CADU XAVIER: “O ESQUISITO É USAR CHAPÉU DE COURO PARA ENGANAR O POVO”

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A polêmica envolvendo o uso do chapéu de couro na pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (13) com a entrada do pré-candidato petista Cadu Xavier no debate. Após a repercussão da fala do senador Rogério Marinho sobre o “chapéu esquisito” usado pelo ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, Cadu publicou vídeo nas redes sociais em defesa do símbolo nordestino, mas aproveitou para atacar o adversário político.
“O chapéu de couro não é esquisito. O chapéu de couro é um patrimônio do povo sertanejo que acorda todo dia de madrugada e usa o chapéu de couro para se proteger do sol, para batalhar pela vida”, afirmou.

Na sequência, porém, o pré-candidato do PT mudou o foco da crítica para Allyson Bezerra, questionando a utilização do acessório como ferramenta política. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que tem a pré-campanha mais cara, uma estrutura maior do que muitos chefes de Estado, usar o chapéu de couro”, declarou.

Cadu também direcionou críticas à relação do ex-prefeito com os servidores municipais durante sua gestão em Mossoró e ao posicionamento recente sobre pautas trabalhistas. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró que, quando era prefeito, massacrou os servidores do município e agora fala a favor do fim da escala 6×1”, disse.

O petista ainda apontou contradição entre o discurso atual de Allyson e os apoios políticos recebidos pelo ex-prefeito nas últimas eleições. “O esquisito é o ex-prefeito que votou em Bolsonaro, votou em Rogério Marinho, agora militar pelas pautas que esses sempre foram contra”, afirmou.

Em outro trecho, Cadu criticou a composição política em torno da pré-candidatura adversária. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que tem no seu palanque todos os parlamentares que votam contra as pautas do presidente Lula, falar agora a favor de uma delas”, declarou.

Ao concluir a fala, o petista voltou a diferenciar o símbolo cultural nordestino do uso político que, segundo ele, estaria sendo feito por Allyson. “Usar chapéu de couro não é esquisito. O esquisito, o feio, o reprovável é usar o chapéu de couro para ir para as ruas e para as redes para enganar o povo do nosso Estado”, afirmou.

A declaração de Cadu ocorre após forte repercussão provocada pela entrevista de Rogério Marinho à 96 FM. Durante a conversa, o senador fez referência indireta a Allyson Bezerra ao criticar uma candidatura “que não fede nem cheira” e que estaria “andando com um chapéu esquisito”.

A fala gerou reação imediata do ex-prefeito de Mossoró, que publicou vídeo nas redes sociais em defesa do chapéu de couro como símbolo do povo nordestino e acusou Rogério de preconceito e arrogância. “Esse chapéu esquisito é símbolo do homem que acorda cedo, trabalha na roça e enfrenta o sol para sobreviver”, afirmou Allyson.

O ex-prefeito também acusou o senador de ser “inimigo do trabalhador” e criticou pautas defendidas pelo parlamentar em Brasília, além de associar a fala ao preconceito contra o povo nordestino. Em outro trecho do vídeo, Allyson afirmou que o grupo adversário “não gosta de gente” e “faz acordos em salas fechadas”.

A troca de declarações intensificou o embate antecipado entre os grupos políticos que já se movimentam de olho na disputa pelo Governo do Estado em 2026.


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ROGÉRIO “TEM GOSTO DE PRECONCEITO E CHEIRO DE ARROGÂNCIA”, DIZ ALLYSON

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Uma declaração do senador Rogério Marinho durante entrevista recente à 96 FM provocou forte repercussão política e está movimentando as redes sociais. Ao comentar o cenário eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte, o parlamentar fez referência indireta ao ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, criticando o uso do tradicional chapéu de couro adotado pelo gestor em agendas políticas pelo interior do Estado.

“Tem uma candidatura que não é uma coisa nem outra, que não fede, que não cheira, que fica o tempo todo dando saltos para o ar e andando com um chapéu esquisito”, afirmou Rogério durante entrevista.

A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais e gerou reação do adversário. Nesta quarta-feira, Allyson Bezerra publicou vídeo em defesa do símbolo nordestino e acusou o senador de preconceito, arrogância e distanciamento popular.

“Esse chapéu esquisito, senador, que o senhor está falando, é um chapéu que é símbolo do povo nordestino brasileiro. É um chapéu que é símbolo do homem que acorda cedo, tem que trabalhar na roça, tem que trabalhar no meio do sol, tem que passar por tanta luta para sobreviver. Coisa que o senhor nunca teve que fazer na vida”, declarou.

Ao longo da resposta, Allyson elevou o tom das críticas e associou a fala do senador a uma postura elitista. “Senador, o senhor é um grande preconceituoso, que tem gosto de preconceito e tem cheiro de arrogância”, afirmou.

O ex-prefeito de Mossoró também relembrou a campanha eleitoral de 2022, quando Rogério Marinho disputou o Senado com apoio de lideranças políticas do interior. Segundo Allyson, o senador chegou a elogiar o chapéu de couro em agendas realizadas em Mossoró. “O senhor é ingrato porque no ano de 2022 o senhor queria se eleger senador, percorreu as cidades do nosso estado e aqui na minha cidade o senhor elogiou meu chapéu de couro”, disse.

A resposta do ex-prefeito avançou ainda para críticas relacionadas a pautas defendidas pelo senador no Congresso Nacional. Allyson acusou Rogério de apoiar medidas contrárias aos trabalhadores. “O senhor deveria achar esquisito é o senhor ser chamado de inimigo do trabalhador, porque é assim que o senhor é. Porque o senhor deveria achar esquisito também defender que aquele cidadão que é trabalhador, que sai de casa cedo, tenha que trabalhar até o dia dele morrer.” O ex-prefeito também voltou a atacar a possibilidade de privatização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), tema que vem sendo explorado no debate político estadual. Segundo Allyson, a universidade representa oportunidade para jovens de origem popular do interior do Estado. “O senhor deveria achar esquisito defender a privatização e venda da Uern, a nossa Universidade Estadual, que é o único local de sonhos de muitos dos jovens, de filhos, de pais, que usam chapéu de couro em todo o Rio Grande do Norte”, disse.

Allyson também acusou o senador de ter evitado disputar o Governo do Estado por receio da rejeição popular. “Esquisito é a covardia que o senhor teve. O senhor se acovardou porque sabia da sua rejeição, sabia da sua desaprovação e sabia que o povo do Estado não suporta as pautas que o senhor defende em Brasília”, disse.

Em outro trecho que ganhou repercussão nas redes sociais, Allyson acusou o grupo político adversário de desprezar o contato popular. “Eles não gostam de gente. Eles têm nojo de gente.

Eles não suportam estar no meio das pessoas. O que eles fazem são acordos em salas fechadas, frias, geladas. Eu gosto de gente. Eu gosto do calor humano. Eu gosto de estar no meio do povo”, declarou.

O ex-prefeito também afirmou que continuará utilizando o chapéu de couro como marca política e símbolo de identificação com o interior nordestino. “Eu não vou deixar de usar o chapéu de couro. Vou usar cada vez mais. Porque eu não posso deixar o meu Estado nas mãos de pessoas como o senhor ou dos seus fantoches”, disse.


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“A MÁSCARA CAIU”, DISPARA MINEIRO APÓS VAZAMENTO DE ÁUDIOS DE FLÁVIO

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O vazamento de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou repercussão no meio político nacional e também no Rio Grande do Norte. As mensagens, divulgadas pelo Intercept Brasil, mostram negociações para obtenção de recursos milionários destinados à produção do filme “Dark Horse”, longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria destinado ao menos 10 milhões de dólares para a produção, valor que, na cotação atual, supera os R$ 50 milhões. Nos áudios vazados, Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos e demonstrando preocupação com a paralisação do projeto cinematográfico. De acordo com a publicação, o orçamento total do filme chegaria a R$ 134 milhões.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, Daniel, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Mas é porque está num momento muito decisivo aqui do filme”, afirmou o senador em um dos trechos divulgados.

Na sequência, Flávio alerta para o risco de interrupção da produção caso os pagamentos não fossem realizados. “Como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso. Imagina a gente dando calote nos atores, no diretor, na equipe. A gente perde tudo”, declarou.

A repercussão do caso chegou ao RN por meio de lideranças do PT. Em entrevista ao Diário do RN, o deputado federal Fernando Mineiro afirmou que o episódio expõe a relação entre o bolsonarismo e o Banco Master.

“A máscara caiu definitivamente. O rapaz que estrelou a fantástica fábrica de chocolate agora está estrelando o poderoso chefão”, ironizou.

Mineiro também questionou os valores envolvidos na produção cinematográfica. “Você veja, R$ 134 milhões que certamente não foi para um filme. Filmes brasileiros indicados ao Oscar mobilizaram menos recursos do que isso”, afirmou.

O parlamentar elevou o tom ao relacionar o episódio diretamente à família Bolsonaro. “Ficou escancarado para o Brasil o caráter e as atitudes dessa família. Uma família que pensa em saquear o país e faz tudo por dinheiro”, declarou.

O deputado ainda cobrou posicionamento de aliados bolsonaristas no Rio Grande do Norte e criticou o silêncio de parlamentares ligados ao ex-presidente. “Até agora estão calados, não falaram nada, mas é importante que venham a público se pronunciar sobre isso”, disse.

Para Mineiro, o caso reforça suspeitas sobre a proximidade entre o grupo político bolsonarista e o Banco Master. “Está muito claro quem se beneficiou com isso. É o Bolso Máster, claramente”, afirmou.

A presidente estadual do PT, Samanda Alves, também comentou o episódio e afirmou que o caso amplia os indícios de ligação política e financeira entre aliados de Bolsonaro e o banco.

“A notícia de Flávio Bolsonaro negociando diretamente mais de R$ 130 milhões para bancar um filme do pai dele é mais uma prova do envolvimento da família Bolsonaro no centro desse escândalo do Banco Master”, afirmou.

Samanda citou ainda outros episódios já associados ao banco e ao entorno bolsonarista. “Tem o empréstimo de avião para campanha, as doações milionárias e até a atuação de marqueteiros ligados à disseminação de fake news. Está muito claro que a família Bolsonaro está no centro desse escândalo criminoso”, declarou.

O Diário do RN procurou parlamentares bolsonaristas do Estado para comentar o caso. Por meio da assessoria, o deputado federal General Girão (PL) informou que, por orientação jurídica, não irá se pronunciar sobre o caso. Já a deputada federal Carla Dickson (PL) não respondeu aos contatos da reportagem até o fechamento desta edição.

Além de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, as mensagens analisadas pelo Intercept mencionam ainda o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-secretário especial da Cultura Mário Frias, apontado como roteirista do projeto cinematográfico.


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MANIPULAÇÃO EM REDE: BIG TECHS MOLDAM A DESINFORMAÇÃO NO BRASIL

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Com o celular como extensão da mão, o aparelho revela-se uma passagem para um universo de informações fragmentadas. Vídeos, mensagens e áudios se entrelaçam em uma rede invisível, trazendo promessas, alertas e denúncias que se espalham com a velocidade do toque.

O caso recente envolvendo a marca Ypê exemplifica essa dinâmica. Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento de lotes de detergentes da marca por potencial risco de contaminação microbiológica, publicações enganosas começaram a se espalhar rapidamente nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Entre os conteúdos compartilhados estavam alegações falsas sobre mortes causadas pelos produtos, teorias de perseguição política e imagens adulteradas atribuídas à empresa.

Essa rotina, tão comum quanto invisível, é parte de um fenômeno que assombra o Brasil: a desinformação. E no centro dele, estão as Big Techs.

Segundo o relatório Digital 2025 do Instituto We Are Social, 67,8% dos brasileiros estão nas redes sociais, cerca de 144 milhões de pessoas. Não por acaso, o Brasil tornou-se um dos terrenos mais férteis para a disseminação de desinformação digital.

Quem nos ajuda a entender essa dinâmica é José Germano Neto, professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN. Com anos de pesquisa nas áreas de ciência, tecnologia e sociedade, ele afirma: “As big techs têm um papel muito importante no Brasil no que diz respeito à disseminação de informações.”

Capitalismo da Emoção
Germano evoca o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han para descrever o cenário atual: vivemos sob o “capitalismo da emoção”, onde o que nos prende às telas são os afetos. “Aquilo que desperta em nós grande emoção nos faz permanecer por vezes em diversos espaços e nos faz propagar mais certas informações”, afirma o professor.

É por isso que conteúdos virais, sejam eles verdadeiros ou não, tendem a ser os mais lucrativos. E, nesse modelo de negócios baseado em engajamento, as Big Techs tornam-se coautoras do problema: “Quando um conteúdo provoca lucro, a Big Tech automaticamente se vincula àquele material e se torna corresponsável por ele”, diz Germano.

Entre o Lucro e a Responsabilidade
A ausência de uma regulação eficaz amplia o abismo entre o interesse público e os interesses corporativos. “É muito importante que haja um fortalecimento das políticas de moderação. Mas não só isso: o poder público precisa cumprir seu papel fiscalizador”, defende Germano. Para ele, a resposta não está apenas na autorregulação das plataformas, “mas em uma governança digital participativa, que envolva sociedade civil, usuários, pesquisadores e o Estado”.

Conectividade que (des)informa
No Nordeste, os desafios ganham novas camadas. “Quando a gente está falando de Nordeste e de algumas áreas, em especial áreas que têm menor acesso à internet, é muito importante que a gente consiga fazer a discussão sobre conectividade significativa”, pontua Germano. “Não se trata apenas de estar online, mas de entender por que se está, como e para quê”, continua.

“Em áreas rurais, onde a conexão é intermitente e os dados móveis são preciosos, o WhatsApp reina soberano. É a ‘internet do povo’. Mas também é por onde circulam as maiores distorções da realidade. Em contextos de baixa escolaridade e falta de acesso a fontes confiáveis, boatos ganham status de verdade e viram decisões de voto, de saúde, de vida”, afirma o professor.

Resistências locais: vozes do Nordeste

Entre as iniciativas que combatem a desinformação no Nordeste está a Pajubá Tech, do Recife, que oferece curadoria de notícias confiáveis – Foto: Reprodução

Apesar dos desafios, o Nordeste também é berço de resistência e inovação. Germano cita iniciativas como o Pajubá Tech, de Recife, que atua na inclusão digital de pessoas LGBTQIA+ e periféricas, e a newsletter Cajueira, feita por jornalistas nordestinos e que oferece uma curadoria de notícias regionais confiáveis, com olhar crítico e engajado.

“Essas experiências mostram que é possível combater a desinformação com iniciativas locais, pensadas a partir das necessidades e culturas de cada território”, diz.


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“ESTOU CADA VEZ MAIS IMPULSIONADA A LUTAR PELOS DIREITOS DAS MULHERES”

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A ativista Juliana Garcia, vítima de uma tentativa de feminicídio que ganhou repercussão nacional no ano passado, afirmou ao Diário do RN que ainda não definiu se pretende disputar um cargo eletivo em 2026, apesar de admitir que tem sido incentivada a ingressar na política institucional após se filiar recentemente ao Partido dos Trabalhadores (PT). A filiação, anunciada na última quinta-feira (7), provocou nova onda de ataques e ameaças nas redes sociais, incluindo mensagens violentas direcionadas à ativista.

Durante a entrevista, Juliana evitou confirmar qualquer projeto eleitoral imediato, mas reconheceu que a possibilidade passou a fazer parte das discussões após a repercussão de sua atuação pública na defesa das mulheres vítimas de violência. “Eu prefiro não responder essa pergunta claramente agora”, afirmou, ao ser questionada sobre uma eventual candidatura. Em seguida, admitiu que tem recebido incentivos para entrar na disputa eleitoral. “Eu tenho sido muito estimulada”, disse.

Segundo ela, a eventual entrada na política teria como foco ampliar a defesa das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero. “Caso eu me candidate e seja eleita, eu vou lutar não apenas por quem votou em mim, mas também pelas mulheres que hoje acham que eu merecia sofrer ainda mais pelo posicionamento político que escolhi ter”, declarou.

Juliana ficou conhecida nacionalmente após ser brutalmente agredida pelo ex-namorado, Igor Cabral, com 61 socos dentro do elevador do prédio onde morava, em Ponta Negra, Zona Sul de Natal, em julho do ano passado. As imagens registradas pelas câmeras de segurança chocaram o país. O agressor está preso desde então e responde por tentativa de feminicídio.

Ao falar sobre a decisão de ingressar oficialmente no PT, Juliana afirmou que a aproximação ideológica com o partido já existia antes da filiação. “Eu já tinha proximidade ideológica, sempre votei no PT. Eu era simpatizante e essa é minha primeira filiação partidária”, disse.

Segundo ela, a repercussão da entrada no partido foi marcada tanto por manifestações de apoio quanto por ataques violentos nas redes sociais, cenário que Juliana associa à polarização política no país. “Eu recebi muito ataque. Certas pessoas se sentem muito à vontade depois que o discurso de ódio foi normalizado no país”, afirmou. Para a ativista, a violência sofrida após a filiação ultrapassa a divergência partidária e se conecta à misoginia. “Essa violência virtual vem do bolsonarismo, vem dessa polarização e da normalização de discursos que colocam as mulheres em posição de inferioridade”, declarou.

A ativista revelou ter recebido ameaças explícitas após anunciar a filiação. Uma das mensagens divulgadas por ela dizia: “Você tem é que tomar mais 122 socos dessa vez para ficar sem a cabeça, sua puta petista”.

Juliana recebeu inúmeras mensagens de ódio nas redes após a filiação – Foto: Reprodução

Ao Diário do RN, Juliana classificou os ataques como uma nova forma de violência. “Quando uma pessoa que passou pelo que eu passei é agredida novamente, mesmo que de maneira psicológica ou virtual, você está revitimizando uma mulher que já foi vítima de violência em vários aspectos”, declarou.

Ao comentar o processo de recuperação emocional após a agressão sofrida há cerca de oito meses, Juliana afirmou que ainda convive com lembranças traumáticas, frequentemente reativadas pelos ataques virtuais. “Infelizmente não é algo fácil de esquecer. Às vezes a memória fica mais amena, mas aí alguém tenta me revitimizar e traz aquilo de volta da pior maneira possível”, disse.

Mesmo diante das ameaças, ela afirma que transformou a dor em combustível para continuar atuando na defesa das mulheres. “Ao contrário do que estão tentando fazer, que é me desestabilizar emocionalmente, isso está servindo como mola. Estou cada vez mais impulsionada a lutar pelo direito das mulheres”, afirmou.

Juliana destacou ainda que nunca considerou obrigação se tornar porta-voz da pauta, mas decidiu assumir esse papel por entender que sua história pode ajudar outras mulheres vítimas de violência. “Muitas não tiveram a segunda chance que eu tive. Então, se eu posso dar voz a isso de forma digna, eu vou fazer”, concluiu.


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CRIANÇAS E MULHERES FICARAM SEM ATENDIMENTO NA GESTÃO DE ALLYSON

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A crise no atendimento de crianças e mulheres em Mossoró, denunciada ainda durante a gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra, evoluiu para um Inquérito Civil do Ministério Público do Rio Grande do Norte após a Promotoria identificar um cenário de “desassistência sistêmica” e “iminência de colapso” na unidade de saúde.

A investigação teve início oficialmente em 3 de fevereiro de 2026, quando foi autuada a Notícia de Fato nº 02.23.2021.0000015/2026-28, a partir da manifestação nº 3509324012026-1 encaminhada à Ouvidoria do MPRN. A denúncia apontava falta de profissionais e graves deficiências nos serviços prestados pelo AMI, unidade vinculada à rede municipal administrada à época pela gestão Allyson Bezerra.

Logo na abertura do procedimento, o promotor de Justiça Rodrigo Pessoa de Morais expediu despacho inaugural sob documento nº 9038721, determinando diligências e solicitação formal de informações à Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró por meio do Ofício nº 9044492.

Com o avanço das apurações, o Ministério Público realizou inspeções na unidade e reuniu uma série de documentos internos do ambulatório. Em março, diante da gravidade dos indícios encontrados, o MP prorrogou o prazo investigativo através do documento nº 9306787.

Os dados mais preocupantes vieram à tona no Relatório Técnico nº 002/2026 do Ambulatório Materno Infantil, juntado ao procedimento em 28 de abril de 2026 sob documento nº 9566558. O relatório descreveu um quadro crítico na assistência à população materno-infantil e reforçou o agravamento da crise sanitária herdada da administração anterior.

Na própria recomendação ministerial, o MP afirma ter identificado “um cenário de desassistência sistêmica e iminência de colapso no Ambulatório Materno Infantil (AMI) de Mossoró/RN”.

O órgão também registrou que contratos temporários de profissionais essenciais “têm encerramento previsto para 15 de abril de 2026, sem previsão formal de reposição, configurando grave risco de paralisação dos serviços”.

Entre os pontos apontados pela investigação estão:
fila de 1.288 pacientes aguardando atendimento psicológico;
76,7% da fila composta por crianças;
pacientes esperando atendimento há até dois anos;
667 crianças e adolescentes classificados como Prioridade 0 e 1 (urgência e emergência) sem acesso efetivo ao atendimento;
99,1% das solicitações prioritárias paradas no sistema sob status “pendente”;
813 mulheres aguardando atendimento ginecológico;
ausência de estratégias de atendimento para 188 famílias da zona rural;
contratos temporários de psicólogos e psicopedagogos próximos do encerramento sem previsão de reposição.

O Ministério Público ainda destacou “a existência de uma fila de espera alarmante de 1.288 usuários para psicologia, sendo 76,7% crianças, com casos de espera que chegam a 2 anos”.

Em outro trecho duro da recomendação, o MP apontou que “667 crianças e adolescentes estão classificados em situação de emergência e urgência (Prioridades 0 e 1), mas permanecem retidos em um fluxo burocrático estagnado, onde 99,1% das solicitações estão paradas sob o status ‘pendente’”.

O relatório ministerial ainda revelou que a unidade operava com forte dependência de contratos temporários e sem planejamento para substituição dos profissionais, situação que poderia provocar interrupção completa de atendimentos especializados.

Outro problema identificado foi o uso excessivo do CID genérico Z00 nos encaminhamentos médicos, fator que, segundo o MP, compromete a regulação adequada das filas e dificulta a priorização dos casos mais graves.

Diante da gravidade da situação encontrada na estrutura de saúde deixada pela gestão Allyson Bezerra, o caso foi convertido em Inquérito Civil nº 04.23.2021.0000066/2026-72 no dia 7 de maio de 2026, através da Portaria nº 9624999.

No mesmo dia, o promotor Rodrigo Pessoa de Morais expediu a Recomendação Ministerial nº 9625073, direcionada à Prefeitura de Mossoró e à Secretaria Municipal de Saúde, determinando medidas urgentes para evitar o agravamento da crise.

Na recomendação, o MP cobrou:
Reposição imediata e ampliação do quadro de psicólogos, psicopedagogos e ginecologistas;
Convocação de aprovados em concurso público;
Criação de mutirões para pacientes classificados em situação grave;
Transparência nos critérios das filas de espera;
Melhoria na qualidade dos encaminhamentos clínicos feitos pelas unidades básicas de saúde.

Os ofícios encaminhando oficialmente a recomendação ao prefeito e à Secretaria Municipal de Saúde foram expedidos em 10 de maio de 2026 sob os números 9633350 e 9633311.

Já em 11 de maio, novas movimentações registraram solicitações formais de entrega dos documentos à Prefeitura e à Secretaria de Saúde, demonstrando que o Ministério Público intensificou a pressão institucional sobre a gestão municipal.

O órgão ministerial estabeleceu prazo de 10 dias úteis para que a Prefeitura informe se irá cumprir as medidas recomendadas. Caso contrário, o MP alerta que poderá adotar medidas judiciais cabíveis.

O avanço da investigação aumenta a pressão política sobre o legado administrativo da gestão Allyson Bezerra na saúde pública municipal, principalmente após o Ministério Público descrever oficialmente o cenário do AMI como de “desassistência sistêmica” e sob “iminência de colapso”.


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“PREGO BATIDO”, AFIRMA O PRÉ-CANDIDATO CORONEL HÉLIO SOBRE CHAPA DA DIREITA

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As movimentações de bastidores em torno da composição da chapa da direita para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte ganharam novos capítulos nos últimos dias após especulações de uma possível resistência do senador Styvenson Valentim (Podemos) ao nome do coronel Coronel Hélio (PL) para disputa ao Senado. Segundo interlocutores políticos, a insatisfação estaria ligada a uma preferência do senador pelo empresário Flávio Rocha (Novo), que teria voltado a ter o nome ventilado para integrar a chapa majoritária do grupo conservador.

Em entrevista ao Diário do RN, Coronel Hélio negou qualquer possibilidade de substituição de sua candidatura e afirmou que a composição já está definida. Segundo ele, a chapa formada por Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado, Babá Pereira (PL) como vice e Styvenson Valentim para o Senado segue unida.

“Não, não, não. Tá descartado. Prego batido, ponta virada. O senador Rogério Marinho já bateu o martelo, inclusive”, afirmou, ao ser questionado sobre uma eventual entrada de Flávio Rocha na vaga ao Senado.

O pré-candidato do PL ressaltou que mantém diálogo constante com Styvenson e minimizou a ausência do senador em eventos políticos recentes do grupo. Segundo ele, a falta de agendas conjuntas até o momento ocorre por incompatibilidade de compromissos parlamentares pré-agendados.

“Eu estive com o senador Styvenson em Brasília e estarei com ele novamente na próxima semana. Essa informação eu não tenho, porque percebo que ele está dentro da nossa chapa majoritária. Inclusive, me convidou para assinar uma ordem de serviço junto com ele na Base Aérea de Natal, agenda que acabou sendo adiada”, declarou.

Coronel Hélio também afirmou que a integração entre os componentes da chapa deverá se tornar mais visível nas próximas semanas. “Nós estamos juntos, sim, dentro da chapa majoritária. O senador Styvenson, o Coronel Hélio, o Álvaro e o Babá. Acredito que é uma chapa unida, forte e convicta”, disse.

As especulações sobre mudanças na composição ganharam força após informações de bastidores indicarem uma possível aproximação entre Styvenson e Flávio Rocha. O empresário, que é filiado ao Partido Novo, já teve o nome cogitado anteriormente para disputar o Senado ou até compor alianças alternativas no Estado.

Nos bastidores, interlocutores chegaram a mencionar uma possível articulação envolvendo o União Brasil de José Agripino Maia para aproximar Flávio Rocha da senadora Zenaide Maia (PSD), hipótese que não chegou a ser confirmada oficialmente.

Presidente estadual do Novo no Rio Grande do Norte, Renato Cunha Lima também comentou ao Diário do RN as especulações envolvendo uma possível aproximação entre Styvenson Valentim e Flávio Rocha para a disputa ao Senado em 2026. Embora tenha ressaltado que o cenário ainda está apenas no campo das articulações políticas, ele admitiu ver com entusiasmo uma eventual composição entre os dois nomes.

“Sem dúvidas, seria uma dupla imbatível. Uma coligação com Styvenson e Flávio para o Senado. Imbatível”, afirmou.

Renato ainda citou possíveis nomes para suplência em uma eventual chapa, mencionando a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, irmã do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, além do ex-vice-governador do RN Fábio Dantas.

“Mas tudo ainda está no campo das hipóteses”, ponderou.

Apesar das especulações, Coronel Hélio insistiu que a definição política do grupo já foi consolidada internamente. “Agora é muito em breve que a gente vai estar andando juntos e essa chapa majoritária vai estar mais perceptível na caminhada pelo Estado”, afirmou.


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LEGADO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL MARCA OS 80 ANOS DO SESC E SENAC RN

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Em 2026, o Rio Grande do Norte celebra oito décadas de duas das instituições fundamentais para o seu tecido socioeconômico: o Sesc (Serviço Social do Comércio) e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Fundadas em 1946, as entidades chegam aos 80 anos de história não apenas como prestadoras de serviço, mas como verdadeiros motores de desenvolvimento e inclusão social no estado.

Como marco simbólico das celebrações, o Sesc RN entregou nesta segunda-feira (11), a reforma completa da Unidade Sesc Potilândia, em Natal. Após ampla modernização, a unidade foi transformada em um centro de referência esportiva e social na Zona Sul da capital.

“A entrega da unidade Potilândia totalmente reformada neste aniversário de 80 anos é o exemplo prático da nossa missão: investir no ser humano para fortalecer o estado”, destacou recentemente o empresário Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN.

A reforma ampliou a área construída em quase 60%, totalizando mais de 4,3 mil metros quadrados de estrutura de ponta. Entre as novidades, a unidade passa a contar com novas modalidades esportivas, espaços de convivência modernizados e uma infraestrutura totalmente acessível. A reinauguração de Potilândia simboliza a visão de futuro do Sesc: unidades que acompanham a evolução das necessidades da população potiguar, oferecendo tecnologia e conforto sem perder a essência do atendimento humanizado.

Outro marco é a Sessão Solene na Assembleia Legislativa em homenagem aos 80 anos do Sesc RN e do Senac RN, uma proposta do presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, em reconhecimento à história e impacto social das instituições.

Sesc RN: Bem-estar que gera cidadania
Desde sua criação, o Sesc RN tem sido o braço do Sistema Fecomércio voltado à qualidade de vida. A instituição democratizou o acesso à cultura, saúde e lazer, com unidades fixas em Natal, Macaíba, Mossoró, Caicó, Nova Cruz e São Paulo do Potengi, e com capacidade de expansão para mais cidades potiguares através de eventos, unidades móveis e projetos especiais, como na “Semana S”.

Destaques como o programa Mesa Brasil Sesc, que combate a fome e o desperdício, e as unidades móveis de saúde, como o OdontoSesc, reforçam o papel da entidade em levar atendimento de ponta a comunidades que muitas vezes estariam desassistidas.

No campo cultural, os teatros e galerias do Sesc seguem como palcos essenciais para a produção artística local. Neste campo, destaque para o Teatro Sandoval Wanderley que, após 15 anos de portas fechadas, foi devolvido à cidade sob a gestão do Sesc RN. Com um investimento superior a R$ 6 milhões em modernização e equipamentos, o Sesc assumiu a missão de revitalizar o espaço, garantindo uma programação cultural pulsante e acessível, reafirmando seu compromisso histórico com a arte e a memória dos potiguares.

Senac RN: A força da educação profissional de excelência

Enquanto o Sesc cuida do bem-estar, o Senac RN constrói o futuro profissional. Ao longo de 80 anos, a instituição consolidou-se como a principal ponte entre os potiguares e o mercado de trabalho. Setores vitais da economia, como o comércio e o turismo, foram profissionalizados através de sua excelência educacional.

O Hotel Barreira Roxa, reconhecido internacionalmente como uma escola-modelo, é o exemplo máximo dessa trajetória, unindo hospitalidade de alto nível à formação prática de jovens. Além disso, o Programa Senac de Gratuidade (PSG) garante que o conhecimento chegue a quem mais precisa, transformando potencial em carreira para milhares de pessoas anualmente.

Um sistema, um propósito
O Sesc e o Senac RN são braços operacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, formando juntos o Sistema Fecomércio RN. A Fecomércio atua como a entidade gestora e representativa, enquanto Sesc e Senac executam ações sociais e de qualificação para os comerciários.

Ao atingir a marca histórica, o foco volta-se para a inovação digital e a sustentabilidade, com o Senac avançando em trilhas de tecnologia e o Sesc expandindo sua infraestrutura física e social, mantendo-se ambas instituições indispensáveis para um Rio Grande do Norte mais qualificado e igualitário, como enfatiza o deputado Ezequiel Ferreira ao justificar a homenagem concedida pela ALRN.

O presidente da Casa justifica que o Sesc e o Senac não são apenas entidades privadas, mas parceiras vitais do poder público, suprindo lacunas em áreas onde o Estado muitas vezes não consegue chegar com a mesma agilidade, especialmente em saúde e educação profissional.

O deputado enfatiza ainda que o Senac é o grande responsável por manter o setor de serviços do RN (o que mais emprega no estado) competitivo e qualificado, sendo fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável, e também menciona projetos como o Mesa Brasil e o Programa de Gratuidade, justificando que a homenagem é um reconhecimento por “formar cidadãos e não apenas profissionais”, além d


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ÁUDIOS SINALIZAM USO DA MÁQUINA PÚBLICA NA ELEIÇÃO DE OURO BRANCO

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Áudios atribuídos ao prefeito interino de Ouro Branco, Amariudo Santos, têm provocado repercussão política no município ao levantarem suspeitas de uso da estrutura pública para obtenção de favorecimento eleitoral durante a campanha suplementar, cuja votação acontece no próximo domingo (17). O gestor, que também é presidente da Câmara licenciado e candidato à reeleição, é apontado nas gravações como figura central em articulações envolvendo procedimentos de saúde oferecidos a eleitores.

O conteúdo, que circula nas redes sociais e aplicativos de mensagens, sugere uma possível troca de votos por exames e cirurgias, prática que, se confirmada, pode configurar abuso de poder político e econômico, além de infração à legislação eleitoral brasileira.

Embora grande parte dos áudios esteja com trechos inaudíveis, uma das gravações mostra o prefeito conversando com um morador sobre a realização de um procedimento na área de cardiologia. Na fala, Amariudo indica que acionaria diretamente a estrutura da saúde municipal para agilizar o atendimento.

“Eu vou tirar uma foto aqui e enviar direto pra ela”, afirma, fazendo referência a uma servidora ligada, possivelmente, à Secretaria Municipal de Saúde. Em seguida, complementa: “Eu vou pegar seu nome e CPF, que é o que preciso para agilizar o exame. Não se preocupe que vou acionar a secretaria. Então, se for demorar, eu vou na casa do senhor para a gente fazer particular”.

Em outro trecho que circula nas redes, o prefeito interino alerta o cidadão sobre possíveis consequências do episódio. “Assim como o candidato pode se prejudicar, o cidadão também pode”, afirma.

As gravações intensificaram o debate político no município às vésperas da eleição suplementar e ampliaram questionamentos sobre eventual utilização da máquina pública em benefício eleitoral. Especialistas em direito eleitoral apontam que o uso de serviços públicos para obtenção de apoio político compromete a igualdade de condições entre candidatos e pode resultar em cassação de mandato, inelegibilidade e outras sanções previstas na legislação.

O caso deverá ser acompanhado por órgãos de fiscalização, entre eles o Ministério Público Eleitoral, responsável por apurar possíveis irregularidades durante o processo eleitoral. A reportagem do Diário do RN procurou o prefeito Amariudo Santos para comentar o conteúdo das gravações e as acusações levantadas após a divulgação dos áudios, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

A repercussão ocorre em um momento decisivo para o cenário político local. Amariudo Santos disputa a eleição suplementar após assumir interinamente a Prefeitura na condição de presidente da Câmara Municipal. A nova eleição foi convocada após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte cassar os mandatos do então prefeito Samuel Souto (PL) e do vice-prefeito Dr. Araújo (PP), por abuso de poder político e conduta vedada. A decisão foi mantida posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A trajetória política de Amariudo no município começou em 2004, quando foi eleito vice-prefeito ao lado de Nilton Medeiros, ambos pelo antigo PTB. A dupla foi reeleita em 2008.

Em 2020, Amariudo foi eleito vereador pelo PL e voltou a conquistar mandato em 2024, chegando à presidência da Câmara antes de assumir interinamente o comando do Executivo municipal.


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FALA DE ÁLVARO DIAS SOBRE UERN E CAERN PROVOCA REAÇÃO DE ADVERSÁRIOS

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Uma declaração do pré-candidato ao Governo do Estado pelo PL, Álvaro Dias, sobre a possibilidade de federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e privatização da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) repercutiu no meio político durante o último fim de semana e provocou reações dos demais pré-candidatos ao Executivo estadual.

Durante passagem por Mossoró, ao ser questionado por veículos de imprensa locais sobre os dois temas, Álvaro afirmou que as propostas ainda estão em fase de análise e que qualquer decisão dependerá de estudos técnicos mais aprofundados. O ex-prefeito de Natal ressaltou que o assunto está sendo discutido por uma equipe coordenada pela ex-secretária de Planejamento, Joana Guerra, e pelo economista Soares Júnior.

“Privatização são questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas”, afirmou. Segundo ele, há uma discussão em andamento sobre diferentes alternativas administrativas para o Estado.

“Como, por exemplo, a privatização da Caern, é uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada”, disse.

Álvaro ponderou ainda que uma eventual privatização exigiria investimentos elevados para reestruturar a companhia e melhorar os serviços prestados à população. “Hoje, para você privatizar a Caern, você precisa fazer um investimento importante para melhorar os serviços que a Caern oferece à população. Me deram uma estimativa de que precisa o governo investir em torno de R$ 10 bilhões”, declarou.

Sobre a Uern, o pré-candidato afirmou que também não há definição fechada. “Essa questão da Uern também precisa de um aprofundamento. Todas essas questões não precisam de uma decisão imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para posteriormente tomar essa decisão”, afirmou.

Apesar da cautela adotada pelo pré-candidato ao tratar dos temas, as declarações repercutiram entre adversários políticos, levando Álvaro Dias a reagir novamente após a repercussão negativa das falas. Em nova declaração, ele acusou opositores de distorcerem sua entrevista e negou ter defendido a federalização da universidade estadual.

“Eu tenho mais de 30 anos de vida pública, mas nunca vi algo tão sórdido, tão sujo, tão difícil como essa pré-campanha que nós estamos vendo”, afirmou. Segundo Álvaro, houve uma tentativa deliberada de deturpar o conteúdo da entrevista. “Pessoas fazem armações, preparam armadilhas, usam da astúcia para tentar distorcer a realidade do que é falado”, declarou.

O ex-prefeito também negou ter defendido diretamente a federalização da Uern. “Em nenhum momento eu falei em federalização da Uern. Isso é mentira, isso é fake news”, disse. Em seguida, afirmou que pretende manter o foco da pré-campanha em propostas administrativas. “Vamos debater o Rio Grande do Norte, apresentar soluções e discutir o quadro dramático que o Estado enfrenta. O povo não suporta mais política arcaica, velha e ultrapassada”, completou.

Reação dos adversários
Ao Diário do RN, o pré-candidato do PT, Cadu Xavier, reagiu de forma direta à possibilidade de federalização da universidade estadual. “Federalização? Nunca! A Uern é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico e social do nosso estado”, afirmou.

Já o pré-candidato do União Brasil, Allyson Bezerra, publicou vídeo nas redes sociais defendendo a permanência da universidade sob gestão estadual e criticando qualquer debate sobre privatização ou mudança estrutural da instituição.

“Não mexa com a Uern. A Uern não é problema, a Uern é solução para o Rio Grande do Norte”, declarou. Em outro trecho, Allyson afirmou que “a educação não está à venda e o futuro da nossa juventude não está à venda”.

O ex-prefeito de Mossoró também destacou a importância histórica e social da universidade para o Estado. Segundo ele, a instituição já formou mais de 60 mil profissionais e possui presença em todas as regiões potiguares. “Mais de 80% dos professores das redes municipais e estaduais dos 167 municípios são formados pela Uern”, disse.

Ao defender o modelo de universidades estaduais, Allyson citou exemplos de outros estados brasileiros. “O Ceará possui três universidades estaduais. O Paraná possui sete universidades estaduais. Esses estados entenderam, lá atrás, que investir em educação e interiorização do ensino era investir no desenvolvimento”, afirmou.

A repercussão das declarações ocorre em um momento de intensificação da pré-campanha ao Governo do Estado, em que temas ligados à educação, gestão pública e serviços essenciais começam a ocupar espaço central no debate político para 2026.


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EM “TOM DE DEBOCHE”, STYVENSON VOLTA A DIZER QUE “CONSTRÓI HOSPITAIS”

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O senador e pré-candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) voltou a provocar repercussão nas redes sociais ao afirmar, em tom de deboche, que “constrói hospitais” no Rio Grande do Norte com recursos de emendas parlamentares. A declaração reacendeu críticas sobre a forma como o parlamentar apresenta o destino das verbas enviadas para instituições filantrópicas de saúde, já que, legalmente, emendas parlamentares não podem ser destinadas à construção de equipamentos privados, caso da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer e do Hospital Infantil Varela Santiago.

Em vídeo publicado no último fim de semana, Styvenson afirma repetidas vezes que está “construindo hospitais” no Estado ao citar recursos destinados ao Hospital Infantil Varela Santiago, ao Hospital Oncológico Infantil, no bairro do Alecrim, em Natal, e à Apamim (Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró, responsável por manter o Hospital Maternidade Almeida Castro, em Mossoró.

“Tu sabe, né, que a gente constrói hospitais?”, inicia o senador. Em seguida, ao mencionar unidades de saúde financiadas parcialmente com emendas parlamentares, reforça a narrativa: “A gente pegou R$ 15 milhões de emenda e mandou para lá e está construindo mais um hospital. Deixa eu dizer de novo: construindo”.

Ao longo do vídeo, Styvenson também usa tom provocativo contra críticos e adversários políticos.

“Pega esse teu dedo aí que tu aponta pra vagabundo, político safado e espalha o vídeo”, afirma.

Em outro momento, declara: “Nenhum político teve olhar para criança”. O senador ainda ironiza outros parlamentares ao afirmar que eles deveriam “fazer igual” ao seu mandato.

Apesar do discurso adotado nas redes sociais, as emendas destinadas pelo senador para as entidades citadas são classificadas como recursos de custeio, modalidade voltada para manutenção das atividades hospitalares, medicamentos, folha de pagamento e serviços. A legislação impede o envio de emendas parlamentares para construção de unidades pertencentes a instituições privadas, ainda que elas atendam pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática, o que ocorre é que os recursos de custeio ajudam as instituições a aliviar despesas correntes, permitindo que parte do orçamento próprio seja direcionado para obras estruturantes.

O mecanismo já foi explicado publicamente pelas próprias entidades beneficiadas em ocasiões anteriores.

Discurso reincidente
A insistência de Styvenson nessa narrativa já havia sido tema de reportagem publicada anteriormente pelo Diário do RN. Em agosto do ano passado, o senador fez publicação semelhante ao afirmar que usava emendas parlamentares para “CONSTRUIR HOSPITAIS DESSE PORTE”, em referência ao hospital da Liga em Mossoró. Na postagem, escrita em letras maiúsculas, o senador dizia ter “a honra e o compromisso” de custear a obra com recursos do mandato.

As declarações, no entanto, já foram desmentidas publicamente por representantes da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer e da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer. As instituições explicaram ao Diário do RN, em diferentes ocasiões, que os recursos parlamentares recebidos são de custeio, nunca para construção direta das unidades.

O Relatório Anual de 2023 da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer aponta, por exemplo, que a construção do Hospital do Seridó, em Currais Novos, foi viabilizada com recursos provenientes da economia obtida após despesas correntes serem custeadas por emendas parlamentares. O valor citado no documento foi de R$ 29,1 milhões em emendas de bancada, e não exclusivamente individuais.

Situação semelhante ocorre em Mossoró. Dados do Portal da Transparência mostram que o hospital da Liga na cidade recebeu recursos por meio do Fundo Municipal de Saúde, enquanto parte das emendas destinadas pelo senador foi utilizada para custeio da instituição.

No caso do Hospital Oncológico Infantil, em Natal, relatórios da própria Liga indicam que a principal fonte de financiamento da obra veio do Ministério Público do Trabalho, responsável pela destinação de mais de R$ 22 milhões oriundos de ações trabalhistas.

Mesmo já tendo reconhecido em transmissões ao vivo que a legislação não permite emendas para construção de hospitais privados, Styvenson segue utilizando o discurso como peça central de comunicação política, frequentemente associando as obras diretamente ao próprio mandato e apresentando-se como responsável direto pela construção das unidades hospitalares.


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CRIADORAS DE CONTEÚDO TRANSFORMAM A MATERNIDADE EM REDE DE APOIO DIGITAL

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Dando continuidade a uma série de reportagens especiais sobre maternidade, hoje o Diário do RN conta histórias de mulheres que transformaram experiências pessoais em conexão com milhares de pessoas nas redes sociais. Em comum, elas compartilham a maternidade sem filtros: com cansaço, inseguranças, recomeços e afeto. Em Natal, as influenciadoras Silvana Melo e Karoline Rodrigues usam a internet para mostrar que a vida materna vai muito além da perfeição exibida nas telas.

À frente do perfil @dicasdamamaededuas, Silvana Melo começou a produzir conteúdo ainda com a primeira filha, registrando momentos da rotina, dicas de introdução alimentar e experiências de viagens. Na época, o perfil era fechado. “Eu sempre ouvia: ‘abre esse perfil’. Mas nunca achei que tivesse potencial para isso”, conta.

Foi depois da chegada da segunda filha, conciliando trabalho CLT, home office e duas crianças pequenas, que ela decidiu investir profissionalmente na criação de conteúdo. Estudando de madrugada e nos intervalos do dia, encontrou um nicho pouco explorado: mostrar a estrutura de espaços infantis e brinquedotecas em Natal. O perfil cresceu e passou a atrair marcas locais.

Mas a maternidade, para Silvana, também é marcada por dores. Antes do nascimento da filha mais velha, ela enfrentou uma perda gestacional durante a pandemia. “Foi a pior sensação da minha vida. Mas aquele anjinho trouxe em mim uma vontade ainda maior de ser mãe”, relembra.

Hoje, o diferencial do conteúdo dela está justamente na sinceridade. “O que mais me conecta com as seguidoras é mostrar os perrengues reais: eu me escondendo para comer, a gritaria, a rotina puxada”, afirma. Apesar da exposição, ela diz ter cuidado com o que publica sobre as filhas.

“Penso muito no respeito e no futuro delas. ”

Silvana também reconhece os impactos emocionais da profissão. “A internet é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que ajuda, gera uma cobrança imensa pela perfeição. ” Para ela, falta humanizar a maternidade nas redes. “Gostaria que parassem de cobrar perfeição, porque isso não existe. ”

Já Karoline Rodrigues, influenciadora com mais de 294 mil seguidores, encontrou nas redes um espaço para compartilhar a experiência da maternidade solo. Natural de João Pessoa, mas vivendo no RN há mais de duas décadas, ela trabalhava com viagens e estilo de vida quando descobriu uma gravidez não planejada, no fim de 2022.

“O pai optou por não assumir as responsabilidades. E, quando me tornei mãe solo, precisei amadurecer muito rápido”, relata. Sem romantizar a situação, Karol começou a dividir a própria realidade na internet. O primeiro vídeo sobre maternidade solo viralizou e abriu espaço para milhares de relatos semelhantes.

“Percebi a quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa. Muitas diziam: ‘você está contando a minha história’”, lembra.

Ela afirma que a sociedade ainda responsabiliza a mulher pela ausência paterna. “As pessoas dizem que a mãe solo ‘não soube escolher o pai’. Mas a ausência paterna é uma decisão exclusivamente do homem.”

Hoje vivendo integralmente da internet, Karol divide a rotina entre a criação da filha, campanhas publicitárias e empreendedorismo digital. Mesmo assim, reconhece o peso da cobrança. “Existe uma expectativa absurda para que a mãe solo seja forte o tempo inteiro.”

Assim como Silvana, ela acredita que mostrar vulnerabilidade ajuda outras mulheres. “Muitas mães acham que estão falhando, quando na verdade estão apenas cansadas.”

Entre algoritmos, vídeos e publicidade, as duas influenciadoras transformaram a maternidade em comunidade. Mais do que números, seguidores ou engajamento, encontraram nas redes uma forma de acolher outras mães, mostrando que a maternidade real também merece espaço, voz e pertencimento.


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BOMBEIRAS DO RN: GARRA E DISCIPLINA PARA SALVAR VIDAS E CRIAR BEM OS FILHOS

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Tornar-se mãe altera, e como, a vida das mulheres que atuam no Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte. Essas guerreiras passam para uma dupla jornada: de cuidar dos seus rebentos, além das pessoas desconhecidas, vítimas de acidentes. No quartel, a rotina começa cedo, alternando o expediente entre serviços administrativos e plantões operacionais de combate a incêndio e salvamento. Contudo, o amor pelos filhos e pela profissão faz com que essas bravas mães superem quaisquer circunstâncias.

Uma delas é a soldado Mayara Rachel. Casada, aos 37 anos, ela ingressou há quatro anos na corporação, antes mesmo da maternidade. Hoje, se diz orgulhosa de ser mãe de uma “princesa linda”, de 1 ano e 8 meses, que se chama Maya.

De acordo com ela, sua rotina é marcada por uma dupla jornada intensa e, ao mesmo tempo, muito significativa. “Como mãe, tenho o compromisso diário de cuidar, educar, orientar e estar presente na vida da minha filha. Já na minha atuação profissional, lido com situações de urgência e emergência, prestando assistência a pessoas que muitas vezes estão em momentos críticos de suas vidas”, relatou.

E essa dualidade, salienta a soldado, exige equilíbrio emocional, responsabilidade e, principalmente, humanização. “Em um momento estou acolhendo minha filha, e em outro, estou cuidando de vítimas desconhecidas que precisam de atenção imediata. São papéis diferentes, mas ambos movidos pelo cuidado e pelo compromisso com a vida”.

Diante disso, conciliar essas duas funções não é uma tarefa fácil para Mayara. Exige organização, apoio familiar e muita resiliência. Segundo a militar, existem momentos de cansaço, de ausência e de desafios emocionais, principalmente por lidar com situações delicadas no trabalho. “Não considero uma rotina tranquila, mas sim possível. Com dedicação, planejamento e amor pelo que faço, consigo desempenhar minhas funções com responsabilidade. Cada dificuldade enfrentada fortalece minha capacidade de seguir em frente”, ressaltou.

Entretanto, a soldado revela a maior motivação que, talvez, só as mães sintam no sentido cognitivo da maternidade: “O amor pela minha filha é o que me sustenta, diariamente. É minha base, minha maior força e coragem. Já o amor pela minha profissão está diretamente ligado ao propósito de salvar vidas e ajudar ao próximo. Ser mais humana em cada vida alcançada”.

Nesse sentido, pontuou Mayara, ambos amores são intensos e complementares. Mesmo diante das dificuldades, eles a impulsionam a continuar. “Posso dizer que esse amor, tanto pela minha família, quanto pela farda, supera qualquer circunstância, pois é ele que dá sentido a tudo o que faço”.

Em curso de formação, aspirante conta com o apoio da mãe

Ana Heloisy concilia rotina do curso de formação com a maternidade – Foto: Reprodução

A aluna do curso de formação de praças do CBMRN, Ana Heloisy, também traz o relato das suas experiências como mãe e militar. Casada, mãe de 1 menino de 1 ano e 7 meses, a aspirante conta que engravidou durante o Curso de Formação de Oficiais (CFO).

Assim como a soldado Raquel, conciliar a profissão de Bombeira Militar com as responsabilidades da maternidade é bem difícil para Heloisy, principalmente pelo fato de dela ainda estar em curso de formação, que tem uma rotina intensa, muitas vezes imprevisível, tendo que estudar, fazer trabalhos e atividades do curso, às vezes tendo realizado atividades que exigem bastante do vigor físico. “Quando eu chego em casa, meu filho tem a consciência de que eu estou cansada física ou mentalmente. Não preciso arranjar disposição para dar a atenção que ele precisa. Mas, graças a Deus, tenho o apoio da minha mãe, que cuida dele enquanto eu preciso está ausente. Se não fosse ela, não sei se conseguiria”, relata.

Segundo a aspirante, o amor pela profissão vem do significado que ela mesma tem pela vida das pessoas, principalmente daquelas que um dia já precisaram ser atendidas e tiveram suas vidas salvas pelo Corpo de Bombeiros. Já como mãe, ela frisa que o amor pelo seu filho é incondicional.

“Maior do que tudo que o que eu já senti na vida e não fazia ideia de que seria possível sentir. Supera todo o estresse e o cansaço”.

Já na formação militar, Heloisy revela que, quando se depara com alguma vítima, sempre vem o questionamento: “Será que essa pessoa tem filhos? ”. E isso a motiva ainda mais a realizar o atendimento da melhor forma, justamente pela empatia de se colocar no lugar da vítima. “Penso que ela precisa ficar bem o mais rápido possível para poder voltar a cuidar do filho. Esse sentimento surgiu depois que eu fui mãe. Ao mesmo tempo


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EZEQUIEL MANTÉM SILÊNCIO SOBRE APOIO À CHAPA MAJORITÁRIA NO RN

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Faltando pouco mais de dois meses para o início das convenções partidárias, previstas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 20 de julho e 5 de agosto, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), segue sem sinalizar oficialmente qual chapa majoritária apoiará nas eleições de 2026. A indefinição do dirigente tucano tem movimentado os bastidores da política potiguar e alimentado especulações sobre o posicionamento do grupo liderado por ele na disputa pelo Governo do Estado e pelas vagas ao Senado Federal.

Embora evite antecipar qualquer definição eleitoral, Ezequiel tem feito movimentos interpretados como gestos de aproximação com diferentes campos políticos. No âmbito administrativo, o deputado estadual tem mantido alinhamento com a governadora Fátima Bezerra (PT). Em fevereiro deste ano, durante a leitura da mensagem anual do Executivo na Assembleia Legislativa, o parlamentar fez elogios públicos à condução da gestão estadual, gesto visto como sinal de boa relação institucional e política.

Ezequiel Ferreira também já esteve bem próximo ao prefeito de Natal, Paulinho Freire, que é aliado do pré-candidato Álvaro Dias. Os dois faziam parte do grupo que planejava assumir o partido Republicanos no Rio Grande do Norte, do qual também faziam parte o presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, e o ex-vice-governador Fábio Dantas. Os encontros para articulação de nominatas competitivas para a Assembleia e Câmara Federal chegaram a ser registrados e amplamente divulgados. Na época, Fábio Dantas declarou ao Diário do RN que a expectativa, pelas projeções internas, era poder alcançar até sete cadeiras estaduais, além de tentar viabilizar duas ou três vagas em Brasília.

O Republicanos era uma saída para Ezequiel Ferreira diante das alterações provocadas após o rompimento do vice-governador Walter Alves (MDB) com a governadora Fátima Bezerra (PT) e a escolha pela aliança com a federação União Progressista, que tem como pré-candidato ao governo Allyson Bezerra (UB).

Os planos caíram por terra justamente quando o próprio Allyson Bezerra tomou para si o Republicanos no Rio Grande do Norte, em uma articulação direta com a direção nacional do partido.

Enquanto mantém cautela na discussão majoritária, o PSDB tem intensificado o trabalho de organização da chapa proporcional. Nesta quinta-feira (7), lideranças do partido participaram de um café da manhã na casa do ex-vice-governador Fábio Dantas, em Natal.

Ao Diário do RN, Fábio Dantas afirmou que o encontro teve foco exclusivo na montagem da nominata proporcional. Segundo ele, a discussão sobre participação na chapa majoritária será feita “sem pressa”, apenas mais próximo das convenções partidárias. “O grupo vai discutir a majoritária sem pressa até o mês de julho”, afirmou.

Em nota divulgada após a reunião, o grupo informou que “aconteceu um café da manhã na casa do ex-vice-governador Fábio Dantas sobre estratégias da nominata do PSDB para a Assembleia Legislativa e também discussões sobre os nomes que nos próximos dias serão lançados a deputado federal”. O texto acrescenta que o partido já possui “12 nomes prontos para a luta”, mirando uma vaga na Câmara Federal.

Já para a Assembleia Legislativa, entre os nomes confirmados estão o próprio Ezequiel Ferreira, que não participou da reunião desta manhã; os deputados estaduais Cristiane Dantas e Taveira Júnior; os vereadores de Natal Eriko Jácome e Léo Souza; além de lideranças regionais como Gustavo Soares, Dra. Júlia Ferreira, Daiana Valentim e Júnior Colaça. Também devem integrar a nominata a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão; e a ex-reitora da Ufersa, Ludimilla Oliveira. Nos bastidores, a expectativa do grupo de Ezequiel é ocupar pelo menos cinco cadeiras na Assembleia Legislativa em 2027.


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CONGRESSO DA FEMURN REÚNE OS 167 MUNICÍPIOS POTIGUARES EM NATAL

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O 4º Congresso Conecta Municípios Potiguares chega ao último dia nesta sexta-feira (08) consolidado como o maior encontro municipalista do Rio Grande do Norte. Realizado no Centro de Convenções de Natal, o evento reuniu representantes dos 167 municípios potiguares e contabilizou cerca de 2 mil inscritos entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários, técnicos, estudantes e representantes de instituições públicas e privadas.

Promovido pela Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), o congresso transformou a capital potiguar em um espaço de debates sobre gestão pública, inovação e fortalecimento das administrações municipais. Ao longo dos três dias, os participantes tiveram acesso a palestras, capacitações, estandes de apoio técnico, serviços institucionais e encontros políticos voltados à pauta municipalista.

Ao Diário do RN, o presidente da FEMURN, José Augusto Rêgo, avaliou o evento como um reflexo do fortalecimento do municipalismo no Estado. “A presença maciça de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários, equipes técnicas, órgãos de controle, instituições públicas, pré-candidatos ao Governo do Estado e parceiros institucionais demonstra o fortalecimento do municipalismo potiguar e o compromisso dos gestores com a qualificação da administração pública”, afirmou.

Segundo ele, o congresso também tem impacto direto no desenvolvimento das cidades. “O Congresso Conecta Municípios Potiguares contribui, na prática, para o desenvolvimento econômico, administrativo e social das cidades do Rio Grande do Norte ao aproximar gestores públicos, órgãos de controle, instituições, empresas e especialistas em um ambiente voltado à troca de experiências, capacitação e construção de soluções para os desafios dos municípios”, destacou.

Entre os espaços mais procurados estiveram os estandes de instituições como Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), Assembleia Legislativa, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste, que ofereceram orientações técnicas e informações sobre programas de financiamento e apoio às gestões municipais.

Integrando as principais preocupações apresentadas pelos gestores durante o congresso está a reforma tributária. De acordo com o presidente da FEMURN, os prefeitos defendem mecanismos que garantam a manutenção da arrecadação municipal. “A principal preocupação dos prefeitos hoje é garantir que a reforma tributária não provoque perda de arrecadação nem redução da autonomia financeira dos municípios, especialmente das cidades pequenas e médias que dependem fortemente do ISS e do FPM para manter os serviços públicos funcionando”, afirmou.

O dirigente também chamou atenção para a dependência crescente das emendas parlamentares para investimentos nas cidades. “Embora as emendas sejam fundamentais e tenham ajudado muito os municípios, o ideal é que as cidades tenham receitas mais estáveis e autonomia financeira para planejar suas ações de forma permanente”, pontuou.

SABATINA DE PRÉ-CANDIDATOS AO GOVERNO
Além das discussões técnicas, o congresso também abriu espaço para o debate político com a participação dos pré-candidatos ao Governo do Estado em encontros promovidos pela FEMURN.

Durante o evento, os postulantes ao Executivo estadual assinaram uma carta de intenções em que se comprometem, caso eleitos, a priorizar pautas consideradas estratégicas para os municípios potiguares e manter uma relação de diálogo com as gestões municipais.

Para José Augusto Rêgo, a expectativa da entidade é fortalecer a pauta municipalista no debate eleitoral de 2026. “A FEMURN espera que os pré-candidatos ao Governo do Estado assumam compromissos concretos com o fortalecimento dos municípios e com uma relação mais municipalista, baseada no diálogo permanente, na cooperação institucional e no respeito às responsabilidades das prefeituras”, disse.


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CAMPANHA MAIO AMARELO REFORÇA MENSAGEM DE EMPATIA NO TRÂNSITO

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Nesta quinta-feira (07), a Prefeitura do Natal, através da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), lança a campanha Maio Amarelo 2026. O objetivo é conscientizar a população para a redução de acidentes e óbitos no trânsito da capital.

Neste ano, o movimento adota o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, incentivando motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a refletirem e adotarem comportamentos mais conscientes e focados no coletivo nos ambientes urbanos.

Durante o evento de lançamento do Maio Amarelo, a secretaria vai detalhar uma série de iniciativas que serão realizadas ao longo do mês. Ações educativas como blitze de conscientização e intervenções urbanas, com foco na valorização da vida e na construção de um trânsito mais seguro.

ESTATISTICAS
Também nesta quinta-feira, a secretaria deve divulgar números atualizados sobre os acidentes de trânsito em Natal. Os números disponíveis até o momento referem-se a ocorrências registradas até agosto do ano passado quando, de janeiro a agosto, ocorreram 889 acidentes. O aumento é de mais de 12% se comparado aos 792 registrados no mesmo período de 2024.

Essa semana, o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) divulgou números extraídos do relatório do Observatório de vigilância sobre violência no trânsito, uma nova funcionalidade incorporada ao sistema Protocolo Eletrônico do Paciente (PEP Mais RN).

O cenário é de alerta para a segurança viária no Rio Grande do Norte, especialmente em Natal. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior e mais importante do estado para atendimento de traumas, atende uma vítima de acidente de moto a cada três horas.

Os dados são monitorados desde janeiro de 2025, registrando pico de internações em dezembro de 2025, quando alcançou 304 casos no mês. Por outro lado, o menor número de internações foi registrado em abril deste ano, com 211 ocorrências.

Segundo os pesquisadores do LAIS, os números de acidentados trazem uma sobrecarga ao sistema de atendimento, apontando para um cenário crítico de sua capacidade, com uma média semanal de 58 atendimentos. “Na prática, o hospital recebe um novo trauma de motos a cada três horas, ininterruptamente. Qualquer variação acima, sobrecarrega as salas de cirurgias e as equipes de ortopedia”, argumentou o pesquisador Ricardo Valentim.

SOBRE O MAIO AMARELO
A campanha Maio Amarelo é um movimento global de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito, buscando colocar o tema em pauta com engajamento de toda a sociedade: órgãos governamentais, empresas, entidades de classe, associações e cidadãos, sempre colocando a preservação da vida em primeiro lugar.

A cor amarela simboliza atenção e advertência, e a escolha do mês de maio refere-se à criação da Década de Ação para Segurança no Trânsito. Juntas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceram a meta de reduzir em pelo menos 50% o número de mortes e lesões no trânsito até o ano de 2030.

Em Natal, o lançamento oficial do Maio Amarelo acontece no Auditório do Parque da Cidade, a partir das 9h, reunindo representantes do poder público, instituições parceiras e sociedade civil.

A iniciativa visa reforçar o compromisso da gestão municipal com políticas públicas voltadas à segurança viária e à mobilidade urbana responsável.


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MAGISTRADA POTIGUAR DETALHA DESAFIOS DA MATERNIDADE E CARREIRA PROFISSIONAL

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A rotina da mãe moderna, durante a criação dos filhos ao longo da vida, exige muitos compromissos. Não são raras as vezes em que parece uma missão impossível conciliar todos esses papéis, principalmente quando a profissão envolve julgar situações delicadas, como violência doméstica, ações de guarda, alimentos, visitas e dissolução conjugal. Pelo menos é esse o caso de quem trabalha no Poder Judiciário, sobretudo nas Varas de Família.

Uma dessas pessoas é a juíza Fátima Soares, que acumula 32 anos de magistratura, dos quais 17 foram dedicados à Vara de Família, na Comarca de Natal – uma área extremamente sensível e humana, que exige não apenas conhecimento jurídico, mas também equilíbrio, escuta e sensibilidade social.

Ao longo da trajetória, ela sempre entendeu que ser mãe e magistrada são dois propósitos profundamente ligados ao cuidado, à responsabilidade e ao compromisso humano.

Evidentemente, surgiram desafios, sobretudo na administração do tempo e das emoções, mas Fátima procurou viver ambas as funções com dedicação, equilíbrio e amor. “A magistratura exige firmeza; a maternidade, acolhimento. Aprendi que é possível exercer ambas com harmonia”, disse.

Fátima lembra que sempre incentivou seus filhos a estudarem, buscarem independência e realizarem-se profissionalmente naquilo que os fizessem felizes. Naturalmente, por conviverem em um ambiente jurídico, o filho mais velho teve proximidade com a área do Direito. Contudo, frisou a magistrada, nunca houve imposição. “Entendo que cada pessoa deve encontrar sua própria vocação”.

O primogênito, Isaac, foi o único a seguir a carreira da mãe. Inicialmente, exerceu por quatro anos, o cargo de Juiz de Direito em Goiás. Depois, fez concurso para a magistratura em Sergipe e por lá permaneceu por quase 11 anos. Atualmente, é Juiz de Direito em Caicó, titular da 3ª Vara.

Já o filho do meio, Felipe, trilhou os passos do pai e do avô materno. Tornou-se bacharel em Contabilidade, mas desempenha as atividades de empresário, no ramo de medicamentos. Quanto à caçula, Sara Isabella, é bacharel em Publicidade, Gastronomia e Especialista em Gestão de Empresas e Negócios pela USP/SP. Atualmente, executa a profissão de empresária, no ramo de consultoria internacional.

Mesmo sendo uma mãe presente e dedicada, a administração do tempo nunca foi simples para Fátima. “A magistratura exige muito, especialmente em Varas de Família, onde lidamos, diariamente, com conflitos emocionais intensos. Procurei, contudo, estabelecer prioridades, reservar momentos de qualidade para a família e compreender que presença afetiva muitas vezes vale mais que quantidade de tempo. Organização, apoio familiar e equilíbrio emocional foram fundamentais”, relatou a juíza.

Sensibilidade como mãe também ajudaram no exercício da magistratura – Foto: Reprodução

Desafios da carreira
Diante das nuances da conciliação do papel de mãe com a carreira no Poder Judiciário potiguar, a juíza Fátima Soares destaca não só a responsabilidade com ambas, mas também sensibilidade e as exigências peculiares.

Atualmente, as Varas de Família enfrentam desafios muito complexos. São conflitos cada vez mais judicializados, relações familiares fragilizadas e, muitas vezes, profundas desigualdades econômicas e emocionais entre as partes. Segundo a magistrada, as mulheres ainda enfrentam dificuldades significativas, especialmente em questões relacionadas à sobrecarga materna, violência psicológica, dependência financeira e descumprimento de obrigações alimentares. Para ela, o grande desafio do Judiciário é assegurar proteção integral sem perder de vista a imparcialidade e o melhor interesse das crianças e adolescentes.

De acordo com Fátima, situações de ocultação patrimonial e inadimplência alimentar ainda são relativamente frequentes nas Varas de Família. Em muitos casos, frisou, percebe-se que tais condutas ultrapassam a mera questão financeira e acabam funcionando como formas de manutenção de poder, controle emocional ou retaliação após o término da relação. “O Judiciário tem buscado mecanismos mais eficazes para coibir essas práticas e garantir a efetividade das decisões judiciais”.

Outro tema extremamente delicado e que exige análise cuidadosa caso a caso é a alienação parental. Para a magistrada, é importante evitar generalizações. “Existem situações reais de alienação parental, assim como também há casos em que alegações são utilizadas de forma estratégica em disputas familiares. Por isso, o magistrado precisa atuar com extrema cautela, ouvindo equipes interdisciplinares, analisando provas e priorizando sempre a proteção integral da criança e do adolescente”, explicou.

Muitas vezes, as mulheres enfrentam revitimização nos tribunais, onde estereótipos de gênero influenciam decisões, ignorando o contexto de desigualdade. Nesse sentido, a magistrada potiguar reconhece essa realidade como sendo uma preocupação legítima e que precisa ser constantemente enfrentada pelo sistema de justiça. Apesar do Poder Judiciário brasileiro estar evoluindo nesse debate, especialmente com maior conscientização acerca dos estereótipos de gênero, Fátima observa que, ainda assim, é necessário permanente capacitação e sensibilidade institucional. Quanto aos movimentos contemporâneos, que reforçam discursos de intolerância ou de antagonismo entre homens e mulheres, a juíza entende que o caminho mais saudável continua sendo o diálogo, o respeito mútuo e a construção de relações baseadas na dignidade humana e na igualdade de direitos.

Frequentemente, mulheres que possuem medidas protetivas também buscam no Juízo de Família soluções relacionadas aos filhos e à reorganização familiar. Na percepção de Fátima, trata-se de uma realidade presente em diversos estados brasileiros, inclusive no Rio Grande do Norte. “Isso demonstra como violência doméstica e conflitos familiares muitas vezes caminham interligados, exigindo atuação articulada e humanizada do sistema de justiça”.


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PREFEITA DE MACAU, FLÁVIA VERAS, É DENUNCIADA CRIMINALMENTE PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DENUNCIA CRIMINALMENTE

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A prefeita de Macau, Flávia Veras, passou à condição de denunciada na Justiça após o Ministério Público do Rio Grande do Norte formalizar acusação criminal por usurpação de função pública.

A denúncia foi apresentada no âmbito do processo nº 0800672-80.2025.8.20.5105, que tramita no Juizado Especial da Comarca de Macau, e tem como base um episódio ocorrido ainda antes da posse da gestora.

De acordo com o Ministério Público, no dia 17 de outubro de 2024, a então prefeita eleita, ainda sem qualquer investidura legal no cargo e expediu o ofício nº 03/2024 à empresa responsável por uma obra pública no município, determinando a paralisação imediata dos serviços e a suspensão dos pagamentos.

A intervenção atingiu diretamente a reforma da Praça das Mães, uma obra em andamento sob responsabilidade da iniciativa privada em parceria com o município.

Na denúncia, o Ministério Público é categórico ao afirmar que houve exercício indevido de função pública.

Segundo a promotora do caso Isabel de Siqueira Menezes, a denunciada “praticou ato próprio da função pública […] simulando possuir autoridade e competência que ainda não lhe eram conferidas.”

O órgão vai além e sustenta que não houve equívoco ou interpretação errada da situação, mas sim consciência da ilegalidade “O dolo está evidenciado na consciência da denunciada de que não havia tomado posse e, ainda assim, assumiu indevidamente atribuições de agente pública.”

Na prática, o MP afirma que a prefeita eleita sabia que não podia agir e mesmo assim interferiu diretamente em contrato administrativo e o fez em nome do Município

DA PROPOSTA DE ACORDO À DENÚNCIA
O caso teve início como um Termo Circunstanciado de Ocorrência, procedimento destinado a infrações de menor potencial ofensivo.

Inicialmente, o Ministério Público ofereceu uma proposta de transação penal, que permitiria encerrar o caso sem ação judicial, mediante prestação de serviços comunitários ou pagamento de multa equivalente a dois salários mínimos. A proposta, no entanto, foi recusada pela investigada.

A decisão teve efeito imediato, e o que poderia ser resolvido com acordo, evoluiu para denúncia criminal formal. Com isso, o Ministério Público requereu o recebimento da denúncia, a citação da acusada e a abertura de processo penal

Caso a Justiça aceite a denúncia, a prefeita Flávia Veras passará oficialmente à condição de ré.

Poder e herança judicial
A denúncia criminal contra Flávia Patrícia Tavares Veras Vieira não é apenas um episódio isolado, ela acende um alerta sobre o padrão que pode marcar a nova gestão em Macau.

Filha do ex-prefeito Flávio Veras, a prefeita eleita chega ao poder sob a sombra de um político que, ao longo dos anos, se habituou a dividir espaço entre a administração pública e os corredores das cadeias e do Judiciário.

Agora, o enredo ganha um novo capítulo e de forma precoce, antes mesmo da posse, Flávia já enfrenta uma denúncia criminal por, segundo o Ministério Público, ter ultrapassado os limites legais ao agir como prefeita sem estar investida no cargo. A acusação não trata de falha burocrática, mas de atuação consciente, conforme sustenta a promotoria.

A recusa em encerrar o caso por meio de acordo reforça a disposição de levar o embate até o fim, transferindo para a Justiça a definição sobre um episódio que poderia ter sido resolvido de forma mais discreta.

O resultado é um início de trajetória marcado não por agenda administrativa, mas por enfrentamento judicial.

E, em Macau, isso não é exatamente novidade.

Usurpação de função pública (art. 328 do Código Penal)
O crime ocorre quando alguém exerce função pública sem autorização ou pratica atos típicos de um cargo sem estar investido nele e a pena pode incluir detenção e multa


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OURO BRANCO: EXPLOSÃO NA FOLHA E R$ 1,5 MILHÃO DE GASTOS EM COMBUSTÍVEL

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Em Ouro Branco Os números não mentem, escancaram um cenário preocupante nas contas públicas do município. Em apenas 90 dias de 2026, a Prefeitura já torrou R$ 3.078.432,95 com folha de pagamento, superando o mesmo período de 2025, quando o gasto foi de R$ 2.946.080,63.

O que mais chama atenção é o avanço dos cargos comissionados, que saltaram de R$ 266.465,03 para R$ 309.722,94. Um crescimento que levanta suspeitas sobre possível inchaço da máquina pública, prática recorrente em anos eleitorais.

Portal da Transparência aponta valores da folha de pagamento do funcionalismo no ano de 2025 – Foto: Reprodução
Documento mostra que o comparativo entre 2025 e 2026 houve um aumento considerável nos valores – Foto: Reprodução

ROMBO NO TANQUE: R$ 1,5 MILHÃO EM COMBUSTÍVEL
Se a folha já preocupa, os gastos com combustível beiram o absurdo. Somente em 2025, a gestão municipal despejou R$ 970.697,05 em um único posto localizado em Santa Luzia, na Paraíba.

Agora, em 2026, o ritmo segue acelerado: R$ 478.404,73 já foram consumidos em poucos meses.

No acumulado, a conta ultrapassa R$ 1,5 milhão, um valor que exige explicações urgentes sobre controle, fiscalização e necessidade real dessas despesas.

FROTA CARA E SEM FREIO
Como se não bastasse, os gastos com manutenção de veículos também disparam. Em 2025, foram R$ 960.070,03. Em 2026, já são R$ 199.718,32 liquidados, mantendo a frota municipal como um dos principais focos de drenagem de recursos públicos.

ANO ELEITORAL E MÁQUINA INCHADA
O cenário segue um roteiro conhecido: ano eleitoral, aumento da folha, crescimento de comissionados e despesas operacionais fora da curva. O problema é que quem paga essa conta é o contribuinte.

Dados extraídos do Portal da Transparência mostram que o município começa a despertar a atenção de órgãos fiscalizadores e de controle, diante de cifras que fogem da normalidade para um período tão curto do ano.

Com despesas em alta e sem sinais de contenção, a gestão de Ouro Branco passa a operar sob forte pressão. A pergunta que fica é direta: há planejamento ou descontrole nas contas públicas?
Se os números continuarem nesse ritmo, o que hoje é alerta pode, em breve, se transformar em alvo de investigação.


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CADU DIZ QUE ALLYSON É “ILUSIONISTA” E “GRANDE MAQUIADOR DE MOSSORÓ”

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O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PT, Cadu Xavier, elevou o tom das críticas ao também pré-candidato Allyson Bezerra, do União Brasil, ao classificar a gestão do mossoroense como “maquiada” e baseada em estratégias de marketing. Em entrevista ao Diário do RN, Cadu afirmou que pretende confrontar o adversário diretamente durante a campanha, sustentando que há uma discrepância entre a imagem divulgada nas redes sociais e a realidade administrativa.

“A vida real versus a vida de rede social. De uma gestão maquiada, de uma gestão baseada em marketing, em rede social”, disse, ao comentar o comparativo que Allyson tem proposto entre administrações. Segundo ele, o grupo governista está preparado para o embate. “A gente tem muita tranquilidade, muita segurança de fazer o debate com qualquer um. Eu estou cada vez mais ansioso para esse debate”, completou.

Ao situar a disputa em um cenário político mais amplo, Cadu também associou os principais adversários a diferentes campos nacionais e alianças locais. “Eu diria que hoje nós temos Cadu de Lula, Álvaro de Bolsonaro e Allyson de Robinson Faria, José Agripino. É isso que a gente vai falar pro povo”, afirmou.

Mais além, ao intensificar as críticas ao adversário, Cadu Xavier afirmou que a imagem construída pela gestão de Mossoró não deve se sustentar ao longo da campanha. “Allyson foi o grande maquiador de Mossoró e essa maquiagem vai ser desmanchada na campanha. O Ministério Público já vem investigando essa maquiagem. É só olhar as contestações do MP na gestão da saúde, da educação”, declarou. Acho que o mundo real está começando a se impor para o ilusionista de Mossoró”, declarou, associando o oponente a uma narrativa que, segundo ele, será desfeita ao longo da campanha.


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