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NÚMEROS DESMENTEM DISCURSO DE ALLYSON SOBRE SITUAÇÃO FISCAL DO RN

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O discurso do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, sobre a baixa capacidade de investimento do Rio Grande do Norte acaba sendo relativizado quando os próprios números da gestão municipal são analisados.

Em entrevista recente à jornalista Micarla de Sousa no Jornal do Dia, da TV Ponta Negra, Allyson Bezerra afirmou que o estado enfrenta uma das piores condições fiscais do país, citando a nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional que mede a saúde financeira de estados e municípios.

No entanto, dados fiscais mostram que a realidade dos investimentos realizados por Mossoró durante sua gestão não se distancia significativamente da situação do governo estadual quando os valores são comparados proporcionalmente à Receita Corrente Líquida (RCL).

Investimentos em Mossoró
De acordo com o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) do 6º bimestre de 2025, a gestão municipal registrou:
• Receita Corrente Líquida: R$ 1.413.222.253,52
• Investimentos: R$ 39.191.279,55
Os investimentos realizados correspondem a 2,77% da Receita Corrente Líquida do município.
Investimentos do Governo do Estado
Já o governo do Rio Grande do Norte registrou em 2025:
• Receita Corrente Líquida: R$ 26.656.696.864,94
• Investimentos: R$ 605.189.839,80
O volume representa 2,27% da Receita Corrente Líquida do Estado.
Assim, quando os dados são analisados proporcionalmente à Receita Corrente Líquida, a diferença entre Mossoró e o Governo do Estado é inferior a 0,5 ponto percentual.

Em termos práticos, isso significa que Mossoró investiu 2,77% da sua Receita Corrente Líquida, enquanto o Estado aplicou 2,27% da sua Receita Corrente Líquida em investimentos.

Folha de pagamento pressiona contas estaduais
Outro fator que pode explicar a limitação da capacidade de investimento do Estado é o elevado comprometimento da receita com despesas de pessoal.

Dados do Relatório de Gestão Fiscal apontam que o Rio Grande do Norte compromete 56,41% da Receita Corrente Líquida com despesas de pessoal, ultrapassando o limite máximo de 49% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Esse nível de comprometimento reduz o espaço fiscal disponível para ampliação de investimentos em obras e infraestrutura.

Mossoró arrecada R$ 42 milhões acima do previsto enquanto Estado enfrenta frustração bilionária

O Diário do Rn teve acesso aos números do RREO (Relatório Resumido de Execução Orçamentário) do 6º bimestre de 2025 e revela cenários fiscais distintos entre o município de Mossoró e o governo do Rio Grande do Norte.

No caso de Mossoró, a arrecadação superou a previsão atualizada do orçamento. O município estimava receitas de R$ 1.382.977.000,00, mas encerrou o período com R$ 1.425.318.539,98, resultando R$ 42,3 milhões acima do previsto.

Já nas contas estaduais, o cenário foi inverso. O orçamento previa arrecadação de R$ 24.872.967.329,22, porém o valor efetivamente arrecadado ficou em R$ 23.648.298.748,99, gerando uma frustração de receita de aproximadamente R$ 1,22 bilhão.

A diferença entre os dois cenários reforça o debate sobre as condições fiscais em que cada gestão operou, tema que tem ganhado espaço no embate político recente.

Quando se observam conjuntamente investimentos, arrecadação, comprometimento da folha e evolução da dívida, os dados oficiais indicam que a realidade fiscal é mais complexa do que a narrativa apresentada no debate político.

Nesse cenário, os próprios números da gestão municipal acabam relativizando o discurso de superioridade administrativa frequentemente utilizado pelo ex-prefeito de Mossoró ao comparar sua administração com a do Rio Grande do Norte.


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