
A decisão foi comunicada por meio da leitura de uma carta direcionada ao povo potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT) oficializou que não irá renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em coletiva realizada na tarde desta terça-feira (17), no auditório da Governadoria, em Natal. A gestora detalhou as motivações políticas e pessoais que a levaram a permanecer à frente do Executivo estadual até o fim do mandato.
A governadora destacou a coragem da sua decisão, especialmente em relação ao cenário político nacional e a necessidade da esquerda avançar no Senado. Segundo ela, a candidatura era desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Partido dos Trabalhadores e por parte significativa do eleitorado, conforme pesquisas. Ela justificou a desistência da disputa.
“Tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária, por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia, e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.
“Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas” foi o motivo maior apontado para permanecer no cargo e evitar perder a eleição indireta para um nome da oposição caso renunciasse. A governadora reforçou ainda que irá honrar “até o último dia de mandato” os mais de um milhão de votos recebidos na reeleição.
“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, declarou.
Na carta, ela elencou prioridades administrativas que vai continuar com a decisão de permanecer no cargo. A governadora citou como exemplo a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco.
Fátima resgatou sua trajetória política marcada por decisões consideradas ousadas. Lembrou da mudança da Paraíba para estudar, quando renunciou eleições asseguradas para se lançar a desafios até então “impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo”.
Segundo ela, o projeto de nação e de sociedade é maior que a sua própria vida. Por isso, relatou, teve coragem de disputar o Senado, em 2014, “colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional”. Relembrou quando renunciou à metade do mandato de Senadora, em 2018, para disputar o governo do estado “em situação crítica e precária”. “Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora”, complementou Fátima, durante o anúncio da decisão de recuo.
“Ele rompeu o compromisso firmado em 2022”
Ao abordar o cenário político que inviabilizou sua candidatura ao Senado, Fátima Bezerra fez referência direta ao vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ela, para viabilizar a disputa, seria necessário que o vice assumisse o governo, o que não ocorreu.
“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”, afirmou.
A governadora classificou o episódio como parte de um movimento político mais amplo. “São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir”, declarou.
Em tom de mobilização política, Fátima encerrou a carta com uma mensagem de continuidade do projeto político do campo progressista. “Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luiz Inácio Lula da Silva presidente!”, concluiu.