento, compromisso e uma política de Estado que coloca a educação como prioridade”.


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DATAVERO E DIÁRIO DO RN CONSOLIDAM FORTE PARCERIA AO LONGO DE TRÊS ELEIÇÕES

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Quando o Diário do RN ganhou as ruas, em 23 de agosto de 2022, o Rio Grande do Norte estava em plena campanha eleitoral. Naquele mesmo período, o Instituto DataVero, criado em 2021, vivia sua primeira eleição geral e começava a ampliar sua presença no mercado de pesquisas. Foi nesse cenário que as trajetórias das duas empresas se encontraram, dando início a uma parceria que atravessou as eleições de 2022 e 2024 e chega a um novo ciclo em 2026.

Fundado pelos jornalistas Túlio Lemos e Bosco Afonso, o DataVero nasceu com a proposta de realizar pesquisas com suporte técnico, científico e tecnológico. Entre as ferramentas adotadas está a geolocalização das entrevistas, que permite registrar horário e coordenadas da coleta, além de armazenar as informações produzidas em campo.

Para Túlio Lemos, fundador do instituto, 2022 marcou a consolidação do DataVero no mercado.

Naquele ano, as pesquisas para as eleições gerais foram realizadas tanto em nível estadual quanto em municípios potiguares, ampliando a atuação da empresa. “Foi quando a gente começou a se destacar no mercado. Mesmo com pouco tempo de vida, o DataVero logo se credenciou como um instituto sério”, relembra.

A parceria com o Diário, iniciada naquele mesmo período, ampliou a projeção do trabalho. “Com o Diário do RN, justamente na campanha de 22, foi que a gente deu uma visibilidade maior ao trabalho. Era uma eleição geral, com Governo, Senado e Presidência, então foi muito importante para nós”, afirma. Segundo Túlio, o resultado foi positivo para os dois lados. “Deu muita visibilidade ao Diário e deu muita visibilidade ao Instituto DataVero.”

2024 amplia atuação
Dois anos depois, as eleições municipais marcaram uma nova etapa. O DataVero realizou mais de 100 pesquisas em diferentes municípios, entre levantamentos destinados à divulgação e trabalhos de consumo interno de candidatos, mantidos sob sigilo.

Em Natal, o instituto acompanhou as mudanças no cenário ao longo da campanha. No primeiro turno, as pesquisas registraram a tendência de crescimento de Natália Bonavides e a perda de força de Carlos Eduardo. Já no segundo turno, o último levantamento apontou Paulinho Freire com 56,56% dos votos válidos e Natália com 43,44%. Nas urnas, o resultado foi de 55,34% contra 44,66%, cravando o resultado dentro da margem de erro da pesquisa.

“Fechamos 2024 com chave de ouro, no segundo turno, na eleição de Natal. Foi um resultado muito próximo daquilo que a gente tinha apontado”, destaca Túlio. Para ele, o desempenho consolidou o trabalho desenvolvido desde a criação do instituto. “Foi o coroamento de um trabalho sério, de um trabalho com muita dedicação”, afirma.

Novo ciclo em 2026
Em 2026, Diário do RN e DataVero voltam a acompanhar juntos uma eleição estadual. O instituto já realizou pesquisas públicas e de consumo interno, com resultado restrito ao contratante; e passou a programar novas rodadas em períodos próximos a acontecimentos que podem interferir na percepção do eleitor, como convenções, debates e agendas políticas.

“A pesquisa nada mais é do que uma fotografia da realidade”, resume Túlio. Para ele, cada levantamento registra o cenário daquele momento. “A pesquisa fotografa aquele instante. Depois, pode acontecer um debate, uma convenção, uma declaração ou qualquer outro fato que mude a percepção do eleitor”, explica.

Por isso, segundo Túlio, o acompanhamento precisa ser contínuo ao longo da disputa. “Um fato que acontece hoje pode mudar a realidade amanhã. Então, você tem que fazer uma nova pesquisa para captar esse novo sentimento do eleitor”, complementa.

Quatro anos depois, a parceria chega às eleições de 2026 consolidada na cobertura política do Diário. Para Túlio, os levantamentos e a proximidade dos números com as urnas fortaleceram a confiança no trabalho. “A credibilidade é o nosso maior patrimônio. É isso que dá confiabilidade à pesquisa e faz com que as pessoas acreditem no trabalho que está sendo apresentado”, conclui.


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DEPOIS DE ANOS DE ABANDONO, O NOVO CENÁRIO DA AVENIDA JERÔNIMO CÂMARA

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Interdições, entulho, dificuldades de circulação e reclamações de comerciantes, motoristas, pedestres e usuários do transporte público. Quatro anos atrás, esse foi o cenário encontrado pela reportagem do Diário do RN na Avenida Jerônimo Câmara, na Zona Oeste de Natal. A reportagem foi publicada na edição número 3, de 25 de agosto de 2022, quando a obra ainda provocava impactos significativos na rotina de quem precisava passar diariamente pelo local.

Seis meses depois, em fevereiro de 2023, encontramos um cenário anda pior. Onde antes existiam redes de isolamento, nada mais isolava o local, aumentando os riscos para veículos e pedestres. Em meio ao caos descrito na reportagem de 16 de fevereiro de 2023, um corredor de areia, poeira, lixo e muito entulho.

Já eram 10 anos desde o início da obra, em 2013, como parte da preparação de Natal como cidade sede da Copa do Mundo de 2014.

UM NOVO CENÁRIO
Depois de anos de espera, no último dia 02 de julho, a Prefeitura de Natal iniciou as obras de recuperação da Avenida Jerônimo Câmara. A ordem de serviço foi assinada pelo prefeito Paulinho Freire, com investimento de R$ 4,3 milhões em recursos próprios. A intervenção prevê o recapeamento asfáltico de toda a extensão da via, além da implantação de nova sinalização horizontal e vertical.

A reportagem do Diário do RN voltou a visitar a avenida na última sexta-feira, 21 de agosto e encontrou um novo cenário, bem diferente do registrado anos atrás. O serviço de reestruturação da via avançou a olhos vistos e a primeira etapa da intervenção, no trecho entre as avenidas Jaguarari e dos Potiguares, foi concluída.

Hoje, com o avanço da obra, a percepção é de melhora na circulação e as mudanças já são percebidas por quem utiliza a via diariamente. Para o estudante Thiago Oliveira, de 22 anos, um dos principais problemas enfrentados durante a interdição estava relacionado ao transporte público.

“Quando estava interditado, você precisava pedir para ele parar e correr atravessando a rua. Aí, virava mais congestionamento. Então, você teria que pegar outra parada do outro lado da rua, para aí sim ele fazer outro desvio e parar”, relatou.

A estudante Manoela da Silva, de 23 anos, que utiliza ônibus diariamente na região, também lembra das dificuldades enfrentadas durante o período de intervenção.

“Ficou muito ruim porque a gente tinha que atravessar para pegar o ônibus, aí ficou aquele tanto de material e piorou muito. Agora está bom, graças a Deus”, afirmou.

Segundo ela, a situação anterior também envolvia conflitos entre veículos e pedestres, especialmente nas proximidades da Ceasa.

Para o comerciante da Ceasa Josenildo Alves Soares, de 38 anos, a recuperação já trouxe melhorias para a mobilidade.

“Na questão de locomoção ficou bem melhor”, afirmou.

Ele explica que, durante a interdição, veículos maiores enfrentavam dificuldades para sair da região e havia problemas relacionados à circulação e aos acidentes. Com a recuperação da via, parte dessas dificuldades foi reduzida.

“Os carros maiores para sair daqui dava problema, tinha também muitos acidentes, e a questão de dar uma parada ali do outro lado, o pessoal era assaltado, porque não tinha essa fluidez”, relatou.

Comerciante da Ceasa, Josenildo afirma que a recuperação já trouxe melhorias para a mobilidade – Foto: Reprodução

Prefeitura prevê conclusão em outubro
De acordo com a Seinfra, a obra de reestruturação da Avenida Jerônimo Câmara já ultrapassou 60% de conclusão. O primeiro trecho foi recapeado e passa pelos últimos serviços de acabamento, enquanto a segunda etapa segue em execução.

A previsão da secretaria é concluir toda a intervenção em outubro.

Para a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, a retomada representa um avanço para a mobilidade da capital.

“Essa é uma obra importante para a mobilidade de Natal e que representa um avanço para a população que utiliza diariamente a Avenida Jerônimo Câmara. A gestão do prefeito Paulinho Freire assumiu o compromisso de retomar os serviços e está trabalhando para concluir a intervenção, garantindo mais segurança, conforto e melhores condições de circulação para motoristas e pedestres”, afirmou.

O prefeito Paulinho Freire também destaca a importância da intervenção e afirma que a retomada da obra foi um compromisso assumido durante a campanha.

“A Avenida Jerônimo Câmara é um dos principais corredores viários da Zona Oeste. A retomada dessa obra foi um compromisso que assumi quando ainda era candidato e está sendo cumprido em nossa gestão”, afirmou.

Segundo o prefeito, a recuperação deve melhorar as condições para o transporte público e para os veículos particulares que utilizam a avenida diariamente.

“Já concluímos o primeiro trecho e a segunda etapa segue avançando. Estamos acompanhando o andamento da obra para entregar uma avenida totalmente recuperada, mais segura e confortável para toda a população”, declarou.

Macrodrenagem também avança
Além da reestruturação viária, a Seinfra informou que as obras do túnel de macrodrenagem seguem em andamento, sem paralisações, desde janeiro de 2024.

A intervenção envolve a implantação de tubulações que, em alguns pontos, chegam a 30 metros de profundidade. Atualmente, as equipes trabalham nos últimos sete metros de tubulação na Rua Presidente Castelo Branco, etapa que permitirá o funcionamento da primeira fase do túnel.

A previsão é concluir essa fase até o final do ano. Já a segunda etapa, orçada em aproximadamente R$ 90 milhões, possui recursos garantidos e está em fase de procedimentos técnicos.

Obra faz parte do PAC da Copa
A intervenção na Avenida Jerônimo Câmara está relacionada a um projeto de infraestrutura iniciado no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa 2014.

O projeto tem como objetivo interligar o sistema de drenagem das águas pluviais entre as zonas Sul e Oeste de Natal, contribuindo para eliminar problemas históricos de alagamentos em bairros como Lagoa Nova, Nova Descoberta, Dix-Sept Rosado, Candelária, Bom Pastor, Cidade da Esperança e Nazaré.

Além da estrutura de drenagem, a recuperação da avenida representa uma intervenção importante na mobilidade urbana da capital. A Jerônimo Câmara integra o sistema viário de acesso a áreas como o entorno da Arena das Dunas e do Viaduto do Quarto Centenário.


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