“DEUS NOS LIVRE DE ALLYSON LEVAR ESSA GESTÃO DE MOSSORÓ PARA O ESTADO”

As críticas à gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra e pré-candidato ao governo do estado voltaram a ganhar destaque em Mossoró após declarações da vereadora Marleide Cunha, do PT, em entrevista ao Diário do RN, nas quais fez um ataque direto à condução dos serviços públicos no município, com foco nas áreas de educação e saúde. Professora de formação, a parlamentar traçou um cenário de precarização e fez um alerta ao projetar a administração local para além da cidade: “Deus nos livre de Allyson levar essa gestão dos serviços públicos de Mossoró para o Estado, porque, além de não haver investimentos reais na melhoria do serviço público, há uma grande perseguição e adoecimento das pessoas”, afirmou, ao criticar o que considera falta de valorização dos servidores.
Na área da educação, Marleide sustenta que a gestão tem priorizado a imagem em detrimento de resultados concretos. Segundo ela, há um descompasso entre o discurso institucional e a realidade enfrentada nas escolas. “A educação de Mossoró vive um tempo de maquiagem, de marketing. O que Mossoró apresenta como educação é uma peça de marketing, que não garantiu melhoria na qualidade nem no acesso, especialmente na educação de jovens e adultos”, declarou.
A parlamentar também criticou o cumprimento do piso salarial do magistério e relacionou a situação decadente dos indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
“Desde que foi criado o piso salarial nacional, essa gestão é a que tem o menor índice de cumprimento. Não tem investimento real, Allysson foi o prefeito que menos investiu na educação de Mossoró, com apenas 19,16% dos recursos, bem abaixo do mínimo constitucional de 25%. E isso se reflete na queda do IDEB. Na gestão Allyson, em 2021, o índice caiu para 5,1 e 2023 para 5,6”, completou. Vele lembrar que o Diário do RN trouxe o detalhamento destes dados na edição desta quarta-feira (29).
A vereadora também apontou retrocessos, como a extinção de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a falta de professores em disciplinas básicas. “Hoje falta professor de inglês, de matemática, de geografia, de história, faltam pedagogos, e muitos alunos estão sem aula. Isso mostra que não há investimento real na educação”, disse. Ela ainda destacou o impacto da sobrecarga e das condições de trabalho na saúde dos profissionais. “Há um grande processo de desvalorização e adoecimento dos professores”, completou.
Saúde também enfrenta falhas estruturais
As críticas da vereadora também se estendem à área da saúde, especialmente no atendimento odontológico das unidades básicas. Segundo ela, o cenário é de precariedade. “A situação da saúde odontológica em Mossoró é caótica. Além de três unidades interditadas pelo conselho de odontologia, várias unidades não têm atendimento, porque os equipamentos estão quebrados”, relatou.
Marleide detalha que problemas como autoclaves quebradas, cadeiras danificadas e infiltrações impedem o funcionamento regular dos serviços. “Se não tem autoclave, não faz esterilização, então não tem atendimento. Em outras situações é cadeira quebrada, mangueira estourada, infiltração. Não funciona”, afirmou.
Apuração do Diário do RN confirma a dimensão do problema. Ao menos 15 unidades básicas apresentam falhas estruturais nos consultórios odontológicos. Em algumas, equipamentos essenciais estão quebrados, como autoclaves e equipos, enquanto outras enfrentam interdições determinadas pelo Conselho Regional de Odontologia. Há ainda casos de unidades com múltiplas equipes, mas apenas um consultório em funcionamento.
Para a vereadora, o cenário evidencia a falta de prioridade na gestão dos serviços públicos. “Falta investimento também na saúde”, concluiu, ao reforçar que os problemas atingem diretamente a população que depende da rede pública.