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agosto 26, 2026


AOS 91 ANOS, IRACEMA MORAIS CELEBRA O SONHO DA CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO

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O que te impede de realizar os seus sonhos? Para Iracema Morais, 91 anos, nada é capaz de frustrar o desejo de alcançar os seus planos. No próximo dia 28 de agosto, ela participa da formatura de conclusão do ensino médio.

Iracema conta que sempre quis estudar. Filha única, o pai sentia medo de mandá-la para a escola.

“Eu tinha vontade de estudar. Muita vontade mesmo. Pelejei muito. Com 10 anos, eu entrei na escola, lá em Areia Branca, mas eu era filha única e meu pai tinha medo que acontecesse alguma coisa. Não me deixava ir para a casa de ninguém, nem para escola. Só consegui estudar até a quarta série”, conta.

Quando perguntava ao pai sobre a volta às aulas, a resposta sempre era a mesma: “você já sabe ler e escrever, já sabe demais”.

“Quando eu via fotografia de formatura, coisas de escola, eu tinha muita vontade (de estudar)”, comenta.

O tempo passou, veio o casamento e, dessa união, nasceram 16 filhos. “Aí cadê conseguir estudar com 16 meninos, não é?”, brincou.

A jornada com as crianças em casa não permitia que Iracema tivesse tempo para realizar o próprio sonho, mas não a impedia de lutar para vê-lo realizado nos filhos. Pelo contrário: virou incentivo. “Eu incentivava, mandava estudar, queria que estudassem. E, graças a Deus, todos estudaram”, diz, com um sorriso nos lábios.

Mãe de 16 filhos, avó de 37 netos, bisavó de 27 bisnetos e tataravó de um tataraneto, ela conta que já não acreditava mais que conseguiria voltar um dia para a sala de aula.

“Eu dizia: agora não tem mais jeito não. Com oitenta e tantos anos não têm mais jeito de eu estudar não”, diz.

Após 76 anos desde a última vez que pisou em uma escola, foi em São Paulo do Potengi, a cerca de 64 quilômetros de Natal, na Escola Municipal Cívico-Militar Deputado Djalma Marinho, que ela encontrou a oportunidade de tirar os planos do papel.

Animada, foi para a escola preparada, com material na bolsa e fardada.

“Era assim que eu queria: fardada, com a bolsinha do lado. Eu fui tão feliz que parecia que ia para o céu. Aquela farda, para mim… eu estava no céu!”, conta, sempre com muito sorriso e bom humor.

Terminar o ensino fundamental para ela era pouco. Iracema quis ir adiante.

“Terminei o primário, recebi meu diploma, aí me perguntaram: e agora? Eu disse: vou continuar.

E esse ano, pela graça de Deus, eu estou recebendo o diploma do ensino médio. Tinha aluno lá (na escola), com sessenta e tantos anos já caducando”, descreve Iracema.

Bem-humorada, com uma memória invejável e, como ela mesma costuma dizer, “alegre, bonita, cheirosa e rica”, a jovem de 91 anos, sim, porque ninguém ousa chamá-la de idosa, conta que sempre enfrentou as dificuldades que surgiram ao longo da vida de forma leve e que o segredo é “pensar mais na gente do que nos outros”.

Sobre a volta aos estudos, ela conta que precisou se dedicar ainda mais justamente à matéria em que mais sentia dificuldade: matemática.

“A matéria que eu mais gosto é matemática, a que mais tive dificuldade. Fora ela, português”, afirma.

Nada é capaz de afastar alguém do seu sonho quando se tem força de vontade. A força de Iracema não tem limites. Os joelhos prejudicados, já sem cartilagem, “osso no osso”, não a impediram de estar todas as noites na escola.

“Nunca é tarde para a gente realizar o sonho da vida”, enfatiza.

Para ela, o estudo representa uma das belezas da vida e a idade não é sinônimo de limite.

“Eu digo que ainda vou fazer gastronomia para aprender a cozinhar coisas bem gostosas!”, afirma.

E por que gastronomia? A resposta é simples e direta: “Eu gosto de comer!”

“Crie juízo e coragem”

Sobre quem acha que está “tarde” para voltar aos estudos, o recado é direto:
“Crie juízo e coragem. O negócio é ter fé em Deus e ter força de vontade.”

“Imagine se eu fosse me preocupar com esse monte de filho que eu tenho? Mas eu tinha duas sacolas: uma completa e uma furada. Na completa, eu jogo as coisas boas, na furada eu jogo o que me preocupa. Sempre tive uma vida leve. Três coisas que eu não tenho na minha vida é: pobreza, feiura e tristeza. Eu não sei o que é isso. E vou morrer feliz, se Deus quiser”, destaca.

O aniversário de 91 anos de Iracema foi muito bem comemorado ao lado dos professores e colegas – Foto: Reprodução

“É a morte correndo atrás de mim e eu correndo dela”

“Era assim que eu queria: fardada, com a bolsinha do lado” – Foto: Reprodução

Certa vez, após apresentar pequenos lapsos de memória, os filhos decidiram levá-la ao psiquiatra para avaliar se Iracema poderia estar com Alzheimer.

“Disseram que iam me levar ao médico e eu fui. Cheguei lá, o médico me perguntou: a senhora sabe o seu nome? Eu disse: Iracema Morais da Silva. Depois ele perguntou: sabe a sua idade? Eu falei: nasci no dia 11 de março de 1935. Ele perguntou outras coisas e eu fui respondendo. Aí disse: agora, para encerrar, a senhora tem cartão? Eu disse: tenho. Ele falou: me diga o número dos seus cartões. Eu respondi: o número dos cartões eu não falo para ninguém, que eu não sou doida! Ele disse: a senhora pode ir, que a senhora não tem mal de Alzheimer coisa nenhuma!”, relembra.

Aventureira, como ela mesma se define, para ela não existe essa história de ficar em casa descansando.

“Quando vejo alguém se arrumando para sair, eu pergunto logo: vai para onde? Eu vou também.

Vou viajar para Petrolina (PE) agora”, conta.

Para Iracema, o importante é viver a vida e não se conformar em vê-la passar.

“É a morte correndo atrás de mim e eu correndo dela”, afirma.

Sobre os planos para o futuro, ela nem pensa em parar de viajar e conhecer


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LUIZ BELTRAME: O LUTO E AS RUÍNAS DA INCERTEZA SOB O TETO DE COMPENSADO

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Por trás das paredes frágeis de compensado e cobertas por lonas na ocupação Luiz Beltrame, no conjunto Parque dos Coqueiros, Zona Norte de Natal, a sobrevivência é testada não apenas pela escassez de recursos, mas também pelo rigor das condições climáticas e pelas tragédias da vida. Para mulheres como Tereza e Jarlene, cada tempestade que atinge a capital potiguar representa uma ameaça direta à integridade de suas famílias e de seus lares improvisados sobre a terra batida.

Tereza: “Se eu dormir aqui cai”

Tereza luta para tentar reconstruir o barraco. “Se eu dormir aqui cai” – Foto: Reprodução

Nas chuvas de julho e do início de agosto, a estrutura do barraco de Tereza Cristina da Costa, de 29 anos, não resistiu à força do vento e da água. O lar de lona e compensado ficou parcialmente destruído, forçando-a a buscar abrigo provisório.

“Ficou tudo alagado”, relatou Tereza.

Mãe de seis filhos, ela precisou se deslocar temporariamente para a residência de um parente no Vale Dourado, também na Zona Norte de Natal, enquanto tenta reforçar as frágeis estacas de madeira de sua estrutura. A decisão foi tomada sob o medo iminente do desabamento total.

“Se eu dormir aqui cai”, desabafou, apontando para o que sobrou de seus únicos bens danificados: duas cadeiras e uma mesa de plástico.

A vulnerabilidade habitacional de Tereza soma-se a graves problemas de saúde que marcaram seus últimos anos. Após o diagnóstico de uma grave insuficiência renal, ela precisou passar por um procedimento cirúrgico complexo para a retirada de um de seus rins. Diante da adversidade, ela se apega à espiritualidade para seguir em frente.

“Eu precisei retirar um rim, mas Deus me deu minha cura e estou vivendo minha vida”, disse.

Hoje, além de lutar pelo pão de cada dia como catadora, Tereza enfrenta a batalha de reconstruir o barraco para que possa retornar ao lar com os seus filhos.

Questionada sobre o que mais necessita no momento, com uma certa timidez e simplicidade ao falar, ela responde: lençol, colchão, toalha. Ficou tudo perdido.

Jarlene: “Tem dia que tem, tem dia que não tem”
A dor física e material de Tereza encontra paralelo na dor emocional de sua vizinha, Jarlene Simone da Costa, de 41 anos e mãe de oito filhos, que enfrentou em maio de 2023 a perda de um de seus meninos devido a complicações de uma pneumonia. Jarlene reconta, com a dureza de quem carrega a cicatriz do luto, o desespero de ver o filho adoecer sem a devida assistência.

“Ele ficou internado, mas mandaram ele de volta para casa, quando chegou aqui ele piorou, então levamos ele para o Maria Alice Fernandes. Lá no Maria Alice ele foi bem atendido, fez muitos exames, mas não resistiu”, conta com um olhar vazio.

Após a perda precoce, Jarlene vivenciou duas novas gestações e vê no rosto das filhas caçulas o retrato vivo daquele que partiu: “Elas são a cara dele (do filho falecido), o clone mesmo”.

Na entrada do barraco, uma cerca de arame farpado e um portão improvisado fazem a “segurança” do local. Até chegar a porta de entrada, estão restos de telha, lona, baldes de tinta vazios, brinquedos quebrados, dois colchões velhos e uma geladeira deitada sobre o chão de terra com água acumulada.

Ao passar a porta, logo nos deparamos com um velho fogão com panelas que guardam o pouco que sobrou do almoço: feijão e um pouco de arroz.

Na bancada ao lado do fogão, estavam um pacote de leite em pó, dois quilos de arroz, um caixa de aveia para o mingau das crianças pequenas, um quilo de açúcar, três pacotes de flocão de milho, uma garrafa de temprero, um molho de tomate e uma vasilha com sal. Logo à frente, uma cama de casal quase encostada ao local onde os alimentos são preparados.

Fogão e os poucos alimentos que suprirão a alimentação da família pelos próximos dias se misturam aos lençóis da cama encostada à madeira e lona – Foto: Reprodução

Em um móvel de madeira compensada, Jarlene guarda os poucos lençóis, toalhas e roupas para ela e para os filhos.

Por trás de mais compensado e um lençol amarrado à estrutura de madeira fincada na terra para sustentar o telhado, um vaso sanitário sem instalação de tubulação, um balde para o recolhimento dos dejetos e uma mangueira. Embora hoje comemore ter alimentos básicos como arroz, macarrão e cuscuz para oferecer aos filhos, a ausência de proteínas e a escassez de leite ainda lhe causam profundo sofrimento.

“Tem cuscuz, tem arroz, macarrão. Hoje tem, graças a Deus. Mas a mistura (proteína) não tem”, explica Jarlene.

O momento de maior aflição ocorre quando o leite de suas filhas mais novas acaba. É nesses momentos de dor e aperto que a rede de apoio formada pelas mulheres de Luiz Beltrame se manifesta como o verdadeiro esteio da comunidade.

“Me aperta muito quando acaba o leite das meninas. Tem dia que eu vou para um lado, vou para o outro até conseguir. A gente recebe também o leite do posto, mas quando não tem, eu vou atrás.

Quando falta comida para eles eu choro. Mas elas (Josiana, Tereza e Simone) me ajudam muito”, revela, evidenciando o vínculo de afeto e socorro mútuo que une as moradoras da ocupação.

Abandonadas por seus parceiros e responsáveis sozinhas por famílias numerosas, Tereza e Jarlene encontram na união da comunidade e nos cultos realizados às segundas e sextas-feiras dentro da própria ocupação a força necessária para enfrentar o a dura realidade do cotidiano. “A fé é tudo o que a gente tem”, considera Jarlene.

Sobre o futuro dos seus filhos, ela não tem dúvidas: “Eu estou criando para não ser como o pai deles”.

Inscritas em programas de habitação popular desde 2016, elas resistem sob lonas e compensados à espera de uma vida com estrutura física e social digna.


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NA GESTÃO DE ALLYSON, UMA ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO ANIMAL RECORREU AO JUDICIÁRIO PARA COBRAR EMENDAS

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) negou, por maioria, os pedidos do deputado federal Sargento Gonçalves para retirada de conteúdos e concessão de direito de resposta contra a 98 FM e a jornalista Anna Ruth Dantas. O julgamento do processo nº 0600520-36.2026.6.20.0000 terminou com placar apertado, de quatro votos a três, após divergência entre os integrantes da Corte.

Com o resultado, o colegiado também revogou a decisão anterior que havia sido favorável ao parlamentar e determinado a retirada das publicações questionadas. Assim, os conteúdos podem permanecer no ar e Gonçalves não terá o direito de resposta solicitado.

A ação tem origem em uma entrevista concedida por Gonçalves ao jornalista Diógenes Dantas, no programa “Contraponto”, da Rádio 96 FM, em 6 de agosto. Na ocasião, o parlamentar falou sobre propostas financeiras que, segundo ele, são apresentadas por eleitores e lideranças durante o período eleitoral. Trechos da entrevista foram posteriormente divulgados em conteúdos que associaram a fala a uma admissão da prática de compra de votos.

“Eu acredito que a campanha, para mim, até pelo estilo de campanha, de mandato que eu tenho, é de fato uma consequência do trabalho desenvolvido na base da compra de votos”, afirmou durante a entrevista. Questionado pelo apresentador se havia dito “compra de votos”, Gonçalves respondeu: “Exato”.

A fala foi repercutida pela 98 FM e pela jornalista Anna Ruth Dantas como uma admissão de compra de votos. Gonçalves contestou a interpretação e sustentou que sua manifestação havia sido retirada de contexto, argumentando que pretendia dizer justamente que não trabalha com esse tipo de prática.

Após o episódio, o deputado também divulgou um vídeo negando ter comprado votos ou lideranças políticas. “Nunca comprei, nem vou comprar. Nem voto, nem liderança”, afirmou.

Gonçalves acusou ainda adversários de utilizarem o trecho para promover uma campanha de desinformação contra ele.

O processo chegou ao plenário do TRE-RN sob relatoria do juiz Lourinaldo Silvestre de Lima Filho. No julgamento, o magistrado votou por acolher a pretensão do parlamentar, mantendo o entendimento favorável à retirada dos conteúdos e ao direito de resposta. O voto foi acompanhado por Hallison Rego Bezerra e Sulamita Bezerra Pacheco.

A corrente divergente, porém, reuniu quatro votos e formou maioria. Daniel Cabral Mariz Maia, Ricardo Procópio Bandeira de Melo, Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro e Maria de Lourdes Medeiros de Azevedo divergiram do relator. Com o placar de quatro votos a três, prevaleceu o entendimento pela rejeição dos pedidos de retirada das publicações e o direito de resposta apresentados por Gonçalves.


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PROMESSAS DE ALLYSON PARA SAÚDE E ANIMAIS CONTRASTAM COM SUA GESTÃO

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O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, apresenta em seu plano de governo propostas de ampliação e fortalecimento de políticas públicas para profissionais da saúde e para a proteção animal. Os compromissos, entretanto, contrastam com episódios ocorridos durante sua administração à frente da Prefeitura de Mossoró, quando questões envolvendo essas duas áreas chegaram à Justiça.

Na área da saúde, o item 50 do plano de governo, intitulado “Saúde Mental, Envelhecimento e Cuidado Humanizado”, promete, entre outras medidas, “melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde”. A proposta coloca a valorização dos trabalhadores como parte das ações que o candidato pretende desenvolver caso chegue ao Governo do Estado.

Em Mossoró, porém, uma controvérsia envolvendo fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais alcançou o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A disputa teve origem no Edital nº 01/2023 da Prefeitura de Mossoró. O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região (CREFITO-1) ingressou com mandado de segurança para pedir a retificação do edital e sua adequação à Lei Federal nº 8.856/1994, que estabelece regras sobre a jornada de trabalho dessas categorias.

O Conselho obteve uma decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Em 20 de junho de 2024, a 3ª Turma do TRF-5 reformou a sentença, reconheceu a legitimidade do CREFITO-1 e determinou o retorno do processo à origem para que o mandado de segurança tivesse regular prosseguimento.

A decisão, porém, não definiu definitivamente qual jornada deveria ser aplicada aos profissionais.

O STJ analisou a legitimidade do CREFITO para questionar o edital e determinou, na prática, a manutenção do entendimento de que o mandado de segurança poderia prosseguir na origem.

CAUSA ANIMAL
Na causa animal, o plano de Allyson também apresenta uma série de compromissos. No item 037, denominado “Causa Animal”, o candidato promete apoiar municípios e consórcios em políticas de proteção e bem-estar animal. Entre as medidas estão ampliação de castrações, vacinação antirrábica, microchipagem, feiras de adoção responsável e combate aos maus-tratos.

O plano prevê ainda integração entre vigilância em saúde, educação ambiental, entidades de proteção e serviços veterinários públicos ou conveniados, com prioridade para animais abandonados, famílias vulneráveis e regiões com maior risco de zoonoses.

Durante a administração de Allyson em Mossoró, entretanto, uma associação de proteção animal precisou recorrer ao Judiciário para cobrar a execução de quatro emendas impositivas de 2022, identificadas pelos números 01, 15, 52 e 77. As emendas haviam sido aprovadas e incluídas na Lei Orçamentária Anual do município.

A Associação Mossoroense de Proteção Animal e Responsabilidade Ambiental pediu à Justiça que determinasse ao Município a adoção das medidas necessárias para a execução dos recursos.

Em 18 de janeiro de 2024, a 2ª Vara da Fazenda Pública de Mossoró negou o mandado de segurança. A sentença, contudo, não declarou que as emendas eram ilegais ou que não deveriam ser executadas. A magistrada destacou que a execução das emendas impositivas é obrigatória, mas está condicionada ao cumprimento de requisitos técnicos e jurídicos.

Segundo a decisão, a associação não conseguiu demonstrar, por meio de prova pré-constituída, a existência de direito líquido e certo à execução imediata dos recursos. A Justiça considerou que seria necessário verificar a existência de eventuais impedimentos técnicos e legais, o que demandaria produção de provas incompatível com o mandado de segurança.

A ação transitou em julgado em 12 de março de 2024 e foi definitivamente arquivada em 24 de maio daquele ano.

O tema voltou a aparecer no orçamento de Mossoró em 2026. A mesma associação consta como beneficiária de duas emendas municipais, identificadas como A71 e A72, de autoria do vereador Jailson Regis Nogueira. Cada uma prevê R$ 10 mil, totalizando R$ 20 mil.

Nos registros consultados, entretanto, a realização financeira aparece zerada para as duas emendas: R$ 0 em cada uma. Assim, embora existam R$ 20 mil previstos, não havia, nos dados analisados, valor realizado registrado.

Os episódios não significam que Allyson tenha sido pessoalmente condenado pelo STJ ou que a Justiça tenha declarado definitivamente irregular a atuação da Prefeitura nos dois casos. Na disputa envolvendo os profissionais de saúde, o STJ decidiu sobre a legitimidade do CREFITO-1 para questionar judicialmente o edital, sem decidir naquele recurso o mérito definitivo da jornada. No caso das emendas destinadas à causa animal, a Justiça não determinou que os valores deveriam ser pagos imediatamente, mas reconheceu que a execução de emendas impositivas é obrigatória quando observados os requisitos legais e técnicos.

O contraste, portanto, está no campo político e administrativo. No plano apresentado aos eleitores potiguares, Allyson promete melhores condições de trabalho para profissionais da saúde e uma política estadual mais ampla de proteção e bem-estar animal. Durante sua gestão em Mossoró, entretanto, uma discussão sobre jornada de duas categorias da saúde chegou ao STJ após recurso do Município, enquanto uma entidade de proteção animal precisou buscar o Judiciário em razão da execução de emendas.


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TRE-RN MANTÉM NOMES DE “CADU DE LULA” E “SAMANDA DE LULA” NAS URNAS

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) manteve os nomes “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula” nas urnas ao julgar, nesta terça-feira (25), os registros das duas candidaturas petistas. Cadu Xavier disputa o Governo do Estado, enquanto Samanda Alves concorre a uma das duas vagas potiguares no Senado.

Os julgamentos afastaram os questionamentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que havia se manifestado contra o uso do nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos dois candidatos. O órgão defendia a retirada da referência a Lula e o uso de “Cadu Xavier” e “Samanda Alves” nas urnas, sob o argumento de que nenhum dos dois possui “Lula” no sobrenome nem vínculo familiar com o presidente.

O registro de Cadu foi analisado no processo nº 0600298-68.2026.6.20.0000. O relator, juiz Hallison Rego Bezerra, votou pelo deferimento da candidatura e pela manutenção de “Cadu de Lula” como nome de urna. O entendimento foi acompanhado por Sulamita Bezerra Pacheco, Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro, Lourinaldo Silvestre de Lima Filho, Ricardo Procópio Bandeira de Melo e Daniel Cabral Mariz Maia. A decisão foi unânime, sem votos divergentes.

Já o registro de Samanda foi julgado no processo nº 0600373-10.2026.6.20.0000, também com decisão favorável à candidata e à manutenção de “Samanda de Lula” nas urnas.

As decisões preservam uma estratégia adotada pelos dois petistas antes mesmo do início oficial da campanha: associar diretamente suas candidaturas ao presidente. Cadu Xavier e Samanda Alves passaram a utilizar “de Lula” politicamente e registraram as denominações na Justiça Eleitoral para aparecer dessa forma nas urnas.

A vinculação ganhou ainda mais força durante a campanha. Lula já declarou apoio público aos dois candidatos e gravou materiais eleitorais específicos pedindo votos para Cadu e Samanda. Na semana passada, durante seu primeiro compromisso de campanha no Nordeste, em Natal, o presidente voltou a dividir o palanque com os candidatos e reforçou o apoio às duas candidaturas.

Parecer contrário
Antes dos julgamentos, o MPE havia defendido que Cadu e Samanda não deveriam utilizar a referência a Lula nos nomes de urna. Os pareceres foram assinados pelo procurador regional eleitoral Fernando Rocha de Andrade.

No caso de Cadu, o Ministério Público argumentou que o nome civil do candidato é Carlos Eduardo Xavier e que não existe vínculo familiar com o presidente. A Procuradoria também considerou o histórico de exposição pública do petista, que vinha sendo identificado como Cadu Xavier pelo menos desde 2019, quando assumiu a Secretaria Estadual da Fazenda.

Para o MPE, a utilização de “Cadu de Lula” poderia provocar dúvida sobre a identidade, induzir o eleitor a erro e favorecer uma possível migração de votos. A manifestação teve como fundamento as regras da Justiça Eleitoral que permitem o uso de apelidos e nomes pelos quais os candidatos sejam conhecidos, desde que não provoquem dúvida sobre sua identidade.

O entendimento foi semelhante em relação a Samanda. A Procuradoria questionou a adoção de “Samanda de Lula” pela ausência de vínculo familiar com o presidente e apontou o mesmo risco de associação capaz de confundir o eleitorado.

Os pareceres, entretanto, não representavam impedimento automático ao uso das denominações, já que a decisão cabia ao TRE-RN durante a análise dos registros. Com os julgamentos desta terça-feira, a Corte afastou os questionamentos do MPE e manteve “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula” como os nomes dos candidatos petistas nas urnas.


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DATAVERO DIVULGA NESTA SEXTA NOVO RETRATO DA DISPUTA ELEITORAL NO RN

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O cenário eleitoral do Rio Grande do Norte ganha uma nova atualização nesta sexta-feira (28), com a divulgação de mais uma rodada da pesquisa DataVero/Diário do RN. O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 50 municípios potiguares e será o primeiro, do instituto, realizado após o ato político que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Natal.

Realizada entre os dias 23 e 25 de agosto, a pesquisa vai mostrar como o eleitorado potiguar se posiciona neste momento da campanha e permitirá acompanhar possíveis movimentações em relação à rodada anterior do DataVero/Diário do RN.

Primeiro levantamento após Lula
A passagem de Lula por Natal é um dos marcos políticos que antecedem a nova rodada. O presidente participou de ato ao lado de aliados no Estado, entre eles candidatos que disputam as eleições deste ano, reforçando sua presença na campanha potiguar.

Por ter sido realizada após a agenda presidencial, a pesquisa será o primeiro levantamento DataVero/Diário do RN a registrar as preferências do eleitorado depois do evento. Embora não permita atribuir eventuais oscilações diretamente à presença de Lula, a comparação com a rodada anterior poderá indicar mudanças no cenário eleitoral após a passagem do presidente pelo Estado.

O levantamento também dá sequência ao acompanhamento realizado pelo DataVero/Diário do RN ao longo da corrida eleitoral, agora em uma fase de maior movimentação das candidaturas e intensificação das agendas de campanha.

Novo momento da campanha
A pesquisa chega em uma etapa mais avançada do processo eleitoral. Após as convenções partidárias, as candidaturas foram registradas na Justiça Eleitoral e a campanha começou oficialmente, com os concorrentes autorizados a pedir votos e ampliando atos de rua, agendas nos municípios e estratégias de comunicação.

Os principais candidatos ao Governo também já participaram do primeiro debate televisionado da eleição, realizado pela Band. A partir daí, a disputa ganhou novos eventos de campanha e maior participação de lideranças nacionais no Rio Grande do Norte.

Nesse contexto, a rodada permitirá comparar o atual cenário com os números anteriores e identificar possíveis oscilações nas preferências do eleitorado já durante a campanha oficial. O levantamento representa um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas.

Dados da pesquisa
A pesquisa DataVero/Diário do RN ouviu 1.500 eleitores distribuídos por 50 municípios do Rio Grande do Norte entre os dias 23 e 25 de agosto de 2026. O levantamento tem margem de erro de 2,53%, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números RN-06156/2026 e BR-03434/2026.


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