AZEVEDO SE REÚNE COM ‘TRAIDOR DA PÁTRIA’ NOS EUA E É CRITICADO NA WEB

A agenda do deputado estadual Coronel Azevedo com integrantes da família Bolsonaro, realizada no último sábado (23) em Arlington, no Texas, Estados Unidos, vem repercutindo nas redes sociais e movimentando os bastidores da política potiguar. O parlamentar esteve reunido com o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o encontro, o senador Flávio Bolsonaro participou por meio de videochamada.
Nas redes sociais, Coronel Azevedo compartilhou registros do encontro e destacou afinidade política com os filhos do ex-presidente. Em publicação no X, antigo Twitter, o deputado escreveu: “Em Arlington, no Texas, ao lado de Eduardo Bolsonaro e em chamada com o senador e futuro presidente Flávio Bolsonaro. Boa conversa sobre o Brasil, política e os desafios do nosso país.
Sempre trabalhando e defendendo aquilo que acreditamos”, publicou.
O parlamentar também ressaltou a importância do alinhamento com lideranças conservadoras nacionais. Segundo ele, o encontro fortalece pautas ligadas à segurança pública, liberdade econômica e defesa da família. “Esse alinhamento com lideranças estaduais fortalece ainda mais nosso compromisso com a defesa da liberdade, da segurança pública e dos valores que representam milhões de brasileiros”, afirmou.
Inicialmente tratada como parte de uma agenda institucional e política do parlamentar potiguar durante passagem pelo país, a viagem foi posteriormente classificada pela assessoria de Coronel Azevedo como de caráter pessoal. Em resposta ao Diário do RN, a equipe do deputado informou que todas as despesas foram custeadas com recursos próprios do parlamentar. O Diário do RN também solicitou posicionamento detalhado sobre os objetivos políticos do encontro, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.
Repercussão nas redes sociais
A repercussão nas redes sociais foi imediata. Enquanto apoiadores elogiaram a aproximação de Coronel Azevedo com a família Bolsonaro e com lideranças da direita conservadora, críticos associaram o encontro ao histórico recente de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e às articulações políticas do grupo bolsonarista no exterior.
Entre os comentários negativos, internautas apontaram uma suposta incoerência entre o discurso patriótico defendido pelo parlamentar e a atuação internacional de Eduardo, chamado por alguns usuários de “traidor da Pátria”. Adversários políticos acusam o ex-deputado de agir contra interesses brasileiros ao defender medidas e pressões externas sobre o país, entre elas o tarifaço deflagrado em agosto do ano passado sobre produtos brasileiros.
Nos comentários das publicações, alguns usuários elevaram o tom das críticas. “Isso é patriotismo? Isso é patético! Associação com foragidos, golpistas. Ridículo”, escreveu um internauta. Outro comentário afirmou: “Mais um deputado e militar foi para os Estados Unidos conspirar contra o Brasil”. Houve ainda quem cobrasse punições ao parlamentar potiguar: “Tudo pago com dinheiro do povo, deveria ser cassado, isso é um absurdo, visitar um traidor da pátria fugitivo da Justiça brasileira”, publicou outro usuário nas redes sociais.
Interferências de Eduardo nos EUA
Desde que passou a morar nos Estados Unidos, em julho de 2025, Eduardo Bolsonaro tornou-se um dos principais interlocutores do bolsonarismo junto a setores ligados ao presidente americano Donald Trump. O ex-deputado intensificou contatos com parlamentares republicanos, participou de eventos conservadores internacionais e passou a defender publicamente sanções contra autoridades brasileiras e críticas às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A atuação de Eduardo Bolsonaro ganhou ainda mais repercussão em agosto do ano passado, quando esteve entre os articuladores políticos do chamado “tarifaço” anunciado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros. Eduardo também passou a defender a anistia ou revisão de penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Além disso, no início deste ano, o filho do ex-presidente intensificou críticas ao STF e passou a defender publicamente a concessão de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro, preso desde novembro de 2025. A permanência de Eduardo nos Estados Unidos ganhou ainda mais repercussão após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, em dezembro do ano passado, por excesso de faltas às sessões legislativas enquanto permanecia fora do país.