FISIOTERAPIA EM CASA GANHA ESPAÇO E TRANSFORMA A ROTINA DOS PACIENTES

Receber atendimento fisioterapêutico sem sair de casa tem se tornado uma alternativa cada vez mais procurada por pacientes que necessitam de reabilitação física e enfrentam dificuldades de locomoção. A modalidade domiciliar oferece mais comodidade, acompanhamento individualizado e a possibilidade de adaptar o tratamento à rotina e às necessidades de cada pessoa.
Em um cenário marcado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crônicas, o serviço vem ganhando espaço por ampliar o acesso à reabilitação, reduzir a necessidade de deslocamentos e contribuir para a recuperação da autonomia e da qualidade de vida dos pacientes.
O atendimento pode ser realizado de forma autônoma e particular, sem a necessidade de intermediários. Nesse modelo, o fisioterapeuta é responsável pela avaliação, elaboração do plano terapêutico e acompanhamento da evolução do paciente, devendo manter registro ativo no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO), além de cumprir exigências éticas e legais, como a manutenção de prontuários e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Na prática, o crescimento da procura por esse tipo de assistência pode ser observado na trajetória do fisioterapeuta Dennis Victor, que atua em Natal e na Região Metropolitana. Formado há seis anos pela UNI-RN, ele iniciou a carreira em uma clínica vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), onde atendia principalmente pacientes das áreas de ortopedia e reumatologia.
A mudança para os atendimentos domiciliares aconteceu durante a pandemia da Covid-19, quando recebeu o convite para acompanhar em casa uma paciente que já era atendida por ele na clínica.
“Me formei há seis anos e comecei a trabalhar em uma clínica que realizava atendimentos em saúde pública, incluindo ortopedia e reumatologia. Fiquei lá até o início da pandemia. Depois fui convidado para trabalhar de forma domiciliar na residência de uma paciente que era atendida por mim”, conta.
O que começou como um atendimento específico acabou abrindo caminho para uma nova forma de atuação profissional. Dennis acompanhou inicialmente membros de uma mesma família e, aos poucos, passou a receber novas indicações.
“Primeiro atendi a mãe dela, depois a paciente que tinha diagnóstico de Alzheimer e, posteriormente, a irmã. O boca a boca e a divulgação nas redes sociais abriram portas para que hoje eu atenda vários domicílios com diversos diagnósticos diferentes”, relata.
Atualmente, o fisioterapeuta acompanha pacientes com demandas ligadas à ortopedia, reumatologia, neurologia e, principalmente, à geriatria, área voltada à funcionalidade e à qualidade de vida dos idosos.
Segundo ele, a principal razão para o crescimento da procura pelo serviço está relacionada à praticidade proporcionada pelo atendimento em casa.
“Muitas pessoas solicitam o atendimento domiciliar pela comodidade. Em algumas situações, o deslocamento se torna inviável. É um atendimento de forma clínica, mas no conforto da residência do paciente”, explica.
A comodidade, porém, é apenas uma das vantagens, segundo Dennis. “O ambiente domiciliar permite que os exercícios sejam adaptados à rotina diária do paciente, favorecendo a recuperação funcional e contribuindo para o ganho de autonomia em atividades simples, mas essenciais, como caminhar, sentar, levantar ou realizar tarefas domésticas”, explica.
Além da experiência profissional, o fisioterapeuta também leva até a residência dos pacientes os equipamentos necessários para cada tipo de tratamento. Faixas elásticas, pesos, materiais para fortalecimento muscular, recursos para treino de equilíbrio e outros instrumentos terapêuticos fazem parte da rotina dos atendimentos, permitindo que o paciente receba, em casa, um acompanhamento semelhante ao oferecido em clínicas de reabilitação.
Relatos de evolução
Os benefícios da fisioterapia domiciliar podem ser observados em histórias de pacientes que recuperaram movimentos e qualidade de vida após enfrentar graves problemas de saúde. Uma delas é a aposentada Elza Maria de Farias Silva, paciente de hemodiálise há seis anos. Segundo a filha, Adriana Dantas, os anos de 2024 e 2025 foram especialmente difíceis. “Minha mãe é paciente de hemodiálise há seis anos e passou por momentos muito difíceis. Em 2024 e 2025, enfrentou três infartos e depois uma sepse, ficando muito debilitada e sem conseguir andar.”
A recuperação veio de forma gradual, por meio do acompanhamento fisioterapêutico realizado em casa.
“Foi um período de muita luta, mas Deus colocou o fisioterapeuta Dennis no nosso caminho. Com dedicação, cuidado e muito profissionalismo, ele foi essencial na recuperação dela”, afirma Adriana.
Hoje, a aposentada voltou a caminhar. “Após um longo processo de fisioterapia, minha mãe voltou a andar. Sou muito grata a Deus e ao Dennis por ter sido um instrumento de bênção na vida dela. A fisioterapia transforma vidas”, acrescenta.
Outro caso é o da aposentada Matildes Silva de Andrade, de 72 anos, que precisou passar por uma cirurgia para retirada de um meningioma. Após complicações no pós-operatório, ela permaneceu internada por 32 dias e recebeu alta em dezembro de 2025 com paralisia completa do lado esquerdo do corpo.
O filho da paciente, o técnico em radiologia Alexandre Silva de Andrade Vieira, conta que a fisioterapia teve início pouco tempo após a volta para casa. “Minha mãe chegou em casa com o lado esquerdo totalmente paralisado, sem movimento nenhum. Então começou o trabalho de recuperação dos movimentos dos membros do lado esquerdo”, relata.
Com sessões realizadas, em média, três vezes por semana, os resultados começaram a aparecer. “Minha mãe recuperou parte das forças, está recuperando parte do equilíbrio, já fica em pé, tem força nas pernas e nos braços e realiza pequenas caminhadas com ajuda de uma terceira pessoa”, destaca Alexandre.
Para ele, a evolução da mãe está diretamente relacionada ao trabalho de reabilitação, realizado por Dennis. “A evolução da minha mãe no que diz respeito à movimentação se deu por conta do trabalho da fisioterapia feita por Dennis. A esperança é ver minha mãe andando sozinha e, em breve, vamos poder compartilhar esse momento”, conclui.
Atendimento a atletas amadores
Embora boa parte da demanda esteja relacionada à população idosa e a pacientes em recuperação funcional, a fisioterapia domiciliar também atende pessoas mais jovens. Entre elas estão atletas amadores que sofreram lesões durante a prática esportiva e necessitam de acompanhamento especializado para retornar às atividades físicas.
Segundo Dennis, casos envolvendo lesões musculares, articulares e processos de recuperação pós-operatória também fazem parte da rotina dos atendimentos. “Nesses casos, o acompanhamento realizado em casa contribui para acelerar a reabilitação, reduzir o desconforto causado pelos deslocamentos e permitir que o tratamento ocorra em um ambiente familiar, sem comprometer a qualidade da assistência prestada”, explica.

































