Pré-candidato a deputado estadual pelo MDB, o ex-vereador de Natal Luiz Carlos avalia que o PT não soube fortalecer o vice-governador para a eleição 2026. A crítica à forma como o PT conduziu a relação política com o vice-governador Walter Alves, avaliando que erros sucessivos do partido acabaram por enfraquecer o MDB e levar ao rompimento político com a governadora Fátima Bezerra (PT).
“O PT errou com Walter Alves, na minha opinião, desde do início, quando não soube fortalece-lo para a eleição de 2026. Confirmou isso quando, em 2024, na eleição de prefeito, não aceitou uma indicação do MDB para vice na chapa de Natália Bonavides, e para piorar colocou um outro nome para vice, sem peso o suficiente que justificasse o não ao MDB”, avalia.
A fala ocorre em meio ao cenário já amplamente discutido nos bastidores da política potiguar: a decisão de Walter Alves de não disputar o Governo do Estado em 2026, não assumir o governo do RN em caso de renúncia da governadora, o desgaste da relação com o PT e a reconfiguração de alianças que empurrou o MDB para fora da base governista.
Na avaliação de Luiz Carlos, o PT deveria ter seguido uma lógica comum na política nacional. “Era para ter tornado Walter um supersecretário, como todos fazem com seu futuro candidato. O PT precisa aprender com Lula: para ganhar eleições é necessário aliança. O PT vaiou Alckmin quando Lula o trouxe para ser seu vice. O resultado apertadíssimo contra Bolsonaro mostrou que Lula precisou da aliança”, disse.
Luiz Carlos defendeu que, diante do desgaste do atual governo estadual, o MDB buscou um caminho pragmático.
“O MDB parte para aliança com Allyson. Acho que, no momento, é o melhor caminho. É notório o desgaste deste último mandato de Fátima”, afirmou. Para ele, o lançamento antecipado do nome de Cadu Xavier pelo PT agravou o isolamento político do partido. “Esse lançamento afastou o MDB. Não só o MDB: isolou o PT. Não dá para se ter Fátima no Senado e PT no Governo sem alianças”, criticou Luis Carlos.
Construção da pré-candidatura Luiz Carlos é um dos nomes a compor a nominata a deputado estaual do MDB, formada com a presença do próprio Walter Alves, que busca ingresso na Assembleia Legislativa. O ex-vereador reconheceu que a disputa exige foco e estratégia. “Toda eleição é difícil, e para deputado estadual, como será a minha, requer muito mais foco. Sou engenheiro, professor, ex-vereador, atuo no esporte, e hoje as redes sociais ajudam muito”, listou, apostando no histórico profissional e político para ampliar suas chances.
Segundo ele, a pré-candidatura ganhou corpo após convite da direção do MDB, liderada por Walter Alves e Garibaldi Filho. “Consultei familiares e amigos mais próximos e resolvi criar um grupo no WhatsApp para sentir a nossa pré-candidatura. Desde a criação, em outubro de 2025, já entraram mais de 800 amigos”, relatou.
Caso eleito, Luiz Carlos afirma que pretende concentrar atuação em áreas específicas. “A fiscalização do Executivo, Educação e Esporte serão as principais pautas”, afirmou. Ele destacou a atuação prévia nessas áreas, citando um canal educacional com mais de mil videoaulas e uma web TV com programação 24 horas, além da presença constante no esporte amador.
Sobre a formação da nominata do MDB, o pré-candidato demonstrou otimismo. “Ainda está se formando, mas o MDB tem muitos prefeitos, vices e mais de 360 vereadores. Sentando e conversando, isso está sendo trabalhado. Eu sou uma prova de que o partido tem condição de fechar uma nominata forte”, avaliou. Para Luiz Carlos, a definição do novo governador por meio de eleição indireta pode fortalecer ainda mais o partido no processo eleitoral de 2026.
Aberta desde o mês de dezembro, a exposição “Reinos do Imaginário” permite que o público potiguar mergulhe em um sertão reinventado na Pinacoteca Potiguar. A mostra do artista potiguar AZOL propõe uma leitura sensorial, simbólica e profundamente subjetiva do sertão nordestino. Conhecido por suas pinturas e fotografias, o artista amplia seu repertório ao incluir peças tridimensionais em madeira, barro, metal, porcelana, tapeçaria e mobiliário, criando um universo que mistura religiosidade, estética medieval e referências populares. Em cartaz até 22 de fevereiro, a exposição já recebeu quase 3.500 visitantes desde a abertura.
Com visitação gratuita, a mostra é estruturada em quatro módulos, que organizam a experiência do visitante por meio de cores, aromas e trilhas sonoras próprios. Esses elementos compõem ambientes que procuram traduzir diferentes camadas de um sertão moderno e mitológico, dividido em: Reino do Encoberto, Reino do Silêncio Ardente, Reino da Cruz Errante e Reino do Chão das Promessas. Cada núcleo apresenta suas próprias atmosferas, conduzindo o público por uma espécie de narrativa sensorial e emocional.
AZOL conta que a ideia do projeto começou a tomar forma ainda nas pesquisas para sua exposição anterior, “O Sertão Virou Mar”, de 2022, mas ganhou força após viagens feitas em 2024 por diferentes regiões do Nordeste. Nessas andanças, o artista se aprofundou na arquitetura sertaneja e passou a observar casas do interior representadas de forma fragmentada que, quando ampliadas, lembravam coroas. A partir daí, surgiu o impulso de inserir traços humanos nas obras.
“Ao ampliar isso, surgiu a figura do rei e da rainha com traços do fenótipo indígena e afrodescendente como ferramenta de fortalecimento dessa identidade, somada à ideia monárquica de reinos que simbolizam uma verdadeira mitologia”, relata.
O processo criativo também foi alimentado por uma imersão em expressões populares de fé. AZOL percorreu cerca de três mil quilômetros por cidades da Bahia, Pernambuco e Ceará, reunindo imagens e memórias ligadas a tradições religiosas. Esse conjunto de vivências deu origem aos quatro reinos que estruturam a exposição.
“O conceito dos quatro reinos nasceu de uma fábula sobre um andarilho que vagueia pelo sertão em busca de mistério. Ele passa pelo Reino da Cruz Errante, terra de penitentes e peregrinos; pelo Reino do Chão das Promessas, onde o barro é protagonista; pelo Reino do Encoberto, onde tudo é presença oculta; e, por fim, pelo Reino do Silêncio Ardente, ligado aos saberes ancestrais do sagrado feminino”, descreve o artista.
Responsável pela curadoria da exposição, Manoel Onofre destaca que a mostra apresenta o sertão como um território onde a memória e o sagrado se entrelaçam, criando uma experiência que extrapola o olhar.
“Ao transitar pelos Reinos do Imaginário de AZOL, inventados e reinventados, o espectador é convidado não apenas a observar, mas a participar de uma experiência sensível de reconhecimento e escuta. Em cada obra, reverbera o eco de um tempo que não passa, mas pulsa, onde o invisível é matéria, o sagrado é gesto e a memória, território vivo. Reinos do Imaginário se firma, assim, como um convite à travessia interior, um percurso simbólico por entre ruínas de fé, fragmentos de mitos e promessas de futuro, onde a arte se torna ferramenta de encantamento, reconexão e permanência”, afirma o curador.
Entre as obras que devem atrair a atenção do público, está uma instalação modular em madeira que remete a um castelo, com nichos que abrigam cabeças de reis. A peça dialoga com outros elementos expostos, como tronos, totens e um gazebo que representam a divisão entre os reinos. Outro destaque é uma escultura inspirada nas cúpulas do Castelo de Zé dos Montes, ponto turístico de Sítio Novo, no Rio Grande do Norte.
“É uma experiência imersiva, uma exposição que deve provocar no público o resgate de uma memória afetiva. É para o público observar não apenas as obras expostas, mas também, as sensações que delas surgem ao adentrar pelos reinos”, traduz o artista.
“Reinos do Imaginário” conta com apoio institucional do Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação José Augusto, responsáveis pela administração do Palácio Potengi, sede da Pinacoteca do Estado.
O nome da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) passou a circular nos bastidores da política potiguar como uma possível vice na chapa encabeçada por Cadu Xavier (PT) para a disputa ao Governo do Rio Grande do Norte. A possibilidade surge em meio às mudanças no cenário eleitoral provocadas pela decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo e de se colocar como pré-candidato a deputado estadual. Em conversa com o Diário do RN, Larissa confirmou que o tema da sucessão estadual tem sido tratado em diálogos informais dentro do campo governista, mas deixou claro que não houve, até o momento, qualquer convite oficial para compor chapa majoritária. Segundo ela, as conversas ocorreram de forma preliminar, especialmente com lideranças do PT.
“Eu tenho conversado com Samanda (Alves, presidente do PT-RN). A gente ainda não fez uma conversa partidária em que a executiva do PT e do PSB se reunissem para tratar do assunto das eleições. Foi informal a nossa conversa. A gente falou sobre sucessão, obviamente falamos, mas não sobre vice”, explicou.
Apesar das especulações sobre a vice, Larissa confirmou que, neste momento, seu nome está colocado como pré-candidata à Assembleia Legislativa. Larissa ressaltou que qualquer avanço nesse sentido depende, necessariamente, da instância partidária. “Se por acaso eu for convidada, eu preciso consultar o partido. Isso é uma coisa que passa pela instância partidária, tem que dialogar com o partido”, frisou.
Durante o diálogo com o Diário do RN, a ex-parlamentar destacou ainda a avaliação positiva que faz do nome de Cadu Xavier, atual secretário da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo. “Eu acho que Cadu é um excelente quadro, acho que tem todas as possibilidades de ter sucesso”, afirmou.
Ela também revelou ter conversado com Cadu sobre a possibilidade de mandato tampão, caso a governadora Fátima Bezerra renuncie para disputar o Senado. No entanto, confirma que a prioridade do PT é emplacar Cadu Xavier já na eleição indireta, ou o deputado Francisco do PT.
No campo partidário, Larissa relatou articulações para fortalecer as nominatas proporcionais, especialmente no PSB. Segundo ela, está no radar uma conversa com o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves.
“Eu vou procurá-lo para saber se ele topa vir para o PSB, para saber qual a candidatura que ele deseja, porque a gente está trabalhando para ter as duas nominatas”, afirmou, acrescentando que tratou do tema com o prefeito do Recife e vice-presidente nacional do PSB, João Campos.
Sobre a reviravolta política provocada pela decisão de Walter Alves, Larissa foi crítica à forma como o vice-governador conduziu o processo. “Eu sei que Walter tem o direito de ser candidato a deputado estadual. Eu só não acho que foi correta a forma como ele fez isso. Em vez dele chegar e dizer ‘eu quero ser candidato, por isso não assumirei o governo’, ele tentou arranhar, desgastar a imagem de Fátima para justificar o fato dele não assumir”, avaliou.
Questionada se concorda com a avaliação negativa que Walter faz da atual gestão, Larissa foi enfática. “O governo ruim quem pegou foi Fátima quando assumiu, com os salários atrasados, fornecedores atrasados, aquela situação que a gente conhece”, concluiu.
Os gastos da Prefeitura de Extremoz com limpeza urbana registraram um crescimento acelerado nos últimos dois anos. Dados oficiais do Portal da Transparência da Prefeitura de Extremoz apontam que o serviço custou R$ 9.884.918,67 em 2023 e saltou para R$ 17.428.698,86 em 2025, quase o dobro no período. No ano eleitoral de 2024, o contrato com a MB Construção, a mesma empresa que prestou o serviço à gestão Jussara Sales (PL), durante os anos consultados, foi de R$ 14.567.894,88.
O contraste entre os números e a realidade enfrentada pela população pesa contra a gestão municipal. Em dois anos, o custo da limpeza urbana praticamente dobrou, passando de R$ 9,8 milhões em 2023 para mais de R$ 17,4 milhões em 2025, sem que a melhoria do serviço seja percebida de forma proporcional nas ruas do município.
Mesmo com o avanço no custeio, moradores seguem relatando falhas na coleta de lixo, acúmulo de resíduos em vias públicas e deficiência na manutenção urbana, o que motivou a atuação do Ministério Público. As reclamações deram origem à Notícia de Fato nº 02.23.2614.0000131/2025-32, instaurada em julho de 2025.
O movimento chamou a atenção do Ministério Público, que viu a necessidade de apurar e abriu o Procedimento Preparatório nº 03.23.2614.0000215/2025-75, em 6 de novembro de 2025. A investigação está sob responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Extremoz e tem como objeto “apurar denúncia sobre a coleta de lixo e a manutenção das ruas, em Extremoz/RN”.
Ao longo da tramitação, o Ministério Público expediu ofícios à Prefeitura de Extremoz, principalmente à Secretaria Municipal de Infraestrutura (SMI), solicitando esclarecimentos sobre a execução do serviço e a aplicação dos recursos públicos. Os autos registram reiterações de pedidos e certidões de ausência de resposta, fatores que contribuíram para o avanço das investigações.
Com a instauração do Procedimento Preparatório, o MPRN passa a analisar com mais profundidade contratos, despesas, responsabilidades administrativas e a regularidade da prestação do serviço, podendo adotar medidas administrativas ou judiciais caso sejam identificadas falhas, omissões ou irregularidades.
O órgão deverá decidir, ao final do procedimento, se arquiva o caso ou se adota providências legais, enquanto a população segue cobrando melhorias em um dos serviços públicos mais essenciais da cidade.
“Ao contrário das cassandras, ao contrário de quem prega contra, esse Estado não está falido”, disparou o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), em crítica explícita à oposição política ao governo Fátima Bezerra (PT), formada pela direita, parlamentares oposicionistas na Assembleia Legislativa e defensores da privatização de estatais. A fala aconteceu durante a assinatura da ordem de serviço da duplicação da BR-304.
Logo no início do discurso, Mineiro reagiu ao que classificou como uma narrativa recorrente de que o Rio Grande do Norte estaria “falido”, discurso usado, segundo ele, para deslegitimar a atual gestão. Mineiro sustentou que a própria execução da obra desmonta essa tese.
“Se estivesse falido, nós não estávamos aqui, governador. Se estivesse falido, nós não estávamos aqui vendo a obra mais importante desse Estado”, disse, apontando para a duplicação da principal rodovia federal do Rio Grande do Norte como prova da recuperação da capacidade de investimento.
Na sequência, o deputado confrontou outro ponto central do discurso oposicionista: a defesa da privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) como condição para a realização de obras estruturantes. “Muitos dizem: tem que privatizar a Caern para poder ter dinheiro. Não! Tem que fazer gestão e parceria para ter obras como essa”, afirmou.
Em tom de defesa do governo, Mineiro associou a duplicação da BR-304 a uma mudança de orientação administrativa, baseada em planejamento e articulação institucional. “É disso que se trata: de ter um projeto, de ter um lado, de ter compromisso, de sanear finanças, de ter rumo”, declarou.
O parlamentar também destacou a política de valorização do funcionalismo público como parte desse modelo de gestão, em contraponto às críticas da oposição. “Nós temos a transformação da coragem de respeitar os servidores e as servidoras para que eles prestem o melhor serviço à população”, disse.
Ao encerrar, Mineiro fez uma defesa direta da governadora Fátima Bezerra, afirmando que a obra consolida o legado da gestão.
“Queiram ou não queiram, gostem ou não gostem, vão ter que engolir o preconceito, engolir o ódio, engolir a inveja para reconhecer que essa governadora está colocando o Estado em novos caminhos!”, concluiu.
O Partido Liberal (PL) anunciou, durante coletiva realizada nesta quarta-feira em Natal, novas filiações e avanços na montagem das nominatas para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, consolidando o partido como uma das principais forças da oposição no estado. O principal destaque foi a confirmação da filiação da vereadora Nina Souza, tratada pela direção partidária como peça-chave para a chapa à Câmara Federal.
Presidente estadual do PL, o senador Rogério Marinho confirmou que Nina Souza já assegurou sua ida para o partido e destacou o peso eleitoral do seu nome. Segundo ele, Nina passa a integrar uma nominata que o partido considera “a mais forte e a mais consistente”, com potencial para eleger no mínimo três e possivelmente quatro deputados federais, repetindo ou superando o desempenho da eleição anterior.
A filiação de Nina, no entanto, envolve riscos políticos. De acordo com a deputada federal Carla Dickson, a vereadora pode perder o mandato em Natal ao deixar o União Brasil, já que o partido possui decisão nacional que não libera vereadores para concorrerem por outra legenda fora das hipóteses de justa causa previstas na legislação eleitoral. Ainda assim, o PL avalia que o capital político de Nina compensa o custo institucional da mudança.
Na disputa pela Câmara Federal, o PL já trabalha com uma nominata formada por General Girão, Carla Dickson, Sargento Gonçalves, Major Brilhante, Ludmila Oliveira, de Mossoró, Nina Souza, Pedro Filho, vereador de Assú, o ex-prefeito Daniel Marinho e o empresário Juninho Saia Rodada.
Internamente, a avaliação é de que a combinação de parlamentares de mandato, lideranças regionais e nomes de forte apelo popular amplia a competitividade da chapa.
No plano estadual, a coletiva também marcou a filiação do deputado Luiz Eduardo ao PL, fortalecendo ainda mais a bancada na Assembleia Legislativa. Com isso, o partido passa a reunir deputados de mandato como Coronel Azevedo, Dr. Kerginaldo, José Dias, Tomba Farias, Gustavo Carvalho, Terezinha Maia e Luiz Eduardo, além da expectativa da chegada, durante a janela partidária, de Adjuto Dias, filho do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, anunciado como candidato do grupo ao Governo do Estado.
Segundo dirigentes do partido, o PL passa a contar com a maior bancada da Assembleia Legislativa, somando sete deputados estaduais vinculados à legenda, mesmo com o deputado José Dias já tendo anunciado que não disputará a reeleição. Além dos parlamentares de mandato, a nominata estadual em formação inclui nomes como Jorge do Rosário, presidente do PL em Mossoró, e outros pré-candidatos que seguem em fase de articulação.
Para os líderes do partido, as novas filiações confirmam o crescimento do PL no Rio Grande do Norte e reforçam o discurso de protagonismo tanto na disputa proporcional quanto na majoritária, com chapas robustas e capacidade de influenciar decisivamente o cenário eleitoral de 2026.
Direita e esquerda passam a direcionar atenção para eleição indireta ao Governo
Cadu Xavier é o nome posto pelo sistema governista para mandato tampão. Direita ainda discutirá nomes – Foto: Reprodução
A possibilidade de eleições indiretas para o mandato tampão no Governo do Rio Grande do Norte, entre março e abril, começa as articulações políticas nos dois campos ideológicos. O cenário se abre caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado e o vice-governador Walter Alves (MDB), como já sinalizou publicamente, confirme que não assumirá o Executivo. Diante desse desenho atípico, direita e esquerda se movimentam nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde a escolha do governador do RN será decidida pelos 24 deputados estaduais.
Na direita, as articulações começam após a definição pelo nome escolhido para a disputa de 4 de outubro. Agora, o foco se volta para o nome a ser apresentado para o mandato tampão. Pelo lado da oposição, o discurso público ainda é de cautela. O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao governo em 2026, Álvaro Dias (Republicanos), tem reiterado que seu projeto político está voltado exclusivamente para a eleição direta.
O senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado, também evita antecipar definições, mas admite que o tema está no radar do grupo. Segundo ele, tudo depende da concretização das duas condições centrais: a renúncia de Fátima e a recusa formal de Walter Alves em assumir o governo.
Caso isso ocorra, Rogério afirma que o PL e aliados irão dialogar para avaliar a construção de uma maioria na Assembleia. Hoje, o partido conta com sete deputados estaduais e trabalha para ampliar essa bancada. “Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel, eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição para fazer justamente as ações necessárias para preparar o Estado para o próximo governo”, declarou, em crítica direta à atual gestão.
Dentro do PL, a linha predominante é de que um eventual nome para o mandato tampão deveria ter perfil técnico e de transição. O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) ressaltou que, até o momento, não há nomes colocados pela oposição. “Tem que acontecer duas coisas: a atual governadora anunciar a renúncia e o vice-governador não assumir. Se isso se concretizar, aí sim podemos falar e debater sobre o mandato tampão. No momento, não há nenhum nome ventilado”, afirmou.
PT Do lado governista, com a saída de Walter Alves da linha sucessória, o PT passa a conversar sobre a eleição indireta na Assembleia. Caso Ezequiel também decline de assumir o governo, como segundo na linha de sucessão, a avaliação interna é de que o sistema governista deverá apresentar um nome próprio para o mandato tampão.
Entre as opções discutidas estão o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, que já é pré-candidato do grupo, prioritário para este projeto. Há também a possibilidade do deputado estadual Francisco do PT, apontado pelos pares na Casa como um nome de perfil mais conciliador entre os parlamentares.
Nos bastidores, Fátima Bezerra é descrita como disposta a apostar alto para manter o controle do Executivo até o fim do mandato. Aliados reconhecem que uma eventual derrota na eleição indireta teria impacto direto sobre sua própria estratégia eleitoral para o Senado.
Fator Ezequiel Ferreira No centro desse tabuleiro está o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).
Ele será o responsável por conduzir o processo de eleição indireta, caso o cenário se confirme.
Esse papel estratégico fez com que Ezequiel passasse a ser intensamente cortejado pelos dois lados.
Na avaliação da direita, Ezequiel já é tratado como um aliado em potencial. Rogério Marinho admite conversas e aposta na possibilidade de caminhar junto com o presidente da Casa.
“Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição”, afirmou Marinho durante coletiva, nesta quarta-feira (21).
Já no campo governista, o discurso é outro. Integrantes da esquerda afirmam que, enquanto não houver um rompimento formal, Ezequiel segue sendo considerado parte da base. “Ele participa do governo, então até prova em contrário, ele é aliado”, resume um nome próximo ao PT.
Nos bastidores, há relatos de que ele já abriu diálogo com a oposição, inclusive com Rogério Marinho. Ao mesmo tempo, tem reunião marcada para a próxima semana, com o dia a definir, com a governadora.
O Partido Liberal no Rio Grande do Norte oficializou, nesta semana, o lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) ao Governo do Estado nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em coletiva com o encontro político que reuniu lideranças regionais e estaduais, marcando a consolidação do nome de Álvaro como o escolhido pelo grupo da direita para a disputa majoritária. Diferente do que se aguardava, os nomes do candidato a vice-governador e da segunda vaga ao Senado não foram anunciados.
Em publicação nas redes sociais, o PL-RN destacou que o apoio à pré-candidatura ocorre “sob a liderança do senador Rogério Marinho”, ressaltando o crescimento e a união do partido no cenário político potiguar. “Seguimos firmes, construindo um projeto forte, plural e preparado para transformar o Rio Grande do Norte”, afirmou a legenda.
Em entrevista ao Diário do RN, Álvaro Dias disse acreditar que a opção do Nordeste pelo PT é um “estigma” político e que não dificulta candidaturas de direita. “Eu não acredito que exista esse estigma com relação ao Nordeste. Acho que existe a avaliação de gestão, de administração, seja ela municipal, estadual ou federal, e a partir dessa análise é que se define o voto e a escolha dos cidadãos norte-rio-grandenses, como na região Nordeste também”, afirmou.
Na coletiva que marcou o pré-lançamento, Álvaro reforçou o discurso de mudança administrativa no Estado. “Sabemos das dificuldades, sabemos dos obstáculos, sabemos da necessidade premente e urgente de que sejam implementadas essas mudanças. Nós estamos aqui ao lado desse grande time, o melhor grupo, para disputar, vencer as eleições e mudar o estado do Rio Grande do Norte”, declarou.
Questionado sobre sua permanência no Republicanos ou eventual migração para o PL, o ex-prefeito afirmou que a definição ainda será discutida internamente. A mudança partidária dependerá das escolhas dos demais nomes que comporão as chapas majoritárias e acomodações de legendas do arco de alianças.
“Nós vamos discutir essas questões. Não está tudo definido ainda. Falta a indicação do vice-governador, do outro senador, faltam outras questões que vão ser abordadas pelo nosso grupo político, mas todas vão ser resolvidas no momento oportuno”, disse.
O senador Rogério Marinho, presidente do PL-RN e secretário-geral do partido, confirmou, durante coletiva, que se dedicará à coordenação nacional do partido e à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Segundo ele, a decisão atende a um convite direto do núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Para mim, isso é uma convocação”, afirmou, ao relatar conversas recentes sobre sua permanência na função de secretário-geral do PL e o papel na organização do partido para 2026.
Ainda durante a coletiva, Marinho confirmou a filiação da pré-candidata Nina Souza ao PL. “Ela já nos assegurou que irá. Isso foi colocado pelo próprio marido dela, o Paulinho Freire. Ela estará conosco integrando a nossa nominata de deputado federal”, declarou, projetando a eleição de ao menos três deputados federais pelo partido no próximo pleito.
Durante o evento, também foi celebrada a filiação do deputado estadual Luiz Eduardo ao PL, reforçando a nominata e a estrutura partidária para o próximo pleito.
Sobre o presidente da Assembleia Legislativa, Rogério Marinho afirmou que o diálogo está em curso. Para Marinho, o nome de Ezequiel Ferreira (PSDB) é um nome certo no grupo, incluindo as articulações ao mandato tampão.
“Ele já esteve conosco na nossa candidatura ao Senado, e eu acredito que nós marcharemos juntos nessa candidatura ao governo do Estado, com esse grupo que está sendo formado”, disse, referindo-se a Ezequiel Ferreira.
De acordo com a direção estadual, o partido se consolida como protagonista na oposição ao atual governo estadual.
Os movimentos mais recentes do deputado estadual Hermano Morais indicam uma mudança clara de rumo na sua trajetória política. Depois de oito mandatos construídos no Legislativo, ele agora se coloca publicamente à disposição para integrar o Executivo estadual. Em entrevista à Rádio 98 FM, Hermano confirmou que foi convidado para ser vice na chapa majoritária do grupo liderado pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil, que ainda não oficializou a pré-candidatura ao Governo do Estado, mas já tem o nome colocado no cenário eleitoral.
Ao ser perguntado sobre os rumos da sua pré-candidatura e a conversa com o MDB, o deputado afirmou que já existe um entendimento em torno da pré-candidatura a vice. “Eu confirmo a informação. Nós tínhamos conversado há alguns meses sobre a possibilidade de retornar ao MDB, que é o meu partido de origem, pelo qual eu me elegi no maior número de mandatos”, disse o deputado. Na mesma fala, ele resgatou sua trajetória política dentro da sigla. “São oito mandatos.
Quatro como vereador e quatro como deputado estadual. Então, esse retorno ao MDB já vinha sendo amadurecido”, enfatizou.
Segundo Hermano, a conversa decisiva aconteceu com o presidente estadual do MDB e vice-governador Walter Alves. “Nós aceitamos o convite do Walter Alves. Durante a conversa que tivemos, que concluímos na última segunda-feira, me foi feito o convite para compor a chapa majoritária, já que o MDB já se definiu pelo apoio à candidatura”, relatou.
Ao explicar por que decidiu dar esse passo, o deputado fez questão de situar o momento político e pessoal. “Eu acho que dei a minha contribuição no Legislativo Estadual e agora quero dar a minha contribuição também no Executivo. Então, eu coloquei o meu nome, já que fui consultado, para compor a chapa”, afirmou. Porém, ele ponderou que ainda há etapas a cumprir, principalmente o anúncio oficial de Allyson como pré-candidato. “Antes disso, haverá o pronunciamento do prefeito Allyson Bezerra como pré-candidato ao Governo do Estado. Vamos aguardar o cumprimento dessas etapas. Mas eu diria que já temos um entendimento nesse sentido”, finalizou.
Mudança partidária A sinalização pública veio acompanhada da mudança partidária que consolida o reposicionamento. Nesta quarta-feira (21), Hermano divulgou nota confirmando a desfiliação do Partido Verde (PV) e o retorno ao MDB. No texto, ele explicou que a decisão foi tomada com base em uma leitura do cenário político e no desejo de ampliar sua contribuição ao Estado.
“Em respeito à opinião pública e à capacidade de diálogo que sempre pautaram minha trajetória pessoal e política, comunico ao povo potiguar a decisão de me desfiliar do Partido Verde para retornar ao MDB. Esta decisão é fruto de uma análise política conjuntural serena e transparente, fundamentada na vontade de melhor contribuir para o futuro do RN”, escreveu.
Na mesma nota, o deputado destacou o papel de Walter Alves na nova etapa. “Com muita honra, aceitei o convite feito pelo presidente estadual do MDB e atual vice-governador para contribuir na construção de um novo projeto de desenvolvimento econômico e social para o nosso Estado”, afirmou. Hermano também fez questão de agradecer ao PV. “Registro meu agradecimento ao Partido Verde, em especial ao presidente estadual Rivaldo Fernandes, que compreendeu a decisão tomada em uma conversa respeitosa, republicana e democrática”, ressaltou.
Para Hermano, a eventual ida para o Executivo representa mais do que uma troca de função. É, segundo ele, uma continuidade da vida pública em outro espaço de atuação. “Reitero o compromisso de bem representar o MDB na missão que me for confiada nas próximas eleições, sempre com o propósito de defender os mais legítimos interesses do povo potiguar”, escreveu na nota.
“A notícia no Rio Grande do Norte é o fechamento da chapa, Alves, Maia e Rosados. É mais um acordão com o objetivo de eleger seus filhos, seus sobrinhos e de reeleger os seus apadrinhados políticos. Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos. Eu me chamo Allyson Bezerra e não estou no lado das oligarquias. Não estou do lado de quem discute o futuro do nosso estado a portas fechadas. Eu estou do lado de quem acredita em mudança. (…) E você, de que lado está?”
Por mais incrível que possa parecer, o trecho transcrito acima pertence ao então neófito na política, em 2018, o candidato a deputado estadual Allyson Bezerra, servidor da Ufersa, presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade, em um dos seus primeiros vídeos virais.
Foi assim que ele entrou na política: abominando as oligarquias que detinham o poder no RN há décadas.
Cortando para 2026, oito anos depois, o político “independente” mudou totalmente os princípios e agora faz parte do acordão que ele tanto criticava: uniu os tradicionais Alves e Maia em torno do seu nome. Após a nota divulgada nesta segunda-feira (20) por José Agripino Maia (UB), João Maia (PP) e Zenaide Maia (PSD), em boas-vindas a Walter Alves (MDB), em torno do projeto de pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, a fala do prefeito de Mossoró deveria ser: “Eu me chamo Allyson Bezerra e estou no lado das oligarquias!”.
A aliança política que deverá unir as famílias outrora opostas no mesmo palanque de Allyson foi todo feito a portas fechadas, da forma como ele antes desprezava. Fora as notas oficiais divulgadas no começo da semana pela Federação União Progressistas e por Walter Alves, nenhuma das partes fez qualquer declaração oficial ou concedeu entrevista sobre as conversas que ocorrem há meses para definir o futuro do Rio Grande do Norte.
A consolidação desse bloco político representa uma inflexão simbólica na trajetória de Allyson Bezerra. No início da carreira, o prefeito de Mossoró construiu discursos de enfrentamento às oligarquias tradicionais da política potiguar. Agora, realiza um movimento que busca ampliar sua competitividade eleitoral e garantir musculatura política para a disputa estadual.
“Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, citava Allyson, que não rejeita mais a política familiar que ele nominalmente criticou. Mais além, pretende colocar sua própria família na carreira política. Sua esposa, Cínthia Pinheiro (PSD), já foi lançada por ele pré-candidata a deputada estadual, como uma forma de ampliar seus braços de poder também na Assembleia Legislativa.
Segundo a vereadora de Mossoró, Marleide Cunha (PT), para o prefeito, não importam princípios e valores, mas só o desejo de poder. Para isso, ele ressuscitou nomes que já estavam enterrados.
“Primeiro foi eleito deputado combatendo as oligarquias. Aí agora ele se junta com o que tem de maior oligarquia no Estado, que estava enterrada e ele está ressuscitando, que são Agripino Maia e Walter Alves, os Maias e os Alves. Ou seja, Allyson Bezerra vai destruindo todo o discurso com que ele se elegeu, mostrando que para ele não importa princípios, coerências, para ele importa simplesmente o desejo do poder”, afirmou ao Diário do RN.
A parlamentar entende que o comportamento pode ser prejudicial ao povo porque não se importa com o interesse público, mas só preza pelo particular. Marleide relembra que o prefeito age não de forma institucional, mas tratando os opositores como inimigo e prejudicando a população.
“O acordão que ele está fazendo agora vai ter um prejuízo de ter numa gestão pessoas, principalmente ele, que não tem espírito público, que é do tipo que trata qualquer adversário político como inimigo. Aqui em Mossoró hoje, por exemplo, não tem um IERN, porque o prefeito não doou um terreno, enquanto todos os municípios, 11, já tem IERN. É uma briga danada nessa questão do estádio de futebol e o Município só vem se pronunciar para fazer um confronto com o Governo do Estado. Ele só destravou o concurso da educação de Mossoró depois que a governadora convocou 1.607 convocados”, pontuou. Para a vereadora, o acordão envolvendo Agripino Alves, Walter Maia, Zenaide Maia, João Maia e Allyson Bezerra pode ter os dias contados. “Eu só quero ver agora quem é que vai trair primeiro. Eu acho que é Alisson que vai dar depois uma rasteira em toda essa classe política que está dando a ele um suporte para ser candidato”, concluiu Marleide Cunha.
Os anúncios que o senador Rogério Marinho (PL) deve fazer em coletiva nesta quarta-feira (21), logo mais, na sede do partido em Natal, devem confirmar a mudança na estratégia da direita para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. Informações obtidas pelo Diário do RN nos bastidores indicam que o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), deverá ser anunciado como o candidato ao Governo do Estado, encabeçando a chapa de oposição. Para a candidatura o ex-prefeito de Natal deverá trocar o Republicanos pelo PL.
De acordo com fontes do partido, em conversa com o Diário do RN, houve resistência interna ao nome do senador Styvenson Valentim (PSDB) para disputar o Executivo estadual. O assunto foi conversado durante a reunião do partido que aconteceu nesta segunda-feira à noite, na casa do deputado Tomba Farias (PL), em Pirangi. Parlamentares do PL chegaram a questionar a previsibilidade política de Styvenson, sendo o deputado General Girão (PL) um dos que mais verbalizaram desconfiança em relação ao perfil do senador. O entendimento não avançou para a consolidação do nome de Styvenson ao Governo.
“Se não mudarem daqui para amanhã”, resumiu uma fonte ouvida pelo Diário do RN, Álvaro Dias será o escolhido para a disputa majoritária. Nesse desenho, Styvenson Valentim permanece como o nome do grupo para a corrida ao Senado Federal.
A decisão ocorre no momento em que Rogério Marinho decidiu deixar a condição de pré-candidato ao Governo do Estado. O senador foi chamado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha do filho Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o que inviabilizaria uma candidatura própria no RN. O movimento deve ser formalizado no pronunciamento desta quarta-feira.
Nesse caso, Rogério atende a pedido da família cuja confiança é determinante para Marinho, que busca, a partir de agora, trabalhar também na ampliação de nomes do partido e de aliados no Senado Federal, visando a candidatura à presidência da Casa. Rogério é também secretário-geral do PL.
Nos bastidores, o grupo político de Marinho chegou a tentar convencer Styvenson a assumir a cabeça de chapa para enfrentar o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), visto internamente como o principal adversário da direita na disputa estadual. A avaliação predominante era de que Styvenson seria o único nome com densidade eleitoral suficiente para rivalizar com Allyson. A resistência do senador, no entanto, abriu espaço para a consolidação de Álvaro Dias como alternativa.
A configuração que deve ser apresentada na coletiva inclui, além de Álvaro Dias ao Governo e Styvenson Valentim ao Senado, o segundo nome do grupo. Além disso, a permanência do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e de Ezequiel Ferreira no grupo, reforçando a articulação entre PL e aliados no campo oposicionista.
A filiação de Álvaro Dias ao PL resolveria um impasse interno: sem Rogério Marinho como candidato ao Governo, a nominata do partido para deputado estadual ficaria fragilizada, já que, tradicionalmente, parlamentares buscam legendas que tenham candidatura majoritária competitiva. A entrada de Álvaro no PL preservaria a coerência da chapa e daria musculatura ao partido.
Ainda segundo informações de bastidores, Álvaro Dias deve levar consigo o deputado Adjuto Dias, seu filho, fortalecendo a nominata proporcional do PL para a Assembleia Legislativa.
No campo do Senado, além de Styvenson Valentim, surgem novamente como possibilidades os nomes do presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira, e do Coronel Hélio, liderança do bolsonarismo no Estado, ampliando o leque de opções da direita para a disputa.
O rearranjo das forças políticas no Rio Grande do Norte, provocado pelo rompimento do vice-governador Walter Alves (MDB) com o governo estadual, colocou o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), diante de uma encruzilhada estratégica. Sem se manifestar publicamente, ele passou a buscar novo caminho nas articulações que redesenham a disputa de 2026.
O chefe do Legislativo ainda não se pronunciou publicamente, mas, nos bastidores, seu afastamento do parceiro político sinaliza desconforto com as últimas ações de Waltinho. Os dois tinham um caminho pavimentado: migração de Ezequiel para o MDB, partido que presidiria no RN, levaria consigo os deputados do PSDB e montaria uma superchapa à estadual e uma chapa competitiva à federal. Com Walter na cadeira do Executivo estadual, o projeto seria viabilizado muito mais facilmente. Fazer o novo presidente da Assembleia também estava nos planos.
Nesse novo cenário, informações de bastidores indicam que Ezequiel Ferreira abriu diálogo com o campo oposicionista. O presidente da Assembleia vem mantendo conversas com o senador Rogério Marinho (PL), principal liderança da direita potiguar. Em meio às articulações, Ezequiel teria defendido a candidatura do senador Styvenson Valentim (PSDB) ao Governo do Estado, mesmo com a vantagem expressiva que o parlamentar apresenta nas pesquisas para o Senado.
O argumento, segundo interlocutores, é estratégico: Styvenson seria o único nome da direita com viabilidade eleitoral suficiente para enfrentar Allyson Bezerra em condições reais de disputa. A leitura é de que, diante da fragmentação do campo oposicionista, apenas uma candidatura com forte apelo popular e recall eleitoral poderia equilibrar o jogo em 2026.
Paralelamente, no campo governista, a governadora Fátima Bezerra (PT) passou a priorizar a engenharia política em torno da eleição indireta e do mandato tampão que deve se abrir com a desistência de Walter Alves de ocupar o cargo. A movimentação visa preservar influência institucional e manter o controle da sucessão no curto prazo.
Ainda segundo informações de bastidores, Fátima teria buscado diálogo com Ezequiel Ferreira para que ele, segundo na linha de sucessão, assumisse o Governo do Estado e permanecesse na base aliada. A estratégia, no entanto, não teria prosperado. Pessoas próximas ao presidente da Assembleia afirmam que Ezequiel estaria fechado com o grupo político liderado por Rogério Marinho, sinalizando um afastamento definitivo do núcleo governista.
Sem declarações públicas até o momento, Ezequiel Ferreira mantém a postura cautelosa que o caracteriza, mas seus movimentos indicam que o futuro político do presidente da Assembleia passa, cada vez mais, pela consolidação de uma nova aliança no campo oposicionista.
A pesquisa do Instituto Datavero, realizada nos dias 10 e 11 de janeiro de 2026, em Natal, revela um cenário fragmentado e altamente competitivo na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. O levantamento ouviu 800 eleitores, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, e testou diferentes cenários de intenção de voto estimulada.
No Cenário 1, que reúne os principais nomes cotados para a disputa, o ex-prefeito Carlos Eduardo (PSD) aparece na liderança, com 21,75% das intenções de voto. Em seguida, surgem Rogério Marinho (PL), com 17,38%, Álvaro Dias (Republicanos), com 16,75%, e Allyson Bezerra (UB), com 16,38%, configurando um empate técnico entre os três. O pré-candidato Cadu Xavier (PT) registra 5,38%. A opção “Nenhum” soma 18,25%, enquanto 4,13% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
No Cenário 2, Carlos Eduardo amplia a vantagem e alcança 30,25%, seguido por Rogério Marinho, com 22,63% e Allyson Bezerra, com 20,75%. O índice de eleitores que afirmam não votar em nenhum dos nomes apresentados permanece elevado, com 22,25%, e os indecisos somam 4,13%.
Já no Cenário 3, a liderança muda de mãos. Rogério Marinho aparece à frente, com 29,88%, enquanto Allyson Bezerra registra 24,63%. Cadu Xavier marca 6,50%. Neste cenário, chama atenção o alto percentual da opção “Nenhum”, que atinge 32,63%, além de 6,38% de NS/NR, evidenciando forte resistência do eleitorado aos nomes apresentados.
No Cenário 4, Carlos Eduardo volta a liderar, com 28,25% das intenções de voto. Logo atrás, Allyson Bezerra (21,38%) e Álvaro Dias (21,25%) aparecem praticamente empatados em Natal. A opção “Nenhum” alcança 24,75%, e 4,38% dos entrevistados permanecem indecisos.
No Cenário 5, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, assume a liderança, com 29%. Allyson Bezerra surge em segundo lugar, com 23,63%, enquanto Cadu Xavier registra 6,75%. Mais uma vez, o percentual de eleitores que rejeitam todos os nomes é expressivo: 33,88% afirmam votar em “Nenhum”, e 6,75% não souberam ou não responderam.
Rejeição Além da intenção de voto, a pesquisa Datavero também aferiu a rejeição dos pré-candidatos. O maior índice é de Rogério Marinho, com 29,38%, seguido por Cadu Xavier (21,88%). Carlos Eduardo aparece com 13,38% de rejeição, enquanto Álvaro Dias registra 7,13% e Allyson Bezerra, 3,63%, o menor percentual entre os nomes testados. Outros 11,63% afirmaram não votar em nenhum candidato, 7,88% não responderam, e 5,13% disseram que votariam em todos.
Os dados apontam para uma disputa aberta de acordo com eleitores da capital potiguar. Allyson Bezerra vê o favoritismo marcado nas demais regiões do Estado se perder.
A pesquisa foi registrada no TRE/RN (Tribunal Regional Eleitoral), sob o número RN-08578/2026.
Styvenson lidera 1º voto ao Senado, com Carlos Eduardo, Fátima e Álvaro empatados
A disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Rio Grande do Norte já apresenta configurações distintas entre o primeiro e o segundo votos do eleitor. Pesquisa do Instituto Datavero, realizada nos dias 10 e 11 de janeiro de 2026 em Natal, aponta o senador Styvenson Valentim, candidato à reeleição, na liderança isolada das intenções de voto para a primeira escolha, enquanto o segundo voto se mostra mais fragmentado entre os nomes testados. O levantamento ouviu 800 eleitores, possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Primeiro voto No cenário do primeiro voto, Styvenson aparece com 29,0% das intenções, abrindo larga vantagem sobre os demais concorrentes. Na segunda colocação está o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, com 14,75%, seguido de perto pela governadora Fátima Bezerra, que soma 14,13%.
Logo depois vem outro ex-prefeito da capital, Álvaro Dias, com 11,63%, e a senadora Zenaide Maia, com 8,75%.
Mais atrás aparecem Coronel Hélio, com 2,63%, Jean Paul Prates, com 1,50%, e o deputado estadual Ezequiel Ferreira, com 1,00%. Babá registra 0,38% e Luizinho Cavalcante, 0,25%, fechando a lista dos nomes testados. O levantamento também aponta que 5,88% dos entrevistados não souberam ou não responderam, enquanto 10,13% afirmaram que não votariam em nenhum dos nomes apresentados.
Segundo voto Já no cenário do segundo voto, a disputa é mais equilibrada. Álvaro Dias aparece na liderança com 15,63% das intenções, seguido por Carlos Eduardo, que soma 14,63%. Na terceira posição está Styvenson Valentim, com 11,75%, tecnicamente empatado com a senadora Zenaide Maia, que registra 11,00%.
Na sequência surgem a governadora Fátima Bezerra, com 6,88%, e Coronel Hélio, com 5,38%.
Jean Paul Prates aparece com 2,13%, Ezequiel Ferreira com 1,75%, Babá com 1,00% e Luizinho Cavalcante com 0,25%.
O percentual de eleitores indecisos ou que não responderam é ainda maior no segundo voto, chegando a 11,75%. Já 17,88% afirmaram que não votariam em nenhum dos nomes apresentados para essa segunda escolha.
A pesquisa foi registrada no TRE/RN (Tribunal Regional Eleitoral), sob o número RN-08578/2026.
A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte, em caso de renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), marcou um ponto de inflexão no cenário político estadual e confirmou, de forma oficial, um movimento que já vinha sendo dado como certo nos bastidores e acompanhado de perto pelo Diário do RN. Ao comunicar pessoalmente sua posição à governadora e anunciar o alinhamento do MDB ao projeto político liderado pela Federação União Progressista (União Brasil–PP), com a participação do PSD, Walter reposiciona seu partido, rompe com o campo governista e contribui para a consolidação de uma frente de oposição que tem como principal aposta o nome do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), ainda não lançado oficialmente como candidato ao governo.
Em nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (19), Walter Alves informou: “Estive reunido com a governadora Fátima Bezerra (PT) na manhã desta segunda-feira, dia 19 de janeiro.
Comuniquei que não assumirei o cargo de governador, com a possível renúncia dela. Também adiantei que sou pré-candidato a deputado estadual”.
No mesmo texto, o vice-governador reafirmou o alinhamento nacional do MDB com o campo governista federal: “Ainda sobre as Eleições 2026, ratifiquei o posicionamento já alinhado com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, de apoiar a reeleição do presidente Lula (PT).”
Sobre a sucessão estadual, Walter informou o novo posicionamento do partido: “Cientifiquei a governadora que a posição do MDB-RN é de caminhar com os partidos da Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD. Decisão tomada após consulta aos correligionários”.
A reação dos novos aliados foi imediata. Em nota conjunta, União Brasil, Progressistas e PSD celebraram publicamente a chegada do MDB ao bloco político. O texto afirma: “O União Brasil, Progressistas e PSD recebem com alegria o anúncio oficial do vice-governador Walter Alves e, do seu partido, o MDB, de apoio ao projeto que trabalhamos para uma gestão moderna e responsável do RN. Sejam bem-vindos! Há muito a ser feito, muito faremos.”
Coube ao ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil, traduzir o significado político do movimento. Em conversa com o Diário do RN, ele afirmou que a adesão de Walter encerra qualquer dúvida sobre o desenho da aliança. “Com o Walter, está resolvido. Ali é uma aliança selada”.
Questionado se o MDB poderá indicar o candidato a vice-governador na chapa majoritária, Agripino ponderou que a definição ainda será objeto de diálogo entre os partidos: “É provável.
Isso aí é uma segunda etapa. Essa vai ser uma conversa que vai ser seguida pelos partidos, o PSD, União Brasil, o PP e agora o MDB. São partidos que estão se manifestando com relação a isso, e esses partidos vão fazer a conversa para a escolha da chapa, a confluência da chapa”.
Sobre o fato de Allyson Bezerra ainda não ter anunciado oficialmente sua pré-candidatura ao governo, Agripino classificou a situação como estratégica e natural. “É uma questão de estratégia.
Ele é prefeito ainda. Ele é juiz do momento da oportunidade e deve declarar se é ou não o candidato”.
Ainda nesta segunda-feira, José Agripino também se reuniu com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil). O encontro ganhou relevância diante do fato de Paulinho manter acordo político com Rogério Marinho (PL), Álvaro Dias (Republicanos) e Styvenson Valentim (PSDB), que tendem a compor um palanque adversário ao projeto liderado pelo União Brasil. Apesar das especulações sobre uma possível saída do prefeito do partido e sobre uma eventual negativa de Agripino à desfiliação da vereadora Nina Souza, esposa de Paulinho e atual secretária municipal de Assistência Social, o ex-senador buscou minimizar qualquer leitura de conflito. “A conversa que eu tive com o Paulinho Freire foi uma conversa confluente”.
No campo governista, a decisão de Walter Alves provocou reação imediata. Em nota pública, o PT-RN afirmou: “O Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte foi oficialmente comunicado, nesta segunda-feira (19 de janeiro), pelo vice-governador Walter Alves, de sua decisão de romper com o projeto político que reorganizou o Estado e melhorou a vida do povo potiguar”.
O texto prossegue destacando o rompimento: “O vice também confirmou que passará a integrar um grupo político de oposição ao governo do qual fez parte nos últimos três anos”.
Diante da desistência de Walter de assumir o Executivo, o PT anunciou candidatura própria ao governo no processo de eleição indireta: “O PT apresentará candidatura ao Governo do Estado para o mandato de abril a dezembro, no processo de eleição indireta que deverá ocorrer na Assembleia Legislativa”.
A legenda concluiu reafirmando seu projeto político: “Seguiremos firmes, com Lula presidente, Cadu Xavier governador e Fátima Bezerra senadora. A luta será grande, mas sairemos vitoriosos”.
Ainda nesta segunda-feira, o atual secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, usou as redes sociais para se colocar como pronto para assumir o projeto do partido.
“Em oito anos, coragem nunca nos faltou. E não vai ser agora que isso vai mudar”, afirma o pré-candidato enquanto narra feitos do Governo Estadual como a recuperação de rodovias, reforço na segurança e ampliação nos serviços de saúde.
Levantamento do Instituto Datavero, realizado nos dias 10 e 11 de janeiro de 2026, revela cenários contrastantes na avaliação das gestões municipal, estadual e federal junto aos eleitores de Natal.
No recorte municipal, o prefeito Paulinho Freire (UB) aparece com avaliação majoritariamente positiva. De acordo com os dados, 48,75% dos entrevistados aprovam a gestão, enquanto 32,88% desaprovam. Outros 18,38% disseram não saber ou não responderam. O resultado indica um saldo favorável ao prefeito, com a aprovação superando a desaprovação em quase 16 pontos percentuais.
Já no cenário estadual, a governadora Fátima Bezerra enfrenta um quadro mais adverso na capital. A pesquisa mostra que 67,75% dos natalenses desaprovam a gestão, contra 24,25% que aprovam. O índice de não respondeu ficou em 8%. O dado evidencia um desgaste significativo da administração estadual entre os eleitores da cidade.
No plano federal, a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece mais equilibrada em Natal. Segundo o levantamento, 47,75% aprovam a gestão, enquanto 44,38% desaprovam. Outros 7,88% não souberam ou preferiram não responder. O resultado aponta um cenário de divisão quase igual entre aprovação e desaprovação na capital potiguar.
A pesquisa ouviu 800 pessoas, tem margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O Partido Verde (PV) no Rio Grande do Norte acelera articulações para ampliar seu espaço político e chegar às eleições de outubro com influência na Federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB) tanto na disputa proporcional quanto no debate majoritário. A estratégia passa pela montagem de uma nominata robusta para a Câmara Federal, pelo fortalecimento da chapa estadual e pela defesa de um projeto que auxilie a chapa majoritária no projeto do sistema governista.
O redesenho do tabuleiro político após a confirmação da governadora Fátima Bezerra (PT) como pré-candidata ao Senado e de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado acirrou o trabalho interno por protagonismo dentro da federação. Nesse contexto, o PV tenta se posicionar como um dos pilares do bloco governista, apostando no crescimento eleitoral como instrumento de barganha política. Segundo o presidente estadual do partido, Rivaldo Fernandes, a avaliação interna é de que o PV entra em 2026 em condições de sair fortalecido.
“O PV enquanto partido sairá vitorioso com o deputado Dr. Bernardo Amorim e a vereadora Thabatta Pimenta”, afirmou ao Diário do RN, se referindo aos candidatos a deputado federal. Na leitura do dirigente, esses nomes ampliam o potencial da federação como um todo.
“Com esses nomes, a federação deverá eleger quatro deputados federais, pois conta, além de Natália Bonavides e Mineiro, com Rafael Motta, no PCdoB. Assim, seria reforçada a possibilidade de sermos a nominata mais robusta para a Câmara Federal”, completou, antecipando, inclusive, articulação entre o ex-deputado do PSB sobre seu destino partidário.
A aposta na proporcional é vista nos bastidores como uma forma de “blindar” o projeto da federação diante das incertezas do cenário majoritário e, ao mesmo tempo, de elevar o poder de influência do PV nas decisões estratégicas. A filiação do deputado estadual Dr. Bernardo Amorim ao partido e a pré-candidatura da vereadora Thabatta Pimenta são tratadas como movimentos-chave nessa engenharia eleitoral.
Além da Câmara Federal, o PV também trabalha para consolidar sua presença na Assembleia Legislativa. Rivaldo Fernandes confirmou que o partido aposta na reeleição de Hermano Morais e Eudiane Macedo e destacou que o ex-presidente da legenda e ex-vereador Milklei Leite figura entre os nomes com perspectiva de eleição. “O PV está conversando com vários pretendentes à Assembleia Legislativa que podem reforçar sua chapa estadual”, disse.
O crescimento projetado na proporcional alimenta outro debate sensível dentro da federação: o espaço na disputa majoritária, especialmente para o Senado. Com a primeira vaga encaminhada para Fátima Bezerra, o PV mira a segunda cadeira.
“Para a segunda vaga para o Senado temos o nome do professor Rivaldo Fernandes, presidente do PV, que tem feito um grande trabalho de articulação juntamente com Samanda”, declarou Rivaldo, tratando do próprio nome.
Na corrida pelo Governo do Estado, o partido afirma que sua prioridade não é apenas a definição de nomes, mas a apresentação de um projeto claro para o Rio Grande do Norte. O discurso busca se diferenciar pela ênfase no desenvolvimento econômico e na industrialização.
“Para a disputa para o governo, o PV pretende apresentar uma proposta de desenvolvimento para o RN no rumo de fortalecer as cadeias produtivas do Estado, tendo como motor um amplo programa de industrialização”, afirmou Rivaldo.
Segundo ele, a legenda defende que o debate eleitoral seja menos personalista e mais programático. A proposta envolve industrializar setores estratégicos da economia potiguar.
“Entendemos que o principal papel de um candidato é apresentar um projeto, como forma de desformalização do debate e de centrar no rumo de fazer o RN superar os gargalos econômicos.
Nossa fruticultura, nosso pescado, nossas salinas, a cajucultura, as eólicas, e caminhar para uma transição energética que possa puxar nossa industrialização”, enumerou.
O diálogo com o pré-candidato do PT ao governo já está em curso. “Já conversamos com o pré-candidato Cadu e vamos apresentar até março a nossa contribuição para debater com o RN. Mais importante para nós é ter projeto”, concluiu o presidente do PV.
Cotado pelo sistema governista para assumir o mandato-tampão, o secretário estadual da Fazenda e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), afirmou que não lhe falta coragem para assumir um eventual mandato-tampão no Executivo estadual, quando se concretizar a vacância do cargo, com a renúncia da governadora, Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ele, qualquer definição dependerá da configuração política na Assembleia Legislativa, mas o PT tem posição clara sobre o tema.
“Isso depende da configuração na Assembleia Legislativa. O interesse do partido é que cumpramos o mandato que foi concedido pelo povo do Rio Grande do Norte, ou seja, que, no caso da vacância do cargo, seja um nome do PT a governar o nosso Estado”, declarou Cadu. Questionado se a atual situação financeira do Rio Grande do Norte poderia intimidar um gestor que venha a assumir o comando do Executivo, Cadu foi enfático ao negar qualquer temor.
“Depende. A situação que nós pegamos o Estado era infinitamente pior e não nos faltou coragem.
Com certeza, não. Não faltará coragem”, afirmou, se referindo indiretamente à Walter Alves, vice-governador, que rompeu acordo feito em 2022 quando recuou do seu papel de primeiro na linha de sucessão e não vai assumir o posto. Sua decisão e a também negativa de Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, tornarão necessária uma eleição indireta no Estado.
Na avaliação do secretário, o discurso de “caos” ou “terra arrasada” propagado por setores da oposição não corresponde à realidade. “A situação do Estado passa longe de caos ou terra arrasada, como a oposição quer vender. O que existe é uma oposição que quer desqualificar o trabalho do governo da professora Fátima para justamente sentar na cadeira que ela está sentada hoje”, disse.
Sobre a dívida do Estado, Cadu Xavier apontou o crescimento em relação aos precatórios.
Segundo ele, o aumento do endividamento não foi provocado pela atual gestão.
“O crescimento dessa dívida se deu em razão do crescimento do estoque de precatórios e não foi gerada pelo governo atual, mas sim por inúmeras ações judiciais motivadas pelo descumprimento de direitos dos servidores em governos anteriores”, explicou.
De acordo com os dados apresentados por ele, em 2022 os empréstimos representavam 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) e os precatórios, 15%. Já em 2025, os empréstimos passaram a representar 14% da RCL, enquanto os precatórios chegaram a 35%. O secretário ressaltou que o pagamento dessa dívida seguirá as regras da Emenda Constitucional nº 136, promulgada em setembro de 2025. “O Estado do RN vem cumprindo com o pagamento do plano de precatórios anual, concluiu integralmente o pagamento do plano de 2025 e tem plenas condições de cumprir o pagamento do exercício corrente”, afirmou.
Ao defender o legado do governo Fátima Bezerra, Cadu destacou a regularidade no pagamento dos servidores como um dos principais avanços da gestão petista. “A gente finalizou mais um ano honrando os pagamentos dos servidores, finalizamos agora o pagamento do 13º. Desde o início do governo da professora Fátima, os salários são pagos rigorosamente em dia, com o 13º sempre finalizado no início de janeiro. Em 2025 foi do mesmo jeito”, ressaltou.
Ele comparou o cenário atual com a realidade encontrada no início da gestão. “É um cenário bem diferente de quando a gente recebeu alguns servidores com até quatro folhas em atraso. Hoje, as demonstrações contábeis do Estado dizem a verdade sobre os números. É uma situação completamente diferente do que a gente vivia antes”, disse.
Cadu também enumerou investimentos realizados nos últimos anos, rebatendo novamente o discurso oposicionista. “O Estado hoje consegue investir. Tem feito o maior plano de recuperação de rodovias da história do Rio Grande do Norte, tem 10 IERNs na educação entregues à população ou em fase de entrega, mais de 100 escolas reformadas e um incremento muito relevante no número de leitos. Hoje, a gente tem muito mais leitos de UTI do que antes do governo da professora Fátima”, afirmou.
O pré-candidato apontou como caminhos de uma eventual gestão Cadu Xavier a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas que, segundo ele, vêm dando resultados positivos. “É seguir avançando nas políticas públicas que deram certo, como na segurança pública, e apostar na retomada da trajetória de reequilíbrio fiscal do Estado para ampliar a capacidade de investimentos”, disse.
Entre as prioridades, ele citou investimentos em infraestrutura e logística para potencializar oportunidades econômicas. “Principalmente para maximizar as oportunidades que se apresentam ao RN, como a ampliação dos investimentos em energias renováveis, a expansão da mineração e a retomada da indústria do petróleo no Estado, com o início da exploração da margem equatorial”, afirmou, acrescentando ainda a “continuidade do crescimento do turismo, retomado no governo Fátima”, como eixo estratégico para o desenvolvimento potiguar.
Enquanto o atual secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do RN, insiste em afirmar que a situação do Governo não é de caos, o vice-governador Walter Alves (MDB), que esteve ao lado de Fátima Bezerra (PT) nos últimos três anos de gestão, decidiu não assumir a cadeira do Executivo alegando a situação fiscal do Estado. A decisão de Waltinho, porém, não acontece em um cenário tão diferente do que existia no RN em 2022, quando ele aceitou o convite para ser vice-governador e, como primeiro na linha de sucessão, assumiria o governo quando Fátima, reeleita, renunciasse para a disputa ao Senado. O acordo previa também Walter disputando a reeleição como parte do projeto governista.
Os dados oficiais dos Relatórios de Gestão Fiscal do Executivo estadual mostram que o endividamento do Rio Grande do Norte passou por momentos distintos durante as gestões Fátima Bezerra. O crescimento do endividamento em 2025 aparece em um contexto econômico influenciado pela inflação acumulada no período, dívidas com precatórios e o crescimento da folha de pessoal.
O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon), analisa quais os principais pontos que comprometeram as finanças estaduais, mesmo sob o recorde de arrecadação.
“Embora as receitas do Estado venham batendo recorde de arrecadação em 2024, graças a equalização dos 18% para os 20% do ICMS ocorridos a partir de abril de 2024, além da melhoria da logística operacional da máquina tributária mais eficaz da Sefaz, o que subiu significativamente a arrecadação, mas o que ocorre na realidade, é que as despesas de pessoal têm seus crescimentos vegetativos e incrementados de alguns ajustes conquistados por algumas categorias que estavam sem aumento há diversos anos, e conseguiram já reposições e isto sem falar, notadamente, pelos sucessivos aumentos dos pisos salariais de 2022 para cá, que vêm comprometendo e pressionando as despesas com pessoal, acima do limite prudencial, deixando a posição fiscal do Estado comprometida e com baixa capacidade de investimentos”, avaliou.
No encerramento de 2018, a dívida consolidada bruta do Rio Grande do Norte somava cerca de R$ 4,44 bilhões. Em 2022, quando aconteceu a eleição que reconduziu Fátima ao posto de governadora e o vice-governador Antenor Roberto (PCdoB) foi substituído por Walter Alves, mesmo com a melhora da posição financeira e a redução da dívida líquida, a dívida consolidada bruta não recuou. Ao contrário, encerrou o exercício em aproximadamente R$ 4,87 bilhões, valor superior ao registrado em 2018. Já em 2025, até outubro, a dívida consolidada bruta alcançou cerca de R$ 6,29 bilhões, o maior patamar da série analisada.
A análise do avanço da dívida bruta entre 2022 e 2025 deve considerar, como aponta Valério, o efeito da inflação acumulada no período, que ficou próxima de 15%. Parte do crescimento da dívida reflete a correção monetária dos contratos e a própria perda do poder de compra da moeda. Sob essa ótica, o aumento real da dívida bruta é menor do que o observado em valores nominais, embora ainda assim relevante.
“Ademais, o Governo Fátima Bezerra, além da herança das quatro folhas em atraso, recebeu uma Previdência Social do IPERN altíssima, que mensalmente custa mais de 150 milhões ou 1,8 bilhão de reais nos orçamentos anuais. Desta forma, os ganhos de arrecadação mais acréscimo da inflação, não causam nenhum conforto fiscal para o ano findo de 2025 e nem projetam um orçamento tranquilo para 2026”, reforça o economista.
Os dados são públicos e o vice-governador Walter Alves tinha conhecimento da situação quando aceitou o convite do PT, numa articulação direta das direções nacionais dos dois partidos, que já previa as movimentações eleitorais para quatro anos depois.
Ex-deputado federal e nome histórico do MDB, Henrique Eduardo Alves fez duras críticas à decisão de Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte como primeiro na linha de sucessão, classificando a postura como “constrangedora”. Sem se referir ao primo Walter diretamente pelo nome, mas como “ele”, Henrique diz que “não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder”.
Em entrevista ao Diário do RN, o ex-presidente da Câmara, afirmou que não lhe faltaria coragem para assumir a gestão, mesmo diante de dificuldades financeiras, e defendeu que governar em momentos difíceis faz parte do dever de quem ocupa um cargo público. “O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar. Eu não teria esse comportamento”, disse.
Henrique avaliou que a decisão tem gerado forte repercussão negativa, enfraquece a imagem do MDB no Estado e no cenário nacional, frustra a militância e rompe com a tradição histórica do partido, marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura militar.
“Garibaldi não merece passar por isso. Ele sempre foi o líder de todos nós. Tenho certeza de que ele não teria essa atitude se fosse o caso”, lamentou.
O ex-deputado contou, ainda, que diante da situação, Ezequiel Ferreira não irá mais para a MDB. Leia a entrevista na íntegra:
Diário do RN – Deputado Henrique Alves, como é que vê essa situação do MDB nesse momento, não assumindo o governo e toda essa dificuldade até de formar uma nominata competitiva para a eleição? Henrique Alves – Olha, primeiramente, o respeito que eu tenho pela decisão de cada um. Cada um assuma a sua responsabilidade. Eu só espero que tenha profunda consciência do que está fazendo hoje e pelo exemplo que deixará para amanhã.
Diário do RN – E aí, dito isto, eu faço a pergunta: se Henrique estivesse no lugar de Walter, assumiria o governo? Henrique Alves – Olha, eu acho que quem é MDB de anteontem, de ontem, de hoje, não pode nunca ter esquecido ou esquecer um discurso que motivou o Rio Grande do Norte: ‘Aos que me dizem que a luta é difícil, mais uma razão para dar o primeiro passo’. E, na hora que este passo corretamente for dado, ele tem que ser feito embasado em outra frase histórica: ‘Lutar sem ódio e sem medo, porque o ódio escraviza, seja lá em que direção for, e o medo acovarda’.
Diário do RN – O MDB que lutou contra a ditadura agora tem medo de assumir o governo? Henrique Alves – O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar.
Eu tinha 21 anos de idade. Eu estudava Direito na Universidade do Rio de Janeiro e fui convocado para ser candidato a deputado federal, com tão pouco conhecimento do Rio Grande do Norte, e topei numa hora também mais difícil desse país. E cheguei onde pude chegar porque essas três lições eu aprendi da minha vida.
Então, agora, o MDB, quando aceitou ser vice, eu aqui quero lembrar: Renan Calheiros me ligou porque o único estado do Nordeste que não estava ainda apoiando Lula era o Rio Grande do Norte.
E eu disse a ele, com muita tranquilidade: “Renan, nisto eu não posso ajudar, porque o MDB que eu sou tem uma candidata correta, competente, ética, exemplar, que é a senadora Simone Tebet, pelo mesmo MDB nacional. Como é que eu vou chegar no Rio Grande do Norte? Eu não vou recebê-la? Eu não vou me esconder dela. Não posso fazer isso, Renan”. Ele disse: “Ah, tá bom, então vou ver outro caminho”. Quando eu sou surpreendido com Lula aqui no Rio Grande do Norte, onde foi tratado e negociado politicamente um lugar de vice que, de fato, acho que ela (Fátima) nem queria ele, em troca do apoio a Lula.
Então, na hora que assume uma posição dessa, na hora que você pede esse desafio, você está pronto para o que der e vier. E agora chegou a hora do vier: é assumir a governadoria do Rio Grande do Norte. E, conhecendo como conhece os seus problemas, melhor ainda, porque já deve estar preparado para enfrentá-los, com a colaboração de todos, ter a capacidade de dialogar, de discutir.
Eu acho que o MDB deveria, sim, assumir o governo do Estado e fazer, sim, do MDB um MDB vigoroso, forte, corajoso, exemplar.
O MDB hoje vai lutar desesperadamente para eleger um deputado estadual. Que MDB é esse? O MDB teve deputado estadual, teve federais, teve senador, teve ministro, teve presidente do Senado, teve presidente da Câmara, teve governador. E aí, de repente, não pode assumir uma vice porque quer eleger um deputado estadual nas 24 cadeiras? Mas, como eu disse no começo, é o direito. E, mais que o direito, é a responsabilidade de cada um. Eu não teria esse comportamento.
“O político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas”
Henrique Alves relembra tradição do MDB marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura – Foto: Reprodução
Diário do RN – Esse comportamento tem sido classificado por alguns como covardia. O senhor concorda? Henrique Alves – Não, eu não vou fazer essa análise desse comentário, até por uma questão de respeito ao próprio vice-governador Walter e, ainda, a Garibaldi Filho, que sempre foi o melhor de todos nós, sempre foi o meu líder, e que eu imagino que deve estar sofrendo nesse momento, porque ele sabe que o político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas, que ele tem condição de enfrentar, de perder ou de ganhar. Ele não está falando só para dentro dele, ele está falando para a multidão de eleitores que está olhando para ele.
É constrangedor, porque eu acho que, ao contrário, poderia fazer um grande governo nesses oito meses, já preparado, com conhecimento de vice-governador. Eu sei que há desafios. O MDB atravessa momentos difíceis, mas não é a dificuldade, não é o medo, que devem fazer a história do político, muito menos do MDB que eu vivi e que eu aprendi com Ulysses Guimarães, com meu pai, é o MDB da luta. Você caiu? Está difícil? Se levanta, caminha, se erga. Então, quem viveu isso, eu acho que esta hora tinha, sim, que aceitar o desafio, porque está sendo muito ruim para a imagem do nosso MDB, esse tipo de atitude, não topar uma luta maior.
Diário do RN – A repercussão tem sido negativa? Henrique Alves – Tem, profundamente negativa. Porque é o único estado do Brasil em que você elegeu um vice, mas que já tinha como se fosse uma data para sair, e não a necessidade de quando sair, que era o final do mandato.
É natural que a governadora Fátima tenha o direito de cumprir o período dela e disputar o Senado. É natural essa aspiração dela. E é natural também de quem quis ser vice-governador por três anos que, nesta hora, diga: “Estou aqui, pronto para a luta, vamos em frente”.
Então, isso acho que não está tendo uma boa repercussão para a história do MDB do Brasil e para a história do MDB do Rio Grande do Norte. É uma situação inédita. Inédita aqui e no Brasil. Você pode ver os estados todos, não tem um caso desse.
Diário do RN – Se o senhor fosse vice-governador, assumiria mesmo com dificuldades financeiras? Henrique Alves – Era meu dever assumir. Eu não discutiria o que é melhor, o que é pior, o que é agradável ou desagradável. Eu cumpriria o meu dever de MDB, de ter preenchido o cargo de vice-governador por três anos. E, na hora em que o Estado mais necessita, de repente fugir, sair, se esconder? Eu não faria isso. Cada um tem as suas razões. Só que a razão de quem é homem público, de quem é político, muitas vezes as razões pessoais têm que ficar abaixo daquelas que são compromisso com o seu Estado, com a sua gente e até com o seu partido.
Eu imagino Garibaldi como está agora constrangido. E a informação que se tem aí é que vai ter dificuldade de formar nominata.
Diário do RN – Por que ia formar nominata com o partido presidido pelo governador agora vai tomar uma nominata com o partido presidido por um ex sem mandato? Henrique Alves – Ezequiel, que era alma gêmea, iria ao MDB, levaria cinco deputados estaduais, poderia até assumir a presidência do MDB e agora Ezequiel está fora desse jogo, não vai mais para o MDB, outros deputados que iam também não estão indo mais.
Diário do RN – É certeza Ezequiel não ir mais? Henrique Alves – É, certeza. Não vai não. Ezequiel não vem mais para a MDB. MDB, quem te viu e quem te vê. Outra coisa, Garibaldi não merece passar por isso, Garibaldi sempre foi de todos nós o líder. Eu tenho certeza que ele não teria uma atitude dessa se fosse o caso, porque ele não é só um vice que se improvisou, ele é um líder que se impôs.
Diário do RN – Ezequiel vai para onde? Henrique Alves – Não sei.
Diário do RN – Então os dois romperam? Henrique Alves – Não, não romperam porque são amigos, mas não estão mais como estavam antes no mesmo projeto.
Diário do RN – A parceria política, então, acabou? Henrique Alves – Momentaneamente. Vamos ver o que vai acontecer porque essa política do Rio Grande do Norte está surpreendendo a todos. É como se cada um olhasse para o seu umbigo, mas não é o seu umbigo, é o seu coração, é a sua alma, é o seu corpo é o seu caminhar, é o seu olhar.
Diário do RN – O senhor falou agora há pouco da questão dos desejos pessoais que se sobrepõem e que, na verdade, é para ser o contrário: a questão coletiva do Estado se sobrepõe aos desejos pessoais, aos interesses pessoais. Nesse caso, está o inverso? Henrique Alves – É, porque a expectativa das pessoas que são MDB no Rio Grande do Norte, nesses municípios todos, tantos anos, devem estar aguardando com expectativa: “Oba, o MDB vai assumir o governo, vamos ter por oito meses o governador do MDB”. E está tendo o que? A frustração, não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder. Quer dizer, isso não é um bom exemplo para um simples eleitor do MDB.
Diário do RN – Além desse medo, o que eu soube agora é que o vice-governador está conversando com o Allyson Bezerra e está praticamente definido o apoio a ele. E além disso, ainda teria que carregar a pecha de traidor? Henrique Alves – Vamos aguardar os acontecimentos. Eu só estou na arquibancada. Eu sou torcedor da arquibancada. Com a mesma bandeirinha verde, sentado lá, torcendo por aquilo que eu quero, gosto e para que jogue melhor. E jogando assim não está joga
Com a reviravolta na política potiguar dada como certa nos bastidores, a sucessão no Governo do Rio Grande do Norte por meio de uma eleição indireta começa a sair do terreno das especulações e ganha ações concretas nos bastidores. A renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), para disputar o Senado, e a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o cargo estão colocadas, abrindo caminho para a escolha de um governador tampão pela Assembleia Legislativa entre os meses de abril e maio. Nesse cenário, o nome do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), passa a ser tratado como uma possibilidade real dentro do campo da direita.
Ex-prefeito da capital por seis anos e pré-candidato ao Governo do Estado na eleição direta de outubro, Álvaro Dias tem seu nome citado em articulações que já ocorrem nos gabinetes de deputados estaduais, especialmente entre parlamentares ligados ao grupo do senador Rogério Marinho (PL), grupo ao qual Álvaro Dias integra e que possui pelo menos seis deputados estaduais. A mobilização envolve a construção de uma maioria entre os deputados, que serão os responsáveis pela escolha do governador no pleito indireto.
Em conversa com o Diário do RN, Álvaro Dias afirmou que se considera preparado para assumir o Governo do Estado, destacando os números de aprovação ao final de sua gestão em Natal.
“Olha, a nossa gestão em Natal fala por isso. Está uma demonstração inequívoca de que quem realizou uma boa gestão em Natal deverá fazer também uma boa gestão pelo Rio Grande do Norte. A gente encerrou a nossa gestão em Natal com 65% de aprovação. Isso é realmente um atestado indiscutível de competência e de que uma boa gestão à frente da capital depois de dois mandatos foi realizada. Então, eu acho que sobre isso aí, não tem nenhuma dúvida de que a gente se considera preparado para disputar o governo do Estado”, disse.
Apesar de se declarar preparado para o cargo, Álvaro adota cautela em relação à eleição indireta.
Em férias familiares no exterior, ele ressaltou que qualquer definição será tomada de forma coletiva, após diálogo com as principais lideranças do grupo político ao qual está vinculado.
“Para tomar essa decisão eu preciso conversar com Rogério, Styvenson e Paulinho”, declarou, citando o senador Rogério Marinho (PL), o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil).
Questionado se estaria disponível para disputar especificamente o mandato tampão, Álvaro classificou o debate como antecipado. “Isso aí é falar sobre hipótese. Porque ninguém sabe ainda se a governadora Fátima sai, se fica, se o vice assume ou não assume. Então é algo assim que está sendo falado com muita antecipação e eu terei uma opinião formada sobre isso aí, mas apenas depois que eu falar com o Rogério, com o Styvenson e com o Paulinho para tomar uma posição em grupo, já que eu faço parte de um grupo. Eu preciso tomar uma decisão em conjunto com eles”, afirmou.
Segundo informações apuradas pela reportagem, a definição depende, neste momento, do levantamento de votos entre os deputados estaduais, que são os eleitores da eleição indireta. O foco das articulações é verificar se há número suficiente de parlamentares dispostos a apoiar o nome que venha a ser apresentado pelo grupo político. Até agora, nenhum dos três candidatos ao Governo, Rogério Marinho (PL), Allyson Bezerra (UB) e Cadu Xavier (PT), sabe, ao certo, o número de deputados de quem terão apoio, já que alguns tomam posições administrativas e políticas diversas.
Após meses de diálogo com diferentes partidos do campo progressista, o ativista potiguar reconhecido pela luta contra o capacitismo decidiu assinar ficha de filiação ao MDB. A escolha, anunciada nas redes sociais ocorreu depois de tratativas avançadas com o PV, partido integrante da federação PT–PV–PCdoB, e gerou reações nas redes sociais, algumas delas, segundo ele, marcadas por ataques pessoais e tentativas de deslegitimação política. Em entrevista ao Diário do RN, o ativista afirmou compreender o debate político, mas rejeitou ataques pessoais e tentativas de rotulá-lo.
“As críticas fazem parte do jogo político, perseguição e tentativa de desidratação não. Eu estou comprometido em fazer uma pré-campanha dialogando com o povo, trabalhando pela inclusão e pela juventude. Não aceito rótulos como “Judas” ou “traidor”, pois nunca fui filiado a nenhum outro partido e jamais abandonei minhas pautas. Apenas fiz uma escolha e espero que seja respeitada”, afirmou.
Apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ativista chegou a subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do então presidente eleito, em janeiro de 2023, em um gesto simbólico da luta por inclusão e representatividade. A decisão de ingressar no MDB, partido presidido no Rio Grande do Norte pelo vice-governador Walter Alves, que vem se afastando politicamente da governadora Fátima Bezerra (PT), foi tratada por ele como estratégica, não ideológica.
“O RN não tem grandes nominatas competitivas, e eu sentei com diversos partidos, inclusive os do campo progressista. O MDB foi minha escolha por aceitar minhas condições inegociáveis e me garantir prioridade eleitoral, como por exemplo a minha candidatura ser de fato competitiva e inédita no partido. Após meses de conversa em nível estadual e nacional, onde pude, inclusive, conversar com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, que me deu suporte e confiança”, disse.
Questionado sobre a possibilidade, amplamente ventilada, de filiação ao PV, ele negou que a decisão tenha sido descartada de última hora. Baron destaca o diálogo e a receptividade do presidente estadual Rivaldo Fernandes, no entanto, ponderou que disputas internas acabaram pesando contra a filiação. “O PV enfrenta uma disputa entre grupos e isso me geraria um desgaste eleitoral desnecessário, além da disputa geral”, afirmou, agradecendo publicamente a condução do diálogo no partido.
Apesar de ingressar em um partido que hoje se distancia do núcleo do governo estadual, o ativista reforçou que não há definição automática sobre o apoio à majoritária. Segundo ele, o MDB garantiu liberdade para a construção política. “O MDB me deu abertura para escolher caminhar com quem eu quiser. Continuarei dialogando com as bases e com nosso grupo, longe de qualquer tipo de radicalismo”, declarou.
Nesse contexto, deixou claro que seu critério para a eleição majoritária será político e estratégico. “Quanto ao governo, estamos dialogando sobre qual é o melhor projeto viável para não deixar a extrema direita comandar o Estado. Para o Senado, meu primeiro voto já está decidido: Dra. Zenaide, uma parceria de longa data”.
Confiante quanto às chances eleitorais, o ativista avaliou que a filiação ao MDB amplia as possibilidades reais de disputa. “As perspectivas são boas. O apoio do MDB e a estrutura do partido nos dão a possibilidade real de competir”, afirmou.
Caso eleito, ele disse que pretende concentrar o mandato em pautas sociais, com ênfase na inclusão e na juventude. “Vou trabalhar pela inclusão, pela juventude e pelo desenvolvimento social, com foco em políticas públicas para o Rio Grande do Norte”, afirmou. Entre os principais objetivos está a criação da primeira Política Estadual de Combate ao Capacitismo, proposta que ele classifica como central em seu projeto político.