
A decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no comando do Estado e desistir da disputa ao Senado em 2026 reorganizou o tabuleiro político no Rio Grande do Norte e abriu, dentro do PT e entre aliados, a corrida pela formação da chapa majoritária. Entre as lideranças petistas, há consenso sobre o caráter “coletivo” da escolha e indicação de nomes, mas também sinais claros de preferência, com destaque para a presidente estadual do partido, Samanda Alves (PT).
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi mais direta ao defender o nome da dirigente petista.
“Acho que o nome de Samanda cumpriria muito bem esse papel para disputar de verdade. Tem dado demonstrações de diálogo, de determinação, de disposição”, afirmou, acrescentando que o debate será formalizado internamente no partido.
Na mesma linha, o deputado estadual Francisco do PT elencou atributos que, na avaliação dele, credenciam Samanda: “É mulher, é presidenta do nosso partido, tem uma belíssima história de vida, é suplente de deputada federal, está na luta conosco há muitos anos. Preenche todos os requisitos para ser uma grande representante do Rio Grande do Norte no Senado”.
Cotada para disputar o Senado, Samanda recebeu a lembrança com cautela e reforçou que a definição será partidária. “Fico feliz com a lembrança, mas nós temos aí uma discussão agora para fazer dentro dos nossos partidos, com nossos aliados. A gente costuma tocar as coisas com muito diálogo, muita unidade”, afirmou. Segundo ela, o foco imediato é ampliar o debate com o campo progressista e os partidos que compõem o “time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” no Estado.
Sem confirmar candidatura, a presidente do PT no RN disse estar à disposição: “Meu nome está à disposição para tocar a tarefa que for preciso, para fortalecer o time do Lula e sempre ao lado de Fátima”. Ela também ressaltou que a decisão da governadora representa “coragem” e compromisso com o povo potiguar. “Mais uma vez ela demonstra que o projeto coletivo é muito maior que o projeto pessoal”, declarou.
Para a segunda vaga na chapa, o cenário segue aberto e dependerá da articulação com partidos aliados. O nome do ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates (PDT), já foi apresentado pelo PDT, enquanto especulações levantam nomes como Thabatta Pimenta e Rafael Motta. “Os nomes serão apresentados pelos partidos que compõem o campo progressista e popular no RN. Se forem colocados, serão discutidos no coletivo”, reforçou a presidente da legenda.
Sobre estes nomes, a deputada Isolda afirma à reportagem que é necessário “aprofundar a questão”, mas se mostra aberta tanto a Jean-Paul Prates, quanto à Thabata Pimenta e Rafael Motta para a 2ª vaga. “Tudo muito recente, mas gosto dos nomes”, coloca.
Francisco do PT destacou que o debate vai além das vagas ao Senado. “Temos que discutir a vice, as suplências e toda a composição da chapa. É uma construção coletiva entre os partidos da federação e aliados”, pontuou.
Já o deputado federal Fernando Mineiro (PT) enfatizou o gesto político da governadora e defendeu critérios estratégicos para a escolha dos nomes. “Fátima nos ensina o valor do compromisso. Ao renunciar à disputa, o faz em nome do povo e da continuidade dos avanços no Estado. Entregar o Estado a velhos conhecidos, que, em outros tempos, dilapidaram o patrimônio público potiguar, colocaria em risco todas essas conquistas, a começar pela regularização dos salários do funcionalismo, hoje assegurada”, afirmou.
Para o deputado federal, o fundamental é que a composição “fortaleça ainda mais a campanha” de Cadu Xavier ao Governo do Estado. “Antes do nome, acho importante discutir os critérios. E o critério principal é esse que citei acima”, disse Mineiro.